Romeu Zema - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/romeu-zema/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Sat, 27 Jun 2026 21:00:19 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Romeu Zema - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/romeu-zema/ 32 32 Lula lidera todos os cenários de primeiro e segundo turnos em Minas Gerais, aponta pesquisa https://www.ocafezinho.com/2026/06/26/lula-lidera-todos-os-cenarios-de-primeiro-e-segundo-turnos-em-minas-gerais-aponta-pesquisa/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/26/lula-lidera-todos-os-cenarios-de-primeiro-e-segundo-turnos-em-minas-gerais-aponta-pesquisa/#comments Fri, 26 Jun 2026 22:19:24 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=260842 13 Comentários 🔥]]> O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera a corrida presidencial em Minas Gerais em todos os cenários de primeiro e segundo turnos testados pelo instituto DATATEMPO. O levantamento, realizado no segundo maior colégio eleitoral do país, aponta que o atual chefe do Executivo federal ampliou sua vantagem em relação ao senador Flávio Bolsonaro.

No cenário estimulado de primeiro turno com dez concorrentes, o candidato petista alcança 42,3% das intenções de voto e abre uma vantagem expressiva sobre os demais adversários. O senador Flávio Bolsonaro ocupa a segunda posição com 23,8% da preferência, seguido de longe pelo ex-governador mineiro Romeu Zema, que registra 10,8%.

A comparação com a rodada anterior de pesquisas, realizada em março deste ano, mostra que a diferença entre o líder e o vice-líder disparou de 8,2 para 18,5 pontos percentuais. Esse crescimento coincide com o enfraquecimento das forças de oposição no plano regional, agravado pelo recente recuo de apoios a Flávio Bolsonaro entre partidos da base aliada tradicional.

Nas simulações de segundo turno, a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva se consolida com uma margem de 52% contra 35,1% do parlamentar fluminense nas urnas. Em um confronto alternativo sem a presença do atual governante, Romeu Zema lideraria a disputa com 41,1% das intenções contra 31,2% atribuídos ao senador conservador.

A fragmentação da direita em solo mineiro e a desarticulação partidária nacional alimentam um forte clima de disputa interna nos diretórios regionais da oposição. Esse isolamento das candidaturas conservadoras é acentuado pelo visível conflito de articulação política que opõe diferentes correntes do bolsonarismo.

A pesquisa DATATEMPO entrevistou mil eleitores de forma domiciliar entre os dias 12 e 15 de junho de 2026, sob contratação da Sempre Editora. O levantamento apresenta margem de erro de 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos e encontra-se registrado sob os protocolos MG-02109/2026 e BR-07479/2026.


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a corrida eleitoral para a Presidência da República em Minas Gerais em todos os cenários de 1° e 2° turnos testados na pesquisa DATATEMPO. Esta é a segunda rodada a traçar um panorama sobre as eleições de 2026 no segundo maior colégio eleitoral do país. O levantamento indica que o atual chefe do Executivo federal também ampliou a vantagem contra o segundo colocado no estado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). As entrevistas foram realizadas de 12 a 15 de junho, e a margem de erro é de 3,1 pontos percentuais para mais ou para menos.

Lula chega a alcançar 42,3% das intenções de voto em um cenário estimulado de 1º turno contra outros nove oponentes. O recorte da pesquisa mostra que o petista está 18,5 pontos percentuais à frente de Flávio Bolsonaro, que atrai 23,8% da preferência dos eleitores mineiros.

Gráfico da pesquisa de intenção de voto estimulada para o primeiro turno presidencial em Minas Gerais (DATATEMPO)

Gráfico da pesquisa de intenção de voto estimulada para o primeiro turno presidencial em Minas Gerais (DATATEMPO/Junho de 2026)

Nesse quadro, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) aparece na terceira posição, com 10,8%, seguido pelo ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com 2,8%.

Na pesquisa DATATEMPO anterior, realizada em março deste ano, Lula figurou em primeiro em todos os cenários, e, em um deles, com 37,2% das intenções de voto. Flávio também aparecia em segundo, mas com 29%. Na ocasião, a diferença entre o petista e o liberal era de apenas 8,2 pontos percentuais.

A segunda rodada da pesquisa foi realizada cerca de um mês após conversas vazadas entre Flávio Bolsonaro e o sócio-fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, em que o senador pediu ao banqueiro US$ 24 milhões para financiar a produção de “Dark Horse”, filme biográfico do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Entretanto, o levantamento foi finalizado antes da operação da Polícia Federal, deflagrada no dia 18 de junho, que teve como alvo principal de busca e apreensão o senador Jaques Wagner (PT), líder do governo Lula no Senado. A investigação apura fraudes envolvendo o Banco Master e o PT da Bahia, os vínculos do banqueiro Daniel Vorcaro e a suposta participação do parlamentar no esquema.

Apesar disso, não é possível fazer inferências a partir dos números da pesquisa, considerando que o levantamento não cobre os motivos dos votos, como ressaltado pela cientista política Audrey Dias, coordenadora de pesquisa do instituto DATATEMPO.

Lula mantém vantagem em cenário enxuto

Outro quadro testado pela segunda rodada da DATATEMPO, com apenas cinco pré-candidatos, mostra que Lula mantém a liderança ampla, com 42,7% da intenção de votos, mas não cresce significativamente. O petista aparece à frente de Flávio Bolsonaro (25,2%) por margem confortável e acima da margem de erro.

Nesse cenário, Zema se mantém em terceiro e foi citado por 13,2% dos eleitores de Minas Gerais. O dado, portanto, reforça uma estrutura de disputa em que Lula lidera, Flávio se consolida como principal adversário e Zema permanece competitivo, mas distante da segunda posição.

Petista também lidera em 2º turno

Em um eventual segundo turno, Lula está à frente nos cenários testados contra os principais adversários, em que venceria Flávio Bolsonaro com uma vantagem ampla e confortável de quase 17 pontos percentuais.

Gráfico da pesquisa de intenção de voto para o segundo turno presidencial em Minas Gerais (DATATEMPO)

Gráfico da pesquisa de intenção de voto para o segundo turno presidencial em Minas Gerais (DATATEMPO/Junho de 2026)

Já contra Romeu Zema, a disputa fica mais competitiva: o ex-governador de Minas, que teve dois mandatos no estado, reduz a distância para pouco mais de 7 pontos.

Em um terceiro cenário, entre Zema e Flávio Bolsonaro, o mineiro venceria com vantagem fora da margem de erro. Com 41,1%, o ex-governador aparece com quase 10 pontos percentuais à frente do senador, que registrou 31,2%.

Entretanto, o dado politicamente mais forte neste caso é o do voto branco/nulo, de 24%. Isso significa que quase um em cada quatro eleitores afirma que não votaria em nenhum dos dois candidatos. Esse percentual é bem maior do que nos cenários envolvendo Lula.

De acordo com a cientista política Audrey Dias, coordenadora de pesquisa do instituto DATATEMPO, o dado revela que a ausência de Lula amplia a recusa de parte do eleitorado em aderir a Flávio ou Zema, mas a rejeição não se distribui da mesma forma. No primeiro cenário estimulado, 37,4% dos eleitores de Lula afirmaram que votariam branco ou nulo em uma disputa entre Zema e Flávio. Outros 53,4% migrariam para Zema, enquanto apenas 6,1% escolheriam Flávio Bolsonaro.

“Portanto, Zema aparece como uma opção mais aceitável para a maioria desse eleitorado, especialmente quando comparado a Flávio, mas não como uma candidatura capaz de absorver automaticamente o campo lulista. Há um contingente expressivo que, diante dessa combinação de nomes, prefere se retirar da escolha”, explica Audrey.

A pesquisa DATATEMPO também testou as intenções de votos entre os pré-candidatos ao governo de Minas. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) lidera os cenários, seguido pelo ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT).

Metodologia

A pesquisa DATATEMPO foi contratada pela Sempre Editora. Os dados foram coletados de 12 de junho a 15 de junho de 2026. Foram realizadas 1.000 entrevistas domiciliares. A margem de erro é de 3,1 pontos percentuais. O intervalo de confiança é de 95%. Pesquisa registrada: MG-02109/2026 e BR-07479/2026.

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O jacaré vermelho volta a atacar https://www.ocafezinho.com/2026/05/22/o-jacare-vermelho-volta-a-atacar/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/22/o-jacare-vermelho-volta-a-atacar/#comments Fri, 22 May 2026 21:10:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=250449 369 Comentários 🔥]]> O Brasil tem, segundo balanço divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral em maio, mais de 158 milhões de eleitoras e eleitores aptos a votar nas eleições presidenciais deste ano. No cenário de primeiro turno divulgado hoje pelo Datafolha e publicado pela Folha de S.Paulo, os 40% atribuídos a Lula correspondem a aproximadamente 63,2 milhões de votos potenciais.

Flávio Bolsonaro, com 31%, teria cerca de 49 milhões de votos potenciais. A diferença entre os dois, de nove pontos percentuais, equivale a aproximadamente 14,2 milhões de eleitores.

A boca do jacaré começou a se abrir.

A soma de todos os demais candidatos, votos em branco, nulos, nenhum e indecisos chega a 29%, ou cerca de 45,8 milhões de eleitores. Ou seja, Lula aparece isolado na liderança, com vantagem superior ao conjunto formado pelo pelotão intermediário, brancos, nulos e indecisos.

A nova pesquisa Datafolha foi publicada nesta sexta-feira, 22 de maio, pela Folha de S.Paulo. O levantamento foi realizado presencialmente com 2.004 pessoas de 16 anos ou mais, em 139 municípios, nos dias 20 e 21 de maio.

A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

No principal cenário de primeiro turno, sem Michelle Bolsonaro na disputa, Lula marca 40%, contra 31% de Flávio Bolsonaro. Na rodada anterior, de 13 de maio, a distância entre os dois era de apenas três pontos.

A mudança em uma semana é relevante: Flávio caiu quatro pontos, enquanto Lula subiu dois. Com isso, a vantagem petista passou de três para nove pontos percentuais.

Ronaldo Caiado aparece com 4%. Romeu Zema, Renan Santos e Samara Martins têm 3% cada.

Augusto Cury marca 2%. Aldo Rebelo, Cabo Daciolo e Rui Costa Pimenta aparecem com 1% cada.

Hertz Dias não pontua. Brancos, nulos ou nenhum somam 9%, e os que não sabem também são 3%.

O dado mais relevante da rodada é o recuo de Flávio Bolsonaro. O senador havia registrado 35% em abril e mantido o mesmo percentual em 13 de maio, mas agora aparece com 31%.

Lula, por sua vez, estava em 39% em abril, oscilou para 38% na pesquisa anterior e chegou agora a 40%. O resultado interrompe, ao menos nesta fotografia, a aproximação de Flávio em relação ao presidente.

No segundo turno, Lula também aparece à frente. O presidente marca 47%, contra 43% de Flávio Bolsonaro.

Considerando o universo de 158 milhões de eleitores aptos, isso equivale a cerca de 74,3 milhões de votos potenciais para Lula e 67,9 milhões para Flávio. A diferença de quatro pontos corresponde a aproximadamente 6,3 milhões de eleitores.

Na rodada anterior, de 13 de maio, os dois estavam empatados em 45%. Esse percentual equivalia a cerca de 71,1 milhões de votos potenciais para cada um, sempre considerando o eleitorado total apto e sem descontar abstenções.

A série do segundo turno mostra uma disputa que vinha se estreitando desde o fim de 2025. Lula tinha 51% em dezembro, caiu para 46% em março, chegou a 45% em abril e repetiu esse percentual em 13 de maio.

Flávio fez o movimento inverso nesse período. Saiu de 36% em dezembro, subiu para 43% em março, chegou a 46% em abril e empatou com Lula em 45% na pesquisa anterior.

Na nova rodada, porém, a curva se inverteu. Lula voltou a 47%, enquanto Flávio recuou para 43%.

A pesquisa ocorre após a repercussão do caso “Dark Horse”, revelado pelo Intercept Brasil, envolvendo a campanha de Flávio Bolsonaro, o deputado federal Mario Frias e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O episódio gira em torno da tentativa de financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro, prevista para ser lançada em meio ao ciclo eleitoral.

Segundo as reportagens publicadas sobre o caso, Flávio buscou apoio de Vorcaro para o filme em valores milionários. Parte das apurações aponta repasses já identificados e tratativas sobre cifras bem mais altas, ainda sob disputa política e investigação jornalística.

O caso também envolve suspeitas sobre o uso indireto de dinheiro público. A produtora ligada ao filme recebeu mais de R$ 100 milhões da Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de Wi-Fi em comunidades de baixa renda, mas há questionamentos sobre a quantidade efetivamente entregue em relação ao que havia sido prometido.

Outra frente envolve emendas parlamentares destinadas por deputados bolsonaristas a entidades e empresas ligadas ao entorno da produção. O STF também passou a cobrar explicações sobre a destinação de recursos e sobre a viagem internacional de Mario Frias, produtor-executivo de “Dark Horse”, ao Bahrein e aos Estados Unidos.

O trecho mais constrangedor da crise veio com a divulgação das conversas e áudios. Em uma das mensagens, Flávio trata Vorcaro em tom de intimidade e escreve: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente”.

A frase pegou mal porque contrastou com as explicações posteriores do senador. Primeiro, Flávio tentou reduzir o vínculo com Vorcaro; depois, diante das mensagens e áudios, ficou evidente que a relação era bem mais próxima do que a versão inicial sugeria.

O próprio Flávio Bolsonaro confirmou depois que esteve pessoalmente na casa de Vorcaro quando o banqueiro estava em prisão domiciliar. Segundo ele, a visita teria ocorrido para “pôr um ponto final” nas tratativas sobre o filme, explicação que abriu nova rodada de questionamentos.

Também entrou no radar a viagem de Mario Frias ao Bahrein. No campo das suspeitas políticas, a ida ao país passou a ser associada por críticos à pergunta sobre o destino de recursos ainda não esclarecidos, embora não haja confirmação pública de que dinheiro do projeto tenha sido movimentado no exterior.

O desgaste aparece na pesquisa. Segundo a Folha, 64% dos entrevistados disseram ter ouvido falar do caso “Dark Horse”, e o mesmo percentual avaliou que Flávio Bolsonaro agiu mal no episódio.

A reportagem registra que o levantamento anterior havia sido feito em parte antes de o caso ganhar maior repercussão pública. A nova rodada, por sua vez, foi realizada já com o episódio amplamente conhecido pelo eleitorado.

O Datafolha também testou Michelle Bolsonaro como possível alternativa da direita. No cenário de segundo turno contra Lula, ela aparece com 43%, enquanto o presidente marca 48%.

No primeiro turno, porém, Michelle tem desempenho inferior ao de Flávio. Ela aparece com 22%, contra 41% de Lula.

Como diria o Henfil, tem uma esperança despontando no horizonte!

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Terceira via enfraquece com desistência de Ratinho Jr. na eleição https://www.ocafezinho.com/2026/03/26/terceira-via-enfraquece-com-desistencia-de-ratinho-jr-na-eleicao/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/26/terceira-via-enfraquece-com-desistencia-de-ratinho-jr-na-eleicao/#respond Thu, 26 Mar 2026 21:15:38 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/03/26/terceira-via-enfraquece-com-desistencia-de-ratinho-jr-na-eleicao/ A terceira via nas eleições brasileiras enfrenta um cenário desafiador, com desistências e falta de identidade clara, enquanto Lula e Flávio Bolsonaro dominam o palco político.

A desistência de Ratinho Jr. da corrida presidencial surpreendeu até mesmo Gilberto Kassab, conhecido por sua habilidade em antever movimentos políticos. Essa reviravolta expõe a fragilidade da chamada terceira via, que luta para se firmar em um cenário dominado por Lula e Flávio Bolsonaro.

Com Ratinho fora do jogo, o PSD se vê diante de um dilema: escolher entre Ronaldo Caiado, governador de Goiás, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. Ambos enfrentam desafios para se destacarem em um ambiente eleitoral fortemente polarizado.

Ronaldo Caiado, com seu histórico de liderança no agronegócio e um discurso duro sobre segurança, representa uma direita tradicional. Sua candidatura poderia agregar ao campo bolsonarista, tornando-o mais um aliado do que uma alternativa real.

Por outro lado, Eduardo Leite, que tenta se posicionar como uma figura de centro, carece de uma marca política forte. Sua capacidade de se destacar em uma disputa tão acirrada é questionável, especialmente quando a eleição se desenha como um embate entre dois protagonistas.

Além disso, outros nomes como Romeu Zema, Aldo Rebelo e Renan Santos estão na disputa, mas suas chances de se consolidarem como uma opção viável são limitadas. Zema, por exemplo, pode acabar como vice de Flávio ou até desistir da candidatura.

As pesquisas atuais indicam que a terceira via, ou a "melhor via", como preferem alguns, não ultrapassa 10% das intenções de voto. Mesmo com cerca de 30% do eleitorado não se identificando nem com Lula nem com Flávio, essa parcela não tem se traduzido em apoio concreto para uma alternativa.

Analistas políticos apontam que a eleição brasileira não se resume a esperança no futuro, mas também a um jogo de rejeições. Eleitores que não simpatizam com Lula, mas rejeitam fortemente Flávio, tendem a votar no petista, e vice-versa. Esse fenômeno é um obstáculo para qualquer tentativa de romper a polarização.

A terceira via enfrenta o desafio de se estabelecer como uma opção crível em um cenário onde o medo e a rejeição desempenham papéis centrais. Sem uma liderança clara ou uma mensagem unificadora, candidatos alternativos continuam a ser coadjuvantes em uma disputa dominada por dois atores principais.

A resistência em emplacar uma terceira via reflete também a falta de renovação e inovação no campo político brasileiro. A política nacional parece presa a um ciclo de polarização, dificultando a ascensão de novas forças que poderiam trazer mudanças significativas.

Em um contexto global de crescente multipolaridade, a política brasileira ainda luta para encontrar seu caminho entre a tradição e a inovação. A ausência de uma terceira via sólida é um sintoma dessa dificuldade de adaptação, evidenciando a necessidade de novas estratégias e lideranças que possam captar o desejo de mudança de uma parte considerável do eleitorado.

Enquanto isso, o cenário eleitoral segue polarizado, com Lula e Flávio Bolsonaro ocupando o centro do palco, enquanto potenciais alternativas continuam a lutar por espaço e relevância em um ambiente político cada vez mais complexo e desafiador.

Curadoria: Afonso Santos | Redação: Afonso Santos

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Flávio Bolsonaro busca vice e revela fragilidade da pré-campanha https://www.ocafezinho.com/2026/03/25/flavio-bolsonaro-busca-vice-e-revela-fragilidade-da-pre-campanha/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/25/flavio-bolsonaro-busca-vice-e-revela-fragilidade-da-pre-campanha/#respond Thu, 26 Mar 2026 02:48:19 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/03/25/flavio-bolsonaro-busca-vice-e-revela-fragilidade-da-pre-campanha/ Sem nome de consenso, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro revela a fragmentação da direita para 2026.

A busca de Flávio Bolsonaro por um vice entrou em zona de turbulência depois que Ratinho Junior saiu, na prática, do radar da chapa.

Com o governador do Paraná decidido a ficar no cargo até o fim do mandato, a pré-campanha passou a girar em torno de nomes que revelam mais fragilidade do que força.

Segundo informações publicadas pela Folha, os nomes hoje mais cotados são os da senadora Tereza Cristina, de Mato Grosso do Sul, e do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema.

A definição, porém, deve ficar para mais perto das convenções partidárias de julho. Isso mostra que a chapa ainda está longe de um desenho estável e consensual.

O movimento vai além de uma simples composição regional. Ele expõe a dificuldade do bolsonarismo em montar uma aliança nacional minimamente sólida depois de anos de personalismo, conflitos internos e dependência quase total do sobrenome Bolsonaro.

Na prática, o grupo de Flávio tenta resolver três problemas de uma vez. Precisa ganhar presença em estados decisivos, reduzir rejeições em segmentos estratégicos e abrir pontes com partidos do centrão que ainda tratam com cautela uma candidatura liderada pelo filho do ex-presidente.

Ratinho Junior era visto por aliados como uma peça capaz de oferecer musculatura administrativa e algum lastro eleitoral. Ao optar por concluir o mandato no Paraná, tirou da mesa a alternativa que parecia menos conflituosa e obrigou a pré-campanha a revisitar opções mais espinhosas.

Flávio, em público, tenta transmitir calma. Em declaração citada pela Folha, disse que ainda não está tratando da escolha do vice e pediu serenidade, mencionando Tereza Cristina e Romeu Zema entre os nomes considerados.

Nos bastidores, o cenário é bem menos tranquilo. Há divisão entre aliados, e cada alternativa combina vantagens aparentes com limitações relevantes.

Romeu Zema aparece como ativo por representar Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país. Para qualquer candidatura de direita que queira disputar espaço com Lula em terreno competitivo, Minas continua sendo peça central.

A lógica é direta. Sem desempenho forte em Minas, um projeto presidencial de oposição já sai mancando.

O problema é que a força de Zema talvez não seja tão automática quanto seus defensores sugerem. De acordo com a reportagem da Folha, a própria equipe de Flávio chegou a testar em pesquisa se o apoio do ex-governador teria capacidade real de transferir votos no estado.

O resultado não empolgou. Integrantes da pré-campanha avaliaram que o levantamento não trouxe resposta conclusiva sobre o potencial de Zema para empurrar a chapa para cima.

Esse dado tem peso político. Ele indica que a imagem de gestor eficiente, tão vendida pelo campo liberal, nem sempre se converte em capital eleitoral transferível, sobretudo quando acoplada a uma candidatura cercada por disputas familiares, radicalização ideológica e baixa capacidade de agregação.

Também há reservas dos dois lados. Segundo interlocutores citados pela Folha, Zema teme mergulhar de vez no universo de conflitos do clã Bolsonaro e do Partido Liberal.

Não se trata de um temor irrelevante. O bolsonarismo se consolidou, nos últimos anos, como um campo de forte centralização familiar, com disputas recorrentes e pouco espaço para lideranças com projeto próprio.

Do lado de Flávio, a desconfiança também existe. O desempenho do grupo ligado a Zema em eleições recentes, especialmente em Belo Horizonte, além da baixa capilaridade municipal do Novo em Minas, reforçou a percepção de que o ex-governador pode entregar menos do que promete.

Tereza Cristina surge como opção mais palatável ao centrão. Sua eventual escolha dependeria de um arranjo nacional com a federação formada por União Brasil e Progressistas, o que empurra a negociação para um terreno bem mais amplo do que a simples definição de um vice.

A senadora tem trânsito consolidado em Brasília e interlocução forte no agronegócio. Para aliados de Flávio, ela poderia ajudar a reduzir resistências no eleitorado feminino e fortalecer pontes com um setor econômico historicamente influente no campo conservador.

Ainda assim, a aposta está longe de ser unanimidade. Parte dos aliados sustenta que o voto do agro tenderia a se concentrar na direita de qualquer forma e que, por isso, Tereza Cristina agregaria menos do que parece.

Esse cálculo, porém, já não é tão simples. O desgaste provocado pelo alinhamento bolsonarista ao tarifaço de Donald Trump, citado por aliados da própria pré-campanha, abriu desconforto em parcelas do setor produtivo.

O ponto é politicamente delicado. Quando a direita brasileira se alinha a agendas externas que atingem interesses concretos da economia nacional, a retórica patriótica perde consistência e a contradição fica mais exposta.

Também pesa contra Tereza Cristina o fato de vir de um estado com menor peso decisivo na disputa nacional. Em eleição presidencial apertada, origem regional e capacidade de mobilização territorial continuam contando muito.

A pré-campanha ainda sondou alternativas no Nordeste. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, foi procurada por interlocutores do grupo numa tentativa de ampliar presença numa região em que Lula mantém força histórica.

Segundo a Folha, a ideia era levá-la ao Progressistas e encaixá-la na vice. Raquel preferiu manter o projeto de reeleição, e outros nomes nordestinos, especialmente mulheres, seguem em análise.

Esse detalhe diz muito sobre o tamanho do problema. O comando da campanha sabe que um de seus maiores gargalos está justamente no Nordeste, onde o bolsonarismo segue com enorme dificuldade para penetrar de forma consistente.

Não é um obstáculo menor. Na região, políticas públicas, memória social e identificação popular com Lula continuam tendo peso concreto e duradouro.

Ao mesmo tempo, a resistência de partidos do centrão em embarcar desde já com Flávio expõe outro impasse estrutural. União Brasil e Progressistas ainda parecem mais interessados em preservar seus próprios espaços legislativos do que em aderir sem garantias a uma candidatura bolsonarista.

Isso enfraquece a tentativa de vender Flávio como nome naturalmente unificador da direita. O que aparece, na prática, é um campo conservador fragmentado, em que lideranças regionais fazem contas frias sobre risco, vantagem e sobrevivência.

Há ainda a sombra de outros nomes da direita, como Ronaldo Caiado. Ele pode disputar o mesmo eleitorado do agro e da gestão conservadora, o que torna o tabuleiro ainda mais congestionado.

Sem Ratinho Junior, a equação ficou mais difícil. A pré-campanha perdeu uma alternativa vista como menos traumática e passou a depender de negociações mais complexas, mais caras politicamente e menos previsíveis.

No fundo, a procura por um vice virou sintoma de um impasse maior. A direita tenta montar uma chapa competitiva, mas continua esbarrando na dificuldade de transformar bolsonarismo em maioria social estável para além de sua base mais fiel.

Enquanto isso, Lula segue como referência central do campo popular e como polo de gravidade da política nacional. Isso pesa especialmente nas regiões e nos segmentos em que a presença do Estado, a proteção social e a agenda do desenvolvimento têm efeito concreto na vida da população.

É justamente por isso que a oposição procura um vice com tanta ansiedade. Mais do que completar a chapa, o nome escolhido teria de compensar fraquezas que, até agora, seguem sem solução.

Até aqui, essa peça não apareceu.

Curadoria: Augusto Gomes | Redação: Afonso Santos

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Flávio Bolsonaro veste fantasia de moderado para nova jogada eleitoral https://www.ocafezinho.com/2026/03/24/flavio-bolsonaro-veste-fantasia-de-moderado-para-nova-jogada-eleitoral/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/24/flavio-bolsonaro-veste-fantasia-de-moderado-para-nova-jogada-eleitoral/#respond Tue, 24 Mar 2026 08:14:05 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/03/24/flavio-bolsonaro-veste-fantasia-de-moderado-para-nova-jogada-eleitoral/ A direita ensaia um jogo combinado para 2026: uns atacam com fúria, outros tentam vender normalidade.

Aliados de Flávio Bolsonaro veem na provável entrada de Ronaldo Caiado na disputa presidencial uma oportunidade tática para reposicionar o senador.

Segundo informação levantada pela Folha de S.Paulo, o cálculo no entorno de Flávio é que uma candidatura mais agressiva do governador de Goiás abre espaço para ele parecer mais conciliador.

A aposta é simples e reveladora: enquanto outros nomes da direita fazem o ataque mais duro ao governo Lula, Flávio tenta ocupar a faixa da oposição que quer confronto sem histeria.

É a velha lógica do bom e do mau policial aplicada ao tabuleiro eleitoral da direita. Nesse desenho, Caiado e também o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, seriam os encarregados de carregar nas tintas.

Na visão dos aliados do senador, isso ajudaria a abrir um espaço específico no eleitorado. Trata-se do segmento antilulista que rejeita o governo, mas também mantém resistência ao bolsonarismo em sua forma mais crua.

É para esse público que Flávio Bolsonaro tenta construir uma imagem mais palatável. A ideia é apresentar o herdeiro do clã como alguém capaz de preservar o núcleo ideológico da família com um tom menos inflamado.

A desistência do governador do Paraná, Ratinho Junior, da disputa nacional facilitou esse cálculo político. Ratinho tem perfil mais negociador e histórico de aproximação com o governo federal, o que atrapalharia a polarização mais nítida desejada por esse campo.

Caiado, em contraste, vem adotando um discurso cada vez mais oposicionista e alinhado à direita. Seus ataques a Lula têm sido frequentes e duros, especialmente em temas como segurança pública e na crítica ao que chama de leniência com movimentos sociais.

Romeu Zema já ocupa esse papel com mais naturalidade no campo conservador. O governador mineiro é um crítico constante do Partido dos Trabalhadores e do governo federal, e uma eventual candidatura sua tenderia a disputar justamente o eleitorado de direita mais combativo.

Com Caiado e Zema no páreo, a leitura no entorno de Flávio é que se formaria uma espécie de barreira no flanco mais radical da oposição. Esses nomes absorveriam os votos mais passionais, os que exigem retórica de guerra política e confronto permanente.

Isso permitiria a Flávio circular em terreno mais amplo e menos tóxico. Ele poderia falar em gestão, resultados e moderação sem romper com a base bolsonarista, já mobilizada por candidaturas mais agressivas.

A manobra, no fundo, reconhece um problema real para o bolsonarismo. O estilo puro de 2018 e 2022 parece ter alcançado um teto eleitoral, sobretudo depois do desgaste do fim do governo Bolsonaro, das crises institucionais e da rejeição acumulada em parte do eleitorado.

Flávio não pode abandonar o núcleo duro que continua fiel à família Bolsonaro. Ao mesmo tempo, precisa buscar os eleitores que rejeitam Lula, mas se cansaram do caos, da gritaria e da instabilidade como método político.

É aí que entra a tentativa de maquiagem moderada. O desafio é vender serenidade sem romper com a herança política que o sustenta, o que exige um equilíbrio delicado e, para muitos, pouco convincente.

O risco é evidente. A operação pode ser lida como puro marketing eleitoral, sem mudança real de conteúdo, sobretudo porque Flávio segue associado ao núcleo familiar bolsonarista e a tudo o que essa marca carrega de radicalização e desgaste.

Há ainda um problema prático que nenhuma estratégia de gabinete resolve sozinha. Em campanha, especialmente em debates televisionados e sob pressão, é muito mais difícil sustentar a pose de moderado quando adversários à direita cobram mais dureza e o governo o apresenta como continuador do projeto anterior.

O plano também depende de fatores que Flávio não controla integralmente. Caiado ainda enfrenta uma disputa interna em seu partido, que tem ministros no governo Lula e não fechou sua estratégia nacional, enquanto Zema lida com resistências dentro do próprio campo.

Além disso, existe a variável mais importante de todas no universo bolsonarista. Mesmo inelegível, Jair Bolsonaro continua sendo a principal referência do movimento, e qualquer fala, gesto ou intervenção sua pode desorganizar a tentativa do filho de parecer mais equilibrado.

A movimentação mostra que a direita já começou a se organizar para 2026 com mais pragmatismo do que em ciclos anteriores. Em vez de apostar tudo numa candidatura única capaz de reunir todos os descontentes, esse campo ensaia uma divisão de tarefas e uma segmentação mais calculada do eleitorado.

É uma ofensiva com várias vozes, vários tons e vários personagens. Uns falam para a base mais inflamável, outros tentam dialogar com setores que rejeitam o governo, mas não querem reviver o ambiente de confronto permanente que marcou os últimos anos.

Nesse mosaico, Flávio Bolsonaro tenta se apresentar como a versão civilizada de uma marca política já conhecida. A aposta é que o sobrenome ainda mobiliza a base, mas que o figurino pode ser adaptado para reduzir rejeições e ampliar alcance.

Nada disso, porém, garante sucesso. A estratégia dependerá da capacidade de Flávio de sustentar essa nova imagem, da reação do eleitorado a uma moderação que pode soar artificial e da força real que Caiado e Zema terão se suas candidaturas avançarem.

Para o governo Lula e o campo progressista, o movimento merece atenção. A oposição não está parada, e parte da direita tenta aprender com os próprios erros, trocando a aposta exclusiva na radicalização por uma combinação de choque e verniz institucional.

O que aparece agora é apenas a abertura de um xadrez mais complexo. A direita busca diversificar sua vitrine e oferecer mais de uma embalagem para o mesmo campo político, enquanto Flávio tenta convencer o eleitor de que pode ser o rosto calmo de um projeto que o país já conhece bem.

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Zema troca Minas por Brasília e se projeta como opção da direita ao Planalto https://www.ocafezinho.com/2026/03/22/zema-troca-minas-por-brasilia-e-se-projeta-como-opcao-da-direita-ao-planalto/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/22/zema-troca-minas-por-brasilia-e-se-projeta-como-opcao-da-direita-ao-planalto/#respond Sun, 22 Mar 2026 17:23:21 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/03/22/zema-troca-minas-por-brasilia-e-se-projeta-como-opcao-da-direita-ao-planalto/ A saída de Romeu Zema do governo de Minas transforma a sucessão estadual em laboratório da direita para 2026.

Romeu Zema renunciou ao governo de Minas Gerais neste domingo e transformou a transmissão de cargo em um ato de pré-campanha presidencial.

O agora ex-governador usou a despedida para mirar o Palácio do Planalto e se apresentar como alternativa nacional da direita.

A cena resumiu sua aposta: deixar o cargo antes do fim do mandato para tentar converter visibilidade regional em ambição nacional.

No discurso, Zema atacou diretamente o governo Lula e repetiu bordões que dialogam com o repertório bolsonarista. A diferença foi o verniz tecnocrático, com a tentativa de vender sua imagem como a de um gestor austero e anticorrupção.

Segundo a Folha, ele afirmou que o Brasil está sendo destruído pela administração federal. Também fez da corrupção seu principal eixo de ataque, numa tentativa evidente de mobilizar o eleitorado conservador e descontente.

“Ninguém aguenta mais a farra da corrupção, ninguém aguenta mais viver com medo”, disse Zema, ainda de acordo com a Folha. A fala buscou opor Minas Gerais ao governo federal, como se o estado sob seu comando fosse um modelo pronto para o país.

Mas a renúncia também expõe o tamanho do risco político assumido pelo ex-governador. Zema é pré-candidato à Presidência, porém segue distante dos primeiros colocados nas pesquisas de intenção de voto.

No último Datafolha citado no rascunho, ele aparecia com 4%. Ficava muito atrás de Lula, de Flávio Bolsonaro e até do governador do Paraná, Ratinho Junior.

Isso ajuda a explicar por que sua saída do Palácio Tiradentes parece menos um gesto de força consolidada e mais uma tentativa de romper o isolamento. Ao deixar o governo sete meses antes do fim do mandato, Zema tenta ganhar tempo de exposição num campo da direita já congestionado por nomes, facções e interesses concorrentes.

Seu problema é duplo. Precisa se diferenciar do bolsonarismo sem perder o eleitorado bolsonarista, e precisa parecer viável nacionalmente sem ter, até aqui, musculatura eleitoral compatível com essa pretensão.

Em Minas, o poder passa para o vice-governador Mateus Simões, do Partido Social Democrático. A cerimônia de posse indicou que Simões pretende manter a linha política de Zema, inclusive no tom de confronto com o governo federal.

Simões ecoou críticas ao Planalto e adotou retórica agressiva na área de segurança pública. Prometeu “caçar” e expulsar bandidos, sinalizando que pretende disputar o mesmo nicho ideológico explorado por seu antecessor.

A continuidade, porém, não resolve o principal impasse mineiro. Simões herda a máquina estadual, mas também herda a dependência política de Zema e a dificuldade de costurar um palanque amplo num estado cobiçado por vários grupos.

O quadro partidário é especialmente delicado. O Partido Social Democrático nacional tem outros projetos e outros nomes, entre eles Ratinho Junior, e não embarca automaticamente numa candidatura presidencial de Zema.

Do lado do Partido Liberal de Jair e Flávio Bolsonaro, a relação é de cautela e desconfiança. Anotações do senador Flávio Bolsonaro, reveladas pela imprensa, indicam ceticismo em relação a Simões e ao arranjo mineiro ligado a Zema.

Isso significa que o bolsonarismo em Minas pode preferir um caminho próprio. Entre as possibilidades mencionadas estão o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, Flávio Roscoe, e o senador Cleitinho, do Republicanos.

No campo progressista, a movimentação também já começou. O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco aparece como nome cotado para disputar o governo com apoio do presidente Lula, o que transforma a sucessão mineira em peça importante do xadrez nacional.

A saída de Zema abre, assim, uma janela para a reorganização da disputa no maior colégio eleitoral do país depois de São Paulo. Se Simões não conseguir consolidar a herança política recebida, o grupo de Zema corre o risco de perder o estado justamente quando tenta vender força para o restante do Brasil.

Há ainda o problema da legenda e da viabilidade nacional. Zema precisa de um partido com capilaridade para sustentar uma campanha presidencial competitiva, e o Novo, sozinho, tem alcance limitado.

Por isso, circulam rumores de que ele poderia até aceitar ser vice numa chapa de Flávio Bolsonaro. Seria uma saída pragmática para entrar no jogo grande da direita, mas ao custo de enterrar a narrativa de novidade gerencial e independência que tenta cultivar desde o início.

Para o governo Lula, o discurso de Zema é tratado como ruído de campanha antecipada. A aposta do Planalto, segundo o rascunho, é concentrar energia em obras, programas sociais e resultados concretos, confiando que a melhora da vida material da população responda melhor do que a retórica catastrofista da oposição.

Esse contraste tende a marcar os próximos meses. De um lado, Zema tenta nacionalizar sua imagem por meio do confronto e da denúncia moral; de outro, o governo federal procura deslocar o debate para entregas, investimento e cotidiano.

No fundo, a renúncia de Zema inaugura uma fase mais barulhenta da corrida de 2026. Ela antecipa a disputa por espaço dentro da direita e mostra que o campo conservador está longe de ter um comando único ou uma estratégia pacificada.

Também revela que Minas Gerais voltará a ser central. O desempenho de Mateus Simões será lido como teste da força real do zemismo, e uma derrota estadual pode reduzir drasticamente as pretensões presidenciais do ex-governador antes mesmo de a campanha ganhar corpo formal.

Zema aposta tudo numa fórmula conhecida, eficiência contra corrupção, gestão contra política, estado contra União. O problema é que essa narrativa precisará sobreviver não apenas ao confronto com Lula, mas também à concorrência feroz de bolsonaristas mais orgânicos, lideranças regionais mais enraizadas e partidos maiores, com mais estrutura e mais votos.

O Brasil, portanto, já entrou em clima de disputa longa. A saída de Zema não fecha um ciclo em Minas, apenas abre outro, mais instável, mais nacionalizado e potencialmente mais decisivo para o tabuleiro de 2026.

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Novo ministro da Fazenda tem uma missão: administrar a guerra política até as eleições https://www.ocafezinho.com/2026/03/20/lula-troca-projeto-por-sobrevivencia/ https://www.ocafezinho.com/2026/03/20/lula-troca-projeto-por-sobrevivencia/#respond Fri, 20 Mar 2026 16:11:11 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/03/20/lula-troca-projeto-por-sobrevivencia/ Durigan chega à Fazenda menos para comandar a economia do que para administrar a guerra política até 2026.

A nomeação de Dario Durigan para o Ministério da Fazenda vai muito além de uma troca técnica e marca a entrada formal do governo Lula na lógica de 2026.

Segundo análise do Congresso em Foco, a confirmação ocorre em meio a intensa articulação palaciana e revela a tentativa do presidente de atravessar um Congresso hostil com menos programa e mais negociação.

Ao substituir um ministro de perfil mais programático por um operador político experiente, Lula sinaliza que a governabilidade imediata passou a valer mais do que qualquer ambição reformista de maior fôlego.

Durigan assume o principal posto da economia com a missão explícita de destravar a relação com o Parlamento. Sua trajetória é a de um negociador, não a de um formulador identificado com ortodoxia ou com desenvolvimentismo puro.

O novo ministro é descrito como um produto do sistema, conhecido pela habilidade nos corredores do poder e por uma rede de contatos que alcança do centrão a setores do mercado. É uma escolha que fala a língua do pragmatismo e empurra para segundo plano o debate mais amplo sobre o rumo do projeto econômico.

O contexto imediato da mudança é a saída de Fernando Haddad para disputar a prefeitura de São Paulo. Mas o pano de fundo real é a eleição presidencial que se aproxima e exige de Lula uma agenda mínima aprovada e pontes construídas para um segundo turno que já se desenha difícil.

A ida de Durigan para a Fazenda funciona, assim, como reconhecimento tácito de que os próximos dois anos serão dominados por uma gestão eleitoral. Nesse ambiente, estabilidade política, controle de danos e capacidade de negociação pesam mais do que reformas ousadas ou disputas doutrinárias.

A agenda de Lula em Minas Gerais nesta semana compõe o mesmo tabuleiro. O estado é peça central tanto para as eleições municipais deste ano quanto para o colégio eleitoral de 2026.

O presidente tenta desgastar e isolar o governador Romeu Zema, que oficializou sua pré-candidatura presidencial no último domingo. A movimentação em Minas busca recompor forças e deixar claro que a disputa pelo centro do país será uma das frentes decisivas da próxima batalha nacional.

Enquanto o Planalto rearruma suas peças, a engrenagem eleitoral também começa a se mover com antecedência. O Tribunal Superior Eleitoral já convocou voluntários para atuar como mesários nas eleições de 2026, num processo que parece distante, mas depende de preparação longa e minuciosa.

A logística de uma eleição nacional é um monstro burocrático que desperta cedo. Ao mesmo tempo, cresce o esforço institucional para blindar o processo contra interferências criminosas e reduzir vulnerabilidades que se tornaram mais visíveis nos últimos pleitos.

No Rio de Janeiro, por exemplo, o Tribunal Regional Eleitoral anunciou que cruzará dados das forças de segurança para identificar candidatos com possível ligação com o crime organizado. A medida reflete um aprendizado traumático de eleições recentes, nas quais política, milícia e poder territorial se misturaram de forma perigosa.

Trata-se de uma tentativa de restaurar um mínimo de credibilidade num sistema que vive sob suspeita permanente. A sombra da violência e do poder paralelo continua sendo um desafio estrutural que não se resolve com discursos protocolares.

A ascensão de Durigan, portanto, não pode ser lida isoladamente. Ela ocupa um vértice de um triângulo formado pela preparação institucional das eleições, pela guerra política nos estados e pela necessidade de conter o avanço da direita no Congresso.

Seu desempenho será medido menos por indicadores macroeconômicos tradicionais do que por sua capacidade de aprovar orçamentos, acomodar interesses e evitar crises que alimentem a oposição. É, em essência, um ministro moldado para um tempo de trincheiras.

Fernando Haddad deixa o governo com uma imagem ambígua. Tentou sustentar uma visão de desenvolvimento social, mas encontrou os limites estreitos de uma coalizão governista pressionada por dentro e por fora.

Sua ida para São Paulo representa uma aposta alta do Partido dos Trabalhadores para retomar a capital financeira do país. A cidade tende a se transformar no palco principal do confronto entre o projeto petista e a onda conservadora, funcionando como prólogo decisivo da disputa nacional.

Nesse cenário, o Supremo Tribunal Federal permanece como ator central e também como potencial campo de minas. Qualquer radicalização do processo eleitoral ou tentativa de questionar as regras do jogo tende a desembocar, inevitavelmente, nas mãos dos ministros.

A corte atravessa seu próprio período de tensão, com aposentadorias no horizonte e um ambiente político intoxicado. A relação entre o Planalto e o Supremo será testada à medida que a polarização se intensificar e os conflitos deixarem de ser apenas retóricos.

O que está em jogo com a nomeação de Durigan é a definição do último ato do governo Lula. A questão é saber se o governo caminhará para uma administração paralisada, dedicada apenas à sobrevivência e à eleição de um sucessor, ou se conseguirá abrir algum espaço para entregas concretas por meio do pragmatismo.

A resposta depende daquilo que o novo ministro sabe fazer melhor: negociar. Durigan não foi escolhido para mudar o Brasil, mas para garantir que Lula preserve condições mínimas de poder e tente influenciar quem virá depois.

A direita acompanha esse movimento com uma mistura de desdém e preocupação. Nomes como Zema e Tarcísio de Freitas encarnam um tipo de adversário menos associado ao bolsonarismo grosseiro e mais afinado com um conservadorismo gerencial.

Para esse campo, a escolha de um operador político para a Fazenda pode ser apresentada como confissão de fraqueza programática do governo. Aos poucos, a batalha ideológica vai cedendo espaço a uma guerra de eficiência administrativa, narrativa de gestão e conexão prática com o eleitorado.

No fim, Dario Durigan tende a ser lembrado como o ministro da transição. Seu legado ficará amarrado à capacidade de Lula de passar o bastão em ambiente democrático estável, num governo em que a nomeação mais previsível talvez seja justamente a que carrega os riscos mais imprevisíveis.

Tudo agora se concentra num cálculo político frio. Ele será executado não em grandes discursos, mas nos detalhes do Orçamento, nas votações do Congresso Nacional e nos apertos de mão que definem, em silêncio, o alcance real de um governo acuado.

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Zema sanciona lei que autoriza privatização da Copasa em Minas Gerais https://www.ocafezinho.com/2025/12/23/zema-sanciona-lei-que-autoriza-privatizacao-da-copasa-em-minas-gerais/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/23/zema-sanciona-lei-que-autoriza-privatizacao-da-copasa-em-minas-gerais/#respond Tue, 23 Dec 2025 18:45:58 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=223507 O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, sancionou a lei que autoriza a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). A sanção foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta terça-feira (23) e abre caminho para a desestatização da empresa responsável pelos serviços de água e esgoto em grande parte do território mineiro.

Com a nova legislação em vigor, o governo estadual fica autorizado a reduzir ou até extinguir sua participação acionária na companhia. O texto prevê que a privatização poderá ocorrer tanto pela venda direta de ações quanto por meio de operações de aumento de capital que resultem na diluição da fatia do Estado no controle da empresa.

Apesar da possibilidade de perda do controle acionário, a lei estabelece um mecanismo de salvaguarda para o governo estadual. Minas Gerais manterá uma ação preferencial de classe especial, que assegura poder de veto em decisões consideradas estratégicas para a prestação do serviço público de saneamento. Entre essas decisões estão a alienação de ativos essenciais, alterações no objeto social da companhia, mudanças na denominação da empresa e operações societárias como fusão, cisão, incorporação ou liquidação.

A situação dos trabalhadores da Copasa também é tratada na legislação. Os contratos de trabalho atuais deverão ser preservados por um período mínimo de 18 meses após a conclusão do processo de privatização. Encerrado esse prazo, o governo estadual poderá promover a realocação dos empregados para outros órgãos da administração pública mineira ou para empresas controladas pelo Estado.

A autorização para a venda da Copasa foi aprovada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais na última quarta-feira (17). Na votação, o projeto recebeu 53 votos favoráveis e 19 contrários, consolidando a base necessária para a sanção do governador e marcando uma das principais iniciativas do governo Zema na área de desestatizações.

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CPMI do INSS convoca Romeu Zema, governador de MG https://www.ocafezinho.com/2025/12/07/cpmi-do-inss-convoca-romeu-zema-governador-de-mg/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/07/cpmi-do-inss-convoca-romeu-zema-governador-de-mg/#respond Sun, 07 Dec 2025 21:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222660 Presidente da comissão disse que está recolhendo assinaturas para prorrogar os trabalhos

Na última reunião de 2025, nesta quinta-feira (4), a CPMI do INSS aprovou a convocação do governador de Minas Gerais, Romeu Zema. Foram rejeitados os requerimentos para convocação de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do advogado-geral da União, Jorge Messias, que teve o nome recém-indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF). O colegiado também não acatou os requerimentos para a oitiva de representantes de instituições financeiras como os bancos Santander e C6 e a Crefisa.

Em uma longa reunião para análise de 181 requerimentos, senadores e deputados do governo e da oposição dividiram-se na maior parte das solicitações, com acusações, de ambos os lados, de interesses políticos nas pautas, como no caso do governador Romeu Zema.

Antes da votação, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG) leu ofício enviado por Zema ao colegiado, no qual ele informou que não participa, desde 2018, da administração da Zema Crédito, Financiamento e Investimento S.A. O governador de Minas Gerais afirmou ainda que “não tem esclarecimentos acerca das atividades da Zema Crédito, os quais podem e devem ser prestados pela diretoria da companhia”.

O requerimento foi apresentado pelo deputado Rogério Correia (PT-MG), que garantiu não ser essa convocação “uma perseguição política”. Segundo o parlamentar, Romeu Zema ainda mantém 16,41% das ações da empresa.

“Essa data de 2018, em que ele saiu da financeira, foi que ele recebeu do governo Bolsonaro a tarefa de fazer [empréstimos] com consignados do BPC, os mais pobres de Minas Gerais”, disse o deputado.

Para a senadora Tereza Cristina (PP-MS), a convocação é uma maneira indelicada de tratar o governador, “já que outras autoridades foram convidadas”.

Líder da oposição, o senador Rogério Marinho (PL-RN) alegou que a convocação está fora do escopo, “claramente com viés político”.

Fábio Luís Lula da Silva

Por 19 votos contrários a 12 a favor, foi rejeitada a convocação do Fábio Luís Lula da Silva (conhecido como Lulinha), requerida pelo deputado Marcel van Hattem (Novo-RS).

Parlamentares da oposição afirmaram que, em depoimento à Polícia Federal, Edson Claro, ex-funcionário de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, teria dito que o filho do presidente Lula estaria recebendo uma mesada de R$ 300 mil de Antunes.

“Com o decorrer das investigações, esse quebra-cabeça e as explicações estão surgindo: a fundada suspeita de que no centro dessas articulações criminosas se encontra um personagem já conhecido por envolvimento em outros crimes, em outras fraudes, que é exatamente o filho do presidente Lula, o Lulinha” disse o senador Sergio Moro (União-PR).

Líder do governo, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) desafiou os demais parlamentares a apresentar provas contra Fábio. Segundo o parlamentar, não há nenhuma relação entre a CPMI e o filho do presidente Lula.

Relator da CPMI, o deputado Alfredo Gaspar (União-AL) informou que recebeu, na manhã desta quinta-feira, ligação da testemunha (Edson Claro) que lhe comunicou “se achar em risco iminente de vida”. O relator solicitou ao presidente da CPMI que comunicasse o fato ao STF e à PF.

Jorge Messias

A CPMI também rejeitou sete requerimentos para ouvir o advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Lula ao STF. O senador Marinho defendeu que Messias deveria explicar a determinação da AGU de abrir investigação contra apenas parte das entidades com acordos de cooperação técnica (ACTs) ativos com o INSS.

“É impossível imaginarmos que um assunto desta gravidade não tenha passado pelo crivo, pelo olhar do senhor Jorge Messias. E qual é a gravidade dessa situação? Quando ocorreu o pedido de abertura de investigação, já em 2025,  Messias determinou a abertura de investigação contra 11 ou 12 entidades, das quase 40 que tinham ACTs ativos. Mas vejam que coincidência: o Sindnapi, que tem como vice-presidente o irmão do Lula, o Frei Chico, e a Contag estavam fora da investigação aberta pela AGU”, expôs Marinho.

Para a senadora Eliziane Gama (PDT-MA), porém, houve uma movimentação de convocação depois que Messias foi indicado ao STF. Ela argumentou que o advogado “é uma pessoa de reputação ilibada” e que é responsável pelo ressarcimento de bilhões aos brasileiros lesados pelas fraudes do INSS.

Outras decisões

A CPMI acatou a convocação e quebra de sigilos do presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro. O banco foi liquidado pelo Banco Central e o empresário, preso no âmbito da Operação Compliance Zero da PF, mas já está solto, por determinação da desembargadora Solange Salgado da Silvado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Foram retirados de pauta os requerimentos para a convocação do ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz. De acordo com o governo, ele irá ao colegiado após o recesso de fim de ano.

Os parlamentares aprovaram diversas quebras dos sigilos bancário, fiscal e telemático e envio de RIFs pelo Coaf, mas foram rejeitados todos os pedidos referentes ao ex-ministro da Previdência Social Carlos Lupi.

Também não foi acatada a convocação e quebra de sigilos de Danielle Miranda Fonteles, responsável pela Pepper Comunicação Interativa, que teria recebido repasses do “Careca do INSS”.

Depoimento desta quinta

O secretário da Conafer, Silas da Costa Vaz, apresentou atestado médico à CPMI do INSS para não depor nesta quinta. Ele estaria com dengue. A oitiva foi adiada e ainda não há nova data para o depoimento.

Após a reunião, Carlos Viana informou em entrevista à imprensa que está buscando assinaturas para estender o prazo da CPMI, que atualmente tem como data final 28 de março de 2026.

Publicado originalmente pela Agência Câmara de Notícias em 04/12/2025

Com informações da Agência Senado

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Dívida de Minas dobra na gestão Zema e ultrapassa R$ 200 bilhões https://www.ocafezinho.com/2025/12/04/divida-de-minas-dobra-na-gestao-zema-e-ultrapassa-r-200-bilhoes/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/04/divida-de-minas-dobra-na-gestao-zema-e-ultrapassa-r-200-bilhoes/#respond Thu, 04 Dec 2025 20:06:25 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222553 A dívida bruta de Minas Gerais ultrapassou a marca dos R$ 200 bilhões no último mês e praticamente dobrou desde que o governador Romeu Zema (Novo) assumiu o comando do estado. Em janeiro de 2019, o débito estava estimado em R$ 114,7 bilhões, e a atualização mais recente, de novembro de 2025, indica aproximadamente R$ 201,1 bilhões. Apenas a dívida de Minas com a União, que representa a maior parte dos compromissos financeiros do estado, atingiu R$ 177,5 bilhões, valor duas vezes maior do que o registrado no início da gestão Zema, quando era de R$ 88,7 bilhões.

O tema domina os debates na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nos últimos anos, em meio às tentativas de mitigar o avanço do passivo por meio da adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) e, mais recentemente, ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), que ganhou centralidade nas discussões da Casa ao longo de 2025. O Propag é apontado como a alternativa considerada mais sustentável para equacionar a dívida, ao prever a possibilidade de reduzir drasticamente os juros mediante abatimento de parte do débito com a federalização ou privatização de bens e estatais. O programa foi articulado pelo presidente da Assembleia, Tadeu Leite (MDB), em conjunto com o então presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD).

No início do ano, o governo estadual enviou mais de uma dezena de projetos relacionados à adesão ao programa, já sancionada pelo governador, incluindo a privatização da Copasa, discutida na ALMG na última semana, e a venda de imóveis do estado. A origem da dívida de Minas com a União remonta a 1998, ainda no governo de Eduardo Azeredo (PSDB), quando foi firmada no valor nominal de R$ 14,52 bilhões. Os pagamentos vinham sendo feitos normalmente pelos governadores até o fim de 2018, nos meses finais da gestão de Fernando Pimentel (PT), quando o estado obteve uma liminar no Supremo Tribunal Federal (STF) que o desobrigava temporariamente de realizar as parcelas, com o argumento de organizar o caixa.

Romeu Zema governou boa parte de seus dois mandatos beneficiado por essa decisão judicial. As parcelas voltaram a ser pagas somente em outubro de 2024, período durante o qual os juros continuaram incidindo e fizeram o estoque da dívida crescer de maneira acelerada. Em janeiro de 2019, quando Zema chegou à Cidade Administrativa, o valor total da dívida era de R$ 114,7 bilhões, segundo a Secretaria de Estado da Fazenda (SEF-MG). Somente a dívida com a União somava R$ 88,7 bilhões. Quatro anos depois, no início do segundo mandato, o valor total já havia aumentado quase 38%, alcançando R$ 157 bilhões, enquanto o montante devido à União chegava a R$ 126,5 bilhões, alta de 42,6%. Se considerado todo o período de governo, de 2019 até novembro de 2025, o aumento total da dívida é de 76,3%. Apenas a dívida com a União cresceu pouco mais de 100%, mais que dobrando no período.

A economista Eulália Alvarenga explica que, ao se beneficiar da liminar concedida ainda na gestão Pimentel, Zema deixou de pagar a dívida durante grande parte de seu governo, o que inflou o débito em razão da incidência contínua de juros. “Essa dívida é meramente financeira, e o estado não consegue amortizá-la. Até meados do governo Pimentel, todos os governadores estavam pagando normalmente a dívida, porque se os estados não pagassem a União reteria o fundo de participação dos estados. Depois da liminar, Zema não vai pagar nenhum centavo da dívida até 2024. Então, a dívida só cresce, juros sobre juros sobre juros”, afirmou. Ela também criticou a adesão ao RRF por meio de decisão do STF, e não via Assembleia Legislativa, afirmando que o regime “era uma fria”. “Não conseguiu resolver nada. Agora vem o Propag, que é um programa onde os estados vão ter que dar uma entrada para zerar os juros. Zema não pagou nada, se beneficiou da liminar do Pimentel, e a dívida subiu porque é juros sobre juros”, disse.

Em nota, o governo de Minas afirmou que, desde janeiro de 2019, não contratou novas operações de crédito e que a evolução da dívida pública é explicada, em parte, pela “própria conjuntura econômica do país”. Segundo o texto, a variação do estoque da dívida se deve aos contratos indexados à inflação, à taxa Selic e ao câmbio, além da suspensão dos pagamentos iniciada em 2018 por decisões do STF, que permitiram ao estado reorganizar seu caixa, mas não suspenderam a incidência de encargos. O governo explicou que os encargos elevados dos contratos de refinanciamento com a União, a desvalorização cambial sobre operações indexadas à moeda estrangeira, o acúmulo de parcelas suspensas entre 2018 e 2022 e a suspensão temporária prevista no RRF contribuíram para o aumento do saldo devedor.

A gestão Zema destacou ainda que a suspensão dos pagamentos permitiu a regularização de pendências herdadas de governos anteriores, como a normalização dos repasses do IPVA, ICMS e Fundeb aos 853 municípios mineiros, o pagamento de R$ 7 bilhões atrasados de ICMS e Fundeb às prefeituras, a quitação de repasses devidos aos bancos relativos a empréstimos consignados dos servidores, a recomposição de R$ 7,5 bilhões referentes a depósitos judiciais vinculados ao TJMG, a regularização de débitos previdenciários e a retomada do pagamento integral e em dia dos salários dos servidores, normalizado em agosto de 2021 após anos de parcelamento.

O governo afirma que “desde janeiro de 2019, quando a gestão atual assumiu, o Governo de Minas pagou R$ 12,90 bilhões à União, em razão da dívida do Estado”. Informa ainda que, com as regras da Lei Complementar 178, de junho de 2022, parte do valor não pago durante a vigência das liminares foi abatida. Entre agosto de 2022 e agosto de 2024, o estado voltou a cumprir as obrigações contratuais regularmente e hoje os pagamentos seguem as normas do Regime de Recuperação Fiscal. Em 2024, foram pagos R$ 874,60 milhões entre outubro e dezembro, e somente em 2025 os pagamentos somaram R$ 5,05 bilhões.

O governo acrescenta que o estado está em processo de adesão ao Propag. No dia 27 de novembro, Minas depositou R$ 39,6 milhões no Fundo de Equalização Federativa (FEF), conforme a Lei Complementar 212/2025 e os decretos regulamentadores. Para a gestão, o pagamento representa “mais um passo para o equacionamento definitivo da dívida de Minas com a União, gerada há décadas e nunca solucionada”.

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Proposta que facilita privatização da Copasa é aprovada em definitivo https://www.ocafezinho.com/2025/11/06/proposta-que-facilita-privatizacao-da-copasa-e-aprovada-em-definitivo/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/06/proposta-que-facilita-privatizacao-da-copasa-e-aprovada-em-definitivo/#respond Thu, 06 Nov 2025 14:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220556 A Proposta de Emenda à Constituição 24/23 dispensa a realização de referendo popular para autorizar a privatização ou federalização da Copasa.

Em uma votação conturbada, em que o placar final foi contestado pela oposição e que incluiu consultas da Mesa às imagens gravadas do Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para confirmação do resultado, foi aprovada em definitivo (2º turno), nesta quarta-feira (5/11/25), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 24/23, que tem o objetivo de facilitar a privatização da Copasa.

O placar inicial marcado pelo painel do Plenário, durante a votação na Reunião Ordinária, foi de 47 a 22. A aprovação de PEC, no entanto, exige um mínimo de 48 votos favoráveis. O número foi atingido porque o deputado Bruno Engler (PL) pediu nominalmente ao presidente Tadeu Leite (MDB), para que seu voto fosse registrado.

Os parlamentares da oposição, no entanto, contestaram a contabilização do voto, argumentando que o deputado Bruno Engler só teria entrado no Plenário após a votação. As galerias do Plenário, que estavam lotadas com servidores e sindicalistas, já haviam festejado com gritos e aplausos o placar inicialmente mostrado pelo painel. Os ocupantes das galerias também contestaram em coro a legitimidade do voto de Bruno Engler.

Após a reunião ser interrompida durante algum tempo, o presidente Tadeu Leite informou que as imagens do Plenário foram verificadas e que o voto de Bruno Engler seria computado. De acordo com o presidente, o placar final foi de 48 votos favoráveis e 22 contrários.

De autoria do governador Romeu Zema (Novo), a PEC 24/23 dispensa a realização de referendo popular para autorizar a privatização ou federalização da Copasa, para o pagamento da dívida do Estado com a União ou para cumprimento de outras obrigações assumidas em virtude das regras de refinanciamento previstas no Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), a exemplo de investimentos obrigatórios em áreas estratégicas, como educação e infraestrutura.

A proposta foi aprovada com modificações ao texto aprovado pelo próprio Plenário em 1° turno. A votação definitiva foi favorável ao substitutivo n° 1 da Comissão Especial. Ele estabelece que, diante de uma eventual desestatização da Copasa, parte dos recursos da venda possa ser aplicado em um fundo estadual de saneamento básico, a ser instituído por lei.

O repasse para a União de recursos provenientes da venda da Copasa faz parte da estratégia do Governo de Minas de abatimento de 20% do saldo devedor, para garantir melhores condições na repactuação da dívida.

Fica mantida, contudo, a exigência de quórum qualificado (48 votos favoráveis de deputados) para aprovação de projeto de lei de desestatização.

A PEC 43/24, que inclui o Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) na lista dos órgãos que exercem segurança pública, também estava na pauta de votação. No entanto, ela recebeu nova emenda do líder do Governo na Assembleia, deputado João Magalhães (MDB), e foi encaminhada à Comissão Especial para emissão de parecer. João Magalhães é também o primeiro signatário, entre os autores da PEC.

Deputados da oposição e da base governista se revezam na tribuna

Para encaminhar a votação, vários parlamentares foram à tribuna do Plenário, em sua maioria, para falar contra a PEC 24/23. Beatriz Cerqueira (PT) conclamou os trabalhadores nas galerias a continuarem protestando: “A luta que se perde é a que se abandona”, disse. Ela completou que havia também “um mar de gente” fora da Assembleia: trabalhadores da Copasa, da educação e de outras categorias, todos contra a PEC.

A deputada lembrou de outras disputas políticas na Casa que resultaram em conquistas para os trabalhadores e a sociedade. Disse estar certa que o governo vai perder a votação para a privatização da Copasa, considerando o placar apertado desta quarta, com apenas 48 votos favoráveis à PEC, o mínimo exigido.

Leleco Pimentel (PT) avaliou que as falas de deputados governistas serviram para todos perceberem que o governo estadual não tinha argumentos.

Ana Paula Siqueira (Rede) também previu a derrota do governo em futuras votações e apresentou, na tribuna do Plenário, um abaixo-assinado contra a privatização da Copasa, com 43 mil assinaturas de cidadãos de 712 municípios mineiros.

Bella Gonçalves (Psol) enalteceu o trabalho da oposição e afirmou que o Governo do Estado tenta entregar a maior companhia de saneamento do País para grupos de investidores que estão sob investigação ou até condenados. “A Aegea, que é a principal interessada em comprar a Copasa, foi condenada em Ribeirão Preto (SP) por desviar mais de R$ 100 milhões”, declarou a deputada. Ela também criticou o governo por não apresentar dados como a estimativa de valor da Copasa e investimentos previstos.

Betão (PT) disse sentir vergonha pela mudança no placar de votação. “Teremos mais dois processos de votação e podemos vencer essa parada”, concluiu. Andréia de Jesus (PT) também criticou a aprovação de uma proposta que “tenta silenciar o povo”.

Entre os parlamentares governistas, o líder João Magalhães (MDB) procurou fazer um panorama do saneamento em Minas. Lembrou que a Copasa atua em 637 municípios e que os investimentos necessários para a universalização desses serviços seriam da ordem de R$ 39 bilhões. “A Copasa investiu R$ 6,16 bilhões nos últimos seis anos, média inferior ao necessário”, lamentou.

O deputado Gustavo Valadares (PSD) também afirmou que o objetivo da bancada governista em apoiar a PEC 24/23 é viabilizar a universalização do acesso ao saneamento básico. Segundo ele, menos de 50% da população têm acesso ao esgoto tratado e menos de 80% têm acesso à água tratada. Segundo ele, um futuro projeto de privatização da Copasa poderia seguir o exemplo de São Paulo e determinar a preservação dos empregos dos atuais trabalhadores da empresa estatal, por algum tempo.

Lincoln Drumond (PL) condenou a atitude de manifestantes que teriam tentado impedir o deputado Antonio Carlos Arantes (PL) de entrar na garagem da Assembleia.

Publicado originalmente pela ALMG em 05/11/2025

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Edinho Silva costura apoio do PT à candidatura de Alexandre Kalil ao governo de Minas Gerais https://www.ocafezinho.com/2025/11/05/edinho-silva-costura-apoio-do-pt-a-candidatura-de-alexandre-kalil-ao-governo-de-minas-gerais/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/05/edinho-silva-costura-apoio-do-pt-a-candidatura-de-alexandre-kalil-ao-governo-de-minas-gerais/#respond Wed, 05 Nov 2025 15:39:08 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=220525 O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, esteve nesta quarta-feira em Belo Horizonte conversando com lideranças mineiras para consolidar o apoio do partido à candidatura de Alexandre Kalil (PDT) ao governo de Minas Gerais nas eleições de 2026. O encontro marca uma inflexão estratégica na articulação política do PT no estado, que começa a descartar a hipótese de uma aliança com o senador Rodrigo Pacheco (PSD).

A mudança de cenário ganhou força após a filiação do vice-governador de Romeu Zema (Novo), Matheus Simões, ao PSD. A adesão de Simões à sigla reforça internamente a candidatura do senador, mas afasta a possibilidade de uma coligação com o PT, reticente em apoiar a gestão de Zema de cunho bolsonarista.

Kalil, ex-prefeito da capital mineira, tem sinalizado disposição para disputar o Palácio das Mangabeiras e vem costurando alianças com partidos de esquerda e centro. A aproximação com o PT é vista como fundamental para ampliar sua base eleitoral e contrapor a possível candidatura de Pacheco, que conta com o respaldo do governador Zema e de setores do agronegócio.8

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PEC sobre referendo da Copasa é aprovada em 1º turno no Plenário da ALMG https://www.ocafezinho.com/2025/10/24/pec-sobre-referendo-da-copasa-e-aprovada-em-1o-turno-no-plenario-da-almg/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/24/pec-sobre-referendo-da-copasa-e-aprovada-em-1o-turno-no-plenario-da-almg/#respond Fri, 24 Oct 2025 15:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=219836 Após longa obstrução do bloco de oposição, matéria recebeu 52 votos favoráveis na madrugada desta sexta-feira (24).

A Proposta de Emenda à Constituição do Estado (PEC) 24/23, de autoria do Governador do Estado, que dispensa a realização de referendo popular para autorizar a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), foi aprovada em 1º turno, na madrugada desta sexta-feira (24/10/25), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

A Reunião Extraordinária, realizada no Plenário do Parlamento estadual, teve início às 18 horas de quinta-feira (23) e se estendeu até às 4h30 da manhã desta sexta (24), mediante convocação de nova Reunião Extraordinária à 00h01. Após um longo processo de obstrução por parte do bloco de oposição ao governo, a PEC recebeu 52 votos favoráveis e 18 contrários.

Na abertura dos trabalhos, o painel do Plenário acusava a presença de 55 parlamentares. Com o prosseguimento da reunião, o quórum chegou a 71 parlamentares presentes. Como nas reuniões anteriores em que a PEC 23/24 constava na pauta, as galerias do Plenário ficaram lotadas com manifestantes contrários à aprovação da proposta. Outros também se concentraram do lado de fora do Palácio da Inconfidência, sede da ALMG.

Proposta prevê fim de referendo popular

A PEC 24/23 dispensa a realização de referendo popular para autorizar a privatização ou federalização da Copasa, exclusivamente para pagamento da dívida do Estado com a União. A última versão do texto acrescenta que a federalização ou privatização poderá ocorrer também para cumprimento de outras obrigações assumidas em virtude do financiamento da dívida, a exemplo de investimentos obrigatórios em educação e infraestrutura, como prevê o Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).

O repasse para a União de recursos provenientes da venda da Copasa faz parte da estratégia do Governo de Minas de abatimento de 20% do saldo devedor, para garantir melhores condições na repactuação da dívida, uma exigência do Propag para taxa de juros zero.

Oposição se revezou em processo de obstrução

Os parlamentares do bloco de oposição ao governo do Estado se revezaram na tribuna do Plenário com o objetivo de obstruir e, assim, postergar a votação da PEC. Logo na abertura da Reunião Extraordinária, Professor Cleiton (PV) e Leleco Pimentel (PT) pediram a palavra para discutir a ata da reunião de Plenário anterior.

A discussão da PEC da Copasa se estendeu pela madrugada, com Plenário e galerias lotadas | Willian Dias

Na sequência, o líder do bloco de oposição, deputado Ulysses Gomes (PT), apresentou requerimento, posteriormente rejeitado, que pedia o encerramento da reunião em sinal de pesar pela morte do cabo PM Vinícius de Castro Lima, assassinado na última terça (21) ao tentar impedir, mesmo de férias, um assalto a uma concessionária em Belo Horizonte.

Diversos parlamentares de oposição ocuparam a tribuna para encaminhar a votação do requerimento. Além de manifestar seu pesar aos familiares da vítima, inclusive com um minuto de silêncio, eles lembraram exemplos de privatizações fracassadas do setor pelo mundo. Outros requerimentos apresentados pelo mesmo deputado, como de inversão de pauta, não foram recebidos pela Presidência.

Foram tecidas, também, críticas à suposta tentativa do governador sucatear o serviço público, sob o risco de penalizar a população. Condenaram, ainda, a intenção do Executivo de impedir a consulta popular antes da decisão que pode provocar a privatização da Copasa.

Além de Ulysses Gomes, se pronunciaram os deputados Cristiano Silveira (PT), Leleco Pimentel, Professor Cleiton, Ricardo Campos (PT), Doutor Jean Freire (PT), Betão (PT), Celinho Sintrocel (PCdoB), Luizinho (PT), Marquinho Lemos (PT) e Hely Tarqüínio (PV), e as deputadas Lohanna (PV), Bella Gonçalves (Psol), Ana Paula Siqueira (Rede), Beatriz Cerqueira (PT), Andreia de Jesus (PT) e Leninha (PT), 1ª-vice-presidente da ALMG.

Os deputados da oposição chegaram a abandonar o Plenário em algumas oportunidades, na tentativa de derrubar o quórum mínimo para continuidade da reunião, mas foram feitas recomposições de quórum que permitiram a continuidade da reunião.

Adiamento de votação

Após todas as discussões, foi apresentado requerimento, também de autoria do deputado Ulysses Gomes (PT), que solicitou o adiamento da votação da PEC. Mais uma vez, os parlamentares do bloco de oposição voltaram à tribuna para novo encaminhamento de votação, porém, assim como os demais, o requerimento foi rejeitado.

Como última estratégia de obstrução, os deputados e deputadas da oposição se inscreveram para encaminhar a votação da matéria.

Os parlamentares da base de governo, Cássio Soares (PSD), Noraldino Júnior (PSB) e Roberto Andrade (PRD) chegaram a ter aprovado requerimento para que todos os questionamentos fossem votados nominalmente.

A matéria, agora, volta à Comissão Especial, para emissão de parecer de 2º turno, antes de retornar ao Plenário para votação definitiva.

Publicado originalmente pela Assembleia de Minas Gerais em 24/10/2025

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Não à privatização da Copasa e Cemig: Minas Gerais não está à venda! https://www.ocafezinho.com/2025/10/16/nao-a-privatizacao-da-copasa-e-cemig-minas-gerais-nao-esta-a-venda/ https://www.ocafezinho.com/2025/10/16/nao-a-privatizacao-da-copasa-e-cemig-minas-gerais-nao-esta-a-venda/#respond Thu, 16 Oct 2025 14:24:24 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=219403 Por Emerson Andrada, coordenador-geral do Sindieletro MG


O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, mesmo com o prazo ampliado para adesão ao Propag, segue obstinado na sanha de rifar empresas estatais estratégicas, como a Copasa e a Cemig. O povo mineiro resiste bravamente, apesar de ouvir tantos nãos. Não para valorização profissional, para a saúde, educação, meio ambiente e segurança. E enquanto houver trabalhadores dispostos a lutar, a cada tentativa de entrega de Zema do patrimônio do povo mineiro, mais crescerá a nossa resistência.

Hoje, lutamos os trabalhadores da Copasa e Cemig unidos, os profissionais da saúde, do meio ambiente, os professores e funcionários da educação, da segurança pública e de tantas outras áreas, que sustentam este Estado de pé. E é em nome dessa Minas que trabalha, produz e serve, que dizemos: não aceitaremos o desmonte nem a privatização do que é nosso.

Zema se apresenta como “gestor eficiente”, mas sua política é a da exclusão. Em vez de investir nas pessoas, ele aplica a lógica do mercado dentro do Estado. Enquanto o funcionalismo estadual amarga reajuste de pouco mais de 4%, o governador aprovou para si mesmo um aumento de quase 300% — um retrato da desigualdade que ele mesmo cultiva. A promessa de valorização dos servidores virou discurso vazio. O arrocho salarial e a precarização do serviço público são marcas da sua gestão.

Na saúde, sua política é de enxugamento e fechamento. Hospitais regionais seguem sem recursos, unidades de atendimento são desativadas, deixando a população à própria sorte. Os profissionais enfrentam condições cada vez mais precárias. Essa é a face social de um governo que trata direitos como despesas e vidas como números em planilhas.

Na educação, o cenário não é diferente. O projeto de militarização das escolas estaduais avançou sem diálogo com a comunidade – professores e famílias, e está suspenso. A promessa de “melhorar a disciplina” esconde o verdadeiro objetivo: controlar o pensamento, impor o autoritarismo e enfraquecer o papel transformador da escola pública. É um retrocesso disfarçado de modernização.

Os profissionais do Meio Ambiente já estão em greve há mais de um mês. A categoria segue lutando contra a corrupção e o conluio do governo estadual com as empresas mineradoras. O que a operação “Rejeito”, da Polícia Federal está investigando, já era denunciado por técnicos concursados da área: as empresas mineradoras devastam regiões inteiras, sugando tudo, sem o mínimo respeito à legislação ambiental, e à população mineira.

A arma que os trabalhadores tem é parar e ocupar as ruas! Por isso, os servidores da Copasa, também, estarão em greve nos próximos dias 21 a 23, datas previstas para votação da PEC!

Porque o coração desse projeto de destruição do Estado está nas privatizações. Zema quer, a todo custo, entregar a Copasa e Cemig ao mercado financeiro. Quer transformar água e energia — bens essenciais à vida — em mercadoria. Mas enfrenta forte resistência. Os trabalhadores e o povo mineiro sabem que essas empresas são estratégicas, geram lucro, garantem soberania e qualidade de serviço. Privatizá-las é abrir mão do futuro, é vender o Estado. E nós não deixaremos.

Zema, Bolsonaro, Trump e Milei são figurinhas repetidas

A postura autoritária e de extrema direita de Zema não é diferente da de seus ídolos: Bolsonaro, aqui, Trump, Nos Estados Unidos, e Javier Milei, na Argentina. Ambos aplicaram a mesma cartilha ultraliberal — o Estado mínimo, que leva o povo ao máximo de sofrimento. Milei já afundou a Argentina em dívidas e cortes sociais, e Zema segue o mesmo caminho. Mas em Minas há história, somos o berço da democracia, há consciência e há organização popular.

Se o governador planeja usar seu mandato como trampolim para a Presidência da República, encontrará no caminho a força de quem defende o público, o social e o justo. Minas Gerais não está à venda, porque o povo mineiro não tem preço. Seguiremos juntos até a última batalha.

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Zema lança candidatura e ganha o rótulo de oportunista https://www.ocafezinho.com/2025/08/18/zema-lanca-candidatura-e-ganha-o-rotulo-de-oportunista/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/18/zema-lanca-candidatura-e-ganha-o-rotulo-de-oportunista/#respond Mon, 18 Aug 2025 23:18:55 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=215569 O governador mineiro tentou se apresentar como herdeiro da direita, mas saiu de São Paulo com ataques de antigos aliados e apoio restrito do próprio partido

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), oficializou em São Paulo sua pré-candidatura à Presidência da República para 2026. O movimento, que deveria projetá-lo como alternativa da direita, acabou evidenciando fragilidades políticas, falta de apoio consistente e até mesmo críticas de antigos aliados do bolsonarismo, que o rotularam como “oportunista”.

Zema subiu ao palco diante de uma plateia composta majoritariamente por militantes do Novo e nomes de menor expressão nacional, como o ex-procurador e deputado cassado Deltan Dallagnol. Em tom de liderança motivacional, apresentou-se como alguém predestinado a conduzir a direita no pós-Bolsonaro. Prometeu “varrer o PT do mapa” e declarou guerra ao que chama de “ditadura do Judiciário”.

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Apesar da tentativa de emular o discurso bolsonarista, o governador mineiro não recebeu o endosso esperado. Pelo contrário: no dia seguinte, os filhos do ex-presidente, Carlos e Eduardo Bolsonaro, dispararam contra governadores que ensaiam disputar a liderança da direita, chamando-os de “ratos oportunistas”.

Contradições na gestão em Minas

Durante o evento, Zema procurou reforçar a imagem de gestor eficiente, afirmando que “reconstruiu” Minas Gerais, pagou salários em dia e atraiu investimentos privados. Mas os números oficiais revelam um quadro mais complexo. A dívida do estado cresceu 51% em seu governo, saltando de R$ 124,7 bilhões em 2020 para R$ 188,7 bilhões em 2024.

Na área de infraestrutura, a situação também é alvo de críticas. Estradas com buracos e pedágios caros convivem com uma obra de R$ 40 milhões, bancada com dinheiro público, destinada à recuperação da rodovia que leva diretamente ao rancho da família Zema, na divisa com São Paulo. A intervenção foi questionada na Assembleia Legislativa, levantando acusações de favorecimento pessoal. O Ministério Público arquivou a denúncia, mas para a oposição, o caso simboliza a distância entre o discurso de austeridade e as prioridades da gestão.

Outro ponto polêmico foi a decisão do governador de sancionar, em 2023, um reajuste de quase 300% no próprio salário, que passou a ser de R$ 41,8 mil mensais. No mesmo período, os servidores públicos tiveram apenas 3% de aumento. Paralelamente, o governo mantém sob sigilo informações sobre R$ 25 bilhões em renúncias fiscais.

No início do primeiro mandato, Zema costumava divulgar que doava seu salário e informava publicamente as entidades beneficiadas. Após o aumento, contudo, deixou de prestar contas. Questionado recentemente sobre o assunto, respondeu: “Não gosto de falar sobre esse assunto porque acredito que não devo me vangloriar por estar fazendo o bem.”

Declarações polêmicas e estilo performático

Desde que entrou para a política, Zema acumula falas que geraram controvérsia. Em uma delas, comparou pessoas em situação de rua a carros estacionados irregularmente que deveriam ser guinchados. Em outra, afirmou que os estados do Norte e Nordeste são “vaquinhas magras que produzem pouco”, em contraste com Sul e Sudeste, que, segundo ele, “fazem o país dar certo”. Também relativizou a ditadura militar, classificou a Inconfidência Mineira como “golpe” e chegou a compartilhar uma frase atribuída a Benito Mussolini.

Na segurança pública, viajou até El Salvador para elogiar o modelo prisional do presidente Nayib Bukele, exaltando a queda nos homicídios sem citar denúncias de tortura e mortes em custódia. Em Minas, adotou medidas controversas, como a proibição da entrada de cigarros nos presídios sem oferecer tratamento aos dependentes. A política foi criticada pela Defensoria Pública, que alertou para casos de automutilação e rebeliões nos presídios.

Zema também tenta apostar em gestos midiáticos para se aproximar do eleitorado. Em uma ação pensada para criticar a inflação, engoliu uma banana com casca em frente às câmeras. A cena, porém, viralizou como piada, reforçando a imagem de político performático, mas não a de presidenciável competitivo.

Candidatura enfraquecida desde a largada

O lançamento em São Paulo, conduzido pelo marqueteiro Renato Pereira, teve tom de convenção motivacional. Zema discursou de polo, com sotaque carregado, tentando reforçar a imagem de simplicidade. Mas o evento também deixou claro o isolamento do governador. Grande parte da direita e da extrema-direita não compareceu. Nem mesmo o Novo, seu partido, mostrou força: dos três vereadores eleitos em Belo Horizonte, apenas um esteve presente.

Sem apoio expressivo, com um partido pequeno — sem tempo robusto de TV e sem fundo partidário relevante — e sob críticas públicas da família Bolsonaro, Zema começa a corrida presidencial já marcado por fragilidades.

Tentando herdar o espaço do bolsonarismo, saiu do fim de semana com um rótulo indigesto: o de “candidato oportunista”. Por enquanto, sua candidatura carrega mais sinais de isolamento do que de viabilidade política real para 2026.

Com informações de Carta Capital*

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Sindicatos se mobilizam contra privatização da Cemig e da Copasa em Minas https://www.ocafezinho.com/2025/08/04/sindicatos-se-mobilizam-contra-privatizacao-da-cemig-e-da-copasa-em-minas/ https://www.ocafezinho.com/2025/08/04/sindicatos-se-mobilizam-contra-privatizacao-da-cemig-e-da-copasa-em-minas/#respond Tue, 05 Aug 2025 00:23:56 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=214455 Uma união de sindicatos irá realizar uma série de seminários populares em Minas Gerais contra a privatização das empresas estatais Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). O movimento defende que o controle público dessas empresas é fundamental para garantir o acesso universal à energia, à água e ao saneamento básico no estado, especialmente em regiões mais vulneráveis.

As entidades organizadoras do seminário popular alertam que a privatização pode levar ao aumento de tarifas, precarização dos serviços e abandono das áreas menos lucrativas, como já ocorreu em outros estados e países. “O setor privado visa lucro, não inclusão. A água e a energia não podem ser tratadas como mercadoria”, afirma o coletivo responsável pelo evento.

Com lucros bilionários e reconhecimentos internacionais por suas práticas sustentáveis, Cemig e Copasa são apontadas como referências na oferta de serviços essenciais. Somente em 2024, a Cemig lucrou R$ 7,1 bilhões e investiu R$ 5,7 bilhões em Minas. Já a Copasa registrou lucro de R$ 1,32 bilhão e ampliou em 33% seus investimentos em saneamento.

O movimento está sendo capitaneado pelo Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais (Sindieletro-MG), o Sindicato dos Trabalhadores nas Ind. Purific. Distrib. Água e Serviços Esgotos do Estado de MG (Sindágua-MG) e o Sindicato de Engenheiros de Minas Gerais (Senge-MG). Os dois primeiros são filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Imagem de divulgação do evento

Eles também lembram que países como França e Alemanha têm revertido privatizações e reestatizado serviços essenciais após experiências malsucedidas. “Só entre 2000 e 2023, houve mais de 1.600 casos de reestatização no mundo”, destacam.

A mobilização pede ao governo estadual que interrompa qualquer tentativa de venda das estatais e defende a expansão do controle público como forma de promover desenvolvimento sustentável, soberania energética e justiça social em Minas Gerais.


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Criticados por viralatismo, governadores bolsonaristas mudam discurso sobre taxação de Trump https://www.ocafezinho.com/2025/07/11/criticados-por-viralatismo-governadores-bolsonaristas-mudam-discurso-sobre-taxacao-de-trump/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/11/criticados-por-viralatismo-governadores-bolsonaristas-mudam-discurso-sobre-taxacao-de-trump/#respond Sat, 12 Jul 2025 00:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=212665 Diante da má repercussão das falas iniciais, alguns governadores passaram a condenar abertamente a sobretaxa dos EUA

Os principais representantes do bolsonarismo nos governos estaduais têm acusado, em declarações públicas, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de “colocar a ideologia acima dos interesses do país”. No entanto, ao reagir à taxação de 50% sobre produtos brasileiros nos Estados Unidos, os líderes da extrema direita revelam outros interesses em jogo e determinadas inconsistências no discurso.

Há uma estratégia que parece alinhada: culpar o governo brasileiro por supostamente “provocar” o presidente estadunidense. “As empresas e os trabalhadores brasileiros vão pagar, mais uma vez, a conta do Lula, da Janja e do STF. Ignorar a boa diplomacia, promover perseguições, censura e ainda fazer provocações baratas vai custar caro para Minas e para o Brasil”, publicou ainda na quarta-feira (9) o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).

Em sintonia, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) publicou na rede social X: “Lula colocou sua ideologia acima da economia e esse é o resultado. Tiveram tempo para prestigiar ditaduras, defender a censura e agredir o maior investidor direto no Brasil. Outros países buscaram a negociação. Não adianta se esconder atrás do Bolsonaro. A responsabilidade é de quem governa. Narrativas não resolverão o problema”.

A publicação foi respondida pela deputada federal Sâmia Bomfim (Psol-SP), com uma foto do governador paulista usando um boné com as insígnias “Make América great again” [Faça a América grande de novo, em português], lema da campanha de Donald Trump nos Estados Unidos, e o comentário: “Ops, você deixou cair essa foto aqui”.

Outro bolsonarista que se pronunciou horas após o anúncio de Trump foi Ronaldo Caiado (União), governador de Goiás. O político comparou Lula ao ex-presidente venezuelano Hugo Chávez que, segundo ele, “afrontava gratuitamente o governo americano” em nome da soberania. Na rede social X, o chefe do Executivo goiano acusa o presidente brasileiro de se “ajoelhar ao narcotráfico” e propõe que as negociações com o governo estadunidense sejam lideradas por uma comissão de parlamentares do Senado e da Câmara, sem a participação do governo federal.

“Com as medidas tomadas pelo governo americano, Lula e sua entourage tentam vender a tese da invasão da soberania do Brasil. Mas Lula não representa o sentimento patriótico do nosso povo, e muito menos tem credenciais para defender a soberania brasileira. Lula já se ajoelhou ao narcotráfico e quer de toda maneira se aliar aos países que são verdadeiras tiranias sustentadas pelo ódio, a corrupção e o terrorismo”, disse o governador e pré-candidato a presidente.

Nenhum dos três governadores mencionou, até o momento, a articulação realizada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) para que o presidente estadunidense adotasse medidas de força sobre o Brasil, nem tampouco se referem ao fato de Trump haver mencionado, em tom de chantagem, o processo judicial que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) enfrenta na justiça.

Mudança de discurso

Nas postagens feitas pelos governadores há uma chuva de comentários, a maioria negativos. Segundo um levantamento do instituto de pesquisa e inteligência de dados Nexus, o tema da sobretaxa aos produtos brasileiros acumulou mais de 240 milhões de impressões e 9,1 milhões de curtidas no X, nas primeiras horas após o anúncio de Trump. Termos como “respeita o Brasil”, “Brasil soberano” e “traidores da pátria” estiveram entre os mais mencionados na rede durante todo o dia.

Diante da má repercussão, alguns governadores amenizaram o discurso. Embora sigam reafirmando sua defesa a Bolsonaro, tratando-o como vítima de uma perseguição jurídica, os políticos bolsonaristas passaram a condenar abertamente a sobretaxa anunciada por Trump, de olho nas perdas econômicas que os próprios estados devem ter devido à sobretaxa.

No dia seguinte ao anúncio das tarifas, Romeu Zema publicou um vídeo na rede X em que afirma que “a taxação imposta pelo presidente Trump a produtos brasileiros é uma medida errada, injusta” e sugere que ela seja revista pelo governo estadunidense. Não sem antes acusar o Supremo Tribunal Federal (STF) de ter “motivação política” no julgamento de Jair Bolsonaro e afirmar que permanece ao lado do ex-capitão. O STF, estamos vendo, já passou dos limites”, disse o governador mineiro, que volta a criticar supostas “provocações e intromissões de Lula em assuntos dos Estados Unidos”.

Tarcísio de Freitas usou as redes sociais para publicar vídeo de um encontro matutino com o ex-presidente réu. “A dupla vassalo e vacilão indo comemorar a taxação trumpista. Traidores da pátria”, comentou um usuário da rede X.

Mais tarde, durante uma coletiva de imprensa em um evento das obras do metrô de São Paulo, o governador paulista reconheceu o impacto negativo da medida anunciada pelos Estados Unidos. “O impacto é negativo, porque, como eu falei, São Paulo é um grande exportador. O maior destino de exportações industriais do Estado de São Paulo são os Estados Unidos”, declarou. “Isso não é bom para os brasileiros nem para os americanos”, completou o governador, pedindo prioridade da diplomacia brasileira na solução do problema.

Ronaldo Caiado não voltou a se pronunciar sobre o assunto. Outros governadores do espectro bolsonarista ficaram calados. É o caso de Ratinho Jr (PSD), governador do Paraná, Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal, Cláudio Castro (PL), do Rio de Janeiro, e Jorginho Mello, de Santa Catarina, que chegou a comemorar, dois dias antes, a publicação de Trump em defesa de Bolsonaro, mas não deu declarações públicas sobre a sobretaxa anunciada na quarta-feira.

Da esquerda para a direita: Romeu Zema, Ratinho Jr, Tarcísio de Freitas e Ronaldo Caiado, em manifestação de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro na Avenida Paulista, em SP. | Reprodução

Todos os governadores citados na matéria foram contactados para que pudessem se posicionar oficialmente ou mesmo atualizar suas posições relativas à sobretaxa de Trump. A assessoria de imprensa do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, respondeu ao contato encaminhando o áudio da entrevista coletiva mencionada nesta matéria. Os demais posicionamentos, sendo recebidos, serão imediatamente inseridos no texto.

Ideologia acima da economia?

A relação entre economia e política, por vezes naturalizada, também foi criticada pelos governadores bolsonaristas, que não dedicaram atenção aos impactos que as novas taxações podem causar em cada estado.

Segundo dados da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham), 31% das exportações brasileiras no primeiro trimestre de 2025 tiveram como destino o mercado estadunidense, com um total de US$ 3 bilhões de dólares e uma variedade grande de produtos, entre os quais sucos de frutas, aeronaves e combustíveis.

São Paulo é o maior exportador brasileiro para o país do norte, com um volume de US$ 13,6 bilhões em produtos vendidos, seguido pelo Rio de Janeiro, em segundo lugar, responsável por 17,8% das exportações, ou o equivalente a US$ 1,7 bilhão de dólares, e Minas Gerais, com US$ 1,1 bilhão de dólares o maior valor para o período desde o início da série histórica do Comex Stat, em 1997.

O principal item enviado de Minas aos Estados Unidos foi o café não torrado, que respondeu por 41,5% dos embarques, seguido do ferro fundido e outros produtos semimanufaturados de ferro ou aço.

No caso de Goiás, embora a China seja ainda o principal destino das exportações goianas, o estado envia aos Estados Unidos grande parte da produção local de soja, carne, milho e açúcar.

Tarcísio tentou articular viagem de Bolsonaro aos Estados Unidos

A coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, revelou, nesta sexta-feira (11) que o governo paulista Tarcísio de Freitas telefonou para ministros do STF para sugerir que o Supremo autorizasse a ida de Jair Bolsonaro aos Estados Unidos para se encontrar com Donald Trump.

Segundo a coluna, o governador teria argumentado que o ex-presidente teria capacidade de negociar com Trump para retroceder na taxação de produtos brasileiros, o que teria sido considerado um pedido “fora de propósito” pelos ministros da corte, além de ser percebido por alguns como uma tentativa de fuga do ex-presidente, réu do Supremo pela tentativa de golpe de Estado.

Além disso, os ministros do STF teriam considerado que, sendo ex-presidente, sem cargo político, não teria legitimidade para negociar com o presidente estadunidense, cabendo às autoridades diplomáticas do Brasil realizar tais negociações. Bolsonaro está com o passaporte apreendido e impedido de viajar para o exterior.

O Brasil de Fato também acionou a assessoria de imprensa do governador de São Paulo para confirmar a informação, mas não obteve retorno até o momento desta publicação. O espaço segue à disposição.

Publicado originalmente pelo Brasil de Fato em 11/07/2025

Por Leonardo Fernandes – Brasília (DF)

Edição: Nathallia Fonseca

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https://www.ocafezinho.com/2025/07/11/criticados-por-viralatismo-governadores-bolsonaristas-mudam-discurso-sobre-taxacao-de-trump/feed/ 0
Campanha denuncia que privatizações do governo Zema podem gerar crise hídrica em MG https://www.ocafezinho.com/2025/03/25/campanha-denuncia-que-privatizacoes-do-governo-zema-podem-gerar-crise-hidrica-em-mg/ Tue, 25 Mar 2025 19:06:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=205079 Mobilização destaca a importância da água e a necessidade de defender a Copasa

O Dia Mundial da Água, recurso fundamental para a manutenção da vida na Terra, foi comemorado no dia 22 de março. Embora ocupe grande parte da superfície do planeta, somente 2,5% do total de água disponível é adequado aos usos humanos.

Diante desse contexto, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Minas Gerais (Sindágua-MG) promoveu mobilizações no estado, ao longo de toda a última semana.

A iniciativa foi construída em conjunto com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Central Única dos Trabalhadores (CUT- MG), o Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM) e o movimento SOS Vargem das Flores.

A campanha, intitulada Água para quem tem sede de luta, denunciou que o direito à água potável de qualidade para a população de Minas Gerais é ameaçado pelo governador Romeu Zema (Novo), que, na avaliação das entidades, “insiste em tirar do Estado a responsabilidade pelos serviços públicos essenciais e entregá-los às empresas privadas”.

No fim do ano passado, o governo estadual encaminhou à Assembleia Legislativa (ALMG) dois projetos de lei (PL) visando a privatização da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). O ataque às estatais tem sido frequente, como denunciam especialistas.

“É preciso unificar a luta pela defesa da água e do saneamento público, visando garantir o acesso de todos à água”, defende Eduardo Pereira, secretário de meio ambiente da CUT-MG e presidente do Sindágua -MG.

Pautando a democratização desse bem comum, sua preservação e o combate à privatização da gestão da água no estado, a mobilização ressaltou a importância da soberania popular na gestão dos recursos hídricos, principalmente frente às mudanças climáticas, que alteram bruscamente o ciclo de chuvas e secas em todo o planeta.

“O objetivo é alertar a população sobre o impacto negativo da possível entrega do setor ao capital privado, conscientizando acerca da importância desse recurso e criando uma corrente de unidade e respeito à vida”, destaca a campanha.

A água e a emergência climática

De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), atualmente, menos da metade da população mundial tem acesso à água potável. A situação tende a se agravar com o passar do tempo.

Ainda de acordo com o Unicef, cerca de 3 bilhões de pessoas que irão nascer no próximo século devem vir ao mundo sem acesso suficiente à água.

Do total de água doce do planeta, 69% é de difícil acesso, por estar contido nas geleiras, 30% é encontrado em reservas subterrâneas e apenas 1% está em rios. Desses, cerca de 73% são consumidos pela irrigação, 21% usados na indústria e apenas 6% é destinado ao consumo da população.

Para Larissa Rabelo Nunes, da coordenação estadual do MAM, a má gestão da água está diretamente relacionada à crise climática.

“As mudanças nos padrões de chuva, secas prolongadas e o aumento da demanda por água potável exigem políticas públicas que priorizem a sustentabilidade e a justiça social. A má gestão dos recursos hídricos, aliada à privatização e à mercantilização da água, amplia as desigualdades e coloca em risco a soberania dos povos sobre esse bem comum”, destaca.

Nesse sentido, de acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), deter o controle da água significa deter poder, uma vez que “a escassez de água no mundo é agravada em virtude da desigualdade social e da falta de manejo e usos sustentáveis dos recursos naturais”.

Privatização é risco para a população

É o que também acredita a integrante da coordenação nacional do MAB Soniamara Maranho. Para ela, o Brasil, que detém atualmente 12% da água potável do mundo, está no foco da disputa a nível internacional de quase todos os recursos naturais.

Essa realidade, de acordo com ela, torna a privatização um negócio muito vantajoso para as empresas e um risco para a população. “Esse processo torna a água uma mercadoria, assim como fizeram com a energia.”

Pereira indica que a privatização pode significar também o aumento no consumo desenfreado desse bem, justamente quando é mais necessário preservá-lo, uma vez que as empresas privadas têm como principal objetivo o lucro.

“Uma empresa privada de saneamento incentiva o uso desenfreado da água para aumentar a sua lucratividade e, no fim, todos nós perdemos”, explica.

Impactos da privatização

Ainda de acordo com o presidente do Sindágua-MG, as ameaças de privatização do governo Zema contrariam o Pacto da Prosperidade e a Agenda 2030, que prevê que cada cidadão tenha acesso à água potável até 2030.

“A privatização significa limitar o acesso a quem pode pagar e precarizar o serviço, conforme demonstram diversos exemplos no Brasil e em outros países. A proposta de privatização do governo Zema garante aumento de tarifas e serviços precários, como o exemplo da privatização da Sabesp, em São Paulo, e do saneamento da cidade de Ouro Preto”, afirma Pereira.

Fatiamento

A mobilização também denunciou que o governo Zema tenta aprovar uma Parceria Público Privada (PPP) para operar todo o serviço de saneamento nas cidades das regiões do Vale do Jequitinhonha, Vale do Mucuri e Norte de Minas, onde se concentram os menores índices de renda per capita e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado.

“A privatização via ‘fatiamento’ ou concessão à iniciativa privada tende a priorizar o lucro, em detrimento do direito à água, aumentando tarifas e excluindo comunidades pobres e periféricas do acesso a esse recurso essencial”, afirma Larissa Nunes.

Ao invés disso, Maranho defende o fortalecimento da Copasa e o investimento de seus lucros, de modo a garantir a água como um bem público para a humanidade.

“A privatização precariza, aumenta o preço, diminui a qualidade. Entendendo todos os crimes que nós já tivemos de contaminação da água em Minas, é preciso cuidar muito bem desse nosso recurso”, alerta.

O outro lado

O Brasil de Fato MG entrou em contato com o governo de Minas Gerais para comentar sobre as denúncias. Não obtivemos respostas até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.

Publicado originalmente pelo Brasil de Fato em 24/03/2025

Por Flora Villela – Belo Horizonte (MG)

Edição: Ana Carolina Vasconcelos

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A um ano e meio da eleição, bolsonaristas racham extrema direita e começam corrida por Palácio do Planalto https://www.ocafezinho.com/2025/03/14/a-um-ano-e-meio-da-eleicao-bolsonaristas-racham-extrema-direita-e-comecam-corrida-por-palacio-do-planalto/ Sat, 15 Mar 2025 00:03:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=204365 Líderes de extrema direita correm pelo apoio de Jair Bolsonaro, que está inelegível até 2031

No dia 4 de abril deste ano, em Salvador (BA), Ronaldo Caiado (UB), governador de Goiás, lançará sua pré-candidatura à presidência da República, nas eleições que acontecem daqui a 19 meses, em outubro de 2026. Tamanha antecedência respeita a ansiedade que toma de assalto a ambição dos líderes extrema direita, que correm pelo apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está inelegível até 2031.

Nas últimas semanas, Caiado costurou uma aliança com o cantor Gusttavo Lima, contumaz apoiador de Jair Bolsonaro. O artista estará em Salvador e deve compor a chapa com o governador goiano. Ainda não há uma definição de quem seria o candidato à presidência e quem assumiria o posto de vice.

Em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) costura para evitar que a candidatura de Caiado e Lima avance. O mandatário conta com o apoio do União Brasil para 2026. Na composição do atual governo, há dois integrantes do partido: Celso Sabino, do Turismo, e Juscelino Filho, de Comunicações.

Paulo Niccoli Ramirez, cientista político da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), não acredita na empreitada do governador goiano. “O Caiado é um nome forte local, mas não nacional. Em 1989 já foi candidato à presidência, também como ilustre desconhecido. Por não ser conhecido nacionalmente, há uma certa limitação para sua candidatura. Assim como o Gusttavo Lima, que não tem experiência política e nem linha ideológica clara, o que o afasta de uma candidatura plausível”.

Ainda inelegível, Pablo Marçal (PRTB) tem participado das conversas pela aliança de Caiado e Lima. Candidato derrotado nas eleições de 2024, quando disputou a prefeitura paulistana, o coach está inelegível, mas tenta reverter a sentença para disputar o pleito em 2026.

Nome mais forte da extrema direita, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tem tido uma rotina de respostas no meio-fio quando perguntado sobre uma eventual candidatura à presidência em 2026.

Publicamente, Freitas afirma ser candidato à reeleição para o Palácio dos Bandeirantes. Porém, internamente, a postura é mais ambiciosa. O governador aguarda uma decisão sobre o futuro do ex-presidente, que tenta reverter a inelegibilidade. Caso seja mantida, a tendência é que ele passe a brigar publicamente para ser o candidato dos bolsonaristas.

Freitas carrega um importante trunfo na manga, a aliança com Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, que se tornou o maior partido do país nas eleições de 2024, e que ocupa o cargo de secretário de Governo e Relações Institucionais do estado de São Paulo.

Recentemente, Kassab afirmou que caso Freitas dispute a reeleição em São Paulo, ele mesmo será o vice na chapa, escanteando o ex-prefeito de São José dos Campos, Felício Ramuth (PSD), que ocupa o cargo no atual mandato.

Outros dois governadores correm por fora pelo espólio de Jair Bolsonaro. Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ratinho Jr (PSD), do Paraná. Ambos não podem disputar a reeleição em seus estados e devem focar energia na disputa presidencial.

Zema já foi alvo de críticas de Bolsonaro e não deve ser o escolhido. Desconhecido fora do território mineiro e ciente de que deverá ter pouco apoio fora da legenda, o novista contratou o publicitário Renato Pereira, que fez as campanhas vitoriosas de Aécio Neves e Sérgio Cabral, aos governos de Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Já Ratinho Jr. quer ser o candidato do PSD, mas pode ter resistência dentro do partido, já que Kassab flutua entre Freitas e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Atualmente, a legenda tem três ministros na Esplanada dos Ministérios.

Por fim, o núcleo familiar de Bolsonaro também pode rachar. Michelle Bolsonaro contava com o apoio do marido, mas o ex-presidente tem dado sinais de que a prefere como candidata ao Senado. Porém, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, não esconde a preferência pela ex-primeira dama.

Bolsonaro pensa em um plano para 2026 inspirado em Lula, nas eleições de 2018. Na época, o petista, que estava inelegível, sustentou sua candidatura até o limite permitido pela lei eleitoral. Então, abandonou o pleito e abriu caminho para que Fernando Haddad (PT), que aparecia como seu vice, assumisse a chapa e disputasse a eleição.

Assim, Jair Bolsonaro encabeçaria a chapa e, caso não revertesse a inelegibilidade, quem assumiria a dianteira da candidatura seria seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), garantindo que o espólio bolsonarista fique dentro da família.

‘Tem que decidir este ano’

Durante o evento CEO Conference, evento promovido pelo BTG Pactual em São Paulo, no dia 25 de fevereiro deste ano, Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, enviou um recado a Jair Bolsonaro pedindo que ele acelere o processo de alianças para 2026, sob pena de comprometer a competitividade da extrema direita.

“A definição do candidato cabe ao (ex) presidente Bolsonaro. Já disse pra ele: se ele tiver que apoiar o governador Tarcísio ou Ratinho, ele tem que decidir este ano. Se insistir no próximo ano, quem vai ser candidato é ele ou um dos seus filhos”, disse Ciro Nogueira.

Um dos interessados no espólio bolsonarista, Zema não escondeu sua insatisfação, em entrevista ao jornal O Globo, em janeiro deste ano. “Essa indefinição sobre ele ser ou não candidato, com toda certeza, acaba postergando essa decisão, e o trabalho que já poderia estar acontecendo”.

Paulo Niccoli Ramirez entende que a inelegibilidade de Bolsonaro “já demonstrou ano passado que há uma fragmentação da direita. No segundo turno, vimos algumas capitais em que havia confronto entre aliados do mesmo campo, o que prejudicou alguns nomes. Isso acontecendo em 2026, pode fortalecer o Lula”.

“Esse vácuo político deixado pela inelegibilidade de Bolsonaro acaba criando uma fragmentação de candidaturas, que pode prejudicar a extrema direita”, finalizou o cientista político.

Contra Lula, Freitas é o mais competitivo

A pesquisa eleitoral Latam Pulse, do instituto AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, divulgado no dia 7 de março deste ano, testou dois cenários de disputa entre Lula e candidatos da extrema direita no primeiro turno.

No primeiro cenário, Lula aparece com 41,6% das intenções de voto, contra 32,3% de Tarcísio de Freitas – o anti-Lula mais competitivo. Gusttavo Lima e Caiado aparecem empatados com 4,6%. Em seguida está Romeu Zema com 4,5%. Pablo Marçal soma apenas 2,5%.

A AtlasIntel testou, ainda, uma segunda possibilidade. Nela, Lula está à frente, com 41,5% das intenções de voto. Em seguida, está Eduardo Bolsonaro, que soma 23,8%. Na sequência, Romeu Zema, com 10% e Ronaldo Caiado, que tem 6,4%; Gustavo Lima e Pablo Marçal fecham a lista, com 4,1% e 3,2%, respectivamente.

Nas simulações para segundo turno, Freitas é o único nome que venceria Lula, com 49% frente aos 47%. Eduardo Bolsonaro perderia para o petista, com 44% contra 48% do atual presidente.

Publicado originalmente pelo Brasil de Fato em 14/mar/2025

Por Igor Carvalho

Edição: Nathallia Fonseca

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Zema vende hidrelétricas da Cemig sem consulta popular e aprovação da ALMG https://www.ocafezinho.com/2025/03/07/zema-vende-hidreletricas-da-cemig-sem-consulta-popular-e-aprovacao-da-almg/ Fri, 07 Mar 2025 14:29:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=203665 Governo de Minas desrespeita lei estadual e decisão judicial, enquanto sindicatos e parlamentares denunciam desmonte do patrimônio público mineiro

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) formalizou a venda de mais quatro usinas hidrelétricas para a Âmbar Hidroenergia Ltda., empresa do grupo J&F, controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista. O contrato, assinado em 21 de fevereiro, ocorre em um contexto de judicialização de um lote anterior de 15 usinas, cuja venda foi suspensa pela Justiça em dezembro de 2023 por descumprir exigências legais, como a consulta popular e o quórum qualificado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

As usinas vendidas estão localizadas em Juiz de Fora e Manhuaçu, na Zona da Mata; Águas Vermelhas, no Norte de Minas; e Uberlândia, no Triângulo Mineiro. A Âmbar pagou R$ 52 milhões pelo pacote, com um ágio de 78,8% — valor adicional cobrado em operações financeiras — em relação ao preço mínimo esperado. A operação, no entanto, ainda depende de aprovações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A venda ocorre em meio a uma das maiores crises hídricas dos últimos anos em Minas Gerais, o que levanta questionamentos sobre a estratégia do governo de Romeu Zema (Novo) de alienar ativos estratégicos do Estado. Nos últimos 24 meses, a Cemig já vendeu 19 usinas, sendo 15 apenas em 2023. Para o deputado estadual Betão (PT), a prática é parte de um projeto de desmonte das estatais mineiras.

“Isso é um desrespeito ao direito constitucional de consulta pública e referendo popular. Algumas dessas usinas estão em áreas estratégicas para o estado. É como estarmos no deserto, com sede, e vendermos a água para quem tem um reservatório em casa”, criticou o parlamentar.

Judicialização e descumprimento da lei

A venda das quatro hidrelétricas repete o mesmo padrão de descumprimento da Lei Estadual 15.290/2004, que exige consulta popular e aprovação por maioria qualificada na ALMG (48 dos 77 deputados) para a alienação de subsidiárias da Cemig ou de participações societárias da companhia. A legislação foi criada durante o governo Itamar Franco (1998-2002) e visa garantir o controle público sobre ativos estratégicos.

Em agosto de 2023, a Cemig vendeu 15 hidrelétricas à Mang Participações e Agropecuária Ltda. sem seguir esses requisitos. A operação foi suspensa em dezembro pela 2ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias de Belo Horizonte, atendendo a uma ação popular da Federação dos Urbanitários de Minas Gerais. A Cemig recorreu da decisão, e o caso ainda está em tramitação.

Apesar disso, a empresa seguiu com a venda do novo lote, ignorando novamente as exigências legais.

Impactos para trabalhadores e população

Para Emerson Andrada, coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Energética de Minas Gerais (Sindieletro-MG), as privatizações representam um ataque direto aos direitos dos trabalhadores e à população mineira.

“No setor elétrico, esse processo tem um histórico já conhecido de demissões em massa, terceirização e precarização das condições de trabalho, com aumento de acidentes fatais. Empresas privadas operam sob a lógica do lucro máximo, o que leva à redução de postos de trabalho e à flexibilização de direitos”, afirmou.

Ele também destacou que a privatização tende a aumentar as tarifas de energia e piorar a qualidade do serviço, além de comprometer a universalização do acesso à eletricidade.

“Empresas privadas não têm compromisso com o desenvolvimento regional. Elas investem apenas onde há maior rentabilidade, o que pode deixar áreas mais pobres desassistidas”, explicou.

Estratégia de desmonte fracionado

De acordo com Emerson Andrada, o governo Zema tem adotado uma estratégia de venda fracionada de ativos da Cemig e de outras estatais, como a Copasa, buscando burlar a necessidade de consulta popular e aprovação legislativa. Em novembro de 2024, o governo encaminhou à ALMG propostas para eliminar a exigência de referendo e quórum qualificado na venda de subsidiárias.

“O que o presidente da Cemig está fazendo é o mesmo que Zema tem feito com a Copasa: ir vendendo pouco a pouco, de forma fatiada”, denunciou o deputado Betão. Ele ressaltou que a população mineira não apoia a privatização de serviços essenciais, como energia e água, e que a tendência mundial é a reestatização desses setores.

“No mundo inteiro, sobretudo na Europa, serviços públicos têm sido reestatizados diante do fracasso da iniciativa privada em equilibrar a ganância do capital com a necessidade de garantir o acesso da população a requisitos básicos de cidadania”, afirmou o parlamentar.

Resistência e mobilização

O Sindieletro-MG e outras entidades têm intensificado a resistência contra as privatizações, com ações jurídicas, mobilizações e campanhas de conscientização.

“Já acionamos juridicamente os órgãos competentes e mantemos diálogo constante com o Ministério Público e a ALMG para impedir que essas operações ocorram sem cumprir os requisitos legais”, disse Emerson.

Ele também destacou que a categoria não descarta a possibilidade de greve, caso o governo insista no desmonte das estatais. “Se Zema continuar com essa estratégia, nossa resposta será ampliar as mobilizações e fortalecer a unidade entre sindicatos e movimentos sociais”, afirmou.

Especialistas pontuam ainda que a população mineira segue à mercê de decisões tomadas sem transparência ou participação popular, em um contexto de crise hídrica e aumento dos custos de vida. A venda das hidrelétricas não apenas coloca em risco o patrimônio público, mas também o futuro energético e social de Minas Gerais.

O outro lado

O Brasil de Fato MG questionou a Cemig e o Governo de Minas Gerais sobre o descumprimento da lei, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

O espaço segue aberto para manifestações dos órgãos.

Publicado originalmente pelo Brasil de Fato em 06/03/2025

Por Jean Silva – Belo Horizonte (MG)

Edição: Ana Carolina Vasconcelos

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