neocolonialismo - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/neocolonialismo/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Tue, 11 Mar 2025 12:29:48 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png neocolonialismo - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/neocolonialismo/ 32 32 Wilson Ramos Filho: “A irrelevância geopolítica da Europa” https://www.ocafezinho.com/2025/03/11/wilson-ramos-filho-a-irrelevancia-geopolitica-da-europa/ Tue, 11 Mar 2025 12:29:22 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=203942 Por Wilson Ramos Filho, o Xixo

Menos de 30 anos depois da publicação do Manifesto Comunista (1848), com o capitalismo europeu em profunda crise decorrente, inclusive, da contestação dos movimentos sociais dos trabalhadores socialistas e anarquistas, 15 governos se reuniram em Berlim, entre 15 de novembro de 1884 e 26 de fevereiro do ano seguinte, para, sob o argumento de prevenção de novas guerras, partilharem o continente africano. Fora os EUA e o Império Turco-Otomano, todos os demais participantes do pacto imperialista eram países europeus ocidentais.

Literalmente, a Europa dividiu a África segundo critérios que não guardavam relação com aspectos culturais dos povos originários ou com alguma racionalidade geográfica. A partilha foi feita segundo interesses econômicos e presença de entrepostos comerciais no litoral. Quem tivesse o litoral teria o interior do continente (princípio do hinterland).

Grande parte da riqueza europeia, desde então, decorreu das deliberações de Berlim em 1885. A exploração dos africanos e de suas riquezas produziu a opulência que garantiu o desenvolvimento econômico e os “trinta gloriosos anos” do capitalismo administrado, que proporcionou a construção da social-democracia europeia na segunda metade do século XX e a atual União Europeia.

Todavia, desde os anos 1960 do século passado, um potente movimento anticolonialista varreu o continente africano. O atual mapa político é consequência desse processo e das guerras que se estabeleceram em quase todos os países depois das independências políticas, a maioria delas fomentadas por países europeus continentais. Mas, de um modo ou de outro, desde então as antigas metrópoles mantiveram mecanismos de exploração semicolonial e imperialista, turbinando o capitalismo europeu à custa da miséria na África, pelo menos até o final do século passado.

No início do século XXI, começaram a aparecer fissuras no neocolonialismo europeu pelos investimentos em infraestrutura chineses e russos em muitos países, como contrapartida da exportação de produtos primários para alimentar o desenvolvimento econômico nesses novos parceiros comerciais.

De outra parte, o capitalismo estadunidense se expandiu em direção às Américas, ao Oriente Médio e, de um modo bastante agressivo, por intermédio da globalização neoliberal, em todo o mundo.

Seja como for, a Europa foi se tornando, pouco a pouco, cada vez mais irrelevante do ponto de vista econômico, embora mantivesse certa importância geopolítica. E, por conta da mediocridade dos líderes europeus, ao cabo de algumas décadas tornou-se vassala das decisões políticas dos EUA.

A guerra inventada pela OTAN na Ucrânia só fez piorar as relações internacionais e escancarou a fragilidade da União Europeia, que embarcou em uma guerra sem sentido para agradar os EUA.

Agora que o pragmatismo do Partido Republicano estadunidense e dos oligarcas bilionários que chegaram ao poder com Trump quer terminar a guerra contra a Rússia, de modo ridículo, como um poodle ladrando para um urso, a Europa tenta vender ao mundo a mentira de que haveria um risco iminente de uma expansão russa sobre os países europeus ocidentais.

É muita dissociação cognitiva a imprensa mundial comprar a falsa ideia de que a Europa estaria em perigo. Por que razão o país com maior território no planeta iria querer invadir a decadente Europa Ocidental? Um continente que não tem riquezas minerais, é dependente energético crônico, está envolto em profundas crises de identidade, humanitária, de valores e em irremediáveis crises econômicas, imigratórias e sociais que propiciaram o ressurgimento do fascismo e o fim da Europa Social, convenhamos, não parece ser alvo da cobiça de nenhum dos outros centros de poder global.

De maneira deprimente, vemos Inglaterra, França, Alemanha, Itália, entre outros, tentando se agrandar, falar grosso, como se ainda vivêssemos em 1885 e como se a Europa ainda possuísse a importância que teve no século XIX e no curto século XX (como dizia Hobsbawm), fazendo ameaças nucleares. Obviamente, a Rússia não tem nenhum interesse em invadir a Europa Ocidental. Só trouxas embarcariam nessa narrativa tacanha.

Lamentavelmente, a guerra na Ucrânia vai continuar como decorrência da inútil tentativa de uma Europa decadente de se afirmar como interlocutora de uma nova partilha dos mercados (produtores e consumidores) em um cenário de afirmação dos BRICS, da China, da Rússia, da Índia e do Brasil nos negócios internacionais. Espero que o mundo tenha a lucidez que falta às elites políticas e econômicas europeias. Caso contrário, o risco real será o de uma terceira guerra mundial de consequências inestimáveis para o futuro da vida na Terra.

Wilson Ramos Filho, o “Xixo”, 10 de março de 2025

Original: https://www.facebook.com/share/p/15V6YrKuyB/?mibextid=wwXIfr

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Como o BRICS está desafiando o neocolonialismo https://www.ocafezinho.com/2024/11/21/como-o-brics-esta-desafiando-o-neocolonialismo/ https://www.ocafezinho.com/2024/11/21/como-o-brics-esta-desafiando-o-neocolonialismo/#respond Thu, 21 Nov 2024 19:16:25 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=197381 Com uma postura firme, o BRICS está redesenhando o equilíbrio global, fortalecendo soberanias e mostrando que cooperação entre nações emergentes pode criar um futuro mais justo


O mundo está testemunhando uma transição da unipolaridade para a multipolaridade, afirmou Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, durante um evento da Sputnik em Nova Déli, Índia. A mudança, segundo ele, é impulsionada por iniciativas como o BRICS, que desafiam sistemas de poder dominados e combatem práticas neocoloniais.

No evento intitulado “Novas avenidas para cooperação entre a mídia indiana e russa: impulsionando os laços entre pessoas entre a Índia e a Rússia”, Peskov destacou que a nova ordem mundial deve ser baseada em “respeito mútuo, rejeitar quaisquer sinais de neocolonialismo e remover ameaças a diferentes países.”

Ele argumentou que é essencial permitir que nações resolvam seus próprios problemas sem interferências externas.

De acordo com Peskov, o BRICS desempenha um papel crucial ao combater tentativas de implementar sistemas neocoloniais. Como exemplo, ele citou a pressão sem precedentes, e muitas vezes “imperdoável”, que a Índia enfrenta dos Estados Unidos.

Em contraste, ele elogiou a postura da Rússia, que não busca “dar sermões” à Índia sobre questões como seu desacordo fronteiriço com a China, assim como não interfere nas políticas chinesas em relação à Índia.

“A Rússia valoriza seu relacionamento com a Índia e a China. Quando a Rússia diz mundo multipolar, é isso mesmo. A Rússia não interfere em assuntos regionais e nem a América deveria”, destacou Peskov.

O porta-voz do Kremlin reforçou que o BRICS exemplifica um modelo de cooperação que rejeita o controle unilateral e promove soluções conjuntas para desafios globais.

Essa abordagem desafia diretamente o que ele descreveu como o comportamento intervencionista dos Estados Unidos, particularmente em situações como a crise na Ucrânia.

Sobre a postura dos EUA, Peskov afirmou que a Rússia está aberta a uma proposta de paz do presidente eleito Donald Trump para o conflito na Ucrânia.

Ele, no entanto, acusou o governo Biden de “defender a guerra, não a paz”, referindo-se a recentes autorizações para ataques profundos em território russo.

Por fim, Dmitry Kiselev, diretor-geral da Rossiya Segodnya, grupo-mãe da Sputnik, comentou sobre a tensão entre Rússia e OTAN, destacando que a resposta de Vladimir Putin incluiu uma nova doutrina nuclear.

Essa política considera ataques de estados não nucleares apoiados por potências nucleares como atos de agressão conjunta.

Com o fortalecimento do BRICS e sua rejeição ao neocolonialismo, o bloco se posiciona como um pilar na transição para um mundo multipolar, redefinindo as dinâmicas de poder globais e promovendo uma governança mais equitativa.

Com informações da Sputnik e Global Times*

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