operação militar - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/operacao-militar/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Fri, 22 Aug 2025 19:48:37 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png operação militar - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/operacao-militar/ 32 32 O que está por trás da tensão entre Venezuela e EUA https://www.ocafezinho.com/2025/08/23/o-que-esta-por-tras-da-tensao-entre-venezuela-e-eua/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/23/o-que-esta-por-tras-da-tensao-entre-venezuela-e-eua/#respond Sat, 23 Aug 2025 20:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=215993 Frota de seis navios militares americanos deve chegar a águas próximas da Venezuela no domingo. Casa Branca alega combate ao narcotráfico, mas alcance da mobilização soa alerta na região.

Uma frota de navios militares americanos a caminho da América do Sul deve chegar a águas internacionais na costa da Venezuela neste domingo (24/08), ampliando a tensão entre a Casa Branca e o regime de Nicolás Maduro.

A operação militar ordenada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, é oficialmente destinada a combater o narcotráfico na região, mas seu alcance e implicações práticas são uma incógnita, e fez soar alertas em alguns países latino-americanos.

Trump e Maduro, inimigos de longa data

Washington e Caracas não mantêm relações diplomáticas bilaterais formais desde 2019, no primeiro mandato de Trump. O rompimento ocorreu quando a Casa Branca reconheceu o então líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, como presidente interino do país, após a Assembleia Nacional venezuelana não reconhecer a reeleição de Maduro.

Na época, os EUA impuseram diversas sanções contra Caracas e Trump chegou a falar que uma intervenção militar era “uma opção” para mudar o regime no país. Durante o governo Joe Biden, o governo americano seguiu rompido com a Venezuela.

Em 18 de julho deste ano, uma troca de prisioneiros entre EUA e Venezuela acendeu esperanças de que os dos países poderiam adotar uma atitude pragmática de reaproximação, mas a situação logo se deteriorou. Uma semana depois, o governo americano classificou o Cartel de los Soles como organização terrorista internacional e afirmou que ele era liderado por Maduro e uma ameaça à paz e à segurança dos EUA.

Em seguida, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, divulgou um comunicado afirmando que Maduro fraudou as eleições para se manter no poder e que não o reconhecia como presidente da Venezuela.

E Trump, segundo o jornal americano New York Times, assinou uma diretriz sigilosa determinando ao Pentágono o uso de força militar contra cartéis na América Latina classificados como organizações terroristas.

Retorno da Doutrina Monroe?

Em 7 de agosto, o Departamento de Estado dos EUA dobrou a recompensa por informações que levassem à prisão de Maduro, de 25 milhões para 50 milhões de dólares. No dia seguinte, a procuradora-geral dos EUA, Pamela Bondi, publicou um vídeo no X acusando Maduro de ser um dos maiores líderes mundiais do narcotráfico e de colaborar também com os cartéis Tren de Aragua e Cartel de Sinaloa.

Nesta terça-feira, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, foi questionada sobre a movimentação de navios militares em direção à Venezuela e respondeu que Washington usaria “toda sua força” para impedir que drogas chegassem ao território americano.

“O regime de Maduro não é o governo legítimo da Venezuela; é um cartel narcoterrorista. Maduro, na visão deste governo, não é um presidente legítimo; é um chefe fugitivo deste cartel, indiciado nos Estados Unidos por tráfico de drogas”, afirmou.

A autorização para que o Pentágono atue contra cartéis na América Latina e a escalada sobre a Venezuela trazem indícios de que Trump poderia tentar reativar a Doutrina Monroe, criada no início do século 19 para afirmar a hegemonia dos EUA sobre as Américas, que serviu de pretexto para intervenções e golpes militares na região no século 20.

Na gestão Barack Obama, a Casa Branca chegou a anunciar que essa doutrina estava “morta”, substituída pela priorização de parcerias e cooperações com os países latino-americanos.

Qual é o tamanho da frota mobilizada

O envio de navios militares americanos à costa da Venezuela foi noticiado na segunda-feira pela agência de notícias Reuters e depois confirmado por outros veículos.

Compõem a frota, segundo os relatos:

  • Três contratorpedeiros (USS Gravely, USS Jason Dunham e USS Sampson) equipados com o sistema Aegis de mísseis guiados de alta precisão. São navios de guerra menores e mais ágeis, com poder de fogo para interceptar mísseis e agir contra aeronaves e submarinos
  • Três navios de assalto anfíbio (USS Iwo Jima, USS Fort Lauderdale e USS San Antonio), úteis para o desembarque de tropas, blindados e outros equipamentos militares no litoral
  • Um submarino de propulsão nuclear
  • Aviões P-8 Poseidon, usados para missões marítimas de patrulha e reconhecimento
  • O efetivo seria composto por 4.500 militares, incluindo 2.200 fuzileiros navais

A previsão inicial era de que os navios chegariam à posição pretendida na quarta-feira, mas a missão foi adiada em alguns dias devido ao furacão Erin, ativo na costa leste dos EUA.

O USS Iwo Jima, um dos navios americanos a caminho da Venezuela | Jonathan Nackstrand/AFP

O que pode estar por trás da ordem de Trump

No seu atual mandato, Trump vem testando em diversas oportunidades até que ponto consegue mobilizar militares para atuar em questões internas e no combate à criminalidade.

Ele já destacou militares para a fronteira com o México para atuar no controle da imigração de pessoas indocumentadas, para Los Angeles para proteger prédios federais e autoridades policiais durante uma onda de protestos contra as políticas anti-imigração da Casa Branca, e mais recentemente para Washington D.C. com o objetivo declarado de combater a criminalidade.

O uso das Forças Armadas do país para o combate ao narcotráfico não seria inédito. No governo de George H. W. Bush, militares americanos invadiram o Panamá para capturar o então ditador Manuel Noriega, acusado de chefiar uma quadrilha de tráfico de drogas – a iniciativa durou de dezembro de 1989 a janeiro de 1990 e ficou conhecida como Operação Justa Causa.

Segundo fontes venezuelanas consultada pelo jornal O Globo, sob anonimato, Caracas considera diversos possíveis cenários relacionados à chegada da frota de navios militares americanos. Um deles seria usar essa frota para impor restrições ao movimento de navios no litoral venezuelano e dificultar a exportação de petróleo, maior fonte de recursos do regime chavista.

Outra opção, menos provável, seria um ataque pontual e direcionado contra Maduro ou outra autoridade venezuelana, como ocorreu com o general iraniano Qassim Soleimani, comandante da Guarda Revolucionária do Irã, morto em 2020, durante o primeiro governo Trump, por um míssel disparado por drone americano no Iraque.

Também compõe o cenário uma tentativa de invasão ou de golpe na Venezuela liderada por grupos paramilitares, como ocorreu na chamada Operação Gideão em maio de 2020, que acabou com a prisão e morte dos envolvidos.

A mobilização da Marinha americana também pode ter efeitos além da Venezuela, ao enviar um sinal a outros países da região sobre a natureza do atual governo americano.

Maduro vê “ameaça bizarra de um império em declínio”

Se para Trump o deslocamento de navios militares para o litoral venezuelano serve para mostrar poder militar, para Maduro isso também é de certa forma útil como pretexto de união nacional.

O ditador venezuelano chamou a mobilização naval americana de “uma ameaça bizarra de um império em declínio”, anunciou o deslocamento por todo o país de 4,5 milhões de milicianos armados (integrantes da Força Armada Nacional Bolivariana) como parte de um “plano de paz” e apelou às milícias para que estejam “preparadas, ativadas e armadas”.

“Nenhum império vai tocar o solo sagrado da Venezuela, nem deve tocar o solo sagrado da América do Sul”, disse Maduro.

O governo venezuelano rechaça acusações de vínculos com o narcotráfico. O ministro do Interior e da Justiça, Diosdado Cabello, afirmou que o Cartel de Los Soles era uma “invenção” da Casa Branca.

“O Cartel de los Soles é uma invenção, não sei há quantos anos eles inventaram isso e, nesse tempo, já teve cerca de 300 chefes. Sempre que alguém os incomoda, eles o colocam como chefe do Cartel de los Soles”, disse ele em uma coletiva de imprensa transmitida em 7 de de agosto pelo canal estatal Venezolana de Televisión (VTV).

“Nenhum império vai tocar o solo sagrado da Venezuela”, afirmou Maduro | Cristian Hernandez/AP Photo/picture alliance

Maduro é presidente desde 2013, e nas últimas eleições, em 2024, foi declarado vencedor pela Justiça Eleitoral em um processo contestado por observadores internacionais e sem apresentar as atas eleitorais para conferência, e para muitos analistas comanda hoje uma autocracia.

O governo brasileiro se engajou em negociações que buscavam a realização de eleições limpas na Venezuela em 2024, mas criticou a falta de transparência do processo eleitoral e não reconheceu o resultado que deu vitória a Maduro.

México e Colômbia criticam movimentação dos EUA

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, criticou nesta terça-feira as manobras militares dos EUA em direção à Venezuela. Questionada sobre o tema, ela reforçou que a Constituição mexicana defende “a autodeterminação dos povos, a não intervenção e a resolução pacífica de controvérsias”.

O governo mexicano já havia rechaçado também a possibilidade de militares americanos entrarem em seu território com o objetivo declarado de combater o narcotráfico, após a ordem de Trump para o Pentágono sobre cartéis considerados terroristas.

“Os Estados Unidos não virão ao México com as Forças Armadas”, disse ela em 8 de agosto. “Nós cooperamos, colaboramos, mas não haverá invasão. Isso está descartado, absolutamente descartado.” Internamente, o governo mexicano já está dobrando a aposta na militarização para o combate ao narcotráfico.

O presidente colombiano, Gustavo Petro, também reagiu. “Os gringos estão enganados se pensam que invadir a Venezuela resolverá o seu problema, vão colocar o país na mesma situação da Síria, mas com o problema de arrastar a Colômbia para o mesmo caminho”, afirmou em uma reunião ministerial nesta terça-feira. “Disse a Trump, por meio de emissários, que isso seria o pior erro.”

O governo brasileiro, até o momento, não se manifestou oficialmente sobre o tema. Segundo o portal UOL, Brasília acompanha a movimentação da frota americana e avaliará como reagir diante de novos desdobramentos.

Publicado originalmente pelo DW em 22/08/2025

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Mais de 80% dos israelenses apoiam a “expulsão forçada” da população de Gaza https://www.ocafezinho.com/2025/05/23/mais-de-80-dos-israelenses-apoiam-a-expulsao-forcada-da-populacao-de-gaza/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/23/mais-de-80-dos-israelenses-apoiam-a-expulsao-forcada-da-populacao-de-gaza/#respond Fri, 23 May 2025 14:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=209348 O primeiro-ministro de Israel diz que sua condição para acabar com a guerra genocida contra Gaza é a implementação de um plano dos EUA para expulsar os moradores da faixa

Uma nova pesquisa conduzida pela Universidade Estadual da Pensilvânia descobriu que 82% dos israelenses apoiam a limpeza étnica de Gaza, coincidindo com um esforço contínuo de Tel Aviv para deslocar e realocar à força a população da faixa.

A pesquisa foi realizada em março e publicada pelo jornal Haaretz em 22 de maio, entrevistando 1.005 judeus israelenses.

Em resposta a uma pergunta sobre se o exército israelense deveria agir de acordo com a história bíblica dos israelitas e a erradicação de todos os habitantes de Jericó durante a conquista da cidade, 47% dos israelenses responderam “Sim”.

Sessenta e cinco por cento dos entrevistados também acreditam que há uma “encarnação contemporânea de Amaleque”. Noventa e três por cento dos 65 por cento acreditam que “o mandamento de apagar a memória de Amaleque também é relevante para aquele Amaleque moderno”.

No início da guerra em Gaza, o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu chamou a campanha de Tel Aviv de uma guerra santa que lembra a guerra bíblica contra os amalequitas — um povo que os antigos israelitas foram ordenados a exterminar na Bíblia hebraica.

“Oitenta e dois por cento dos entrevistados expressaram apoio à expulsão forçada de moradores da Faixa de Gaza, e 56 por cento apoiaram a expulsão forçada de cidadãos árabes de Israel”, cita o Haaretz , afirmando a pesquisa, marcando um aumento acentuado em relação a uma pesquisa que fazia as mesmas perguntas há 20 anos.

A publicação da pesquisa coincide com uma nova e brutal operação militar israelense em Gaza – apelidada de Carruagens de Gideão. A operação visa colocar toda a Faixa de Gaza sob controle israelense e fará com que o exército desaloje toda a população e a confine a uma pequena área na região sul da Faixa.

Netanyahu disse em um discurso em 21 de maio que sua condição para acabar com a guerra em Gaza é a implementação de uma iniciativa proposta pelo presidente dos EUA, Donald Trump, no início deste ano, que pede a expulsão da população da faixa para outros países e a tomada de Gaza pelos EUA.

Fontes que falaram com a NBC News há uma semana disseram que Trump está trabalhando em um plano para “realocar permanentemente” até um milhão de palestinos da Faixa de Gaza para a Líbia.

Contratados de segurança dos EUA já estão na Faixa para supervisionar um novo plano de distribuição de ajuda israelense , que a ONU e outras organizações internacionais condenaram veementemente, já que ele depende de um mecanismo que deslocará ainda mais a população de Gaza.

Publicado originalmente pelo The Cradle em 23/05/2025

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Como a pausa da inteligência dos EUA impacta a operação militar da Ucrânia https://www.ocafezinho.com/2025/03/06/como-a-pausa-da-inteligencia-dos-eua-impacta-a-operacao-militar-da-ucrania/ Thu, 06 Mar 2025 16:37:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=203558 O significado preciso da inteligência dos EUA para o esforço de guerra da Ucrânia, por razões óbvias, nunca foi explicado em detalhes.

Mas a maioria dos analistas concorda que ele desempenha duas funções importantes: ajudar a Ucrânia a planejar operações ofensivas contra as forças russas e dar a Kiev um aviso prévio vital sobre ameaças representadas por drones e mísseis russos.

Informações de satélite e interceptações de sinais dão às forças ucranianas na linha de frente uma noção de onde as forças russas estão, seus movimentos e prováveis ​​intenções.

Sem a inteligência dos EUA, a Ucrânia não será capaz de fazer uso tão eficaz de armamento ocidental de longo alcance, como os lançadores Himars fabricados nos EUA ou os mísseis Stormshadow fornecidos pela Grã-Bretanha e pela França.

Além das aplicações militares, o fluxo constante de informações em tempo real fornecidas por Washington também forneceu aos militares da Ucrânia, à infraestrutura nacional crítica e à população civil informações antecipadas valiosas sobre ameaças iminentes.

As sirenes de ataque aéreo e os alertas de celular da Ucrânia são todos informados, em maior ou menor grau, pelos dados de alerta precoce fornecidos pelos satélites dos EUA, que podem detectar lançamentos de aeronaves e mísseis dentro do território russo.

Qualquer interrupção prolongada no fornecimento de inteligência dos EUA pode ter um impacto catastrófico na capacidade da Ucrânia de se defender, principalmente porque o governo Trump já decidiu suspender a assistência militar vital.

Alguns meses atrás, a Ucrânia esperava que o fornecimento de defesas aéreas adicionais — especialmente o sistema de defesa antimísseis Patriot, fabricado nos EUA — permitiria estender a proteção a um número maior de alvos em potencial, incluindo cidades e usinas de energia em todo o país.

Mas agora o suprimento de mísseis Patriot da Ucrânia está acabando. As últimas promessas europeias de fornecer sistemas de curto e médio alcance ajudarão a combater algumas ameaças, mas não contra os mísseis balísticos hipersônicos mais perigosos da Rússia.

Está claro que os EUA estão usando a retenção de assistência militar e inteligência como outra alavanca diplomática — contundente.

O conselheiro de segurança nacional dos EUA, Mike Waltz, disse que a assistência militar à Ucrânia pode ser retomada se o país concordar em participar dos esforços diplomáticos liderados pelos EUA.

“Acho que se conseguirmos concretizar essas negociações e avançar em direção a elas… então o presidente analisará seriamente a possibilidade de suspender essa pausa”, disse ele à Fox News.

O diretor da CIA, John Ratcliffe, disse à Fox Business que a pausa “irá acabar”.

Mas está claro o que a Casa Branca quer do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em troca.

Publicado originalmente pela BBC Notícias em 05/03/2025

Por Paulo Adams – Correspondente diplomático

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