renda - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/renda/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Fri, 30 Jan 2026 13:12:56 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png renda - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/renda/ 32 32 Desemprego cai para 5,1% em dezembro, o menor já registrado https://www.ocafezinho.com/2026/01/30/desemprego-cai-para-51-em-dezembro-o-menor-ja-registrado/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/30/desemprego-cai-para-51-em-dezembro-o-menor-ja-registrado/#respond Fri, 30 Jan 2026 13:12:43 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=225221 Ano de 2025 termina com recorde de carteira assinada e renda

No trimestre encerrado em dezembro, a taxa de desocupação do país caiu a 5,1%, nível mais baixo da série histórica iniciada em 2012, quando foi de 8,0%. Isso significa que cerca de 5,5 milhões de pessoas tentaram encontrar um emprego nos três últimos meses do ano e integrar a população ocupada, que totalizava 103 milhões de pessoas.

Com o resultado de dezembro, a taxa anual do indicador de desemprego caiu de 6,6%, em 2024, para 5,6%, em 2025, patamar mais baixo desde 2012. Em um ano, a média de pessoas desocupadas caiu de 7,2 para 6,2 milhões. Em razão da pandemia de Covid 19, nos anos 2020 e 2021 a taxa chegou a 13,7% e 14,0%, e cerca de 14 milhões de desocupados. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada hoje (30) pelo IBGE.

Taxa de desocupação – Brasil (%)

“Importante registrar que a queda da desocupação não foi provocada por aumento da subutilização da força de trabalho ou do desalento, reduzindo a pressão por trabalho. A trajetória de queda da taxa de desocupação em 2025 foi sustentada pela expansão da ocupação, principalmente nas atividades de serviços”, destaca a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy.

Já a população ocupada em 2025 foi recorde na série histórica, com 103 milhões de pessoas, frente a 101,3 milhões em 2024. Em 2012, o valor era de 89,3 milhões. Outro indicador importante para se ver a qualidade do mercado de trabalho, o valor anual do nível de ocupação (percentual ocupados na população em idade de trabalhar) também foi recorde da série em 2025 (59,1%), enquanto em 2024 era de 58,6% e em 2012 era de 58,1%.

Taxa anual de subutilização cai para 14,5%, a menor da série

A estimativa anual da população subutilizada (pessoas desocupadas ou subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas ou na força de trabalho potencial) recuou 10,8% entre 2025 e 2024, passando de 18,7 milhões de pessoas, em 2024, para cerca de 16,6 milhões, em 2025. Apesar da redução, esse contingente ainda está acima do menor nível da série, atingido em 2014 (16,3 milhões de pessoas). Em 2012, totalizava 19 milhões de pessoas. E nos anos da Covid, chegou a 31,2 milhões em 2020 e 32,1 milhões em 2021.

População subutilizada na força de trabalho ampliada – Brasil (milhões)

Com isso, a taxa composta de subutilização para 2025 (14,5%) foi a menor da série, enquanto em 2024 foi de 16,2%. Esse indicador chegou a 28,3% e 28,5%, nos anos 2020 e 2021 devido aos efeitos da pandemia de Covid-19 no mercado de trabalho.

Rendimento médio e massa de rendimento batem recorde em 2025

O valor do rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas foi estimado em R$ 3.560, um aumento de 5,7% (ou R$ 192) na comparação com 2024. Na série histórica da pesquisa, desde 2012, o menor resultado havia sido em 2022 (R$ 3.032). Já o valor anual da massa de rendimento real habitual chegou a R$ 361,7 bilhões, em 2025, o maior da série, com alta de 7,5% (mais R$ 25,4 bilhões) em relação a 2024

“Setorialmente, as atividades que mais expandiram a ocupação foram as de Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, como também o grupamento formado pela Administração pública, defesa, educação, saúde humana, seguridade social e serviços sociais. Essas atividades concentram contingentes de trabalhadores mais escolarizados, com vínculos mais formalizados e rendimentos mais altos, contribuindo para a expansão do rendimento médio da população ocupada ressaltou Adriana Beringuy.

A coordenadora acrescentou que “além desses impulsos setoriais, a valorização do salário-mínimo influenciou o ganho de rendimento nos segmentos de atividades mais elementares e menos formalizadas. Dessa forma, independente da forma de inserção na ocupação, o crescimento do rendimento foi difundido para a população ocupada como um todo”.

Mais 1 milhão de empregados com carteira em 2025, alcançando patamar recorde

A estimativa anual do número de empregados do setor privado com carteira de trabalho assinada cresceu 2,8% no valor de 2025 frente a 2024 e chegou a 38,9 milhões de pessoas, o mais alto da série, um acréscimo de cerca de 1 milhão de pessoas com carteira assinada em relação ao ano anterior.

Por sua vez o contingente anual de empregados da iniciativa privada sem carteira assinada caiu 0,8%, passando de 13,9 milhões para 13,8 milhões de pessoas. Já o número de trabalhadores domésticos mostrou redução de 4,4%, chegando a 5,7 milhões de pessoas.

Já o contingente de pessoas que trabalham por conta própria foi o maior da série histórica, com estimativa anual de 26,1 milhões, crescimento de 2,4% em relação a 2024, quando foi de 25,5 milhões. Em relação ao início da série em 2012, quando era de 20,0 milhões, o crescimento foi de 30,4%. A taxa anual de informalidade passou de 39,0%, em 2024, para 38,1% em 2025.

“A taxa de informalidade seguiu em queda em 2025. Seu valor relevante (38,1%), contudo, reflete característica estrutural do mercado de trabalho brasileiro. A composição e dinâmica da população ocupada ainda é bastante dependente da informalidade, sobretudo, devido à grande participação de trabalhadores no comercio e em segmentos de serviços mesmos complexos, ponderou Adriana Beringuy”.

Desocupação cai e carteira assinada bate recorde no quarto trimestre de 2024

Considerando apenas o indicador do trimestre de outubro a dezembro de 2024, a PNAD Contínua divulgada hoje (30) mostra que a taxa de desocupação (5,1%) caiu nas duas comparações; -0,5 p.p. na comparação com o trimestre de julho a setembro (5,6%) e -1,1 p.p. frente ao mesmo trimestre de 2024 (6,2%). O resultado é o menor da série iniciada em 2012, considerando os trimestres móveis comparáveis.

O contingente na força de trabalho (pessoas ocupadas e desocupadas), no trimestre de outubro a dezembro de 2025, foi estimado em 108,5 milhões de pessoas, com estabilidade em ambas as comparações.

A análise da ocupação segundo os grupamentos de atividade frente ao trimestre de julho a setembro de 2025, mostrou aumentos em: Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (1,6%, ou mais 299 mil pessoas) e Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (1,5%, ou mais 282 mil pessoas). Os demais grupamentos não apresentaram variação significativa.

“Após queda de ocupação registrada no 3º trimestre, o comércio apresentou recuperação no fim do ano, expandindo seu contingente de trabalhadores em diversos segmentos, com destaque para o comércio de vestuário e calçados”, explicou a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy .

Frente ao trimestre de outubro a dezembro de 2024 foi observado aumento nos grupamentos: Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas (3,7%, ou mais 475 mil pessoas) e Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (5,5%, ou mais 1,0 milhão de pessoas). Houve redução no grupamento de Serviços domésticos (4,9%, ou menos 289 mil pessoas).

Mais sobre a pesquisa

A PNAD Contínua é a principal pesquisa sobre a força de trabalho do Brasil. Sua amostra abrange 211 mil domicílios, espalhados por 3.500 municípios, que são visitados a cada trimestre. Cerca de dois mil entrevistadores trabalham nesta pesquisa, integrados às mais de 500 agências do IBGE em todo o país.

É possível confirmar a identidade do entrevistador no site Respondendo ao IBGE ou via Central de atendimento (0800 721 8181), conferindo a matrícula, RG ou CPF do entrevistador, dados que podem ser solicitados pelo informante.

Consulte os dados da PNAD no Sidra. A próxima divulgação da PNAD Contínua Mensal, referente ao trimestre encerrado em novembro, será em 20 de fevereiro.

Publicado originalmente pela Agência de Notícias IBGE em 30/01/2026

Por Adriana Gonçalves Saraiva – Editoria Estatísticas Sociais

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Dois primeiros anos de Lula fazem classe média registrar sua maior expansão na história https://www.ocafezinho.com/2026/01/13/dois-primeiros-anos-de-lula-fazem-classe-media-registrar-sua-maior-expansao-na-historia/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/13/dois-primeiros-anos-de-lula-fazem-classe-media-registrar-sua-maior-expansao-na-historia/#respond Tue, 13 Jan 2026 16:51:16 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224472

O Brasil encerrou 2024 com a maior proporção de classe média e classe média alta de toda a série histórica iniciada em 1976.

Segundo estudo da FGV Social, 78,18% da população brasileira já pertence às classes A, B ou C — um recorde absoluto.

Apenas entre 2022 e 2024, cerca de 17,4 milhões de pessoas ascenderam para o grupo ABC, um salto social equivalente à população inteira do Equador em apenas dois anos.

O avanço foi generalizado. A classe C, definida como a chamada “nova classe média”, atingiu 60,97% da população, também o maior nível já registrado.

Já a classe AB, que representa a classe média tradicional e os estratos de maior renda, chegou a 17,21%, outro recorde histórico. Ao mesmo tempo, as classes mais pobres recuaram aos menores níveis da série: a classe D caiu para 15,05%, e a classe E para apenas 6,77% da população.

O estudo mostra que a velocidade dessa transformação social impressiona. O crescimento da classe ABC entre 2022 e 2024 foi 74% mais acelerado, em pontos percentuais, do que o observado no ciclo de expansão ocorrido entre 2003 e 2014.

Em apenas dois anos, o Brasil repetiu — e superou em intensidade — um movimento que antes havia levado mais de uma década. Esses números indicam que 2024 marca um ponto de inflexão social no país, com uma maioria sólida da população posicionada acima das faixas historicamente associadas à pobreza e à vulnerabilidade.

O levantamento foi elaborado pelo economista Marcelo Neri, da FGV Social, e analisa a evolução das classes econômicas brasileiras entre 1976 e 2024, com base em microdados harmonizados da PNAD e da PNAD Contínua do IBGE. A pesquisa amplia o foco tradicional das análises de pobreza, observando toda a distribuição de renda e identificando com mais precisão os movimentos de ascensão e mobilidade social.

O estudo adota uma definição de classe baseada na renda domiciliar per capita, ajustada pelo tamanho médio dos domicílios e corrigida pelo IPCA. Com isso, evita distorções comuns quando se observa apenas a renda total das famílias, desconsiderando o fato de que os domicílios brasileiros ficaram significativamente menores ao longo das últimas décadas.

Dentro dessa metodologia, a FGV trabalha com duas noções complementares de classe média. A primeira é a classe C, associada à nova classe média brasileira; a segunda é a classe AB, mais próxima do padrão de consumo e segurança econômica das classes médias tradicionais de países desenvolvidos. A soma das duas oferece uma visão mais completa do avanço do bem-estar no país.

Além do crescimento estrutural das classes médias, o estudo revela uma melhora inédita na mobilidade econômica recente. Utilizando dados longitudinais da PNAD Contínua, que acompanham as mesmas pessoas ao longo do tempo, a FGV mostra que, em 2023-2024, 46,4% dos trabalhadores que já tinham renda registraram aumento real, o maior percentual de toda a série analisada.

Ao mesmo tempo, apenas 11,1% deixaram de ter renda, o menor índice já observado. Entre aqueles que não tinham renda do trabalho no período inicial, 23,6% passaram a ter renda um ano depois, desempenho acima da média histórica. Esses dados sugerem não apenas crescimento, mas maior estabilidade e menor risco de queda para quem já está inserido no mercado de trabalho.

A análise territorial reforça o caráter disseminado da melhora. Mapas por estados e regiões mostram avanço da classe ABC em praticamente todo o país entre 2022 e 2024, com destaque para Sudeste, Sul e Centro-Oeste, mas também com ganhos relevantes no Nordeste e no Norte. Em várias unidades da federação, mais de 75% da população já se encontra nas classes ABC.

O Brasil de 2024 é socialmente mais robusto, menos desigual e com maior capacidade de sustentar padrões de vida mais elevados. A combinação de expansão da renda, redução das classes mais pobres e aceleração da mobilidade social coloca o período recente como um dos mais virtuosos da história social brasileira, em termos de escala, velocidade e abrangência.

Leia aqui a íntegra do estudo.























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Inflação acelera para todas as classes em dezembro, com exceção das famílias de renda alta https://www.ocafezinho.com/2025/01/18/inflacao-acelera-para-todas-as-classes-em-dezembro-com-excecao-das-familias-de-renda-alta/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/18/inflacao-acelera-para-todas-as-classes-em-dezembro-com-excecao-das-familias-de-renda-alta/#comments Sat, 18 Jan 2025 18:03:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=200689 2 Comentários 🔥]]> Forte alta do preço das carnes, aves e ovos, além dos reajustes do óleo de soja e do café, explicam impacto

A inflação acelerou em dezembro para quase todas as faixas de renda, na comparação direta com novembro. A exceção foi a classe referente às famílias de renda alta, que teve um recuo de 0,64% para 0,55% de um mês para o outro. Em contrapartida, a inflação das famílias de renda muito baixa avançou de 0,26%, em novembro, para 0,48% em dezembro. O impacto veio principalmente dos grupos “alimentos e bebidas” e “transportes”.

No acumulado de 2024, a faixa de renda baixa registrou a maior alta inflacionária (5%), ao passo que o segmento de renda alta apontou a taxa menos elevada (4,4%). Na comparação de 2024 com 2023, houve uma aceleração da inflação para as quatros primeiras faixas de renda e uma desaceleração para as faixas de renda média-alta e alta.

Já na comparação de dezembro de 2024 com o mesmo mês de 2023, à exceção das faixas de renda média e média alta, todas as demais classes de renda registraram desaceleração. Os dados compõem o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, divulgado mensalmente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O impacto da alta dos alimentos no domicílio foi proporcionalmente mais forte nas classes de rendas mais baixas, dado o maior percentual deste gasto no orçamento dessas famílias, enquanto a pressão exercida pelo grupo transportes foi mais intensa para o segmento de renda alta.

No caso dos alimentos, mesmo diante das deflações ainda mais intensas dos cereais (-0,98%), dos tubérculos (-7,2%) e dos leites e derivados (-0,63%), os efeitos da forte alta das proteínas animais, como carnes (5,3%) e aves e ovos (2,2%), além dos reajustes do óleo de soja (5,1%) e do café (5%), explicam, em grande parte, o impacto desse grupo para os segmentos das classes de rendas mais baixas em dezembro.

Já em relação ao grupo transportes, além da alta dos combustíveis (0,7%), os reajustes nas tarifas de trem e de ônibus interestadual (3,8%) impactaram mais fortemente a inflação dos segmentos de renda mais baixa, enquanto os aumentos do transporte por aplicativo (20,7%) e das passagens aéreas (4,5%) pressionaram com mais intensidade a inflação das famílias de maior poder aquisitivo. Em contrapartida, a deflação apontada pelo grupo habitação, refletindo a queda das tarifas de energia elétrica (-3,2%), gerou um alívio inflacionário, em dezembro, para todas as classes.

De modo geral, as maiores pressões inflacionárias nos últimos doze meses foram nos grupos “alimentos e bebidas”, “saúde e cuidados pessoais” e “transportes”. No caso dos alimentos no domicílio, embora a alta tenha se dado de forma bem disseminada, chamam atenção os fortes aumentos no período em itens importantes da cesta de consumo das famílias, como arroz (8,2%), carnes (20,8%), aves e ovos (6,5%), óleo de soja (29,2%), leite (18,8%) e café (36,9%).

Em relação à saúde e cuidados pessoais, as maiores contribuições registradas em doze meses vieram dos produtos farmacêuticos (6%) e de higiene (4,2%), dos serviços de saúde (7,6%) e dos planos de saúde (7,9%). Já as maiores pressões exercidas pelo grupo transportes vieram da alta das tarifas de metrô (10,8%) e do transporte por aplicativo (10%), além dos reajustes da gasolina (9,7%) e do etanol (17,6%)

Acesse a íntegra do indicador

Publicado originalmente pelo Ipea em 16/01/2025 – 12h00

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Os elogios de Benevides às medidas de Haddad https://www.ocafezinho.com/2024/12/04/os-elogios-de-benevides-as-medidas-de-haddad/ https://www.ocafezinho.com/2024/12/04/os-elogios-de-benevides-as-medidas-de-haddad/#respond Wed, 04 Dec 2024 17:06:18 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=198015

O deputado federal Mauro Benevides Filho (PDT-CE) analisou as recentes medidas econômicas enviadas ao Congresso Nacional pelo governo Lula, lideradas pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ele tratou de temas como o reajuste do salário mínimo, mudanças na política tributária e a relação com o mercado financeiro.

Reajuste do salário mínimo

Benevides destacou que, nos governos Temer e Bolsonaro, o salário mínimo foi reajustado apenas pela inflação, resultando na perda do poder de compra da massa salarial. Ele elogiou a retomada da política de ganho real pelo atual governo, que considera o crescimento do PIB de dois anos antes, além da inflação. Essa política, agora vinculada ao arcabouço fiscal, garante ao menos 0,6% de aumento mesmo em anos de retração econômica. Para Benevides, isso oferece maior estabilidade e proteção ao salário mínimo.

Previsões econômicas do mercado

O deputado criticou as projeções do mercado financeiro, que frequentemente subestimaram o crescimento do PIB. Para 2023, o mercado previu 0,8%, enquanto o PIB cresceu 2,9%. Para 2024, a projeção inicial de 1,3% já foi revisada para 3,3%. Benevides argumentou que essas discrepâncias mostram a dificuldade do mercado em interpretar as políticas públicas.

Tributação e novas regras fiscais

Benevides abordou a proposta de isentar do Imposto de Renda trabalhadores que ganham até R$ 5 mil por mês. Ele mencionou que a resistência do mercado se deve à tributação adicional sobre rendas mais altas. Atualmente, quem ganha acima de R$ 600 mil anuais paga proporcionalmente menos imposto de renda do que a classe média. A proposta do governo unifica rendas de salários, dividendos e juros sobre capital próprio, aplicando uma alíquota proporcional que pode chegar a 10% para os mais ricos.

Segundo o deputado, essa mudança busca corrigir distorções históricas. Ele apontou que o impacto fiscal seria neutro, com os R$ 30 bilhões que deixariam de ser arrecadados dos trabalhadores sendo compensados por uma maior contribuição dos mais ricos.

Crescimento econômico

Benevides também discutiu o crescimento econômico e criticou a visão de que ele deveria ser contido para evitar inflação. Ele defendeu que o foco deve ser no aumento da produção e na ampliação de investimentos, mencionando que o terceiro trimestre de 2024 registrou crescimento puxado pela formação bruta de capital fixo, indicador de investimento na economia.

Conclusão

O deputado destacou que as propostas do governo têm ampla aceitação, mas enfrentam resistência do mercado em relação à tributação dos mais ricos. Ele defendeu que o Brasil deve priorizar o crescimento econômico e a redução das desigualdades, destacando que as medidas propostas oferecem bases para alcançar esses objetivos.

Clique no link abaixo para assistir ao vídeo com a fala de Benevides:
https://twitter.com/ocafezinho/status/1864354717599445199

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Em nota, CUT reafirma defesa da redução da jornada e se manifesta sobre escala 6 X1 https://www.ocafezinho.com/2024/11/13/em-nota-cut-reafirma-defesa-da-reducao-da-jornada-e-se-manifesta-sobre-escala-6-x1/ https://www.ocafezinho.com/2024/11/13/em-nota-cut-reafirma-defesa-da-reducao-da-jornada-e-se-manifesta-sobre-escala-6-x1/#respond Wed, 13 Nov 2024 12:34:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=196938 Além da redução da jornada de trabalho, sem redução de salários, pauta histórica da Central, nota inclui posição contrária ao corte de gastos

Nota da CUT em defesa da classe trabalhadora, contra corte de gastos e pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário

A Central Única dos Trabalhadores – CUT Brasil está acompanhando de forma atenta os debates acerca do possível corte de recursos orçamentários e outras fontes de financiamento de políticas públicas, bem como o debate mais recente acerca da redução da jornada de trabalho impulsionada pela proposta de fim da escala semanal de trabalho “6×1” (seis dias de trabalho por um de descanso). A defesa dos trabalhadores e das trabalhadoras no orçamento público e da redução da jornada de trabalho sem redução do salário são bandeiras de luta históricas da CUT e não aceitaremos que sirvam como instrumento de pressão por parte de uma minoria privilegiada para ampliar seus lucros com a retirada de direitos do povo.

Desde a sua fundação, a CUT tem se consolidado como uma organização sindical de massas com o compromisso de defender os objetivos imediatos e históricos da classe trabalhadora, a luta por melhores condições de vida e de trabalho, bem como o engajamento no processo de transformação da sociedade brasileira em direção à democracia. Em seu último Congresso Nacional, realizado em 2023, deliberou da seguinte forma:

Sobre emprego, renda e proteção social:

Como parte e desdobramento das políticas de desenvolvimento, a CUT continuará priorizando ações em defesa da ampliação da proteção social, do combate à fome, à pobreza e à precarização do trabalho. Da mesma forma e com igual vigor, deverá continuar demandando do Estado a continuidade da política de valorização do salário-mínimo, o desenvolvimento de políticas de proteção ao emprego, de valorização dos servidores públicos, de geração de empregos de qualidade, de ampliação de moradias para os trabalhadores(as), de mais investimento na rede pública de saúde e de educação, de fortalecimento da agricultura familiar, da proteção do meio ambiente e da transição justa, por abertura de novos concursos nas empresas públicas, a fim de repor o contingente perdido nos últimos anos de desmonte e oxigenar os fundos de previdência complementar e os planos de saúde baseados na solidariedade. (…) Fortalecer a política de valorização do salário-mínimo, conquista da CUT e das Centrais em 2004 e desmontada pelo governo Temer e Bolsonaro, é fundamental para possibilitar uma nova dinâmica econômica. Deve ser prioridade do projeto de desenvolvimento nacional, pois, além de combater a pobreza e distribuir renda, tem grande impacto na economia ao dinamizar o mercado interno. Articulada a outros programas de transferência de renda, contribui para diminuir a desigualdade, especialmente para mulheres, negros(as), LGBTQIA+, PCDs e indígenas.

Sobre redução jornada de trabalho:

Avançar na proposta de redução das jornadas de trabalho sem redução salarial é reconhecer e apontar soluções para problemas históricos gerados pelo capitalismo, visto que as tecnologias sempre eliminaram empregos e a ganância dos capitalistas sempre precarizaram as relações de trabalho. Atualmente os novos arranjos de investimentos já não mobilizam a capacidade produtiva na intensidade em que precisa gerar postos de trabalho, além de dirimir padrões de trabalho tradicionalmente associados às ocupações. A redução das jornadas de trabalho contribui sobretudo no sentido de apresentar uma saída para o problema estrutural de falta de trabalho e postos de trabalhos decentes a toda força de trabalho disponível. É crucial garantir trabalho a todas as pessoas, que estes trabalhos sejam reconhecidos como relevantes socialmente para toda comunidade e não fiquem restritos ao circuito de acumulação capitalista, distribuindo empregos para todas as pessoas, ampliando o tempo livre para que a classe trabalhadora possa ter uma vida digna a com qualidade. Além disso, a redução da jornada de trabalho contribui para diminuir a disparidade de gênero, visto que são brutalmente afetadas pela sobrecarga de trabalho, fruto das duplas e triplas jornadas de trabalho. Os avanços tecnológicos permitem tecnicamente reduzir a jornada de trabalho e este debate deve estar articulado ao debate sobre a distribuição do tempo entre o trabalho e não-trabalho e na própria distribuição das responsabilidades familiares por todos os seus membros, também como uma resposta política ao problema da pobreza, da desigualdade e da precariedade que afeta a maioria da classe trabalhadora.

No momento em que o Governo Federal tem desenvolvido ações importantes para a reconstrução do país, constatados em especial com a recuperação do nível de emprego, retomada da política de salário mínimo e melhora na renda da população, é inadmissível a pressão que o poder financeiro, o “mercado” e seus porta-vozes têm feito sobre o Poder Executivo e Legislativo para cortar direitos por conta de uma crise fiscal inexistente e indicando como caminho a elevação da taxa de juros e o corte do orçamento público destinado para políticas públicas. Como temos afirmado, quem ganha mais nesse país precisa pagar mais e contribuir para melhorar a vida de quem realmente trabalha.

Nesse sentido, reconhecendo a importância desse momento, a CUT reafirma seu compromisso histórico em defesa dos trabalhadores e das trabalhadoras, contra todas as ameaças de retirada de direitos, contra a redução do orçamento para as políticas públicas e em defesa do fim da escala de trabalho semanal de 6×1 sem redução de salários e sem a retirada de direitos de redução da jornada já conquistadas por algumas categorias por meio da negociação coletiva. O crescimento e o desenvolvimento do país somente serão possíveis com distribuição de renda, com políticas permanentes de proteção social e de valorização do salário mínimo, com redução da jornada de trabalho sem redução de salários e com o povo brasileiro no orçamento público. Considerando a importância do trabalho e da qualidade de vida para trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo, dentre as propostas da CUT aos Chefes de Estado que irão participar do G20, apresentamos a redução da jornada como parte das medidas para a construção de um mundo justo e sustentável. Não há futuro sem trabalho decente e sem a participação da classe trabalhadora nos rumos da sua vida e do país.

São Paulo, 12 de novembro de 2024

Publicado originalmente pela CUT em 12/11/2024 – 17h46

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Em maio, brasileiros receberam 82% da renda habitual https://www.ocafezinho.com/2020/07/03/brasileiros-receberam-82-renda/ https://www.ocafezinho.com/2020/07/03/brasileiros-receberam-82-renda/#respond Fri, 03 Jul 2020 22:47:03 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=111678 Do IPEA:

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) analisou os efeitos da pandemia sobre o mercado de trabalho e o impacto do auxílio emergencial na renda dos brasileiros. 

Os dados divulgados nesta quinta-feira, 2, revelam que os rendimentos médios da população no mês de maio correspondem a 82% da renda habitual. Os trabalhadores por conta própria foram os mais atingidos: receberam apenas 60% do rendimento habitual.

A análise, feita com base nos microdados da PNAD Covid-19 do IBGE, mostra que os trabalhadores formais foram os menos atingidos. No setor privado, aqueles com carteira assinada receberam 92% do habitual, contra 76% no caso dos trabalhadores sem registro. Já funcionários públicos contratados pela CLT receberam 96% do habitual, enquanto militares e estatutários obtiveram 98%.

Entre outros setores duramente afetados estão trabalhadores de atividades artísticas, esportivas e recreação (55%), transporte de passageiros (57%), hospedagem (63%), serviços de alimentação (65%), atividades imobiliárias (70%), construção (71%) e serviço doméstico (74%). Os trabalhadores menos afetados encontram-se na administração pública (97%), indústria extrativa (92%), serviços de utilidade pública (93%), educação (92%), serviços financeiros (92%) e armazenamento, correios e serviços de entrega (91%).

O impacto da pandemia foi maior nos rendimentos dos idosos (78%) e menor para os jovens (84%). No que diz respeito à escolaridade, os efeitos foram decrescentes – 75% até ensino médio completo e 85% para quem tem ensino superior.

No mês de maio, cerca de 32% dos domicílios não apresentaram nenhuma renda no trabalho. De acordo com o estudo, 5,2% dos domicílios (cerca de 3,5 milhões) sobreviveram apenas com os rendimentos do auxílio emergencial.

“O auxílio foi mais efetivo para as famílias com renda mais baixa. Após receber o benefício, os rendimentos nestes domicílios atingiram 103% do que seriam com as rendas habituais”, afirma o economista Sandro Sacchet, autor da análise.  O benefício compensou cerca de 45% do impacto total da pandemia sobre a massa de rendimentos no país.

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Atacar e destruir o estado brasileiro significa nos condenar ao subdesenvolvimento https://www.ocafezinho.com/2019/11/06/atacar-e-destruir-o-estado-brasileiro-significa-nos-condenar-ao-subdesenvolvimento/ https://www.ocafezinho.com/2019/11/06/atacar-e-destruir-o-estado-brasileiro-significa-nos-condenar-ao-subdesenvolvimento/#comments Wed, 06 Nov 2019 17:39:01 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=102049 4 Comentários 🔥]]> A obsessão pelo liquidacionismo tem sido a tônica das defesas liberais radicais no Brasil. É a vertigem pelo suicídio, tão própria a um país que perdeu a capacidade de pensar pragmaticamente seus interesses, fora da burrice dos dogmas e servilismos de ocasião.

Na mesma semana em que os quatro maiores bancos privados do país divulgaram o maior lucro em 25 anos, uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística revelou que a pobreza bate recorde e atinge 13,5 milhões de brasileiras e brasileiros, que estão vivendo com menos de R$ 145 por mês. Segundo analistas do IBGE, o retrato brasileiro só vai melhorar se houver melhora do mercado de trabalho e implantação de programas de redistribuição de renda. Mas o que vemos é o oposto disso. A parcela de empregados com vínculo formal de trabalho é a menor em sete anos. Ao mesmo tempo, o número de trabalhadores sem carteira assinada e de empregados por conta própria é o maior no mesmo período. A cobertura do Bolsa Família, por exemplo, também diminuiu.

As escolas econômicas liberais afirmam que cortes e diminuição do Estado resultam em disponibilidade de capital para o empreendedorismo privado. Portanto, cortes governamentais resultariam em crescimento econômico. Além disso causar terrível sofrimento humano, tornando indisponíveis serviços humanitários essenciais, especialmente aos mais pobres, não prova resultados importantes do ponto de vista de alavancar o desenvolvimento. O que aumenta, isto sim, é a concentração de renda. Os tais recursos que ficariam disponíveis pelo enfraquecimento dos governos acabam concentrados em gigantescas fortunas privadas e não são empregados no desenvolvimento. A crescente financeirização das economias vem persistindo em nos demonstrar isto em diversos países. Com uma brutal concentração de riquezas, 1% da população acumula quase 30% da renda do Brasil. É a maior concentração do tipo segundo a pesquisa Desigualdade Mundial 2018.

Outrossim, o estado é o verdadeiro indutor do desenvolvimento, criando as reais condições materiais, logísticas e de infraestrutura além de pressão regulatória para que o capital privado vire investimento real em uma sociedade. Nenhum país do mundo, aliás, desenvolveu-se sem um estado nacional forte. Não há sequer um único exemplo.

Sem estado indutor do desenvolvimento sempre haverá crescimento medíocre e assimétrico, com grande tragédia social quando chegam as crises cíclicas, pois o mesmo não é capaz nem de proteger as pessoas, nem de praticar políticas anticíclicas que revertam o problema. Atacar e destruir o estado brasileiro significa tão somente nos condenar a todas e todos ao subdesenvolvimento.

A obsessão pelo liquidacionismo tem sido a tônica das defesas liberais radicais no Brasil. É a vertigem pelo suicídio, tão própria a um país que perdeu a capacidade de pensar pragmaticamente seus interesses, fora da burrice dos dogmas e servilismos de ocasião.

*Leonardo Giordano é vereador em Niterói pelo PCdoB.

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Notícias do Brasil real https://www.ocafezinho.com/2012/03/23/noticias-do-brasil-real/ https://www.ocafezinho.com/2012/03/23/noticias-do-brasil-real/#comments Sat, 24 Mar 2012 01:40:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=4304 [s2If !current_user_can(access_s2member_level1) OR current_user_can(access_s2member_level1)]

(Ilustração da capa: Cézanne, caveiras empilhadas).

Nunca houve um afastamento tão grande entre a vida real dos brasileiros e a atmosfera política, seja na grande mídia, seja nas redes sociais. Entre ontem e hoje, apareceram uma série de números que não deixam margem de dúvida de que o Brasil continua surfando na crista da onda. Enquanto alguns países desenvolvidos continuam lutando contra taxas recordes de desemprego, o Brasil alcançou o emprego pleno. Em janeiro, segundo a pesquisa do IBGE, atualizada ontem, a taxa atingiu 5,5% e em fevereiro 5,7%. O aumento de 0,2% é sazonal, acontece todos os anos. O importante é comparar com fevereiro de 2011, quando o índice foi de 6,4%.

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A taxa de fevereiro corresponde ao menor índice de desemprego já registrado, no mesmo mês, na história brasileira. A notícia, no entanto, foi parar em rodapés dos jornais. Daqui a pouco, quando saírem os novos dados mensais do Dieese, ou do IBGE, certamente eles vão mostrar uma geração menor de empregos novos. Claro, está quase todo mundo já empregado, então não tem emprego novo. Aí sim, a imprensa vai dar manchetão, dizendo que “CAIU A GERAÇÃO DE EMPREGOS”, e que o mercado de trabalho perde força; ou seja, o contrário do que sugere o dado mais importante, que é o índice do desemprego. Até copio o início da matéria publicada no Globo desta sexta-feira, para a gente depois comparar ao que vão dizer:

 

A queda no desemprego foi acompanhada de aumento real de 4,4% da renda do trabalhador, acima portanto do PIB, segundo pesquisa do mesmo IBGE divulgada também nesta quinta-feira. Confira abaixo notinha publicada hoje no Globo, onde podemos ver, como era de se esperar, reclamação dos patrões contra o aumento dos salários:

 

E tudo isso acontecendo num ambiente de contínua desconcentração da renda. Pesquisa divulgada ontem pelo BNP Paribas, revela que a Classe C já representa 54% da população brasileira. Em 2005, a mesma classe respondia por somente 34%. As classes mais pobres, D e E, declinaram de 51% em 2005 para 24% em 2011.  A pesquisa revela ainda que a capacidade de consumo do brasileiro aumentou 20%  de R$ 368 em 2010 para R$ 449 em 2011. Esse valor refere-se à renda extra disponível após o trabalhador pagar todas as suas contas básicas.

É uma verdadeira revolução econômica, que ainda está em curso.

Mas as boas notícias não páram por aí. Coluna da Flávia Oliveira, no Globo, revela que a formalização do trabalho no setor privado também registrou um salto, de 40% em 2003 para 50% em fevereiro deste ano.

 

 

Tem mais. A inflação brasileira em março surpreendeu positivamente os analistas. Segundo o IBGE, ficou em 0,25%, contra 0,53% em feveiro e 0,60% em março de 2011.

Cansou? Pois ainda tem uma última notícia boa, igualmente divulgada pelo IBGE, só que hoje. As vendas no varejo cresceram fortemente em janeiro deste ano; a receita nominal registrou uma alta acumulada em 12 meses de 11,4%, ou seja, quase quatro vezes mais que o crescimento do PIB.

É importante lembrar que o mais nobre programa social do mundo é o emprego. O Bolsa Família, que mais do que importante, foi um dos pilares deste processo que estamos vivendo, dá menos que R$ 150 por família. Um emprego oferece salário mínimo de 622 reais, mais benefícios, com um adendo importante: dignidade e perspectivas. E somente a partir  de uma vida digna, pode-se esperar que um povo floresça culturalmente. A cultura brasileira avançará não porque teremos este ou aquele ministro, e sim porque o brasileiro poderá, enfim, comprar livros, assinar um bom pacote de banda larga, levar sua família ao cinema. Tudo isso só pode acontecer quando ele auferir uma renda suficiente para tal. É o que está acontecendo. A quantidade colossal de brasileiros que fazem sua primeira viagem ao exterior também sugere que, em breve, seremos um povo mais viajado, mais experiente, mais culto.[/s2If]

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Miriam Leitão, num dia de sol (será?) https://www.ocafezinho.com/2011/11/26/miriam-leitao-num-dia-de-sol-sera/ https://www.ocafezinho.com/2011/11/26/miriam-leitao-num-dia-de-sol-sera/#comments Sat, 26 Nov 2011 23:29:58 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=1460 O tempo está chuvoso hoje em quase todo Brasil, mas a colunista de economia do Globo acordou ensolarada. Claro que à sua maneira, ranzinza, mas não a ponto de impedir que a luz do sol transpareça por entre as persianas de seu mau-humor.

De qualquer forma, o seu texto de hoje é muito bom (eu elogio quando merece), porque traz uma série de dados importantes para entendemos a quantas anda a economia brasileira. Se ela se limitasse a escrever sobre economia, teríamos uma ótima colunista, apesar de seu já lendário pessimismo.

Aliás, é engraçado que essa sua característica (o pessimismo) tenha se agravado justamente quando o Brasil aparece ao mundo quase como um campeão olímpico em matéria econômica.

Abaixo, uma fotografia do início da coluna de hoje, pra vocês matarem a saudade de nossa indefectível e eterna urubóloga.

Reproduzo agora a íntegra da coluna, acompanhada de alguns comentários intercalados, em negrito itálico (depois vocês me digam se preferem que meus comentários, quando intercalados, venham em  itálico ou cor diferente).

Dois pontos

Míriam Leitão

O Copom apostou num cenário em que a situação internacional se agravaria a ponto de derrubar a inflação no Brasil. Olhando a crise lá fora e os números internos, chega-se à conclusão de que o BC acertou apenas em uma parte. De fato, o quadro internacional piorou, até além da imaginação, mas a inflação permanece pressionada.

Ok, pressionada é um bom termo, mas a verdade é que caiu em outubro e segue caindo em novembro, Miriam.

Já era prevista a queda neste final de ano do IPCA acumulado em 12 meses, mas olhando-se dentro dos números – que estão disponíveis no próprio site do Banco Central – encontram-se índices muito acima do razoável. A inflação do grupo vestuário foi de 9,57% nos últimos 12 meses até outubro; alimentos e bebidas subiram 8,5%; a educação ficou 8,1% mais cara e os serviços tiveram alta de 8,94%.

Verdade, Míriam. Essa mulherada comprando roupa não tá fácil. Só que você esqueceu de informar que a inflação do grupo vestuário caiu de 9.73% em setembro para 9,57% em outubro; não mencionou igualmente que a inflação dos alimentos e bebidas caiu fortemente, de 9,93% em setembro para 8,50% em outubro. A educação, sim, subiu um pouquinho, de 8,05% para 8,10%. Quanto aos serviços, registrou-se queda de 9,03% para 8,94%. Tudo isso está lá, como você disse, no site do BC.

O núcleo da inflação, que exclui da conta preços voláteis como combustíveis e alguns alimentos, está ainda acima do teto da meta: 6,61%, em 12 meses. O que mais impressiona é o que está acontecendo no mercado imobiliário. O preço do metro quadrado dos imóveis no país, medido pelo índice Fipe Zap, aumentou 28% de outubro de 2010 a outubro de 2011. No Rio de Janeiro, a alta foi de 39%. Os aluguéis no Rio ficaram 24% mais caros em um ano. Em São Paulo, a alta foi de 15,6%. Os custos da construção civil subiram 7,72%. A mão de obra para as construtoras ficou 11,3% mais cara.

Verdade novamente, Miriam, e desta vez falo sério. A especulação imobiliária está indecente no Brasil, especialmente no Rio. Isso tem a ver com a explosão do crédito para compra de casa própria. O sonho frustrado de milhões de brasileiros, de ter sua casinha, de repente virou realidade, e a consequência foi uma corrida febril, o que pressionou o preço dos imóveis. Para piorar, a boa imagem do Brasil lá fora tem atraído o interesse de muitos estrangeiros de adquirir um imóvel, sobretudo no Rio, o que também detonou a especulação.

Essa montanha de números mostra que o movimento no mercado imobiliário – tanto em locação, quanto em compra e venda de imóveis – está perigosamente aquecido.

Perigosamente? O velho Guimarões Rosa não dizia, que “viver é perigoso”? Você não acredita no poder do mercado e da concorrência? O mercado aquecido e a valorização dos imóveis estimulará ainda mais a construção de novas moradias, como aliás está ocorrendo. Além disso, no caso do Rio, está voltando a valorizar áreas decadentes do centro histórico. Ok, eu sou mesmo um idiota que tenta ver tudo do lado positivo.

A cesta básica está mais alta que a média da inflação no Brasil inteiro, mas em algumas cidades o custo pesa mais. Somente este ano, de janeiro a outubro, a cesta básica aumentou no país 9,11%. Na cidade de Fortaleza, a alta foi de 16%. Em Florianópolis, a cesta subiu 12,48%. No Rio, 11,37%. Em Belo Horizonte, 10,86%, em Vitória, 10,51%.

Vamos conferir isso direitinho no site do Banco Central. Confio plenamente em sua competência, mas minha profissão me obriga a checar tudo. Então olha só que eu descobri, Miriam! Confira esses gráficos. Agora você vai ver porque vale a pena assinar o Cafezinho!

E já que o título de sua coluna de hoje é dois pontos, então olha esse dois pontos mostrados nos gráficos:

  1. A cesta básica em Fortaleza, estimada em R$ 198,68 em outubro, é a segunda mais baixa do Brasil. Somente Aracaju tem uma cesta mais baixa. 
  2. O valor da cesta básica em Fortaleza atingiu em outubro o patamar mais baixo em oito meses.

Você pode ver no terceiro gráfico, prezada colega, que o valor da cesta nacional em outubro também está num dos níveis mais baixos do ano, bem abaixo do que vimos em março, ou em junho. Ou seja, o sufoco passou! 

A previsão do BC era que a deterioração do quadro externo seria tão forte que diminuiria fortemente o preço das commodities. Isso derrubaria o preço dos alimentos no Brasil e tiraria pressão sobre a inflação. O cálculo é que esse efeito seria grande o suficiente para neutralizar o impacto de uma alta do dólar decorrente exatamente do agravamento da crise. O dólar subiu, sim, a situação ficou pior, de fato, mas o índice IC-Br, do Banco Central, que mede os preços das commodities em reais, subiu 15,49% de outubro a outubro. A maior parte da alta é velha, aconteceu no final de 2010, mas em agosto, setembro e outubro os preços aumentaram 4,11%, mesmo com o agravamento da crise. O que mais pesou foi a desvalorização do real no período. Os produtos agropecuários aumentaram 7,11% nesses três meses. Os produtos ligados à energia (petróleo, carvão e gás natural) também subiram no trimestre, 4,14%.

Bem, Miriam, o Brasil é o maior vendedor de commodities do mundo, portanto se o preço delas não caiu; ao contrário, subiu um pouco; essa é uma notícia boa, não esquece, hein. Pressiona um pouquinho a inflação, mas gera divisas e emprego pra caçamba no país. E quanto ao dólar subir, bem, isso é o que o Brasil mais deseja, para valorizar nossos produtos lá fora, embora não valha tanto a pena se o preço for uma crise econômica em nossos colegas (ainda) ricos do norte. Ao final, você fala em aumento de 4,14% nos preços ligados à energia; bem, 4% é abaixo da inflação, então tá tranquilo. 

O mercado de trabalho no Brasil continua forte e o crédito segue com taxas altas de elevação em relação ao ano passado, o que tem mantido o crescimento. O país cresce bem menos do que 2010, menos do que se previa, mas ainda está no terreno positivo. O rendimento do trabalhador caiu 0,3% em outubro, em comparação com o aquecido outubro do ano passado, mas foi a primeira queda desde janeiro de 2010. O total de rendimentos das pessoas com trabalho subiu 22% de janeiro a agosto. O rendimento médio aumentou 21,53%. O crédito destinado a pessoas físicas subiu 12,4% de janeiro a outubro. Para as empresas, a alta foi de 12,8%. O crédito para habitação deu um salto de 34%.

Pronto, agora você quase não pôde mais conter a luz do sol! Só ficou uma persiana, que eu lhe ajudo a abrir. Se o total do rendimento tá subindo de maneira tão vigorosa, Miriam, é por causa de uma entrada muito grande de gente nova no mercado de trabalho. E os primeiros empregos tem sempre salários mais baixos, e a maioria de novos empregos gerados são, naturalmente, empregos mais simples. Quando você tem uma geração muito grande de empregos, portanto, é normal uma redução (no caso, quase insignificante, de 0,3%) no rendimento médio total. Sacou? 

O governo em dez meses quase cumpriu a meta de superávit primário, mas não porque reduziu despesas, mas sim porque elevou a arrecadação. Mais uma vez, como tem sido sempre nos últimos anos, o Tesouro cumpre as metas fiscais por receber mais receitas do contribuinte, e não por redimensionar suas despesas. Essa elevação constante do gasto público é uma parte da lenha na fogueira da inflação. A arrecadação do governo com Impostos sobre Produtos Industrializados (IPI) aumentou 14% de outubro a outubro. Com o setor automobilístico, a alta foi de 28%. Do setor de bebidas, mais 11,3%. Quando os dados forem calculados, eles mostrarão que em 2011 houve nova alta da carga tributária. O economista Rogério Werneck escreveu no seu artigo publicado ontem no GLOBO que pode ser de 1,5 ponto percentual de alta este ano.

Agora você tampou o sol de novo. Conseguiu transformar uma notícia boa, daqueles que os economistas liberais mais gostam, que é governo obter um superávit alto, acima inclusive do necessário, numa notícia ruim. Ora, claro que a arrecadação cresceu! Isso é bom, filha! Quanto mais rico o país, maior a arrecadação! Vai ver quanto é a arrecadação nos EUA! Tu vais tomar um susto! E o aumento da arrecadação nos setores citados são um demonstrativo de vigor econômico! E em setores avançados, como o de industrializados e automobilístico! Quanto à alta de 11% no setor de bebidas, bem, aqui na Lapa ainda se pode comprar uma latinha de itaipava a 1,50; outro dia mesmo eu comprei. Quanto a carga tributária, vamos esperar para ver se aumenta mesmo. Eu sou contra o aumento da carga tributária, Miriam. Nessa eu tô contigo. Sou a favor de uma distribuição mais justa dos impostos, isso sim. Mas você sabe que não acredito nas coisas sem checar muito bem checado, e se não já não acredito nos números que você solta em sua coluna, sempre descontextualizados, como acreditarei na profecia desse professor Werneck?

Os juros vão cair na semana que vem, novamente, e o que se discute no mercado é se será um corte de 0,5% ou 0,75%. O cenário Tombini está se confirmando em parte: o mundo está pior a cada semana. Há um volume enorme de incertezas aumentando a possibilidade de novos agravamentos. A economia brasileira sente isso de diversas formas: o dólar sobe, o ritmo de crescimento diminui, a bolsa cai ou anda de lado, mas a inflação continua pressionada. O próximo ano começará com a alta de 14% no salário mínimo, o que representará um impacto forte nos custos da Previdência e na inflação de serviços. Pelo cenário do Banco Central, tudo isso será absorvido e eliminado durante o ano de 2012 que terminará com a taxa em 4,5%, no centro da meta. É torcer para que isso ocorra.

O salário mínimo vai aumentar 14%? Maravilha! Não é impacto forte na Previdência, nem é inflação de serviço nada, Miriam! É justiça social e uma vidinha melhor para o brasileiro! Mais renda, mais consumo, mais demanda, mais produção. Você ainda não aprendeu a lição? O que é bom para o trabalhador é bom também para o Brasil! 


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O aumento do salário mínimo https://www.ocafezinho.com/2011/11/22/o-aumento-do-salario-minimo/ https://www.ocafezinho.com/2011/11/22/o-aumento-do-salario-minimo/#respond Tue, 22 Nov 2011 14:01:29 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=1165

Bem, a notícia não é tão boa assim quanto parece, porque o motivo que levou o governo a reajustar para cima o aumento que dará ao salário mínimo a partir de janeiro de 2012 foi a constatação de que a inflação foi mais alta do que esperado.

Todos os jornais anunciaram a notícia na primeira página, mas discretamente. O Globo deu uma merecida página inteira à notícia, em sua seção mais nobre, a página 3; o Estadão publicou na capa do caderno de economia, com direito a foto da ministra do Planejamento. Só a Folha parece ter publicado a notícia com certo desleixo, na página 8.

Por outro lado, é uma ótima notícia, pois os pobres também possuem suas táticas para ludibriar a inflação: mudam as marcas compradas, substituem alimentos por outros mais baratos, ou simplesmente param de adquirir certos produtos. De maneira que vale a pena comemorar: o novo salário mínimo, que deverá ser arredondado pelo Congresso para R$ 625, constitui uma grande vitória da classe trabalhadora.

Claro que ainda não é o ideal, ainda mais considerando que não é apenas a inflação que aumenta o custo de vida. Hoje em dia, todo mundo precisa de celular, uma boa tv, computador, internet. Há mais remédios à disposição, e necessidade de comprá-los.

Antigamente, o aposentado não tomava tantos remédios como hoje. Morria mais cedo, mas não culpava tanto o governo. Hoje, ele deve praguejar contra o governo a cada vez que gasta metade de seu salário na farmácia, ainda mais que ouve no jornal alguém informar que são os impostos os responsáveis pelo preço exorbitante de alguns produtos.

Esse é o paradoxo da modernidade. E a lógica pela qual, mesmo com seu padrão da vida melhorando, as pessoas tendem a ficar mais insatisfeitas. A ansiedade do cidadão cresce junto com suas expectativas. Mas essas são interpretações sociológicas ligeiramente acadêmicas, no mau sentido. Na prática, é evidente que um aumento do salário mínimo, ainda mais um da envergadura como o que se observará em 2012, traduzir-se-á em alegria e esperança para milhões de brasileiros, sobretudo os mais pobres, para quem alguns reais a mais ao mês significam um regime alimentar melhor.

Eu catei um infográfico do G1 e acrescentei o salário de 2012:

 

Os valores ainda estão corrigidos pela inflação de fevereiro de 2011, mas já dá para a gente ter uma ideia do que aconteceu ao salário mínimo desde sua criação. Observe que sua maior queda se dá após a morte de Vargas, ao final dos anos 50 e durante o ditadura. Os anos 90 representam o momento mais devastador para o SM, quando ele atinge ridiculos R$ 287.  É nesse época que assistiremos a um crescimento brutal da criminalidade no país.

Entretanto, devemos tomar alguns cuidados com o gráfico acima. A comparação através de épocas muitos distantes gera distorções, sobretudo porque descontextualizadas. Por exemplo, em 1959, quando o salário mínimo correspondia, em valores atualizados, a R$ 1.732, na verdade apenas uma elite dos trabalhadores recebia essa quantia. A industrialização brasileira ainda era recente e a população ainda era predominante rural. E a previdência pública estava muito longe de atingir o grau de quase universalização que atingiu hoje.

O gráfico abaixo mostra a evolução do salário mínimo num período mais recente:

Os pesquisadores da área social já provaram que um aumento do salário mínimo brasileiro tem um poder enorme para promover o desenvolvimento sócio-econômico no país, sobretudo nas áreas mais frágeis economicamente, onde as únicas fontes de renda são aposentadorias e empregos na prefeitura.

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