Programas sociais - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/programas-sociais/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Mon, 15 Dec 2025 16:10:13 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Programas sociais - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/programas-sociais/ 32 32 Orçamento de 2026: programas sociais e investimentos em segundo plano https://www.ocafezinho.com/2025/12/15/orcamento-de-2026-programas-sociais-e-investimentos-em-segundo-plano/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/15/orcamento-de-2026-programas-sociais-e-investimentos-em-segundo-plano/#respond Mon, 15 Dec 2025 21:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=223128 Em fase final de discussão no Congresso, economistas apontam que teto de gastos limitou previsão desde 2016, o que reduziu investimento em programas sociais

A discussão sobre o orçamento de 2026 entrou em fase final. O Congresso aprovou o texto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que orientará o uso dos recursos no ano que vem. No entanto, ainda faltam ajustes para a aprovação da Lei Orçamentária Anual, que definirá, de fato, como o dinheiro público será destinado.

Os debates enfrentam uma disputa sobre a prioridade dos gastos. Há pelo menos 30 anos, o campo da direita consegue pautar a discussão e forçar um ajuste fiscal que limita investimentos em áreas básicas como saúde, educação e programas sociais.

A disputa política se expressa no orçamento em diferentes épocas no Brasil. Luiz Carlos Delorme Prado, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma que os gastos públicos mostram as preferências de alocação de recursos por cada setor da sociedade. Para ele, ainda que a Constituição defina prioridades, são as escolhas do Congresso que determinam o ritmo das verbas.

“Existe um conceito em economia que chama preferência revelada. Pensemos em uma família. Se eu digo que eu dou preferência à saúde e educação, mas tiro o meu filho da escola, corto um plano de saúde, compro um carro novo e vou para Miami, o meu discurso é irrelevante. A minha preferência é o carro novo e ir para Miami. Então, orçamento é acima de tudo uma peça política, de escolhas que a sociedade faz”, afirmou ao Brasil de Fato.

O orçamento para 2026 prevê um superávit de R$ 34,3 bilhões e um reajuste de 7,44% no salário mínimo, que passará a R$ 1.627.

Mas uma das principais travas foi criada pelos próprios governos. Primeiro com o ex-presidente Michel Temer, que implementou um teto de gastos que limitava o aumento dos gastos públicos de um ano para outro e segurava o salário mínimo se o crescimento do PIB fosse abaixo do esperado.

O governo Lula muda essa regra, mas mantém um arcabouço fiscal que impede que o salário mínimo seja aumentado de maneira significativa. Isso porque ele só pode aumentar o equivalente a inflação mais 2,5% – se o PIB crescer ao menos 2,5%.

No entanto, o cálculo do orçamento de 2026 tirou o foco de áreas levantadas pelo governo como prioritárias. Paulo Kliass, economista e ex-especialista em Políticas Públicas do governo federal, reforça que o direcionamento dos gastos prioriza o pagamento de juros e amortização da dívida pública, chamado de gastos secundários.

Os gastos primários, que são despesas do governo com bens e serviços públicos, como saúde e educação, acabam ficando reféns daquilo que a União vai pagar com dívidas financeiras.

“A prioridade não é gastar na saúde, na educação, na assistência, na moradia… A prioridade é gastar com juros da dívida pública, as chamadas despesas financeiras. Então, a demanda por serviços sociais, por direitos sociais, no limite é explosiva. Os ministérios setoriais postulam, só que eles encontram uma barreira na área econômica. Basicamente, Ministério da Fazenda e Ministério do Planejamento que seguram com o argumento de que o arcabouço fiscal não permite”, afirma ao Brasil de Fato.

De acordo com ele, antes do teto de gastos de Temer, se o governo quisesse fazer austeridade como fazia, lidava com imposições da lei de responsabilidade fiscal, mas não era obrigado, a fazer uma contenção dos gastos como é feito hoje.

Outra questão indicada pelos economistas como central no debate é o superávit. A partir do golpe contra a ex-presidente Dilma Rousseff, a ideia de que governo e empresas estatais precisam dar lucro se consolidou no debate econômico brasileiro.

A meta de superavit para 2026 será alcançada tendo como referência uma projeção de crescimento do PIB entre 2% e 3%. A expectativa de arrecadação é de R$ 3,2 trilhões. Para chegar a esse valor, ainda é necessário que o Congresso aprove o aumento da taxação de bets e fintechs, em discussão na Câmara. O cálculo também considerou a queda na inflação e na taxa de juros.

A preocupação com um resultado positivo nas contas públicas ganhou prioridade após a implantação do teto de gastos. Para Paulo Kliass, o tema do superávit entrou na pauta sem justificativa plausível, já que o Brasil não apresentou, nos últimos 20 anos, risco de quebra.

“O Estado já é deficitário. Ao longo dos últimos 30 anos, pelo menos. E a gente tá deficitário de R$ 1,1 trilhão. No ano passado fomos deficitários de R$ 900 bilhões. O ano anterior também foi de R$ 800 bilhões. Se você quiser medir isso em porcentagem do PIB, dá 8% ou 9% do PIB. O Brasil quebrou por isso? Não, o Brasil não quebrou”, afirmou.

Ele lembra de outros países que não fazem esse controle orçamentário e que também não quebraram, como os Estados Unidos, Japão e países da União Europeia. De acordo com Kliass, esses países conseguem manter uma estabilidade mesmo gastando mais do que arrecadam porque mantém a lógica de um Estado soberano.

Uma diferença importante para que o Brasil tenha uma soberania monetária e uma soberania fiscal é fazer política fiscal com base no lançamento de títulos da dívida pública brasileira. Como essas dívidas estão em real e o país emite a própria moeda, o Brasil nunca tem uma dívida “impagável”, diferentemente do que era feito até a década de 1990, quando parte importante da dívida era em dólares.

Emendas e o consumo do orçamento

Um dos componentes mais importantes dos últimos orçamentos são as emendas parlamentares. A LDO determinou que 65% delas deverão ser pagas até o fim do primeiro semestre de 2026.

De acordo com a projeção do governo, serão gastos R$ 40,8 bilhões em emendas no ano que vem, que podem ser pedidas de maneira individual ou por bancadas. Mesmo sendo obrigado a empenhar esse montante, o momento da liberação era antes definido pelo Planalto. Agora, o governo terá até o fim de junho para liberar os recursos.

Luiz Carlos Delorme Prado afirma que esse é um uso abusivo dos recursos públicos, especialmente na forma como é feito atualmente.

“Uma das características que foi feita nesse setor, foi passar não para os partidos, mas para para os deputados, de maneira isolada, o direito de mexer com parte do orçamento. Em princípio, eu acho perfeitamente democrático que os partidos políticos a partir de uma agenda pública de alocação de recursos possam indicar uma parte do orçamento numa direção. Da forma que é hoje é um uso abusivo do recurso do contribuinte, porque por trás disso não tem política nenhuma”, afirmou.

Discussões no Congresso

Depois da aprovação da LDO, o próximo passo é discutir a Lei Orçamentária Anual. O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), disse que a meta é votar a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 na próxima semana.

O Legislativo tem até o dia 19 de dezembro para votar, já que o recesso parlamentar começa em 22 de dezembro. Se não conseguir votar, o destino será o mesmo de 2025 e o orçamento será discutido no ano seguinte. Nesse caso, a Constituição prevê que em janeiro seja usado 1/12 do que está previsto na própria LOA que não foi votada.

Esses duodécimos são usados mês a mês enquanto o orçamento não é votado.

Publicado originalmente pelo Brasil de Fato em 15/12/2025

Por Lorenzo Santiago – Brasília (DF)

Edição: Maria Teresa Cruz

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Governo do Brasil protege agricultura familiar de tarifaço e fortalece estoques https://www.ocafezinho.com/2025/09/02/governo-do-brasil-protege-agricultura-familiar-de-tarifaco-e-fortalece-estoques/ https://www.ocafezinho.com/2025/09/02/governo-do-brasil-protege-agricultura-familiar-de-tarifaco-e-fortalece-estoques/#respond Tue, 02 Sep 2025 20:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=216655 Em ações complementares, ministérios do Desenvolvimento Agrário e Desenvolvimento Social, junto com a Conab, garantem compra dos pequenos produtores e ainda abastecem programas sociais

O Governo do Brasil tem atuado para garantir preço e comercialização dos produtores familiares afetados pelo tarifaço estadunidense e, ao mesmo tempo, mantém a entrega de alimentos saudáveis em programas sociais.

O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) publicou resolução que assegura apoio emergencial às organizações da agricultura familiar exportadoras atingidas pelas tarifas impostas ao Brasil pelos Estados Unidos.

A medida garante condições para que os agricultores familiares mantenham a produção, enfrentem as perdas e preservem estoques para futuras comercializações. Nesse primeiro momento, produtores de castanha de caju sem casca, castanha-do-brasil sem casca e mel natural contarão, por tempo determinado, com apoio do governo por meio da modalidade Apoio à Formação de Estoques (AFE), no âmbito do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

Cada organização poderá acessar até R$ 1,5 milhão por ano, respeitando o limite de R$ 15 mil por família afetada. Para aquelas que ingressarem pela primeira vez na modalidade o teto será de R$ 500 mil.

Para acessar o apoio a organização da agricultura familiar exportadora deverá apresentar uma Proposta de Participação (PP) à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), responsável pela execução, até 30 de setembro de 2025, acompanhada da documentação que comprove a venda para os Estados Unidos neste ano.

A resolução é uma iniciativa emergencial diante das tarifas dos EUA e visa contribuir com os agricultores familiares, para que tenham condições de guardar seus produtos em estoque e não precisem vender imediatamente a preços baixos.

Conheça a resolução

Compra de alimentos de indígenas e quilombolas

A partir desta segunda-feira (1º), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) abre mais uma rodada no ano de 2025 para recebimento de propostas voltadas à aquisição e distribuição de sementes, mudas e materiais propagativos. As cooperativas e associações que têm interesse em participar da chamada têm até o dia 30 de setembro para o envio dos projetos. A Compra será realizada por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) na modalidade Compra com Doação Simultânea (CDS). Porém, desta vez, a chamada será direcionada ao público indígena, quilombola e para territórios do Programa Arroz da Gente.

Nesta nova rodada serão destinados R$ 10 milhões para atender os projetos de compra e distribuição de sementes e materiais propagativos, como mudas, entre outros, em todo o país. Os recursos para a aquisição serão repassados para a Conab pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

As propostas devem contar com no mínimo de 50% de participação de mulheres indígenas, quilombolas e do Programa Arroz da Gente. Os projetos a serem apresentados neste período devem ser exclusivos para aquisição e doação de sementes e de materiais propagativos locais, tradicionais, crioulos ou convencionais varietais. Não serão adquiridas sementes híbridas ou geneticamente modificadas. Nesta etapa não serão recebidas propostas para fornecimento de alimentos destinados diretamente ao consumo.

Os critérios de pontuação e classificação das propostas estão disponíveis no site da Companhia. Em caso de empate, terão prioridade as organizações fornecedoras com maior percentual de mulheres e jovens, nesta ordem. Cada organização fornecedora poderá acessar até o valor máximo de R$ 500 mil limitado a uma proposta, sendo que o limite por unidade familiar é de R$ 10 mil.

Conheça os critérios

Conab faz leilão para compra de arroz

Uma nova operação para adquirir 41,5 mil toneladas de milho será realizada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Os leilões estão agendados para ocorrer a partir de 9h dos dias 02 e 03 de setembro e será realizado de forma eletrônica por meio do Sistema de Comercialização Eletrônica da Conab (Siscoe) e com interligação das Bolsas de Cereais, de Mercadorias e/ou de Futuros. Os detalhes da operação constam nos Avisos Nºs 77 e 78.

A compra do cereal tem como objetivo abastecer os estoques governamentais de milho voltados para o atendimento do Programa de Venda em Balcão (ProVB), a fim de apoiar os pequenos criadores de animais do país, sobretudo aqueles situados em locais mais distantes dos grandes centros e das zonas de maior produção e que utilizam o produto para a alimentação dos seus plantéis.

No leilão marcado para a próxima terça-feira (2/9), a Companhia espera comprar 12,5 mil toneladas de milho dos agricultores familiares e suas cooperativas, proporcionando acesso facilitado e condições mais justas para os pequenos produtores. Já no próximo dia 3, o leilão de compra do grão será ofertado em caráter de ampla concorrência, ou seja, todos os produtores, cooperativas e demais fornecedores de milho poderão participar, inclusive agricultores familiares.

O milho a ser adquirido deverá ser entregue nos municípios de Irecê (5 mil t), na Bahia; Imperatriz (7,5 mil t), no Maranhão; Rondonópolis (3 mil t), em Mato Grosso; Uberlândia (10 mil t), em Minas Gerais; além de Brasília (16 mil t), no Distrito Federal.

Podem participar dos leilões os produtores rurais, cooperativas, associações e comerciantes, cadastrados perante a Bolsa de Mercadorias por meio da qual pretendam realizar a operação, e registrados, na data da realização do leilão, no Sistema de Cadastro Nacional de Produtores Rurais e Demais Agentes da Conab (Sican), além de estarem em situação regular no Sistema de Cadastramento Unificado de Fornecedores (Sicaf) e demais exigências dos editais.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 01/09/2025

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Programas sociais vão adquirir alimentos que iriam para os EUA, diz Wellington Dias https://www.ocafezinho.com/2025/08/07/programas-sociais-vao-adquirir-alimentos-que-iriam-para-os-eua-diz-wellington-dias/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/07/programas-sociais-vao-adquirir-alimentos-que-iriam-para-os-eua-diz-wellington-dias/#respond Thu, 07 Aug 2025 17:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=214789 Ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome afirmou que produtos vão ser consumidos na rede de assistência social. Ele também falou do apoio a produtores locais em função do tarifaço e a busca por novos mercados

O Governo Federal vai comprar alimentos que seriam exportados aos Estados Unidos para apoiar produtores brasileiros. A ideia é distribuir na rede de assistência social para alimentar a população. Foi o que afirmou o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dais, durante o programa Bom Dia, Ministro desta quinta-feira (7/8), transmitido pelo Canal Gov, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

“Do ponto de vista das medidas, ainda ontem participei de uma agenda, porque isso mexe com o social. Frutas, alimentos perecíveis, peixes, por exemplo, o açaí, ou seja, aquilo que a gente exporta, nós estamos criando, agora, uma proteção. O nosso ministério com o MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), com o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), nós vamos comprar o alimento que ia pra exportação.

“E vamos utilizar na rede, por exemplo, de alimentação escolar. O nosso ministério tem 34 mil unidades de acolhimento, onde cuida de crianças, idosos, pessoas com deficiência, as Apaes. E ali a gente vai trabalhar a nossa rede. A ordem do presidente (Lula) é proteger nossos produtores, especialmente os pequenos, especialmente nessa área de alimento”, afirmou o ministro

Na quarta-feira (6/8) entraram em vigor as tarifas de 50% impostas sobre parte das exportações brasileiras para os Estados Unidos. A medida atinge 35% dos produtos exportados aos EUA.

O ministro não deu detalhes de como vai funcionar este apoio, que deve ser anunciado em breve. Segundo Wellington Dias, em outra frente, o Governo Federal vai buscar outros mercados para escoar os produtos.

“Vamos seguir adiante, buscar outros mercados também. O meu estado já está buscando outros mercados para o mel, o mel do Piauí. E com certeza são produtos que temos, sim, demanda por outros países”, disse

Para Wellington Dias, o Brasil está tomando providências por meio do diálogo e diplomacia. De um lado, a negociação, o (vice-presidente e) ministro Geraldo Alckmin, colocado pelo presidente na linha de frente com o ministro (da Fazenda, Fernando) Haddad. A diplomacia brasileira. O Brasil sempre foi um país, ainda mais com o presidente Lula, de paz, diálogo, e é isso que a gente quer prosseguir. Mas, é claro, defender a soberania, defendendo aqui a pátria, defendendo o interesse do povo brasileiro”, explicou.

Saiba mais sobre as ações do Governo Federal para enfrentar o tarifaço de Trump

Publicado originalmente pela Agência Gov em 07/08/2025

Por Eduardo Biagini

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Nova pesquisa aponta queda histórica na aprovação de Trump https://www.ocafezinho.com/2025/07/24/nova-pesquisa-aponta-queda-historica-na-aprovacao-de-trump/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/24/nova-pesquisa-aponta-queda-historica-na-aprovacao-de-trump/#respond Fri, 25 Jul 2025 00:45:33 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=213628 Seis meses depois da posse, Trump amarga o pior índice de aprovação do segundo mandato e vê apoio independente ruir

Seis meses após assumir o cargo pela segunda vez, o presidente Donald Trump vê sua taxa de aprovação despencar para 37%, o menor índice registrado durante seu segundo mandato e apenas um pouco acima do pior resultado de toda a sua trajetória presidencial — quando atingiu 34% ao final do primeiro governo. Os dados são do mais recente levantamento Gallup, realizado entre os dias 7 e 21 de julho, pouco tempo depois da sanção da chamada One Big Beautiful Bill Act, em 4 de julho.

A queda é significativa: desde o início da nova gestão, em jaFneiro, a aprovação de Trump entre os adultos dos Estados Unidos recuou dez pontos percentuais. Entre os eleitores independentes, grupo considerado crucial para o equilíbrio político do país, a rejeição foi ainda mais acentuada. A avaliação positiva caiu 17 pontos, chegando a 29% — o menor patamar já registrado em qualquer fase dos dois mandatos.

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Apesar da retração, o apoio dos republicanos permanece sólido, com cerca de 90% dos filiados à legenda avaliando positivamente o trabalho do presidente. Já entre os democratas, a aprovação segue na casa dos dígitos simples, mantendo-se historicamente baixa.

O novo ciclo de popularidade de Trump começou semanas após a aprovação da polêmica One Big Beautiful Bill Act, uma legislação que concentra diversas prioridades do presidente: redução de impostos para pessoas físicas e empresas, aumento de gastos com segurança nas fronteiras, defesa nacional e produção energética. Para financiar essas medidas, o projeto corta verbas destinadas a programas sociais como Medicaid e o auxílio-alimentação SNAP (Supplemental Nutrition Assistance Program).

Apesar de ter sancionado uma das agendas mais ambiciosas de sua segunda gestão, Trump enfrenta resistência popular em praticamente todas as frentes de atuação. Em relação ao desempenho diante de temas nacionais e internacionais, os números seguem negativos. A única área com avaliação ligeiramente melhor é o manejo da situação com o Irã, com 42% de aprovação. Logo atrás vem a diplomacia internacional (41%), imigração (38%), economia (37%), conflito entre Israel e Palestina (36%) e comércio exterior (36%). As piores avaliações foram registradas na gestão do orçamento federal (29%) e na crise na Ucrânia (33%).

Curiosamente, exceto pelo caso do Irã — que não havia sido mensurado anteriormente durante o segundo mandato — todas as outras áreas mostram quedas em relação ao início do ano. O orçamento federal, por exemplo, apresentou uma redução de 14 pontos, enquanto imigração e Ucrânia caíram oito pontos cada.

Entre os republicanos, há um consenso quase unânime sobre o bom desempenho de Trump. A diplomacia internacional lidera com 93% de aprovação. Exceto pela Ucrânia, com 70%, os demais temas variam entre 81% e 88% dentro do partido. Já os democratas concedem, no máximo, 12% de aprovação — no caso da Ucrânia — e as demais avaliações estão na casa dos dígitos unitários. Entre os independentes, a aprovação máxima é de 36%, também na questão do Irã. Na gestão orçamentária, esse número cai para apenas 19%.

Comparação histórica não é favorável

A média de aprovação de Trump no segundo trimestre deste ano (abril a julho) foi de 40%. Esse índice se assemelha ao registrado durante o mesmo período de seu primeiro mandato (39%), mas está bem abaixo da média histórica dos presidentes eleitos após a Segunda Guerra Mundial. No geral, a marca para esse trimestre costuma ser de 59%. O único outro presidente a ficar abaixo da metade foi Bill Clinton, em 1993, com 44%.

Na comparação com outros presidentes que cumpriram dois mandatos, Trump também aparece em posição delicada. Richard Nixon, em 1973, teve uma aprovação de 44% durante o escândalo Watergate — a mais próxima da atual. Barack Obama e George W. Bush também ficaram abaixo dos 50% no segundo trimestre de seus respectivos segundos mandatos. Já Dwight Eisenhower, Ronald Reagan e Bill Clinton obtiveram aprovações majoritárias em momentos equivalentes.

Índice de simpatia também recua

O percentual de americanos que veem Trump de forma favorável também caiu. De 48% logo após sua posse, em janeiro, o índice desceu sete pontos e chegou a 41%. Entre os republicanos, a aprovação segue estável em 93%. Já entre os democratas, ela permanece baixa, em torno de 4%, sem grandes variações desde o início do ano. Entre os independentes, houve uma redução expressiva: de 47% em janeiro para 34% agora.

Ao fechar o segundo trimestre de seu segundo mandato, Donald Trump pode comemorar a aprovação de grande parte de sua agenda política. No entanto, a aceitação popular não acompanhou os avanços legislativos. Fora o núcleo republicano, poucos americanos parecem satisfeitos com a forma como o presidente tem conduzido os negócios do país. Com uma avaliação que bate o recorde negativo do primeiro governo e desempenho fraco em temas essenciais como economia e imigração, o caminho para uma recuperação política ainda parece longo.

Trump enfrenta queda de popularidade após seis meses de mandato; deportações e economia dividem opinião pública

Seis meses após assumir o cargo pela segunda vez, o presidente Donald Trump vê sua popularidade despencar, dividindo a opinião pública entre sua base de apoio inabalável e o restante do país, que demonstra crescente insatisfação com sua gestão. Apesar de ter aprovado grande parte de sua agenda legislativa, o desgaste político se intensifica, especialmente em temas como imigração e economia — áreas que, segundo pesquisa da CBS News, preocupam cada vez mais os eleitores.

Foco em deportações divide opinião

Um dos pilares da política de Trump desde o início do segundo mandato tem sido o endurecimento das políticas de imigração, com ênfase na deportação de imigrantes. No entanto, a popularidade desse programa vem se deteriorando à medida que os americanos percebem quem está sendo afetado.

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A pesquisa indica que, embora o programa de deportação tenha contado com apoio majoritário no início do mandato, essa maioria já não existe mais. Hoje, o índice de aprovação é ligeiramente negativo, sustentado quase que exclusivamente por republicanos e eleitores do movimento MAGA (Make America Great Again).

O que mais preocupa os americanos é a percepção de que o governo não está focando sua ação em criminosos perigosos, como prometido, e sim deportando um número maior de pessoas do que o esperado. Além disso, há uma rejeição crescente ao uso de centros de detenção, com a maioria dos entrevistados desaprovando a forma como esses espaços estão sendo utilizados.

Os hispano-americanos, em particular, relatam que os latinos estão sendo mais visados em operações de fiscalização, o que eles consideram injusto. Essa percepção tem impacto direto na aprovação tanto do programa de deportação quanto do próprio presidente Trump entre esse grupo. Enquanto em 2024, na reta final da campanha, Trump conquistou a aprovação de metade dos hispânicos, hoje esse número caiu para um terço.

Apesar disso, uma parcela significativa dos americanos reconhece que as políticas de Trump reduziram as travessias irregulares na fronteira. Ainda assim, a avaliação negativa sobre a imigração parece estar mais ligada ao modo como o governo lida com os imigrantes já presentes no país do que à atividade na fronteira em si.

Economia e tarifas em foco

Enquanto o debate sobre imigração se acirra, outro ponto crítico da agenda de Trump também enfrenta resistência popular: a economia. A maioria dos americanos continua preocupada com os preços dos produtos e serviços, e espera que o governo tome medidas mais efetivas para combatê-los.

Sete em cada dez entrevistados afirmam que o governo não está fazendo o suficiente para reduzir os preços. Paradoxalmente, Trump tem dado mais atenção a tarifas — uma política que a maioria dos americanos desaprova. Isso coloca o presidente em rota de colisão com a opinião pública, que vê a inflação como um dos principais problemas do país.

A desaprovação de Trump em relação à inflação chegou a quase dois terços dos entrevistados — o maior índice negativo de sua gestão até agora. Além disso, pela primeira vez, a maioria diz que o governo está se concentrando demais em cortar gastos, o que pode afetar programas sociais importantes para muitos cidadãos.

Lei “One Big Beautiful Bill” divide opiniões

Uma das conquistas mais ambiciosas da administração Trump foi a aprovação da chamada One Big Beautiful Bill Act, uma legislação que reúne diversas prioridades do presidente, como redução de impostos e aumento de gastos com segurança e defesa. Para financiar essas medidas, porém, o projeto corta verbas de programas sociais como Medicaid e o auxílio-alimentação SNAP.

A recepção da população à lei tem sido negativa. Seis em cada dez entrevistados desaprovam a legislação, com a maioria acreditando que ela beneficiará os mais ricos e prejudicará os mais pobres. A parcela da população que vê vantagens para a classe média ou trabalhadora é minoritária.

Apesar da divulgação governamental, muitos americanos ainda desconhecem os detalhes da lei, o que indica que o governo terá um longo caminho pela frente para convencer o público de que a medida é benéfica para todos.

Caso Epstein não afeta base de apoio

Enquanto isso, o presidente tem enfrentado críticas em torno da liberação de documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein. No entanto, a pesquisa indica que esse assunto não tem grande impacto sobre a avaliação geral de Trump, especialmente entre sua base de apoio.

A maioria dos republicanos e eleitores MAGA continua aprovando fortemente o desempenho do presidente, principalmente em questões de imigração. Ainda que alguns membros do partido expressem insatisfação com a forma como o governo está lidando com o caso, o tema não é considerado prioritário para a avaliação da presidência.

Por outro lado, uma parcela significativa da população — incluindo democratas, republicanos moderados e eleitores independentes — acredita que os arquivos devem ser divulgados, com a suspeita de que contenham informações comprometedoras sobre figuras poderosas.

Aprovação geral continua em queda

Com tantos desafios internos e externos, a popularidade de Trump segue em queda gradual, mas constante. Hoje, sua taxa de aprovação se aproxima dos 40%, patamar em que permaneceu durante boa parte de seu primeiro mandato. A estrutura por trás desse índice negativo é semelhante: forte apoio entre os republicanos e rejeição majoritária entre os demais grupos.

A pesquisa CBS News/YouGov foi realizada com uma amostra nacionalmente representativa de 2.343 adultos americanos entrevistados entre os dias 16 e 18 de julho de 2025. A margem de erro é de ± 2,5 pontos percentuais.

Apesar de avanços legislativos importantes, como a aprovação da One Big Beautiful Bill Act, o segundo semestre do segundo mandato de Donald Trump é marcado por uma crescente insatisfação popular.

A política de deportações, a economia e a percepção de favorecimento aos mais ricos têm afetado negativamente sua imagem junto ao eleitorado geral.

Com uma base de apoio sólida, mas um resto do país cada vez mais distante, o presidente enfrenta o desafio de reverter essa tendência em um cenário político cada vez mais polarizado.

Com informações da Gallup* e CBS News*

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Sem essa de não querer trabalhar: inscritos no CadÚnico assumem 99% dos novos empregos em 2024 https://www.ocafezinho.com/2025/06/17/sem-essa-de-nao-querer-trabalhar-inscritos-no-cadunico-assumem-99-dos-novos-empregos-em-2024/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/17/sem-essa-de-nao-querer-trabalhar-inscritos-no-cadunico-assumem-99-dos-novos-empregos-em-2024/#respond Tue, 17 Jun 2025 18:01:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=210937 Dados do Caged mostram que beneficiários de programas sociais ocuparam 1,6 milhão de vagas formais no ano passado; 75% delas, por beneficiários do Bolsa Família. Wellington Dias critica preconceitos que geram críticas equivocadas

Em um ano marcado pela retomada do emprego formal, 98,87% das vagas criadas em 2024 foram ocupadas por pessoas cadastradas no Cadastro Único (CadÚnico), segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

“O Caged mostra, na prática, que as pessoas do Bolsa Família e do Cadastro Único querem trabalhar, estão empregadas, mas buscam empregos decentes”, afirmou o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias. “Peço que observem essa realidade para evitar qualquer forma de preconceito contra os mais pobres”, destacou.

Do total de 1,69 milhão de empregos gerados, 1,27 milhão (75,5%) foram preenchidos por beneficiários do Programa Bolsa Família, enquanto 395 mil (23,4%) ficaram com cadastrados que não recebem o benefício.

Em 2025, a predominância de inscritos no CadÚnico como ingressantes no mercado de trabalho se mantém: até abril, 75% dos novos empregos foram ocupados por beneficiários de programas sociais.

Um dos motores desse crescimento foi a Regra de Proteção do Bolsa Família, que permite aos beneficiários manter 50% do valor do benefício por dois anos após entrarem no mercado formal, incluindo os complementos para gestantes, crianças e adolescentes. Em junho de 2025, 3,02 milhões de famílias estão amparadas por essa medida.

Atualização do Bolsa Família

A partir da folha de pagamento de julho, a medida passa por uma atualização para reduzir a fila de espera e priorizar famílias que de fato estão em situação de pobreza ou pobreza extrema, além de promover ajustes para manter a sustentabilidade e efetividade do programa de transferência de renda.

“Assinar a carteira não cancela o Bolsa Família. Estamos qualificando o público do programa em vários setores, e os resultados são excelentes”, afirmou Wellington Dias. Para trabalhadores sazonais, como no agronegócio, o governo passou a considerar a média de renda dos últimos 12 meses – e não apenas meses isolados –, garantindo mais estabilidade.

Os números de 2025 seguem a tendência, com 75% das 920 mil vagas criadas entre janeiro e abril foram ocupadas por cadastrados no CadÚnico, com predominância de mulheres. O ministério atribui o desempenho às políticas de qualificação profissional e à integração entre programas sociais e inclusão no mercado de trabalho.

Além disso, em 2024, a renda do trabalho das famílias mais pobres do Brasil cresceu 10,7%, um ritmo 50% maior do que o verificado entre os 10% mais ricos (6,7%). Este resultado contribuiu para a maior redução da desigualdade social registrada no país nos últimos anos, com a renda do trabalho subindo, em média, 7,1% no ano.

Estudo da FGV Social, baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), atribui esse avanço à combinação da geração de empregos formais com a Regra de Proteção do Bolsa Família. Marcelo Neri, responsável pela pesquisa, explicou que o país teve uma redução muito forte da desigualdade em 2024. “E tudo isso está mais forte em termos de renda do trabalho do que em relação a outros componentes de renda”.

Publicado originalmente pela Agência Gov em 17/06/2025

Por Ministério do Desenvolvimento Social

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Sob Lula, avanço do BPC faz programas sociais ganharem espaço nas famílias https://www.ocafezinho.com/2025/05/10/sob-lula-avanco-do-bpc-faz-programas-sociais-ganharem-espaco-nas-familias/ https://www.ocafezinho.com/2025/05/10/sob-lula-avanco-do-bpc-faz-programas-sociais-ganharem-espaco-nas-familias/#respond Sat, 10 May 2025 11:57:04 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=208358 Os programas sociais ganharam peso na composição da renda das famílias brasileiras em 2024. Dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que os benefícios pagos pelas três esferas de governo representaram 3,8% do rendimento domiciliar médio do país. Esse foi o segundo maior patamar desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C), em 2012, ficando atrás apenas de 2020, quando o Auxílio Emergencial teve forte impacto no enfrentamento da crise econômica causada pela pandemia de covid-19.

O principal responsável pelo avanço atual foi o Benefício de Prestação Continuada (BPC), programa que garante um salário mínimo a idosos de baixa renda e pessoas com deficiência. Em 2024, o BPC estava presente em 5% dos domicílios brasileiros, número que corresponde ao dobro do registrado em 2012, quando o percentual era de 2,5%. Em 2019, antes da pandemia e da flexibilização temporária das regras de concessão, esse índice era de 3,5%.

A trajetória de crescimento do BPC chama atenção pela velocidade da expansão. A pandemia foi um fator determinante, pois, na tentativa de ampliar a proteção social, o governo permitiu que a renda de quem já era beneficiário do BPC não fosse considerada para o cálculo da renda familiar exigida para novas concessões. Essa mudança aumentou o alcance do programa e acabou sendo mantida mesmo após o período mais crítico da crise sanitária.

Para ter direito ao BPC, o morador do domicílio precisa ter mais de 65 anos ou ser uma pessoa com deficiência, além de viver em uma família cuja renda mensal per capita seja inferior a um quarto do salário mínimo.

O crescimento do número de beneficiários do BPC ocorre em meio a um contexto em que especialistas e analistas divergem sobre a possível relação entre esse aumento e os efeitos da reforma da Previdência aprovada em 2019. Essa reforma endureceu regras para a concessão de aposentadorias, o que poderia ter levado mais pessoas a buscar o amparo do BPC.

Dados do próprio Ministério da Previdência apontam que, de 2019 a 2024, o número de aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) cresceu 11,4%, enquanto o número de benefícios do BPC saltou 33,8% no mesmo período.

No entanto, há quem avalie que o crescimento expressivo do BPC não se explique apenas pela substituição das aposentadorias. Para alguns especialistas, como o professor da Universidade de São Paulo (USP) Luis Eduardo Afonso, o aumento pode refletir falhas no controle e na verificação dos critérios exigidos para a concessão do benefício, como a avaliação da renda familiar e a comprovação da deficiência.

Por outro lado, pesquisadores também apontam que, mesmo com o avanço do BPC, não há indícios claros de que o programa esteja suprindo plenamente a redução no acesso às aposentadorias. Segundo dados da Pnad-C, até 2023 houve um aumento do número de pessoas sem qualquer rendimento, principalmente entre a população idosa. Para a pesquisadora Ana Amélia Camarano, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), esses dados sugerem que parte da população ficou desprotegida após as mudanças nas regras previdenciárias.

O rendimento médio das aposentadorias e pensões, por exemplo, chegou a R\$ 2.528 em 2024, valor que ainda é 3,1% menor do que o registrado em 2019. Com a nova legislação, trabalhadores precisam contribuir por 40 anos para se aposentar com o benefício integral. No caso das mulheres, o período exigido pode ser até maior, especialmente para aquelas que não se enquadraram nas regras de transição.

Enquanto o BPC se expandiu, o Bolsa Família apresentou uma leve retração na proporção de domicílios atendidos. Em 2024, o programa estava presente em 18,7% dos lares brasileiros, número inferior aos 19% registrados em 2023. Ainda assim, o crescimento do Bolsa Família em relação ao período anterior à pandemia foi expressivo. Em 2019, a presença do programa era de 14,3% dos domicílios.

A ampliação da presença dos programas sociais é mais visível nas regiões Norte e Nordeste, áreas historicamente mais dependentes das transferências de renda. No Norte, os benefícios chegaram a representar 8,2% do rendimento domiciliar médio em 2024, mais do que o dobro da média nacional. No Nordeste, esse peso alcançou 9,4%.

De acordo com os dados do IBGE, cerca de 20 milhões de brasileiros estavam recebendo algum tipo de programa social em 2024, incluindo tanto o Bolsa Família quanto o BPC e outras ações locais implementadas por estados e municípios. Esse contingente é 7 milhões maior do que o registrado em 2019 e só foi superado durante os anos mais críticos da pandemia, quando o Auxílio Emergencial ampliou consideravelmente o número de pessoas atendidas.

O avanço dos programas sociais, em especial do BPC, confirma a tendência de reforço das políticas públicas de transferência de renda no Brasil sob o atual governo. Ao mesmo tempo, o crescimento do número de beneficiários reacende o debate sobre os desafios da gestão, fiscalização e sustentabilidade dessas políticas no longo prazo.

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“Ninguém vai ser cortado”: Benevides desmente rumores de corte do BPC e programas sociais https://www.ocafezinho.com/2024/12/04/nada-vai-ser-cortado-benevides-desmente-rumores-de-corte-do-bpc-e-programas-sociais/ https://www.ocafezinho.com/2024/12/04/nada-vai-ser-cortado-benevides-desmente-rumores-de-corte-do-bpc-e-programas-sociais/#respond Thu, 05 Dec 2024 01:09:04 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=198045

Durante o programa Expressão Nacional, transmitido pela TV Câmara e apresentado por Vania Alves, o deputado Mauro Benevides (PDT-CE), vice-líder do governo Lula, participou de um debate ao lado dos deputados José Airton Cirilo (PT-CE) e José Medeiros (PL-MT), além do consultor legislativo Wagner Primo. Benevides desmentiu rumores de cortes no Benefício de Prestação Continuada (BPC) e no Bolsa Família, reforçando que nenhum direito será retirado e que o orçamento de 2025 será maior ou igual ao de 2024.

Trecho da fala de Benevides (vídeo em anexo):

“Mas voltando aqui para as duas perguntas, BPC, Bolsa Família e salários. Primeiro, em termos gerais, não existe uma só despesa no orçamento de 2025 que seja menor do que o orçamento de 2024. Nenhuma.

Ninguém vai ser cortado. O que está sendo feito é um limite no crescimento dessa despesa que perdeu o controle. O governo agora está tentando corrigir isso, mas sem tirar o direito de ninguém. Não existe essa possibilidade.

Há várias embromações, como a gente diz lá no meu estado, que estão sendo corrigidas. Porém, para efeito de direito, nada está sendo retirado. Pelo contrário, os programas serão aprimorados, como no caso da biometria, que será implementada a cada dois anos para evitar fraudes, como uma pessoa se passando por outra. Isso também será importante na Previdência, que atualmente apresenta um déficit de R$ 300 bilhões ao ano. O ministro Lupi tem se esforçado muito para controlar isso.

Portanto, o orçamento de 2025 não será menor do que o de 2024. Tenho participado de discussões pelo Brasil nas últimas semanas, e percebo que isso, às vezes, não está claro.

Sobre salários, nossos internautas têm contribuído com essa discussão. A proposta de emenda constitucional está ajudando a reforçar o entendimento sobre o que está ou não dentro do teto, prevenindo interpretações erradas. O poder Judiciário tem tido grande influência, mas o Congresso Nacional limitou o crescimento das emendas parlamentares dentro do arcabouço fiscal, equiparando tudo. Porém, o Supremo criou interpretações próprias que diferem da lei complementar aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente.

Quanto ao BPC e ao Bolsa Família, também há decisões judiciais disfuncionais e alheias à legislação. Esse regramento veio justamente para coibir essas decisões e proteger os direitos de quem é beneficiário. O Bolsa Família, por exemplo, movimenta cerca de R$ 168 bilhões ao ano, e é essencial que tudo seja bem avaliado para não prejudicar os beneficiários.”

O deputado fez uma análise geral das propostas de Haddad, às quais elogiou bastante. E explicou que o salário mínimo continuará crescendo acima da inflação, todos os anos, embora agora de maneira equilibrada com a arrecadação federal.

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Programas sociais e Fundeb estão na lista de cortes de gastos de Haddad https://www.ocafezinho.com/2024/11/04/programas-sociais-e-fundeb-estao-na-lista-de-corte-de-gastos-de-haddad/ https://www.ocafezinho.com/2024/11/04/programas-sociais-e-fundeb-estao-na-lista-de-corte-de-gastos-de-haddad/#respond Mon, 04 Nov 2024 12:53:37 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=196404 O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cancelou sua viagem à Europa prevista para esta segunda-feira, 4, decidindo concentrar esforços em Brasília para a elaboração de um pacote de corte de gastos.

A decisão foi tomada em resposta à recente valorização do dólar, que atingiu a marca de R$ 5,869 na última sexta-feira, 1º, a mais alta desde maio de 2020.

O Ministério da Fazenda anunciou que a suspensão da viagem ocorre após solicitação direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que enfatizou a necessidade de estabilizar as contas públicas diante do cenário econômico atual.

O aumento no valor do dólar é reflexo das incertezas fiscais e da proximidade das eleições presidenciais nos Estados Unidos, onde o candidato republicano Donald Trump ganha destaque. No Brasil, a demora na implementação de medidas fiscais adiciona pressão ao câmbio, aumentando a preocupação dos investidores com a sustentabilidade da dívida pública.

O governo está em fase de ajuste das medidas de corte de despesas e planeja apresentar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que permitirá maior flexibilidade no controle do orçamento federal.

Estão em debate propostas como a prorrogação da Desvinculação de Receitas da União (DRU), permitindo o uso livre de até 30% das receitas vinculadas, e mudanças no abono salarial e na gestão de programas sociais como o seguro-defeso.

Haddad reuniu-se recentemente com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e outros parlamentares para discutir o apoio ao pacote de medidas. Ele destacou a importância dessas ações para controlar as despesas e demonstrar ao mercado o compromisso do governo com o ajuste fiscal.

No Congresso Nacional, há mobilização para a aprovação das medidas, que incluem limites e gatilhos para despesas obrigatórias, mudanças no Fundeb, regulamentação de supersalários, controle de programas sociais e desindexação de pisos para saúde e educação.

O pacote ainda enfrenta negociações internas e precisa ser apresentado ao Congresso para implementação. O governo lida com desafios, incluindo resistência de setores de sua base de apoio e preocupações sobre o impacto das medidas na execução de políticas públicas em áreas sociais.

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Novo ‘pacotão’ de cortes do governo Lula vai atingir benefícios sociais https://www.ocafezinho.com/2024/10/16/novo-pacotao-de-cortes-do-governo-lula-vai-atingir-beneficios-sociais/ https://www.ocafezinho.com/2024/10/16/novo-pacotao-de-cortes-do-governo-lula-vai-atingir-beneficios-sociais/#comments Wed, 16 Oct 2024 11:20:58 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=195056 3 Comentários 🔥]]> O Governo Lula vai fazer ajustes nas políticas de proteção ao trabalhador como parte de um extenso pacote de corte de gastos, que tem como meta cortar entre R$ 30 bilhões e R$ 50 bilhões dos gastos públicos.

Entre as políticas em revisão, estão a multa de 40% sobre o FGTS por demissão sem justa causa e o seguro-desemprego, conforme informado pelo jornal O Globo.

A motivação por trás dessa reavaliação é a percepção de que a duplicidade de benefícios pode estar incentivando a rotatividade de empregos, especialmente em períodos de recuperação do mercado de trabalho.

A equipe econômica, formada por membros dos Ministérios da Fazenda e do Planejamento, foca em ajustes estruturais para frear o crescimento das despesas obrigatórias.

Uma proposta em análise visa realocar parte da multa de 40% destinada ao FGTS para financiar o seguro-desemprego, o que poderia reduzir os custos do programa. Para o ano de 2024, o orçamento destinado ao seguro-desemprego foi fixado em R$ 52,1 bilhões, apesar da baixa histórica na taxa de desemprego.

Além disso, discute-se transformar a multa do FGTS em um imposto que seria cobrado dos empregadores, especialmente daqueles com altas taxas de demissão. O objetivo é desencorajar demissões em massa e evitar que os trabalhadores sejam incentivados a procurar o desligamento.

Durante uma reunião na terça-feira, os ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Simone Tebet (Planejamento) discutiram os próximos passos desse programa de revisão. Tebet destacou que temas como o aumento real do salário mínimo não estão sendo considerados. Ela expressou otimismo sobre a progressão do pacote, que poderia liberar até R$ 20 bilhões em espaço fiscal.

Outras mudanças em consideração incluem alterações no abono salarial, que poderia passar a ser calculado com base na renda per capita da família, e ajustes no Benefício de Prestação Continuada (BPC), como a definição de uma nova idade mínima para acesso ou alteração no cálculo do benefício. O governo avalia essas alterações como formas de promover uma “maior arrecadação previdenciária e assegurar a estabilidade fiscal de longo prazo”.

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