PP - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/pp/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Thu, 05 Mar 2026 19:54:51 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png PP - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/pp/ 32 32 Mensagens indicam proximidade entre dono do Banco Master e Ciro Nogueira https://www.ocafezinho.com/2026/03/05/mensagens-indicam-proximidade-entre-dono-do-banco-master-e-ciro-nogueira/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/05/mensagens-indicam-proximidade-entre-dono-do-banco-master-e-ciro-nogueira/#respond Thu, 05 Mar 2026 19:54:46 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=226696 Mensagens extraídas do celular do empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, indicam uma relação próxima com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas. Nos diálogos, Vorcaro descreve o parlamentar como um “grande amigo de vida” e comemora uma proposta apresentada por ele no Congresso que, segundo o empresário, teria potencial de provocar forte impacto no sistema financeiro.

As conversas incluem trocas com a influenciadora e blogueira Martha Graeff, então namorada de Vorcaro. Em uma das mensagens, enviadas em maio de 2024, o empresário diz que gostaria de apresentá-la ao senador. “Um dos meus grandes amigos de vida”, escreveu ao se referir a Ciro Nogueira.

Meses depois, em agosto, Vorcaro volta a mencionar o senador em um tom entusiasmado ao comentar uma iniciativa legislativa apresentada por ele. “Ciro soltou um projeto de lei agora que é uma bomba atômica no mercado financeiro”, escreveu. Na sequência, explicou que a proposta “ajuda os bancos médios e diminui o poder dos grandes”.

Na ocasião, o senador havia protocolado uma emenda que ampliava o valor de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. O texto foi apresentado no contexto da proposta de emenda à Constituição que tratava da autonomia do Banco Central.

No mercado financeiro, a iniciativa ficou conhecida como “emenda Master”, por beneficiar diretamente a estratégia do Banco Master. A instituição oferecia certificados de depósito bancário (CDBs) com rendimento que chegava a 140% do CDI e utilizava, em sua comunicação com investidores, o argumento de que os investimentos estavam protegidos pelo FGC.

A proposta acabou não avançando no Congresso após resistência de grandes bancos e de entidades do setor financeiro.

As mensagens também mostram interlocução entre Vorcaro e o deputado federal Fausto Pinato (PP-SP). Em um dos diálogos, o parlamentar sugere uma reunião virtual envolvendo ele, o empresário e Ciro Nogueira. “Precisamos fazer a videoconferência eu, você e Ciro”, escreveu Pinato. Vorcaro respondeu que estaria disponível para a conversa.

Outras mensagens tratam de temas pessoais e sociais. Em uma delas, Vorcaro menciona o casamento de Duda Nogueira, filha do senador, realizado em agosto de 2024, e diz que gostaria que Martha Graeff o acompanhasse na cerimônia.

Procurado, Ciro Nogueira afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que mantém conversas com muitas pessoas e que eventuais interações por mensagens não indicam relação de proximidade. O senador também declarou que não teve qualquer conduta irregular relacionada às investigações envolvendo o empresário.

“Ciro Nogueira volta a destacar que está tranquilo quanto às investigações da Polícia Federal nas denúncias que envolvem o empresário, uma vez que não mantém nem nunca manteve qualquer conduta inadequada relacionada ao caso em apuração”, disse a nota.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/03/05/mensagens-indicam-proximidade-entre-dono-do-banco-master-e-ciro-nogueira/feed/ 0
PP afasta Ministro André Fufuca após recusa a deixar o governo Lula https://www.ocafezinho.com/2025/10/08/pp-afasta-ministro-andre-fufuca-apos-recusa-a-deixar-o-governo-lula/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/08/pp-afasta-ministro-andre-fufuca-apos-recusa-a-deixar-o-governo-lula/#respond Wed, 08 Oct 2025 17:28:23 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218877 O ministro do Esporte, André Fufuca (PP-MA), foi afastado do Progressistas (PP) nesta quarta-feira (8), por decisão da cúpula nacional do partido. O anúncio foi feito pelo presidente da legenda, Ciro Nogueira, após o ministro ignorar a orientação partidária que determinava a saída de integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na mesma linha de resistência, o ministro do Turismo, Celso Sabino (União Brasil), confirmou que continuará no cargo até 2026, também desobedecendo à ordem da direção do seu partido para deixar o governo.

Em nota oficial, o Progressistas afirmou que Fufuca está afastado de todas as decisões partidárias e da vice-presidência nacional da legenda. O texto também anunciou uma intervenção no diretório estadual do Maranhão, retirando o ministro do comando da sigla no estado.

“Diante da decisão de desobedecer à orientação da Executiva Nacional do partido e permanecer no Ministério do Esporte, o ministro André Fufuca fica, a partir de agora, afastado de todas as decisões partidárias, bem como da vice-presidência nacional do partido”, diz o comunicado.

“O partido reitera o posicionamento de que não faz e não fará parte do atual governo, com o qual não nutre qualquer identificação ideológica ou programática”, completou a direção.

A decisão foi tomada dois dias depois de Fufuca participar de um evento ao lado de Lula no Maranhão, onde declarou publicamente seu apoio ao presidente.

Fufuca está à frente do Ministério do Esporte desde setembro de 2023, quando substituiu Ana Moser. A crise no partido começou no início de setembro, quando a federação formada por PP e União Brasil determinou que seus filiados deveriam deixar cargos no governo federal, fazendo parte de uma estratégia de reposicionamento político de olho nas eleições de 2026.

A decisão também foi influenciada pelo mal-estar gerado após críticas de Lula ao presidente do União Brasil, Antonio de Rueda, durante uma reunião ministerial. Ele teve seu nome ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) em uma série de reportagens publicadas pela imprensa, e tem sido pressionado internamente a romper de vez com o Planalto.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/10/08/pp-afasta-ministro-andre-fufuca-apos-recusa-a-deixar-o-governo-lula/feed/ 0
Caiado critica Ciro Nogueira e chama de “vergonhosa” tentativa de se colocar como porta-voz de Bolsonaro https://www.ocafezinho.com/2025/10/06/caiado-critica-ciro-nogueira-e-chama-de-vergonhosa-tentativa-de-se-colocar-como-porta-voz-de-bolsonaro/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/06/caiado-critica-ciro-nogueira-e-chama-de-vergonhosa-tentativa-de-se-colocar-como-porta-voz-de-bolsonaro/#respond Mon, 06 Oct 2025 19:20:57 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=218692 O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), reagiu neste domingo (6) às declarações do senador Ciro Nogueira (PP-PI) sobre a sucessão presidencial de 2026. Em publicação nas redes sociais, Caiado classificou como “vergonhosa” a postura do ex-ministro de Jair Bolsonaro, acusando-o de tentar se colocar como “porta-voz” do ex-presidente e de antecipar o apoio ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

“A ansiedade de Ciro Nogueira em se colocar como candidato a vice-presidente do governador Tarcísio é vergonhosa, e algo tão gritante que ele já se coloca como porta-voz do presidente Bolsonaro, o que ele não é”, escreveu Caiado.

O governador acrescentou que, se Bolsonaro quisesse um porta-voz, esse papel caberia à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ou a um de seus filhos.

As críticas foram uma resposta à entrevista concedida por Ciro ao Globo, em que o senador afirmou ver apenas dois nomes viáveis para a corrida presidencial de 2026: Tarcísio de Freitas e Ratinho Júnior (PSD). Segundo ele, ambos teriam “metade da rejeição de Bolsonaro” e “quase 40% de desconhecimento”, o que representaria potencial de crescimento.

Caiado rebateu dizendo que o senador tenta decidir em nome de Bolsonaro e excluir outras lideranças da direita.

“De pronto, Ciro já veta pelo menos três pré-candidaturas: as de Romeu Zema, Eduardo Bolsonaro e a minha, prestando um enorme desserviço à direita”, afirmou.

O embate ocorre em meio à federação recém-anunciada entre o União Brasil e o Progressistas, partido de Ciro Nogueira. Integrantes do União avaliam que a aliança fortalece o PP e reduz o espaço de Caiado dentro do bloco.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/10/06/caiado-critica-ciro-nogueira-e-chama-de-vergonhosa-tentativa-de-se-colocar-como-porta-voz-de-bolsonaro/feed/ 0
Cúpula do União Brasil e PP decide abandonar governo Lula https://www.ocafezinho.com/2025/09/02/cupula-do-uniao-brasil-e-pp-decide-abandonar-governo-lula/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/02/cupula-do-uniao-brasil-e-pp-decide-abandonar-governo-lula/#respond Tue, 02 Sep 2025 19:15:05 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=216688 A reunião da cúpula nacional dos partidos União Brasil e PP — que estão em processo de formação da federação União Progressista — terminou em uma guinada política contra o presidente Lula. Os dirigentes dessas siglas decidiram nesta terça-feira (2) que a grande maioria dos seus filiados deve sair do governo.

Essa resolução abrange os ministros André Fufuca (Esporte) e Celso Sabino (Turismo), deputados federais licenciados pelo PP e pelo União Brasil, que deverão deixar seus cargos. Em uma movimentação típica do centrão, os ministros Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) e Frederico de Siqueira Filho (Comunicações) permanecerão em suas cadeiras. Eles foram indicações de Davi Alcolumbre, presidente do Senado, que mantém forte aliança com o Executivo.

O PP ainda tem o comando da Caixa Econômica Federal, com Carlos Vieira. Ele foi indicado pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) e também deverá permanecer no cargo. Ainda fica difícil, portanto, prever o escopo e as consequências que a decisão do União Progressista terá para a dança das cadeiras de Brasília.

Lula já havia cobrado um posicionamento governista de seus próprios ministros (pasmem!) causando “incômodo” nas siglas. O presidente sugeriu que, se houvesse um descontentamento por parte deles em defender a gestão petista — a gestão na qual eles são integrantes do mais alto escalão —, que deixassem o cargo. Dito e feito.

Na mesma reunião em que fez essas declarações, Lula ainda afirmou que não era amigo de Antonio Rueda, líder do União Brasil, e o sentimento era recíproco do outro lado. O divórcio, portanto, já era esperado na família.

Mas parece que Fufuca e Sabino não eram a favor da dissolução da aliança política. Ambos procuraram seus correligionários para esfriar o clima na tentativa de manter seus cargos no poder. Os dois têm pretensão de concorrer ao Senado no próximo ano, e contavam com o apoio de Lula para fazer suas campanhas.

O que realmente causou espanto, porém, foi a declaração de que a nova federação irá defender a anistia dos condenados pela tentativa de golpe do dia 8 de janeiro. A ideia é que esse perdão geral seja concedido a todos os envolvidos nos ataques golpistas, mas mantenha a inelegibilidade de Bolsonaro. 

O ditado popular diz: ou se faz a barba, ou se deixa o bigode. O centrão, contudo, ainda não entendeu o recado e mantém a convicção de que aparar os pelos pela metade é a solução perfeita.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/09/02/cupula-do-uniao-brasil-e-pp-decide-abandonar-governo-lula/feed/ 0
PP vira peça decisiva em ofensiva contra Alexandre de Moraes https://www.ocafezinho.com/2025/08/09/pp-vira-peca-decisiva-em-ofensiva-contra-alexandre-de-moraes/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/09/pp-vira-peca-decisiva-em-ofensiva-contra-alexandre-de-moraes/#respond Sat, 09 Aug 2025 15:49:53 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=214899 Mesmo com baixa chance de êxito, movimento é visto como forma de pressionar o STF e desgastar a imagem do ministro mais visado pelo bolsonarismo

O retorno dos trabalhos no Congresso Nacional nesta terça-feira (5) trouxe de volta à tona um dos temas mais polêmicos do cenário político brasileiro: a tentativa de afastamento do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes por meio de um pedido de impeachment. A oposição, liderada por setores alinhados ao bolsonarismo, intensificou nos últimos dias uma articulação para reunir o número necessário de assinaturas que deem sustentação formal ao processo no Senado.

Segundo o líder do PL no Senado, Carlos Portinho, o grupo que coordena a iniciativa busca alcançar 41 assinaturas — número que representa a maioria simples da Casa — para demonstrar que a proposta não é apenas um gesto simbólico, mas sim um movimento com respaldo político consistente. Até o momento, faltam cinco assinaturas para atingir esse patamar. Dentre elas, três precisariam vir do Partido Progressista (PP), uma peça-chave nesse quebra-cabeça político.

Leia também:
Malafaia desperta suspeitas e mexe no jogo da direita
Oposição acirra ofensiva contra o Supremo no Congresso
TCU mira gastos de Eduardo Bolsonaro

O PP, atualmente integrante da base governista, ocupa o Ministério do Esporte no governo federal, o que torna sua posição especialmente delicada. A legenda firmou recentemente uma aliança estratégica com o União Brasil, partido também presente na gestão atual e historicamente ligado ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Essa aproximação partidária coloca o PP em uma encruzilhada: manter o apoio ao governo e ao presidente da Casa ou alinhar-se a um movimento que, por natureza, desafia diretamente o comando do Senado.

A pressão sobre legendas como o PP tem se intensificado justamente por elas ocuparem um espaço ambíguo no tabuleiro político. São partidos que, mesmo integrando a base aliada do governo, mantêm forte simpatia com setores do bolsonarismo, que há tempos criticam decisões de Alexandre de Moraes, especialmente aquelas envolvendo inquéritos sobre desinformação, atos antidemocráticos e medidas contra autoridades investigadas.

Com as convenções partidárias se aproximando, esse cenário pode ficar ainda mais tenso. O período eleitoral costuma ser marcado por redefinições de alianças, disputas internas e movimentos de reposicionamento. Ministros e parlamentares filiados a legendas como o PP podem ser obrigados a tomar posições mais claras, o que pode acirrar as tensões entre lealdade governista e pressão de alas mais radicais dentro de seus próprios partidos.

Apesar do esforço de articulação, especialistas e integrantes da própria cúpula do Congresso avaliam que as chances de sucesso do pedido de impeachment no Senado são mínimas. O procedimento enfrenta barreiras jurídicas e institucionais consideráveis, além de uma forte resistência por parte da presidência da Casa.

Davi Alcolumbre tem sido enfático ao afirmar que iniciativas como essa atrapalham o funcionamento do Senado. Em conversas com colegas e aliados, ele tem destacado que o momento exige foco em pautas concretas, como reformas, projetos de desenvolvimento econômico e medidas sociais, e não movimentações que possam agravar a instabilidade institucional. Para Alcolumbre, pedidos desse tipo, ainda que formalmente permitidos, acabam por consumir tempo e energia que poderiam ser usados em debates mais produtivos.

Essa posição é compartilhada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que também defende um segundo semestre voltado à produção legislativa. Em entrevista concedida na semana passada, Motta afirmou que “o país espera soluções, não crises”. Ele reforçou que o Congresso precisa manter a estabilidade para enfrentar desafios como a inflação, o emprego e a infraestrutura.

Apesar disso, a articulação em torno do impeachment de Moraes não deve ser vista apenas como um movimento jurídico. Muitos analistas entendem que se trata, sobretudo, de uma estratégia de pressão e desgaste — uma forma de colocar em xeque o poder do ministro, que tem sido uma figura central nas decisões do STF sobre temas sensíveis, como liberdade de expressão, investigações políticas e ações contra a disseminação de fake news.

Para os apoiadores do pedido, Moraes representa um excesso de poder dentro do Judiciário. Já para seus defensores, ele atua com rigor constitucional e é peça fundamental na defesa das instituições democráticas. Esse embate reflete, na prática, uma disputa mais ampla sobre os limites do poder, o papel do STF e o equilíbrio entre os três Poderes.

Enquanto o Senado volta a funcionar com sua rotina de votações e audiências, o debate em torno do impeachment de Moraes permanece como um dos sinais mais claros de que, mesmo sem grandes chances de êxito, a oposição não pretende recuar de sua ofensiva simbólica. A busca por assinaturas, especialmente no PP, será observada de perto nos próximos dias — não apenas por parlamentares, mas por todos que acompanham de perto os movimentos que podem, ainda que indiretamente, influenciar o rumo da política nacional.

No fim das contas, mesmo que o processo não prospere, o simples fato de estar em pauta já revela o clima de tensão que continua a marcar as relações entre os Poderes.

Oposição alcança 41 assinaturas para impeachment de Moraes, mas Alcolumbre mantém posição de bloqueio

Na quinta-feira (7), a oposição no Senado alcançou um marco simbólico: a coleta das 41 assinaturas necessárias para protocolar um pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes. O número, que representa a maioria simples da Casa, foi selado com a adesão do senador Laércio Oliveira (PP-SE), anunciada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), principal articulador da iniciativa. A conquista encerrou uma ocupação simbólica do plenário do Senado que durava desde o início da semana — um ato de protesto contra a decisão de Moraes que determinou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, na segunda-feira (4).

Com a chegada da 41ª assinatura, os senadores oposicionistas decidiram encerrar a mobilização no plenário, mas mantiveram o discurso de confronto institucional. Para eles, o ato não se trata apenas de uma retaliação jurídica, mas de um recado político: a insatisfação com o que consideram um “ativismo judicial” crescente por parte do ministro, especialmente em temas que envolvem liberdade de expressão, investigações políticas e o uso de medidas cautelares contra autoridades.

Apesar do alcance formal do número necessário para viabilizar o andamento do processo, a iniciativa deve permanecer paralisada — e o principal obstáculo está no gabinete do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Durante uma reunião com líderes partidários da base governista, da oposição e parlamentares como Marinho, Tereza Cristina (PP-MS) e Marcos Rogério (PL-RO), Alcolumbre foi enfático: “Nem se tiver 81 assinaturas [todas as cadeiras do Senado], ainda assim não pauto impeachment de ministro do STF para votar.”

A declaração, registrada pelo jornal O Estado de S. Paulo, deixou claro que, independentemente do apoio formal entre os senadores, o processo não será colocado em pauta. Alcolumbre tem reiterado que movimentos dessa natureza desviam o foco do Congresso de pautas essenciais para o país, como reformas econômicas, projetos sociais e ações de combate à inflação e ao desemprego. Para ele, o momento exige maturidade institucional, não espetáculos políticos que possam agravar a tensão entre os Poderes.

A posição do presidente do Senado, no entanto, tem gerado reações distintas. Enquanto setores da base aliada ao governo Lula comemoram a garantia de que o STF não será alvo de pressão direta, parlamentares da oposição acusam Alcolumbre de cercear o debate democrático. “Se a maioria da Casa quer discutir o assunto, por que impedir?”, questionou um senador ligado ao PL, sob condição de anonimato. “Isso fere o princípio do parlamentarismo.”

Pressão cresce sobre partidos da base

O alcance das 41 assinaturas colocou sob holofote os partidos que, mesmo integrando a base governista, mantêm vínculos ideológicos e eleitorais com o bolsonarismo. É o caso do PP, que, além de ocupar o Ministério do Esporte, tem no seu bojo parlamentares que demonstraram insatisfação com decisões recentes do ministro Moraes. A adesão de Laércio Oliveira foi vista como um sinal de que fissuras podem existir mesmo dentro da coalizão que sustenta o governo.

Com as convenções partidárias se aproximando — momento em que legendas definem coligações, colorem alianças e escolhem candidatos —, a pressão sobre esses partidos tende a aumentar. Ministros e parlamentares filiados a siglas como PP e União Brasil podem ser forçados a escolher entre lealdade ao governo federal e sintonia com as bases eleitorais que ainda veem em Bolsonaro um líder político central.

“É um jogo de equilíbrio perigoso”, disse um analista político com atuação em Brasília. “Eles querem os cargos, mas não podem ignorar os eleitores. Nas convenções, essa tensão vai explodir. Alguns podem até sair do governo.”

Como funciona o impeachment de ministros do STF

Apesar da repercussão política, é importante lembrar que o processo de impeachment de um ministro do STF é extremamente raro — e nunca foi concluído com sucesso na história do Brasil. A possibilidade está prevista na Lei 1.079/1950, que define os crimes de responsabilidade e estabelece o rito para o afastamento de autoridades, incluindo ministros da Corte.

O caminho é longo e complexo: o pedido precisa ser protocolado na Mesa Diretora do Senado. O presidente da Casa — no caso, Alcolumbre — tem o poder de aceitar ou arquivar a iniciativa. Se aceito, o tema vai a uma comissão especial, que tem até 10 dias para emitir um parecer. Esse parecer é então levado ao plenário, onde precisa de 41 votos para ser aprovado e dar início ao processo formal. Nesse momento, o ministro é afastado provisoriamente.

A etapa final exige um quórum qualificado: dois terços dos senadores em exercício, ou seja, 54 votos, para a cassação definitiva do cargo e a possível inelegibilidade por até oito anos.

Um precedente histórico, mas não um impeachment

Em 134 anos de existência do STF, nenhum ministro foi afastado por impeachment. O caso mais próximo ocorreu em 1894, quando o Senado rejeitou a indicação de Cândido Barata Ribeiro, nomeado pelo presidente Floriano Peixoto. Na época, a regra permitia que o indicado assumisse o cargo antes da confirmação parlamentar. Barata Ribeiro, médico e ex-prefeito do Rio de Janeiro, chegou a atuar por 11 meses, mas foi afastado sob o argumento de que não possuía o “notório saber jurídico” exigido pela Constituição.

Desde então, nenhuma tentativa similar chegou sequer perto do plenário. O atual movimento, portanto, é inédito em sua dimensão simbólica — ainda que, na prática, esteja fadado ao impasse.

Um gesto político, não jurídico

Diante do bloqueio de Alcolumbre e da resistência da maioria dos líderes partidários, inclusive de aliados, o pedido de impeachment de Moraes é visto por muitos como mais um ato de pressão do que uma real possibilidade de afastamento. Ainda assim, tem peso: mostra que uma parcela significativa do Senado está disposta a questionar o papel do ministro, especialmente após decisões que envolveram figuras centrais do bolsonarismo.

Para o governo Lula, o episódio reforça a importância de manter o STF como uma instituição blindada de pressões diretas. Já para a oposição, trata-se de um instrumento de resistência — um lembrete de que, mesmo sem poder executivo, há formas de contestar o status quo.

O Congresso volta a funcionar com a pauta legislativa, mas a sombra do embate entre os Poderes permanece. Enquanto o país enfrenta desafios econômicos e sociais, o debate sobre limites, instituições e poder continua acirrado — e, por enquanto, sem solução à vista.

Com informações de CNN e Rádio Piatã*

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/08/09/pp-vira-peca-decisiva-em-ofensiva-contra-alexandre-de-moraes/feed/ 0
Janela Partidária 2022: Quem ganhou, quem perdeu? #webstory #webstories https://www.ocafezinho.com/2022/04/10/janela-partidaria-2022-quem-ganhou-quem-perdeu-webstory-webtories/ https://www.ocafezinho.com/2022/04/10/janela-partidaria-2022-quem-ganhou-quem-perdeu-webstory-webtories/#respond Sun, 10 Apr 2022 20:08:19 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=138956 Qual foi o saldo da janela partidária de 2022? Veja nesse web story, com análise de Miguel do Rosário.
https://www.ocafezinho.com/web-stories/janela-partidaria-2022-quem-ganhou-quem-perdeu/

VEJA MAIS WEBSTORIES O CAFEZINHO: https://www.ocafezinho.com/web-stories/

]]>
https://www.ocafezinho.com/2022/04/10/janela-partidaria-2022-quem-ganhou-quem-perdeu-webstory-webtories/feed/ 0
WEBSTORIES: Perspectivas do Centro em 2022 https://www.ocafezinho.com/2022/02/24/webstories-perspectivas-do-centro-em-2022/ https://www.ocafezinho.com/2022/02/24/webstories-perspectivas-do-centro-em-2022/#respond Thu, 24 Feb 2022 16:02:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=137171 Quais são as perspectivas do campo do Centro para 2022? Com análise de Miguel do Rosário:

https://www.ocafezinho.com/web-stories/perspectivas-do-centro-em-2022/

VEJA MAIS WEBSTORIES O CAFEZINHO: https://www.ocafezinho.com/web-stories/

]]>
https://www.ocafezinho.com/2022/02/24/webstories-perspectivas-do-centro-em-2022/feed/ 0
Eduardo Paes proíbe Uber no Rio de Janeiro https://www.ocafezinho.com/2016/11/28/eduardo-paes-proibe-uber-no-rio-de-janeiro/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/28/eduardo-paes-proibe-uber-no-rio-de-janeiro/#comments Mon, 28 Nov 2016 18:37:29 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=61400 2 Comentários 🔥]]> Eduardo Paes sancionou a lei 6.106, de autoria da vereadora Vera Iris (PP). Pelo texto, fica proibido o uso de carros particulares para transporte remunerado de pessoas na cidade. Em nota, Uber repudia a decisão. 

Na Agência Brasil

Prefeito do Rio sanciona lei que proíbe Uber

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, sancionou lei que proíbe o uso de carros particulares para o transporte remunerado de pessoas no município do Rio. A decisão foi publicada no Diário Oficial na manhã de hoje (28). O aplicativo Uber é o principal tipo de serviço nessa categoria.

Segundo a lei, ficam proibidas também as contratações e os cadastros de estabelecimentos comerciais cujos serviços incluam o uso do transporte sem a autorização e permissão da prefeitura. Em caso de descumprimento, será aplicada multa. Os serviços de transporte público individual remunerado de passageiros serão mantidos através dos veículos legalizados pelo município, cuja atividade privativa é restrita aos táxis, segundo o texto. A lei entra em vigor hoje.

Os motoristas que prestam serviços ao aplicativo, porém, estão amparados por uma decisão judicial que permite a atividade. A vereadora Vera Lins (PP) disse que vai recorrer dessa decisão ainda hoje.

O motorista Vitor Antunes, que presta serviços como motorista pelo aplicativo Uber, se mostrou confiante de que a nova lei não seja definitiva. “A gente já esperava algo do tipo, já que essa novela já vem há um bom tempo. O Uber hoje é um serviço que caiu no gosto do público, muito bem requisitado e é uma alternativa aos táxis que têm seus problemas de relacionamento com os clientes. Tem muita água para rolar ainda. Não acredito que este seja o desfecho do caso”, disse.

Antunes lembrou que muitos motoristas têm no Uber sua principal fonte de renda para sustentar as famílias. Na avaliação dele, caso o Uber seja suspenso definitivamente, muitas pessoas passarão por dificuldades financeiras.

“Afinal, os taxistas não perderam o emprego. Se isso acontecer, nós perderemos. Os táxis apenas ganharam uma concorrência. Eu, por exemplo, comprei um carro só para poder rodar pelo Uber. Se for proibido, ficarei sem dinheiro, já que fui demitido do meu emprego e essa é minha única renda atual, além de eu não estar nem na metade das parcelas do carro”.

Para José Marcos Bezerra, diretor-presidente do Conselho Regional dos Taxistas do Rio de Janeiro, o transporte clandestino, como ele classificou, tem que ser combatido já que muitos taxistas sofreram uma queda em seu rendimento graças ao avanço do Uber como opção para transporte.

“É preciso acabar com essa clandestinidade. Eles têm que ser fiscalizados, assim como somos. Não é justo não passarem pelas vistorias e exigências que passamos e tomarem nossos clientes. Tivemos uma queda de 70% graças a isso. Estamos sofrendo demais por conta dessa concorrência desleal”, lamentou.

Por meio de nota, a assessoria de imprensa do aplicativo Uber considerou que o prefeito do Rio, ao proibir o transporte em carros particulares, “ignora não só o direito” de mais de 1,2 milhão de usuários, como também decisão da Justiça que garante a atividade da empresa e seus parceiros.

Segundo a Uber, “já são mais de 30 decisões da Justiça que confirmam a legalidade dos serviços prestados pelos motoristas parceiros da Uber. Reafirmando nosso compromisso com esses usuários e parceiros, a Uber continua operando no Rio de Janeiro”.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2016/11/28/eduardo-paes-proibe-uber-no-rio-de-janeiro/feed/ 2
Protótipos da restauração neoliberal nos Estados https://www.ocafezinho.com/2016/11/23/prototipos-da-restauracao-neoliberal-nos-estados/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/23/prototipos-da-restauracao-neoliberal-nos-estados/#comments Wed, 23 Nov 2016 16:33:18 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=60598 2 Comentários 🔥]]> Por Jeferson Miola

Os planos de ajuste dos governos do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul são protótipos da oligarquia golpista para a restauração neoliberal nas esferas subnacionais de governo. Depois do ajuste draconiano na União e nos Estados, o efeito dominó finalmente atingirá os Municípios, de maneira brutal.

Os planos preconizam medidas clássicas – e historicamente fracassadas – para responder à crise das finanças públicas: [i] cancelamento de investimentos, [ii] abandono das políticas sociais, de proteção social e de desenvolvimento, [iii] extinção de órgãos públicos, [iv] demissão de funcionários, arrocho salarial e mudança previdenciária do funcionalismo, e [iv] privatização de atividades econômicas rentáveis.

No Rio, a resistência social, beneficiada pela pressão corporativa do Judiciário e MP que defendem unicamente suas regalias, privilégios e altos salários, conseguirá impedir a aprovação integral das maldades pela Assembléia Legislativa. Colabora também para isso o desmoronamento da liderança Cabral-Pezão-Cunha-Picciani-Paes no estado fluminense.

O ajuste proposto pelo governo Sartori [PMDB-PSDB-PP-PSD-PSB] no RS é mais danoso que o tentado pelo governador Pezão no RJ. Apesar disso, a maioria parlamentar que o apóia deverá aprovar a essência do plano, senão sua integralidade.

Contribuem para esta realidade [i] a tênue resistência social, [ii] a coesão do empresariado rural, industrial, comercial e financeiro em torno de um pacto anti-povo e anti-Estado, e [iii] a adesão propagandística do grupo de mídia RBS, vinculado à Rede Globo.

Além de propor a extinção de fundações das áreas da saúde, agricultura, ciência & tecnologia, economia & estatística e da Rádio e TV pública, Sartori quer privatizar empresas públicas de gás, energia elétrica e mineração. Para poder privatizar, ele propôs emenda à Constituição Estadual para eliminar a exigência democrática de se realizar plebiscito para decidir sobre a privatização de patrimônio público!

No final do século passado, outro governo do PMDB/PSDB, então com Antonio Britto, unido em semelhante coalizão partidária do atual [com exceção do PSB], foi o laboratório principal da aplicação selvagem do ajuste neoliberal do FHC nas unidades da federação.

No “laboratório RS” foram modelados os experimentos que mais tarde fizeram parte da privataria tucana em nível nacional: Britto entregou a companhia telefônica para a RBS e sócios estrangeiros e fatiou as partes lucrativas da companhia de energia elétrica para entregá-las a grupos privados.

Também naquela ocasião [1996], a RBS foi determinante para o êxito do ajuste. Tal como hoje, mentiam que o Estado alcançaria até a eternidade o equilíbrio fiscal e orçamentário com privatizações, extinção de órgãos públicos, demissões incentivadas de funcionários públicos, renegociação da dívida com a União e favores tributários a multinacionais [FORD, GM]. Aprovaram todas as medidas, porém a situação financeira do Estado ficou estruturalmente comprometida e a economia estadual segue sub-desenvolvida.

O ajuste nos Estados e Municípios é um subproduto da estratégia golpista, e resultará em retrocessos importantes para toda a população. Enquanto isso, os fatores que comprometem o equilíbrio das contas públicas e o financiamento do Estado seguem, todavia, intocados.

O ajuste mantém os privilégios do Legislativo, Judiciário, MP e das carreiras fazendárias e jurídicas do Executivo, preserva os favores fiscais e tributários ao empresariado e o comprometimento insustentável da arrecadação com o pagamento da dívida pública.

A PEC 55 [241 na Câmara dos Deputados], que retira o povo e os capítulos dos direitos sociais e econômicos da Constituição de 1998 para constitucionalizar a ditadura da agiotagem, vai exponenciar os efeitos perversos destas medidas. O golpe de Estado sintoniza o Brasil com a onda reacionária e regressiva que varre o mundo.

 

]]>
https://www.ocafezinho.com/2016/11/23/prototipos-da-restauracao-neoliberal-nos-estados/feed/ 2
Sorte de Geddel é um Brasil que sofre de amnésia https://www.ocafezinho.com/2016/11/22/sorte-de-geddel-e-um-brasil-que-sofre-de-amnesia/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/22/sorte-de-geddel-e-um-brasil-que-sofre-de-amnesia/#comments Tue, 22 Nov 2016 23:26:19 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=60551 7 Comentários 🔥]]> Estratégia antiga: A partir de agora, Geddel, que já admitiu fazer tráfico de influência no caso do apartamento que comprou no entorno do forte histórico de Salvador, ficará quieto até cair no esquecimento do povo. Em um país que se esquece com facilidade, é o melhor que ele pode fazer. 

No El País

Geddel espera a poeira baixar no deserto da nossa amnésia

Geddel Vieira Lima ainda não entregou o seu cargo de ministro. Vamos investigar as causas?

Por Andrei Roman

Não há qualquer dúvida em relação à pressão feita pelo Geddel junto ao ex-Ministro da Cultura para que o Iphan liberasse a construção de um prédio de 30 andares no entorno do forte histórico de Salvador. Também não há dúvida em relação aos interesses que motivaram essa pressão: o ministro adquiriu um apartamento no empreendimento imobiliário, avaliado em mais de 2,6 milhões de reais. Como os fatos já admitidos e verificados não poderiam enquadrar o tráfico de influência e o abuso de poder de forma mais clara, a lógica da permanência do Geddel no seu ministério não tem nada a ver com a presunção da inocência ou do suposto desencadeamento de uma investigação séria sobre o caso.

Em vez disso, estamos assistindo a mais uma manifestação da estratégia mais consagrada da política brasileira dos nossos tempos: deixando a poeira baixar. Geddel está sendo investigado por uma Comissão de Ética. Um membro pediu vista do processo, depois voltou atrás. De qualquer forma, uma decisão sobre o caso pode demorar várias semanas e mesmo condenado Geddel provavelmente continuará no cargo. A aposta do governo é que à medida que a cobertura midiática for diminuindo e outros eventos tomem espaço no debate público, salvar Geddel será bastante fácil. Trata-se, obviamente, de uma peça chave da hierarquia do poder; e a amizade pessoal e proximidade política que une Geddel e Michel Temer há décadas deve prevalecer.

Na política brasileira, deixar a poeira baixar é uma estratégia que funciona melhor que qualquer outra. Funciona tão bem, de fato, que vira quase imperceptível. É só considerar, por exemplo, o segundo evento mais importante da semana passada: Romero Jucá assumiu formalmente a liderança do governo no Congresso Nacional. Menos de seis meses atrás, Jucá, o principal articulador político do presidente Temer, se via obrigado a abandonar o Governo depois do vazamento das gravações em que estava defendendo um “pacto” com o Judiciário para “estancar a sangria” da Lava Jato. Na época, especulava-se que as gravações poderiam resultar no afastamento de Jucá do cargo de senador ou até na derrubada do governo recém instalado. Mas para a grande maioria, este episódio já foi remetido aos porões do esquecimento e, desta forma, Jucá livrou-se mais uma vez do peso do seu passado.

Alguém ainda lembra que o Jucá começou sua carreira política como indicação do Marco Maciel? Que enquanto presidente do FUNAI, o órgão encarregado pela defesa dos direitos indígenas, os territórios ianomâmis foram reduzidos em 75%? E que, pelo seu bom desempenho em defesa de garimpeiros durante o governo Sarney, o pernambucano Jucá acabou nomeado governador da área que viria a se tornar o Estado de Roraima, hoje por ele representado no Senado Federal?

Aos seus 97 anos, Aldo Mongiano, um bispo italiano que dedicou sua vida para lutar contra o genocídio dos ianomâmis, ainda lembra com muita clareza o papel central de Jucá na devastação da Amazônia. Quantos brasileiros poderiam dizer o mesmo? Os brasileiros se esquecem fácil demais. E os seus líderes aprenderam a aproveitar, esperando pacientemente depois de cada tropeço, enquanto a poeira baixa. Lula esperou a tempestade do mensalão passar e conseguiu a reeleição. Geraldo Alckmin esperou que as chuvas enchessem os reservatórios esvaziados pelo descaso – ou será que foi pela sede de ganhar mais uma eleição? Aécio espera que a Lava Jato passe sem ficar preso na onda. Igualmente Serra. Igualmente Temer. Igualmente mais da metade do Congresso.

Quanto maior o tamanho da crise, maior a necessidade de a gente esquecer para que tudo possa ficar igual. Gore Vidal uma vez falou: “Moramos nos Estados Unidos da Amnésia. Aprendemos nada porque lembramos de nada.” É a situação na qual nos encontramos. Na espera perpétua do esquecimento, a moralidade da nossa política é a moralidade da amnésia. Tudo que as pessoas esquecem está perdoado. De fato, tudo que as pessoas esquecem nem sequer aconteceu. O compasso moral da política brasileira se resume à tentativa de diminuir, com um discurso cheio de falsidades açucaradas, o incômodo cognitivo gerado pela corrupção sistêmica que lubrifica a governabilidade.

Haveria obviamente a opção de combater este incômodo através do combate frontal aos atos ilícitos ou de uma autêntica reforma política. Mas para os dinossauros do sistema, essas opções nunca farão nenhum sentido. Nas palavras do Geddel Vieira Lima: “Deixar o cargo por isso? Pelo amor de Deus!” Confrontado com as evidências do tráfico de influência e o abuso de poder por ele cometidos, Geddel vai negar o óbvio. Vai afirmar que desmantelar o patrimônio histórico de Salvador em troca do seu jacuzzi no 23º andar, com vista para o mar, é absolutamente essencial para gerar emprego num tempo de crise. Vai postergar qualquer decisão definitiva sobre o ocorrido, esperando que a neblina do tempo tome conta gradualmente da consciência coletiva. Na mente do Geddel, entregar o cargo seria uma resposta nada adequada.

No final das contas, já que nós em seguida nos esqueceremos e nos acomodaremos, qual seria o bem social decorrente do Geddel parar de ser Geddel? Em outubro passado, o eleitorado resolveu punir o PT. Com a economia em queda livre e o desemprego aumentando de forma galopante, esta foi sim uma vez em que as pessoas finalmente lembraram e agiram em decorrência disso. Lembraram das promessas falidas da eleição que Dilma teve a má sorte de ganhar. Lembraram também de uma promessa mais antiga, aquela de um partido que, por ser do povo e pelo povo, se diferenciaria de forma radical dos outros; uma promessa que acabou afogada no esgoto da Lava Jato. Mas quando a moralidade da amnésia domina, o ato de lembrar um fato por si só vira imoral. Vira imoral por ser arbitrário.

Quando nos esquecemos da maioria das coisas, lembrar só de algumas acaba gerando uma situação de patente injustiça. Os partidos com o maior número de envolvidos na Lava Jato, o PP e o PMDB, se fortaleceram ainda mais nas eleições municipais. Inúmeros prefeitos acusados de graves crimes de corrupção se elegeram. Se for lembrar só da corrupção de alguns para punir somente aqueles, esquecer e perdoar a de todos seria talvez mais justo. Certamente não seria uma saída. Mas será que tem saída alguma deste calvário? A moralidade na política brasileira se assemelha a um deserto. De vez em quando, uma tempestade levanta ao céu mais uma nuvem de areia. Mas logo depois toda areia cai para baixo. As dunas mudam um pouco de contorno mas na essência tudo fica igual. E nada cresce.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2016/11/22/sorte-de-geddel-e-um-brasil-que-sofre-de-amnesia/feed/ 7