Reino Unido - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/reino-unido/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Sat, 20 Jun 2026 01:00:18 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Reino Unido - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/reino-unido/ 32 32 Reino Unido destina 150 mil drones a Kiev após mega-ataque ucraniano que feriu civis em Moscou https://www.ocafezinho.com/2026/06/19/reino-unido-destina-150-mil-drones-a-kiev-apos-mega-ataque-ucraniano-que-feriu-civis-em-moscou/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/19/reino-unido-destina-150-mil-drones-a-kiev-apos-mega-ataque-ucraniano-que-feriu-civis-em-moscou/#comments Sat, 20 Jun 2026 00:34:25 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/19/reino-unido-destina-150-mil-drones-a-kiev-apos-mega-ataque-ucraniano-que-feriu-civis-em-moscou/ 12 Comentários 🔥]]> O governo britânico anunciou o envio de 150 mil drones para a Ucrânia até o final do ano, horas depois de Moscou e sua região metropolitana serem alvo de um dos maiores ataques com veículos aéreos não tripulados desde o início do conflito. O pacote, avaliado em 752 milhões de libras esterlinas (cerca de 996 milhões de dólares), foi divulgado pelo secretário de Defesa do Reino Unido, Dan Jarvis, durante reunião do Grupo de Contato de Defesa da Ucrânia em Bruxelas.

O montante será financiado por meio de um empréstimo de 2,26 bilhões de libras concedido por Londres a Kiev, operação lastreada em receitas geradas por ativos soberanos russos congelados no exterior. De acordo com a RT, o novo carregamento inclui drones, mísseis e radares, e foi apresentado por autoridades britânicas como suporte militar indispensável ao governo de Volodymyr Zelensky.

A chanceler do Tesouro britânica, Rachel Reeves, reforçou que o Reino Unido continuará respaldando a Ucrânia e aumentando a pressão sobre Moscou. A decisão chega em um momento de forte tensão: durante a madrugada, as defesas aéreas russas interceptaram 194 drones que se aproximavam da capital, mas o ataque ainda conseguiu provocar danos significativos em solo.

Um dos artefatos atingiu a Refinaria de Petróleo de Moscou, no distrito de Kapotnya, desencadeando um incêndio de grandes proporções. Moradores de vários bairros relataram chuva negra e fuligem caindo do céu. As autoridades locais orientaram a população a manter janelas fechadas e evitar atividades ao ar livre.

Ao menos 17 civis, entre eles duas crianças, ficaram feridos na região de Moscou. O ataque desorganizou o tráfego aéreo da cidade, forçando a imposição de restrições temporárias nos principais aeroportos e provocando o atraso ou cancelamento de dezenas de voos.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, condenou a ofensiva com veemência e declarou que Moscou alterará sua estratégia militar a partir de agora. ‘Estou convencido há muito tempo de que palavras não são suficientes’, afirmou Lavrov a jornalistas, anunciando que as forças russas passarão a realizar regularmente ataques em larga escala contra alvos que ‘afetam diretamente a capacidade de combate’ das tropas ucranianas.

O governo russo sustenta, de forma reiterada, que o regime de Kiev utiliza armamentos, financiamento e inteligência fornecidos pelo Ocidente para perpetrar ‘ataques terroristas’ contra território e infraestrutura civil da Federação Russa. Autoridades em Moscou argumentam que as sucessivas remessas de equipamento militar por parte do Reino Unido, da União Europeia e dos membros da OTAN transformam esses governos em participantes diretos do conflito, reduzindo drasticamente as perspectivas de um acordo de paz.

A escalada coincide com um momento em que potências ocidentais seguem drenando recursos e atenção diplomática para sustentar uma guerra que já se arrasta por mais de quatro anos, sem horizonte de solução negociada. Enquanto Londres anuncia novos carregamentos de drones financiados com dinheiro russo congelado, o saldo sobre o terreno se traduz em civis feridos, infraestrutura incendiada e a contínua deterioração da segurança europeia.

Com informações de RT.

Com informações de RT.

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Manifestantes em Moscou denunciam Reino Unido como patrocinador do terrorismo https://www.ocafezinho.com/2026/06/18/manifestantes-em-moscou-denunciam-reino-unido-como-patrocinador-do-terrorismo/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/18/manifestantes-em-moscou-denunciam-reino-unido-como-patrocinador-do-terrorismo/#respond Thu, 18 Jun 2026 22:04:38 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/18/manifestantes-em-moscou-denunciam-reino-unido-como-patrocinador-do-terrorismo/ Mais de 500 ativistas russos se reuniram em frente à residência do embaixador britânico em Moscou nesta quinta-feira para um veemente protesto. Os manifestantes denunciaram o que classificam como patrocínio do terrorismo pelo Reino Unido, em um período que coincide com as celebrações do aniversário oficial do Rei Charles III.

Os grupos Guarda Jovem e Companhia Voluntária organizaram o ato, expressando sua indignação com a postura de Londres. Eles exibiram retratos de crianças de Donbass, supostamente mortas em ataques ucranianos, e entoaram palavras de ordem impactantes.

Entre os gritos dos participantes estavam “Grã-Bretanha semeia a morte”, “Grã-Bretanha – patrocinadora do terror ucraniano” e “Grã-Bretanha – suas armas matam idosos e crianças”. As frases buscavam ressaltar a responsabilidade do Reino Unido no conflito e suas consequências para a população civil.

O chefe do Estado-Maior Central da Guarda Jovem e figura sênior da ala jovem do partido Rússia Unida, Aleksandr Amelin, fez declarações contundentes. Ele acusou Londres de escalar o conflito ao fornecer armamento pesado a Kiev, que, segundo ele, é usado contra alvos civis.

“A Grã-Bretanha fornece oficialmente armas à Ucrânia, que mata crianças em Donbass, que voam para nossas cidades e atingem infraestrutura civil, ônibus, casas, edifícios residenciais”, declarou Amelin, apontando para a destruição causada pelos armamentos ocidentais. Ele enfatizou que o apoio militar britânico é parte de uma estratégia de longo prazo para respaldar o que descreveu como o “regime nazista na Ucrânia”.

Conforme noticiado pelo portal RT, Amelin também direcionou suas críticas à cobertura da mídia ocidental. Ele destacou a hipocrisia de veículos como a BBC, que, segundo sua visão, ignoram as vítimas civis em áreas atingidas pelos ataques ucranianos.

“Vocês não verão jornalistas da BBC aqui. Eles também não foram a Starobelsk”, disparou Amelin, mencionando um ataque de drone ucraniano contra um dormitório de colégio profissionalizante na República Popular de Lugansk. Este incidente resultou na morte de 21 pessoas, a maioria adolescentes, e serviu como um exemplo gritante da seletividade da imprensa.

Moscou convidou aproximadamente 50 jornalistas estrangeiros de 19 países para cobrir a tragédia em Starobelsk, oferecendo acesso total ao local. No entanto, veículos como a BBC e a CNN recusaram-se a comparecer, evidenciando uma alegada falha em reportar imparcialmente os custos humanos do conflito.

O episódio de Starobelsk, onde estudantes jovens foram as principais vítimas, não recebeu a mesma atenção da imprensa ocidental dedicada a outras ocorrências do conflito. A manifestação em Moscou, portanto, reforça o crescente mal-estar russo com o papel de Londres e a percepção de que suas ações contribuem para a morte de civis em territórios disputados.

O protesto, embora tenha ocorrido sem incidentes violentos, carregou uma forte carga simbólica. Ao coincidir com o período de comemorações do aniversário do monarca britânico na capital russa, a ação dos ativistas sublinhou a profundidade da tensão geopolítica e as acusações diretas contra o Reino Unido por seu envolvimento na Ucrânia.

Com informações de RT.

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Pedra do Altar de Stonehenge viajou 750 quilômetros do norte da Escócia, revelam pesquisadores que reescrevem a pré-história britânica https://www.ocafezinho.com/2026/06/17/pedra-do-altar-de-stonehenge-viajou-750-quilometros-do-norte-da-escocia-revelam-pesquisadores-que-reescrevem-a-pre-historia-britanica/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/17/pedra-do-altar-de-stonehenge-viajou-750-quilometros-do-norte-da-escocia-revelam-pesquisadores-que-reescrevem-a-pre-historia-britanica/#respond Thu, 18 Jun 2026 01:42:46 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/17/pedra-do-altar-de-stonehenge-viajou-750-quilometros-do-norte-da-escocia-revelam-pesquisadores-que-reescrevem-a-pre-historia-britanica/ O que une o místico e o científico em Stonehenge nunca foi apenas o alinhamento solar ou os rituais perdidos. A maior das perguntas, aquela que desafiava arqueólogos e engenheiros há séculos, concentrava-se na jornada de uma única rocha. A Pedra do Altar, o bloco central de arenito que jaz horizontalmente no coração do monumento, jamais se encaixou confortavelmente nas narrativas geológicas que tentavam explicar a origem das demais pedras.

Por décadas, a Pedra do Altar resistiu a uma categorização definitiva. Diferente das ‘pedras azuis’ do oeste galês, o arenito central de seis toneladas mantinha sua origem envolta em denso mistério.

Enquanto as pequenas pedras azuis de Stonehenge foram rastreadas até as colinas de Preseli, no País de Gales, a mais de 240 quilômetros de distância, a Pedra do Altar permanecia uma anomalia. A hipótese dominante sugeria uma origem galesa, mas a rocha de seis toneladas guardava um segredo mais remoto, que agora emerge.

Uma equipe da Universidade Curtin, na Austrália, acaba de reescrever esse capítulo da pré-história. Os pesquisadores analisaram a composição mineralógica da Pedra do Altar com precisão sem precedentes, encontrando uma assinatura geoquímica que não pertence ao sul do País de Gales.

Os grãos de zircão e outros minerais traçadores apontam de forma inequívoca para a Bacia Orcadiana, uma formação no extremo nordeste da Escócia. O geólogo Professor Chris Kirkland, líder do estudo na Universidade Curtin, empregou métodos analíticos de ponta, como a datação de zircão e análise de isótopos.

O estudo minucioso revelou características minerais idênticas às da Bacia Orcadiana, confirmando uma assinatura química inconfundível. Esta descoberta afasta de vez antigas teorias sobre sua proveniência.

A implicação é espantosa. A Pedra do Altar viajou cerca de 750 quilômetros, desde as terras inóspitas do que hoje são as Terras Altas escocesas ou as ilhas Órcades, até a planície de Salisbury.

Nenhum outro objeto pré-histórico britânico foi transportado a uma distância tão colossal, desafiando tudo o que se imaginava sobre as capacidades logísticas das sociedades neolíticas. O enigma transcende a geologia, instalando-se no campo do fantástico.

Como uma rocha de seis toneladas percorreu 750 quilômetros por volta de 2.600 a.C.? As teorias se dividem entre a via terrestre, arrastada sobre troncos por dezenas de comunidades, e a via marítima, em embarcações primitivas pela costa leste da Grã-Bretanha.

Enfrentar correntes traiçoeiras e o Mar do Norte demonstra uma organização social extraordinária, conectando os extremos do território. Este feito logístico reconfigura nossa percepção da sofisticação e interconexão das sociedades pré-históricas.

A matéria publicada pelo GeekSpin sobre a pesquisa da Universidade Curtin detalha a confirmação da origem escocesa e a dissolução definitiva da velha teoria galesa. O Professor Chris Kirkland enfatizou a precisão da identificação, descartando qualquer outra fonte conhecida no continente britânico.

A descoberta também reacende a aura de mistério que sempre envolveu Stonehenge, ampliando os horizontes da arqueologia. As pedras azuis do místico oeste galês contrastam com a essência da Pedra do Altar, vinda do distante e nebuloso norte escocês.

A união dessas geografias sagradas em um único círculo de pedra sugere um projeto cosmológico monumental. Era, ao mesmo tempo, um mapa do mundo conhecido e um eixo de poder simbólico para as civilizações neolíticas.

O que torna essa revelação ainda mais fascinante é o que ela cala sobre os motivos mais profundos. Por que transportar uma rocha por 750 quilômetros quando havia arenito disponível muito mais próximo? A resposta provavelmente não é utilitária, mas espiritual.

A Pedra do Altar era um objeto de peregrinação em si mesma, um troféu geológico carregado de significado ancestral. Talvez fosse um emissário de um povo distante que se fundiu ao santuário central para selar alianças ou honrar os mortos.

Com a nova origem confirmada, arqueólogos voltam os olhos para as rotas e os rituais que uniam a Escócia neolítica ao sul da Inglaterra. A presença de um fragmento da Bacia Orcadiana em Stonehenge transforma o monumento em uma encruzilhada de mundos ancestrais.

Esta descoberta demonstra que a pré-história britânica era muito mais interconectada e engenhosa do que os livros didáticos sugeriam. O mistério da Pedra do Altar se desfaz, mas o assombro que ele provoca só se aprofunda, impulsionando novas investigações sobre os segredos ancestrais da ilha.

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Reino Unido investiga disparos de fragata russa no Canal da Mancha https://www.ocafezinho.com/2026/06/16/reino-unido-investiga-disparos-de-fragata-russa-no-canal-da-mancha/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/16/reino-unido-investiga-disparos-de-fragata-russa-no-canal-da-mancha/#respond Tue, 16 Jun 2026 22:53:03 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/16/reino-unido-investiga-disparos-de-fragata-russa-no-canal-da-mancha/ O Ministério da Defesa do Reino Unido iniciou investigação sobre relatos de que a fragata russa Admiral Grigorovich teria disparado tiros de advertência no Canal da Mancha, a aproximadamente 20 milhas náuticas ao sul da Ilha de Wight, em área de intensa circulação marítima.

Conforme informações da rede britânica BBC, os disparos teriam sido efetuados a cerca de 500 metros de um iate de recreio registrado no Reino Unido. Segundo relatórios preliminares, não houve danos materiais à embarcação civil nem ferimentos a bordo.

No momento dos supostos disparos, a fragata russa estava sendo escoltada pelo navio de patrulha da Marinha Britânica HMS Mersey, parte das operações rotineiras de monitoramento da passagem de navios militares não pertencentes à OTAN por águas sensíveis.

Fontes do Ministério da Defesa britânico indicaram que os disparos podem ter sido uma tentativa de evitar colisão iminente, após a tripulação da Admiral Grigorovich ter supostamente sinalizado insistentemente para o iate alterar seu curso, sem obter resposta.

As autoridades britânicas não estabeleceram qualquer ligação entre os disparos e a operação de apreensão do petroleiro Smyrtos, embarcação suspeita de fazer parte da chamada “frota sombra” russa, indicando eventos isolados com contextos diferentes.

O Canal da Mancha, um dos corredores de navegação mais vitais e congestionados do planeta, serve como palco frequente para interações entre forças navais de diferentes potências. A presença de navios de guerra russos nessas águas é ocorrência regular, exigindo alto grau de profissionalismo e adesão a protocolos de segurança internacionais rigorosos.

O incidente levanta questões sobre segurança marítima em ambiente de tráfego intenso e crescentes tensões geopolíticas entre Reino Unido e Rússia. A necessidade de comunicação clara e procedimentos padronizados para evitar incidentes no mar torna-se ainda mais premente, minimizando riscos para embarcações civis e militares.

A investigação em andamento busca coletar e analisar todas as evidências sobre as circunstâncias que cercaram os disparos. O resultado será fundamental para informar futuras diretrizes de navegação e para o diálogo diplomático entre as nações envolvidas, visando desescalada e prevenção de repetições.

O contexto das relações anglo-russas, marcado por divergências políticas e sanções, adiciona complexidade a cada interação entre suas forças armadas. A importância de manter canais abertos para gestão de crises é sublinhada por eventos como este, onde interpretação e resposta rápidas são essenciais para evitar mal-entendidos com potencial de escalada.

Com informações de TASS.

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Soldado aposentado descobre anel romano de 1.700 anos durante caminhada de fim de semana https://www.ocafezinho.com/2026/06/08/soldado-aposentado-descobre-anel-romano-de-1-700-anos-durante-caminhada-de-fim-de-semana/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/08/soldado-aposentado-descobre-anel-romano-de-1-700-anos-durante-caminhada-de-fim-de-semana/#respond Mon, 08 Jun 2026 09:06:04 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/08/soldado-aposentado-descobre-anel-romano-de-1-700-anos-durante-caminhada-de-fim-de-semana/ Kevin Minto, um ex-soldado e motorista de caminhão de Somerset, na Inglaterra, fez uma descoberta arqueológica notável durante uma caminhada de fim de semana. Minto, que também é um detetor de metais amador, encontrou um anel de ouro romano com cerca de 1.700 anos de idade.

O anel, que pesa 48 gramas, possui no centro uma pedra preciosa gravada com a imagem de Vitória, a deusa romana da vitória, conduzindo um biga, um tipo de carrinho puxado por dois cavalos. Segundo Minto, o artefato é único e não tem paralelo no Reino Unido.

Mais tarde, em visitas subsequentes à mesma área, Minto também descobriu um caixão forrado de chumbo, tornando o local ainda mais significativo para a arqueologia britânica recente.

A importância do achado demorou a se concretizar para Minto. Em entrevista à CNN, ele afirmou: ‘É um pouco incrível. Não foi até eu ir ao Museu Britânico e ver tudo exposto lá com as moedas que realmente afundou.’

O South West Heritage Trust adquiriu o anel após arrecadar £78.010 para comprar tanto o anel quanto o tesouro de moedas encontrado por Minto no ano anterior. Conforme a lei britânica, detetores de metais devem relatar qualquer descoberta de tesouro a um oficial local, após o qual um legista realiza uma investigação. Museus nacionais ou locais podem então solicitar a aquisição do item para benefício público, com os lucros geralmente divididos entre o descobridor e o proprietário do terreno.

Minto dividiu sua parte do prêmio com outro detetor de metais de seu grupo de veteranos militares, embolsando mais de £19.500.

Amal Khreisheh, curadora sênior do South West Heritage Trust, ofereceu suas reflexões sobre quem poderia ter sido o dono original do anel: ‘Pensamos que pertencia a alguém rico, possivelmente envolvido na administração local da região ou alguém que tinha uma propriedade agrícola no sul de Somerset, que era uma área bastante rica neste período. Havia muitas vilas e jardins, e a Via Fosse, uma estrada romana, passava por ela, proporcionando muito comércio.’

O South West Heritage Trust, em seu comunicado, chamou a descoberta de ‘extraordinária’ e ‘sem paralelo’ para o Reino Unido, enfatizando a raridade do achado.

Para Minto, a atração do detetismo de metais vai além do que pode ser encontrado. ‘Quando você encontra algo, seu coração acelera. Você nunca sabe o que é até virar a terra’, disse ele à CNN.

O anel e as moedas são mostrados a crianças de escolas locais como parte de um programa de engajamento comunitário, antes de serem expostos permanentemente no Museu de Somerset. A descoberta, segundo o Times of India, ressalta a importância de tais achados para a compreensão da história antiga.

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Fóssil revela o maior escorpião do mundo com pinças de 6 polegadas no Reino Unido há 415 milhões de anos https://www.ocafezinho.com/2026/06/07/fossil-revela-o-maior-escorpiao-do-mundo-com-pincas-de-6-polegadas-no-reino-unido-ha-415-milhoes-de-anos/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/07/fossil-revela-o-maior-escorpiao-do-mundo-com-pincas-de-6-polegadas-no-reino-unido-ha-415-milhoes-de-anos/#respond Sun, 07 Jun 2026 08:42:43 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/07/fossil-revela-o-maior-escorpiao-do-mundo-com-pincas-de-6-polegadas-no-reino-unido-ha-415-milhoes-de-anos/ Um fóssil descoberto no Reino Unido desvendou um dos predadores mais formidáveis da Era Devoniana. O escorpião, nomeado Praearcturus gigas, media cerca de 3,3 pés (1 metro) e possuía pinças de aproximadamente 6,2 polegadas (16 centímetros).

Segundo a Universidade de Manchester, o P. gigas viveu durante o Período Devoniano inicial, quando a vida terrestre ainda estava em suas fases iniciais e dominada por pequenos artrópodes. Este achado muda fundamentalmente nossa compreensão sobre a evolução do gigantismo em artrópodes.

Richard Howard, curador de artrópodes fósseis no Museu de História Natural de Londres, afirmou que confirmar que este animal era um escorpião altera nossa percepção sobre como e quando essas criaturas evoluíram para tamanhos extraordinários. Os restos mortais do P. gigas foram recuperados de locais na Inglaterra e no País de Gales, sendo documentados pela primeira vez na década de 1870.

Russell Garwood, paleontólogo da Universidade de Manchester, destacou que o Praearcturus tem intrigado os paleontólogos por mais de um século. Inicialmente, os pesquisadores suspeitavam que os restos representavam um crustáceo semelhante a uma rolinha. No entanto, estudos posteriores sugeriram que os fósseis pertenciam a um escorpião, embora essa interpretação fosse posteriormente questionada devido à natureza fragmentária dos restos conhecidos e à ausência da característica cauda de escorpião.

No mais recente estudo, publicado na revista Palaeontology, os autores reexaminaram amostras-chave do P. gigas utilizando técnicas modernas de imagem e análise. Eles também compararam esses espécimes com outros fósseis e animais pré-históricos recentemente descritos, que foram identificados com mais certeza como escorpiões. A análise indicou que o P. gigas é de fato um escorpião, e a equipe reclassificou vários outros espécimes encontrados na mesma formação geológica para a espécie.

Além disso, os pesquisadores sugeriram que a criatura pode ter sido parcialmente aquática, com base na presença de estruturas semelhantes a abas, conhecidas como epímeras, em alguns dos fósseis. Essas estruturas fornecem suporte e proteção às carapaças duras de lagostas e caranguejos. De acordo com Howard, sem ecossistemas complexos para apoiar o Praearcturus na terra, esses animais provavelmente passaram parte de suas vidas nadando e se alimentando na água.

Um estilo de vida semi-aquático poderia explicar parcialmente o tamanho maior do escorpião em comparação com seus parentes modernos, já que a água pode suportar corpos maiores. Além disso, a falta de competição de outros grandes predadores terrestres pode ter permitido que o P. gigas atingisse tamanhos que seriam mais difíceis de alcançar caso houvesse outros predadores presentes.

Garwood ressaltou que, reunindo material de várias coleções e utilizando técnicas de imagem avançadas, foi possível construir uma imagem mais clara do animal do que era anteriormente possível, o que é realmente emocionante. O que torna o Praearcturus tão interessante é que ele se tornou enorme em um momento em que a vida na terra era relativamente pequena, mas era um mundo que, de alguma forma, podia sustentar um predador gigante.

Este descobrimento oferece novas perspectivas sobre a história evolutiva do gigantismo em artrópodes, conforme revelou a pesquisa.

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Maior escorpião do mundo tinha garras de 16 cm e dominou Reino Unido há 415 milhões de anos https://www.ocafezinho.com/2026/06/05/maior-escorpiao-do-mundo-tinha-garras-de-16-cm-e-dominou-reino-unido-ha-415-milhoes-de-anos/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/05/maior-escorpiao-do-mundo-tinha-garras-de-16-cm-e-dominou-reino-unido-ha-415-milhoes-de-anos/#respond Fri, 05 Jun 2026 21:31:05 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/05/maior-escorpiao-do-mundo-tinha-garras-de-16-cm-e-dominou-reino-unido-ha-415-milhoes-de-anos/ Uma criatura colossal que aterrorizou os pântanos primitivos do que hoje é o Reino Unido teve sua verdadeira identidade confirmada pela ciência. O Praearcturus gigas, um escorpião que podia atingir até 1 metro de comprimento e portava pinças de impressionantes 16 centímetros, é agora reconhecido como o maior escorpião que já existiu na Terra.

O estudo, publicado na revista Palaeontology, encerra um debate de mais de um século entre os paleontólogos sobre a classificação deste enigmático artrópode. O animal viveu durante o início do Período Devoniano, cerca de 415 milhões de anos atrás, quando a maior parte da vida terrestre ainda era diminuta e os ecossistemas complexos estavam longe de se formar.

Os primeiros fósseis fragmentados foram descobertos na Inglaterra e no País de Gales ainda na década de 1870 e imediatamente geraram controvérsia. Inicialmente, os pesquisadores acreditaram que os restos pertenciam a um crustáceo semelhante a um tatuzinho-de-jardim gigante, hipótese que só seria desafiada nos anos 1980.

Naquela década, alguns cientistas propuseram que os fósseis eram, na verdade, de um escorpião ancestral, mas a ausência da cauda característica do grupo e o estado fragmentário do material mantiveram a dúvida. A virada veio com o uso de técnicas modernas de imagem e análise computacional aplicadas aos espécimes guardados nas coleções do Museu de História Natural de Londres.

Segundo Richard Howard, curador de artrópodes fósseis do Museu de História Natural de Londres e principal autor do estudo, a confirmação de que se trata de um escorpião transforma a compreensão sobre a evolução do gigantismo nestes animais. Howard explicou, em comunicado da Universidade de Manchester, que o Praearcturus intrigava os especialistas há gerações pela dificuldade de encaixá-lo em qualquer grupo conhecido.

Russell Garwood, paleontólogo da Universidade de Manchester e coautor da investigação, destacou que a reunião de material de múltiplas coleções e o uso de técnicas de ponta permitiram construir uma imagem muito mais nítida do animal. A análise revelou que o escorpião provavelmente tinha um estilo de vida semiaquático, caçando tanto em terra quanto na água, conforme sugerem estruturas em forma de aba encontradas em alguns fósseis.

Essas estruturas, conhecidas como epímeros, são semelhantes às que fornecem suporte e proteção às carapaças de lagostas e caranguejos modernos. Segundo os pesquisadores, sem ecossistemas terrestres complexos para sustentar um predador desse porte, o P. gigas provavelmente passava parte significativa de sua vida caçando em ambientes aquáticos.

A água teria ajudado a suportar o corpo massivo do escorpião, algo que seus parentes atuais, muito menores, não precisam enfrentar. O gigantismo do Praearcturus também reflete a relativa ausência de competidores terrestres de grande porte naquele período, o que pode ter permitido que ele atingisse dimensões que seriam muito mais difíceis de alcançar em um mundo com predadores concorrentes.

O Devoniano Inferior foi um capítulo crucial na história da vida, quando os artrópodes dominavam os ambientes terrestres e de água doce antes do surgimento das florestas e dos vertebrados de grande porte. A confirmação de que um escorpião de 1 metro patrulhava as planícies aluviais britânicas adiciona uma peça espetacular a esse quebra-cabeça evolutivo.

A reportagem foi publicada originalmente pelo portal Live Science, que detalhou os achados da equipe liderada por Howard e Garwood. Os fósseis reexaminados agora recebem uma nova posição na árvore da vida, encerrando décadas de incerteza taxonômica.

Para Garwood, o que torna o Praearcturus tão fascinante é justamente o fato de ter se tornado imenso num mundo onde a vida terrestre ainda era muito pequena. Era, nas palavras do cientista, um mundo que de alguma forma conseguia sustentar um predador gigante.

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Estudo revela jornada planejada da pedra do altar de Stonehenge por 700 km na Grã-Bretanha antiga https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/estudo-revela-jornada-planejada-da-pedra-do-altar-de-stonehenge-por-700-km-na-gra-bretanha-antiga/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/estudo-revela-jornada-planejada-da-pedra-do-altar-de-stonehenge-por-700-km-na-gra-bretanha-antiga/#respond Thu, 04 Jun 2026 09:39:35 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/estudo-revela-jornada-planejada-da-pedra-do-altar-de-stonehenge-por-700-km-na-gra-bretanha-antiga/ Um novo estudo conduzido pela Curtin University revelou a jornada épica da Pedra do Altar de Stonehenge, mostrando que o bloco de seis toneladas foi transportado ao longo de 700 quilômetros a partir do nordeste da Escócia. A pesquisa comprovou que o transporte não foi obra de geleiras, mas resultado de um esforço humano meticulosamente planejado em múltiplas etapas.

Publicado no Journal of Quaternary Science, o estudo combinou datação de grãos minerais com modelagem de camadas de gelo para reconstituir a possível rota da pedra. Os resultados reforçam que as comunidades neolíticas possuíam capacidades organizacionais muito superiores ao que se imaginava anteriormente.

O coautor principal, Dr. Anthony Clarke, do Grupo de Sistemas de Escalas de Tempo de Minerais da Escola de Ciências da Terra e Planetárias da Curtin University, afirmou que as evidências apontam para um movimento deliberado e cuidadosamente planejado. Segundo ele, a modelagem mostra que as geleiras podem ter carregado rochas apenas parcialmente, possivelmente até Dogger Bank, no Mar do Norte, mas jamais até o sul da Inglaterra.

Isso significa que, mesmo com a ajuda natural do gelo em parte do trajeto, os povos antigos ainda precisaram mover a pedra por centenas de quilômetros por conta própria. O estudo descarta a existência de rotas glaciais viáveis ligando diretamente a fonte da rocha a Stonehenge, fortalecendo a conclusão de que o transporte humano foi indispensável.

De acordo com os pesquisadores, o trajeto provavelmente combinou o arrasto por terra com o transporte fluvial ou costeiro sempre que possível. Essa logística multimodal exigiria um conhecimento profundo do terreno, coordenação entre diferentes grupos e uma determinação notável para concluir a façanha.

A Pedra do Altar, um megálito de arenito que ocupa a posição central no círculo de Stonehenge, intrigava cientistas há décadas devido à distância entre sua origem geológica e o monumento. As novas descobertas encerram as especulações de que o transporte teria sido meramente acidental ou exclusivamente glacial, revelando uma operação deliberada de engenharia pré-histórica.

A pesquisa foi conduzida em colaboração com especialistas da Sheffield Hallam University, da University of Sheffield, da Wessex Archaeology e da University of Bristol, todas do Reino Unido. Segundo apontou o portal Phys.org, o próximo passo das investigações será localizar com precisão a fonte exata da pedra no nordeste escocês e mapear as rotas de transporte utilizadas.

Os achados do estudo têm implicações significativas para a compreensão da organização social no Neolítico, sugerindo a existência de redes de cooperação inter-regional complexas. A capacidade de mover um bloco de seis toneladas por 700 quilômetros implica não apenas força física, mas também sofisticados sistemas de comunicação e acordos entre comunidades distantes.

A combinação de métodos geológicos e computacionais utilizada pelos cientistas australianos e britânicos demonstra como tecnologias modernas podem lançar nova luz sobre mistérios milenares. Essa abordagem interdisciplinar permitiu testar hipóteses que antes eram impossíveis de verificar com precisão.

O estudo foi referenciado com os DOIs 10.1002/jqs.70080 e 10.1038/s43247-025-03105-3, publicado no periódico científico Journal of Quaternary Science. A Curtin University, sediada na Austrália, liderou a investigação que agora redefine a história de um dos monumentos mais emblemáticos do mundo.

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Reino Unido obriga Google a criar botão de fuga para sites em buscas de IA https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/reino-unido-obriga-google-a-criar-botao-de-fuga-para-sites-em-buscas-de-ia/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/reino-unido-obriga-google-a-criar-botao-de-fuga-para-sites-em-buscas-de-ia/#respond Wed, 03 Jun 2026 20:34:36 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/reino-unido-obriga-google-a-criar-botao-de-fuga-para-sites-em-buscas-de-ia/ O Reino Unido impôs barreiras legais ao avanço das buscas com inteligência artificial do Google, forçando a empresa a oferecer uma rota de escape para publishers. A partir de agora, qualquer site poderá optar por não ter seu conteúdo exibido nos recursos generativos de busca da empresa, como os populares AI Overviews e AI Mode.

O anúncio foi feito pelo próprio Google, em cumprimento às exigências da Autoridade de Concorrência e Mercados do Reino Unido (CMA). A companhia habilitou um novo interruptor em seu Search Console — ferramenta gratuita usada por administradores de sites para gerenciar sua presença nos resultados de busca — que permite remover instantaneamente o conteúdo de um domínio de todas as funcionalidades de IA generativa.

Segundo reportagem do TechCrunch, a medida é descrita pela CMA como uma estreia mundial na devolução do controle aos produtores de conteúdo. O órgão regulador britânico destaca que a nova regra coloca organizações jornalísticas e outros publishers em posição mais forte para negociar acordos comerciais com o Google pelo uso de seus materiais nos recursos de inteligência artificial.

O Google, naturalmente, fez questão de exibir sua musculatura no mesmo comunicado em que anunciou a conformidade regulatória. A empresa revelou que seus AI Overviews já ultrapassaram 2,5 bilhões de usuários ativos mensais, enquanto o AI Mode — uma experiência de busca inteiramente generativa — superou a marca de um bilhão de usuários por mês.

A CMA havia designado o Google como detentor de status estratégico de mercado em outubro do ano passado, pavimentando o terreno para intervenções regulatórias mais duras. Em janeiro, o órgão pressionou a empresa a dar aos editores de sites uma escolha real sobre se seu conteúdo seria agregado nos recursos de IA ou usado para treinar modelos autônomos.

Além da opção de exclusão, o Google também foi obrigado a garantir que o conteúdo de publishers exibido nos recursos de IA seja devidamente atribuído, com links claros e visíveis. A empresa afirmou que está cumprindo essa exigência, tendo aumentado recentemente o número de links incorporados diretamente em suas respostas geradas por inteligência artificial e adicionado prévias de sites para incentivar os cliques.

Um ponto crucial para acalmar os receios dos editores: a decisão de um site de se retirar das buscas generativas de IA não será usada como sinal de ranqueamento na busca tradicional do Google. Ou seja, quem optar por sair do ecossistema de IA não será punido com quedas nas posições orgânicas convencionais.

A gigante de Mountain View, no entanto, não larga o osso sem uma estratégia de persuasão. O Google apresentará novas métricas em seu Search Console para tentar demover publishers que estejam considerando a exclusão, incluindo dados de impressões e informações sobre quais páginas aparecem nas respostas de IA e em quais países. O teste inicial da funcionalidade de opt-out será conduzido com um subconjunto de publishers do Reino Unido antes de sua implementação global.

A empresa prometeu que mais métricas serão adicionadas ao longo do tempo, em uma clara tentativa de convencer os produtores de conteúdo de que vale a pena permanecer dentro de seu ecossistema de inteligência artificial. A regulação britânica representa um contrapeso importante ao poder concentrado das plataformas americanas de tecnologia, que nos últimos anos passaram a sugar e reorganizar o conteúdo da web sem qualquer consentimento explícito de quem o produziu. Resta saber se outros países seguirão o exemplo e imporão limites semelhantes ao extrativismo digital das big techs.

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Pesquisadores derrubam lei fundamental dos buracos negros com inteligência artificial https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/pesquisadores-derrubam-lei-fundamental-dos-buracos-negros-com-inteligencia-artificial/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/pesquisadores-derrubam-lei-fundamental-dos-buracos-negros-com-inteligencia-artificial/#respond Wed, 03 Jun 2026 12:03:07 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/pesquisadores-derrubam-lei-fundamental-dos-buracos-negros-com-inteligencia-artificial/ A terceira lei da mecânica de buracos negros, considerada um pilar da astrofísica teórica há mais de cinco décadas, foi refutada por estudo da Universidade de Cambridge que utilizou simulações numéricas e inteligência artificial. A descoberta, publicada na revista Physical Review Letters, demonstra que buracos negros extremos, com temperatura zero, podem se formar em tempo finito apenas pela absorção de ondas gravitacionais, sem necessidade de matéria externa.

O trabalho foi liderado por John R. Crump, pesquisador da Universidade de Cambridge e primeiro autor do artigo, que explicou ao portal Phys.org o significado da descoberta. Segundo Crump, a prova teórica anterior que sustentava a terceira lei, proposta pelo físico Werner Israel em 1986, continha uma suposição que parecia fisicamente razoável, mas que se revelou falha décadas depois.

Em 2022, os físicos Ryan Unger e Christoph Kehle já haviam abalado a comunidade científica ao demonstrar que a terceira lei era falsa para buracos negros carregados eletricamente que absorvem matéria carregada idealizada. O novo estudo avança ao provar que a violação ocorre mesmo na gravidade a vácuo, onde não há matéria, gás ou radiação, apenas o próprio tecido do espaço-tempo e ondas gravitacionais.

A equipe de Cambridge trabalhou com um cenário em cinco dimensões espaciais, e não nas quatro dimensões habituais. Crump esclarece que a escolha não foi arbitrária: há uma simetria matemática em cinco dimensões que torna o problema consideravelmente mais tratável, algo inexistente no espaço quadridimensional.

Para realizar as simulações, os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada colagem característica, que conecta diferentes regiões do espaço-tempo em uma estrutura maior que satisfaz as equações de Einstein. Eles uniram uma região inicial contendo um buraco negro de Schwarzschild, sem rotação e sem carga elétrica, a uma região final com um buraco negro extremo de temperatura zero.

O diferencial metodológico do estudo foi o emprego de redes neurais artificiais para encontrar a região de interpolação entre essas duas configurações do espaço-tempo. Em vez de prever palavras como fazem os grandes modelos de linguagem, essas redes recebem coordenadas como entrada e produzem a geometria do espaço-tempo como saída, utilizando os mesmos métodos de treinamento de plataformas como o ChatGPT.

A implicação mais profunda da descoberta é que a terceira lei se mostra falsa independentemente do modelo de matéria adotado. Seja o modelo padrão da física de partículas, matéria escura ou fluidos carregados, a gravidade sozinha é suficiente para levar um buraco negro à temperatura zero. Isso contraria a expectativa histórica de que seria impossível reduzir a temperatura de um buraco negro ao zero absoluto.

Buracos negros extremos são objetos exóticos com propriedades peculiares, como gravidade superficial nula e ausência de radiação Hawking padrão, o que significa que não evaporariam no vácuo. O fato de poderem se formar abre portas para uma série de fenômenos até então considerados impossíveis, e Crump acredita que essa linha de investigação pode revelar ainda mais segredos da relatividade geral de Einstein.

O próximo passo da equipe é investigar se a terceira lei também é violada na gravidade a vácuo em quatro dimensões, o cenário que corresponde ao nosso universo observável. Crump admite que a tarefa é tecnicamente mais desafiadora e que ainda não está claro se a violação se mantém nesse caso, mas os pesquisadores pretendem seguir investigando.

Com informações de https://phys.org/.

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Reino Unido retoma laços estratégicos com a China em visita oficial https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/reino-unido-rompe-era-glacial-diplomatica-e-retoma-lacos-estrategicos-com-a-china/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/reino-unido-rompe-era-glacial-diplomatica-e-retoma-lacos-estrategicos-com-a-china/#respond Wed, 03 Jun 2026 10:01:52 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/reino-unido-rompe-era-glacial-diplomatica-e-retoma-lacos-estrategicos-com-a-china/ A secretária de Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, iniciou uma visita oficial de três dias a Pequim, consolidando o degelo nas relações bilaterais. Cooper foi recebida pelo vice-presidente chinês Han Zheng no Grande Salão do Povo, onde defendeu diálogo com franqueza e respeito, apesar das divergências persistentes entre Londres e Beijing.

O movimento britânico reflete uma recomposição mais ampla do tabuleiro geopolítico global. De acordo com reportagem do portal Al Jazeera, líderes e autoridades dos Estados Unidos, Irlanda, Espanha, Alemanha, Canadá e Finlândia também viajaram à China este ano, em um contexto de instabilidade mundial, ruptura de cadeias de suprimentos e volatilidade nos mercados.

Cooper apelou diretamente à cooperação para enfrentar desafios globais como os conflitos na República Islâmica do Irã e na Ucrânia, além do surto de ebola na República Democrática do Congo. A chefe da diplomacia britânica sublinhou que ambos os países compartilham o interesse em uma ordem internacional baseada em regras, ainda que partam de posições distintas sobre o que essa ordem deve significar na prática.

O momento da reaproximação não é casual. Os Estados Unidos têm sido acusados de demolir a própria arquitetura internacional que ajudaram a erguer após a Segunda Guerra Mundial, enquanto a China se posiciona como potência estável e previsível. Para o Reino Unido, a imprevisibilidade de Washington foi o fator que inclinou a balança na direção de Beijing, em um momento em que a economia britânica patina e os choques globais de preços de energia castigam o país.

John Minnich, professor do Departamento de Relações Internacionais da London School of Economics, explicou à Al Jazeera que o Reino Unido é um caso atípico entre as grandes economias ocidentais, pois seus pontos fortes complementam, em vez de competir com, a China. Enquanto a Alemanha depende da manufatura de alto valor agregado, onde os chineses avançam com força, os britânicos concentram-se em serviços financeiros sofisticados, setor em que a China ainda demanda expertise externa.

A visita de Cooper inclui uma etapa em Shenzhen, polo tecnológico chinês, onde serão discutidos os vínculos comerciais e os desafios da inteligência artificial. O interesse britânico na tecnologia limpa chinesa é concreto: no início do ano, durante a viagem do primeiro-ministro Rishi Sunak a Beijing, a Octopus Energy, maior fornecedora de eletricidade do Reino Unido por participação de mercado, anunciou uma joint venture com a PCG Power para comercializar energia renovável no mercado chinês.

O acesso a equipamentos e inovação chinesa de baixo custo pode acelerar a transição energética britânica e reduzir os custos da descarbonização. Jing Gu, diretora do Centro de Potências Emergentes e Desenvolvimento Global do Instituto de Estudos de Desenvolvimento do Reino Unido, alerta que essa dependência não pode tornar-se passiva, mas reconhece que potências médias como o Reino Unido estão ganhando tempo para sustentar o crescimento, reequilibrar resiliências e manter canais diplomáticos abertos enquanto o cenário estratégico global permanece indefinido.

No plano bilateral, porém, as tensões não desapareceram por completo. A delegação britânica viajou com telefones descartáveis por precaução contra espionagem, e o governo Sunak enfrenta pressão interna pela aprovação da controversa mega-embaixada chinesa em Londres, que críticos apontam como possível centro de operações de inteligência. A secretária também deve levantar o caso do magnata da mídia e líder pró-democracia Jimmy Lai, cidadão britânico preso em Hong Kong, além das preocupações com o apoio chinês à Rússia na guerra da Ucrânia.

Steve Tsang, diretor do Instituto da China na School of Oriental and African Studies de Londres, resume o movimento com pragmatismo: o Reino Unido busca engajamento econômico, e a China quer aproveitar as fissuras entre os Estados Unidos e as democracias europeias, tudo a baixo custo e com concessões mínimas. A interdependência, porém, é de mão dupla — se os serviços financeiros ocidentais deixassem de estar disponíveis para a China, o impacto na economia chinesa seria severo.

O degelo anglo-chinês simboliza mais do que uma mera correção de rota bilateral. O movimento expõe os limites da estratégia de confrontação que marcou os anos anteriores e revela um Ocidente fragmentado, onde aliados históricos dos EUA já não disfarçam a necessidade de encontrar em Beijing um contrapeso à erosão da ordem internacional conduzida por Washington. A era glacial terminou, e o termômetro agora sobe rapidamente.

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Marcas vermelhas em caverna galesa são confirmadas como arte rupestre mais antiga da Grã-Bretanha https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/marcas-vermelhas-em-caverna-galesa-sao-confirmadas-como-arte-rupestre-mais-antiga-da-gra-bretanha/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/marcas-vermelhas-em-caverna-galesa-sao-confirmadas-como-arte-rupestre-mais-antiga-da-gra-bretanha/#respond Wed, 03 Jun 2026 00:31:34 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/marcas-vermelhas-em-caverna-galesa-sao-confirmadas-como-arte-rupestre-mais-antiga-da-gra-bretanha/ Um novo estudo científico confirmou que marcas vermelhas em uma caverna no sul do País de Gales representam a arte rupestre mais antiga da Grã-Bretanha, datando de aproximadamente 17 mil anos. Conforme relatado pela Smithsonian Magazine, a descoberta encerra uma controvérsia centenária iniciada em 1912, quando as linhas paralelas pintadas na parede da caverna Bacon Hole foram inicialmente classificadas como arte pré-histórica, mas depois descartadas como um fenômeno natural.

Em 1928, pesquisadores argumentaram que os traços vermelhos seriam apenas infiltrações de óxido de ferro, e as marcas caíram no esquecimento. Uma equipe liderada pelo arqueólogo George Nash, vinculado à Universidade de Coimbra e à Universidade de Liverpool, utilizou datação por urânio-tório sobre os pigmentos para determinar que as 11 linhas foram pintadas entre 18.300 e 15.700 anos atrás. O resultado, publicado no periódico Quaternary, recoloca Bacon Hole como detentora da mais antiga expressão artística rupestre das Ilhas Britânicas e de todo o noroeste europeu.

As linhas vermelhas estão dispostas horizontalmente e equidistantes, o que, segundo os pesquisadores, indica um padrão deliberado e estruturado, afastando de vez a hipótese de origem natural. Os cientistas também encontraram pontos e borrões vermelhos em outras partes da caverna, sugerindo que o artista trabalhou com os próprios dedos. A tinta, uma mistura de hematita – um composto de óxido de ferro – e resíduos de argila, provavelmente foi coletada no fundo da própria caverna.

Para Nash, as marcas não devem ser vistas apenas como expressão estética. Nós, com nossa mentalidade do século 21, chamamos aquilo de arte, mas há 17.100 anos aquilo provavelmente era um sistema de comunicação, explicou o arqueólogo à BBC Wales, sugerindo que poderiam ser marcas de contagem cujo significado está muito além da nossa compreensão.

A caverna Bacon Hole, situada na península de Gower, ao longo do Canal de Bristol, foi redescoberta em 2022, depois de ter sido esquecida por quase um século, pois os cientistas de 1912 não especificaram sua localização. Durante o Pleistoceno Superior, a região era um platô fértil, ainda sem árvores e recém-saído da Era do Gelo, habitado sazonalmente por mamutes, bisões, cavalos e renas, que atraíam grupos de caçadores-coletores.

O fato de a arte rupestre estar localizada em uma das câmaras mais profundas e escuras da caverna sugere um significado simbólico ou ritualístico. A própria escuridão pode ter sido parte essencial da experiência ritual, afirmou Nash à Live Science, destacando que câmaras profundas são acusticamente incomuns e visualmente desorientadoras.

Antes do novo estudo, o título de arte rupestre mais antiga do Reino Unido pertencia a uma pequena gravura de rena em outra caverna da península de Gower, Cathole Cave, datada de 14.500 anos atrás, também identificada por Nash em 2012. Agora sob os cuidados do National Trust, Bacon Hole revela que a tradição de marcar as rochas no atual País de Gales é ainda mais profunda.

Com informações de https://www.science.org/.

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Rússia sanciona cinco britânicos por disseminação de desinformação e apoio a Kiev https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/russia-sanciona-cinco-britanicos-por-disseminacao-de-desinformacao-e-apoio-a-kiev/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/russia-sanciona-cinco-britanicos-por-disseminacao-de-desinformacao-e-apoio-a-kiev/#respond Tue, 02 Jun 2026 20:31:48 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/russia-sanciona-cinco-britanicos-por-disseminacao-de-desinformacao-e-apoio-a-kiev/ O Ministério das Relações Exteriores da Rússia anunciou a inclusão de cinco cidadãos britânicos na lista de proibição de entrada no país. A medida é uma resposta às ações hostis de Londres, à disseminação de desinformação e ao esforço concentrado para abastecer o governo de Kiev com armamento.

Segundo o comunicado, o Reino Unido insiste em prolongar o conflito na Ucrânia a qualquer custo, o que provoca mais mortes de civis e a destruição do Estado ucraniano. A nota exorta Londres a renunciar às medidas agressivas antirrussas e ao apoio ao governo de Vladimir Zelensky.

A nova lista de sancionados inclui jornalistas e especialistas que atuam na disseminação de informações falsas e difamatórias. Também figuram dois diretores de empresas de segurança britânicas que recrutam pessoal para sustentar o governo de Kiev, sob o disfarce de projetos pseudo-humanitários na Ucrânia.

A informação foi divulgada pela agência RT e confirmada pelo ministério russo. As relações entre Moscou e Londres permanecem congeladas desde o início da operação militar especial na Ucrânia.

O governo britânico é um dos principais fornecedores de ajuda militar ao governo ucraniano. A Rússia considera que tais ações prolongam o derramamento de sangue e minam qualquer perspectiva de solução pacífica. O Kremlin não divulgou os nomes dos cinco indivíduos até o momento. O Ministério das Relações Exteriores prometeu divulgar mais detalhes em breve.

Com informações de RT.

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Rússia acusa França e Reino Unido de pirataria em águas internacionais https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/russia-acusa-franca-e-reino-unido-de-pirataria-em-aguas-internacionais/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/russia-acusa-franca-e-reino-unido-de-pirataria-em-aguas-internacionais/#respond Mon, 01 Jun 2026 21:31:58 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/russia-acusa-franca-e-reino-unido-de-pirataria-em-aguas-internacionais/
Ilustração editorial sobre Rússia acusa França e Reino Unido de pirataria em águas internacionais.

A Federação Russa acusou formalmente a França e o Reino Unido de cometerem ato de pirataria em águas internacionais. A denúncia foi apresentada pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, após forças navais francesas e britânicas interceptarem o navio cargueiro Tagor.

O navio seguia de Murmansk, no norte russo, com destino a Camarões, na costa ocidental africana. A embarcação foi abordada a mais de 400 milhas náuticas da costa da Bretanha, segundo relato oficial russo.

Autoridades francesas alegaram que o navio operava sob bandeira falsa, mas Moscou refutou a versão e exigiu esclarecimentos. A representação diplomática russa em Paris foi acionada para cobrar informações detalhadas do governo francês, conforme informou o portal RT.

Zakharova afirmou que a operação viola o direito marítimo internacional. Moscou adotou todas as medidas necessárias para proteger os tripulantes russos a bordo do cargueiro.

A França baseou sua justificativa no Artigo 110 da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. O dispositivo autoriza navios de guerra a abordar embarcações em alto-mar em circunstâncias limitadas.

A diplomacia russa sustenta que nenhum artigo da convenção permite que um navio militar obrigue uma embarcação civil a alterar sua rota. A ação também não autoriza escolta coercitiva até um porto nacional.

Zakharova rebateu insinuações de que o Tagor violava sanções internacionais. A porta-voz argumentou que apenas restrições aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU possuem legitimidade.

Medidas unilaterais impostas por países europeus não podem ser consideradas direito internacional válido. O governo russo vê na ação um precedente perigoso de aplicação seletiva de normas jurídicas.

Zakharova acusou governos europeus de interpretarem disposições legais conforme seus próprios interesses. A tentativa de impor sanções em zonas regidas pela liberdade de navegação pode ter consequências graves para o comércio marítimo global.

A diplomata lembrou que embarcações europeias navegam sob bandeiras de conveniência. Se a prática de enforcement se estender ao alto-mar, os próprios europeus podem arcar com custos elevados na cadeia logística internacional.

Com informações de RT.


Leia também: Marinha francesa intercepta petroleiro russo no Atlântico em nova escalada de sanções


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Tesouro de 160 moedas celtas e escudos miniaturas revela rituais esquecidos da Idade do Ferro https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/tesouro-de-160-moedas-celtas-e-escudos-miniaturas-revela-rituais-esquecidos-da-idade-do-ferro/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/tesouro-de-160-moedas-celtas-e-escudos-miniaturas-revela-rituais-esquecidos-da-idade-do-ferro/#respond Mon, 01 Jun 2026 12:09:27 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/01/tesouro-de-160-moedas-celtas-e-escudos-miniaturas-revela-rituais-esquecidos-da-idade-do-ferro/
Peça arqueológica celta com detalhes ornamentais exposta em caixa de museu. (Foto: bbc.com)

O silêncio dos campos de Cotswolds, no coração da Inglaterra, guardava um segredo que acaba de emergir do solo como uma mensagem cifrada de outra era. O Corinium Museum, em Cirencester, adquiriu um tesouro ‘enormemente significativo’ — mais de 160 moedas da Idade do Ferro e um conjunto de armas miniaturas que desafiam a compreensão moderna sobre os rituais celtas.

Datadas do século I a.C., as peças pertenceram à enigmática tribo dos dobunni, que habitava Gloucestershire, Bristol e o norte de Somerset antes da invasão romana da Britânia. Foram descobertas por Kevin Houghton, um detectorista amador cuja paciência e intuição transformaram uma jornada comum em um instante de revelação arqueológica.

Houghton, que já acumula cerca de 500 achados ao longo dos anos, relembra aquele dia como ‘apenas mais um passeio, mais um campo’ até que moedas da Idade do Ferro começaram a brotar da terra. Ele descreve o fascínio por trazer à luz objetos perdidos e esquecidos, devolvendo-os ao olhar público como testemunhas de um passado remoto.

O espólio inclui minúsculos escudos e pontas de lança forjados em ferro e liga de cobre, que não eram meros brinquedos, mas oferendas votivas depositadas em rituais sagrados. Essa prática de consagrar armamento em miniatura surgiu cerca de 150 a.C. e perdurou durante as primeiras fases da ocupação romana, sugerindo uma ponte entre crenças autóctones e influências estrangeiras.

Muitas das moedas exibem um intrigante motivo de cavalo de três caudas, símbolo distintivo dos dobunni, como se cada peça carimbasse uma assinatura tribal cifrada no metal. Segundo a BBC, o museu pagou 13.250 libras pelo conjunto e agora empreende uma campanha para arrecadar outras 25 mil libras, necessárias à conservação e exibição dos históricos objetos.

Emma Stuart, diretora do Corinium Museum, qualificou a coleção como ‘de enorme significado’ e anunciou que ela se tornará o ponto focal da galeria dedicada à Idade do Ferro. Stuart acrescentou que o oppidum de Bagendon, um assentamento fortificado nas proximidades, já apresentava indícios claros de cunhagem local de moedas, o que torna o achado ainda mais revelador.

James Harris, oficial de engajamento de coleções do museu, sublinhou que o tesouro proporciona uma janela singular para a vida, as crenças e a destreza artística dos dobunni na transição entre o período tardo-celta e o alvorecer romano. Para Harris, o grupo completo e notavelmente preservado de objetos realmente insufla vida ao passado e acende uma curiosidade pública que transcende os círculos acadêmicos.

Enquanto isso, uma escavação arqueológica continua no local exato da descoberta, tentando decifrar os motivos que levaram os dobunni a depositar ali suas moedas e armas miniaturas. Os pesquisadores esperam que as camadas de terra revelem novos indícios sobre práticas cerimoniais que conectavam o mundo visível ao invisível, desafiando a fronteira entre o histórico e o mítico.

O achado ecoa como um sussurro de uma paisagem ritual onde o metal fundido e martelado servia de linguagem entre os vivos e as forças ocultas da natureza. Cada moeda com seu cavalo tricáudico parece carregar uma narrativa que sobreviveu ao silêncio de milênios, pronta para ser recontada nas vitrines do museu.

À medida que o Corinium Museum avança na restauração, o público poderá em breve contemplar de perto essas relíquias que um dia foram ofertadas com devoção em algum recanto sagrado de Cotswolds. O tesouro dos dobunni não é apenas um catálogo de objetos; é um portal para um universo onde o metal falava e os deuses escutavam.


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Com informações de https://www.nature.com/.

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Mosca parasita sacrifica a visão ao se fixar em hospedeiro, revela estudo https://www.ocafezinho.com/2026/05/31/mosca-parasita-sacrifica-a-visao-ao-se-fixar-em-hospedeiro-revela-estudo/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/31/mosca-parasita-sacrifica-a-visao-ao-se-fixar-em-hospedeiro-revela-estudo/#respond Mon, 01 Jun 2026 00:33:25 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/31/mosca-parasita-sacrifica-a-visao-ao-se-fixar-em-hospedeiro-revela-estudo/
Duas pulgas-de-veado (Deer keds) sobre pelo de animal, insetos parasitas conhecidos por atacar mamíferos.

Uma mosca parasita conhecida como ‘mosca do veadeiro’ (deer ked) sacrifica parte da visão após encontrar um hospedeiro e se fixar para se alimentar de sangue, revela um novo estudo. A pesquisa, publicada no Journal of Experimental Biology, mostra como a evolução ajusta os sistemas sensoriais de forma drástica quando um inseto abandona a vida aérea para se tornar um ectoparasita.

Cientistas das universidades de Aberystwyth (Reino Unido) e de Florença (Itália) analisaram os olhos dessas moscas em diferentes fases da vida. Eles constataram, conforme reportagem do portal phys.org, que a atividade dos genes da visão cai pela metade após a perda das asas.

As moscas do veadeiro, que picam mamíferos e ocasionalmente humanos, usam os olhos e o voo para localizar um hospedeiro. Uma vez pousadas, perdem permanentemente as asas e passam o resto da vida rastejando pelo pelo do animal.

O trabalho, liderado por Roger Santer, indica que a mosca não perde completamente a visão, mas reduz a sensibilidade visual para economizar energia. Segundo o pesquisador, ‘a visão desempenha um papel vital no comportamento animal, mas também é energeticamente cara, e a evolução favorece sistemas sensoriais eficientemente ajustados ao estilo de vida’.

A mosca do veadeiro transita entre dois estilos de vida radicalmente distintos, fazendo a transição completa de um caçador aéreo para um parasita rastejante. Enquanto algumas moscas hematófagas dependem muito da visão para caçar, essa espécie realiza a troca de forma abrupta e definitiva.

Para medir a mudança, os pesquisadores examinaram a atividade dos genes opsina, responsáveis pela sensibilidade à luz, em moscas aladas e em indivíduos sem asas. “Descobrimos que o sistema visual de uma mosca alada é muito semelhante ao da mosca tsé-tsé, famosa por caçar mamíferos na África”, afirmou Santer.

Após a perda das asas, no entanto, a atividade dos genes opsina foi reduzida a cerca da metade do nível anterior. Os cientistas acreditam que essa regulação libere recursos que podem ser redirecionados para a digestão, a reprodução e outras funções essenciais à vida parasitária.

O estudo também revela que o sacrifício da visão não é um desligamento completo, mas um ajuste fino. A mosca mantém alguma capacidade visual, o que pode ser útil para navegar no pelo do hospedeiro ou detectar movimentos próximos.

Compreender como moscas que picam usam seus sentidos pode ajudar a desenvolver estratégias mais eficientes de monitoramento e manejo. A pesquisa reforça a importância de estudar a evolução dos sistemas sensoriais sob a pressão de diferentes estilos de vida.

Os ‘deer keds’ estão distribuídos pela Europa, Ásia, África e Américas e, embora prefiram veados, podem atacar humanos, causando picadas dolorosas. A nova compreensão sobre como essas moscas ajustam seus sentidos pode contribuir para métodos que interrompam seu ciclo de vida.

O que parece uma perda, a cegueira parcial, revela-se uma adaptação evolutiva que maximiza a sobrevivência em um ambiente onde a visão aguçada já não é crucial. A natureza segue oferecendo lições de eficiência que a ciência apenas começa a decifrar.


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Frasco egípcio de kohl encontrado em York revela presença de soldado egípcio na Bretanha romana https://www.ocafezinho.com/2026/05/31/frasco-egipcio-de-kohl-encontrado-em-york-revela-presenca-de-soldado-egipcio-na-bretanha-romana/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/31/frasco-egipcio-de-kohl-encontrado-em-york-revela-presenca-de-soldado-egipcio-na-bretanha-romana/#respond Sun, 31 May 2026 22:52:56 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/31/frasco-egipcio-de-kohl-encontrado-em-york-revela-presenca-de-soldado-egipcio-na-bretanha-romana/
Fragmentos de um frasco antigo, possivelmente usado para kohl, encontrados em York.

Um pequeno frasco de vidro desenterrado há mais de quatro décadas em York foi identificado como o primeiro recipiente de kohl egípcio encontrado na Bretanha romana. A descoberta, liderada pela arqueóloga Hillary Cool, do Barbican Research Associates, evidencia a presença de soldados com costumes egípcios nas fileiras do exército imperial romano na ilha.

O frasco foi escavado entre 1983 e 1984 pelo York Archaeological Trust no sítio de 24–30 Tanner Row, área que funcionava como depósito de lixo da legião romana no final do século II d.C. O objeto permaneceu nos arquivos até Cool notar sua semelhança com recipientes típicos de kohl egípcios.

O vidro apresenta coloração azul-esverdeada com iridescência prateada e manchas de desgaste, características atípicas na vidraria romano-britânica. Cool descartou a hipótese de defeito de fabricação, destacando a precisão técnica do objeto.

O recipiente possui paredes espessas e cavidade interna cilíndrica, formato incomum na produção romana local. Esse design era utilizado por fabricantes egípcios dos séculos I e II d.C. para armazenar kohl e permitir sua aplicação com bastão.

Segundo estudo publicado na revista Britannia e destacado pelo portal Phys.org, o frasco de York tem paralelos em sítios militares egípcios como Umm Balad e Didymoi. O kohl era um hábito restrito ao Egito e Sudão, sem demanda significativa em outras regiões do império.

A pesquisadora explica que, se o kohl fosse comercializado amplamente, seus recipientes apareceriam com mais frequência em outras províncias. Também não se trata de souvenir, pois turistas teriam gerado maior circulação desses frascos.

O contexto arqueológico de York reforça a conexão egípcia. O comandante romano Claudius Hieronymianus construiu um templo dedicado a Serápis, divindade greco-egípcia. Em Leicester, foram encontrados uma caixa de marfim com a imagem de Anúbis e selos militares de unidades que serviram no norte da África.

Cool sugere que o frasco pode ter sido trazido por um soldado egípcio ou alguém que adotou costumes locais após servir no Egito. A descoberta desafia a visão tradicional do soldado romano e mostra legiões mais cosmopolitas do que o estereótipo.

A pesquisa com outros recipientes de vidro da era romana pode revelar mais sobre hábitos e identidades culturais nas fronteiras do império. O uso de kohl, comum no Oriente, surpreende na gélida província da Britânia.


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Cerca viva em Steyning ocultava 3.000 moedas saxônicas e os segredos da invasão normanda https://www.ocafezinho.com/2026/05/31/cerca-viva-em-steyning-ocultava-3-000-moedas-saxonicas-e-os-segredos-da-invasao-normanda/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/31/cerca-viva-em-steyning-ocultava-3-000-moedas-saxonicas-e-os-segredos-da-invasao-normanda/#respond Sun, 31 May 2026 16:07:17 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/31/cerca-viva-em-steyning-ocultava-3-000-moedas-saxonicas-e-os-segredos-da-invasao-normanda/
Ilustração editorial sobre Cerca viva em Steyning ocultava 3.000 moedas saxônicas e os segredos da invasão normanda. (Ilustração: Cafezinho / Wan 2.6)

O vento úmido de Sussex ainda sopra sobre a paisagem ondulante de Chancton Farm, mas em 1866 um grupo de trabalhadores rurais desenterrou muito mais do que raízes ao limpar uma cerca viva centenária. Suas pás tocaram um velho pote de barro e, ao rompê-lo, milhares de moedas de prata jorraram como um rio congelado no tempo.

O achado, uma das mais notáveis descobertas anglo-saxônicas da região, revelou 3.000 pennies de prata que brilhavam com o último suspiro de uma Inglaterra prestes a ser conquistada. Os homens, ignorando o tesouro, usaram as moedas para pagar bebidas em um pub local, onde a história quase se afogou em cerveja.

Segundo detalhou a BBC News, o pote logo foi reportado como tesouro nacional e as moedas restantes seguiram para o Museu Britânico, mas não sem antes uma parte se espalhar pelo mundo. O conjunto, cunhado sob os reinados de Eduardo, o Confessor, e Haroldo II, não continha nenhuma peça posterior à Batalha de Hastings de 1066.

Essa ausência temporal crava o instante do soterramento: às vésperas ou logo após a invasão normanda, quando o chão tremia com a cavalaria de Guilherme. O arqueólogo Andrew Woodfield, do Museu de Steyning, resume o enigma com palavras que ecoam séculos de silêncio: ‘Como chegaram ali, não sabemos. Não sabemos se foram enterradas durante um período de guerra… simplesmente não há evidência’.

Os registros do Domesday Book iluminam parcialmente a escuridão ao mostrar que o Senhor da Mansão de Chancton em 1066 era Gyrth, irmão do próprio Rei Haroldo. Havia também um inquilino-chefe chamado Aeschere, cujo nome flutua como um fantasma sobre o campo.

Gyrth tombou em Hastings, seu corpo misturado à terra que defenderia pela última vez, e é plausível que Aeschere tenha escondido o tesouro para protegê-lo das tropas normandas que avançavam. Ele nunca retornou, e o pote de barro se transformou em um útero de metal e memória sob os espinheiros.

Enquanto a maior parte do tesouro dorme nos cofres do Museu Britânico, fragmentos dessa fortuna viajaram para coleções privadas e museus distantes. Woodfield confirma: ‘Sei de uma [coleção particular] nos Estados Unidos – sabemos que os museus de Estocolmo e Berlim têm moedas de Steyning em suas coleções’.

O valor da época, contudo, desafia a imaginação: com 240 pennies equivalendo a uma libra, o montante representava £12.10, mais que o triplo do valor anual de toda a mansão, que o Domesday fixava em £4. Uma fortuna capaz de comprar lealdades ou calar exércitos, deixada para desaparecer no subsolo.

A descoberta de Chancton Farm também confirmou que Steyning funcionava como uma casa da moeda ativa e prestigiada, cunhando discos de prata sob Eduardo, o Confessor, e Haroldo II. O brilho daquelas moedas não apenas marcava comércio, mas selava a identidade de um reino à beira do abismo.

Hoje, a cerca viva que escondia o pote permanece como uma sentinela silenciosa, testemunhando o eterno jogo entre o que a terra devora e o que decide devolver. As raízes continuam a abraçar segredos, e cada rajada de vento parece sussurrar que o passado nunca está totalmente perdido.


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DNA revela identidade de quatro marinheiros da trágica expedição Franklin quase dois séculos depois https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/dna-revela-identidade-de-quatro-marinheiros-da-tragica-expedicao-franklin-quase-dois-seculos-depois/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/dna-revela-identidade-de-quatro-marinheiros-da-tragica-expedicao-franklin-quase-dois-seculos-depois/#respond Sat, 30 May 2026 19:06:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/dna-revela-identidade-de-quatro-marinheiros-da-tragica-expedicao-franklin-quase-dois-seculos-depois/
Um pesquisador examina o terreno nevado em local que remete à expedição Franklin, ao lado de ilustração histórica do navio. (Foto: www.foxnews.com)

Quase 180 anos após a condenada expedição do explorador britânico Sir John Franklin ao Ártico, pesquisadores conseguiram identificar quatro novos tripulantes desaparecidos através de análises de DNA. A tragédia, uma das mais infames da história das navegações polares, envolveu 129 oficiais e marinheiros a bordo dos navios HMS Erebus e HMS Terror, que partiram em 1845 na tentativa de mapear a Passagem do Noroeste.

O trabalho, liderado por antropólogos da Universidade de Waterloo, em Ontário, Canadá, foi destacado pela Fox News e publicado no Journal of Archaeological Science: Reports. Os restos mortais agora identificados correspondem a William Orren, marinheiro hábil; David Young, grumete; John Bridgens, despenseiro de oficiais subalternos; e Harry Peglar, contramestre do HMS Terror.

A expedição Franklin ficou presa no gelo nas proximidades da Ilha King William, em Nunavut, em setembro de 1846, e o próprio comandante morreu no ano seguinte. Em abril de 1848, os sobreviventes abandonaram as embarcações e tentaram escapar a pé e arrastando botes pelo terreno ártico, mas nenhum deles resistiu — todos os 105 que tentaram a fuga pereceram.

Restos dos expedicionários foram sendo encontrados desde meados do século XIX tanto na Ilha King William quanto na Península de Adelaide. A nova pesquisa utilizou amostras genéticas desses vestígios ósseos, comparando-as com o DNA doado por descendentes vivos dos marinheiros. O coautor Stephen Fratpietro, da Universidade Lakehead, confirmou correspondências genéticas exatas nos quatro casos.

Com esses achados, o total de navegadores identificados da expedição Franklin sobe para seis, já que em 2021 se reconhecera John Gregory e em 2024 o capitão James Fitzjames. O estudo também desvendou detalhes perturbadores: os restos de Fitzjames exibiam evidências de canibalismo, sendo o único corpo identificado com esse indício, embora não fosse o único a sofrer tal destino.

Os pesquisadores ficaram surpresos ao constatar que cinco dos seis marinheiros já nomeados jaziam perto de duas embarcações a menos de dois quilômetros de distância uma da outra, ao longo da Baía Erebus. A identificação de Peglar foi particularmente intrigante porque o cadáver estava vestido como um despenseiro, o que levou muitos especialistas a acreditarem que os restos pertenciam a outra pessoa.

Douglas Stenton, coautor do estudo, explicou que Peglar provavelmente foi rebaixado a despenseiro por má conduta e que a roupa não correspondia ao seu posto original. ‘Um oficial subalterno é um marinheiro experiente com responsabilidades importantes; devido à vestimenta, muitos assumiram que Peglar já havia morrido e que o corpo era de um amigo que carregava seus documentos para a família’, afirmou Stenton. A teoria foi demolida 167 anos após a descoberta do corpo.

Extrair DNA utilizável das ossadas foi um desafio técnico considerável, pois o material genético se degrada mesmo sob as rigorosas condições do Ártico. Para aumentar as chances de sucesso, os cientistas focaram nos dentes, cujo esmalte duro preserva melhor a informação genética após anos de exposição às intempéries.

A Passagem do Noroeste era tão cobiçada porque representava uma potencial rota comercial entre os oceanos Atlântico e Pacífico, encurtando o acesso aos mercados asiáticos. A expedição de Franklin era a maior e, na opinião de muitos, a mais bem equipada de sua época — seu sucesso teria trazido enorme prestígio e orgulho ao Império Britânico.

Stenton ressaltou que a pesquisa está ajudando a formar ‘uma compreensão mais profunda da perda catastrófica de vidas’, ao mesmo tempo que proporciona algum encerramento às famílias. Os próximos passos incluem a colaboração com genealogistas e descendentes para identificar mais tripulantes, além da eventual coleta de novas amostras arqueológicas no gelo.

Para o cientista, o trabalho é especialmente significativo porque depende e convida à participação dos descendentes daqueles homens que nunca voltaram para casa. O mistério do Ártico continua a ceder lentamente, revelando histórias de coragem, desespero e resistência humana num ambiente que não perdoa fragilidades.


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Censo oceânico revela 1.121 criaturas abissais que a ciência jamais havia registrado https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/censo-oceanico-revela-1-121-criaturas-abissais-que-a-ciencia-jamais-havia-registrado/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/censo-oceanico-revela-1-121-criaturas-abissais-que-a-ciencia-jamais-havia-registrado/#respond Sat, 30 May 2026 12:06:43 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/30/censo-oceanico-revela-1-121-criaturas-abissais-que-a-ciencia-jamais-havia-registrado/
Espécime de peixe abissal Dalhousiella yabukii, com cauda alongada e barbatanas proeminentes, exibido em estudo científico. (Foto: www.motherjones.com)

Há um castelo de vidro nas profundezas gélidas do oceano japonês, onde habita um verme marinho tão esquivo que os cientistas mal conseguem acreditar em sua existência. Conhecido como Dalhousiella yabukii, este ser misterioso vive enclausurado dentro de uma esponja de vidro — um animal marinho que forma um esqueleto translúcido — desafiando as noções mais elementares da biologia.

Ele é apenas um dos 1.121 organismos até então desconhecidos que o projeto Ocean Census revelou ao mundo, conforme reportagem publicada pela Mother Jones a partir de uma investigação original da Vox. O anúncio, feito na última semana, representa um salto colossal no catálogo da vida marinha e expõe o abismo de ignorância que ainda separa a ciência do planeta que habita.

O diretor do Ocean Census, Oliver Steeds — que também é fundador e presidente-executivo da organização britânica Nekton — descreveu essa lacuna como um verdadeiro ‘ponto cego planetário’. A missão conjunta entre a Nekton e a Nippon Foundation, a maior organização filantrópica do Japão, partiu há três anos com o objetivo de acelerar drasticamente o ritmo das descobertas oceânicas.

Entre as criaturas mais desconcertantes está um verme-fita de cores vibrantes, encontrado nas águas próximas ao Timor-Leste, cujos tons elétricos podem ser um alerta químico para predadores. Os cientistas suspeitam que as toxinas defensivas produzidas por esse organismo guardem segredos farmacológicos valiosos, com potencial para inspirar tratamentos contra distúrbios cognitivos como o Alzheimer.

Nas profundezas da costa australiana emergiu um ‘tubarão-fantasma’ que não é exatamente um tubarão, mas uma quimera — um peixe abissal cujo esqueleto é feito de cartilagem em vez de ossos, parente distante das raias e dos verdadeiros escualos. A mesma expedição revelou uma espécie inédita de arraia e um exemplar enigmático de catshark, um habitante do fundo marinho de corpo esguio que supostamente evoca feições felinas.

Há também organismos que desafiam a própria definição do que é um animal, como a esponja carnívora avistada no Atlântico Sul, próxima à Antártida. Pertence ao grupo das esponjas-bola-de-pingue-pongue — por razões evidentes — e utiliza pequenas esferas recobertas por ganchos similares a velcro para capturar crustáceos desavisados que flutuam na escuridão.

Na mesma região, a mais de 800 metros de profundidade, os pesquisadores encontraram uma variedade desconhecida de ‘caneta-do-mar’, um coral mole que não é um indivíduo único, mas uma colônia com milhares de pólipos geneticamente idênticos. Cada um desses corpos gelatinosos dotados de tentáculos compõe uma arquitetura viva que parece saída de um romance de ficção científica alienígena.

Entretanto, o verbo ‘descobrir’ carrega uma controvérsia científica importante que o próprio Ocean Census reconhece com uma pitada de sal. Provar que uma espécie é genuinamente nova exige que taxonomistas vasculhem coleções de museus e periódicos acadêmicos, demonstrando que as características anatômicas e genéticas do espécime jamais foram documentadas antes.

Greg Rouse, taxonomista marinho da Scripps Institution of Oceanography nos Estados Unidos, alertou que muitas dessas criaturas ainda não passaram pelo devido escrutínio e não foram formalmente descritas. O processo leva, em média, treze anos — tempo suficiente para que alguns animais desapareçam antes mesmo de receber um nome científico e o ‘passaporte’ oficial que os torna elegíveis para proteção legal.

Tammy Horton, pesquisadora do National Oceanography Centre britânico, enfatizou que sem a descrição formal uma espécie simplesmente não existe para a ciência e, por consequência, para as políticas de conservação. ‘Espécies sem nome não podem ser protegidas’, resumiu Horton, sublinhando que a descoberta é apenas o primeiro elo de uma corrente que deságua no reconhecimento oficial.

Karen Osborn, taxonomista do Smithsonian National Museum of Natural History em Washington, expressou ceticismo semelhante, embora tenha classificado o esforço como um passo na direção certa. Para Osborn, anunciar uma descoberta sem ter realizado o trabalho minucioso de demonstrar sua singularidade não deveria receber o mesmo status de uma descrição formal — mas a ciência mal arranhou a superfície do mundo natural.

O próprio Steeds reconheceu a natureza hipotética inerente a qualquer descoberta taxonômica, lembrando que a classificação de espécies está sempre sujeita a revisões. A missão do Ocean Census, insistiu ele, não é substituir o trabalho meticuloso dos taxonomistas, e sim injetar velocidade na fase inicial de exploração, encurtando a distância entre o assombro humano e o conhecimento formalizado.

Se há algo que as fotografias trazidas pelo Ocean Census revelam com certeza absoluta, é o fato perturbador de que a biodiversidade da Terra permanece um território vastamente inexplorado. Estima-se que até 90% das espécies animais do planeta jamais tenham sido descritas, o que transforma cada submersível enviado às profundezas em uma sonda para o desconhecido.

Enquanto a humanidade investe fortunas para buscar vida em outros mundos, as expedições do Ocean Census lembram que o alienígena está aqui mesmo, dançando nas trevas pressurizadas do oceano profundo. O castelo de vidro do verme japonês, as esponjas carnívoras da Antártida e os tubarões-fantasma da Austrália são apenas os primeiros sussurros de um planeta que ainda se recusa a entregar todos os seus segredos.


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