plano Real - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/plano-real/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Sat, 18 Oct 2025 14:53:18 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png plano Real - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/plano-real/ 32 32 As lições de André Lara Resende que o Banco Central deveria escutar https://www.ocafezinho.com/2025/10/18/as-licoes-de-andre-lara-resende-que-o-banco-central-deveria-escutar/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/18/as-licoes-de-andre-lara-resende-que-o-banco-central-deveria-escutar/#comments Sat, 18 Oct 2025 14:53:13 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=219505 1 Comentário 🔥]]> “É muito difícil vencer as ideias econômicas estabelecidas, mesmo que estejam erradas”, diz André Lara Resende durante entrevista ao programa Kafé com Kinea. Um dos arquitetos do Plano Real, Resende trava há anos uma batalha intelectual contra o consenso que domina a política monetária brasileira. De dentro do sistema, enxergou as fraturas de um edifício que insiste em se manter de pé.

O alvo principal é a obsessão do Banco Central com a taxa básica de juros como ferramenta de combate à inflação. A Selic elevada não passa de um “equívoco” que se perpetua pela força da tradição, não pela eficácia. “A inflação no Brasil não responde diretamente aos juros”, argumenta Resende, desafiando décadas de ortodoxia econômica. A inflação brasileira tem componentes estruturais que escapam ao alcance dessa alavanca monetária. A estratégia é ineficaz e contraproducente.

Quando o governo paga juros elevados sobre a dívida pública, está transferindo uma quantidade massiva de recursos do Estado para o setor privado, especialmente para quem detém títulos públicos. “Política monetária e política fiscal são a mesma coisa na prática”, afirma Resende. Essa transferência de renda, longe de contrair a economia, alimenta a liquidez e contradiz o objetivo declarado de conter a demanda. O remédio que deveria curar a doença acaba por alimentá-la.

A comparação entre Brasil e China é devastadora. Enquanto o gigante asiático multiplicou sua renda per capita por 25 vezes nas últimas décadas, o Brasil mal conseguiu dobrá-la. “A economia brasileira é pensada pela Receita Federal”, critica Resende, apontando para um modelo que prioriza a arrecadação acima de tudo, em detrimento de uma estratégia de desenvolvimento de longo prazo.

O Brasil não sofre de falta de recursos para investir, mas de falta de visão. “O verdadeiro gargalo não é a falta de dinheiro para investimentos públicos, mas a ausência de bons projetos e de uma concepção econômica que priorize o crescimento.” Enquanto o Banco Central e a equipe econômica insistirem em fórmulas que se mostram ineficazes, o país continuará preso em um ciclo de estagnação, desperdiçando seu potencial e adiando a prosperidade que poderia estar ao alcance.

As lições de André Lara Resende são um convite a repensar os fundamentos da política econômica brasileira, a questionar o que tem sido aceito como verdade absoluta e a buscar caminhos que possam finalmente tirar o Brasil da armadilha do baixo crescimento. A pergunta que fica é: alguém no Banco Central está disposto a escutar?

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Galípolo conversa com Pedro Malan, que alerta: “o mundo está mais perigoso” https://www.ocafezinho.com/2025/04/21/galipelo-conversa-com-pedro-malan-que-alerta-o-mundo-esta-mais-perigoso/ Mon, 21 Apr 2025 21:29:05 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=207256

“O mundo ficou mais incerto e mais perigoso. Isso coloca grandes novas questões, inclusive para atividades dos bancos centrais”, alertou Pedro Malan. Em tom grave, o ex-presidente do Banco Central afirmou que a nova era de mudanças vertiginosas — com o avanço da inteligência artificial e transformações globais imprevisíveis — exige novas respostas das autoridades monetárias.

Malan participou do terceiro episódio da série “Conversas Presidenciais”, promovida pelo Banco Central do Brasil e gravada em 17 de abril de 2025. No encontro, conduzido pelo atual presidente da instituição, Gabriel Galípolo, ele também reconstituiu momentos-chave da criação do Plano Real, revelando bastidores tensos e decisões arriscadas em meio à hiperinflação.

Logo no início da entrevista, Malan explicou que seu ingresso no Banco Central em 1993 não foi um convite, mas uma “convocação”. Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda, determinou que o mercado não poderia abrir na segunda-feira sem um novo presidente do BC. “Achei que seria óbvio que o escolhido fosse o André Lara Resende”, relembra Malan. No fim do jantar, era ele quem aceitava a missão.

O contexto era de desesperança: o Brasil figurava entre os poucos países com inflação acima de 1.000% ao ano — junto de países como Rússia e Congo, em meio à guerra civil. Em 1993, a inflação brasileira beirava os 2.400%. “Tinha gente que achava que o melhor era deixar o barco correr até a eleição de 1994”, lembra Malan. Para ele, esperar seria uma aposta suicida.

Com o desafio à frente, a estratégia passou a ser construir um núcleo duro dentro do governo. “Trouxemos André Lara Resende e, depois, Persio Arida. Eles se juntaram a Gustavo Franco, Winston Fritsch, Edmar Bacha e Murilo Portugal”, disse Malan. “Criamos uma massa crítica. E o essencial: tínhamos a liderança política do Fernando Henrique Cardoso, com respaldo do Itamar Franco.”

Malan revelou que a equipe não tinha certeza absoluta do sucesso do plano. Havia um roteiro — o Programa de Ação Imediata, lançado em junho de 1993, e depois a criação da Unidade Real de Valor (URV) —, mas também muitos riscos. “Era tudo uma grande aposta. Como em tudo na vida.”

O ex-presidente do BC destacou dois momentos críticos: a assinatura da Medida Provisória que criou a URV, em março de 1994, e depois a transição da URV para o real, em julho. Em ambos, o governo Itamar quase recuou, pressionado por críticas internas e externas. “Nada acontece no Brasil se o presidente não põe sua assinatura”, disse Malan.

Durante o bate-papo, Malan explicou também a importância das decisões cambiais. A opção foi deixar o real flutuar frente ao dólar, contrariando a expectativa de uma paridade fixa e recusando a dolarização da economia, como queriam alguns. “Foi um acerto”, afirmou. Ele lembrou que, mesmo com a crise do México em 1994, o real resistiu.

Sem o Comitê de Política Monetária (Copom) ainda implantado, as decisões sobre juros e câmbio eram tomadas de maneira mais informal. “O câmbio estava no centro das atenções. Não havia periodicidade pré-agendada para as reuniões”, contou.

Malan também elogiou a qualidade técnica dos servidores do Banco Central: “A competência do Banco Central cresceu enormemente ao longo desses 60 anos”. E destacou outro feito importante de sua gestão: a conclusão da negociação da dívida externa brasileira.

Sobre o papel do BC no Brasil de hoje, Malan foi claro: “A responsabilidade continua sendo contribuir para a política macroeconômica, reduzir a incerteza, ancorar expectativas e zelar pela estabilidade da moeda”. Ele reconheceu, no entanto, que o mundo mudou: “O Banco Central hoje tem mais instrumentos à disposição do que antes”.

Com bom humor, o economista relembrou a sensação que teve ao aceitar o comando do BC: “Me veio à mente uma velha piada irlandesa. Um viajante perdido pergunta a um velho como chegar a Dublin. O velhinho responde: ‘Se eu tivesse que ir a Dublin, eu não começaria daqui’.”

Ao final da conversa, Gabriel Galípolo agradeceu a generosidade de Malan e ressaltou a importância da experiência coletiva na elaboração de políticas públicas. O encontro entre duas gerações de liderança monetária brasileira ficou marcado como um precioso registro histórico.

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Energia elétrica cai 14% e puxa inflação para baixo em janeiro, que tem menor índice da história https://www.ocafezinho.com/2025/02/11/energia-eletrica-cai-14-e-puxa-inflacao-para-baixo-em-janeiro-que-tem-menor-indice-da-historia/ https://www.ocafezinho.com/2025/02/11/energia-eletrica-cai-14-e-puxa-inflacao-para-baixo-em-janeiro-que-tem-menor-indice-da-historia/#respond Tue, 11 Feb 2025 16:58:17 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=201754 IPCA desacelera para 0,16%, menor taxa para janeiro desde 1994.

Em janeiro de 2025, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou para 0,16% a menor taxa para um mês de janeiro desde o início do Plano Real, em 1994. O índice ficou 0,36 ponto percentual (p.p.) abaixo da taxa de dezembro (0,52%).

Com isso, o acumulado em 12 meses recuou para 4,56%, o menor índice desde setembro do ano passado.

Os preços do subitem energia elétrica residencial recuaram 14,21% e exerceram o impacto negativo mais intenso (-0,55 p.p.) sobre o IPCA de janeiro. Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, explica que “essa queda foi decorrência da incorporação do Bônus de Itaipu, creditado nas faturas emitidas em janeiro”.

A energia elétrica residencial integra o grupo da Habitação, que registrou queda de 3,08% com impacto de -0,46 p.p. sobre o IPCA de janeiro.

Transportes e Alimentação continuam em alta

Os preços do grupo Transportes, subiram 1,30% e exerceram um impacto de 0,27 p.p. sobre o IPCA de janeiro, por influência das altas em passagens aéreas (10,42%) e ônibus urbano (3,84%).

Já o grupo Alimentação e bebidas teve seu quinto aumento consecutivo (0,96%) e contribuiu com 0,21 p.p. para o índice do mês. Nesse grupo, a alimentação no domicílio subiu 1,07%, influenciado pelas altas da cenoura (36,14%), do tomate (20,27%), e do café moído (8,56%). Por outro lado, os preços da batata-inglesa (-9,12%) e do leite longa vida (-1,53%) recuaram.

Já a alimentação fora do domicílio desacelerou de 1,19% em dezembro para 0,67% em janeiro. Tanto o lanche (0,94%) quanto a refeição (0,58%) tiveram variações inferiores às do mês anterior (0,96% e 1,42%, respectivamente).

Aracajú teve a maior alta de preços

Entre as 16 localidades onde o IBGE faz o acompanhamento semanal dos preços, a maior variação ocorreu em Aracaju (0,59%), influenciada pela alta das passagens aéreas (13,65%). Já a menor variação foi em Rio Branco (-0,34%), por conta do recuo da energia elétrica residencial (-16,60%). Cinco das 16 localidades registraram variações negativas no IPCA de janeiro: Goiânia (-0,03%), Porto Alegre (-0,03%), São Luís (-0,08%), Curitiba (-0,09%) e Rio Branco (-0,34%).

Em janeiro, INPC tem variação nula: 0,0%

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação das famílias com renda de até cinco salários mínimos, teve variação nula (0,0%) em janeiro. O acumulado em 12 meses ficou em 4,17%, abaixo dos 4,77% dos 12 meses imediatamente anteriores. Em janeiro de 2024, o INPC havia sido de 0,57%.

Dentro do INPC, os produtos alimentícios desaceleraram de dezembro (1,12%) para janeiro (0,99%), enquanto os não alimentícios recuaram de 0,27% em dezembro para -0,33% em janeiro.

Regionalmente, a maior variação ocorreu em Salvador (0,47%), influenciada pela alta do ônibus urbano (6,00%), e menor, em Rio Branco (-0,49%), com a queda da energia elétrica residencial (-16,60%). Oito das 16 localidades pesquisadas mostraram taxas negativas no INPC de janeiro: São Luís (-0,04%), Campo Grande (-0,09%), Porto Alegre (-0,11%), Rio de Janeiro (-0,13%), São Paulo (-0,18%), Goiânia (-0,29%), Curitiba (-0,39%), Rio Branco (-0,49%).

Para Fernando Gonçalves, “a variação nula no INPC, que indica estabilidade de dezembro para janeiro, é uma média, ou seja, alguns preços subiram, como no grupo dos alimentos e outros caíram, caso da energia elétrica”.



Por Luiz Bello, na Agência IBGE.
11/02/2025 09h00 | Atualizado em 11/02/2025 09h00

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Por que o Banco Central é refém de rentistas em Miami? https://www.ocafezinho.com/2016/12/13/por-que-o-banco-central-e-refem-de-rentistas-em-miami/ https://www.ocafezinho.com/2016/12/13/por-que-o-banco-central-e-refem-de-rentistas-em-miami/#comments Tue, 13 Dec 2016 13:44:44 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=62855 1 Comentário 🔥]]> Jornalista faz crítica ao papel do Banco Central no Brasil, que permite a intervenção de bancos em sua concepção de política econômica:”Quem entende de economia é economista de banco. Qual a surpresa em ter os resultados que estamos vendo?”.

No Jornal GGN

O Boletim Focus e os rentistas de Miami

Por André Araújo

Os vários governos brasileiros da Era moderna sempre tiveram o cuidado de não deixar a política econômica na mão de uma só pessoa ou grupo de pessoas de igual orientação. A política econômica é algo muito sério para que um País inteiro entregue seu destino a meia dúzia de gênios assumidos. Há clara necessidade de uma mescla de visões para que erros solitários não sejam cometidos. Erros na direção da economia tem altos custos de reversão, a volta do caminho errado custa muito caro. O Board do Federal Reserve, de sete membros, é composto com professores de economia de escolas de pensamento diferentes, pessoas sem ligação com o sistema financeiro, de modo a haver diversidade de visões e opiniões sobre economia.

O estadista Getúlio Vargas criou o Conselho Nacional de Economia para assessorá-lo, fora do circuito do Ministério da Fazenda. O Governo Militar de 1964 criou, acima do Banco Central e dos Ministérios econômicos, o Conselho Monetário Nacional, com representantes da economia produtiva para se contrapor ao poder do bancos.

Getúlio, na fase democrática, tinha uma forte Assessoria Econômica chefiada por Rômulo de Almeida, excelente pensador e formulador, para não ficar dependente dos dois pólos da política econômica, o Ministro da Fazenda Horácio Lafer e o Presidente do Banco do Brasil, Ricardo Jafet, grandes industriais paulistas.

A quebra desse modelo de pesos e contrapesos se deu no Plano Real. Atendendo à pressão dos “economistas do Real” o Governo FHC transformou o Conselho Monetário Nacional em um mero carimbo, constituído apenas do Ministro da Fazenda, do Ministro do Planejamento e do presidente do Banco Central, uma piada, teria sido mais honesto extinguir o Conselho.

A partir desse equívoco deu-se todo o poder sobre a política econômica aos bancos representados pelos “economistas do Real ou do mercado”, é a mesma coisa, cujo porta voz é o Boletim FOCUS, uma criatura deles para apresentar toda semana suas reivindicações ao banco Central, que as executa. Pelo boletim, o BC, através de um capcioso quiz de perguntas, é balizado pelo mercado que apresenta suas instruções.

A partir dai o BC trata de cumprir as demandas e “targets” do oráculo FOCUS. Em vez de liderar, o BC é liderado. Nos EUA todos esperam ansiosamente o que a Chairwoman do FED Janet Yellen tem a dizer, aqui é o BC aguardando sofregamente o que o apóstolo FOCUS pretende para a semana, é uma peça tragicômica de teatro onde cada lado representa um papel ficcional, o que o BC pergunta é aquilo que o mercado quer.

A partir do erro de neutralização do CMN vem o resto. Toda a economia foi colocada na mão do BC que representa o sistema financeiro, convencionou-se que só quem entende de economia é economista de banco. Qual a surpresa em ter os resultados que estamos vendo?

Quando o Brasil industrial foi construído, grandes nomes como Roberto Simonsen, Euvaldo Lodi, Horácio Lafer, Guilherme da Silveira, Rômulo de Almeida, Celso Furtado emitiam opinião sobre política econômica. Não existia “economista de mercado”! O nível era muito mais alto, eram os grandes pensadores e realizadores da economia produtiva, daí nasceu a indústria brasileira, o vigor da agricultura, as metas de desenvolvimento, a visão do futuro e infra estrututura básica que ainda nos atende. Depois do plano Real só souberam montar mesas de câmbio e boutiques de investimento, nunca viram um chão de fábrica na vida.

O mundo dos cabeças de planilha que guiam o BC é o mundo dos rentistas brasileiros que moram em Miami e que são os clientes de seus fundos de renda fixa. Quanto mais baixa a inflação e quanto mais barato o dólar melhor para eles, melhor para os bancos que administram esses fundos. Nos anúncios desta semana no canal GLOBONEWS os maiores anunciantes são bancos atrás de clientes para aplicar em seus fundos, é uma quantidade absurda de anúncios, parece que esse é o único negócio do País.

Desapareceu do ambiente de decisões sobre política econômica a visão da indústria, da agropecuária, do comércio, dos transportes, dos serviços, da construção, dos consumidores.

O presidente do BC Ilan Goldfajn é economista especializado em economia monetária, seu mundo é da porta do banco para dentro, ele não tem uma visão de política econômica de resultados para a população como um todo e muito menos para o povo sem dinheiro. Seu mundo são os aplicadores ricos das agências “private”, ele trabalha nessa linha de visão.

Ele fez tudo para “trazer a inflação para o centro da meta” e absolutamente nada para estimular a economia e aliviar o desemprego, ele nem fala em recessão nos seus discursos ou entrevistas. É como se não existisse! É absolutamente centrado em meta de inflação de forma obsessiva, seu único tema no discurso de posse.

De que vale a “inflação no centro da meta” para quem está desempregado, sem dinheiro, sem plano de saúde, sem poder pagar a escola dos filhos? Não significa muita coisa.

O Ministro da Fazenda, por sua vez, não tem qualquer indicação de ser um formulador de política econômica no seu sentido mais amplo. Nada na sua experiência ou currículo indica isso, mero executivo de banco regional. Isso é quase nada para dirigir a política econômica de um grande Pais, falta aquele algo mais, aquela grandeza dos grandes comandantes da economia como Roberto Campos, Octavio Bulhões, Delfim Neto, Oswaldo Aranha, Mário Henrique Simonsen, grandes homens com visão macro do País, do mundo, da política.

Não se trata apenas de conhecimento. Aranha não era economista mas era líder, tinha uma visão ampla do País, de seu futuro, de suas necessidades, foi um excelente Ministro da Fazenda em duas circunstâncias muito diferentes separadas por vinte anos, quem diz isso não sou eu, é seu minucioso biógrafo, o prof. Mário Henrique Simonsen.

Não é possível um País com a complexidade do Brasil, em inédita recessão, rara até no planeta, ao mesmo tempo com enormes recursos e potencialidades, estar com uma crise sem saída por fraqueza evidente de gestão. As pessoas que comandam a política econômica não estão à altura dos desafios imensos que se apresentam no horizonte. Tormentas pedem grandes e corajosos timoneiros para enfrentar tempestades em mar bravio, não servem pilotos de rebocador, as demandas são mais complexas e o tempo é curto.

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