política - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/politica/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Tue, 30 Jun 2026 08:15:46 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png política - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/politica/ 32 32 Autorrenovação: segredo para evitar o ciclo histórico de ascensão e queda https://www.ocafezinho.com/2026/06/18/autorrenovacao-segredo-para-evitar-o-ciclo-historico-de-ascensao-e-queda/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/18/autorrenovacao-segredo-para-evitar-o-ciclo-historico-de-ascensao-e-queda/#respond Thu, 18 Jun 2026 11:47:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=259245 Por Elias Jabbour, em cooperação com o Grupo de Mídia da China

Antes de mais nada uma afirmação é fundamental. Não existe explicação que se aproxime da realidade sobre o sucesso econômico e social chinês sem que que se aborde o papel do Partido Comunista da China (PCCh) em todo o período de revolução, reforma e mais recentemente na chamada “Nova Era” inaugurada em 2017 já tendo Xi Jinping como secretário-geral do Comitê Central. A política está na frente da economia e esta é expressão de políticas justas e acertadas elaboradas e executadas ao longo do tempo. Nenhuma grande tese acadêmica pode explicar a China moderna somente em termos de “sucesso econômico”. Sem Partido Comunista da China não existiria China moderna.

Logo, próximo de completar 105 anos de existência é fundamental compreender as razões pelas quais o Partido Comunista da China mantém uma sólida base popular, consegue enfrentar os duros desafios impostos pela conjuntura ao mesmo tempo em que evita o ciclo histórico da ascensão e queda de Partidos Comunistas no poder, como no passado ocorreu na União Soviética e Europa Oriental. São vários os fatores, incluindo a capacidade de construir um corpo teórico que se alimenta da prática constante e da busca por soluções aos desafios da realidade.

Além disso, o Partido, sobretudo após 2017, se dispões a passar por um duro processo de constante autorrenovação. Xi Jinping enfatiza esta necessidade de forma muito clara:

“A autorrenovação é a chave para garantir que o nosso Partido mantenha sempre sua natureza, sua cor e seu caráter. No meu discurso proferido na Celebração do Centenário do Partido Comunista da China (PCCh) em julho deste ano (1), enfatizei que o PCCh nunca representa nenhum grupo de interesses, grupo de poder ou estrato privilegiado.  (…). Isto é uma resposta à tentativa de algumas pessoas com segundas intenções de dividir o nosso Partido do povo ou colocá-lo em oposição ao povo. Também é um lembrete a todo o Partido de que devemos permanecer firmes e lúcidos nas questões fundamentais: para quem governamos, para quem exercemos o poder e para quem buscamos interesses e benefícios” (2).

Ora, uma leitura atenta deste discurso nos leva algumas conclusões. Primeiro, o PCCh como um partido marxista não representa nenhum grupo de interesse, muito menos os interesses do capital. Segundo, o Partido deve se concentrar nos desafios da presente época histórica marcada pela necessidade de a China alcançar objetivos ousados, entre eles o das autonomias tecnológica e alimentar, atingir as metas colocadas em congresso nacional, garantir melhores condições de vida ao povo e ser a síntese das melhores tradições do país e do movimento revolucionário fundado em torno de si.

Xi Jinping destacou a importância da autorrenovação do Partido para aumentar sua capacidade de administração do poder. Segundo ele, a coragem de fazer a autorrenovação é uma característica que distingue o PCCh dos outros partidos políticos:

“O nosso Partido é muito grande, com 100 anos de história e tem governado este país desde 1949. Como podemos quebrar o ciclo histórico de ascensão e queda? O camarada Mao Zedong deu a primeira resposta a essa pergunta em sua casa-caverna de Yan’an em 1947. Ele disse: “Somente sob o escrutínio do povo, o governo não ousará afrouxar seus esforços.” Depois de ter percorrido uma traje- tória de luta por um século, especialmente com a nova prática desde  o 18º Congresso Nacional do PCCh em 2012, o nosso Partido deu, agora, a segunda resposta, que é fazer a autorrenovação.”(3)

Ainda sobre isso, Xi Jinping no início de 2024 colocou de forma muito clara:

“(…) o objetivo fundamental é orientar a grande transformação social. Devemos planejar a autorrenovação do Partido com base nas novas demandas da transformação social e avaliar os resultados reais à luz das novas conquistas nesse processo, realizando o objetivo da autorrenovação, que por sua vez é promovida por meio da transformação social. Atualmente, devemos planejar e promover a nossa autorrenovação alinhando-a com a tarefa central do Partido e fazendo-a servir melhor a essa tarefa.” (4)

A transformação social como o motor da autorrenovação tem como princípio o fato de o PCCh estar sob constante escrutínio do povo. Se fazer aberto tanto negar as influências de interesses particulares quanto o de ouvir constantemente as críticas e demandas do povo. É ao povo chinês que o PCCh deve lealdade e devoção.

Na história milenar da China as dinastias foram derrubadas e substituídas após grandes rebeliões populares. O motor dos levantes camponeses na China sempre foi a crescente, e ao longo do tempo, incapacidade governamental das antigas dinastias em servir ao povo, tornando-se ineptas e corruptas. Esta lição da história chinesa foi ampliada após a ascensão de Xi Jinping à secretaria-geral do PCCh em 2012. As respostas são duras aos fenômenos de corrupção e desvios morais:

“Tomamos a determinação de ‘receitar doses pesadas contra doenças graves’ e de impor leis rigorosas para lidar com a desordem; tivemos coragem de adotar medidas dolorosas de ‘raspar osso para extirpar veneno’ e ‘cortar o próprio braço para salvar a vida’; mantivemos a firmeza para combater a corrupção, ‘caçando os tigres’, ‘esmagando as moscas’ e ‘capturando as raposas’; e conseguimos eliminar os riscos potenciais significativos no seio do Partido, no Estado e nas forças armadas. Dentre tantos partidos governantes em todo o mundo, quantos se atrevem, como nós, a combater a corrupção em uma escala tão grande, de forma tão intensiva e persistente?” (5).

O sucesso da China deve-se antes de mais nada a capacidade do PCCh em se adaptar ao tempo histórico. Mas, acima de tudo, pela observação constante dos erros e acertos tanto das antigas dinastias que ocuparam o poder no país quanto da ascensão e queda das primeiras experiências socialistas do século XX.

O segredo, ao fim e ao cabo, está na constante “autorrenovação” como uma forma de levar o exercício da crítica e da autocrítica a patamares superiores.

Notas:

(1)  O discurso foi no ano de 2021.

(2)  Excerto do discurso proferido na 2ª reunião plenária da 6ª sessão plenária do 19º Comitê Central do PCCh.

(3)  Excerto do discurso proferido na 2ª reunião plenária da 6ª sessão plenária do 19º Comitê Central do PCCh.

(4)“Fazer avançar a autorrenovação do Partido”. Excerto do discurso na 3ª sessão plenária da 20ª Comissão Central de Inspeção Disciplinar do PCCh. 08/01/2024.

(5)  Excerto do discurso proferido na 2ª reunião plenária da 6ª sessão plenária do 19º Comitê Central do PCCh.

Notas:

  • O discurso foi no ano de 2021.
  • Excerto do discurso proferido na 2ª reunião plenária da 6ª sessão plenária do 19º Comitê Central do PCCh.
  • “Fazer avançar a autorrenovação do Partido”. Excerto do discurso na 3ª sessão plenária da 20ª Comissão Central de Inspeção Disciplinar do PCCh. 08/01/2024.
  • Excerto do discurso proferido na 2ª reunião plenária da 6ª sessão plenária do 19º Comitê Central do PCCh.

Elias Jabbour é um geógrafo, economista, professor universitário e intelectual marxista brasileiro. Ele pesquisa a realidade chinesa desde a década de 1990.

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A “emenda Master” que colocou o PL no centro da crise https://www.ocafezinho.com/2026/06/12/a-emenda-master-que-colocou-o-pl-no-centro-da-crise/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/12/a-emenda-master-que-colocou-o-pl-no-centro-da-crise/#respond Fri, 12 Jun 2026 13:58:27 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=257772 Quando o Banco Master começou a afundar, alguém no Congresso Nacional tratou de agir. O deputado federal Filipe Barros (PL-PR), aliado declarado do bolsonarismo, transformou seu mandato e a presidência de uma comissão da Câmara em instrumentos de pressão sobre reguladores financeiros. O alvo era proteger os interesses de Daniel Vorcaro, ex-CEO do banco — e, por tabela, seus próprios investidores.

Levantamento do Globo em dados públicos mostra que, entre novembro de 2024 e setembro de 2025, Barros apresentou sete requerimentos e um projeto de lei, além de promover uma audiência pública. Tudo isso enquanto o Master atravessava sua pior crise e Vorcaro atuava nos bastidores para conseguir mudanças regulatórias favoráveis ao banco e viabilizar a venda da instituição para o BRB.

O conjunto de ações levanta uma questão incômoda: um deputado federal usou sua cadeira para proteger um banqueiro investigado?

A primeira movimentação de Barros foi um projeto de lei. Ele propôs ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por aplicação financeira. A mudança beneficiaria diretamente o modelo de negócios do Master, que captava recursos oferecendo rendimentos bem acima da média do mercado — justamente porque os investidores sabiam que o FGC cobria eventuais perdas.

O texto guardava semelhança notável com a chamada “emenda Master”, proposta pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) em uma PEC no Senado. Aquela emenda, no entanto, foi rejeitada. Mais do que isso: a investigação revelou que a minuta da proposta de Ciro foi redigida por funcionários do próprio banco e entregue pessoalmente na residência do senador, a mando de Vorcaro.

Barros admitiu ao Globo que elaborou seu projeto depois de tomar conhecimento da iniciativa de Ciro, que considerou uma “boa ideia”. Segundo ele, o objetivo era proteger investidores de eventuais prejuízos. Ainda assim, o deputado negou ter conversado com Ciro sobre o assunto e afirmou que nem ele nem seus assessores mantiveram contato com Vorcaro.

O projeto durou pouco. Em fevereiro deste ano, após a liquidação do Master e a primeira prisão do banqueiro, Barros o retirou de tramitação.

A situação ficou ainda mais curiosa quando Barros assumiu a presidência da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara. A sigla já entrega o propósito do colegiado: política externa e defesa do país. Mesmo assim, em junho de 2025, Barros convidou o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Pedro Nascimento, para uma audiência sobre soberania econômica e mercado de capitais.

Além disso, convocou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sob o pretexto de discutir ataques hackers ao sistema Pix. Naquele momento, o BC já havia identificado fraudes em carteiras de crédito vendidas ao BRB e debatia internamente se liquidaria o Master ou tentaria uma saída negociada. Galípolo optou por não comparecer.

Requerimentos e audiências colocam sob análise o uso de uma comissão da Câmara em meio às negociações envolvendo Daniel Vorcaro / Reprodução

Nascimento, por sua vez, aceitou o convite. Ele é amigo de infância de Flávio Bolsonaro e ocupa o cargo por indicação do governo Jair Bolsonaro. A sessão foi descrita por participantes como tensa.

Às vésperas da audiência com Nascimento, Barros apresentou um requerimento sobre supostos conflitos envolvendo a Previc e o BTG Pactual — banco apontado como principal rival de Vorcaro na Faria Lima. O timing chamou atenção.

Dez dias depois de depor à CREDN, Nascimento pediu demissão do cargo, com um ano ainda pela frente em seu mandato. Segundo relatos, ele disse a aliados que vinha sofrendo ameaças e citou diretamente o tratamento recebido na audiência da comissão.

Nascimento teria afirmado, ainda, que Barros e outros deputados acionaram uma espécie de tropa de choque em defesa do Master. Parte das ofensivas viria de reportagens publicadas por veículos que, posteriormente, foram associados a empresas financiadas por sócios de Vorcaro.

A saída de Nascimento da CVM, portanto, aconteceu logo após sua convocação forçada por uma comissão que tecnicamente não tinha competência para tratar do tema.

A pressão não parou na CVM. Em setembro, no mesmo dia em que o Banco Central recusou formalmente a compra do Master pelo BRB, Barros apresentou novo requerimento. Dessa vez, as perguntas miravam a diretoria do BC — especificamente a área comandada por Renato Gomes, que defendia a liquidação do banco.

Gomes também virou alvo de influenciadores de direita. A campanha contra ele fazia parte do chamado “Projeto DV”, financiado pelo próprio Vorcaro. O objetivo era desacreditar o Banco Central e enaltecer o Tribunal de Contas da União (TCU), que na época analisava o processo de liquidação do Master.

Assim, o padrão se repetia: cada vez que o regulador avançava contra o banco, um deputado bolsonarista aparecia para questionar, convocar ou pressionar. A coincidência de datas tornava difícil tratar tudo como acaso.

Para entender como Barros chegou à presidência da CREDN, é preciso lembrar que o cargo pertencia a Eduardo Bolsonaro. O filho do ex-presidente ocupava a cadeira até partir para o autoexílio nos Estados Unidos. Ao deixar o Brasil, Eduardo não deixou a influência para trás — ao menos, não completamente.

Em uma transmissão ao vivo, ele foi direto ao afirmar que manteria poder sobre a comissão por meio de Barros. “Eu acho que o Filipe Barros vai fazer uma grande presidência da Comissão de Relações Exteriores, é uma pessoa próxima. Para quem acha que eu não estar sentado naquela cadeira, eu perdi o poder da CREDN, negativo, tá?”, declarou.

E foi além: “Tenho o telefone dele, tenho falado com ele, e Deus quiser ele vai colocar adiante as mesmas pautas que eu ia botar”, disse Eduardo.

A declaração revela, sem meias palavras, que a cadeira mudou de ocupante, mas as ordens seguem a mesma origem. A CREDN virou um instrumento político à disposição de um grupo que, mesmo fora do governo, ainda tenta influenciar decisões econômicas e regulatórias do país.

O caso Filipe Barros ilustra com clareza o que acontece quando mandatos parlamentares se confundem com interesses privados — e quando a linha entre representar eleitores e defender banqueiros desaparece por completo.

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Ricardo Amaral: Lula decide trucar a carta gringa dos Bolsonaros https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/ricardo-amaral-lula-decide-trucar-a-carta-gringa-dos-bolsonaros/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/ricardo-amaral-lula-decide-trucar-a-carta-gringa-dos-bolsonaros/#respond Wed, 03 Jun 2026 20:37:59 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=255928 A veemência de Lula levou Flávio Bolsonaro a um primeiro e constrangedor recuo sobre o Pix

Cinismo, hipocrisia, arrogância e outras categorias morais (no caso, imorais) não bastam para enquadrar objetivamente a sequência de ataques à economia e à soberania do Brasil nos dias recentes. No reino das coisas concretas, estamos lidando com bandidos e vigaristas políticos da pior espécie, enfrentando poderosos interesses econômicos globalizados e a estratégia geopolítica agressiva do governo Donald Trump. Essa é a crua realidade que o presidente Lula decidiu desafiar.

Pela maneira desabrida e vigorosa com que tem se manifestado, Lula sinaliza ter entrado em modo de combate, na defesa do país e de seu patrimônio político. Ele expressa a justa indignação nacional com a ingerência dos EUA na legislação interna de segurança pública do Brasil e com as novas declarações de guerra tarifária contra o país. Denuncia a traição dos Bolsonaros, sem disfarçar a decepção pessoal de quem investiu no diálogo com Trump e acreditou na razoabilidade de negociações comerciais e diplomáticas.

Ninguém tem o direito de ficar surpreso por ver a carta gringa lançada no jogo eleitoral brasileiro com a algazarra de uma partida de truco. Foi o que os Bolsonaros pediram e é o que a plutocracia e a extrema-direita estadunidense sempre quiseram. As razões e sem-razões para enquadrar PCC e CV na abusiva legislação de alcance transnacional dos EUA, sempre metidos a “polícia do mundo”, estavam definidas desde dezembro passado, na nova estratégia de segurança nacional de Trump. Submissão política da América Latina ao imperialismo renovado, sob a ameaça do “big stick”, a velha porrada que caiu na cabeça de Maduro.

Quanto às expectativas em torno de uma negociação comercial equilibrada, estas entraram em choque com o objetivo mais amplo do processo na tal Seção 301: nunca foi somente o Brasil, é a tentativa de conter a crescente presença da China em toda a região. Trump preserva importações imprescindíveis para os consumidores estadunidenses (café, laranja, aços) e aperta o garrote sobre o Pix, o sistema circulatório da economia popular brasileira. E vem agora a notícia de que também querem sobretaxar o Brasil e mais uma penca de países por suposta leniência com “trabalhos forçados”. Vá perguntar aos colhedores de laranjas na Califórnia se algum dia o governo se preocupou com seus direitos.

Nada que se justifique, mas nada por acaso. A ideia é pressionar o Brasil para fragilizar as políticas soberanas sobre comércio, terras raras, big techs, energia e, não menos importante, alterar a rota de nossa política externa; as relações com a China, a presença nos BRICS e a defesa do multilateralismo. Uma guinada completa para a subserviência, que Flávio Bolsonaro se ofereceu sofregamente para “negociar” com o governo Trump, sem ter mandato para nada, repetindo Guaidó, o desaparecido “presidente autoproclamado” da Venezuela.

Fanfarronices à parte, existe uma lógica implacável, econômica, geopolítica e de sobrevivência política interna, nos recentes movimentos de Trump. E há, evidentemente, a conexão com os vigaristas da família Bolsonaro, no projeto de expansão regional da extrema-direita.

Lula sabe que são escassos os instrumentos de que o Brasil dispõe, isoladamente, para enfrentar a guerra tarifária contra um governo que não hesitou em comprometer a estabilidade da economia global, juntando-se a Israel num ataque insano ao Irã. É na disputa eleitoral contra os Bolsonaros que Lula encontra o terreno mais favorável para resistir às ameaças de hoje e posicionar o Brasil para os próximos anos no tabuleiro mais largo da geopolítica. E é nessa disputa que Lula e o Brasil podem e precisam derrotar a cartada gringa.

Digam os que disserem as oniscientes pesquisas, foi a inteligência política de Lula que o levou a trucar, no ato, o lance dos adversários. Ele não esperou pelos efeitos práticos da ofensiva antinacional para denunciar os traidores da pátria. Antecipou-se ao que ainda pode vir, seja na forma de sanções ilegais ou na destruição de empregos, para responsabilizar diretamente os Bolsonaros por qualquer prejuízo ao Brasil.

A veemência de Lula levou Flávio Bolsonaro a um primeiro e constrangedor recuo. Afinal, se ele é assim tão brother do Marco Rubio, teria de ter pedido antes para não mexerem com nosso Pix, e não na cartinha, pretenciosa e farsesca, que divulgou depois de perceber o estrago sobre sua imagem e candidatura. Se “ama muito Brasil”, no dizer de Trump, não deveria ter saudado o primeiro tarifaço nem implorado pelo segundo.

A resposta de Lula foi estrategicamente certeira, mesmo se houver uma improvável inflexão na ofensiva antinacional, que os Bolsonaros tentariam manipular a seu favor. A trucada de Lula e a durabilidade dessa resposta ainda serão testadas no correr da disputa presidencial, com todos os sortilégios que ela ainda nos reserva. O que a carta gringa deixou mais evidente é que derrotar a extrema-direita no Brasil é mais que um desafio para Lula e o campo democrático popular que ele lidera. É missão.

Ricardo Amaral é jornalista, editor especial do Brasil 247 em Brasília e escritor. Publicou “A Vida quer é Coragem”, sobre a trajetória da presidenta Dilma Rousseff, e “Memorial da Verdade”, sobre a farsa da Lava Jato contra Lula. Mineiro de Belo Horizonte, onde começou a trabalhar na imprensa popular em 1976.

Publicado originalmente no Brasil 247*

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Brasil e EUA anunciam acordo de combate ao tráfico de armas e drogas https://www.ocafezinho.com/2026/04/10/brasil-e-eua-anunciam-acordo-de-combate-ao-trafico-de-armas-e-drogas/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/10/brasil-e-eua-anunciam-acordo-de-combate-ao-trafico-de-armas-e-drogas/#respond Fri, 10 Apr 2026 18:51:58 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/10/brasil-e-eua-anunciam-acordo-de-combate-ao-trafico-de-armas-e-drogas/ Brasil e Estados Unidos anunciaram um acordo de cooperação mútua visando o combate ao tráfico internacional de armas e drogas.

A parceria entre a Receita Federal brasileira e o U.S. Customs and Border Protection (CBP, a agência de fronteiras dos EUA) foi detalhada nesta sexta-feira (10), após reunião de autoridades dos dois países no Ministério da Fazenda.

Segundo o ministro Dario Durigan, ao facilitar esse acordo, “trata-se de um passo relevante que estamos dando após a conversa entre Lula e Trump, visando o combate ao crime organizado nos dois países”, disse o ministro, ao ressaltar que esse esforço é fundamental.

Drogas, armas ou peças de armas apreendidas em contêineres de navios ou em aeroportos possibilitarão aos investigadores identificar e trocar informações sobre os métodos cada vez mais sofisticados de ocultação de armas de fogo ou drogas.

De acordo com o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, algumas tecnologias recentes com uso de raio-X em contêineres têm ajudado a aumentar a quantidade de apreensões de peças destinadas à montagem de armamentos. O secretário acrescenta que, do lado brasileiro, todos os contêineres que saem são escaneados.

“Como é mais fácil identificarmos as armas por meio de raio-X, essas organizações criminosas transnacionais têm adotado a estratégia de enviar peças. Por isso as apreensões de peças têm aumentado”, disse o secretário.

A reunião com as autoridades dos EUA contou também com a participação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Segundo ele, mais de 1,1 mil armas e peças de armamentos foram apreendidos nos últimos 12 meses nas aduanas brasileiras.

“E, no primeiro trimestre de 2026, apreendemos mais de 1,5 mil toneladas de drogas vindas dos EUA”, acrescentou. De acordo com a PF, as drogas apreendidas foram basicamente sintéticas e haxixe.

O acordo entre Brasil e EUA tem como uma das principais entregas o lançamento do Programa Desarma, que é o sistema informatizado da Receita Federal que amplia a capacidade de rastreamento internacional de armas e materiais sensíveis.

Sempre que a aduana brasileira identifica produtos de origem americana relacionados a armas, munições, peças, componentes, explosivos e outros itens sensíveis e vice-versa, essa ferramenta registra e organiza “dados estratégicos das apreensões”.

As informações registradas são itens como material, origem declarada, informações logísticas da carga e eventuais identificadores ou números de série, que permitem o rastreamento da origem desses produtos e o mapeamento de redes ilícitas de comércio internacional de armas.

Saiba mais detalhes no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

Fonte: Agência Brasil

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Gilmar Mendes vota para derrubar lei de SC que proibiu cotas raciais https://www.ocafezinho.com/2026/04/10/gilmar-mendes-vota-para-derrubar-lei-de-sc-que-proibiu-cotas-raciais/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/10/gilmar-mendes-vota-para-derrubar-lei-de-sc-que-proibiu-cotas-raciais/#respond Fri, 10 Apr 2026 18:23:13 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/10/gilmar-mendes-vota-para-derrubar-lei-de-sc-que-proibiu-cotas-raciais/ O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira (10) para derrubar a lei de Santa Catarina que proibiu a reserva de cotas raciais para ingresso de estudantes em instituições de ensino que recebem verbas públicas do estado.

O voto do ministro foi proferido no julgamento virtual no qual o plenário julga ações protocoladas pelo PSOL, PT, PCdoB e o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para considerar a norma inconstitucional.

A Lei 19.722 de 2026 foi aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo governador Jorginho Melo. A norma permite a reserva de vagas somente para pessoas com deficiência, alunos oriundos de escolas públicas ou com base em critérios exclusivamente econômicos.

Antes de o caso chegar ao STF, a lei foi suspensa por uma liminar concedida pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC).

Em sua manifestação, Mendes disse que a Corte já reconheceu a constitucionalidade das ações afirmativas. “Não há dúvidas quanto à constitucionalidade, em abstrato, das ações afirmativas baseadas em critérios étnico-raciais”, afirmou.

O julgamento virtual prossegue até a próxima sexta-feira (17). Mais nove ministros vão votar.

Fonte: Agência Brasil.

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Transporte público no Brasil pode ter novas regras e financiamento https://www.ocafezinho.com/2026/04/10/transporte-publico-no-brasil-pode-ter-novas-regras-e-financiamento/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/10/transporte-publico-no-brasil-pode-ter-novas-regras-e-financiamento/#respond Fri, 10 Apr 2026 17:46:41 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/10/transporte-publico-no-brasil-pode-ter-novas-regras-e-financiamento/ Mais de 60 milhões de brasileiros usam transporte público diariamente — e as regras que definem quanto pagam e como o serviço funciona estão prestes a mudar. O novo marco legal do transporte público no Brasil está prestes a ser votado em plenário, após a aprovação do regime de urgência que acelerou sua tramitação. A proposta, relatada pelo deputado José Priante (MDB-PA), visa transformar a forma como o transporte coletivo urbano é financiado, gerido e operado no país.

Atualmente, o sistema é majoritariamente sustentado pelas tarifas pagas pelos usuários. No entanto, a proposta busca diversificar as fontes de receita, incluindo subsídios públicos, receitas de publicidade, exploração comercial de terminais e créditos de carbono. Essa mudança tem como objetivo aliviar a pressão sobre o valor das passagens, tornando o modelo mais sustentável.

Outro ponto importante do projeto é a proibição de que gratuidades e descontos tarifários, como os concedidos a idosos, sejam custeados exclusivamente pelos passageiros pagantes. Esses benefícios deverão ter uma previsão orçamentária específica, o que promete mais transparência e justiça no cálculo das tarifas.

O parecer de José Priante destaca que a diversificação das receitas pode reduzir as oscilações das tarifas e melhorar a eficiência do gasto público no setor. Além disso, o projeto prevê mudanças na regulação e operação dos serviços, exigindo que as concessões sejam feitas via licitação e que as concessionárias adotem metas de desempenho e indicadores de qualidade.

Também está prevista a criação de um órgão regulador com autonomia administrativa, responsável por fiscalizar o sistema e garantir a transparência dos dados operacionais fornecidos pelas concessionárias. A proposta ainda institui um modelo de integração entre União, estados e municípios, com possibilidade de coordenação regional, especialmente em áreas metropolitanas.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem enfatizado a importância do tema, ressaltando o impacto direto do transporte público na vida dos brasileiros. Se aprovado sem alterações, o projeto seguirá para sanção presidencial, sendo considerado uma das principais reformulações do transporte público urbano no país.

Na prática, se o projeto for sancionado, municípios serão obrigados a justificar cada reajuste de tarifa e a bancar com recursos próprios as gratuidades — o que pode frear altas abusivas e dar mais previsibilidade ao bolso de quem depende do coletivo. Essas mudanças são cruciais, pois o transporte público é um direito social e essencial para a dinâmica econômica e urbana. A proposta não apenas busca um modelo mais sustentável financeiramente, mas também visa melhorar a qualidade e a eficiência do serviço prestado à população.

Com informações de ndmais.com.br.

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MPF pede suspensão do licenciamento da Cidade Urbitá no DF https://www.ocafezinho.com/2026/04/10/mpf-pede-suspensao-do-licenciamento-da-cidade-urbita-no-df/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/10/mpf-pede-suspensao-do-licenciamento-da-cidade-urbita-no-df/#respond Fri, 10 Apr 2026 06:51:51 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/10/mpf-pede-suspensao-do-licenciamento-da-cidade-urbita-no-df/ O Ministério Público Federal quer suspender o licenciamento ambiental do projeto Cidade Urbitá, um empreendimento imobiliário da Urbanizadora Paranoazinho S/A (UP S/A), a cerca de 10 quilômetros do ponto central de Brasília, ao norte da capital federal, próximo a Sobradinho e à rodovia BR-020, que corta o Distrito Federal, Goiás, Bahia, Piauí e Ceará.

Na Ação Civil Pública (nº 1032383-23.2026.4.01.34000), o MPF quer que seja refeito o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) do empreendimento.

A ação civil tramita desde 31 de março na 9ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Distrito Federal (SJDF), integrante do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF 1).

De acordo com o MPF, o projeto da Cidade Urbitá “destoa completamente” do empreendimento que foi licenciado em 2010 junto ao Instituto de Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Distrito Federal (Ibram). Por isso, “deveria ter sido iniciado um novo processo de licenciamento ambiental, com a elaboração de estudos próprios (EIA/Rima).”

“As características do empreendimento Urbitá são tão alheias aos processos de licenciamento originário, que o ICMBio [Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade], ao ser consultado, encaminhou ofício ao Ibram questionando se seria ou não o mesmo empreendimento”, descreve a ação civil.

Além da suspensão do processo de licenciamento ambiental, o Ministério Público Federal quer anular a autorização para o licenciamento expedida pelo Ibram, e pede que o novo EIA/Rima contemple “estudo/análise para diagnóstico da água do Rio Ribeirão Sobradinho de modo a analisar a capacidade de suporte do referido Rio para receber os efluentes (esgoto e rejeitos da cozinha) oriundos do empreendimento Cidade Urbitá, por fases (fase 1, 2 e 3) e projeto final, até a capacidade máxima de população prevista.”

O MPF ainda assinala que o empreendimento prevê uma população de 134 mil pessoas, “população superior a 80% das cidades brasileiras.” Tal volume causará “impermeabilização excessiva para as áreas”, aponta em nota do MPF o procurador da República Daniel Cesar Azeredo Avelino.

Segundo ele, a impermeabilização “poderá resultar em impactos ambientais e sociais consideráveis que, segundo o Relatório de Impacto Ambiental Complementar (Riac), não foram devidamente mensurados.”

Para Avelino, “a impermeabilização abusiva nesta região poderá afetar os processos naturais de recarga dos aquíferos subterrâneos, elevando o risco de cheias e comprometendo os recursos hídricos das sub-bacias do Ribeirão Sobradinho e do Rio São Bartolomeu.”

O empreendimento é apresentado pela Urbanizadora Paranoazinho S/A, como “novo bairro do Distrito Federal”, de “calçadas largas, fachadas ativas, ciclovias, parques urbanos, amplas praças, comércio no térreo e paisagismo planejado sob a ótica do pedestre.” A incorporadora é reconhecida como dona da antiga Fazenda Paranoazinho, de onde se originou o nome do empreendimento.

De acordo com o portal da UP, o projeto da Cidade Urbitá foi concebido seis anos depois (2016) ao licenciamento ambiental (2010) cuja a validade é questionada pelo MPF.

“Paralelamente ao desenvolvimento dos projetos urbanísticos para regularização dos condomínios da Fazenda Paranoazinho, a equipe técnica de arquitetos, urbanistas e engenheiros da UP trabalhava no projeto desenvolvimento urbano da Fazenda Paranoazinho, que anos depois viria a receber o nome de Cidade Urbitá”, registra o conteúdo institucional do portal.

O mesmo texto ainda descreve que “seguindo a premissa de sempre fazer um trabalho colaborativo, o time UP realizou, entre outubro e dezembro de 2016, a 1ª Oficina de Concepção Arquitetônica, com o intuito de identificar parceiros e colaboradores para concepção dos primeiros projetos da Cidade Urbitá.”

Conforme anotado pela UP S/A, “treze escritórios, com sede em Brasília, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro, participaram da oficina, desenvolvendo projetos conceituais para um lote do empreendimento. Ao todo, foram três meses de trabalho (outubro a dezembro de 2016), incluindo três encontros presenciais.”

A UP S/A, o Ibram e o ICMBio são réus da ação civil movida pelo MPF no TRF 1. A reportagem da Agência Brasil está à disposição de todas as partes para colher novas informações que queiram apresentar.

Fonte: Agência Brasil

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Entenda o racha entre Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira! Valdemar tenta apagar incêndio no PL https://www.ocafezinho.com/2026/04/07/entenda-o-racha-entre-eduardo-bolsonaro-e-nikolas-ferreira-valdemar-tenta-apagar-incendio-no-pl/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/07/entenda-o-racha-entre-eduardo-bolsonaro-e-nikolas-ferreira-valdemar-tenta-apagar-incendio-no-pl/#respond Tue, 07 Apr 2026 15:06:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=231393 Racha entre Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira expõe a disputa real dentro da direita: quem vai herdar o trono digital do bolsonarismo

O bolsonarismo está em guerra consigo mesmo. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, precisou intervir pessoalmente para tentar conter o atrito público entre os deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Nikolas Ferreira (PL-MG), numa crise que expõe a fragilidade do movimento às vésperas de um ano eleitoral. Valdemar confirmou que vai se reunir com Eduardo nos Estados Unidos e conversar diretamente com Nikolas para tentar unificar o discurso do grupo. “Vou conversar com o Nikolas e também com Eduardo em Miami. Vamos acertar isso”, disse. A avaliação do chefe do partido é de que o momento não permite luxos. “Essa eleição vai ser na casca”, afirmou.

O estopim foi um atrito nas redes no último sábado (4). Eduardo criticou Nikolas por não apoiar a pré-candidatura de seu irmão Flávio Bolsonaro à presidência. Nikolas respondeu com um simples “kkk”. A reação de Eduardo foi longa, pessoal e reveladora de uma tensão acumulada há meses.

“Risinho de deboche para mim, @nikolas_dm? Ao que parece, não há limites para seu desrespeito comigo e minha família. Triste ver essa versão caricata de si mesmo. Não é, nem de longe, o menino que conheci, apoiei e acreditei. Os holofotes e a fama te fizeram mal, infelizmente. Demorei muito para acreditar que você trabalhava o algoritmo das suas redes para dar visibilidade a quem deseja a morte de meu pai, a quem comemora a prisão dele e a todos os que odeiam a mim e a minha família. Foi com bastante tristeza que vi você trabalhar ativamente contra quem acreditou e apoiou você, quando era um assessor desconhecido e com um sonho na mente”, escreveu o deputado.

O texto revela o que está em disputa: o controle sobre o ambiente digital da direita brasileira. Nikolas acumulou um alcance nas redes que nenhum outro nome do campo bolsonarista conseguiu replicar. Eduardo interpreta esse poder como uma moeda que deveria estar sendo usada em favor da família.

A crise, porém, tem raízes mais profundas. Michelle Bolsonaro e Nikolas apostavam em Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) como o candidato natural da direita em 2026. Com Tarcísio fora da disputa, os dois se distanciaram da pré-campanha de Flávio, escolhido por Jair Bolsonaro como herdeiro político. A postura irritou Eduardo, que passou a acusar Michelle e Nikolas de “amnésia” e de “jogar o mesmo jogo”.

A lógica é conhecida: o bolsonarismo sempre foi menos um projeto político do que uma disputa por lealdade pessoal à família Bolsonaro. Qualquer figura que cresça demais fora desse eixo vira ameaça.

Flávio Bolsonaro tentou suavizar o conflito em entrevista ao podcast Inteligência Ltda, na segunda-feira (6). “Respeito o tempo de todo mundo, porque o Nikolas é a maior potência digital. Ele tá comigo, 100%. É um moleque de ouro. Apesar da idade, é um cara maduro, inteligente, que entende o jogo político, que ajuda demais expondo o PT, esfregando a verdade sobre o PT. São vídeos maravilhosos”, afirmou.

O discurso conciliador de Flávio contrasta com a agressividade de Eduardo e evidencia a divisão interna: enquanto um tenta manter alianças, o outro cobra fidelidade irrestrita. No centro do ringue, Nikolas observa, calcula e responde com um “kkk”.

Para o Brasil, o racha importa. Um bolsonarismo fragmentado altera o tabuleiro eleitoral de 2026, redistribui apoios e pode abrir espaço para candidaturas fora do controle da família. Valdemar sabe disso. Por isso viajou.

Com informações do Blog da Andreia Sadi*

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Onze governadores renunciam para disputar eleições de outubro https://www.ocafezinho.com/2026/04/05/onze-governadores-renunciam-para-disputar-eleicoes-de-outubro/ https://www.ocafezinho.com/2026/04/05/onze-governadores-renunciam-para-disputar-eleicoes-de-outubro/#respond Sun, 05 Apr 2026 16:54:23 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/04/05/onze-governadores-renunciam-para-disputar-eleicoes-de-outubro/ O prazo para agentes públicos que vão participar das eleições deixarem seus cargos terminou neste sábado (4). A regra é chamada de desincompatibilização e vale para governadores, prefeitos e ministros de Estado que pretendem se candidatar no pleito de outubro.

Com o fim do prazo, 11 governadores deixaram suas funções para disputar outros cargos.

Ronaldo Caiado (PSD-GO) anunciou, na semana passada, que é pré-candidato à Presidência da República. Romeu Zema (Novo-MG) também deixou o cargo após dois mandatos consecutivos e sinalizou que deve ser candidato à Presidência, mas ainda não formalizou sua pré-candidatura.

Nove governadores saíram do cargo e pretendem disputar uma vaga no Senado. São eles: Gladson Cameli (PP-AC); Wilson Lima (União-AM), Ibaneis Rocha (MDB-DF), Renato Casagrande (PSB-ES); Mauro Mendes (União-MT); Helder Barbalho (MDB-PA), João Azevêdo (PSB-PB) e Antonio Denarium (PP-RR). O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) também renunciou ao mandato para disputar uma cadeira no Senado. No entanto, Castro foi condenado, no mês passado, à inelegibilidade até 2030 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dessa forma, ele deverá disputar o cargo sub judice.

Nove governadores vão disputar a reeleição e podem continuar nos cargos: Clécio Luís (União-AP); Jerônimo Rodrigues (PT-BA); Elmano de Freitas (PT-CE); Eduardo Riedel (PP-MS); Raquel Lyra (PSD-PE); Rafael Fonteles (PT-PI); Jorginho Mello (PL-SC); Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Fábio Mitidieri (PSD-SE).

De acordo com a legislação eleitoral, políticos não precisam deixar os cargos no Poder Executivo se pretendem disputar o segundo mandato.

Sete governadores decidiram completar o mandato e não renunciaram para disputar algum cargo nas eleições. Eles já cumpriram dois mandatos consecutivos. São eles: Paulo Dantas (MDB-AL); Carlos Brandão (Sem partido-MA); Ratinho Junior (PSD-PR); Fátima Bezerra (PT-RN); Eduardo Leite (PSD-RS), Marcos Rocha (PSD-RO) e Wanderlei Barbosa (Republicanos-TO).

O primeiro turno das eleições será em 4 de outubro, quando 155 milhões de eleitores estarão aptos a elegerem o presidente da República, o vice-presidente, governadores e deputados estaduais, federais e distritais.

O segundo turno poderá ser realizado no dia 25 de outubro, para os cargos de presidente e governador se nenhum dos candidatos obtiver mais da metade dos votos válidos, que excluem os brancos e nulos, no primeiro turno.

Fonte: Agência Brasil.

]]> https://www.ocafezinho.com/2026/04/05/onze-governadores-renunciam-para-disputar-eleicoes-de-outubro/feed/ 0 Ato com filha de Kim gera rumor sobre sucessão norte-coreana https://www.ocafezinho.com/2026/01/02/ato-com-filha-de-kim-gera-rumor-sobre-sucessao-norte-coreana/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/02/ato-com-filha-de-kim-gera-rumor-sobre-sucessao-norte-coreana/#respond Fri, 02 Jan 2026 17:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=223771 Visita de adolescente a mausoléu da família acompanhada dos pais foi divulgada pela imprensa estatal norte-coreana e considerada como mais um sinal de que a jovem Kim Ju-ae é a herdeira escolhida da ditadura asiática.

A filha adolescente do líder norte-coreano, Kim Jong-un, acompanhou seus pais em sua primeira visita pública ao mausoléu da família, em 1º de janeiro, movimento considerado como mais um sinal de que ela está sendo preparada para ser sucessora do pai.

Fotos da agência de notícias estatal KCNA mostraram Kim Jong-un acompanhado por sua esposa, Ri Sol-ju, e altos funcionários, com Kim Ju-ae entre seus pais no salão principal do Palácio do Sol de Kumsusan.

No mausoléu repousam os corpos embalsamados do fundador do Estado norte-coreano, Kim Il-sung, e de seu sucessor, Kim Jong-il, avô e pai de Kim Jong-un. O local é tido como sagrado pela ditadura norte-coreana e recebe visitas do líder em datas e aniversários importantes.

Diferentemente de seu pai e de seu avô, que não foram mencionados pela mídia estatal antes de se tornarem adultos, Kim Ju-ae tem feito aparições nos últimos três anos, alimentando especulações sobre ser a escolhida para a quarta geração da ditadura do país.

O palácio é “um lugar que simboliza a legitimidade do regime norte-coreano” e sua visita ao local antes do congresso do Partido dos Trabalhadores é uma manobra política orquestrada, disse à agência de notícias Associated Press Cheong Seong-Chang, vice-diretor do Instituto Sejong, uma instituição privada da Coreia do Sul.

Cargo no partido?

Cheong especula que Kim Jong-un pode dar à filha o cargo de primeira secretária do Partido dos Trabalhadores, o segundo posto mais importante do partido, no próximo congresso. Outros especialistas avaliam que ela é muito jovem para ocupar um posto tão importante e que poderá receber um cargo de nível inferior. Pesa ainda nessa escolha a natureza extremamente machista da hierarquia de poder do país.

O congresso, o primeiro do tipo em cinco anos, tem como objetivo estabelecer novas prioridades nas políticas estatais e reorganizar os funcionários. A Coreia do Norte não informou quando ele será realizado, mas a Agência Nacional de Inteligência, agência de espionagem da Coreia do Sul, disse que provavelmente será em janeiro ou fevereiro.

Nome e idade sem confirmação oficial

Kim Ju-ae apareceu pela primeira vez em fotografias da mídia estatal norte-coreana em 2022 e, desde então, tem acompanhado seu pai em uma série de eventos de alto nível, incluindo testes de mísseis e uma visita de Estado à China. Sua última aparição havia ocorrido dias atrás, durante uma visita com seu pai a um complexo de hotéis de luxo.

No entanto, os detalhes oficiais sobre a adolescente continuam escassos. A mídia estatal nunca confirmou seu nome nem sua idade.

O ex-jogador de basquete americano Dennis Rodman, que conheceu Kim Jong-un durante uma visita à Coreia do Norte em 2013, é uma das fontes que afirmam que o nome da menina é Ju-ae. Estima-se que ela tenha cerca de 13 anos. Alguns analistas acreditam que Kim Jong-un possa ter outros filhos além dela.

Kim Jong Un é o terceiro na linha de sucessão do que é considerada a única monarquia comunista do mundo, depois de seu pai, Kim Jong-il, e seu avô, Kim Il-sung – os dois últimos apelidados de “líderes eternos” na propaganda estatal.

O culto à figura dos membros da chamada “linha de sangue Paektu” domina a vida cotidiana no país, o politicamente mais isolado do mundo.

Publicado originalmente pelo DW em 02/01/2026

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Brasileiro está falando menos de política no WhatsApp, mostra estudo https://www.ocafezinho.com/2025/12/15/brasileiro-esta-falando-menos-de-politica-no-whatsapp-mostra-estudo/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/15/brasileiro-esta-falando-menos-de-politica-no-whatsapp-mostra-estudo/#respond Mon, 15 Dec 2025 12:03:20 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=223116 Mais da metade consideram ambiente “muito agressivo”

O compartilhamento de notícias de política está menos frequente em grupos de família, de amigos e de trabalho no WhatsApp. Além disso, mais da metade das pessoas que participam desses ambientes dizem ter medo de omitir opinião.

A constatação faz parte do estudo Os Vetores da Comunicação Política em Aplicativos de Mensagens, divulgado nesta segunda-feira (15).

O levantamento foi feito pelo centro independente de pesquisa InternetLab e pela Rede Conhecimento Social, instituições sem fins lucrativos.

A pesquisa identificou que mais da metade das pessoas que usam WhatsApp estão em grupos de família (54%) e de amigos (53%). Mais de um terço (38%) participam de grupos de trabalho.

Apenas 6% estão em grupos de debates de política. Em pesquisa realizada em 2020, eram 10%.

Ao se debruçar sobre o conteúdo dos grupos de família, de amigos e de trabalho, os pesquisadores verificaram que, de 2021 a 2024, caiu a frequência dos que aparecem mensagens sobre política, políticos e governo.

Em 2021, 34% das pessoas diziam que o grupo de família era no qual mais apareciam esse tipo de notícias. Em 2024, eram 27%.

Em relação aos grupos de amigos, a proporção caiu de 38% para 24%. Nos de trabalho, de 16% para 11%.

O estudo apresenta depoimentos de alguns dos entrevistados, sem identificá-los.

“Evitamos falar sobre política. Acho que todos têm um senso autorregulador ali, e cada um tenta ter bom senso para não misturar as coisas”, relata sobre o grupo de família uma mulher de 50 anos, de São Paulo.

As informações foram coletadas de forma online com 3.113 pessoas com 16 anos ou mais, de 20 de novembro a 10 de dezembro de 2024. Foram ouvidas pessoas de todas as regiões do país.

Receio de se posicionar

A pesquisa identificou que há receio em compartilhar opiniões políticas. Pouco mais da metade (56%) dos entrevistados disseram sentir medo de emitir opinião sobre política “porque o ambiente está muito agressivo”.

Foi possível mapear que essa percepção foi sentida por 63% das pessoas que se consideravam de esquerda, 66% das de centro e 61% das de direita.

“Acho que os ataques hoje estão mais acalorados. Então, às vezes você fala alguma coisa e é mais complicado, o pessoal não quer debater, na verdade, já quer ir para a briga mesmo”, conta uma mulher de 36 anos, de Pernambuco.

Os autores do estudo afirmam que se consolidaram os comportamentos para evitar conflitos nos grupos. Os dados mostram que 52% dos entrevistados se policiam cada dia mais sobre o que falam nos grupos, enquanto 50% evitam falar de política no grupo da família para fugir de brigas.

“As pessoas foram se autorregulando, e nos grupos onde sempre se discutia alguma coisa, hoje é praticamente zero. As pessoas tentam, alguém publica alguma coisa, mas é ignorado”, descreve uma entrevistada.

Cerca de dois terços (65%) dizem evitar compartilhar mensagens que possam atacar os valores de outras pessoas, segundo o levantamento.

Dos respondentes, 29% já saíram de grupos onde não se sentiam à vontade para expressar opinião política.

“Tive que sair, era demais, muita briga, muita discussão, propaganda política, bateção de boca”, conta uma entrevistada.

Afirmação

Mas o levantamento identifica também que 12% das pessoas compartilham algo considerado importante mesmo que possa causar desconforto em algum grupo.

Dezoito por cento afirmam que, quando acreditam em uma ideia, compartilham mesmo que isso possa parecer ofensivo.

“Eu taco fogo no grupo. Gosto de assunto polêmico, gosto de falar, gosto de tacar lenha na fogueira e muitas vezes sou removida”, diz uma mulher de 26 anos de Minas Gerais.

Entre os 44% que se consideram seguros para falar sobre política no WhatsApp, são adotadas as seguintes estratégias:

  • 30% acham que mandar mensagens de humor é um bom jeito de falar sobre política sem provocar brigas;
  • 34% acham que é melhor falar sobre política no privado do que em grupos;
  • 29% falam sobre política apenas em grupos com pessoas que pensam igualmente.

“Eu gosto de discutir, mas é individualmente. Eu não gosto de expor isso para todo mundo”, revela um entrevistado de 32 anos, do Espírito Santo.

“É como se as pessoas já tivessem aceitado que aquele grupo é mais alinhado com uma visão política específica. Entra quem quer”, define uma mulher, de 47 anos, do Rio Grande do Norte.

O estudo foi apoiado financeiramente pelo WhatsApp. De acordo com o InternetLab, a empresa não teve nenhuma ingerência sobre a pesquisa.

Amadurecimento

Uma das autoras do estudo, a diretora do InternetLab, Heloisa Massaro, constata que o WhatsApp é uma ferramenta “arraigada” no cotidiano das pessoas. Dessa forma, assim como no mundo “offline”, ou seja, presencial, o assunto política faz parte das interações.

O estudo é realizado anualmente, desde o fim de 2020. De acordo com Heloisa, ao longo dos anos, as pessoas “foram desenvolvendo normas éticas próprias para lidar com essa comunicação política no aplicativo”, principalmente nos grupos.

“Elas se policiam mais, relatam um amadurecimento no uso”, diz a autora. “Ao longo do tempo, a gente vai observando essa ética de grupos nas relações dos aplicativos de mensagem para falar sobre política se desenvolvendo”, completa.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 15/12/2025

Por Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

Edição: Juliana Andrade

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60% dos jovens acha justa a prisão de Bolsonaro https://www.ocafezinho.com/2025/12/09/60-dos-jovens-acha-justa-a-prisao-de-bolsonaro/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/09/60-dos-jovens-acha-justa-a-prisao-de-bolsonaro/#respond Tue, 09 Dec 2025 16:51:23 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222811 Dados do DataFolha mostram que a sociedade encara a condenação como passo necessário para afirmar que atos contra a democracia devem ser responsabilizados, independentemente do cargo

A mais recente pesquisa Datafolha mostrou que o país está diante de um marco simbólico: uma geração que cresceu sob ameaças à democracia agora expressa, de forma clara, que não aceita retrocessos. Entre os jovens, 60% consideram justa a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, sinalizando que a juventude brasileira — historicamente sensível a pautas democráticas — voltou a assumir o protagonismo no debate público.

Os números reforçam uma tendência mais ampla captada pelo levantamento nacional: 54% dos brasileiros classificam a prisão como justa, enquanto 40% a veem como injusta. O estudo foi divulgado neste domingo (7), logo após Bolsonaro começar a cumprir a pena de 27 anos e três meses, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por sua participação na tentativa de golpe de Estado após a derrota eleitoral de 2022.

Datafolha: maioria vê justiça na punição ao ex-presidente

A pesquisa apresenta um recorte importante sobre como o país reage à responsabilização de suas lideranças. Para um Brasil que ainda carrega marcas profundas da desinformação e da retórica antidemocrática, o fato de que a maioria reconhece a legitimidade da condenação indica um amadurecimento coletivo — algo essencial para evitar que o país volte a flertar com soluções autoritárias.

O Datafolha perguntou especificamente: “Na sua opinião, a prisão de Jair Bolsonaro foi justa ou injusta?” A resposta consolidada foi:

  • 54%: justa
  • 40%: injusta
  • 6%: não souberam responder

O instituto ouviu 2.002 pessoas, de 16 anos ou mais, entre 2 e 4 de dezembro, em 113 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Onde Bolsonaro deveria cumprir a pena, segundo a população

Apesar de a prisão ter sido considerada justa pela maioria, a sociedade se divide sobre o local adequado para o cumprimento da pena:

  • 34% defendem prisão domiciliar
  • 26% preferem um presídio comum
  • 20% sugerem unidade militar
  • 13% concordam com a atual sede da Polícia Federal
  • 7% não souberam responder

Atualmente, Bolsonaro está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.

Condenação dos generais também recebe apoio

A responsabilização dos oficiais-generais envolvidos na tentativa de ruptura institucional também tem forte respaldo popular:

  • 57% consideram justa a prisão dos generais condenados
  • 30% veem como injusta
  • 13% não souberam responder

Para uma parcela expressiva da sociedade, a punição alcança não apenas o líder político, mas também os militares que romperam com o próprio juramento constitucional — um movimento raro e simbólico em um país historicamente marcado pela tolerância a abusos cometidos por setores fardados.

Impacto na imagem do Exército

A pesquisa ainda captou a percepção pública sobre a instituição militar após a condenação de seus oficiais:

  • 57% afirmam que nada mudou em relação ao Exército
  • 26% dizem que a imagem piorou
  • 12% avaliam que melhorou

O dado mais revelador é a estabilidade da opinião pública: a maioria encara o episódio como responsabilidade individual dos envolvidos, e não como reflexo de toda a instituição. Ainda assim, o desgaste entre os que veem piora na imagem evidencia que uma parcela da sociedade espera uma postura mais comprometida com a democracia por parte das Forças Armadas.

Um país que desperta para a importância da responsabilidade

O apoio majoritário à prisão de Bolsonaro — especialmente entre os jovens — demonstra uma mudança profunda no entendimento do que significa preservar a democracia. Não se trata de celebrar o encarceramento de um ex-presidente, mas de reconhecer que ninguém, independentemente do cargo que ocupou, está acima da lei.

A nova geração, mais conectada, mais crítica e mais consciente do impacto da desinformação na vida pública, parece não aceitar que ataques às instituições sejam normalizados. O país dá sinais de que está amadurecendo politicamente, ainda que de forma lenta e dolorosa.

Se a democracia brasileira aprendeu algo nos últimos anos, é que o preço da omissão é alto. E, desta vez, ao que tudo indica, a sociedade não está disposta a pagá-lo novamente.

Link da pesquisa

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Segundo Nassif, é hora de investigar a morte de Teori Zavascki https://www.ocafezinho.com/2025/12/08/segundo-nassif-e-hora-de-investigar-a-morte-de-teori-zavascki/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/08/segundo-nassif-e-hora-de-investigar-a-morte-de-teori-zavascki/#respond Mon, 08 Dec 2025 19:26:55 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222751 Declarações recentes apontam para um cenário de poder e pressões políticas que, segundo especialistas, torna inevitável revisitar o acidente aéreo que vitimou o ministro

Em meio ao acúmulo de novas revelações sobre os métodos da Operação Lava Jato, cresce a pressão por respostas que nunca foram plenamente dadas. Segundo Nassif, o momento exige que o país finalmente encare, com seriedade e transparência, as circunstâncias que envolveram a morte do ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). A discussão volta ao centro do debate após declarações que reforçam suspeitas antigas e exibem, de forma mais clara, o ambiente de intimidação e chantagem que teria cercado a operação.


O peso de novas revelações sobre a Lava Jato

A descoberta de que a chamada “caixa amarela” da 13ª Vara Federal em Curitiba guarda os vídeos da controversa “festa da cueca” alterou a percepção sobre a denúncia apresentada pelo empresário Tony Garcia. Ele afirma ter sido pressionado por Sérgio Moro a gravar autoridades em situações comprometedoras, criando material passível de ser usado como chantagem. Para Nassif, esse achado muda o patamar das acusações e ajuda a explicar a postura do TRF-4, que durante anos homologou sem resistência todas as decisões do então juiz.

Garcia relatou ainda que, dentro da dinâmica de poder da Lava Jato, um desembargador que se posicionava contra os métodos da força-tarefa teria sido derrubado a partir de falsas denúncias. Ele também apontou que dois ministros — Herman Benjamin (STJ) e Luís Roberto Barroso (STF) — teriam sido alvo de pressões, sendo Barroso associado às investigações sobre o Banestado, período em que advogava para Ricardo Teixeira.

Nesse cenário, novos relatos reforçam a gravidade do quadro. A ex-juíza Luciana Bauer apresentou detalhes de uma agressão que diz ter sofrido de Moro dentro de um elevador, alegando ter sido agarrada pelo pescoço. Depois do episódio, afirma ela, viaturas suspeitas passaram a circular diante de sua casa.


Segundo GGN, o contexto exige revisitar o acidente que matou Teori

À luz desses depoimentos e da maneira como a Lava Jato atuou, segundo GGN, torna-se impossível ignorar a proximidade entre os abusos revelados e a morte de Teori. No documentário produzido pelo portal e prestes a ser divulgado, o ministro Gilmar Mendes lembra que Teori faleceu poucos dias após afirmar que iria enquadrar os excessos cometidos pela operação.

O acidente aéreo que vitimou o ministro interrompeu abruptamente sua relatoria. Com sua morte, o processo foi transferido ao ministro Luiz Edson Fachin, considerado “confiável” por integrantes da Lava Jato nos diálogos revelados pela Vaza Jato — ainda que não haja indícios de que ele tenha atuado irregularmente.

Para Nassif, o que estava em jogo ultrapassava a disputa por protagonismo dentro do Judiciário. Havia interesses bilionários, incluindo os recursos que alimentariam a Fundação Lava Jato, e impactos econômicos profundos sobre a indústria brasileira de engenharia e sobre a Lei de Partilha da Petrobras, que garantia maior controle estatal sobre o pré-sal.


Uma investigação que o país deve a si mesmo

O debate sobre a morte de Teori Zavascki nunca se encerrou. Mas agora, diante de novos elementos e da reconstrução detalhada do ambiente de pressão que cercava a Lava Jato, segundo Nassif, não há mais justificativa para evitar uma apuração rigorosa.

A trajetória de Teori — reconhecido por sua discrição, firmeza técnica e compromisso com a legalidade — contrasta com a escalada de abusos que hoje se descortinam. Investigar o acidente não significa antecipar conclusões, mas sim honrar a responsabilidade pública de esclarecer episódios que moldaram parte decisiva da vida institucional brasileira.


Luis Nassif é jornalista com mais de 50 anos de carreira, premiado em veículos impressos e digitais, e diretor-fundador do Jornal GGN.

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Deputados do Rio enfrentam forte pressão pública no caso Bacellar https://www.ocafezinho.com/2025/12/08/deputados-do-rio-enfrentam-forte-pressao-publica-no-caso-bacellar/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/08/deputados-do-rio-enfrentam-forte-pressao-publica-no-caso-bacellar/#respond Mon, 08 Dec 2025 15:23:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222717 A CCJ da Alerj iniciou a análise sobre a manutenção da prisão de Rodrigo Bacellar, em meio a uma das maiores crises institucionais recentes do Legislativo fluminense

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro abriu, na manhã desta segunda-feira (8), um dos processos mais tensos da Casa nos últimos anos: a análise sobre a manutenção da prisão do deputado e presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, detido na semana passada por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O debate, que deveria ter começado ainda na sexta-feira, foi postergado após o presidente da CCJ, deputado Rodrigo Amorim (União Brasil), acionar o artigo 268-B do regimento interno, garantindo à defesa o prazo de 48 horas para apresentar suas alegações. A justificativa adiou apenas o inevitável: a entrada da crise institucional no centro da pauta do Legislativo fluminense.

Amorim vota pela soltura e obriga comissão a produzir parecer

Logo na abertura da sessão desta segunda, Rodrigo Amorim surpreendeu parte dos presentes ao votar pela soltura do colega. Segundo ele, a análise deveria ser estritamente técnica e transparente, “para que todos possam acompanhar”.

Seu voto, contudo, teve um efeito imediato no rito: como o processo só seria encerrado na própria CCJ se houvesse unanimidade pela manutenção da prisão, a divergência obriga agora a elaboração de um Projeto de Resolução. Esse documento deverá indicar ao plenário se Bacellar deve seguir preso e afastado do mandato — ou se a Casa considera necessário relaxar a prisão.

O parecer, que ainda será redigido por um relator escolhido entre os sete integrantes da comissão, funciona como a posição oficial da CCJ sobre a decisão do ministro Alexandre de Moraes. Embora tenha peso político, o texto não vincula o plenário.

Caminho até o plenário

A votação final está marcada para as 15h desta segunda-feira, quando os 69 deputados estaduais irão decidir o destino de Bacellar. Para que a prisão seja relaxada, são necessários ao menos 36 votos favoráveis. A sessão promete tensão e forte pressão pública, especialmente diante da responsabilidade constitucional do Legislativo de referendar ou não prisões em flagrante de parlamentares por crimes inafiançáveis.

Entre os integrantes da CCJ estão nomes de diferentes espectros políticos, o que adiciona imprevisibilidade ao desfecho:

  • Rodrigo Amorim (União Brasil) – presidente;
  • Fred Pacheco (PMN) – vice-presidente;
  • Chico Machado (Solidariedade);
  • Luiz Paulo (PSD);
  • Alexandre Knoploch (PL);
  • Elika Takimoto (PT);
  • Carlos Minc (PSB) – substituindo Vinícius Cozzolino (União Brasil), ausente.

A escolha do relator ocorre ainda durante a sessão, e sua análise se tornará peça central para embasar os votos do plenário.

Um teste para a Alerj

O caso Bacellar se soma a um histórico de embates entre o Judiciário e o Legislativo fluminense, reacendendo debates sobre transparência, responsabilidade institucional e os limites da imunidade parlamentar. Para setores progressistas, a votação desta tarde será também um termômetro da disposição da Alerj em se posicionar de forma firme diante de suspeitas envolvendo figuras de poder, evitando que alianças políticas se sobreponham ao interesse público.

Independentemente do resultado, a decisão promete marcar o clima político do Rio de Janeiro nas próximas semanas — e colocar a Assembleia sob os holofotes de todo o país.

Via Rio Carta*

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Vetos de Michelle expõe racha no PL https://www.ocafezinho.com/2025/12/03/vetos-de-michelle-expoe-racha-no-pl/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/03/vetos-de-michelle-expoe-racha-no-pl/#respond Wed, 03 Dec 2025 18:02:07 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222477 A articulação no Rio e no Ceará evidencia o crescimento da influência de Michelle e expõe divergências entre grupos que defendem pragmatismo eleitoral

O universo político do PL vive dias de tensão — e de certo constrangimento — diante do novo movimento de Michelle Bolsonaro, que parece cada vez mais à vontade para ocupar o espaço que o marido, hoje preso, não pode exercer. Em tom que soa quase como candidatura não declarada, a ex-primeira-dama decidiu estender sua lista de proibições internas e agora tenta barrar também qualquer aproximação da sigla com Eduardo Paes (PSD) na disputa pelo governo do Rio de Janeiro em 2026.

A articulação, revelada por Igor Gadelha, do Metrópoles, tem causado ruído entre dirigentes do partido, que veem Michelle agir como se fosse a verdadeira líder do bolsonarismo — mesmo sem mandato e sem a legitimidade eleitoral que Bolsonaro sempre reivindicou para si. Apesar disso, ela segue repetindo a aliados que simplesmente “não engole” Paes e promete trabalhar pessoalmente para impedir qualquer acerto político com o atual prefeito do Rio.

Michelle convoca Malafaia para reforçar veto

Nos bastidores, Michelle afirma que tratará do assunto “no momento oportuno” com Silas Malafaia, pastor de forte influência entre evangélicos e aliado histórico da família Bolsonaro. A expectativa da ex-primeira-dama é que Malafaia ajude a bloquear o acordo no Rio — uma tarefa que pode ser delicada, já que ele mantém boa relação com o próprio Paes.

Desse jeito a Michelle vai é desbancar a ninhada do Bolsonaro que continuam malucos com a ideia de alianças com centristas e esquerdistas que jogaram Jair Bolsonaro num presídio.”

“É isso o que o povo quer!

Ciro Gomes e Eduardo Paes é o cacete”

— Oliver Noronha (@OliverNoronha) December 2, 2025″

Enquanto cresce a impressão de que Michelle tenta conduzir o partido com mão firme, lideranças do PL admitem desconforto com o tom e com a disposição da ex-primeira-dama de atuar como fiadora de decisões estratégicas. Para alguns, o movimento soa como exagero — para outros, como um ensaio de protagonismo num campo político carente de comando desde a prisão de Jair Bolsonaro.

Paes defende diálogo com PL e cita acordo

A polêmica ganhou corpo depois que Eduardo Paes declarou publicamente não ter dúvidas de que marcharia politicamente ao lado de Altineu Côrtes (PL-RJ), presidente estadual do partido. O prefeito afirmou, durante evento em outubro, que a união seria “por amor ao estado do Rio de Janeiro”.

A negociação envolve, de um lado, o apoio do PL a Paes na disputa pelo governo fluminense; de outro, o empenho do prefeito na tentativa de eleger Cláudio Castro (PL) ao Senado. Uma troca política comum no tabuleiro eleitoral, mas que encontrou a resistência imediata de Michelle.

A crise no Ceará reacende a disputa pelo comando

A interferência da ex-primeira-dama não se limita ao Rio. No domingo, ela também criticou a aproximação entre o PL do Ceará e Ciro Gomes, que ocorreu durante o lançamento da pré-candidatura de Eduardo Girão (Novo) ao governo estadual. A articulação, conduzida por André Fernandes, irritou profundamente os filhos de Bolsonaro — Flávio, Carlos e Eduardo —, que acusaram Michelle de “desautorizar” o ex-presidente.

O clima ficou tão pesado que Flávio Bolsonaro irá pessoalmente à prisão nesta terça-feira (2) para pedir ao pai que “segure” Michelle e a faça recuar dos ataques à aliança cearense. Depois da visita, o PL se reunirá para, segundo integrantes da sigla, “enquadrar” a ex-primeira-dama, lembrando que a presidência do PL Mulher é subordinada à Executiva Nacional e que decisões estratégicas cabem — ao menos oficialmente — a Jair Bolsonaro.

Expectativa por recuo no encontro de quinta-feira

A orientação interna é clara: quando Michelle visitar o marido na quinta-feira, ele próprio deverá pedir que ela recue. Dirigentes esperam que Bolsonaro restaure alguma ordem na sigla, ainda que a situação exponha o quanto o bolsonarismo se fragmentou sem sua figura ativa no comando.

Enquanto isso, segue a impressão de que Michelle se movimenta como quem prepara terreno para algo maior — e que o PL, dividido entre pragmatismo eleitoral e lealdade à família Bolsonaro, tenta lidar com uma liderança improvisada que nem todos pediram, mas que insiste em ocupar os holofotes.

Via Rio carta*

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Castro e Flávio Bolsonaro lideram primeiros cenários para Senado no Rio https://www.ocafezinho.com/2025/12/03/castro-e-flavio-bolsonaro-lideram-primeiros-cenarios-para-senado-no-rio/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/03/castro-e-flavio-bolsonaro-lideram-primeiros-cenarios-para-senado-no-rio/#respond Wed, 03 Dec 2025 17:56:40 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222473 Levantamento do Real Time Big Data mostra equilíbrio entre aliados do bolsonarismo e presença consistente de nomes ligados ao campo progressista

A corrida pelo Senado no Rio de Janeiro em 2026 já começa a ganhar forma, e os primeiros números revelam um cenário competitivo marcado pela força de nomes ligados à direita fluminense — ainda que a presença de figuras tradicionais do campo progressista mantenha viva a esperança de um debate mais plural. Segundo levantamento do instituto Real Time Big Data, divulgado nesta quarta-feira (3), o governador Cláudio Castro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparecem nas primeiras posições em todos os cenários testados.

A pesquisa ouviu 1.500 pessoas entre os dias 1º e 2 de dezembro, com margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos. Em 2026, dois terços das cadeiras do Senado serão renovados, o que significa que dois parlamentares serão escolhidos pelo eleitorado do Rio.


Primeiro cenário: empate entre aliados do bolsonarismo

No quadro inicial, Castro e Flávio Bolsonaro surgem com 27% cada, num empate que reafirma o peso do bolsonarismo no estado. Mais atrás, mas ainda com números expressivos, aparece o deputado Pedro Paulo (PSD), com 12%, seguido de perto por Marcelo Crivella (Republicanos) e Benedita da Silva (PT), ambos com 11%. O deputado Otoni de Paula (sem partido) registra 2%.


Segundo cenário: governador abre pequena vantagem

Quando o instituto retira alguns nomes e reorganiza a lista, Cláudio Castro assume a liderança com 30%, enquanto Flávio Bolsonaro aparece logo atrás, somando 29%. Nesse desenho, Pedro Paulo cresce para 14%, e Benedita da Silva também avança, chegando a 13%, mostrando que ainda há espaço para discursos mais comprometidos com políticas sociais no debate público fluminense.


Terceiro cenário: vantagem consolidada de Castro

No terceiro panorama testado, o governador amplia a dianteira e marca 31%Pedro Paulo aparece com 17%, seguido pelo senador Carlos Portinho (PL), que registra 14%. A deputada Benedita da Silva mantém estabilidade, permanecendo com 13%, número que indica fidelidade de seu eleitorado histórico.


Último cenário: novo empate na ponta

No cenário final, a disputa entre os dois nomes do PL volta a se equilibrar: Castro e Flávio Bolsonaro surgem empatados com 28% cada. Já Marcelo Crivella e o ex-deputado Alessandro Molon (PSB) dividem a terceira posição, ambos com 15%, o que sugere que, apesar da polarização, ainda há espaço para alternativas mais progressistas se consolidarem até 2026.


O que os números revelam

Os resultados mostram um Rio de Janeiro ainda fortemente influenciado pelos grupos políticos que dominaram os últimos anos, mas ao mesmo tempo revelam sinais de resistência e reorganização de setores mais comprometidos com agendas sociais e democráticas. A presença competitiva de nomes como Benedita da Silva e Alessandro Molon indica que, mesmo em um ambiente duro, marcado pelo desgaste institucional e pela força da máquina estadual, existe margem para narrativas mais inclusivas disputarem o debate público.

Com dois assentos em jogo e um eleitorado historicamente volátil, o Rio deve protagonizar uma das disputas mais acirradas do Senado em 2026. A pesquisa, embora inicial, já desenha um retrato de um estado dividido entre continuidade e renovação — e com muito espaço para mudanças conforme a eleição se aproxima.

Via Rio Carta*

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Pressão política falha e PL da anistia segue parado https://www.ocafezinho.com/2025/11/27/pressao-politica-falha-e-pl-da-anistia-segue-parado/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/27/pressao-politica-falha-e-pl-da-anistia-segue-parado/#respond Thu, 27 Nov 2025 16:43:20 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222056 A falta de consenso entre relator, PL e demais bancadas impede a apresentação de um novo texto, mantendo indefinida a votação do projeto que divide o Congresso

A pressão da ala bolsonarista na Câmara não foi suficiente para acelerar o debate sobre o PL da dosimetria — antigo PL da anistia — e o tema segue sem data para chegar ao plenário. Mesmo após novos encontros e tentativas de negociação, o relator, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), afirma que ainda não há consenso mínimo para apresentar um substitutivo.

Nova rodada de conversas não avança e clima continua travado

Nesta terça-feira, Paulinho da Força se reuniu novamente com representantes do PL, que insistem em uma anistia “ampla, geral e irrestrita”. Assim como nas conversas anteriores, o diálogo não produziu acordo. O relator reafirmou que esse formato de anistia não será pautado, frustrando aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que tentavam aproveitar o momento político para pressionar pela votação ainda nesta semana.

A estratégia dos bolsonaristas esbarra na falta de unidade dentro da própria Câmara. A aposta do PL agora é tentar aprovar um destaque durante a votação em plenário, caso o texto principal avance. Mas a jogada é considerada arriscada: se o destaque for rejeitado, a tese da anistia irrestrita fica definitivamente enterrada.

Centrão freia articulação e teme reação do Supremo

Parlamentares do Centrão veem a movimentação com cautela e afirmam que votar o PL neste momento seria esticar a corda com o Supremo Tribunal Federal. Para eles, aprovar um projeto que interfira diretamente em decisões da Justiça pode ser interpretado como afronta institucional. A avaliação predominante é que o tema poderia até voltar ao debate, mas somente no ano que vem, em meio ao calendário eleitoral — quando o clima político favorece esse tipo de disputa simbólica.

A bancada bolsonarista, por outro lado, pretende usar justamente o cenário eleitoral para pressionar deputados do Centrão, tentando convencê-los de que assumir uma defesa aberta de Bolsonaro renderia votos de segmentos fiéis ao ex-presidente.

Prisão de Bolsonaro intensifica tensão no Congresso

O impasse legislativo se desenrola em meio à repercussão da prisão de Jair Bolsonaro. Nesta terça-feira, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou o início do cumprimento da pena de 27 anos e 3 meses imposta ao ex-presidente, que deve permanecer na sede da Polícia Federal em Brasília.

Bolsonaro foi condenado por supostamente comandar uma tentativa de golpe de Estado no final de 2022 e início de 2023. Até então, havia dúvidas sobre se ele seria enviado para a Papuda, para uma cela da PF ou para um quartel militar. A decisão de Moraes também ordena comunicar o Superior Tribunal Militar e determina a perda da patente militar do ex-presidente.

O STF decretou o trânsito em julgado depois que a defesa não apresentou novos recursos. Uma semana antes, o Supremo havia publicado o acórdão que rejeitou os embargos declaratórios apresentados por Bolsonaro e outros sete réus na ação penal do golpe.

Enquanto o ex-presidente inicia o cumprimento da pena, sua base política tenta transformar o episódio em bandeira para mobilizar apoios — movimento que, ao mesmo tempo, aprofunda divisões no Congresso e adia qualquer solução sobre o PL da anistia.

Com informações de Antagonista*

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Candidata de esquerda do Chile muda a campanha https://www.ocafezinho.com/2025/11/21/candidata-de-esquerda-do-chile-muda-a-campanha/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/21/candidata-de-esquerda-do-chile-muda-a-campanha/#respond Fri, 21 Nov 2025 17:12:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221725 A equipe de Jara aposta em novos rostos, de ex-ministros a influenciadores, para reverter desvantagem nas pesquisas

A corrida presidencial chilena ganha novos contornos a poucas semanas do decisivo segundo turno, marcado para o próximo mês. Jeannette Jara, a candidata de esquerda que corre como azarão na disputa, promoveu uma reformulação profunda na liderança de sua campanha, em um movimento claro para injetar novo ânimo e ampliar seu alcance em um cenário eleitoral polarizado.

A medida vem dias após seu adversário, o ultraconservador José Antonio Kast, atrair o foco com a contratação de respeitados nomes do establishment econômico, dando um impulso percebido como favorável aos investidores em sua plataforma. Em resposta, Jara, que defende bandeiras como o fortalecimento da segurança pública, a reforma do sistema público de saúde e o aumento da renda mínima para os mais pobres, buscou uma reoxigenação estratégica para a reta final.


Mudança de foco e nova coordenação

A principal alteração foi anunciada por Jara à imprensa na última sexta-feira: a nomeação de Paulina Vodanovic, a influente líder do Partido Socialista, como a nova coordenadora-geral de campanha. Essa decisão veio um dia após o pedido de renúncia do seu principal assessor, Darío Quiroga. Segundo Jara, a saída de Quiroga e a subsequente reestruturação fazem parte de uma iniciativa deliberada “para fortalecer a equipe e mudar o foco da campanha”. A intenção é clara: sinalizar dinamismo e capacidade de autocrítica.

A nova formação da equipe de Jara busca conciliar a experiência política com a representatividade de diversos setores. No vital grupo econômico, o nome de peso é o do ex-senador e ex-ministro Carlos Ominami. A estratégia da campanha será coordenada pelo senador do Partido Comunista, Daniel Núñez. Já como porta-vozes, a equipe contará com a experiência política dos ex-ministros Alejandra Krauss e Francisco Vidal. Nas relações internacionais, o ex-ministro das Relações Exteriores, Heraldo Muñoz, ganha o reforço de Tomás Rementería.


Abrindo as portas para a sociedade civil

Consciente de que a vitória exige mais do que apenas o apoio da estrutura partidária, a candidata busca ativamente ampliar o seu apelo para além dos círculos políticos tradicionais. Jara anunciou que está incorporando pessoas de fora da política em funções específicas, incluindo atores e músicos, ao lado de influenciadores de mídia social e atletas.

Esta estratégia se alinha com o desafio de mobilizar um eleitorado ainda disperso. Os resultados do primeiro turno, realizados no último domingo, apontaram um cenário de forte fragmentação: Jara obteve 26,9% dos votos, enquanto Kast ficou logo atrás com 23,9%, segundo o órgão eleitoral Servel. A matemática eleitoral é inequívoca: a chave para o Palácio de La Moneda está na metade do eleitorado que não votou em nenhum dos dois — e naqueles que optaram pela abstenção ou votos nulos.

Em um tom de reconhecimento e de prospecção, Jara fez um apelo direto a este segmento da população:

“Metade das pessoas não votou em Kast nem em mim. Vou entrar em contato com a outra metade que não votou em mim — eles são minha prioridade.”

Com as pesquisas recentes indicando que ela está atrás de Kast – cuja plataforma promete reduzir drasticamente a burocracia, cortar impostos corporativos, combater o crime e deportar milhares de imigrantes ilegais – a revitalização da campanha de Jeannette Jara é vista como um movimento de sobrevivência e uma tentativa de última hora para reconquistar a confiança dos eleitores que buscam uma alternativa progressista para o futuro do Chile.

Com informações de Bloomberg*

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Confira as principais notícias da política! https://www.ocafezinho.com/2025/11/20/confira-as-principais-noticias-da-politica/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/20/confira-as-principais-noticias-da-politica/#respond Thu, 20 Nov 2025 16:51:52 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221650 A política brasileira vive dias decisivos, marcados pela indicação de Jorge Messias ao STF, o avanço de ações contra Bolsonaro, fraudes bilionárias, alertas sobre racismo e novas tensões no Congresso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou, nesta quinta-feira (20), aquilo que já era tratado como certo nos bastidores de Brasília: a escolha do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi comunicada pessoalmente ao jurista durante uma reunião reservada no Palácio da Alvorada, onde o petista fechou os últimos detalhes de sua terceira indicação à Corte desde o início do atual mandato.

Com o anúncio, Messias se junta ao ministro Flávio Dino — que substituiu Rosa Weber — e ao ministro Cristiano Zanin — indicado para a vaga deixada por Ricardo Lewandowski — como parte da renovação promovida por Lula no Supremo. Nos bastidores do Planalto, o nome de Messias sempre foi tratado como o favorito do presidente, apesar de articulações paralelas no Senado e no próprio Judiciário.

Entre essas movimentações, estava a possível candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que contava com o apoio de figuras influentes, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AL), e de ministros do próprio STF. A escolha presidencial, porém, prevaleceu.

Conheça Jorge Messias, o novo indicado de Lula para o STF

Jorge Messias é procurador da Fazenda Nacional desde 2007, integrante de carreira da AGU e pernambucano de 44 anos. Ganhou destaque no terceiro mandato de Lula, quando assumiu o comando da Advocacia-Geral da União e passou a atuar como principal conselheiro jurídico do presidente. Foi dele a responsabilidade de representar Lula em ações importantes no STF, estreitando ainda mais a relação entre ambos.

Além de sua atuação técnica, Messias construiu conexões com segmentos estratégicos da sociedade. Membro da Igreja Batista, tornou-se um interlocutor do governo com o público evangélico — grupo que, em geral, mantém grande resistência ao PT. Sua religiosidade foi considerada um trunfo quando Lula o escolheu para chefiar a AGU. A aproximação com esse eleitorado ficou clara quando se tornou o único representante do governo federal presente na Marcha para Jesus, evento que reúne milhões de fiéis e diversas lideranças conservadoras, como o governador paulista Tarcísio de Freitas.

Urgente! Acórdão do STF já prevê Bolsonaro atrás das grades nos próximos dias

ex-presidente Jair Bolsonaro preso
Reprodução

A possibilidade de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o início do cumprimento da pena do ex-presidente Jair Bolsonaro ganhou força após a divulgação do acórdão que rejeitou os primeiros recursos apresentados pela defesa. O documento, publicado nesta terça-feira (11), reorganiza prazos, reabre etapas processuais e amplia o espaço para uma decisão monocrática ainda nesta semana.

As informações foram publicadas originalmente pela Folha de S.Paulo, que ouviu especialistas em direito processual penal para analisar os efeitos diretos da publicação do acórdão e a margem de manobra que Moraes passa a ter a partir deste ponto.

O acórdão trata dos primeiros embargos de declaração apresentados pela defesa contra a condenação de Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão pela tentativa de golpe de Estado. Com a conclusão dessa fase, a defesa pode recorrer novamente com embargos de declaração ou tentar apresentar embargos infringentes. No entanto, esse segundo instrumento só pode ser aceito quando há ao menos dois votos divergentes — e, no caso, quatro ministros votaram pela condenação, enquanto apenas Luiz Fux manifestou-se pela absolvição.

PF apreende R$ 230 milhões em bens e avança em investigação sobre fraude bilionária envolvendo Banco Master e BRB

O controlador do Master, Daniel Vorcaro, foi preso na segunda-feira (17)
O controlador do Master, Daniel Vorcaro / Reprodução

A Polícia Federal apreendeu aproximadamente R$ 230 milhões em bens durante a operação que investiga suspeitas de fraude envolvendo executivos do Banco Master e do Banco de Brasília (BRB). As informações foram divulgadas pelo g1. As apurações apontam que o esquema teria utilizado a estrutura do Master para vender títulos falsificados e oferecer investimentos com promessas de rentabilidade acima da realidade do mercado financeiro, levando à abertura da Operação Compliance Zero.

O controlador do Master, Daniel Vorcaro, foi preso na segunda-feira (17) após tentar deixar o país em uma aeronave particular. Segundo a PF, o banqueiro mantinha um padrão de vida marcado por bens de luxo e uma frota própria de aviões. Outros seis executivos ligados ao banco também foram detidos na operação, que apura fraudes na emissão de papéis repassados ao BRB e a comercialização de CDBs com promessa de retorno até 40% superior à taxa básica — oferta considerada inviável pelas autoridades.

As investigações estimam que o esquema pode ter movimentado até R$ 12 bilhões, valor que coloca o caso entre os maiores já investigados envolvendo instituições financeiras e fundos públicos de previdência.

Palmares fala em avanços, mas alerta para racismo sistêmico no país

Abdias Nascimento foi escritor, dramaturgo, artista plástico, professor universitário, político e ativista dos direitos civis e humanos das populações negras brasileiras.
Valter Campanato/ Agência Brasil

A comemoração do Dia da Consciência Negra, neste 20 de novembro, data em que é lembrada a morte de Zumbi dos Palmares, é uma demonstração de que houve avanços “extraordinários” no país nos últimos 60 anos em termos de igualdade racial. Essa é a avaliação do presidente da Fundação Palmares, João Jorge Santos Rodrigues.

À Agência Brasil, Rodrigues celebrou que o resultado das lutas do movimento negro e de lideranças como Abdias Nascimento e Lélia Gonzalez foi o avanço na construção de uma sociedade mais democrática. O presidente da fundação também advertiu, entretanto, que o cenário continua a não ser o ideal, apesar de conquistas que ele destaca, como as cotas raciais, a criação do Ministério da Igualdade Racial e a proteção a territórios quilombolas demarcados.

Abdias Nascimento foi escritor, dramaturgo, artista plástico, professor universitário, político e ativista dos direitos civis e humanos das populações negras brasileiras. Da mesma forma, Lélia Gonzalez foi uma intelectual, autora, ativista, professora, filósofa e antropóloga brasileira, considerada uma referência nos estudos e debates de gênero, raça e classe no Brasil e no mundo.

Câmara diz que não foi informada sobre saída de Ramagem do país

Ramagem
Tomaz Silva/Agência Brasil

A Câmara dos Deputados informou nesta quinta-feira (20) que a Casa não foi comunicada sobre a saída do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) do país.

A manifestação foi divulgada após o site PlatôBR informar que Ramagem está em Miami, nos Estados Unidos. Ele foi filmado pela equipe do site enquanto entrava em um condomínio da cidade norte-americana.

Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Bolsonaro, Ramagem foi condenado na ação penal da trama golpista a 16 anos de prisão e recorre em liberdade.

Durante a investigação, Ramagem foi proibido pelo ministro Alexandre de Moraes de sair do país e teve que entregar todos os passaportes nacionais e estrangeiros.

Governo revê estratégia em disputa sobre lei anticrime

Lula
A reação de Lula ao texto da lei anticrime abriu atritos com a Câmara e reacendeu dúvidas sobre a estratégia adotada pelo governo em temas sensíveis da segurança pública / Agência Brasil

A recente movimentação do governo federal para lidar com o chamado Marco Legal de Combate ao Crime Organizado provocou um ponto de tensão entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e parte de sua base política. Interlocutores próximos ao Planalto avaliam que Lula pode ter se precipitado ao tentar aplicar à área de segurança pública a mesma lógica adotada na polêmica PEC da Blindagem — estratégia que funcionou em um cenário, mas que pode se mostrar contraproducente em outro.

Na ocasião da PEC, Lula orientou o PT a rejeitar o texto por entender que a proposta era impopular e contrária ao sentimento da maioria dos brasileiros. A postura acabou prevalecendo: o Senado engavetou a medida antes mesmo de ela ser apreciada em plenário. No governo, o episódio foi visto como uma vitória tática — a oposição não avançou e o desgaste político foi mínimo.

Agora, no entanto, o contexto é outro. Lula se contrariou ao ver o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), entregar a relatoria da Lei Antifacção a um opositor e passar a criticar publicamente o projeto construído pelo próprio Legislativo. O presidente cogita repetir a ofensiva política que usou na PEC da Blindagem, mas aliados avaliam que o risco pode ser maior do que o retorno.

Isso porque, ao contrário da PEC engavetada pelos senadores, o chamado PL Antifacção — rebatizado como Marco Legal de Combate ao Crime Organizado — tem potencial de receber apoio popular expressivo. O endurecimento das punições contra facções criminosas dialoga diretamente com uma das maiores preocupações do país: a segurança pública. E, diferentemente do que ocorreu no caso anterior, o Senado não deve arquivar o texto. A previsão é que haja mudanças, sim, mas com aprovação garantida.

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A deselegância nada discreta de Merz https://www.ocafezinho.com/2025/11/18/a-deselegancia-nada-discreta-de-merz/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/18/a-deselegancia-nada-discreta-de-merz/#respond Tue, 18 Nov 2025 13:30:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221518 Primeiro-ministro alemão compara Alemanha ao Brasil e diz ter ficado feliz ao ir embora de Belém

Em um exemplo de deselegância diplomática, o chanceler alemão Friedrich Merz usou um discurso no Congresso Alemão do Comércio, no dia 13 de novembro, para estabelecer uma comparação depreciativa entre o Brasil e a Alemanha, soando mais como um turista descontente do que como um chefe de Estado.

Merz não poupou sutilezas ao declarar que seu país é um dos “mais bonitos do mundo” e, em seguida, relatar com satisfação que todos os jornalistas alemães que o acompanharam na COP30, em Belém, estavam “felizes” por deixar a cidade para trás. A declaração, que transforma uma nação soberana em mero contraponto negativo, foi feita enquanto ele pedia ao público que valorizasse a prosperidade alemã, completando um quadro de provincianismo arrogante.

A fala, transcrita e disponibilizada pelo próprio governo alemão, revela o tom do chanceler: “Senhoras e senhores, nós vivemos em um dos países mais bonitos do mundo. Perguntei a alguns jornalistas que estiveram comigo no Brasil na semana passada: ‘Quem de vocês gostaria de ficar aqui?’ Ninguém levantou a mão. Todos ficaram contentes por termos retornado à Alemanha… especialmente daquele lugar onde estávamos.” O comentário, que reduz Belém a um mero “aquele lugar”, evidencia uma falta de tato que vai muito além de uma mera gafe.

Merz frustra Planalto ao não anunciar valor para fundo climático

A deselegância de Merz, no entanto, não se limitou às palavras. Ela foi antecedida por uma postura igualmente frustrante em sua visita ao Brasil. Durante a Cúpula de Líderes da COP30, onde participou de uma reunião bilateral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o chanceler limitou-se a promessas vagas.

Apesar de elogiar a iniciativa brasileira e prometer que a Alemanha contribuiria com um “valor significativo” para o Fundo Florestas para Sempre, Merz deixou o Planalto no vácuo ao não confirmar qualquer quantia. A ausência de um anúncio concreto foi interpretada como uma manobra para evitar um comprometimento real com o fundo, mostrando que, para além das palavras pouco corteses, a postura prática também deixou a desejar.

O contraste é revelador: na mesma semana em que, em solo brasileiro, defendeu que “a proteção climática e o desenvolvimento da economia devem andar juntos”, Merz usou o palco em seu país para fazer uma graça barata às custas da nação anfitriã. Uma combinação de arrogância e ineficiência que não passou despercebida.

Confira também na BBC News e DW em 17/11/2025

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