oriente médio - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/oriente-medio/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Wed, 24 Jun 2026 18:49:05 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png oriente médio - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/oriente-medio/ 32 32 Irã está no controle do Estreito de Ormuz e alerta que volta da guerra é iminente se Israel não deixar o Líbano https://www.ocafezinho.com/2026/06/24/ira-esta-no-controle-do-estreito-de-ormuz-e-alerta-que-volta-da-guerra-e-iminente-se-israel-nao-deixar-o-libano/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/24/ira-esta-no-controle-do-estreito-de-ormuz-e-alerta-que-volta-da-guerra-e-iminente-se-israel-nao-deixar-o-libano/#respond Wed, 24 Jun 2026 18:49:05 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=260600

A vida voltou à normalidade em Teerã, mas a economia ainda pesa sobre a classe média e trabalhadora. Segundo o professor Mohammad Marandi, da Universidade de Teerã, entrevistado pelo canal Judging Freedom nesta quarta-feira (24), a expectativa é de que as próximas semanas tragam alívio, já que o Irã retomou as exportações de petróleo pelo Golfo Pérsico após o acordo temporário com os Estados Unidos.

Sobre o controle do Estreito de Ormuz, Marandi foi categórico: “O Irã controla o estreito. Não foi Donald Trump quem manteve o domínio”. Ele argumentou que, ao contrário do que sugeriu o secretário de Estado Marco Rubio, as águas não são internacionais, mas sim o encontro dos mares territoriais iraniano e omanense, reconhecidos pelo direito internacional. A cobrança de taxas de passagem, suspensa durante os 60 dias do memorando, será retomada assim que o prazo expirar, ainda que sob justificativas ambientais ou de seguro, evitando o termo “pedágio”. O entrevistado ressalta que essa prática de controle só surgiu como resposta à guerra iniciada por Trump e Netanyahu.

O professor explicou que a venda de petróleo bruto, agora livre de sanções pelo período do acordo, é feita diretamente pelo governo. Antes, as transações ocorriam de forma subterrânea, com intermediários e sem o uso do sistema bancário internacional, sob risco constante de represálias americanas contra compradores. “Agora vendemos abertamente, pelo menos até o fim deste prazo”, disse Marandi.

Quanto às conversas na Suíça, o analista foi enfático: mísseis balísticos não foram discutidos e jamais estarão sobre a mesa. “Os iranianos nunca discutiriam seus meios de defesa. Foram eles que salvaram o país”, afirmou, ecoando declaração do presidente Pezeshkian de que sem esses armamentos, Irã teria sido devastado como Gaza. Também não houve autorização para novos inspetores da AIEA visitarem os locais bombardeados. Apenas o reator de Bushehr e o reator experimental de Teerã permanecem acessíveis; o acesso às áreas atingidas depende de “progresso significativo” no memorando de entendimento.

O ponto mais explosivo, contudo, é o Líbano. Netanyahu declarou que suas tropas manterão total liberdade de ação no sul do país, enquanto um bebê libanês foi gravemente ferido hoje e três pessoas morreram na véspera. Marandi alertou que, se Israel não se retirar completamente e cessar os ataques, o Irã abandonará o acordo e retornará à situação de duas semanas atrás: fechamento do Estreito de Ormuz a navios ligados a aliados americanos e possível escalada militar. “Estamos muito perto de voltar à guerra”, repetiu, citando a forte pressão popular – exacerbada pela comoção da Ashura, o martírio do imã Hussein – que cobra do governo iraniano uma postura mais dura.

Apesar de Gaza não estar explicitamente no memorando, o tema foi levado à ala política do Hamas, e Marandi acredita que a exigência de um fim completo da matança em todo o “território, especialmente no Líbano”, pode fazer o frágil cessar-fogo ruir. “Se eu fosse americano, levaria os iranianos muito a sério”, concluiu o professor, indicando que a paciência de Teerã está no limite.

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Alastair Crooke: um novo Oriente Médio surge e a OTAN ataca Moscou https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/alastair-crooke-um-novo-oriente-medio-surge-e-a-otan-ataca-moscou/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/alastair-crooke-um-novo-oriente-medio-surge-e-a-otan-ataca-moscou/#respond Sat, 20 Jun 2026 17:23:16 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=259967 Em entrevista ao canal Glenn Diesen, apresentado por professor Glenn Diesen, Alastair Crooke afirmou sobre o cenário descrito a seguir. Veja o vídeo original.

Alasdair Crooke, ex-diplomata britânico, discutiu o Memorando de Entendimento com o Irã, que, apesar de ser controverso, foi aceito pelo líder supremo do Irã, que enfatizou a importância do Estreito de Hormuz. Crooke ressaltou que o documento, embora não seja um acordo definitivo, representa um marco significativo e já está sendo testado. O analista também mencionou a situação no Líbano, onde o Irã ameaçou retaliar caso Israel atacasse Beirute.

Crooke destacou a crise psicológica em Israel, onde o governo vê o memorando como uma derrota. A pressão sobre Netanyahu aumenta, pois ele pode perder as eleições se não tomar medidas ofensivas no Líbano. No entanto, qualquer ação israelense poderia ser vista como uma afronta aos EUA, especialmente após declarações de Trump sobre a necessidade de desescalamento.

A discussão também abordou o ataque recente a Moscou, que Crooke considera um grande passo para aumentar a tensão. Ele argumentou que a Europa está tentando mudar a narrativa e envolver os EUA em um conflito com a Rússia, usando a Ucrânia como linha de frente. Crooke expressou ceticismo sobre a capacidade da Europa de construir uma arquitetura militar eficaz e alertou para os riscos de uma guerra com a Rússia, que poderia rapidamente se transformar em um conflito nuclear.

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Especialistas debatem limites do poder militar dos EUA e tensões no Oriente Médio https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/especialistas-debatem-limites-do-poder-militar-dos-eua-e-tensoes-no-oriente-medio/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/especialistas-debatem-limites-do-poder-militar-dos-eua-e-tensoes-no-oriente-medio/#respond Sat, 20 Jun 2026 17:22:40 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=259960 Em entrevista ao canal Judging Freedom, apresentado por juiz Andrew Napolitano, Larry Johnson e Ray McGovern debateram sobre o cenário descrito a seguir. Veja o vídeo original.

Guerras não declaradas são comuns, e o governo americano frequentemente se envolve em ações militares sem que haja protestos significativos da população. Para construir uma sociedade livre, é fundamental compreender e rejeitar o uso ilegítimo da força pelo governo. Judge Andrew Napolitano inicia o debate com Larry Johnson e Ray McGovern, analisando a capacidade militar dos EUA e os conflitos no Oriente Médio.

Larry Johnson destaca que a estrutura militar dos EUA está baseada em tecnologia e mentalidade do século XX, tornando-a vulnerável a novas ameaças, como drones e mísseis hipersônicos. Ele menciona que, em operações recentes, os EUA sofreram perdas significativas, o que deve ser um sinal para reconsiderar a estratégia militar.

A discussão se estende à situação no Líbano, onde o acordo de cessar-fogo entre Hezbollah e Israel é visto com ceticismo. Ray McGovern enfatiza a importância do Líbano nesse contexto, citando o Memorando de Entendimento (MOU) que afirma a responsabilidade dos EUA e do Irã pela integridade territorial do país. Se Israel não respeitar o acordo, o Irã pode ter o direito de atacar para proteger o Líbano.

Os especialistas também comentam a postura de Donald Trump, que, apesar de suas declarações firmes, enfrenta limitações práticas, incluindo a retirada gradual das forças americanas da região. A pressão econômica e a escassez de recursos estratégicos, como o petróleo, são fatores cruciais que podem influenciar a decisão de Trump.

Finalmente, a conversa toca no papel de Netanyahu e a opinião pública israelense, que, segundo Ray McGovern, apoia amplamente a continuação dos ataques. A tensão entre os interesses nacionais dos EUA e Israel é evidente, e a capacidade de Trump de influenciar a situação depende de sua disposição em usar o poder econômico e militar dos EUA.

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MSF denuncia que Sul do Líbano virou armadilha mortal sob ataques de Israel https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/msf-denuncia-que-sul-do-libano-virou-armadilha-mortal-sob-ataques-de-israel/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/msf-denuncia-que-sul-do-libano-virou-armadilha-mortal-sob-ataques-de-israel/#respond Sat, 20 Jun 2026 12:44:39 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/20/msf-denuncia-que-sul-do-libano-virou-armadilha-mortal-sob-ataques-de-israel/ Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou que a situação em Nabatieh, no sul do Líbano, atingiu um ponto de colapso humanitário, descrevendo as condições na região como uma armadilha mortal em meio à escalada de ataques aéreos israelenses. O coordenador de emergência da organização para o Líbano, Pierre Boulet-Desbareau, relatou que civis e socorristas estão completamente encurralados sob bombardeios pesados, sem qualquer possibilidade de fuga segura ou de realizar operações de resgate adequadas.

A ofensiva israelense resultou em pelo menos 50 mortos, incluindo um soldado israelense, conforme informações de autoridades de saúde libanesas. Os bombardeios se concentraram em Nabatieh e diversas outras localidades do sul do país, devastando edifícios residenciais e lares, segundo o portal Al Jazeera.

Pierre Boulet-Desbareau afirmou que as equipes da MSF estão recebendo um fluxo contínuo de vítimas com ferimentos extremamente graves, incluindo traumatismos cranianos severos, hemorragias intensas, lesões extensas por estilhaços e múltiplos casos que demandam amputações imediatas. A crise é severamente agravada pelo fato de que os paramédicos também estão sob constante risco de fogo cruzado, o que inviabiliza a evacuação segura de dezenas de pessoas presas sob os escombros.

O que nossas equipes estão descrevendo se assemelha a uma autêntica armadilha mortal. Pessoas estão encurraladas sob pesados bombardeios, enquanto as equipes de resgate simplesmente não conseguem alcançá-las com a segurança necessária, declarou Boulet-Desbareau. O coordenador enfatizou a necessidade urgente de proteção imediata para todos os civis e socorristas, além de acesso irrestrito para todas as operações vitais de salvamento.

Esta nova onda de violência irrompe às vésperas de negociações cruciais, planejadas para ocorrer na Suíça, entre os Estados Unidos e o Irã, com o objetivo de selar um acordo de paz provisório. Teerã insiste que qualquer resolução final exige imperativamente o fim do conflito em todas as frentes regionais, incluindo o Líbano, e teria adiado o envio de seus delegados para as conversas em resposta direta à escalada militar israelense na região.

O exército israelense confirmou oficialmente que iniciou os ataques em retaliação a uma ação prévia do Hezbollah que teria resultado na morte de quatro de seus soldados. No entanto, apesar do anúncio público de um cessar-fogo feito pelo presidente dos EUA, Donald Trump, as forças de Israel prosseguiram com as ofensivas contra o sul libanês, contradizendo as alegações de desescalada vindas de Washington.

A agência estatal de notícias libanesa, NNA, reportou que aeronaves militares e drones israelenses realizaram uma série devastadora de ataques em Nabatieh, resultando na destruição generalizada de prédios residenciais e infraestrutura civil. O testemunho da MSF traz à tona a dimensão desoladora do cerco à população civil, que enfrenta a impossibilidade de encontrar abrigo seguro ou de ser socorrida enquanto a infraestrutura local é sistematicamente arrasada.

Com informações de Al Jazeera.

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China absorveu o choque da guerra no Irã e salvou a economia global do pior https://www.ocafezinho.com/2026/06/17/china-absorveu-o-choque-da-guerra-no-ira-e-salvou-a-economia-global-do-pior/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/17/china-absorveu-o-choque-da-guerra-no-ira-e-salvou-a-economia-global-do-pior/#respond Wed, 17 Jun 2026 16:20:26 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=259031 A China emergiu da guerra no Irã como o grande herói silencioso da estabilidade econômica global. Enquanto o Estreito de Hormuz era fechado e o fornecimento de petróleo entrava em crise, Pequim absorveu sozinha o grosso do choque de oferta, cortando drasticamente suas importações sem causar danos visíveis à própria economia. Foi uma demonstração impressionante de resiliência que ajudou a evitar uma catástrofe muito maior no Ocidente e no resto do mundo.

Javier Blas, principal analista de energia da Bloomberg, explica que a China se tornou o primeiro “swing importer” de petróleo do mundo — o equivalente no lado da demanda ao que a Arábia Saudita faz como “swing exporter”. Em maio, as importações totais de petróleo (incluindo dutos e trem) caíram para 7,8 milhões de barris por dia, o menor nível em oito anos. Isso representa um terço a menos do que antes da guerra. As importações por navio despencaram ainda mais: 45% abaixo da média de 2025. O corte diário por via marítima foi equivalente ao consumo combinado de petróleo da Alemanha, França e Reino Unido.

E o mais importante: a China fez tudo isso sem sofrer dano econômico aparente. Ela acionou várias alavancas preparadas ao longo dos anos: liberou entre 100 e 200 milhões de barris da sua enorme reserva estratégica de petróleo (a maior do mundo), disparou o uso de carros elétricos (o carregamento nas estradas aumentou entre 50% e 80% em relação ao ano anterior), bateu recorde sazonal de geração de energia a carvão e usou sua indústria de carvão-para-químicos para substituir insumos perdidos, como fertilizantes.

Essa capacidade de ajuste muda completamente o jogo geopolítico. Os traders agora sabem que Pequim consegue amortecer grandes interrupções de oferta, o que deve reduzir permanentemente o prêmio de risco geopolítico nos preços do petróleo. Além disso, a China fica muito menos vulnerável a um eventual bloqueio naval americano — especialmente em um cenário de conflito sobre Taiwan. O antigo “Dilema de Malaca”, que preocupava Pequim desde 2003, perde boa parte da sua força graças aos investimentos em renováveis, EVs, carvão e reservas estratégicas.

Javier Blas compara com 1973: se os países árabes usaram o petróleo como arma, a China usou seu “escudo” em 2026 para amortecer o impacto da guerra no Irã de forma tão eficiente que uma crisis maior foi evitada. Os preços subiram, mas não tanto quanto se temia. Inflação controlada, emprego resistindo e Wall Street até subindo — um resultado notável.

Não é a primeira vez que isso acontece. Em 2008, o pacote de estímulo chinês e a compra contínua de títulos do Tesouro americano também ajudaram a evitar o colapso total do sistema financeiro global. Duas vezes em 20 anos, o país que o Ocidente tanto apresenta como “ameaça” acabou sendo fundamental para salvar a economia mundial de desastres de origem americana.

No longo prazo, isso transforma a China de grande motor de alta nos preços do petróleo (como foi desde 2000) em uma força estabilizadora — o que é baixista para o mercado. Uma virada histórica.

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Cápsula do tempo de 400 mil anos emerge em Israel e lança nova luz sobre a evolução humana https://www.ocafezinho.com/2026/06/14/capsula-do-tempo-de-400-mil-anos-emerge-em-israel-e-lanca-nova-luz-sobre-a-evolucao-humana/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/14/capsula-do-tempo-de-400-mil-anos-emerge-em-israel-e-lanca-nova-luz-sobre-a-evolucao-humana/#comments Sun, 14 Jun 2026 03:23:23 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/14/capsula-do-tempo-de-400-mil-anos-emerge-em-israel-e-lanca-nova-luz-sobre-a-evolucao-humana/ 12 Comentários 🔥]]> Uma caverna que permaneceu hermeticamente fechada entre 400 mil e 250 mil anos foi recentemente revelada nas proximidades de Fureidis, ao sul de Haifa, em Israel. O sítio arqueológico, descrito como uma cápsula do tempo por especialistas, pode transformar o entendimento sobre um dos períodos mais enigmáticos da evolução humana: o fim do Paleolítico Inferior.

A escavação, detalhada em reportagem do portal The Debrief, expôs camadas intactas ligadas à cultura Acheulo-Yabrudiana, fase em que ancestrais humanos dominavam técnicas avançadas de lascamento de sílex. O chefe do Departamento de Pré-História da Autoridade de Antiguidades de Israel, Kobi Vardi, codiretor do estudo, enfatiza a variedade de métodos empregados para produzir ferramentas, incluindo pequenos machados de mão, raspadores e lâminas afiadas.

O professor Ron Shimelmitz, do Instituto Zinman de Arqueologia e da Escola de Arqueologia e Culturas Marítimas da Universidade de Haifa, destaca o estado de conservação raro. Para ele, trata-se de um sítio protegido da ação do tempo graças às condições excepcionais do local. Diante desse quadro, todo pré-historiador que visita o local se impressiona.

A cronologia evocada pela caverna funciona como um instantâneo de uma encruzilhada evolutiva. O registro se situa após a separação do último ancestral comum entre humanos modernos e neandertais, estimada entre 700 mil e 500 mil anos, e antes dos primeiros cruzamentos entre essas linhagens, mencionados em estudos que variam amplamente de 130 mil a 1 milhão de anos. A janela cobre a transição em que surgem rudimentos de cultura complexa, na definição de Shimelmitz.

As primeiras sondagens revelam uso intensivo de fogo, com manchas de combustão e depósitos escurecidos que sugerem atividades repetidas. Ossos de gamo, gazela e um tipo ancestral de cavalo aparecem fragmentados ao lado de concentração de sílex, sinalizando abate, processamento e descarte cuidadoso. Indícios de água nas imediações explicam a permanência de grupos em ciclos sazonais prolongados.

Para os arqueólogos, a combinação de fogueiras, oficinas de lascamento e descarte estruturado aponta para coesão social crescente. Shimelmitz associa o pacote de evidências à cooperação e à transmissão de conhecimento técnico entre gerações, motores silenciosos da evolução comportamental. O desenho do espaço sugere zonas de preparo, consumo e repouso, como se a caverna tivesse respirado com o ritmo desses grupos.

O projeto, patrocinado pela empresa rodoviária Ayalon Highways Company, mobiliza a Autoridade de Antiguidades de Israel e a Universidade de Haifa em frente de pesquisa ampliada. O pesquisador da Autoridade de Antiguidades de Israel, Amit Gabbay, colidera o esforço para reconstituir, em alta resolução, o cotidiano desses caçadores-coletores. A ambição é capturar decisões de aprovisionamento de matéria-prima, estratégias de caça e modos de habitar a paisagem.

O norte de Israel funciona, há centenas de milhares de anos, como corredor entre África e Eurásia. Em períodos de clima mais ameno, humanos e animais avançam; quando o frio aperta, recuam ou se rearranjam em bolsões de refúgio. Fureidis, a curta distância do litoral e de encostas calcárias, oferece abrigo, água e sílex, trindade que atrai populações móveis.

A cultura Acheulo-Yabrudiana é um mosaico entre o legado de machados bifaciais e a emergência de manufaturas de lâminas e raspadores mais padronizados. Em vários pontos do Levante, esse conjunto anuncia mudanças tecnológicas que, séculos depois, se consolidariam em indústrias de maior sofisticação. Na caverna, a pilha de refugo conta uma história de aprendizagem acumulada e escolhas racionais sobre formatos e módulos.

Vardi observa que a integridade das camadas permite cruzar tecnologia, fauna e microvestígios sem a contaminação típica de ocupações abertas. É como se o tempo, ali, tivesse sido colocado em suspensão por sedimentos gentis e colapsos discretos. Essa clausura natural preserva halos de atividades, reconstruíveis por quem conhece a gramática das lascas.

O fogo, presença insistente no sítio, indica cozinhar, iluminação e controle de predadores. A repetição dos pontos de combustão sugere memória espacial e regras simples de convivência, onde cada gesto encontra lugar previsto. Nas cinzas repousam sinais de refeições partilhadas, ossos rachados para extrair tutano e sílex reavivado ao calor.

Para além do tecnicismo, há uma camada de estranhamento que contamina o relato. A caverna parece operar como cápsula de ensaio para a subjetividade humana, onde ritmos cósmicos e desejos práticos se dobram em rotinas. O resultado é uma coreografia modesta e, ainda assim, decisiva para o que depois chamaremos de cultura.

Metodologicamente, a equipe aposta em escavação por unidades controladas, mapeamento milimétrico e análises sedimentares finas. O objetivo é transformar cada talho em dado e cada centímetro de cinza em hipótese verificável. Datações adequadas às idades alcançadas, associadas a leitura geoarqueológica, devem amarrar a cronologia sem ruído.

O patrocínio rodoviário sugere que a descoberta emergiu no bojo de intervenções de infraestrutura, quadro recorrente em arqueologia preventiva. O desvio de traçados e a proteção do sítio entram na equação de custos e benefícios, com a ciência reivindicando tempo contra a pressa do asfalto. Nesse embate, Fureidis ganhou uma pausa rara.

No horizonte, as instituições planejam abrir o local à visitação após o término das escavações e a instalação de estruturas de proteção. A ideia é converter conhecimento especializado em experiência pública, de escolares a viajantes ocasionais. O território passa a falar de si mesmo, sem filtros triunfalistas, pela minúcia das coisas pequenas.

Há, também, uma disputa simbólica em curso. O Levante, palco de narrativas sobre origem e destino, vê no subsolo argumentos de longa duração que relativizam epopeias recentes. Sob camadas de poeira antiga, a pergunta muda de tom: quem ensinou a primeira lâmina a nascer, e por quê.

Se a arqueologia tem vocação para a ficção controlada, aqui o roteiro é generoso. Cada lasca responde a outra, cada raspador devolve ao presente a imagem de mãos esquecidas. No silêncio da caverna, intui-se que a evolução não é uma linha, mas uma constelação de decisões locais iluminando a noite do tempo.

Quando os relatórios técnicos amadurecerem e os laboratórios testarem o que o campo sugere, o caso de Fureidis poderá reescrever contiguidades no mapa da pré-história do Oriente Médio. Entre 400 mil e 250 mil anos, um conjunto humano aprendeu a negociar com pedra, fogo e água, fabricando ordem no turbulento tabuleiro pleistocênico. A caverna, enfim, começou a falar em registro denso e legível.

Até lá, a prudência manda ouvir sem pressa o que os sedimentos têm a dizer. Não há espetáculo imediato, não há promessa fácil, apenas o acúmulo tangível de evidências que desmontam clichês. À medida que a investigação avança, Fureidis sustenta a hipótese incômoda e bela de que a cultura se ergueu de rotinas anônimas, repetidas até ganharem memória coletiva.

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Tábuas de 4 mil anos revelam a face brutal da guerra de cerco na antiga Mesopotâmia https://www.ocafezinho.com/2026/06/13/tabuas-de-4-mil-anos-revelam-a-face-brutal-da-guerra-de-cerco-na-antiga-mesopotamia/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/13/tabuas-de-4-mil-anos-revelam-a-face-brutal-da-guerra-de-cerco-na-antiga-mesopotamia/#respond Sat, 13 Jun 2026 07:33:58 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/13/tabuas-de-4-mil-anos-revelam-a-face-brutal-da-guerra-de-cerco-na-antiga-mesopotamia/ Nas planícies onduladas do Curdistão iraquiano, onde o vento ainda carrega o eco de impérios esquecidos, uma equipe de arqueólogos desenterrou um testemunho assombroso da crueldade humana. Trata-se da mais antiga evidência direta de guerra de cerco já identificada na antiga Mesopotâmia, um achado que reescreve a história dos conflitos organizados e desafia nossa compreensão da violência primordial.

O sítio de Kurd Qaburstan, até então um ponto obscuro no mapa arqueológico, revelou um complexo de fortificações maciças, valas comuns e tabuinhas cuneiformes que narram o cotidiano de uma cidade sitiada há quatro milênios. A descoberta marca a primeira vez que se encontra um conjunto substancial de registros administrativos da região de Erbil, lançando uma luz intrigante sobre uma era de violência quase mítica e sua meticulosa organização.

Conforme reportou o portal de ciência Phys.org, as escavações expuseram camadas de destruição em larga escala, com indícios de incêndios e desabamentos que sugerem um ataque fulminante. As tabuinhas, gravadas com a escrita cuneiforme, funcionavam como uma espécie de contabilidade estatal, registrando estoques de cereais, bens e a crescente angústia de uma população encurralada pelo destino implacável.

Os arqueólogos se depararam com algo ainda mais perturbador: sepulturas coletivas onde corpos foram atirados sem cerimônia, misturados a escombros e cinzas. A disposição caótica dos restos mortais indica que as vítimas não receberam os ritos funerários típicos da época, um sinal claro de que a cidade foi varrida por uma catástrofe súbita, o assalto final de um exército inimigo impiedoso.

A dimensão das muralhas encontradas em Kurd Qaburstan impressiona mesmo para os padrões da engenharia mesopotâmica. Feitas de tijolos de barro, elas formavam um perímetro defensivo robusto, com torres e baluartes que não foram suficientes para conter a fúria dos invasores. O sítio revela uma escalada tecnológica: armas de bronze, projéteis de funda e talvez os primeiros aríetes improvisados da história, todos empregados na mais brutal das conquistas.

Esse achado não apenas confirma a existência de cercos prolongados no terceiro milênio antes de Cristo, como também desafia a visão romantizada de que as primeiras cidades-Estado viviam em relativa harmonia. A guerra de cerco, com todo o seu cortejo de fome, doenças e execuções sumárias, já era uma ferramenta política calculada para quebrar a resistência de povos inteiros e afirmar uma hegemonia implacável.

Do ponto de vista geopolítico, a localização do sítio no Curdistão iraquiano adiciona uma camada de ironia histórica. A mesma região que hoje é palco de disputas territoriais e intervenções estrangeiras foi, há 4.000 anos, o teatro de uma luta igualmente encarniçada pelo controle de rotas comerciais e recursos hídricos. As tabuinhas recém-descobertas podem conter pistas sobre as alianças e traições que selaram o destino da cidade, revelando a perene dança do poder.

Especialistas acreditam que o idioma das tabuinhas seja uma variante do acádio, a língua franca da diplomacia e do comércio na Mesopotâmia. Traduzi-las será um trabalho meticuloso, mas cada sílaba decifrada promete revelar os nomes de reis esquecidos, as queixas de oficiais sitiados e, quem sabe, os últimos apelos por socorro antes do colapso. É um vislumbre raro da burocracia do terror, escrita em argila para a posteridade.

A descoberta ganha contornos ainda mais fantásticos quando se considera o contexto arqueológico da região de Erbil. Até agora, acreditava-se que a área havia sido uma periferia cultural, à sombra de grandes centros como Ur e Babilônia. As tabuinhas de Kurd Qaburstan provam o contrário: ali floresceu uma administração complexa, com escribas treinados e uma elite que caiu junto com suas muralhas, desvendando uma história revisionista.

Ecoando os cercos medievais e os bloqueios contemporâneos presentes em conflitos modernos, a descoberta mostra que a tática de submeter populações pela fome e pelo terror não é uma invenção recente. A diferença é que, em vez de drones e mísseis, os antigos usavam a paciência, o fogo e a lâmina. O resultado, porém, era o mesmo: pilhas de corpos anônimos sob os escombros da história, um lembrete sombrio da circularidade da violência.

Enquanto o Ocidente muitas vezes olha para o Oriente Médio apenas como um tabuleiro de xadrez energético, achados como este lembram que as raízes da civilização estão fincadas no Sul Global. A Mesopotâmia não é um mero cenário bíblico, mas o laboratório onde a humanidade testou, pela primeira vez, todas as suas grandezas e misérias — inclusive a arte de destruir cidades inteiras em nome do poder, com consequências eternas.

Os arqueólogos planejam expandir as escavações nos próximos anos, na esperança de encontrar o palácio do governante ou o templo central da cidade. Cada camada de terra removida pode trazer à tona novas evidências de como aquele povo lutou, negociou e, por fim, sucumbiu. A areia do Curdistão, caprichosa, preservou por quatro milênios um aviso que a humanidade talvez ainda não tenha aprendido a ler, um enigma ainda a ser decifrado em nossos próprios tempos.

No silêncio das tabuinhas recém-extraídas do solo, há mais do que registros fiscais: há o grito petrificado de uma comunidade que viu seus celeiros esvaziarem, suas crianças morrerem de inanição e seus guerreiros tombarem sobre as ameias. É uma história que, infelizmente, nunca deixou de ser contemporânea, ecoando em cada novo conflito global.

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A lista de fracasso dos Estados Unidos https://www.ocafezinho.com/2026/06/11/a-lista-de-fracasso-dos-estados-unidos/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/11/a-lista-de-fracasso-dos-estados-unidos/#respond Thu, 11 Jun 2026 17:26:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=257611 Por João Claudio Platenik Pitillo

Os EUA retomaram ataques limitados no Irã, apesar de um memorando de entendimento entre Washington e Teerã que precisa ser aprovado pelo presidente Trump e pelo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei. Trump pode afirmar repetidas vezes que venceu esta guerra, mas há pouquíssima chance de os líderes iranianos abandonarem sua busca por armas nucleares e encerrar o seu apoio aos aliados anti-sionistas no Oriente Médio. Igualmente improvável é a normalização das relações com Israel e a adesão do Irã aos Acordos de Abraão. Atualmente, o resultado mais provável é um conflito de baixa intensidade que se prolongue por vários anos, semelhante ao que aconteceu no Iraque entre a guerra de 1991 e a invasão estadunidense de 2003. Em outras palavras, uma questão inacabada.

Mas, quais as razões que levaram os Estados Unidos a fracassarem contra o Irã? Este não foi um incidente isolado pelo qual o incompetente Trump possa ser culpado sozinho. Esta guerra é apenas a mais recente de uma série de expedições estadunidenses que se arrastaram por anos, acabando por se voltarem contra o próprio Estados Unidos ao fortalecerem seus inimigos. Da Coreia ao Irã, a política militar estadunidense desde a Segunda Guerra Mundial tem sido uma série de erros e cálculos equivocados, nos quais sucessos táticos foram seguidos por derrotas estratégicas.

Trump, assim como o presidente Obama antes dele, foi eleito para seu primeiro mandato, em parte porque era visto como uma alternativa aos falcões que desencadearam “guerras intermináveis” no Afeganistão e no Iraque. Contudo, Trump não mudou esse paradigma nesse seu primeiro mandato e logo foi sucedido por Joe Biden, que também se lançou em uma aventura bélica ao apoiar à Ucrânia. Da mesma forma que Obama lançou novas campanhas militares estadunidenses na Líbia e na Síria. Novamente Trump surgiu, agora para o seu segundo mandato, criticando a postura de Biden com relação à Ucrânia e assim que venceu, desencadeou uma guerra no Irã, que está gerando consequências negativas imediatas para a economia global devido ao aumento dos preços do petróleo.

Além de se mostrar interminável, a guerra contra o Irã está produzindo consequências muito mais sérias do que o impacto global das guerras na Coreia, no Vietnã e no Afeganistão na época em que foram travadas. A gravidade do momento coloca a prova a capacidade econômica dos países do Ocidente Coletivo, que não tem respondido adequadamente aos reflexos na elevação do preço do petróleo. Isto é, sem conseguir energia barata, o neoliberalismo está próximo de uma crise global, acelerada por Trump e sua aventura no Golfo Pérsico.

Obama, eleito em parte por sua oposição à desastrosa guerra de George W. Bush no Iraque (que continua com uma postura anti-estadunidense), posteriormente arrastou os Estados Unidos para novas aventuras militares na Líbia e na Síria. Em 2011, a OTAN, liderada pelos EUA, derrubou o líder líbio Muammar Gaddafi. Como resultado, a Líbia permanece dividida e caótica até hoje. Na Síria, Washington, desde 2014, vem conduzindo uma campanha militar perversa e de baixa intensidade contra ambos os lados da guerra civil: militantes islâmicos de um lado e o governo de Bashar al-Assad do outro. A estratégia estadunidense mais uma vez se mostrou contraproducente, já que o atual presidente da Síria é o senhor da guerra da Al-Qaeda, Ahmed al-Sharaa, que estava na Lista Global de Terroristas Especialmente Designados pelo EUA até 2025.

Isso nos leva à Guerra do Afeganistão (2001-2021), a guerra mais longa da história estadunidense. O objetivo da guerra era derrubar o grupo islâmico Talibã, que havia dado abrigo a Osama bin Laden e seus aliados antes dos ataques de 11 de setembro. Como resultado, após anos de luta sob as administrações Bush, Obama, Trump e Biden, esta última produziu uma retirada caótica em agosto de 2021. O Talibã saiu vitorioso, assumindo o poder e estabelecendo um regime islâmico repressivo, privando mulheres, minorias étnicas e dissidentes de seus direitos e realizando açoites e execuções públicas.

A frequência com que as principais guerras estadunidenses terminaram com a ascensão e o fortalecimento dos inimigos dos EUA são surpreendentes. Após a morte de mais de 80.000 soldados estadunidenses, bem como milhões de coreanos e indochineses, os comunistas norte-coreanos, aliados a Pequim e Moscou, governam a Coreia do Norte, enquanto os comunistas vietnamitas governam um Vietnã unificado. A Síria e o Afeganistão estão sob o controle de ex-jihadistasanti-estadunidenses.

A essa humilhante lista de fracassos estratégicos estadunidenses, a Ucrânia poderá ser adicionada em breve. Em 2022, quando a Rússia lançou sua operação militar, o presidente Joe Biden declarou: “Pelo amor de Deus, este homem não pode permanecer no poder”. Hoje, Putin permanece no poder — e Biden não. O conflito na Ucrânia, prolongado pela ajuda militar e econômica ocidental à Kiev, provavelmente terminará em breve, deixando a Rússia no controle da Crimeia e da maior parte da região leste do país. Esta será mais uma derrota estratégica vergonhosa e custosa para os Estados Unidos, assim também como o Irã.

O autor João Claudio Platenik Pitillo é pesquisador do NUCLEAS/UERJ.

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Ben-Gvir escancara a face da extrema direita que domina Israel https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/ben-gvir-escancara-a-face-da-extrema-direita-que-domina-israel/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/ben-gvir-escancara-a-face-da-extrema-direita-que-domina-israel/#respond Thu, 04 Jun 2026 11:21:33 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/ben-gvir-escancara-a-face-da-extrema-direita-que-domina-israel/ O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, tornou-se nas últimas semanas o retrato incômodo de um país que o establishment tenta desesperadamente descolar de sua imagem pública. Da ameaça explícita de vetar um acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã à humilhação televisionada de ativistas europeus da Flotilha Global Sumud, suas ações vêm provocando ondas de indignação internacional.

O ministro das Relações Exteriores israelense, Gideon Sa’ar, apressou-se a divulgar uma nota afirmando que Ben-Gvir não é a face de Israel, ecoando um sentimento fartamente repetido pela mídia local. No entanto, analistas e parlamentares israelenses ouvidos pela Al Jazeera sustentam precisamente o contrário: o ministro representa uma parcela crescente e cada vez mais dominante da sociedade israelense.

A deputada Aida Touma-Sliman, do partido de esquerda Hadash, desmontou a tese do outlier político com uma observação direta. Ele é estúpido, o que nos diz que não está agindo sozinho, afirmou a parlamentar, acrescentando que Ben-Gvir jamais conseguiria operar como opera sem a cumplicidade ativa de políticos e funcionários públicos que compartilham suas crenças.

Desde que assumiu o recém-criado cargo de ministro da Segurança Nacional em 2022, o líder do partido Poder Judeu exerce controle incontestado sobre as forças policiais e o sistema penitenciário israelense. Touma-Sliman foi taxativa ao apontar que bastaria um único policial ou diretor prisional recusar-se a politizar suas funções para que o esquema de poder paralelo desmoronasse, mas essa recusa jamais ocorreu.

A trajetória de Ben-Gvir é um inventário de extremismo documentado e condenações judiciais. Em 1995, aos 19 anos, foi filmado exibindo o ornamento do capô do carro do então primeiro-ministro Yitzhak Rabin, declarando às câmeras que chegariam até ele — Rabin foi assassinado semanas depois pelo ultranacionalista Yigal Amir.

Nascido em 1976 num subúrbio a oeste de Jerusalém, Ben-Gvir alega ter se radicalizado aos 14 anos durante a Primeira Intifada. Na juventude, apoiou abertamente o partido extremista Kach, fundado pelo rabino americano-israelense Meir Kahane e posteriormente banido por violar emendas constitucionais, antes de ser designado organização terrorista em 1994.

O massacre de dezenas de fiéis palestinos em Hebron, cometido por Baruch Goldstein — membro do Kach que agiu em nome da ideologia do partido — transformou-se numa referência pessoal para Ben-Gvir. Ele levou sua futura esposa ao túmulo do assassino no primeiro encontro, fantasiou-se de Goldstein no feriado judaico de Purim e manteve um retrato do criminoso em casa até 2021, quando consultores de campanha o aconselharam a removê-lo.

Indiciado 53 vezes, Ben-Gvir conseguiu que a maioria dos processos fosse arquivada, mas duas condenações por incitação ao racismo e apoio a organização terrorista ficaram registradas em 2007. Ainda assim, qualificou-se como advogado em 2012, desafiando a Ordem dos Advogados de Israel que tentara barrá-lo, e construiu carreira defendendo colonos extremistas e linha-dura nos territórios ocupados.

O deputado Ofer Cassif, que questionou judicialmente a elegibilidade de Ben-Gvir, ofereceu à Al Jazeera um retrato pessoal que contrasta fortemente com a persona afável que segmentos da mídia israelense projetam. Nunca vi Ben-Gvir rir ou fazer uma piada. Ele é um valentão, mas daquele tipo que se cala assim que o professor levanta a voz, relatou Cassif, lembrando que o ministro carrega condenações por apoiar terrorismo e ostentava a foto de Baruch Goldstein na parede.

Após o ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, Ben-Gvir supervisionou um aumento vertiginoso na concessão de licenças de armas a colonos israelenses na Cisjordânia ocupada. A violência letal contra palestinos disparou desde então, confirmando as previsões mais sombrias de organizações de direitos humanos.

Em abril, a opinião pública internacional foi sacudida por imagens do ministro segurando uma garrafa de champanhe enquanto celebrava a aprovação de um projeto de lei que visa aplicar pena de morte a palestinos. Daniel Levy, ex-assessor do governo israelense, argumentou que as críticas ao vídeo da Flotilha Sumud em maio concentraram-se na performance midiática, não nos abusos reais sofridos pelos ativistas sob custódia israelense.

Levy sublinhou que ninguém questiona o que Israel efetivamente pratica em Gaza, na Cisjordânia ou no Líbano, apenas o estilo de um ministro em particular. As políticas, contudo, permanecem intactas, enquanto a base de Ben-Gvir se mantém sólida mesmo diante do desgaste internacional.

O pesquisador de opinião israelense Dahlia Scheindlin apontou que as posições políticas de Ben-Gvir raramente são mais extremas que as de muitos integrantes do partido governista Likud. Ele representa uma política populista de supremacia judaica de extrema direita, com um estilo teatral, provocador e circense familiar aos políticos nacionalistas-populistas ao redor do mundo, definiu Scheindlin.

O que o establishment israelense e seus aliados ocidentais tentam vender como exceção folclórica é, na realidade, a expressão mais transparente do consenso que sustenta a coalizão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Itamar Ben-Gvir foi procurado para comentar os pontos levantados nesta reportagem, mas não respondeu até o fechamento da matéria.

Com informações de Al Jazeera.

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Guerra dos EUA e Israel contra o Irã não apagará realidades profundas no Oriente Médio https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/guerra-dos-eua-e-israel-contra-o-ira-nao-apagara-realidades-profundas-no-oriente-medio/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/guerra-dos-eua-e-israel-contra-o-ira-nao-apagara-realidades-profundas-no-oriente-medio/#comments Thu, 04 Jun 2026 08:33:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/guerra-dos-eua-e-israel-contra-o-ira-nao-apagara-realidades-profundas-no-oriente-medio/ 4 Comentários 🔥]]> Em cada grande guerra do Oriente Médio, ressuscita a mesma ilusão perigosa: a crença de que bombas podem reescrever a história. A ofensiva militar conduzida pelos Estados Unidos e por Israel contra a República Islâmica do Irã redesenha o mapa regional com violência inédita, mas há realidades profundas que nenhum artefato bélico, por mais preciso que seja, consegue apagar ou alterar.

Analistas e especialistas analisam como será a região quando os combates cessarem, destacando que esta guerra poderá remodelar o Oriente Médio, alterar eixos regionais e produzir uma nova ordem. Parte disso reflete a história: grandes conflitos sempre deixam fraturas profundas em mapas, sistemas e populações.

No entanto, conforme apontou o portal Al Jazeera em análise recente, existe uma ilusão metodológica que acompanha cada guerra: a fantasia de que ela pode zerar tudo e produzir uma página em branco sobre a qual se escreverá um novo começo da história, mesmo que a própria história desminta repetidamente essa pretensão.

A geografia estratégica sobreviverá intacta ao conflito. O Estreito de Ormuz continuará controlando a passagem de quase um quinto do petróleo mundial, o Canal de Suez permanecerá como artéria vital do comércio internacional e o Crescente Fértil seguirá ligando a Ásia à Europa.

Essa geografia é destino, não escolha, e força militar nenhuma pode modificá-la. A República Islâmica do Irã permanecerá como Estado com vista para Ormuz quando a guerra terminar, o Iêmen seguirá sendo o portão sul de Bab al-Mandeb e o Egito continuará no controle de Suez.

O conflito poderá até mudar quem governa esses pontos, mas não conseguirá transformar o que eles representam geograficamente. Enquanto essa geografia durar, durará também a disputa pelo seu controle.

A causa palestina igualmente não será marginalizada. A maior ilusão exposta por esta guerra é a crença de que destruir o chamado eixo de resistência removeria a questão palestina da agenda regional, numa confusão estrutural entre o instrumento e a essência.

O Irã investiu na causa palestina e a utilizou ideológica e estrategicamente, mas não a criou nem possui a chave para encerrá-la. A questão palestina existia antes do nascimento da República Islâmica e continuará presente independentemente do sucesso, da sobrevivência ou do fracasso do governo iraniano.

Os Acordos de Abraão de 2020 foram construídos sobre a suposição central de que o Irã representava a ameaça existencial comum que unia Israel e os Estados árabes do Golfo num só campo estratégico, e que esse alinhamento de segurança bastaria para contornar e marginalizar a causa palestina. A eclosão da guerra contra o Irã expôs a fragilidade e as limitações dessa equação.

Ao mesmo tempo, a opinião pública árabe, do Atlântico ao Golfo, incluindo as gerações mais jovens que vivem em Estados com paz oficial com Israel, permanece profundamente vinculada à causa palestina de maneiras que transcendem os cálculos oficiais dos governos. Qualquer ordem regional que não enfrente a questão palestina carregará dentro de si as sementes da sua própria instabilidade.

As divisões sectárias igualmente sobreviverão. A guerra dos EUA e de Israel contra o Irã aprofundou tensões confessionais em vários países da região, incluindo Iraque, Líbano e Iêmen, mas essas tensões não começaram com a Revolução Iraniana nem terminarão com uma derrota de Teerã.

O conflito pode enfraquecer a capacidade iraniana de explorar essas divisões e talvez alterar o equilíbrio de poder entre grupos sectários, mas não apagará as próprias identidades confessionais. As comunidades xiitas no Bahrein, Iraque, Líbano e Arábia Saudita possuem suas próprias reivindicações e realidades sociais, independentes de Teerã, e seguirão moldando o cenário político de seus países.

A fragilidade do Estado árabe moderno também não foi criada pela guerra e não será resolvida por ela. Países que sofrem com instituições políticas débeis, sistemas judiciais frágeis, aparatos de segurança inchados que consomem recursos necessários ao desenvolvimento e economias rentistas improdutivas já eram frágeis antes do conflito e continuarão frágeis depois.

Existe inclusive o perigo de que a guerra aprofunde essa fragilidade, distraindo governos árabes com confrontos de segurança e alianças temporárias enquanto adiam as reformas políticas e econômicas que afetam diretamente os cidadãos comuns. Os Estados que investiram no confronto com o Irã em vez de investir em educação e economias competitivas podem se ver diante de uma fatura doméstica imensa quando os combates cessarem.

O abrigo sob o guarda-chuva americano permanecerá precário. Mesmo antes da invasão do Iraque em 2003, a confiança no modelo dos EUA na região já começara a se desgastar, e a rua árabe, inclusive nos países aliados de Washington, enxerga a política americana com uma mistura de ressentimento e desprezo.

A guerra contra o Irã pode restaurar alguma dose de prestígio dos EUA aos olhos de governos que temiam a influência iraniana, mas não restaurará a confiança popular ampla na visão americana para o Oriente Médio. Domínio militar, por si só, já não basta para construir legitimidade política ou confiança, como os Estados Unidos aprenderam no Afeganistão e no Iraque, e poderão ser forçados a aprender novamente no Irã.

O Islã político sobreviverá além do eixo iraniano. A guerra desferiu um golpe severo na corrente do Islã político alinhada a Teerã e contribuiu para fragmentar a estrutura ideológica do chamado eixo de resistência, mas os movimentos islamistas da região são muito mais diversos e complexos do que apenas o Irã.

A Irmandade Muçulmana, os movimentos salafistas ativistas e diversas correntes islâmicas nacionalistas emergem de contextos sociais locais e de reivindicações políticas que nada têm a ver com Teerã. O Islã representa, para milhões de pessoas na região, uma fonte de identidade e um marco para compreender justiça, política e resistência, referência que não se evaporará com a destruição de uma instalação nuclear ou com o assassinato de um líder.

Se há uma lição que a história ensina persistentemente nesta parte do mundo, é justamente esta: grandes guerras podem mudar governos, aparências e equilíbrios de poder, mas raramente tocam a essência subjacente. O que permanece depois da fumaça e dos escombros são exatamente as forças profundas que os estrategistas ocidentais insistem em ignorar em cada novo conflito.

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França tenta restaurar influência no Líbano sob ocupação israelense https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/franca-tenta-restaurar-influencia-no-libano-sob-ocupacao-israelense/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/franca-tenta-restaurar-influencia-no-libano-sob-ocupacao-israelense/#respond Wed, 03 Jun 2026 14:02:24 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/franca-tenta-restaurar-influencia-no-libano-sob-ocupacao-israelense/ O enviado especial da França para o Líbano, Jean-Yves Le Drian, desembarcou em Beirute com a missão de reverter o enfraquecimento do papel diplomático francês no país. A visita ocorre em um contexto de crise profunda, agravada pelo colapso econômico libanês e pela ocupação israelense de aproximadamente um quinto do território nacional.

Le Drian tem reuniões previstas com o presidente do Líbano, Joseph Aoun, o presidente do Parlamento, Nabih Berri, e o primeiro-ministro, Nawaf Salam. As conversas devem abordar a continuidade da ajuda humanitária às comunidades afetadas, o futuro da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) e os desdobramentos da ofensiva militar israelense.

O cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em 16 de abril não interrompeu os ataques diários de Israel contra o Líbano, conforme apontou a Al Jazeera. Mais de três mil pessoas foram mortas e mais de um milhão foram forçadas a abandonar suas casas desde que Israel renovou os bombardeios pesados no início de março.

A nova escalada israelense foi desencadeada depois que o Hezbollah lançou foguetes contra o norte de Israel, em retaliação ao assassinato do líder da República Islâmica do Irã, Ali Khamenei, por ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra Teerã. A destruição em larga escala e o sofrimento da população civil libanesa pressionam Paris a agir para não perder completamente sua relevância estratégica na região.

A França mantém laços históricos com o Líbano desde o Mandato Francês (1920-1943), período que definiu as fronteiras do país e introduziu instituições constitucionais. Beirute preservou por décadas sua identidade francófona, sendo chamada de Paris do Oriente Médio, e o idioma francês segue amplamente difundido, especialmente entre as comunidades cristãs.

Os interesses franceses no Líbano não são apenas simbólicos. A TotalEnergies está envolvida na exploração de gás em águas libanesas, enquanto a gigante de navegação CMA CGM considera o Porto de Beirute uma peça fundamental de sua rede logística no Mediterrâneo, conectando operações comerciais que se estendem por toda a região.

Analistas ouvidos pela Al Jazeera indicam que Paris observa com preocupação a expansão da presença dos Estados Unidos no Líbano. Washington deixou de ser apenas mediadora e passou a intervir diretamente no cenário político. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, agiu para neutralizar os apelos do líder do Hezbollah, Naim Qassem, pela queda do governo de Nawaf Salam, enquanto o presidente Joe Biden alega ter estabelecido contato direto com representantes do movimento libanês.

O jornalista e analista libanês Souhayb Jawhar afirmou à Al Jazeera que há uma genuína preocupação francesa com o declínio de sua influência nos últimos anos. Jawhar explicou que a maioria das grandes iniciativas sobre o futuro libanês agora passa por Washington ou por capitais do Golfo, reduzindo o papel francês ao de um parceiro secundário.

A França tenta preservar o que lhe resta de influência apostando em instrumentos como a ajuda humanitária — 17 milhões de euros liberados em maio pelo Ministério para Europa e Relações Exteriores — e seu papel de liderança dentro da UNIFIL, cujo mandato expira ainda neste ano. Autoridades francesas já discutem a possibilidade de formação de uma força multinacional que suceda a missão da ONU e garanta a Paris uma função contínua na segurança do sul libanês.

O apoio de longa data ao exército libanês é outra âncora da estratégia francesa, já que a preservação das instituições estatais evita um vácuo que poderia ser preenchido por potências regionais rivais. Segundo Karim Safieddine, pesquisador do Tahrir Institute for Middle East Policy, a França é sempre cautelosa diante de confrontos que possam prejudicar seus vínculos na região e prefere abordagens convencionais que mantenham o status quo.

Na prática, a diplomacia francesa aposta mais em sua densa rede de contatos políticos, econômicos e culturais do que em instrumentos de força bruta. O especialista Khalil Helou resumiu o dilema francês ao lembrar que, embora Paris mantenha relações diplomáticas com Israel, não tem nenhuma alavancagem para impor um cessar-fogo — o que a obriga a se reinventar para não ser completamente marginalizada no tabuleiro libanês.

Com informações de https://www.aljazeera.com/.

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Egípcios veem resistência iraniana como extensão da guerra de 1973, afirma especialista https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/egipcios-veem-resistencia-iraniana-como-extensao-da-guerra-de-1973-afirma-especialista/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/egipcios-veem-resistencia-iraniana-como-extensao-da-guerra-de-1973-afirma-especialista/#respond Wed, 03 Jun 2026 13:07:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/egipcios-veem-resistencia-iraniana-como-extensao-da-guerra-de-1973-afirma-especialista/ Uma onda espontânea de apoio popular no Egito enxerga a resistência da República Islâmica do Irã contra Estados Unidos e Israel como a continuidade natural da guerra de libertação do Sinai, ocorrida em 1973. A análise é do pesquisador egípcio Dr. Ahmed Moustafa, diretor e fundador do Asia Center for Studies & Translation, em artigo publicado no portal Mehr News.

Moustafa, que também é pesquisador não residente do VIIMES em Viena, destaca que a percepção popular não se trata de uma reação passageira, mas de uma extensão da história compartilhada de resistência contra a ocupação e o colonialismo. O paralelo histórico remete à ofensiva do Exército egípcio em 6 de outubro de 1973, que coincidiu com o 10 de Ramadã de 1393 do calendário islâmico, quando o país rompeu a Linha Bar-Lev e reconquistou sua dignidade diante de Israel, apoiado incondicionalmente pelos EUA.

O cidadão comum egípcio, segundo o pesquisador, vê hoje o Irã trilhando o mesmo caminho, enfrentando o inimigo idêntico e defendendo sua soberania e a da região. Essa identificação não é teórica, mas profundamente emocional, enraizada na memória dos soldados que lutaram em 1973 e de seus descendentes, que interpretam a firmeza iraniana como uma resposta ao martírio e à humilhação sofridos por prisioneiros egípcios.

Como resultado, as classes trabalhadoras e os cidadãos simples do Egito lançaram uma campanha midiática popular sem precedentes nas redes sociais, com vídeos, memes, análises e canções denunciando a agressão sionista-americana e manifestando apoio total ao Irã. Trata-se, enfatiza Moustafa, de uma expressão espontânea da consciência popular, não de um esforço orquestrado pelo governo. A análise recorda que, pela segunda vez em menos de um ano, o Irã conseguiu resistir e prevalecer contra as forças combinadas de EUA e Israel.

A primeira confrontação ocorreu em junho de 2025, e a segunda no final de fevereiro, com desfecho idêntico de fracasso retumbante dos objetivos estratégicos inimigos. Apesar dos ataques iniciais direcionados à liderança iraniana, as ofensivas não conseguiram destruir o programa nuclear do Irã nem concretizar a ambição de mudança de governo. Os Estados Unidos sofreram perdas significativas em seu poder aéreo, e a fase ativa do conflito durou menos de 40 dias, obrigados a recuar diante do fechamento do Estreito de Ormuz, que ameaçou um desastre econômico global.

Especialistas militares e econômicos americanos reconheceram a derrota de Washington, apontando falhas de inteligência do Mossad que induziram o presidente Joe Biden a decisões equivocadas. A administração americana tentou vender as operações como sucessos, mas os resultados estratégicos e econômicos foram nulos. Essa resiliência iraniana evoca fortemente, para os egípcios, a vitória na Guerra de outubro, quando a determinação inicial superou a superioridade tecnológica.

O artigo ressalta que a resistência do Irã está ajudando a moldar uma ordem regional mais justa, assim como o Egito libertou o Sinai. Muitos egípcios argumentam que o Irã está travando a batalha por toda a nação árabe, pois a queda do país abriria caminho para atacar o Egito e outros vizinhos. Essa percepção reflete uma rejeição popular à hegemonia americana e sionista. A despeito da posição diplomática oficial egípcia, que prega a desescalada e a proteção da segurança do Golfo Pérsico, as ruas do Cairo, Alexandria e Alto Egito permanecem profundamente solidárias à resistência iraniana.

Essa aparente contradição, segundo Moustafa, reflete uma harmonia implícita entre a consciência popular e a política oficial, uma característica histórica do Egito. O pesquisador conclui que o povo egípcio, com sua simplicidade e profundidade histórica, segue como pilar de apoio a todo movimento de resistência, reiterando que a dignidade não se compra e os mártires jamais são esquecidos. O Irã, segundo ele, continua o caminho que o Egito iniciou, e a mensagem do Ramadã permanece viva mesmo que os cálculos políticos oficiais divirjam.

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Guerra dos Quarenta Dias expõe fragilidade da aposta dos Emirados em alianças externas https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/guerra-dos-quarenta-dias-expoe-fragilidade-da-aposta-dos-emirados-em-aliancas-externas/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/guerra-dos-quarenta-dias-expoe-fragilidade-da-aposta-dos-emirados-em-aliancas-externas/#respond Wed, 03 Jun 2026 08:32:57 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/guerra-dos-quarenta-dias-expoe-fragilidade-da-aposta-dos-emirados-em-aliancas-externas/ A Guerra dos Quarenta Dias não foi apenas um confronto militar entre a República Islâmica do Irã e a coalizão liderada pelos Estados Unidos e Israel. Ela funcionou como um palco onde as realidades ocultas do Oriente Médio vieram à tona de forma incontornável. Entre os atores regionais que tiveram suas fragilidades expostas, os Emirados Árabes Unidos ocupam uma posição particularmente delicada.

O país passou as últimas duas décadas tentando projetar influência além de seu peso natural, apoiado em riqueza econômica e laços estratégicos com Washington e Tel Aviv. O conflito demonstrou, porém, que depender de potências externas não cria segurança duradoura nem influência real na região.

Análise publicada pelo portal Mehr News destaca que os governantes de Abu Dhabi assumiram nos últimos anos que poderiam compensar suas limitações geopolíticas e demográficas por meio de apoio externo. A política externa emiradense migrou gradualmente de uma abordagem baseada na cooperação regional para a participação em projetos políticos e de segurança de potências extraregionais.

Da Líbia ao Sudão, do Iêmen ao Chifre da África, os rastros dessa política são visíveis. A Guerra dos Quarenta Dias escancarou uma lição incômoda: as grandes potências apoiam seus aliados apenas quando isso atende aos seus próprios interesses. Nos momentos críticos, a prioridade é preservar suas próprias posições estratégicas.

Parte da elite política dos Emirados Árabes Unidos ainda acredita que a proximidade com Washington e Tel Aviv pode proporcionar uma espécie de imunidade estratégica. Acordos de segurança, cooperação em inteligência e a normalização das relações com Israel foram construídos exatamente sobre essa aposta. O conflito recente demonstrou, porém, que essa estratégia está em total descompasso com as realidades regionais.

Durante a guerra, um dos objetivos principais dos Estados Unidos e de Israel era alterar o equilíbrio de poder regional. Acreditava-se que uma pressão militar massiva enfraqueceria a posição iraniana e imporia uma nova ordem ao Oriente Médio. Alguns atores regionais apostaram que alinhar-se a esse projeto lhes traria uma fatia maior de poder.

O resultado final, porém, foi bastante diferente. O fracasso dos objetivos declarados e não declarados da guerra comprovou que a estrutura de poder da região é complexa demais para ser redesenhada por operações militares ou alianças estrangeiras. Essa realidade é especialmente significativa para os Emirados.

A geografia impõe sua própria lógica, e os Emirados Árabes Unidos estão situados em uma região onde sua segurança depende, antes de tudo, da estabilidade do entorno. O país não possui profundidade estratégica extensa, nem grande população, nem capacidades militares comparáveis às das principais potências regionais. Sua força concentra-se sobretudo na economia, no comércio e no papel de entreposto logístico.

Qualquer instabilidade generalizada na região afeta os interesses de Abu Dhabi de forma mais severa do que os de muitos outros países. Atrelar o futuro do país a projetos geradores de tensão e a alianças militares estrangeiras simplesmente não é compatível com seus interesses nacionais de longo prazo.

A guerra também reafirmou que o verdadeiro poder no Oeste da Ásia não emana apenas de equipamento militar avançado ou de apoio externo. A vontade nacional, as capacidades autóctones, a coesão interna e a capacidade de resistir à pressão externa continuam sendo os componentes mais decisivos. Esses fatores desafiam cálculos baseados exclusivamente em superioridade tecnológica.

Para os Emirados, essa constatação deve ser interpretada como um alerta sério. Um país cuja segurança e estabilidade dependem em grande medida do ambiente circundante não pode manter indefinidamente políticas de confrontação. Quanto maior for a distância entre as políticas de Abu Dhabi e as realidades geopolíticas da região, mais elevados serão os custos dessa desconexão.

A segurança sustentável no Golfo Pérsico não se obtém por meio de alianças estrangeiras, mas sim pela cooperação entre os países da região. A experiência histórica demonstra que a presença de potências extraregionais geralmente complica as crises em vez de reduzir as tensões. Quando os países regionais conseguem administrar suas diferenças pelo diálogo, a estabilidade aumenta e surgem maiores oportunidades econômicas.

Do ponto de vista estratégico, a lição mais importante da Guerra dos Quarenta Dias para os Emirados Árabes Unidos é que segurança não se compra. Nenhum contrato de armas, acordo de defesa ou respaldo externo pode substituir relações estáveis e construtivas com os países vizinhos. Estados que constroem sua segurança sobre equilíbrios artificiais ficam gravemente vulneráveis quando as condições internacionais mudam.

Abu Dhabi encontra-se agora diante de uma encruzilhada. O primeiro caminho é dar continuidade a políticas que o colocam ao lado de projetos extraregionais e o transformam involuntariamente em parte de rivalidades custosas. O segundo é avançar rumo à cooperação regional, respeitando as realidades geopolíticas e investindo em vínculos duradouros com os vizinhos.

A Guerra dos Quarenta Dias demonstrou que o futuro do Oeste da Ásia será determinado pelos povos da região, não por atores externos. O país que reconhecer essa realidade mais cedo arcará com menos custos e conquistará mais oportunidades de desenvolvimento e estabilidade. Essa mensagem talvez represente o legado mais valioso do conflito para os governantes de Abu Dhabi.

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Professor iraniano denuncia duplo padrão ocidental sobre massacre no Líbano https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/professor-iraniano-denuncia-duplo-padrao-ocidental-sobre-massacre-no-libano/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/professor-iraniano-denuncia-duplo-padrao-ocidental-sobre-massacre-no-libano/#respond Mon, 01 Jun 2026 19:06:13 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/professor-iraniano-denuncia-duplo-padrao-ocidental-sobre-massacre-no-libano/
Ilustração editorial sobre Professor iraniano denuncia duplo padrão ocidental sobre massacre no Líbano.

O professor da Universidade de Teerã, Mohammad Marandi, criticou duramente o duplo padrão das potências ocidentais em relação aos ataques israelenses no Líbano.

Em entrevista ao portal RT, Marandi classificou como estarrecedora a seletividade moral com que Washington e as capitais europeias reagem a conflitos distintos. Enquanto condenam operações russas na Ucrânia, silenciam sobre o massacre de civis libaneses.

O acadêmico destacou que o Ocidente mobiliza condenações e sanções imediatas contra a Rússia, mas ignora a destruição sistemática de cidades libanesas. Mais de três mil pessoas já morreram desde o início da ofensiva israelense, sem reação proporcional das potências ocidentais.

Marandi apontou que forças russas não atacam blocos residenciais como Israel faz no Líbano. A operação israelense arrasa bairros inteiros, enquanto a imprensa ocidental justifica os ataques como alvos do Hezbollah.

Apesar da presença massiva de veículos internacionais em Beirute, as redações ocidentais minimizam a dimensão da tragédia. Redes sociais mostram crianças mortas e famílias exterminadas, mas a diplomacia euro-atlântica mantém silêncio cúmplice.

O professor denunciou que Estados Unidos e Israel ignoram acordos de trégua com o Irã para prosseguir com a matança indiscriminada. A crítica expõe um sistema internacional que mede o valor da vida humana por critérios geopolíticos e étnicos.

Leia mais sobre o assunto na actualidad.rt.com.


Leia também: Congresso dos EUA avança plano para integrar forças militares de Israel à segurança nacional americana


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Israel bombardeia hospital principal de Tiro e agrava crise humanitária no Líbano https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/israel-bombardeia-hospital-principal-de-tiro-e-agrava-crise-humanitaria-no-libano/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/israel-bombardeia-hospital-principal-de-tiro-e-agrava-crise-humanitaria-no-libano/#respond Mon, 01 Jun 2026 18:33:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/israel-bombardeia-hospital-principal-de-tiro-e-agrava-crise-humanitaria-no-libano/
Ilustração editorial sobre Israel bombardeia hospital principal de Tiro e agrava crise humanitária no Líbano.

Um ataque aéreo israelense atingiu as proximidades do Hospital Jabal Amel, o principal centro médico da cidade de Tiro, no sul do Líbano. O bombardeio causou danos devastadores à unidade de saúde, conforme informou o correspondente da Al Jazeera Ali Hashem.

Hashem publicou um vídeo mostrando a estrutura do hospital visivelmente afetada, com escombros e fachada comprometida. O jornalista alertou que o ataque agrava drasticamente a situação humanitária da população civil.

O bombardeio ocorreu em meio a uma série de ofensivas aéreas de Israel contra o sul do Líbano. Antes, ataques próximos ao Hospital Hiram e ao Hospital Italiano também haviam causado danos, segundo o relato do correspondente.

Essa escalada de violência contra instalações médicas configura um cerco à rede de saúde local. O sistema já estava precarizado por anos de conflito e pela falta de insumos decorrente do bloqueio israelense.

O Hospital Jabal Amel é vital para atender a população de Tiro e regiões vizinhas. Funciona como referência em um sistema de saúde fragilizado pela guerra e pela escassez de recursos.

A investida israelense danificou a estrutura do edifício e gerou pânico entre pacientes, familiares e profissionais. Imagens divulgadas pelo correspondente mostram a dimensão dos estragos.

A ofensiva militar israelense contra o Líbano tem se intensificado, com bombardeios frequentes em zonas civis densamente povoadas. Organizações internacionais classificam esses ataques como violações do direito internacional humanitário.

Países do Sul Global e entidades internacionais denunciam o caráter sistemático desses ataques. A estratégia visa desestabilizar a resistência libanesa e minar a capacidade de atendimento à população.

O portal RT Actualidad repercutiu o relato do correspondente. A reportagem evidencia a gravidade dos danos e o contexto de escalada militar respaldada por potências ocidentais.

Israel tem promovido a devastação de infraestrutura civil como parte de sua estratégia. O padrão repete o já empregado na Faixa de Gaza, onde hospitais e ambulâncias foram alvos declarados das forças israelenses.

A comunidade internacional permanece omissa diante das agressões. Os Estados Unidos e países europeus fornecem cobertura política, financeira e armamentos a Israel.

O povo libanês sofre com a destruição de sua rede de saúde em momento de extrema necessidade. O principal hospital de referência da região foi parcialmente inutilizado pelo ataque.

O bombardeio ao Hospital Jabal Amel representa mais um capítulo da violência israelense contra civis libaneses. Expõe a fragilidade das promessas de cessar-fogo e a ineficácia dos organismos multilaterais em responsabilizar o Estado agressor.

Com informações de ACTUALIDAD.


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Deputados dos EUA criticam duramente integração militar com Israel em orçamento recorde https://www.ocafezinho.com/2026/05/31/deputados-dos-eua-criticam-duramente-integracao-militar-com-israel-em-orcamento-recorde/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/31/deputados-dos-eua-criticam-duramente-integracao-militar-com-israel-em-orcamento-recorde/#respond Sun, 31 May 2026 21:31:37 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/31/deputados-dos-eua-criticam-duramente-integracao-militar-com-israel-em-orcamento-recorde/
Dois homens em trajes formais falam à imprensa em frente a um prédio moderno.

Dois congressistas dos Estados Unidos lideram resistência bipartidária contra a Seção 224 da Lei de Autorização de Defesa Nacional (NDAA). O dispositivo aprofundaria a integração entre as forças armadas americanas e israelenses.

O representante democrata Ro Khanna, membro do Comitê de Serviços Armados da Câmara, anunciou emenda para remover o trecho do projeto de orçamento militar de 1,15 trilhão de dólares. O deputado republicano Thomas Massie prometeu levar a oposição ao plenário caso a seção seja aprovada no comitê.

Massie classificou a questão como problema de soberania nacional. Afirmou que os Estados Unidos são um país soberano e não devem atrelar-se tecnologicamente a governos estrangeiros.

Khanna se uniu a Massie, destacando que nada destrói a parceria entre os dois, nem mesmo ataques do presidente Donald Trump. A aliança já liderou campanhas contra apoio irrestrito a Israel e pela divulgação de arquivos sigilosos.

A Seção 224 determina que o secretário de Defesa designe um agente executivo para sincronizar esforços cooperativos entre os dois países. Abrange pesquisa, desenvolvimento, testes, avaliação, integração e cooperação industrial em tecnologia de defesa bilateral.

Críticos apontam que a medida tornaria a ajuda militar americana a Israel menos transparente. Dispositivo disfarçaria gastos como mera cooperação técnica, não como despesa separada.

Segundo reportagem da Al Jazeera, a resistência ocorre em momento de crescente rejeição da opinião pública americana ao apoio incondicional a Israel. Pesquisa do New York Times e do Siena College revelou que 57% dos eleitores se opõem a fornecer apoio econômico e militar adicional ao governo israelense.

A guerra israelense contra Gaza, iniciada em 2023, já matou mais de 75 mil pessoas. O conflito gerou condenação internacional generalizada, com escrutínio sobre o papel da tecnologia no conflito.

Israel depende cada vez mais de inteligência artificial para vigiar, identificar e atacar alvos. Sistemas poderiam ser compartilhados com os Estados Unidos por meio da nova legislação.

O deputado republicano Derrick Van Orden criticou Massie por questionar os laços com Israel. Acusou-o de antissemitismo e defendeu que o acordo permitiria aos Estados Unidos aproveitar tecnologias israelenses avançadas.

Massie rebateu mencionando incidente em que Israel manipulou pagers usados por membros civis e militares do Hezbollah para explodirem. O ataque matou e feriu centenas de pessoas, incluindo crianças.

O NDAA deste ano inclui seção intitulada Questões relativas a Israel. Propõe cooperação em capacidades antítúnel e tecnologias antidrones.

A resistência de Khanna e Massie expõe fissura no consenso bipartidário que blinda apoio militar a Israel. Opinião pública americana se volta contra essa política.


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260 tumbas milenares no Sudão revelam civilização perdida anterior aos faraós https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/260-tumbas-milenares-no-sudao-revelam-civilizacao-perdida-anterior-aos-faraos/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/260-tumbas-milenares-no-sudao-revelam-civilizacao-perdida-anterior-aos-faraos/#respond Sat, 30 May 2026 14:06:57 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/260-tumbas-milenares-no-sudao-revelam-civilizacao-perdida-anterior-aos-faraos/
Vista aérea de sítio arqueológico com estruturas circulares no deserto do Sudão. (Foto: the-express.com)

Um oceano de enigmas sob as areias ressequidas do deserto de Atbai, no leste do Sudão, acaba de devorar séculos de certezas sobre a aurora da humanidade africana. Uma equipe internacional de arqueólogos, munida de tecnologia de satélite, identificou 260 sepulturas colossais com 6.000 anos de idade, ocultas até hoje pelo calor implacável e pelo véu do esquecimento.

Os chamados ‘enterros de recinto’ – alguns com até 80 metros de diâmetro – apontam para uma civilização nômade pré-histórica de sofisticação impressionante, que floresceu exatamente nos estertores que antecederam a ascensão dos faraós egípcios. Conforme revelou uma reportagem do Daily Express US, a descoberta carrega também um alerta grave: esses monumentos ancestrais estão à beira de uma destruição catastrófica e imediata, vítimas de uma corrida do ouro desregulada e de conflitos civis que assolam a região.

O pesquisador principal, Dr. Julien Cooper, da Universidade Macquarie, na Austrália, afirmou que o achado reescreve a história dos desertos do Saara e a pré-história do Nilo. Cooper destacou que esses recintos funerários provam que mesmo nômades dispersos eram povos extremamente bem organizados e adaptadores experientes, oferecendo um prólogo ao monumentalismo dos reinos do Egito e da Núbia.

As estruturas, que datam principalmente do quarto e terceiro milênios antes da Era Comum, compõem-se de grandes muros circulares que abrigam sepultamentos meticulosamente arranjados, com restos humanos cercados por oferendas de gado, ovelhas e cabras. No centro de cada conjunto, um indivíduo ‘primário’ repousa como eixo de uma encenação ritual que não guarda nada de improviso, revelando um intencional e monumental gesto de memória.

A escala imensa e a repetição obsessiva dessas formações pelo deserto sugerem uma tradição compartilhada entre pastores nômades que percorriam a vastidão entre o Nilo e o Mar Vermelho, desafiando a antiga suposição de isolamento. Liderado por pesquisadores da universidade australiana, da unidade HiSoMA da França e da Academia Polonesa de Ciências, o projeto dependeu de uma análise minuciosa de imagens aéreas de satélite para mapear essas feições sem a necessidade de escavações extensivas.

Em vez de anomalias dispersas, os recintos revelam uma prática cultural uniforme que se estendia por um ambiente hostil, indicando uma coesão social que em nada lembra o caos que o estereótipo do nomadismo costuma evocar. Particularmente inquietante é a evidência de uma hierarquia social em plena gestação, com os sepultamentos centrais – possivelmente de chefes ou líderes reverenciados – irradiando poder para os enterros secundários ao redor.

Isso aponta para o surgimento de uma desigualdade incipiente entre esses nômades pré-históricos por volta de 4000-3000 a.C., exatamente quando o Período Úmido Africano declinava e o Saara, antes verdejante, iniciava sua dramática desertificação. Com a retirada das monções de verão, as pastagens minguaram, e o gado parece ter assumido um profundo significado cultural, muito além da mera subsistência.

Arte rupestre disseminada por toda a área e o enterro deliberado de rebanhos inteiros ao lado de pessoas indicam que os animais representavam status e identidade – talvez a versão ancestral de uma riqueza conspícua, uma exibição de poder em um mundo que secava. Esses nômades escolhiam locais próximos a fontes de água valiosas, como piscinas rochosas, leitos de lagos e rios sazonais, demonstrando um conhecimento ambiental profundo que lhes permitiu persistir onde outros sucumbiriam.

Seus cemitérios estruturados sobreviveram por milênios, e nômades posteriores chegaram a reutilizar os recintos muito tempo depois de sua construção, tratando-os como locais ancestrais sagrados que costuravam o tecido do tempo. A descoberta, publicada na revista African Archaeological Review, reformula completamente a pré-história norte-africana, revelando que esses pastores, contemporâneos da gênese do Egito faraônico, foram os verdadeiros precursores do monumentalismo que deslumbraria as civilizações do Nilo.

O Saara emerge, assim, não como uma barreira estéril entre o Egito e a África subsaariana, mas como um caldeirão de engenhosidade humana, onde adaptadores magistrais transformaram suas sociedades através do pastoreio. O sensoriamento remoto demonstra seu poder de abrir capítulos ocultos da história, mas os cientistas alertam que muitos desses monumentos únicos já estão sendo vandalizados ou destruídos pela mineração descontrolada.

‘Esses enterros sobreviveram por milênios, mas podem desaparecer em menos de uma semana’, lamentou Cooper, sublinhando a urgência de preservar um legado que pertence a toda a humanidade e que agora geme sob o peso da cobiça e da guerra.


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Análise iraniana revela erosão estrutural que acelera desmonte gradual de Israel https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/analise-iraniana-revela-erosao-estrutural-que-acelera-desmonte-gradual-de-israel/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/analise-iraniana-revela-erosao-estrutural-que-acelera-desmonte-gradual-de-israel/#comments Sat, 30 May 2026 04:42:23 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/analise-iraniana-revela-erosao-estrutural-que-acelera-desmonte-gradual-de-israel/ 7 Comentários 🔥]]>
Manifestantes com bandeiras de Israel protestam em confronto noturno, com fogo e fumaça ao fundo. (Foto: en.mehrnews.com)

O projeto israelense enfrenta um processo de erosão estrutural. As crises internas corroem suas fundações sociais, políticas e econômicas de forma simultânea.

Análise publicada pelo portal Mehr News aponta que o debate sobre o futuro de Israel transcendeu as análises políticas limitadas. O tema tornou-se central na literatura estratégica regional e em centros de estudos ocidentais.

O Líder Supremo da República Islâmica do Irã, Ali Khamenei, reforçou em mensagem por ocasião da temporada de Hajj a previsão feita há uma década. Ele afirmou que o regime sionista está se aproximando dos estágios finais de sua existência.

Os desdobramentos após a Operação Tempestade de Al-Aqsa marcaram um ponto de inflexão na percepção pública. Colonos consolidaram a ideia de que as estruturas de segurança e inteligência de Israel não possuem capacidade plena para prevenir infiltrações e ataques surpresa.

As guerras prolongadas em Gaza não conseguiram atingir os objetivos declarados por Tel Aviv. As estruturas de resistência permaneceram ativas no terreno, levando a sociedade israelense a questionar a eficácia das estratégias de segurança do regime.

No front doméstico, as fissuras políticas e sociais se ampliaram antes mesmo das guerras recentes. Disputas sobre reformas judiciais polarizaram a sociedade israelense em dois campos opostos.

Segmentos das forças de reserva do exército protestaram contra a continuidade da cooperação militar. A dependência de forças de reserva representa um sério alerta para a estrutura de segurança israelense.

A migração reversa tornou-se tema-chave nas análises demográficas. Dezenas de milhares de residentes dos territórios ocupados decidiram partir por insegurança, instabilidade política e divisões sociais.

Profissionais qualificados, acadêmicos e trabalhadores dos setores de tecnologia e medicina formam parte expressiva dos emigrantes. Esses grupos constituem a espinha dorsal da economia baseada em conhecimento de Israel.

As pressões econômicas das guerras deixaram marcas na estrutura financeira israelense. O aumento dos gastos militares e a queda do investimento estrangeiro afetaram setores produtivos.

A estagnação em serviços e a redução das receitas do turismo são consequências do ambiente instável. A economia israelense enfrenta restrições ao crescimento sob contínua tensão de segurança.

A imagem de Israel na opinião pública global sofreu desafios sem precedentes. Imagens da guerra e da crise humanitária em Gaza provocaram ondas de protesto em diversos países ocidentais.

Protestos entre estudantes e grupos cívicos demonstram questionamento à narrativa oficial de Tel Aviv. Segmentos do público global passaram a contestar as justificativas israelenses de forma mais contundente.

A crise de identidade na sociedade israelense destaca-se como um dos maiores desafios. O abismo entre correntes seculares e religiosas e as divisões étnicas apontam para perda de coesão social.

O conceito de solidariedade de segurança, antes pilar central da sobrevivência política, sofre erosão contínua. A dependência exclusiva de respaldo estrangeiro não garante sustentabilidade de longo prazo.

Analistas acreditam que as crises internas podem ser mais decisivas que pressões externas. O processo de erosão estrutural gradual representa desafios sérios para as fundações do projeto israelense.

A combinação de crises simultâneas nos domínios da segurança, política, economia e identidade social não indica colapso imediato. O futuro de Israel depende de sua capacidade de gerir crises internas e reconstruir coesão social.

Leia mais sobre o assunto na en.mehrnews.com.


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Bombardeio israelense destrói residência no sul do Líbano e é filmado por câmera https://www.ocafezinho.com/2026/05/29/bombardeio-israelense-destroi-residencia-no-sul-do-libano-e-e-filmado-por-camera/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/29/bombardeio-israelense-destroi-residencia-no-sul-do-libano-e-e-filmado-por-camera/#respond Sat, 30 May 2026 01:22:04 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/29/bombardeio-israelense-destroi-residencia-no-sul-do-libano-e-e-filmado-por-camera/
Ilustração editorial sobre Bombardeio israelense destrói residência no sul do Líbano e é filmado por câmera. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

Uma câmera de vigilância capturou o momento em que um ataque aéreo israelense destruiu uma residência em Al-Kharaib, no sul do Líbano. O vídeo, amplamente divulgado nas redes sociais, mostra a estrutura sendo atingida por um projétil e desmoronando em meio a uma nuvem de fumaça e destroços.

As imagens foram publicadas inicialmente por um usuário na plataforma X. O bombardeio ocorreu durante a intensificação das operações militares israelenses no território libanês, que já duram semanas com ataques aéreos frequentes.

Segundo o portal RT Actualidad, Al-Kharaib fica na região sul do Líbano, área historicamente alvo de agressões israelenses. O ataque soma-se a uma série de bombardeios que atingem infraestrutura civil, residências e centros urbanos densamente povoados.

O governo israelense, liderado por Benjamin Netanyahu, alega que suas ações visam enfraquecer o Hezbollah. No entanto, registros como este demonstram que os alvos frequentemente incluem moradias e áreas civis.

A ofensiva israelense contra o Líbano foi retomada com força nas últimas semanas. Enquanto a diplomacia ocidental se omite, famílias libanesas perdem suas casas e meios de subsistência sob os escombros dos ataques.

O vídeo expõe a realidade de uma população civil sitiada. O sul do Líbano tornou-se linha de frente de um conflito assimétrico, onde o poderio militar israelense atinge bairros residenciais e vilarejos inteiros.

Organizações humanitárias denunciam o caráter desproporcional dos bombardeios israelenses. A destruição de moradias, escolas e hospitais configura, para juristas, uma estratégia de punição coletiva contra a população libanesa.

A divulgação das imagens reforça a necessidade de resposta internacional às violações da soberania libanesa. A proteção geopolítica dos EUA e aliados europeus impede qualquer responsabilização efetiva de Israel.

A população do sul do Líbano resiste a décadas de agressão e ocupação. O bombardeio em Al-Kharaib é mais um capítulo de uma violência que se aprofunda enquanto o mundo permanece em silêncio.

Com informações de ACTUALIDAD.


Leia também: Israel intensifica bombardeios no sul do Líbano e mata 14 civis durante trégua


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Guarda Revolucionária do Irã afirma que paz no Oriente Médio exige eliminação de Israel https://www.ocafezinho.com/2026/05/29/guarda-revolucionaria-do-ira-afirma-que-paz-no-oriente-medio-exige-eliminacao-de-israel/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/29/guarda-revolucionaria-do-ira-afirma-que-paz-no-oriente-medio-exige-eliminacao-de-israel/#respond Fri, 29 May 2026 06:43:31 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/29/guarda-revolucionaria-do-ira-afirma-que-paz-no-oriente-medio-exige-eliminacao-de-israel/
Militares iranianos participam de desfile com bandeiras nacionais e do CGRI. (Foto: actualidad.rt.com)

O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã condenou os assassinatos de dois altos comandantes do Hamas na Faixa de Gaza. Israel matou Mohammed Odeh, que assumiu a chefia da ala militar do Hamas, e Ezzeddin al-Haddad, comandante sênior das Brigadas Izz ad-Din al-Qassam.

A região não conhecerá paz até que o regime sionista seja erradicado, afirmou o CGRI em comunicado. O grupo militar iraniano destacou que os assassinatos revelaram a natureza predatória de Israel e reforçarão a luta pela libertação da Palestina e de Jerusalém.

O comunicado também criticou os Estados Unidos e seus aliados ocidentais por apoiarem as ações israelenses. A Guarda Revolucionária acusou as potências ocidentais de contradição ao defenderem direitos humanos enquanto financiam operações militares em Gaza.

Os assassinatos ocorrem em meio à escalada da campanha militar israelense contra Gaza, que já vitimou dezenas de milhares de palestinos. A eliminação de lideranças do Hamas tem fortalecido a determinação das facções de resistência palestina, segundo o CGRI.

A postura iraniana reflete o alinhamento de Teerã com o Eixo da Resistência, que inclui o Hamas, o Hezbollah e outras milícias regionais. Para a República Islâmica, a eliminação de Israel é uma meta estratégica e ideológica.

Leia mais sobre o assunto na actualidad.rt.com.


Leia também: Ataque de Israel ao Irã piora instabilidade no Oriente Médio


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