Partido Comunista - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/partido-comunista/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Wed, 22 Oct 2025 02:55:15 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Partido Comunista - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/partido-comunista/ 32 32 China aposta em alta tecnologia como estratégia geopolítica https://www.ocafezinho.com/2025/10/22/china-aposta-em-alta-tecnologia-como-estrategia-geopolitica/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/22/china-aposta-em-alta-tecnologia-como-estrategia-geopolitica/#respond Wed, 22 Oct 2025 18:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=219680 Partido Comunista se reúne em Pequim para decidir os rumos da economia chinesa pelos próximos cinco anos. Diante da atual situação geopolítica, consumo interno deve continuar em segundo plano.

Aproximadamente 200 membros do Comitê Central do Partido Comunista Chinês se reúnem nesta semana em Pequim para a quarta sessão plenária do órgão. O encontro a portas fechadas de 20 a 24 de outubro tem no topo da agenda a discussão do próximo plano quinquenal, pensado para o período de 2026 a 2030 e com aprovação oficial prevista para o início do ano que vem.

Os planos quinquenais têm uma longa tradição, que remonta quase à fundação da República Popular da China, com o primeiro vigorando de 1953 a 1957. O próximo será o décimo quinto desses programas, cujo objetivo é regular o desenvolvimento econômico chinês em nível nacional.

Atualmente, há muitos problemas estruturais na economia chinesa que precisam ser resolvidos. Durante décadas, a segunda maior economia do mundo foi impulsionada pelo comércio exterior e pelo investimento em infraestrutura, ao tempo que o terceiro pilar — o consumo interno — foi constantemente negligenciado.

“Se observarmos os últimos anos, ainda vemos um crescimento de dois dígitos no investimento no setor manufatureiro”, afirma Alexander Brown, analista do think tank Instituto Mercator de Estudos da China (Merics), com sede em Berlim. “No entanto, os setores de serviços não estão recebendo tanto dinheiro. Essa é a razão do clima bastante pessimista entre os consumidores chineses. Mesmo assim, Pequim deverá continuar priorizando os gastos com política industrial, dada a atual situação geopolítica e o objetivo de resiliência da China.”

Foco na competição geopolítica

Essa resiliência — a de sua própria economia — é muito importante para Pequim. Tal meta ganha ainda mais apoio após episódios como o de dias atrás, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou novamente impor tarifas massivas sobre importações vindas da China e endurecer as restrições à exportação de produtos essenciais de alta tecnologia. Pequim vê isso como prova de que tais preocupações são justificadas.

Chen Bo, pesquisador no Instituto do Leste Asiático da Universidade Nacional de Singapura, explica que os chineses atualmente se preocupam mais com a competição geopolítica do que com problemas estruturais. “O novo plano quinquenal dará forte ênfase à promoção da pesquisa de alta tecnologia e do desenvolvimento industrial. A manufatura continua sendo o fator mais importante para o poder político do país. Em caso de conflito, afinal, seria a manufatura, e não o setor de serviços, que teria extrema importância”, afirmou em entrevista à agência de notícias Reuters

Em um discurso em julho, o presidente Xi Jinping enfatizou que “o mundo está vivenciando as mudanças mais profundas em um século, com a revolução científica e tecnológica e a competição entre as grandes potências se tornando cada vez mais interligadas”. Na ocasião, ele também reiterou seu objetivo de que a China assuma uma posição de liderança estratégica na competição científica e tecnológica global.

O país já ascendeu à vanguarda global em áreas como eletromobilidade e energias renováveis. Com exceção de alguns setores — como semicondutores e aviação comercial —, a China concentra quase toda a sua cadeia de suprimentos dentro de suas fronteiras. Pequim também tem aumentado continuamente seus investimentos em indústrias de alta tecnologia, a fim de fortalecer ainda mais sua soberania econômica e reduzir ainda mais sua dependência.

Quando o consumo será contemplado?

A China, contudo, não abandonou completamente os esforços para resolver seus problemas estruturais. Em uma reunião em setembro, o Congresso Nacional do Povo discutiu como aumentar a renda disponível das famílias e, consequentemente, a participação do consumo na economia. Atualmente, o consumo privado na China representa cerca de 40% da produção econômica, muito menos do que a média de 60% nos países ocidentais. Nos EUA, essa participação chega a 70%. Alguns think tanks chineses propõem aumentar o consumo privado para 50% em dez anos.

Nos últimos meses, Pequim já anunciou diversas medidas neste sentido, tais como subsídios ao consumo, aumentos de aposentadorias e auxílios para cuidados de crianças, além de modestas melhorias na seguridade social. Para o analista Alexander Brown, do Merics, está claro que tais ações foram praticamente “forçadas” diante de problemas como a mudança demográfica, excesso de capacidade produtiva e queda nas exportações. “Acredito que medidas desse tipo – ainda que não muitas – continuarão a surgir repetidamente nos próximos cinco anos. ”

Larry Hu, economista-chefe para a China do Macquarie Group, afirma que somente em um modelo de crescimento orientado pelo consumo poderiam ser criado empregos suficientes em setores de serviço altamente qualificados e bem remunerados, para os quais milhões de jovens chineses foram treinados. “Se depender exclusivamente da demanda externa, sem estimular o consumo interno, a China enfrentará desemprego e deflação. Se essa situação durar apenas um ou dois anos, é suportável. Mas a longo prazo, ela definitivamente causará problemas”, disse à Reuters.

No entanto, Larry Hu acredita que Pequim só considerará estimular o consumo interno quando a demanda externa cair de forma tão acentuada a ponto de comprometer suas metas de crescimento.

Primeiro o topo do mundo; depois o consumo interno

Com os motores de exportação e infraestrutura vacilantes, impulsionar o consumo interno é mais urgente do que nunca. Mas isso não é nada barato, especialmente em um momento em que a margem de manobra fiscal de Pequim já é limitada devido à crise imobiliária, à alta dívida e à menor taxa de crescimento.

De acordo com o Citigroup, um dos principais bancos americanos, o governo chinês precisaria investir 20 trilhões de yuans (aproximadamente R$ 15 trilhões) nos próximos cinco anos para lidar efetivamente com o desequilíbrio entre oferta e demanda na economia chinesa. Essa quantia corresponde a 15% do Produto Interno Bruto chinês em 2024.

Alexander Brown prevê, portanto, que os governantes em Pequim provavelmente darão continuidade à sua atual estratégia econômica. “Eles continuarão priorizando o investimento de recursos em setores tecnológicos, onde há chances de alcançar a liderança global. A expectativa é que essas conquistas gerem muito dinheiro. Esse dinheiro — ou melhor, a arrecadação fiscal resultante — poderá então ser distribuído por todo o sistema econômico.”

Publicado originalmente pelo DW em 21/10/2025

Por Mu Cui

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A China e seu Partido Comunista: a verdadeira história da 2° Guerra Mundial e a falência moral do Ocidente https://www.ocafezinho.com/2025/08/25/a-china-e-seu-partido-comunista-a-verdadeira-historia-da-2-guerra-mundial-e-a-falencia-moral-do-ocidente/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/25/a-china-e-seu-partido-comunista-a-verdadeira-historia-da-2-guerra-mundial-e-a-falencia-moral-do-ocidente/#respond Mon, 25 Aug 2025 14:07:30 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=216057 Elias Jabbour, professor associado da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (FCE-UERJ)

Vivemos uma época marcada por regressões em vários campos. Na política, a ascensão da extrema-direita, a tentativa de construir um “mundo sem lei” por parte dos Estados Unidos e o genocídio em Gaza demonstram a falência moral do Ocidente. Esta falência moral fica evidenciada no total apoio do chamado “Ocidente coletivo” ao genocídio perpetrado por Israel na mesma época histórica em que seus líderes se negaram a ir à comemoração dos 80 anos da vitória na Segunda Guerra Mundial ocorrida em Moscou. Falsificam a história. Negam a verdadeira história ao mundo apagando que a União Soviética e a China foram os países com maiores sacrifícios pagos naquela guerra.

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A história não pode ser apagada. Em resumo, a China desempenhou um papel significativo, mas frequentemente negligenciado, na Segunda Guerra Mundial. A China foi o primeiro país a entrar em guerra com o Japão, e sua resistência manteve uma grande parte do exército japonês ocupada durante toda a guerra. Isso impactou significativamente a capacidade do Japão de projetar poder em outras regiões, particularmente no teatro de operações do Pacífico, e auxiliou o esforço de guerra dos Aliados. A China foi reconhecida como uma das “Quatro Grandes” potências aliadas e membro fundador das Nações Unidas.

Não somente isso, pois a invasão na região nordeste da China em 1931 pelo Japão foi o prelúdio da própria Segunda Guerra Mundial e onde uma série de experimentos que seriam consolidados com a máquina de guerra nazista seriam testados. Soma-se, entre mortos e feridos chineses, cerca de 35 milhões de pessoas. Uma catástrofe se abateu sobre o povo chinês, incluindo a escravidão de crianças, estupros coletivos de mulheres, utilização de armas químicas e guerra bacteriológica antes mesmo de Auschwitz e a solução final alemã contra o povo judeu. O massacre de Nanjing foi um dos episódios mais horrorosos impetrados pelo ser humano contra o próprio ser humano com o assassinato de 300 mil pessoas em apenas alguns dias.

Abrindo parêntese, podemos chamar as grandes guerras mundiais, notadamente a Primeira e a Segunda, mas também as demais guerras de pilhagem contra os países pobres como prelúdios da falência moral do Ocidente que assistimos hoje. Este mesmo Ocidente que apaga a verdadeira história da Segunda Guerra Mundial, negando inclusive a admiração que muitos líderes de potências coloniais por Hitler, hoje submete o mundo a conflitos militares e econômicos, empobrecem ainda mais países vulneráveis ao mesmo tempo que se mostram incapazes de entregar uma vida melhor às suas próprias populações. Como a Alemanha e o Japão tentaram submeter o mundo aos seus desejos na Segunda Guerra Mundial, hoje os Estados Unidos também tentam impor ao mundo uma ordem baseada em guerras convencionais e econômicas, exportam e inspiram seitas de extrema-direita mundo afora mostrando que mesmo após a derrota dos nazistas na Segunda Guerra Mundial o fascismo continua mais vivo do que nunca.

Por outro lado, a China liderada pelo Partido Comunista da China continua a mostrar que a humanidade, como na Segunda Guerra Mundial, pode vencer. O mesmo Partido Comunista da China (PCCh) que hoje comanda o maior processo de emancipação humana da história teve um papel central na vitória do povo chinês na guerra contra a agressão impetrada pelo Japão. Se atualmente o PCCh entrega ao mundo uma China que deseja a paz e a independência de todos os povos em um mundo baseado na justiça, na Segunda Guerra Mundial foi a principal força ativa na China contra a ocupação japonesa. Combinando táticas modernas de guerrilha – que desgastaram o inimigo em todas as frentes – e amplitude política ao propôr ao Kuomintang e as demais forças políticas do país unidade contra o inimigo externo, o PCCh ganhou os corações e mentes do povo chinês, transformando-se no verdadeiro “Partido da Nação Chinesa”.

À época da invasão japonesa a China ainda vivia a época do “século das humilhações”. O surgimento do PCCh na cena política do país no início da década de 1920 do século passado marcou um ponto de viragem nesta situação. A derrota do inimigo fascista e militarista japonês e o grande papel do Partido Comunista da China de unir o povo são páginas que a história nunca poderá apagar. Segundo Xi Jinping em discurso ao dia da vitória em 2015:

“A vitória na Guerra de Resistência do Povo Chinês contra a Agressão Japonesa foi a primeira vitória total que o povo chinês conquis- tou nas suas lutas contra as agressões estrangeiras desde os tempos modernos. Esta grande vitória frustrou definitivamente o complô do militarismo japonês para colonizar e escravizar a China, lavando a humilhação nacional dos fracassos contínuos nos combates contra os agressores estrangeiros desde tempos modernos. Esta grande vitória restabeleceu a posição da China como um grande país no cenário internacional, permitindo ao povo chinês obter o respeito dos povos amantes da paz em todo o mundo. Esta transcendental vitória representou o renascimento da China, abriu as perspectivas brilhantes para a grande revitalização da nação chinesa, e deu início a uma nova jornada do país milenar.”

Na verdade, a história se repete com a mesma força política que jogou papel fundamental na vitória da humanidade na Segunda Guerra Mundial ser o partido político que dirige a China no rumo da construção do “socialismo com características chinesas”, entregando dignidade ao seu povo e apontando a toda os povos do mundo que estamos longe do fim da História. Liderar o povo chinês contra a ocupação japonesa e hoje, construindo um país socialista rico, próspero e digno demonstram que o mundo pode ser um lugar muito melhor para se viver. Mais uma luta pela humanidade estamos a travar em nossa época!


Escrito em colaboração com o Grupo de Mídia da China*

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Chinês anticomunista, fonte de grandes portais jornalísticos, é desmascarado https://www.ocafezinho.com/2024/12/20/chines-anticomunista-fonte-de-grandes-portais-jornalisticos-e-desmascarado/ https://www.ocafezinho.com/2024/12/20/chines-anticomunista-fonte-de-grandes-portais-jornalisticos-e-desmascarado/#respond Fri, 20 Dec 2024 17:01:10 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=199103 Jovem chinês exposto como farsante; investigação da NPR revela golpe que enganou mídia global e gerou dúvidas sobre direitos humanos


Nos últimos anos, dezenas de organizações de notícias ao redor do mundo citaram ou cobriram um jovem chinês chamado Wang Jingyu, que se retratou como um dissidente corajoso que enfrentava a repressão do Partido Comunista. Mas uma investigação da NPR deste ano descobriu evidências ligando Wang a um golpe elaborado envolvendo a representação de funcionários do governo, fraude de cartão de crédito e se estendendo de um centro de detenção em Bangkok a uma vila na Holanda.

As reportagens da NPR levaram pelo menos 10 organizações de notícias a revisar suas histórias com Wang e retratá-las ou alterá-las. Essas organizações de notícias incluem a Associated Press, a Al Jazeera, a Deutsche Welle da Alemanha , os principais jornais da Holanda e da Noruega , bem como a Radio Free Asia, que é financiada pelo governo dos EUA.

Pessoas que estudam jornalismo disseram que não se lembram de tantas organizações de notícias retirando ou alterando histórias por causa de dúvidas sobre a confiabilidade de uma única fonte.

“Nos 25 anos ou mais em que tenho observado isso cuidadosamente e escrito sobre isso, nunca vi nada parecido”, diz Ed Wasserman, ex-reitor da Graduate School of Journalism da University of California, Berkeley. “Na literatura, não consigo pensar em outro exemplo.”

Um crítico famoso do Partido Comunista Chinês é um vigarista?

Após ler a investigação da NPR, Wasserman descreveu Wang assim: “Um manipulador de mídia excepcionalmente bem-sucedido que conseguiu desenvolver uma reputação e ganhar real importância na comunidade chinesa no exterior, graças à disposição da mídia influente em contar sua história, o que o colocou no papel de basicamente um herói e um lutador pela liberdade.”

Lea Hellmueller, professora de jornalismo que ensina ética na City St. George’s, University of London, diz que a história de Wang a lembra de outra em que organizações de notícias deram muita publicidade a alguém que mais tarde descobriram ser pouco confiável: Elizabeth Holmes . Ela é a desistente da Universidade de Stanford que enganou repórteres — e investidores — a acreditar que sua empresa, a Theranos, havia criado uma máquina inovadora de teste de sangue.

“Foi realmente a mídia que a ajudou a moldar essa imagem pública”, diz Hellmueller. “Ironicamente — e é por isso que me lembrei do caso de Wang — o jornalismo também foi o principal impulsionador da queda da Theranos.”

Como Hellmueller aponta, foi o Wall Street Journal que expôs Holmes e Theranos. “Eles lançaram essa investigação completa”, ela diz, “trazendo o melhor do jornalismo”.

Holmes foi condenado por fraudar investidores e deve ser libertado da prisão em 2032 .

Wang Jingyu chamou a atenção de organizações de notícias pela primeira vez em 2020. Escrevendo on-line na época, Wang contestou a versão oficial da China de que nenhuma de suas tropas havia morrido em um confronto de fronteira com soldados indianos.

Após os comentários de Wang, a polícia chinesa anunciou que iria persegui-lo, mas Wang estava viajando para o exterior no momento e estava fora do alcance deles.

Nos anos seguintes, Wang, agora com 23 anos, disse repetidamente aos repórteres que o Partido Comunista Chinês o atacava onde quer que ele fosse.

Quando transitou por Dubai em 2021, Wang foi detido pelas autoridades locais. Ele alegou que autoridades chinesas se encontraram com ele na detenção e tentaram fazê-lo retornar à China, de acordo com o Safeguard Defenders, um grupo de direitos humanos.

No entanto, o Dubai Media Office disse que Wang foi detido por criticar o islamismo e não pagar contas de hotel. Eles também disseram que diplomatas chineses nunca perguntaram sobre ele.

Depois que Wang chegou à Holanda , alguém usou seu nome para fazer ameaças de bomba contra hotéis e embaixadas chinesas na Europa Ocidental, de acordo com a polícia. Wang também alegou que uma suposta delegacia secreta da polícia chinesa em Roterdã o havia assediado e ameaçado. A emissora holandesa, RTL Nieuws , divulgou a história, o que desencadeou cobertura semelhante de organizações de notícias nos Estados Unidos, Alemanha , Taiwan, Coreia do Sul, Japão e Austrália. Até mesmo o New York Times , BBC e CNN fizeram referência ao relato de Wang.

Em suas muitas entrevistas, Wang cortou uma imagem desafiadora, recusando-se a recuar em criticar o governo chinês. Ele destacou seus muitos recortes de imprensa em sua página X , onde tem cerca de 44. mil seguidores.

No verão de 2023, Wang deu a dica à NPR sobre mais uma história do que ele retratou como repressão do Partido Comunista. Ele disse à NPR que o governo chinês tinha como alvo a família de seu amigo, um colega dissidente chamado Gao Zhi. A família de Gao estava fugindo na Tailândia tentando obter vistos para a Holanda.

No relato de Wang, agentes do Partido Comunista ligaram com ameaças de bomba para a embaixada da China em Bangkok e vários hotéis, deixando o nome da família para que a polícia tailandesa os prendesse. Os únicos documentos que verificavam o caso eram dois e-mails que pareciam ser do serviço de imigração holandês.

Wang garantiu à NPR que os e-mails eram genuínos.

Mas quando a NPR ligou para autenticá-los, as autoridades holandesas revelaram que eram falsificações.

Gao Zhi, 44, um operário de fábrica chinês que se tornou dissidente, em sua casa em uma pequena vila na Holanda / Jeremy Meek para NPR

Depois que Wang e Gao tiveram um desentendimento, Gao enviou à NPR mais de 700 e-mails supostamente de contas do governo holandês e tailandês que ele achava que eram legítimas. Na verdade, eles também acabaram sendo falsificações de contas falsas.

Tomados em conjunto, os e-mails fornecem um roteiro para um longo golpe que Gao disse ter levado sua família à falência. O culpado, disse Gao, foi a uber-fonte jornalística, Wang Jingyu.

Wang reconhece que Gao foi enganado, mas diz que ele não teve nada a ver com o esquema e que, na verdade, é Gao quem lhe deve dinheiro.

“É ridículo”, disse Wang em uma entrevista por telefone sobre as alegações de Gao e sua família. “Vou processar todos eles.”

A Associated Press publicou uma história sobre a família Gao na Tailândia, mas tratou os e-mails como autênticos. Quando a NPR disse à AP que eram falsificações, o serviço de notícias retirou seu artigo. Depois que a NPR transmitiu sua investigação, outras organizações de notícias seguiram o exemplo.

Por exemplo, a Rádio Bremen, parte da ARD, a principal emissora pública da Alemanha, retirou um documentário com Wang que havia sido transmitido mais de 2 milhões de vezes no YouTube.

Outras organizações de notícias que cobriram Wang mantiveram suas histórias.

A RTL Nieuws afirma que as descobertas da NPR não prejudicaram os resultados de sua investigação sobre as alegações de Wang sobre ligações de assédio de uma delegacia de polícia chinesa.

“Ainda temos fé na primeira história que fizemos”, disse o repórter da RTL Koen de Regt à NPR.

Mas de Regt disse que reportagens subsequentes sobre as alegações adicionais de Wang persuadiram os repórteres de que ele não era confiável. Por exemplo, Wang havia afirmado que um homem tinha ido à sua casa brandindo uma faca.

” Falamos com os vizinhos do prédio. Falamos com a polícia”, diz de Regt. “Não há nenhuma evidência de que esse incidente tenha acontecido. Não confiamos mais nele (Wang)”.

Wasserman, o professor de jornalismo de Berkeley, diz que os repórteres podem ter estado muito dispostos a acreditar em Wang porque suas histórias se encaixam perfeitamente em uma narrativa geral que é verdadeira: a China rotineiramente ataca críticos no exterior, mesmo que o governo negue. Wasserman também observa que – até certo ponto – o governo chinês é à prova de difamação.

“Se você errar, qual é o problema?” Wasserman diz que alguns repórteres podem ter imaginado. “Se eles não fizeram isso com esse cara, provavelmente fizeram com outra pessoa.”

Alguns dissidentes têm sido céticos sobre as alegações de Wang há anos. Por um lado, eles dizem que nunca tinham visto o Partido Comunista Chinês desencadear tal enxurrada de táticas de repressão contra alguém tão obscuro. Alguns também tentaram alertar os repórteres sobre os riscos de apresentar Wang.

Entre eles estava Badiucao, um cartunista chinês-australiano. Quando Badiucao soube que ele e Wang apareceriam no mesmo programa investigativo de TV, ele expressou suas dúvidas aos produtores, mas sem sucesso.

Alguns na comunidade de direitos humanos não ficaram felizes que a NPR expôs Wang. Yaqiu Wang, diretor de China Research na Freedom House, o think tank sediado em Washington, disse que alguns questionaram se a história estava apenas fornecendo munição ao Partido Comunista para retratar seus críticos estrangeiros como vigaristas. Ainda assim, muitos ativistas apoiaram.

“A maioria das pessoas disse que suas suspeitas sobre Wang foram validadas”, diz Yaqiu Wang, sem parentesco com Wang Jingyu. “Eles ficaram felizes [por ele] ter sido exposto.”

Badiucao diz que a investigação da NPR ajudou a manter o movimento chinês de direitos humanos honesto.

“É um alívio que – basicamente – o jornalismo se prove: ele tem a capacidade de autocorreção”, diz Badiucao. “Acho que isso restaura minha confiança nessa linha de trabalho.”

Com informações da NPR*

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