palestina - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/palestina/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Tue, 23 Jun 2026 21:04:17 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png palestina - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/palestina/ 32 32 Soldados de Israel executam criança palestina de três anos com tiro na cabeça em Gaza https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/soldados-de-israel-executam-crianca-palestina-de-tres-anos-com-tiro-na-cabeca-em-gaza/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/soldados-de-israel-executam-crianca-palestina-de-tres-anos-com-tiro-na-cabeca-em-gaza/#respond Tue, 23 Jun 2026 21:04:17 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/23/soldados-de-israel-executam-crianca-palestina-de-tres-anos-com-tiro-na-cabeca-em-gaza/ Um agricultor palestino relatou que soldados das Forças de Defesa de Israel emboscaram seu veículo perto da chamada ‘linha amarela’, na fronteira de Gaza, e dispararam diretamente contra a cabeça de seu filho de três anos, matando-o instantaneamente enquanto a criança chorava em seus braços. O próprio pai ficou gravemente ferido, com uma perna estilhaçada por um terceiro disparo.

O depoimento foi colhido no Hospital Al-Aqsa, em Deir Al-Balah, no centro de Gaza, onde a vítima, Baha Abu Al-Ajeen, conversou com a equipe do portal RT. Ele contou que estava trabalhando em suas terras e trafegava por uma estrada rural quando as tropas israelenses surgiram de repente e ordenaram a parada. ‘A primeira bala acertou a estrada; a segunda atingiu a criança diretamente enquanto estava nos meus braços’, narrou o fazendeiro. ‘Um soldado atirou na cabeça do meu filho.’

De acordo com o relato, os militares ainda se recusaram a chamar uma ambulância e confiscaram o telefone do palestino, proibindo-o de pedir qualquer socorro.

Abu Al-Ajeen foi mantido ‘por horas dentro de um veículo militar’, com o filho agonizando em seus braços. ‘Logo depois que meu filho morreu nos meus braços, eles o tiraram de mim’, afirmou. Somente depois disso foi deixado em um local desconhecido, de onde conseguiu chegar ao hospital.

Procuradas pelo RT para comentar o episódio, as Forças de Defesa de Israel (IDF) limitaram-se a declarar que os soldados ‘iniciaram procedimentos padrão de apreensão de suspeitos, que incluíram fogo de advertência’, e que ‘foi reportado que, como resultado do fogo, um morador de Gaza foi morto e outro ficou ferido’. A nota não faz qualquer menção à identidade das vítimas nem à idade da criança executada.

O assassinato se insere em um padrão documentado por organismos internacionais. Um relatório da Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado concluiu que as forças israelenses ‘miraram e mataram deliberadamente’ crianças palestinas em Gaza e na Cisjordânia ocupada. O documento acusa Israel de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade no enclave, apontando que aproximadamente 30% de todos os mortos em Gaza desde outubro de 2023 são crianças.

O levantamento da ONU ainda assinala que os ataques a serviços de maternidade e de cuidados neonatais, combinados com o bloqueio de ajuda humanitária, provocaram aumento de abortos espontâneos, malformações congênitas, mortes por desnutrição e doenças entre menores de idade. Israel rechaçou as conclusões classificando-as como ‘relatório difamatório de advocacia’ e ‘farsa difamatória’.

Dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) revelam que mais de 50 mil crianças palestinas foram mortas ou feridas pelas forças israelenses desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023. O organismo destaca que as execuções prosseguiram mesmo após o cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos em 2025.

O conflito teve início em 7 de outubro de 2023, quando combatentes liderados pelo Hamas atacaram o sul de Israel, causando cerca de 1.200 mortes e o sequestro de mais de 250 pessoas. A campanha aérea e terrestre israelense subsequente já matou mais de 73 mil pessoas em Gaza, segundo autoridades sanitárias locais.

O subsecretário-geral para Assuntos Humanitários e Coordenador de Ajuda de Emergência da ONU, Tom Fletcher, por sua vez, informou ao Conselho de Segurança que mais de 67 mil palestinos haviam sido mortos até a aprovação da Resolução 2803 em novembro de 2025. Desde então, quase mil palestinos foram mortos, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, incluindo mais de 250 crianças, conforme dados do UNICEF.

A execução de uma criança de três anos com tiro na cabeça enquanto estava nos braços do pai expõe a brutalidade com que a ocupação israelense segue ceifando vidas palestinas, inclusive de bebês e recém-nascidos, em flagrante violação do direito internacional humanitário. O silêncio dos Estados Unidos e das potências europeias diante de assassinatos sistemáticos de menores contrasta com a mobilização retórica que exibem em outros cenários de conflito, evidenciando o tratamento seletivo que o Ocidente confere ao valor da vida humana conforme a nacionalidade das vítimas.

Com informações de RT.

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Evidências de violência sexual sistemática de Israel contra detentos palestinos se acumulam e pressionam TPI https://www.ocafezinho.com/2026/06/22/evidencias-de-violencia-sexual-sistematica-de-israel-contra-detentos-palestinos-se-acumulam-e-pressionam-tpi/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/22/evidencias-de-violencia-sexual-sistematica-de-israel-contra-detentos-palestinos-se-acumulam-e-pressionam-tpi/#respond Mon, 22 Jun 2026 12:24:11 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/22/evidencias-de-violencia-sexual-sistematica-de-israel-contra-detentos-palestinos-se-acumulam-e-pressionam-tpi/ Um novo documentário da Al Jazeera intitulado Bodies of Evidence expôs relatos chocantes de sobreviventes palestinos que detalham a tortura sexual infligida por guardas prisionais e soldados israelenses contra mulheres, homens e crianças sob custódia. Os testemunhos reforçam um quadro perturbador que organizações de direitos humanos vêm documentando há décadas, mas que se intensificou drasticamente desde outubro de 2023.

Mais de 750 mil palestinos já foram detidos em prisões israelenses desde 1967, segundo estimativas citadas pela Al Jazeera. Atualmente, há pelo menos 9.500 detentos palestinos, incluindo mais de 360 crianças, e cerca de 3.500 estão sob prisão administrativa, sem acusação formal ou julgamento. Outros 1.300 palestinos de Gaza permanecem em centros de detenção militar.

O documentário revela que os abusos não se limitam aos centros de detenção, mas ocorrem em todas as etapas do cárcere: desde as prisões em batidas domiciliares e hospitalares, passando por transferências e interrogatórios, até o encarceramento e as audiências em tribunais militares. As vítimas relatam espancamentos, fome, privação de sono, ataques diretos aos órgãos genitais, estupros com objetos e animais, humilhação pública e obstrução de atendimento médico.

O campo de detenção de Sde Teiman, uma base militar israelense convertida em prisão, tornou-se particularmente notório pelos abusos generalizados. Um vídeo vazado mostrando soldados agredindo brutalmente um detento palestino gerou condenação internacional, mas não resultou em nenhuma responsabilização concreta.

O jornal israelense Haaretz nomeou o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, e o comissário-chefe do Serviço Prisional, Kobi Yaakobi, como colaboradores nesse sistema de abusos. A denúncia aponta para um envolvimento direto de altas autoridades na perpetuação dessas violações graves.

Juridicamente, a distinção entre atos isolados e violência sistemática é crucial. Um único ato de violência sexual em contexto de ocupação beligerante pode configurar crime de guerra. Quando os atos são repetidos, generalizados e sistemáticos, podem constituir crimes contra a humanidade — e quando a tortura sexual é infligida a membros de um grupo protegido com a intenção de destruí-lo total ou parcialmente, pode configurar genocídio.

A Convenção para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio não define genocídio apenas como assassinato. Inclui também causar danos corporais ou mentais graves, infligir deliberadamente condições de vida destinadas a destruir o grupo e impor medidas que impeçam nascimentos dentro do grupo. A violência sexual pode enquadrar-se em todas essas categorias, causando danos físicos duradouros aos órgãos reprodutivos, aumentando riscos de infertilidade e gerando traumas psicológicos profundos que destroem a capacidade de reprodução biológica e social do grupo.

O Tribunal Penal Internacional para Ruanda reconheceu esse princípio no histórico julgamento de Akayesu, estabelecendo que o estupro e a violência sexual podem constituir genocídio quando cometidos com intenção genocida. Em Ruanda, a violência sexual foi usada com a intenção de destruir o povo tutsi; na Bósnia, foi empregada como arma de perseguição étnica; em Mianmar, crimes de gênero contra os rohingya são parte integrante da campanha genocida. O caso palestino segue o mesmo padrão.

A desumanização, base ideológica do genocídio, está claramente em ação. Autoridades israelenses de alto escalão identificaram os palestinos como “animais humanos” desde o início do genocídio em Gaza. Os relatos de soldados rindo, filmando, aplaudindo e zombando enquanto cometem violência sexual indicam que o abuso não apenas ocorreu, mas foi normalizado e celebrado dentro da estrutura militar.

O sistema de justiça israelense, como amplamente documentado por comissões independentes da ONU, contém deficiências estruturais, processuais e institucionais que minam a responsabilização efetiva. Onde um sistema de justiça é estruturado para proteger perpetradores em vez de oferecer justiça às vítimas, ele falha em dissuadir violações graves e permite a continuação da conduta ilícita, incluindo as formas mais severas de abuso.

Diante desse cenário, o Tribunal Penal Internacional precisa investigar a violência sexual contra palestinos não apenas como crime de guerra, mas como potencial crime contra a humanidade e ato genocida. A investigação deve percorrer toda a cadeia de comando, desde os guardas e soldados que cometeram os abusos, passando por supervisores imediatos e comandantes de instalações, até autoridades ministeriais responsáveis pela política de detenção. A ausência de responsabilização significativa cria o terreno fértil no qual a impunidade se autorreforça e as violações persistem e se expandem.

Com informações de Al Jazeera.

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Noruega propõe proibir comércio com assentamentos ilegais de Israel na Palestina https://www.ocafezinho.com/2026/06/19/noruega-propoe-proibir-comercio-com-assentamentos-ilegais-de-israel-na-palestina/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/19/noruega-propoe-proibir-comercio-com-assentamentos-ilegais-de-israel-na-palestina/#comments Fri, 19 Jun 2026 23:14:14 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/19/noruega-propoe-proibir-comercio-com-assentamentos-ilegais-de-israel-na-palestina/ 4 Comentários 🔥]]> O governo da Noruega anunciou um projeto de lei que visa proibir todo o comércio e as transações econômicas com os assentamentos ilegais israelenses nos territórios palestinos ocupados, incluindo Gaza, a Cisjordânia e Jerusalém Oriental. A proposta, divulgada nesta sexta-feira, estabelece um período de consultas públicas de três meses, até 19 de setembro, antes de seguir para votação no parlamento norueguês.

A iniciativa proíbe a importação de bens produzidos nesses assentamentos, a compra de imóveis, a prestação de serviços ligados à construção e reformas, e a aquisição de empresas cuja sede ou instalações estejam localizadas nas colônias. «Os assentamentos israelenses na Palestina violam o direito internacional», declarou o ministro das Relações Exteriores da Noruega, Espen Barth Eide, conforme reportagem do portal Al Jazeera.

Eide foi categórico ao associar a expansão dos assentamentos a um quadro de violência sistemática. «Eles contribuem para o deslocamento forçado, a violência extrema e uma situação que torna impossível uma solução pacífica», afirmou. «Pretendemos proibir o comércio com esses assentamentos ilegais», acrescentou o chanceler norueguês.

A proposta norueguesa ocorre uma semana depois de o país, ao lado de Reino Unido, Austrália, Canadá, França e Nova Zelândia, impor sanções coordenadas contra redes que financiam e executam ataques de colonos contra palestinos na Cisjordânia ocupada. Na ocasião, Eide denunciou que civis estão sendo mortos, a economia local está sendo asfixiada e comunidades inteiras estão sendo destruídas.

A Noruega, que não integra a União Europeia, reconheceu o Estado da Palestina em 2024, em movimento simultâneo com Irlanda e Espanha. A resposta do governo israelense foi imediata e agressiva: retirou seus embaixadores de Oslo, Dublin e Madri e convocou os representantes diplomáticos norueguês, irlandês e espanhol em Tel Aviv para protestos formais.

A relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese, classificou o anúncio norueguês como «um pequeno passo, o menor dos passos, mas é um começo». Albanese, no entanto, elevou o tom ao questionar a coerência do país escandinavo. «A Noruega ainda precisa responder a isto: como pode um país campeão dos direitos humanos permitir que seu vasto fundo soberano, um dos maiores do mundo, invista em entidades ligadas a uma ocupação que a Corte Internacional de Justiça considerou ilegal?», provocou.

A crítica da especialista da ONU mira diretamente o fundo soberano norueguês de dois trilhões de dólares, que detém participações em cerca de 8.700 empresas globais, incluindo várias companhias israelenses. No ano passado, a Noruega anunciou o desinvestimento de 11 empresas de Israel e afirmou estar revisando a exclusão de mais companhias, mas o processo tem sido lento diante da dimensão do portfólio.

O projeto de lei em consulta representa a ação mais dura já tomada por um país europeu contra a economia dos assentamentos. Ao mirar não apenas o comércio de bens, mas também o setor imobiliário e os serviços, Oslo atinge diretamente as engrenagens financeiras que sustentam a expansão das colônias sobre terra palestina. A medida desafia abertamente a política de Israel, que intensificou a construção de assentamentos nos últimos meses, ignorando as condenações internacionais.

Com informações de Al Jazeera.

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Povos em luta mudam o rumo da história contra domínio imperialista, aponta análise https://www.ocafezinho.com/2026/06/14/povos-em-luta-mudam-o-rumo-da-historia-contra-dominio-imperialista-aponta-analise/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/14/povos-em-luta-mudam-o-rumo-da-historia-contra-dominio-imperialista-aponta-analise/#comments Mon, 15 Jun 2026 00:24:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/14/povos-em-luta-mudam-o-rumo-da-historia-contra-dominio-imperialista-aponta-analise/ 4 Comentários 🔥]]> As potências imperialistas tentam preservar uma ordem internacional baseada na guerra, nas sanções e no saqueio dos povos, mas as forças da resistência estão demonstrando que esse domínio não é invencível. Da Palestina a Cuba, passando por Irã, Venezuela, Iêmen e Líbano, os movimentos de libertação nacional e as organizações populares estão alterando o equilíbrio mundial e abrindo uma nova etapa histórica.

A avaliação é do movimento Masar Badil – Rota Revolucionária Alternativa Palestina, publicada pelo portal Resumen Latinoamericano. A análise enfatiza que a contradição principal da atualidade opõe dois campos bem definidos: o imperialista, liderado pelos Estados Unidos e pela OTAN, e o da resistência, composto por forças revolucionárias, movimentos de libertação e povos que se recusam a aceitar a subordinação.

Segundo o texto, a agressão permanente contra o Irã não decorre de uma política específica, mas da existência de um Estado que preserva sua capacidade de decisão soberana e rejeita o esquema de dominação regional imposto por Washington. Da mesma forma, Cuba segue submetida a um bloqueio criminoso há mais de seis décadas como castigo por ter escolhido um caminho independente.

A Venezuela também enfrenta tentativas contínuas de controle sobre seus recursos estratégicos, enquanto a Bolívia vê as forças populares resistindo a reiteradas investidas de ingerência externa. Ainda assim, nenhuma luta expressa com tanta clareza essa contradição como a causa palestina, descrita na análise como a ponta de lança da resistência ao colonialismo e ao imperialismo contemporâneos.

A guerra genocida conduzida pelo regime sionista contra o povo palestino, longe de esmagar a resistência, provocou uma mobilização internacional sem precedentes e reforçou a centralidade da Palestina na consciência de milhões de pessoas. A resistência em Gaza, apesar da descomunal superioridade militar do inimigo, alterou os cálculos estratégicos e se tornou referência para os povos do mundo.

O artigo destaca que as principais forças que enfrentam o sionismo e o imperialismo têm nomes e trajetórias concretas: Hezbollah no Líbano, Hamas e Jihad Islâmica na Palestina, e Ansarallah no Iêmen, entre outras organizações do eixo da resistência. São essas forças que sofrem bombardeios, bloqueios e campanhas de criminalização, mas também as que impediram que os planos imperialistas se consumassem plenamente.

Um dos fenômenos mais relevantes dos últimos anos é justamente o fortalecimento da coordenação entre esses movimentos, que superaram divisões históricas e passaram a atuar com uma visão estratégica integrada. Eles compreenderam que a defesa de Cuba, Venezuela ou Bolívia integra a mesma batalha global contra a hegemonia imperialista, o que tem permitido avanços em formas de cooperação que antes pareciam impossíveis.

Desde sua fundação em Madri, o Masar Badil defende essa perspectiva de articulação ampla, insistindo na necessidade de construir um front internacional de resistência frente ao imperialismo e ao sionismo. A análise conclui que a solidariedade simbólica já não basta e que a magnitude da ofensiva imperialista exige coordenação política, organizativa e popular em nível global, unindo movimentos de libertação, sindicatos combativos, organizações de mulheres e juventudes.

Embora as potências imperialistas ainda disponham de imensos recursos econômicos, militares e midiáticos, elas já não conseguem impor sua vontade com a mesma facilidade de décadas anteriores. As resistências demonstraram capacidade de modificar os cálculos do adversário, alterar os equilíbrios regionais e questionar as bases de uma ordem que parecia imutável, contribuindo para transformar o rumo da história.

Com informações de RESUMENLATINOAMERICANO.

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Israel planeja erguer 61 assentamentos na Cisjordânia com investimento de US$ 350 milhões https://www.ocafezinho.com/2026/06/11/israel-planeja-erguer-61-assentamentos-na-cisjordania-com-investimento-de-us-350-milhoes/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/11/israel-planeja-erguer-61-assentamentos-na-cisjordania-com-investimento-de-us-350-milhoes/#respond Thu, 11 Jun 2026 10:34:17 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/11/israel-planeja-erguer-61-assentamentos-na-cisjordania-com-investimento-de-us-350-milhoes/ O governo de Israel prepara a destinação de mais de US$ 350 milhões para estabelecer 61 novos assentamentos na Cisjordânia ocupada, no que seria um dos planos de expansão territorial mais ambiciosos em décadas. O gabinete israelense deve aprovar a medida nesta quinta-feira, conforme antecipou o jornalista Barak Ravid, do portal Axios, que teve acesso à diretriz governamental.

Segundo o relato de Ravid, a proposta incluiria financiamento público para conjuntos habitacionais temporários e infraestrutura básica, com o objetivo declarado de ‘tirar os assentamentos do papel’. A informação, que detalha um investimento sem precedentes, foi repercutida amplamente, incluindo o portal Sputnik.

Os assentamentos israelenses em território palestino são universalmente considerados ilegais pelo direito internacional. Eles violam a Quarta Convenção de Genebra, que proíbe a transferência de população civil de uma potência ocupante para a área ocupada, e são condenados por diversas resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

A Organização das Nações Unidas e proeminentes organizações de direitos humanos reafirmam que a colonização sistemática impede a viabilidade de um futuro Estado palestino independente e contíguo. Para os palestinos, essa expansão representa uma política deliberada de confisco de terras, desfiguração do mapa da Cisjordânia e anulação das perspectivas de uma solução negociada baseada nos Acordos de Oslo.

A comunidade internacional, embora recorrentemente condene as construções, tem se mostrado amplamente incapaz de reverter o processo contínuo de anexação de facto. No final de maio, a União Europeia deu um passo raro ao impor sanções contra indivíduos e entidades diretamente envolvidos na violação de direitos dos palestinos na Cisjordânia, em represália à escalada das atividades de colonização.

Essa medida da União Europeia foi uma resposta clara à intensificação das políticas de expansão conduzidas pelo governo do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em meio a crescentes tensões na região. A decisão de Bruxelas sublinhou a preocupação global com a contínua expropriação de terras palestinas e a fragilização da perspectiva de dois Estados.

O plano de US$ 350 milhões, se aprovado, ampliará de forma significativa o envolvimento direto do Estado de Israel na consolidação da presença israelense na Cisjordânia. Ele transcende meras autorizações simbólicas, alocando verbas orçamentárias substanciais para a construção de complexos residenciais e infraestrutura que criam realidades permanentes no território.

Este anúncio potencial ocorre em um momento de forte pressão do campo ultranacionalista dentro da coalizão de Netanyahu, que defende abertamente a anexação total do território palestino ocupado. Os Estados Unidos, principal aliado de Israel, historicamente vetam resoluções condenatórias no Conselho de Segurança da ONU, oferecendo uma cobertura política essencial para a continuidade da colonização.

Caso a decisão seja confirmada, Israel sinalizará que não recuará de sua política de assentamentos, mesmo sob crescente isolamento diplomático. A alocação orçamentária transformaria a expansão em um projeto de Estado, com consequências irreversíveis para os direitos palestinos e para a já volátil estabilidade do Oriente Médio.

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Suprema Corte de Israel determina acesso da Cruz Vermelha a presos palestinos https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/suprema-corte-de-israel-determina-acesso-da-cruz-vermelha-a-presos-palestinos/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/suprema-corte-de-israel-determina-acesso-da-cruz-vermelha-a-presos-palestinos/#respond Thu, 04 Jun 2026 17:40:56 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/suprema-corte-de-israel-determina-acesso-da-cruz-vermelha-a-presos-palestinos/ A Suprema Corte de Israel derrubou por unanimidade a política do governo que proibia o acesso do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) aos presos palestinos mantidos em prisões israelenses. A decisão determinou que o bloqueio de visitas violava as leis israelenses e o direito internacional, ordenando a revogação imediata da medida.

Pela primeira vez em quase três anos, os mais de 9.000 prisioneiros palestinos classificados como detentos de segurança poderão receber visitas da organização humanitária. A proibição havia sido imposta após os ataques de outubro de 2023 e permaneceu em vigor mesmo após o cessar-fogo acordado no ano passado.

A Associação pelos Direitos Civis em Israel (ACRI), que liderou a petição judicial ao lado de outras organizações como Médicos pelos Direitos Humanos e a ONG Gisha, celebrou a decisão como uma vitória histórica. As entidades denunciaram que o governo israelense solicitou 27 prorrogações antes que a audiência finalmente ocorresse, em um claro esforço para postergar o escrutínio judicial.

O CICV saudou a decisão e afirmou estar pronto para retomar as visitas imediatamente. Em comunicado, a organização reforçou que o acesso aos detentos é uma obrigação estabelecida pelo direito internacional humanitário.

A sentença expõe a gravidade da situação carcerária em Israel, em um momento em que crescem as denúncias sobre maus-tratos sistemáticos contra detentos palestinos. As restrições impostas desde o início da ofensiva militar em Gaza mergulharam o sistema prisional israelense em uma zona de completa opacidade, sem qualquer monitoramento externo independente.

Um relatório anual das Nações Unidas documentou um quadro de violência institucionalizada, citando tortura, estupro, estupro coletivo, nudez forçada e revistas íntimas abusivas praticadas por forças armadas e de segurança israelenses. Os abusos ocorreram principalmente durante detenções e interrogatórios em diversos locais, incluindo o campo militar de Sde Teiman.

A violência na Cisjordânia ocupada também escalou a níveis sem precedentes desde outubro de 2023, com as forças israelenses intensificando operações militares e detenções em massa. A suspensão das visitas do CICV foi a primeira em 50 anos, configurando uma ruptura radical com as práticas anteriores ao conflito, quando até mesmo informações básicas sobre os detentos eram compartilhadas como procedimento padrão.

A decisão judicial israelense ocorre em meio a um cenário de devastação humanitária em Gaza, onde mais de 72.950 pessoas foram mortas desde o início dos ataques israelenses, segundo o Ministério da Saúde local. A ofensiva, qualificada como genocídio por diversos acadêmicos e por uma comissão independente da ONU, transformou a maior parte do território sitiado em escombros e forçou o deslocamento de aproximadamente 1,9 milhão de palestinos.

O governo de Israel tentou justificar a proibição acusando o Hamas de não garantir acesso aos prisioneiros mantidos em Gaza, mas a Suprema Corte rejeitou esse argumento ao constatar a ausência de qualquer fundamento legal para a política de anulação total das visitas. A corte determinou que o Estado não apresentou base jurídica que sustentasse a medida adotada após outubro de 2023.

Segundo reportagem do portal Al Jazeera, a decisão representa um duro golpe na política de isolamento absoluto imposta pelo governo israelense aos detentos palestinos. A retomada das visitas do CICV restabelece um canal mínimo de supervisão humanitária sobre um sistema prisional que operou por quase três anos à margem de qualquer escrutínio internacional.

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Governo de Israel aprova construção de 2.162 novas casas em assentamentos na Cisjordânia ocupada https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/governo-de-israel-aprova-construcao-de-2-162-novas-casas-em-assentamentos-na-cisjordania-ocupada/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/governo-de-israel-aprova-construcao-de-2-162-novas-casas-em-assentamentos-na-cisjordania-ocupada/#respond Thu, 04 Jun 2026 13:03:38 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/governo-de-israel-aprova-construcao-de-2-162-novas-casas-em-assentamentos-na-cisjordania-ocupada/ O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, anunciou a aprovação de um plano para construir 2.162 novas unidades habitacionais em assentamentos na Cisjordânia ocupada. A decisão, que prevê 1.006 casas em um novo assentamento próximo a Jerusalém, 922 perto de Nablus e 234 nas imediações de Hebron, foi divulgada pela Al Jazeera e confirmada por um comitê de planejamento do governo israelense.

Em comunicado, Smotrich afirmou que as medidas visam “continuar a construir a Terra de Israel na prática”. O ministro de extrema direita argumentou que as novas casas “fortalecerão nosso domínio sobre a terra, reforçarão a segurança de Israel e estabelecerão fatos claros no terreno”. Smotrich defende que a expansão impede a criação do que chamou de “Estado de terror árabe no coração do país”.

A decisão gerou forte reação da liderança palestina. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, condenou a medida e alertou que as políticas israelenses estão empurrando a região para mais violência. Abbas também fez um apelo aos Estados Unidos para que intervenham e interrompam o que classificou como “loucura” israelense.

Os assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada são considerados ilegais pelo direito internacional e alvo de condenação da maioria das nações. Smotrich, que acumula funções no Ministério da Defesa, já foi alvo de sanções do Reino Unido, França e outros países, que o acusam de incitar violência contra palestinos.

A agência de notícias palestina Wafa reportou que forças israelenses entregaram notificações de demolição a diversas lojas no entroncamento da cidade de Bazariya, a noroeste de Nablus, para abrir caminho para uma estrada colonial. Além disso, colonos invadiram a aldeia de Deir Sudan, a noroeste de Ramallah, acompanhados de tratores, com o objetivo de tomar a localidade.

As medidas ocorrem meses após o governo israelense aprovar um processo de registro de terras que permite declarar territórios como “propriedade estatal” quando palestinos não conseguem comprovar a posse. Dessa forma, o aparato administrativo da ocupação avança sobre áreas estratégicas, intensificando a anexação de fato da Cisjordânia.

Smotrich lidera uma campanha agressiva para formalizar a anexação de amplas áreas da Cisjordânia. A construção de novos assentamentos é um dos pilares de sua estratégia para “estabelecer fatos no terreno” que inviabilizem qualquer possibilidade de um Estado palestino contíguo e viável.

O direito internacional classifica os assentamentos como violação da Quarta Convenção de Genebra, que proíbe a transferência de população civil para territórios ocupados. Mesmo assim, os sucessivos governos israelenses expandiram as colônias, que hoje abrigam mais de 700 mil colonos judeus na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental.

As sanções internacionais contra Smotrich incluem proibições de entrada e congelamento de ativos, mas o ministro as descreveu como “injustas” e afirmou que não alterarão a política israelense. O governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu respalda a ofensiva de colonização, mesmo diante da escalada de tensões com a comunidade internacional.

A expansão dos assentamentos ameaça inviabilizar a solução de dois Estados, defendida por resoluções da ONU e pela maior parte dos países. Enquanto os colonos avançam sobre terras palestinas, a diplomacia internacional se limita a condenações retóricas que não impedem a consolidação do fato consumado.

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Uruguai denuncia porta-voz do Exército de Israel por genocídio https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/uruguai-denuncia-porta-voz-do-exercito-de-israel-por-genocidio/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/uruguai-denuncia-porta-voz-do-exercito-de-israel-por-genocidio/#respond Thu, 04 Jun 2026 12:35:38 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/uruguai-denuncia-porta-voz-do-exercito-de-israel-por-genocidio/ Organizações sociais e sindicais do Uruguai, lideradas pela central PIT-CNT, formalizaram denúncia criminal contra Roni Kaplan, porta-voz das Forças de Defesa de Israel para países de língua espanhola. A acusação, apresentada em 29 de maio, imputa a Kaplan crimes de genocídio, crimes de guerra e crimes de lesa-humanidade.

A denúncia foi assinada por figuras como a ex-fiscal e ex-diretora da Instituição Nacional de Direitos Humanos do Uruguai, Mirtha Guianze, a secretária de Direitos Humanos do PIT-CNT, Fernanda Aguirre, e a integrante da Coordenação por Palestina, Silvia Martínez del Río. O advogado Pablo Chargoñia assumiu o patrocínio jurídico da causa.

Em conferência de imprensa, Aguirre detalhou que o pedido encaminhado à Fiscalía uruguaia busca investigar Kaplan para determinar sua responsabilidade penal e requer a formalização da apuração. A peça também solicita que qualquer outro funcionário ou ex-funcionário do Estado de Israel encontrado em território uruguaio seja citado e interrogado pelos mesmos delitos.

A ação mira ainda as mais altas autoridades israelenses. Caso o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ou o ex-ministro da Defesa Yoav Galant — ambos alvos de mandados de prisão do Tribunal Penal Internacional — ingressem no Uruguai, a denúncia exige que a autoridade judicial decrete sua imediata detenção para entrega à Corte Penal Internacional, conforme a Lei uruguaia nº 18.026.

Essa lei, promulgada em 2006, modificou o Código Penal local e internalizou o Estatuto de Roma, que define os crimes de genocídio, lesa-humanidade e de guerra. O artigo 4º da norma estabelece que o Uruguai tem o direito e o dever de julgar tais condutas quando cometidas no exterior por cidadãos uruguaios, sejam civis ou militares.

Segundo o Resumen Latinoamericano, a denúncia fundamenta-se na convicção de que o Estado de Israel agride o povo palestino como parte de uma política estatal, metódica e permanente, com motivação genocida. Os denunciantes apontam Kaplan como peça-chave da máquina de propaganda que viabiliza o prosseguimento do plano de extermínio sem oposição internacional efetiva.

Desde o lançamento da operação Pilar Defensivo por Israel em 2012, Kaplan destacou-se por seu papel de propagandista, segundo a denúncia. A peça sustenta que sua atividade tem como finalidade essencial disfarçar, dissimular e encobrir os crimes em curso na Faixa de Gaza.

O texto da denúncia sublinha que o genocídio perpetrado pelo Estado de Israel em Gaza desde outubro de 2023 é o primeiro da história transmitido ao vivo. Kaplan, nascido no Uruguai e militar israelense, é descrito como o porta-voz desse plano genocida para o mundo de língua espanhola.

Os autores da denúncia afirmam que Kaplan desdobra voluntária e permanentemente uma conduta que a norma qualifica como criminal e que, portanto, é penalmente responsável por crimes internacionais de competência do Tribunal Penal Internacional. A iniciativa baseia-se no princípio da jurisdição universal, previsto no Código Penal uruguaio.

Para as organizações signatárias, o Estado uruguaio tem o dever de julgá-lo em defesa do interesse da humanidade e responsabilizá-lo mediante o juízo e a sanção penal correspondentes. O advogado Chargoñia destacou que não há antecedentes de uma denúncia com essas características na Fiscalía do país.

Agora, o departamento de priorização e atribuição da Fiscalía analisará o caso para definir qual promotor será designado para a investigação. As organizações pressionam para que o trâmite seja conduzido com a máxima diligência.

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Colonos israelenses expulsam pastores palestinos e roubam rebanhos no Vale do Jordão https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/colonos-israelenses-expulsam-pastores-palestinos-e-roubam-rebanhos-no-vale-do-jordao/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/colonos-israelenses-expulsam-pastores-palestinos-e-roubam-rebanhos-no-vale-do-jordao/#respond Wed, 03 Jun 2026 17:33:14 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/colonos-israelenses-expulsam-pastores-palestinos-e-roubam-rebanhos-no-vale-do-jordao/ Uma campanha sistemática de violência conduzida por colonos israelenses está forçando comunidades pastoris palestinas inteiras a abandonarem suas terras no Vale do Jordão, na Cisjordânia ocupada. Há casos documentados de roubo de gado, destruição de plantações e agressões físicas com apoio direto do exército israelense. Conforme reportagem da Al Jazeera, o padrão de ataques intensificou-se desde outubro de 2023, quando um novo governo israelense com ministros de extrema direita assumiu o poder.

Mukhlis Masa’id, morador da localidade de Khirbet Yarza, vive em estado de luto desde que os colonos intensificaram os ataques contra sua comunidade. Ele e outros palestinos da região testemunharam a destruição de suas colheitas, invasões de domicílios e agressões contra pastores e agricultores que trabalhavam nas terras de pastagem ao redor da aldeia.

Catorze famílias, cerca de cem palestinos no total, chamavam esta região de lar até que a violência dos colonos se tornou quase diária. No início deste ano, os moradores decidiram abandonar a aldeia onde viveram por gerações, reunindo o gado sobrevivente para partir.

Os colonos possuem meios de comunicação eficientes entre si. Quando atacam os pastores, dezenas deles se reúnem para intimidá-los, relatou Masa’id à Al Jazeera. Ele explicou que sua comunidade não dispõe de meios de transporte para alcançar os pastores e tentar protegê-los, pois suas estradas são esburacadas e não pavimentadas, ao contrário das vias usadas pelos colonos.

Os colonos não se limitaram às agressões físicas: roubaram centenas de ovelhas e cabeças de gado, o sustento vital desta comunidade do norte da Cisjordânia. O pastor palestino desabafou: Sentimos como se tivéssemos perdido um filho. O que aconteceu conosco é a pior coisa que poderia ocorrer: deixar os lares onde vivemos toda a vida, lares que esperávamos que nossos filhos e netos também habitassem.

A fuga ocorreu em março, mas os problemas não terminaram com a saída da aldeia. Dezenas de ovelhas morreram de doenças após a mudança, e a forragem que precisaram deixar para trás apodreceu sob a chuva por falta de local adequado para armazenamento.

Agora, os sobreviventes pastoreiam o rebanho restante em áreas superlotadas nos arredores de Tubas. Nada do que estamos vivendo agora se parece com a nossa vida em Yarza, lamentou Masa’id, sintetizando o desenraizamento forçado de sua comunidade.

O padrão de ataques repetidos não se limita à Área C, parte da Cisjordânia ocupada sob controle total israelense que representa mais de 60% do território. Há objetivos mais amplos relacionados a todo o território palestino sob ocupação desde 1967, incluindo a Área A, zona tecnicamente sob controle da Autoridade Palestina, mas que registra atividade crescente de colonos.

Zuhair Abu Shaar, de Jifna, ao norte de Ramallah, ficou chocado ao ver um grupo de colonos israelenses invadir repentinamente seu curral no coração da aldeia em abril. Os aldeões confrontaram o bando, que deixou brevemente o local, mas retornou meia hora depois com o apoio de 12 veículos militares israelenses.

Os soldados saíram dos veículos a pé e vieram até nós com os colonos. Eles roubaram 180 cabeças de gado, as levaram embora, nos agrediram e atiraram na perna de um dos meus vizinhos, contou Abu Shaar à Al Jazeera. Ele relatou ainda que seu sobrinho foi golpeado com força na lateral do corpo, exatamente na área de uma cirurgia realizada meses antes, o que o fez desabar no chão.

Quando Abu Shaar tentou defender o sobrinho, foi espancado, algemado, jogado ao chão e teve uma arma apontada para sua cabeça. O exército esvaziou todo o curral, exceto por uma ovelha doente que não conseguia andar, e se retirou sob uma nuvem de gás lacrimogêneo, levando também um jumento e um carro que encontraram na aldeia.

Zuhair estima suas perdas em pelo menos 450 mil shekels, cerca de 150 mil dólares, e não tem nenhuma informação sobre o gado roubado, sua única fonte de renda. Sou como alguém cuja casa foi demolida e está reconstruindo tijolo por tijolo. Estou tentando começar do zero, afirmou, acrescentando que se trata de uma ocupação e que se pode esperar qualquer coisa daqueles que tentam forçar os palestinos a abandonar suas terras.

Nidal Younis, chefe do conselho da aldeia de Masafer Yatta, ao sul de Hebron, informou que quase todas as terras de pastagem da região foram confiscadas por colonos nos últimos três anos. Grupos de colonos estabeleceram 12 novos postos avançados nos arredores de Masafer Yatta, além de se apropriarem de mais de 90% das terras cultivadas com culturas de inverno, como trigo e cevada.

No ano passado, os colonos impediram que os palestinos colhessem suas próprias plantações enquanto simultaneamente levavam suas ovelhas para pastar sobre elas. Em janeiro, colonos atacaram uma aldeia na região de Masafer Yatta e roubaram 300 cabeças de gado. Até mesmo aqueles que pastoreavam ovelhas em terras fora da área foram atacados, tiveram seus animais roubados ou foram espancados.

O custo do gado tornou-se muito alto para a população, e muitas famílias venderam parte de seus rebanhos para conseguir alimentar o restante. Há um declínio anual acentuado no número de cabeças de gado em Masafer Yatta, e o que resta hoje representa menos de 25% do que existia há alguns anos.

Segundo relatório do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, o OCHA, publicado em maio, o Vale do Jordão registrou um salto no número mensal de incidentes com feridos ou danos materiais, passando de dois por mês em 2020 para 27 nos primeiros quatro meses deste ano. Esses casos já não se limitam a ataques individuais contra palestinos, mas visam todo o modo de vida destas comunidades agrícolas, com destruição de pastagens, fontes de água, reservatórios, equipamentos e instalações como currais.

Um relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a FAO, revelou que quase dois terços das 72 mil famílias de agricultores e pastores na Cisjordânia ocupada necessitam de assistência emergencial. Abbas Melhem, chefe da União das Associações Agrícolas Palestinas, afirmou que 87% do setor pecuário está concentrado em uma faixa que vai de Masafer Yatta ao Vale do Jordão, a maior parte na Área C.

Mais de 90% da área entre Masafer Yatta e o Vale do Jordão está interditada para agricultores e pastores palestinos. Enquanto isso, os rebanhos dos colonos israelenses têm acesso irrestrito às terras de pastagem, revelando a assimetria brutal imposta pelo regime de ocupação.

A campanha de violência dos colonos e as restrições israelenses levaram a um declínio vertiginoso no número de cabeças de gado na Cisjordânia, que caiu de 1,75 milhão há quatro anos para apenas 480 mil atualmente, segundo Melhem. Somada ao ataque sistemático contra os olivais durante a temporada de colheita, principal cultura da Cisjordânia, a ofensiva representa a destruição completa de um modo de vida que sobreviveu por séculos na Palestina.

Melhem alertou que, se a situação continuar sem apoio aos criadores de gado, os palestinos serão forçados a comprar animais para sacrifício dos próprios colonos que são integralmente protegidos pelo exército israelense. Estamos à beira do colapso na segurança alimentar, tanto no setor vegetal quanto no animal, se não houver intervenção internacional para nos proteger, concluiu o dirigente agrícola palestino.

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Palestinos evacuados de Gaza permanecem presos em hospital de Bagdá com documentos confiscados há mais de dois anos https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/palestinos-evacuados-de-gaza-permanecem-presos-em-hospital-de-bagda-com-documentos-confiscados-ha-mais-de-dois-anos/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/palestinos-evacuados-de-gaza-permanecem-presos-em-hospital-de-bagda-com-documentos-confiscados-ha-mais-de-dois-anos/#respond Tue, 02 Jun 2026 15:01:47 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/palestinos-evacuados-de-gaza-permanecem-presos-em-hospital-de-bagda-com-documentos-confiscados-ha-mais-de-dois-anos/ Mais de duas dezenas de pacientes palestinos evacuados da Faixa de Gaza para Bagdá, capital do Iraque, vivem um calvário silencioso: estão confinados há mais de dois anos dentro de um complexo hospitalar, com documentos de viagem confiscados pelas autoridades iraquianas e sem qualquer perspectiva de retorno para suas famílias. O grupo, formado por 21 pacientes gravemente enfermos e 25 acompanhantes, foi transportado em março de 2024 em uma aeronave militar, numa operação coordenada com os governos do Iraque e do Egito, conforme apurou a Al Jazeera em reportagem investigativa.

O que era para ser uma missão humanitária de salvação rapidamente se transformou em uma prisão administrativa. Hanin Muhammad, uma palestina de 40 anos que viajou como acompanhante médica de sua irmã transplantada renal, desabafou sobre o drama familiar. Seus seis filhos estão deslocados em tendas improvisadas entre Rafah e Khan Younis, após as forças israelenses destruírem sua casa. Meus seis filhos estão em Gaza, e estou entrando no meu terceiro ano sem vê-los, afirmou Muhammad, que está confinada no Private Nursing Home Hospital, dentro do complexo da Cidade Médica de Bagdá. Ela contou que depende de terceiros para verificar o estado das crianças, porque os filhos não têm conexão de internet.

A situação documental do grupo é kafkiana. Assim que chegaram do Egito, as autoridades iraquianas apreenderam imediatamente todos os documentos de identificação e viagem. Quando pedimos os papéis, nos disseram que estão retidos pelo Serviço de Inteligência Iraquiano e pelo Ministério das Relações Exteriores, relatou Muhammad. Embora a Embaixada da Palestina em Bagdá tenha emitido novos passaportes, estes documentos são funcionalmente inúteis porque não receberam os carimbos oficiais do governo iraquiano. Sem os carimbos, não é possível viajar para lugar nenhum. O limbo administrativo congelou completamente a vida dos acompanhantes.

Noor Ibrahim, nome fictício de uma jovem que chegou como acompanhante de sua tia com câncer, está presa no Iraque junto com quatro filhos da paciente. Ela está noiva há quatro anos, mas seu noivo e sua família permanecem em Gaza. Saímos com a promessa de que seria uma viagem de tratamento temporária de seis meses, mas já se passaram dois anos, contou. Samah Abdul Moati, de 65 anos, luta contra leucemia, câncer de fígado e uma lesão no braço. Está acompanhada do filho ferido e da nora. Dois de seus filhos foram mortos na guerra, outros dois têm implantes de platina por ferimentos, seu marido enfrenta um câncer em uma unidade de terapia intensiva de Gaza sem ter quem cuide dele, e suas filhas e netos órfãos vivem em tendas.

A privação material e o estresse psicológico marcam o dia a dia do grupo. Abdul Moati denunciou a qualidade da comida fornecida pelo hospital: O hospital traz comida todos os dias, mas ninguém pode comer porque está imprópria para consumo. Estamos sobrevivendo graças à caridade de benfeitores locais. Ela suplicou: Não nos importamos mais com o tratamento – só queremos voltar para nossos filhos. Quando os evacuados protestaram há cinco meses e falaram com a mídia para exigir seu direito de viajar, a administração do hospital retaliou trancando a ala e proibindo-os até de visitar o jardim do hospital.

Muhammad revelou que só foram autorizados a sair depois que jornalistas escreveram sobre sua situação, mas as autoridades continuam os jogando de um departamento a outro sem fornecer respostas diretas. A chefe de relações públicas do Ministério da Saúde iraquiano, Ruba Falah Hassan, classificou o caso como político e afirmou não estar autorizada a falar sobre o assunto. O recém-nomeado porta-voz do governo iraquiano, Haidar Al-Aboudi, limitou-se a dizer que vai analisar a questão. O porta-voz do Ministério da Saúde, Saif Albadr, não atendeu às repetidas chamadas da Al Jazeera.

Os evacuados não têm recursos financeiros para comprar passagens aéreas comerciais mesmo que seus documentos fossem devolvidos, o que significa que precisam desesperadamente de um esforço coordenado por alguma entidade beneficente ou governamental para viabilizar seu retorno ao Egito. Abdul Moati fez um apelo final: Não estou pedindo luxo ou exceção. Estou pedindo um simples direito humano: que minha família não permaneça dividida entre a vida e a morte.

O drama deste grupo é a ponta visível de uma crise humanitária muito mais ampla. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, mais de 20 mil pacientes e feridos aguardam para viajar ao exterior para tratamento médico. Dados oficiais indicam que 1.200 crianças sofrem atualmente de lesões na medula espinhal e paralisia resultantes diretamente de ataques israelenses, e cerca de 4 mil crianças necessitam de tratamento urgente fora do enclave. Apesar da necessidade avassaladora, apenas 154 crianças foram autorizadas a deixar Gaza desde que a passagem de Rafah, a única porta de saída do enclave, foi parcialmente reaberta em fevereiro sob pesadas restrições impostas por Israel. A crise é igualmente devastadora para recém-nascidos: em 2025, mais de 4 mil mulheres tiveram partos prematuros, e pelo menos 4.800 bebês nasceram com baixo peso – o dobro dos índices anteriores à guerra.

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Mãe palestina denuncia normalização do assassinato de crianças em Gaza https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/mae-palestina-denuncia-normalizacao-do-assassinato-de-criancas-em-gaza/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/mae-palestina-denuncia-normalizacao-do-assassinato-de-criancas-em-gaza/#respond Mon, 01 Jun 2026 13:12:04 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/mae-palestina-denuncia-normalizacao-do-assassinato-de-criancas-em-gaza/
Retrato de dois meninos, identificados como Ryan e Yaman, cuja morte em ataque israelita é tema da reportagem.

Uma mãe palestina que perdeu dois filhos em bombardeio israelense nos arredores da Cidade de Gaza descreveu como o mundo falhou em proteger suas crianças.

O ataque matou Ryan, um bebê de 51 dias, e Yaman, de sete anos, soterrados sob os escombros da própria casa. A mãe acordou sob os escombros, cercada por escuridão, poeira e concreto desabado, ouvindo os gritos de Nasser, seu filho de seis anos.

Ryan foi retirado sem vida após passar mais de uma hora preso sob os destroços. Yaman, que inicialmente teria sofrido apenas ferimentos leves, morreu antes de chegar ao hospital. A mãe se despediu de Ryan instantes antes de receber o corpo de Yaman.

Yaman era chamado de o pequeno filósofo pela família. Ele dominava o árabe formal e adorava documentários sobre espaço, vida selvagem e oceanos. Recusava-se a comer carne por amar os animais e consolou a mãe prometendo construir uma casa maior após a guerra.

Ryan nasceu durante uma trégua temporária e teve apenas 51 dias para conhecer o mundo. A mãe jamais imaginou que seus filhos morreriam, mesmo vivendo sob constante ameaça de fome e violência.

Nasser, agora filho único aos seis anos, nunca mais foi o mesmo. Ele tentou impedir que levassem o corpo de Yaman, puxando sua mortalha branca aos prantos. Hoje, passa horas olhando fotos do irmão no celular, tentando entender como uma criança pode desaparecer tão rápido.

Para o mundo, Ryan e Yaman são apenas dois nomes em uma estatística de 21 mil crianças palestinas mortas. O depoimento da mãe foi publicado pelo portal Al Jazeera no Dia Internacional da Infância.

Por que as imagens de crianças envoltas em mortalhas brancas se tornaram tão normalizadas?, questiona a mãe. Ela aponta o colapso moral de um mundo que testemunha o massacre sem agir. O depoimento reforça a impotência das convenções internacionais e organizações dedicadas à proteção infantil.

A mãe reflete que o mundo se acostumou a ver as crianças palestinas como números, não como seres humanos. A guerra continua matando crianças quase diariamente, enquanto a comunidade internacional mantém os olhos fechados.

Ryan e Yaman não são estatísticas. São crianças que o mundo escolheu não proteger, insiste a mãe. Por trás de cada número, há um amor eterno e a lembrança de uma voz que sonhava construir casas.


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Colonos israelenses roubam 4.700 animais e aceleram êxodo de palestinos na Cisjordânia https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/colonos-israelenses-roubam-4-700-animais-e-aceleram-exodo-de-palestinos-na-cisjordania/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/colonos-israelenses-roubam-4-700-animais-e-aceleram-exodo-de-palestinos-na-cisjordania/#comments Mon, 01 Jun 2026 05:34:31 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/colonos-israelenses-roubam-4-700-animais-e-aceleram-exodo-de-palestinos-na-cisjordania/ 2 Comentários 🔥]]>
Um homem palestino observa estruturas agrícolas danificadas no Westjordanland.

Colonos israelenses invadiram o curral de Salim Hamayel, fazendeiro palestino de Abu Falah, e roubaram quase todo o seu rebanho em uma única noite. O agricultor, que investira 180 mil euros na propriedade, viu 71 de suas 76 ovelhas desaparecerem, restando apenas paredes enegrecidas e estilhaços de vidro.

O curral, protegido por muros de concreto e arame farpado, sofreu quatro ataques antes que os invasores conseguissem arrombar a porta dos fundos. Na manhã seguinte, a família Hamayel encontrou o local devastado e os animais levados.

“Das 76 ovelhas, só restaram cinco que se esconderam. Foi uma perda total”, disse Hamayel à reportagem do portal alemão tagesschau. Ele explicou que, na época da Festa do Sacrifício, quando venderia 25 ovelhas a mil euros cada, sua família ficou sem renda por dois meses.

Sua esposa, Rifa, que produzia queijo com o leite das ovelhas, chorava ao lembrar do trabalho de anos reduzido a nada. A família era a principal fornecedora de carne e leite para Abu Falah, serviço essencial perdido com o ataque.

O caso dos Hamayel não é isolado. Ameer Daewood, da Comissão Palestina contra o Muro e os Assentamentos, vinculada à Autoridade Palestina, registrou mais de 100 ataques a agricultores palestinos entre janeiro e meados de maio. Cerca de 4.700 cabeças de gado foram roubadas no período.

“Os animais são roubados, mortos, envenenados, queimados ou têm seus pastos e fontes de água bloqueados”, detalhou Daewood. Ele apontou que, sob o manto da guerra, a circulação dos palestinos nas áreas rurais foi ainda mais restringida, permitindo que os colonos ajam com impunidade.

A situação se agravou após os palestinos perderem as autorizações de trabalho em Israel. Muitas famílias passaram a depender exclusivamente da agricultura e da pecuária, tornando-se ainda mais vulneráveis ao roubo de gado.

A estratégia, segundo a comissão palestina, visa forçar o abandono das terras por comunidades rurais. O objetivo é abrir caminho para novos postos avançados de colonos, especialmente na Zona C e no Vale do Jordão, áreas cruciais para um futuro Estado palestino.

A poucos minutos de Abu Falah, o clã beduíno de Ali Kaabneh enfrenta uma tragédia ainda maior. Seu filho Yousef, de 16 anos, foi morto com um tiro no peito durante uma operação militar israelense em meados de maio.

Com a voz embargada, o pai relatou que colonos reuniram 700 ovelhas de agricultores da região naquele dia. O exército israelense classificou o episódio como “distúrbio violento”.

“Quero dizer ao mundo que Youssef foi morto injustamente. Ele estava desarmado, com o torso nu, e os soldados o atacaram a sangue frio”, denunciou Kaabneh. Ele exibiu um vídeo em seu celular mostrando soldados israelenses conduzindo ovelhas por uma estrada, reforçando a acusação de confisco dos animais.

“Esses colonos estão acima da lei. Ninguém nos protege — nem a polícia israelense, nem a palestina, nem as forças de segurança”, lamentou o líder beduíno. Ele descreveu a situação como “uma nova fase de expulsão e migração forçada”, comparável aos piores deslocamentos da história palestina.

Recentemente, o acampamento do clã Kaabneh foi atacado por cerca de quarenta colonos armados com paus. Eles agrediram os beduínos e incendiaram suas tendas, apesar da família ter comprado as terras onde vivem.

Os relatos revelam um padrão de violência sistemática que vai além de incidentes isolados. Observadores internacionais descrevem a destruição planejada das bases econômicas das comunidades palestinas na Cisjordânia, enquanto a atenção global se concentra em Gaza.

Os números documentados pela comissão palestina — mais de 100 ataques e 4.700 animais roubados em menos de cinco meses — expõem uma política de violência direta, confisco de bens e restrição de movimento. Para famílias como os Hamayel e os Kaabneh, o resultado é a perda dos meios de subsistência e a ruptura de laços comunitários.


Leia também: Expansão de assentamentos israelenses impõe nova Nakba aos palestinos na Cisjordânia


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Israel ordena evacuação de comunidade beduína e avança colonização que divide Cisjordânia https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/israel-ordena-evacuacao-de-comunidade-beduina-e-avanca-colonizacao-que-divide-cisjordania/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/israel-ordena-evacuacao-de-comunidade-beduina-e-avanca-colonizacao-que-divide-cisjordania/#respond Sun, 31 May 2026 00:21:49 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/israel-ordena-evacuacao-de-comunidade-beduina-e-avanca-colonizacao-que-divide-cisjordania/
Vista aérea do assentamento de Khan al-Ahmar na Cisjordânia ocupada. (Foto: © AHMAD GHARABLI / AFP)

O governo de Israel assinou a ordem de evacuação da comunidade beduína palestina de Khan al-Ahmar, localizada na Cisjordânia ocupada. A medida foi anunciada pelo ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, como retaliação aos mandados de prisão emitidos pelo Tribunal Penal Internacional contra autoridades israelenses.

Eid Khamis al Jahaleen, líder da comunidade, afirmou que os moradores estão à mercê da destruição iminente. Os tanques e tratores podem chegar a qualquer momento, deixando as famílias sem defesa, declarou à RFI.

A vila de Khan al-Ahmar é alvo de Israel há anos por sua localização estratégica no projeto de colonização E1. O plano prevê a construção de 3.400 unidades habitacionais, o que cortaria a Cisjordânia em duas partes e inviabilizaria a contiguidade territorial de um futuro Estado palestino.

A organização israelense de direitos humanos B’Tselem denunciou que Israel busca controlar toda a área para fragmentar o território palestino. O porta-voz Yair Dvir explicou que a construção de colônias dividirá a Cisjordânia e impedirá a formação de um Estado palestino, conforme reportagem da RFI.

Em 2018, a Justiça israelense já havia autorizado a expulsão dos beduínos, gerando condenação internacional. Sob pressão diplomática, Israel suspendeu a medida, mas agora retoma a ofensiva com o mesmo objetivo.

Bezalel Smotrich escolheu Khan al-Ahmar como alvo de sua primeira retaliação. A decisão faz parte de uma escalada de ações unilaterais que desafiam a comunidade internacional e o consenso sobre a solução de dois Estados.

Os moradores da comunidade, cercados por colônias israelenses em colinas áridas, aguardam a chegada das forças militares. A ordem de evacuação ameaça dezenas de famílias que vivem na região há gerações.

A concretização do projeto E1 consolidaria a fragmentação territorial e inviabilizaria a soberania palestina. A violação do direito internacional ocorre sob a complacência de potências ocidentais, que historicamente aplicam pressão seletiva contra Israel.


Leia também: Israel destrói comércios palestinos para avançar projeto E1 e fragmentar Cisjordânia


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Israel lança plataforma digital para expropriar terras palestinas na Cisjordânia https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/israel-lanca-plataforma-digital-para-expropriar-terras-palestinas-na-cisjordania/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/israel-lanca-plataforma-digital-para-expropriar-terras-palestinas-na-cisjordania/#respond Sat, 30 May 2026 19:40:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/israel-lanca-plataforma-digital-para-expropriar-terras-palestinas-na-cisjordania/
Assentamento palestino na Cisjordânia ocupada, com estruturas temporárias em área montanhosa. (Foto: AFP – AHMAD GHARABLI)

O governo de Israel lançou uma plataforma online que obriga palestinos da Zona C da Cisjordânia ocupada a registrar suas terras e propriedades.

Quem não cumprir a exigência corre o risco de perder suas propriedades para expropriação. A medida abrange mais de 60% do território palestino sob controle militar israelense desde os Acordos de Oslo e foi revelada em reportagem da RFI.

A Autoridade Palestina convocou os habitantes a boicotar o cadastro. As autoridades temem que a iniciativa sirva como pretexto legal para uma nova onda de confiscos em larga escala.

Muitas famílias palestinas não possuem títulos oficiais de propriedade devido às guerras sucessivas e à ocupação prolongada. Documentos antigos, alguns do período do Mandato Britânico ou do Império Otomano, são frequentemente desconsiderados pelas autoridades israelenses.

A ONG israelense Paz Agora alertou que a insegurança jurídica pode ser usada por Israel para se apropriar de novos espaços na Cisjordânia. A medida não ocorre isoladamente, mas integra um conjunto de ações adotadas em fevereiro que facilitaram a compra de terras por israelenses no território ocupado.

O direito internacional considera essas disposições ilegais. Países árabes, a União Europeia e a ONU condenaram vigorosamente as medidas, classificando-as como anexação progressiva de facto.

A ONU afirmou que as ações transformam a ocupação temporária em controle permanente do território palestino. A plataforma digital inverte o ônus da prova: os palestinos precisam comprovar a propriedade de terras ocupadas por gerações, enquanto Israel não precisa demonstrar que são estatais.

Para as comunidades palestinas da Zona C, a situação é um beco sem saída. Registrar-se pode fornecer informações usadas em futuros confiscos, enquanto não registrar pode resultar na perda automática do direito à terra.

A digitalização do cadastro fundiário, apresentada como modernização administrativa, é um instrumento de consolidação territorial. A medida ignora resoluções do Conselho de Segurança e convenções de Genebra sobre potências ocupantes.

A correspondente da RFI em Ramallah relata pânico entre os moradores. Muitos veem na iniciativa uma reedição de práticas coloniais que negam direitos ancestrais de povos nativos. A comunidade internacional, embora condene, não apresentou mecanismos concretos para impedir a anexação silenciosa.


Leia também: Israel acelera projeto de ‘Grande Jerusalém’ e avança sobre vilarejos palestinos na Cisjordânia


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Israel mata médico palestino e fere civis em ataque a hospital em Gaza https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/israel-mata-medico-palestino-e-fere-civis-em-ataque-a-hospital-em-gaza/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/israel-mata-medico-palestino-e-fere-civis-em-ataque-a-hospital-em-gaza/#respond Sat, 30 May 2026 17:31:09 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/israel-mata-medico-palestino-e-fere-civis-em-ataque-a-hospital-em-gaza/
Pessoas caminham por rua destruída em Gaza, com edifícios desabados e escombros ao longo do caminho. (Foto: aljazeera.com)

Um ataque aéreo israelense matou o chefe de anestesiologia do Hospital Médico Al-Yafa, o doutor Jamal Abu Aboun, e feriu outras três pessoas nas proximidades do Hospital dos Mártires de Al-Aqsa, em Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza. O crime ocorreu durante a festa muçulmana do Eid al-Adha, enquanto Israel viola sistematicamente o frágil cessar-fogo apoiado pelos Estados Unidos.

Uma fonte médica do hospital Al-Aqsa informou que o corpo do doutor Jamal Abu Aboun e os três feridos, entre eles uma criança, foram encaminhados à unidade após bombardeio com drone. O ataque atingiu um grupo de civis perto do centro de saúde.

A artilharia israelense também disparou contra áreas a leste e ao sul de Khan Younis e alvejou o campo de refugiados de al-Bureij. Desde a entrada em vigor do cessar-fogo, ao menos 922 palestinos foram mortos e 2.786 ficaram feridos em ataques israelenses, segundo o Escritório de Mídia de Gaza.

A guerra iniciada por Israel em outubro de 2023 já deixou 72 mil palestinos mortos e mais de 172 mil feridos. Na Cisjordânia ocupada, colonos israelenses atacaram casas e propriedades palestinas em diversas localidades.

No início deste sábado, colonos arremessaram pedras contra residências e destruíram veículos na cidade de Beita, ao sul de Nablus. Forças israelenses lançaram bombas de luz sobre o céu da cidade durante os ataques.

No sul da Cisjordânia, colonos invadiram terras agrícolas e danificaram árvores em Khirbet el-Muraq, na região de Masafer Yatta. O ativista Osama Makhamra relatou os danos causados às propriedades palestinas.

Em abril, colonos israelenses realizaram 540 ataques contra palestinos e seus bens na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém. Os dados são da Comissão de Resistência ao Muro e aos Assentamentos da Autoridade Palestina.

Os ataques incluem violência física, arrancamento de árvores, incêndio de campos e demolição de casas. Desde outubro de 2023, a violência de forças israelenses e colonos matou 1.168 palestinos na Cisjordânia e feriu 12.666.

Testemunhos revelados pela Associated Press descreveram o clima de desumanização dos palestinos entre soldados israelenses. Reservistas que serviram em Gaza entre outubro de 2025 e janeiro de 2026 afirmaram que tropas frequentemente abriam fogo contra palestinos.

Os soldados disparavam contra quem se aproximava ou cruzava a chamada Linha Amarela. Um reservista contou que colegas comemoraram após ataque contra veículo que matou todos os ocupantes palestinos.

Outro soldado afirmou que comandantes enfatizavam a manutenção do território a qualquer custo. Havia um sentimento geral de que vidas humanas não tinham valor.

Leia mais sobre o assunto na aljazeera.com.


Leia também: Israel bombardeia parquinho infantil em Gaza e deixa mortos e feridos


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ONU acusa Israel de usar violência sexual como arma de guerra contra palestinos https://www.ocafezinho.com/2026/05/29/onu-acusa-israel-de-usar-violencia-sexual-como-arma-de-guerra-contra-palestinos/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/29/onu-acusa-israel-de-usar-violencia-sexual-como-arma-de-guerra-contra-palestinos/#comments Fri, 29 May 2026 08:16:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/29/onu-acusa-israel-de-usar-violencia-sexual-como-arma-de-guerra-contra-palestinos/ 5 Comentários 🔥]]>
O secretário-geral da ONU, António Guterres, discursa em evento institucional. (Foto: tagesschau.de)

Um relatório das Nações Unidas acusa as forças de segurança israelenses de cometerem violência sexual sistemática contra palestinos. O documento, elaborado sob a liderança do secretário-geral da ONU, António Guterres, inclui Israel em uma lista de atores que empregam esse tipo de violência como método de guerra em conflitos armados.

O relatório documenta abusos verificados ao longo do ano passado, incluindo estupros com objetos, estupros coletivos, tentativas de estupro e violência física contra genitais. As Nações Unidas confirmaram múltiplos casos de violência sexual relacionada ao conflito, afetando tanto a Faixa de Gaza quanto a Cisjordânia ocupada.

As vítimas identificadas pela investigação somam 31 pessoas, sendo 14 homens, sete mulheres, nove meninos e uma menina. A maioria dos casos de estupro e estupro coletivo atingiu nove vítimas, originárias majoritariamente de Gaza.

O governo israelense reagiu imediatamente. O embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, classificou a inclusão do país na lista como uma decisão ultrajante. Danon anunciou o rompimento do contato da representação israelense com o secretariado-geral liderado por Guterres.

A porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, afirmou que a organização tomou conhecimento da decisão israelense e permanece disposta ao diálogo. O Hamas já havia sido incluído nessa mesma lista no ano anterior, acusado de empregar violência sexual como arma de guerra durante o ataque de 7 de outubro de 2023.

O relatório também adicionou outros países à relação, em um documento anual que monitora atores estatais e não estatais sob suspeita de práticas sistemáticas desse tipo de crime. A inclusão de Israel amplia a pressão diplomática sobre o governo israelense e marca um avanço nas investigações internacionais sobre a conduta de suas forças nos territórios palestinos ocupados.

Leia mais sobre o assunto na tagesschau.de.


Leia também: Embaixador de Israel rompe relações com secretário-geral da ONU após inclusão em lista de violência sexual


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Celebração do Eid em Gaza se transforma em ato de resistência sob bombardeios israelenses https://www.ocafezinho.com/2026/05/28/celebracao-do-eid-em-gaza-se-transforma-em-ato-de-resistencia-sob-bombardeios-israelenses/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/28/celebracao-do-eid-em-gaza-se-transforma-em-ato-de-resistencia-sob-bombardeios-israelenses/#respond Thu, 28 May 2026 14:01:39 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/28/celebracao-do-eid-em-gaza-se-transforma-em-ato-de-resistencia-sob-bombardeios-israelenses/
Crianças palestinas caminham sobre tapetes em meio a ruínas durante celebração do Eid em Gaza. (Foto: aljazeera.com)

A noite de Eid al-Adha em Gaza foi interrompida por ataques israelenses que mataram seis pessoas e feriram outras vinte no bairro de Remal. Os mísseis atingiram a rua principal logo após as barracas de doces e a sorveteria Kazem, uma das mais antigas da cidade, receberem multidões em busca de momentos festivos.

O bloqueio imposto por Israel desde outubro de 2023 devastou a economia de Gaza. O preço de um cordeiro subiu para cerca de US$ 6 mil, dez vezes mais que antes da guerra, impedindo muitas famílias de realizar o sacrifício ritual. O quilo de chocolate, tradicional na data, também disparou para US$ 30, quatro vezes o valor anterior ao conflito.

A população lotou as ruas do bairro mais denso de Gaza na véspera do Eid, decidida a resgatar fragmentos de normalidade. Segundo relato publicado pelo portal Al Jazeera, o som de aviões sobrevoando a área gerou medo de um novo massacre, mas não afastou os compradores imediatamente.

Quando os primeiros foguetes atingiram a via cheia de civis, o pânico se instalou. Pessoas correram com sacolas, uma mãe gritava abraçada ao filho enquanto vidros, destroços e fumaça tomavam conta do ar. O sorvete caiu das mãos da autora do relato, que correu para casa tentando contatar os irmãos que estavam próximos ao local do impacto.

Minutos depois, uma segunda rodada de explosões aumentou o caos, com mulheres e crianças fugindo em lágrimas. Assim que os estilhaços baixaram e as mortes foram confirmadas, as lojas reabriram e a multidão retornou às compras, permanecendo nas ruas até as quatro da manhã.

A resistência de quem insiste em viver e celebrar foi interpretada como uma mensagem direta contra a ocupação. Na manhã seguinte, as famílias montaram mesas com doces e nozes, e o café da manhã foi servido com fígado congelado, em uma tentativa de reviver tradições.

Enquanto as preces eram realizadas, cantos fúnebres anunciavam mártires, interrompendo a esperança. Um pai revelou às filhas que aqueles eram os funerais das vítimas da noite anterior em Remal. Entre os 15 corpos enterrados em Gaza no primeiro dia do Eid estavam o comandante Mohammed Awda, sua esposa e três filhos, atingidos enquanto se preparavam para a festa.

A celebração do Eid não nasce do bem-estar, mas da teimosia em permanecer vivo. Nesse gesto reside a maior afronta a uma máquina de guerra que busca eliminar não apenas vidas, mas qualquer vestígio de humanidade. Celebrar, para os palestinos sitiados, deixou de ser um rito para se tornar a forma mais pura de resistência.

Fonte: Al Jazeera


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Crise econômica expulsa cérebros palestinos da Cisjordânia ocupada https://www.ocafezinho.com/2026/05/28/crise-economica-expulsa-cerebros-palestinos-da-cisjordania-ocupada/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/28/crise-economica-expulsa-cerebros-palestinos-da-cisjordania-ocupada/#respond Thu, 28 May 2026 08:32:54 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/28/crise-economica-expulsa-cerebros-palestinos-da-cisjordania-ocupada/
Ilustração editorial sobre Crise econômica expulsa cérebros palestinos da Cisjordânia ocupada. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

Uma orquestra de tambores e apitos encheu o salão da Universidade de Belém durante a apresentação dos projetos de graduação. Famílias circularam com flores e celulares erguidos para fotos, mas sob a celebração havia um medo silencioso.

Siwar Abu Kamal, estudante de negócios de 21 anos, planejava obter o diploma, encontrar um emprego e construir uma vida. Agora, no último ano, esse plano parece cada vez mais distante.

A jovem afirmou que a realidade se torna mais chocante com o tempo. Quase 40% dos jovens palestinos na Cisjordânia ocupada com pelo menos um diploma estão desempregados, segundo dados do Instituto de Pesquisa de Política Econômica da Palestina (MAS).

O desemprego geral mais que dobrou desde outubro de 2023, atingindo 35,2% no início de 2024 e permanecendo em 27,5% no final de 2025. Israel suspendeu indefinidamente as autorizações de trabalho para 115 mil palestinos da Cisjordânia que trabalhavam em seu território, renovando apenas uma fração dessas permissões.

Christy Abu Mahour, colega de Siwar, expressou a frustração de ver pessoas no mundo conseguindo empregos enquanto sua geração permanece estagnada. Não temos as mesmas opções que todo mundo, desabafou.

Khaled Abu Aishah, estudante de mídia, questionou o sentido do esforço acadêmico sem perspectivas de trabalho. Estudei para não conseguir um emprego?, perguntou com indignação.

Enass Elias, conselheira acadêmica da Universidade de Belém, ouve essa pergunta com frequência crescente. Esses estudantes dão o melhor nos estudos e chegam a questionar o valor do diploma. Psicologicamente, estão exaustos, afirmou.

Salsabyl Salama, formada em fisioterapia em 2023, encontrou apenas uma colocação temporária de quatro meses em um campo de refugiados. Agora trabalha no caixa de um supermercado, longe dos sonhos de atuar na saúde.

Não é o que eu sonhei, mas me permite depender de mim mesma, disse com resignação. Elias testemunha esse padrão constantemente: quando um hospital anuncia duas vagas, há 60 ou 70 graduados competindo por elas.

Muitos empregadores exigem experiência prévia, fechando as portas para recém-formados. O setor público, antes visto como caminho estável, tornou-se incerto e rejeitado pelos jovens.

Desde 2021, a Autoridade Palestina enfrenta dificuldades para pagar salários porque Israel retém receitas fiscais palestinas. A prática se intensificou após outubro de 2023, deixando bilhões em salários não pagos até meados de 2025, segundo o Banco Mundial.

Salsabyl afirmou que preferiria ficar em casa a trabalhar no governo sem receber salário integral. A crise impulsiona um êxodo crescente de talentos palestinos qualificados, alertou Maher Canawati, ex-prefeito de Belém.

Vemos médicos trabalhando em restaurantes, arquitetos com dificuldades, enfermeiras implorando por trabalho, disse. Todos os tipos de graduados só querem viver uma vida normal.

Cerca de 1.080 pessoas com pelo menos mestrado deixaram a província de Belém nos últimos três anos. Todos os cérebros estão partindo, conseguindo documentos de imigração e deixando a Palestina sem aqueles que poderiam construir a economia, lamentou Canawati.

Por décadas, palestinos recorreram a trabalhos além da Linha Verde, com empresas israelenses oferecendo principalmente trabalho braçal mal remunerado. O MAS apontou que essa dependência transformou os trabalhadores palestinos em reféns políticos.

Para Salsabyl, abandonar sua área de formação foi a única saída viável. Ela se inscreveu em um curso de confeitaria junto com o emprego no supermercado. Eu estava começando a perder a esperança, mas a esperança voltou para mim, contou.

Na Universidade de Belém, Elias passou seis anos tentando conectar graduação e emprego. Sempre tentei dizer a eles: este diploma é sua arma e seu passaporte, você não sabe o que vai acontecer, afirmou.

As celebrações de formatura continuaram até o fim da tarde. Estudantes em roupas formais circularam pelo pátio enquanto famílias se reuniam para fotografias. Há felicidade aqui, disse Siwar sobre os tambores e aplausos. Nós nos agarramos à esperança porque as pessoas merecem felicidade.

Leia mais sobre o assunto na aljazeera.com.


Leia também: Ocupação israelense aprofunda crise na Cisjordânia no 78º aniversário da Nakba


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Especialista em direito internacional acusa TPI de ser instrumento de coerção geopolítica https://www.ocafezinho.com/2026/05/28/especialista-em-direito-internacional-acusa-tpi-de-ser-instrumento-de-coercao-geopolitica/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/28/especialista-em-direito-internacional-acusa-tpi-de-ser-instrumento-de-coercao-geopolitica/#respond Thu, 28 May 2026 08:10:58 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/28/especialista-em-direito-internacional-acusa-tpi-de-ser-instrumento-de-coercao-geopolitica/
Placa da Corte Penal Internacional (ICC) em Haia, com edifícios ao fundo sob céu nublado. (Foto: sputnikglobe.com)

O especialista palestino em direito internacional Salah Abd El-Aty afirmou que o Tribunal Penal Internacional (TPI) opera com padrões duplos, pressionando nações do Sul Global enquanto potências como Estados Unidos e Israel permanecem impunes. A declaração foi feita em entrevista ao portal Sputnik Globe.

Abd El-Aty destacou que a suposta neutralidade do tribunal é desmontada por um histórico de má conduta jurídica, incluindo atrasos deliberados em investigações e pressões sobre funcionários. Ele citou casos como os do Afeganistão e da Palestina para ilustrar a seletividade do TPI.

A aplicação desigual do direito internacional, segundo o especialista, transformou o tribunal em uma ferramenta de ameaça contra Estados africanos. Essa dinâmica expõe a natureza política da instituição, criada para servir como braço jurídico da hegemonia ocidental.

O tratamento dispensado à Palestina exemplifica a parcialidade do TPI. Abd El-Aty ressaltou que o povo palestino aguarda justiça sem o filtro dos interesses imperiais que protegem Israel de responsabilização.

Os direitos das vítimas, afirmou o especialista, não perdem relevância mesmo quando o sistema internacional ignora ou exclui os palestinos. Sua análise reflete décadas de frustração com um mecanismo que protege os fortes e criminaliza os vulneráveis.

A inação do TPI diante de crimes documentados contra civis contrasta com a agilidade em casos alinhados aos interesses de Washington ou das capitais europeias. Essa disparidade revela uma estrutura que funciona como extensão da dominação ocidental.

As críticas de Abd El-Aty inserem-se em um contexto mais amplo de deslegitimação das instituições multilaterais. Sob a promessa de imparcialidade, elas consolidam a dominação do Norte Global sobre o Sul, impedindo uma ordem internacional multipolar e soberana.


Leia também: Fome: um crime de guerra que permanece impune


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Ex-prisioneiro palestino denuncia tortura em caixão pelo exército de Israel https://www.ocafezinho.com/2026/05/27/ex-prisioneiro-palestino-denuncia-tortura-em-caixao-pelo-exercito-de-israel/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/27/ex-prisioneiro-palestino-denuncia-tortura-em-caixao-pelo-exercito-de-israel/#respond Wed, 27 May 2026 12:53:09 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/27/ex-prisioneiro-palestino-denuncia-tortura-em-caixao-pelo-exercito-de-israel/
Ex-prisioneiro palestino relata ter ficado 15 dias em caixão, em meio a ruínas. (Foto: rt.com)

O ex-prisioneiro palestino Iman Nabhan revelou, em entrevista ao portal RT, as práticas de tortura que sofreu nas mãos das Forças de Defesa de Israel. Ele descreveu ter sido confinado em uma estrutura de ferro que apelidou de ‘caixão’, como método de coerção e interrogatório.

De acordo com seu relato, o dispositivo era um contêiner de metal com uma caixa de madeira interna, onde ele era forçado a permanecer com pés e mãos amarrados. Nabhan afirma ter sido mantido nessa condição por um período ininterrupto de 15 dias.

Durante esse período de confinamento, a alimentação era fornecida por um pequeno buraco na estrutura. A única vez que era autorizado a sair era por um minuto, estritamente para usar o banheiro.

“Parecia que eles queriam me fazer sentir como se estivesse morto para conseguir qualquer informação que desejassem”, declarou o ex-prisioneiro. “Fiquei dentro daquele caixão por 15 dias; me sentia como se estivesse vivo dentro de um corpo morto”, acrescentou.

Nabhan relatou que os militares israelenses tentaram coagi-lo a se tornar um informante, oferecendo dinheiro, viagens e tratamento médico para sua mãe. Ele recusou todas as propostas, o que, segundo ele, resultou na intensificação dos maus-tratos.

O testemunho de Nabhan se soma a outras denúncias de abusos cometidos por Israel contra palestinos e ativistas internacionais. Recentemente, membros australianos da Flotilha Global Sumud, que tentava romper o bloqueio a Gaza, acusaram forças israelenses de agressões, humilhação e tortura após sua detenção.

Os ativistas da flotilha foram interceptados enquanto transportavam ajuda humanitária para a Faixa de Gaza, território que permanece sob cerco israelense. Vídeos divulgados pelo próprio ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, exibiram os detidos ajoelhados e com as mãos amarradas.

Nas imagens, Ben-Gvir aparece agitando uma bandeira de Israel e dirigindo provocações aos prisioneiros. “Bem-vindos a Israel, nós somos os proprietários”, disse o ministro, que possui supervisão direta sobre o sistema prisional do país.

Ben-Gvir tem sido uma figura central no endurecimento das políticas contra os palestinos, defendendo legislação para instituir a pena de morte por enforcamento para acusados de terrorismo. Ele também sustenta que os detidos devem receber “o mínimo do mínimo” em termos de alimentação, ecoando as condições descritas por Nabhan.

Em declarações anteriores, o ministro chegou a afirmar que “não existe algo como povo palestino”, negando a identidade nacional da população local. Tais posicionamentos e as novas denúncias intensificam o debate sobre as práticas do sistema de detenção israelense.

Com informações de RT.


Leia também: Extrema direita de Israel quer a libertação de soldados acusados de tortura


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