Nima Alkhorshid - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/nima-alkhorshid/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Sun, 28 Jun 2026 20:08:34 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Nima Alkhorshid - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/nima-alkhorshid/ 32 32 Israel não consegue mais vencer o Irã e suporte militar dos EUA está se desfazendo, alerta analista Robert Barnes https://www.ocafezinho.com/2026/06/28/israel-nao-consegue-mais-vencer-o-ira-e-suporte-militar-dos-eua-esta-se-desfazendo-alerta-analista-robert-barnes/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/28/israel-nao-consegue-mais-vencer-o-ira-e-suporte-militar-dos-eua-esta-se-desfazendo-alerta-analista-robert-barnes/#respond Sun, 28 Jun 2026 20:08:34 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/28/israel-nao-consegue-mais-vencer-o-ira-e-suporte-militar-dos-eua-esta-se-desfazendo-alerta-analista-robert-barnes/

O Oriente Médio vive um momento de reacomodação de forças, com os Estados Unidos sinalizando uma saída gradual da região e Israel vendo seu poderio militar relativo se enfraquecer. Na entrevista ao canal Dialogue Works, conduzida por Nima Shirazi, o analista político Robert Barnes traçou um cenário no qual a confrontação direta entre Israel e Irã já não pode ser vencida pelo estado judeu sem o guarda-chuva protetor americano – e esse guarda-chuva está encolhendo.

Barnes observou que os ataques iranianos às bases da Quinta Frota americana no Bahrein as deixaram inutilizáveis e praticamente sem pessoal, o que, somado à ausência de esforços de reparo, indica uma retirada silenciosa dos Estados Unidos do Oriente Médio. “A probabilidade de um conflito militar cinético entre EUA e Irã é muito remota neste estágio – está diminuindo a cada dia”, afirmou o entrevistado. Esse desengajamento, segundo ele, reduz a margem de manobra de Israel, que sempre dependeu da defesa americana para conter a capacidade balística do Irã.

O analista detalhou por que o Irã não consegue usar o Estreito de Ormuz como alavanca total contra Israel. A China, maior compradora do petróleo iraniano durante a era de sanções, liberou suas próprias reservas estratégicas – adquiridas a preços baixos nos últimos anos – para estabilizar os mercados da Ásia e do hemisfério sul. “A China não estava em posição de permitir um colapso econômico global mesmo que quisesse ajudar seu aliado Irã”, disse Barnes. Isso limita a capacidade de Teerã de manter o estreito fechado como trunfo diplomático sem desgastar sua relação com Pequim.

Com o risco de bloqueio diminuído e a presença americana se dissipando, Israel enfrenta uma equação militar desfavorável. “Israel não pode vencer uma guerra contra o Irã. Sua única esperança era a proteção americana, no mínimo as defesas americanas”, ressaltou Barnes. A vulnerabilidade israelense é ampliada pelo tamanho reduzido do país, com pontos críticos de energia e água ao alcance dos mísseis iranianos, enquanto o território do Irã é cerca de 93 vezes maior.

No front libanês, o entrevistado avalia que a mudança de tom do governo de Beirute – que passou a exigir a retirada total de Israel – reflete instruções vindas de Washington, especialmente do vice-presidente J.D. Vance, que vem pressionando Israel nos bastidores. Barnes lembrou o exemplo do presidente Ronald Reagan, que após a morte dos fuzileiros navais em Beirute optou por se retirar e obrigar Israel a recuar, em vez de escalar o conflito. “A estratégia de Reagan foi sair e dizer a Israel para baixar a bola”, comparou.

Para o analista, a saída negociada com o Líbano pode abrir uma janela de cessar-fogo, ainda que temporária, algo que duas semanas atrás parecia improvável. Enquanto isso, a liderança iraniana demonstrou compreender a volatilidade do governo Trump, chegando a contratar psiquiatras para interpretar as mensagens do presidente americano e ajustar sua postura negocial – um sinal de que o Irã está navegando o tabuleiro com pragmatismo, o que pressiona ainda mais a posição de Netanyahu em um cenário de isolamento crescente.

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Mísseis do Irã forçam recuo dos EUA: bases se movem para oeste para escapar de ataques, diz Ray McGovern https://www.ocafezinho.com/2026/06/27/misseis-do-ira-forcam-recuo-dos-eua-bases-se-movem-para-oeste-para-escapar-de-ataques-diz-ray-mcgovern/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/27/misseis-do-ira-forcam-recuo-dos-eua-bases-se-movem-para-oeste-para-escapar-de-ataques-diz-ray-mcgovern/#respond Sat, 27 Jun 2026 20:12:38 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/27/misseis-do-ira-forcam-recuo-dos-eua-bases-se-movem-para-oeste-para-escapar-de-ataques-diz-ray-mcgovern/

A escalada de tensões entre Irã e Estados Unidos no Oriente Médio ganhou novos contornos nos últimos dias, com ataques mútuos no estratégico Estreito de Ormuz. Em entrevista ao canal Dialogue Works conduzida pelo apresentador Nima Alkhorshid, Ray McGovern, ex-agente da CIA e comentarista geopolítico, afirmou que os iranianos se sentem no controle da situação e não têm pressa em ceder às pressões americanas. “Se eu fosse iraniano, diria que estamos na posição de vantagem. Podemos tolerar melhor do que os Estados Unidos e Trump, especialmente com as eleições de meio de mandato se aproximando”, disse McGovern. O Irã vem impondo taxas e restrições à passagem de navios, e qualquer embarcação que tente furar o bloqueio é alvo de mísseis, como ocorreu com um petroleiro que transportava 2 milhões de barris de petróleo bruto.

A resposta dos EUA incluiu ataques a instalações iranianas no sul do país e, segundo a Associated Press, uma base americana no Bahrein foi atingida na noite anterior à visita do secretário de Estado Marco Rubio. McGovern ironizou a situação: “Não achei que Rubio tivesse coragem de visitar o Bahrein. O ataque iraniano aparentemente aconteceu depois que as rodas do avião dele já estavam no ar”. O analista critica a postura americana de buscar canais secretos enquanto mantém uma retórica dúbia. “Se eu estivesse em Teerã, diria: querem falar conosco? Usem mediadores. Não queremos mais dessas artimanhas”, afirmou.

O Líbano emerge como peça-chave no tabuleiro, tanto que o primeiro ponto do memorando de entendimento entre as partes trata da necessidade de Israel se retirar do país. McGovern acredita que o Irã faz questão desse item por uma questão de princípio: “O Irã não age como as petromonarquias do Golfo. Há um altruísmo, uma solidariedade que não estamos acostumados a ver no Ocidente”. Ele vê uma chance real de Donald Trump frear Israel para reabrir o Estreito de Ormuz, condição vital para evitar um colapso econômico global. “Netanyahu está em apuros políticos. Se for substituído, pode acabar na cadeia. Mas a maioria em Israel ainda acredita que o ‘Papai’ Trump vai ceder. Pela primeira vez, há uma chance de ele dizer: chega, parem com o Líbano”, avaliou.

A devastação causada pelos mísseis iranianos foi tamanha que, segundo reportagem do Wall Street Journal, os comandos militares americanos estudam reposicionar suas bases para oeste, possivelmente em Israel. Para McGovern, isso só tornaria Israel um alvo ainda mais exposto. “Os mísseis hipersônicos iranianos já provaram que podem atravessar qualquer defesa aérea. Se moverem as bases para Israel, será um alvo maior e mais acessível”, alertou. Ele acrescentou que a mídia israelense esconde os verdadeiros danos por meio de uma censura rigorosa.

Sobre a guerra na Ucrânia, McGovern destacou a postura cautelosa de Vladimir Putin, mesmo diante das provocações da Otan. Ele mencionou que, apesar dos drones estarem adiando o avanço russo, o Kremlin não retaliará atacando um país da Otan, pois o risco de uma reação imprevisível de Trump é demasiado alto. “Putin pergunta: qual a chance de Trump invocar o Artigo 5 e nos levar a uma guerra com a Otan? Mesmo que seja 10%, isso é alto demais. Estamos vencendo a guerra em terra. Por que arriscar tudo o que construímos desde 2000?”, relatou o analista, que vê o líder russo como alguém moldado pela tragédia pessoal — seu irmão mais velho morreu de fome no cerco de Leningrado — e determinado a não repetir os horrores da guerra.

McGovern também lembrou que a Rússia já não aposta mais em acordos com os EUA. Após Rubio declarar que o entendimento de Anchorage estava morto, Ushakov respondeu que “uma parte ainda está comprometida com o discutido em Anchorage, mas a outra se mostrou incapaz de cumprir sua parte do processo e de honrar os acordos”. A conclusão de Moscou: “Já não esperamos que esses acordos sejam cumpridos. Esperamos a vitória.” Para McGovern, tanto russos quanto iranianos adotam uma estratégia de paciência, confiando que o tempo e a geografia jogam a seu favor.

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