Shigeru Ishiba - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/shigeru-ishiba/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Mon, 21 Apr 2025 22:09:05 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.1 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Shigeru Ishiba - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/shigeru-ishiba/ 32 32 Japão perde a paciência com Trump https://www.ocafezinho.com/2025/04/21/japao-perde-a-paciencia-com-trump/ Mon, 21 Apr 2025 22:08:56 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=207263 Ishiba sinaliza que Japão está se irritando com arrogância dos dos EUA e que não vai se humilhar permanentemente perante as agressões tarifárias de Trump.

O primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, afirmou que o país não vai ceder a todas as exigências dos Estados Unidos nas negociações comerciais, citando a necessidade de proteger os interesses nacionais.

O governo norte-americano busca maior acesso aos mercados automotivo e agrícola japoneses, com o presidente Donald Trump reclamando da ausência de carros americanos no Japão e das tarifas sobre importações agrícolas.

O Japão trabalha em sua estratégia para uma segunda rodada de negociações, com propostas possíveis como o aumento das importações de arroz e soja dos EUA e a flexibilização de padrões de segurança para carros importados.

Ishiba declarou no parlamento que o Japão não vai simplesmente aceitar todas as exigências para fechar um acordo tarifário. “Se o Japão ceder tudo, não conseguiremos garantir nossos interesses nacionais”, disse nesta segunda-feira.

Tóquio está preparando sua estratégia para uma nova rodada de negociações até o fim de abril, após seu principal negociador realizar conversas iniciais com autoridades americanas em Washington na semana passada. Detalhes específicos das demandas dos EUA ainda são vagos, mas Trump frequentemente se queixa da falta de carros americanos no mercado japonês.

Autoridades americanas também apontaram tarifas sobre importações agrícolas, como arroz, como barreiras comerciais injustas.

A situação é crítica para Ishiba. O setor automotivo é o mais lucrativo para as exportações japonesas, e os agricultores são uma base importante de apoio ao seu Partido Liberal Democrata, que enfrentará eleições nacionais em julho e lida com baixos índices de aprovação pública.

Uma pesquisa publicada nesta segunda-feira pelo jornal Asahi apontou 30% de aprovação para o gabinete de Ishiba e 56% de desaprovação.

Em seu discurso, Ishiba defendeu com firmeza as barreiras agrícolas. “Estamos trabalhando para proteger a agricultura japonesa por vários métodos, como tarifas e regras de acesso mínimo”, afirmou. “Devemos continuar a protegê-la e, claro, também devemos proteger a segurança do consumidor.”

Apesar do tom combativo, o Japão precisa encontrar cartas para negociar uma isenção de uma tarifa americana de 24%, reduzida para 10% por 90 dias desde o início do mês. Assim como outros países, o Japão também enfrenta tarifas de 25% sobre exportações de carros, aço e alumínio.

No fim de semana, alguns jornais locais noticiaram que o Japão pode oferecer aumentar as importações de arroz e soja dos EUA e flexibilizar padrões de segurança para carros importados como propostas para avançar nas negociações.

Fabricantes americanos há muito reclamam de barreiras não tarifárias que dificultariam a entrada no mercado japonês, embora Ishiba tenha dito nesta segunda-feira que não espera grande sucesso para carros com volante à esquerda nos EUA, já que no Japão se dirige pelo lado esquerdo.

Ishiba não mencionou ofertas específicas que o Japão poderia fazer, mas descartou sacrificar os agricultores ao reduzir proteções agrícolas para obter a suspensão da tarifa de 25% sobre automóveis.

Trump também levantou preocupações sobre a contribuição financeira do Japão para a manutenção de bases militares americanas no país, inclusive antes de uma reunião com o negociador japonês Ryosei Akazawa na semana passada. Ishiba afirmou que Tóquio não aumentará simplesmente o valor pago pela presença militar dos EUA.

Ele acrescentou que não pretende apressar uma visita a Washington nos próximos dias para fechar um acordo com Trump.

Autores: Yoshiaki Nohara e Alastair Gale
Data de publicação: 21 de abril de 2025
Fonte: Bloomberg

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Mesmo após derrota, Ishiba quer continuar liderando o Japão https://www.ocafezinho.com/2024/10/28/mesmo-apos-derrota-ishiba-quer-continuar-liderando-o-japao/ https://www.ocafezinho.com/2024/10/28/mesmo-apos-derrota-ishiba-quer-continuar-liderando-o-japao/#respond Mon, 28 Oct 2024 18:33:18 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=196018 Primeiro-ministro japonês se recusa a desistir e promete reformas profundas para resgatar confiança no Japão


O primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, afirmou nesta segunda-feira (28) que continuará no cargo para liderar o governo e enfrentar os crescentes desafios econômicos e de segurança após o bloco governante sofrer uma derrota esmagadora nas eleições gerais do dia anterior.

Ishiba, líder do Partido Liberal Democrata (PLD), descreveu o resultado das eleições, nas quais a coalizão governante perdeu pela primeira vez em 15 anos a maioria na Câmara dos Representantes de 465 membros, como “duro”, ao mesmo tempo em que destacou que “não podemos nos dar ao luxo de um impasse político.”

Em uma entrevista coletiva realizada na sede do PLD nesta segunda-feira, Ishiba descartou a possibilidade de mudar a composição da coalizão governante por enquanto, mas expressou o desejo de incorporar ideias políticas da oposição.

Foto de 28 de outubro de 2024 mostra a cobertura da mídia japonesa sobre a eleição. Ishiba afirma que seguirá no cargo após derrota do bloco governante. (Xinhua/Zhang Xiaoyu)

Embora o objetivo do PLD de manter a maioria junto com seu parceiro de coalizão, o Komeito, não tenha sido alcançado, Ishiba prometeu reformas fundamentais no partido para restaurar a confiança dos eleitores, abalada por um escândalo de fundo secreto.

Segundo Ishiba, o principal motivo da derrota eleitoral é que “não conseguimos lidar com a suspeita, a desconfiança e a raiva das pessoas sobre a subnotificação de fundos políticos e a questão do dinheiro na política.”

Após a eleição de domingo, o PLD e o Komeito garantiram juntos 215 das 465 cadeiras na poderosa câmara do parlamento, uma queda significativa em relação aos 288 assentos anteriores, marcando a primeira vez desde 2009 que perderam o controle majoritário.

O premiê japonês Shigeru Ishiba faz uma pausa durante coletiva em Tóquio (28/10/24). Ishiba afirma que seguirá no cargo após derrota do bloco governante nas eleições.

O PLD garantiu apenas 191 assentos, bem abaixo dos 247 que possuía antes da eleição, enquanto o Partido Democrático Constitucional do Japão, principal partido da oposição, cresceu de 98 para 148 assentos.

O chefe de estratégia eleitoral do PLD, Shinjiro Koizumi, renunciou nesta segunda-feira, assumindo a responsabilidade pelos resultados eleitorais decepcionantes do partido, conforme informado pela mídia local.

Com informações de Xinhua*

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Não espere muito do Ishiba no Japão https://www.ocafezinho.com/2024/10/14/nao-espere-muito-do-ishiba-no-japao/ https://www.ocafezinho.com/2024/10/14/nao-espere-muito-do-ishiba-no-japao/#respond Mon, 14 Oct 2024 20:28:53 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=194927 A surpreendente vitória de Shigeru Ishiba pode transformar a política japonesa ou ser sabotada pela velha guarda do partido. Entenda os desafios e as disputas de poder que podem definir o futuro do Japão.


O Partido Liberal Democrático (LDP) do Japão passou por uma mudança de liderança no mês passado, com a eleição de Shigeru Ishiba como novo presidente. Após cinco tentativas frustradas, Ishiba finalmente conquistou a liderança, oferecendo uma nova cara ao partido, mas as mudanças podem ser mais superficiais do que aparentam. Enquanto a sua eleição cria uma sensação de renovação, a velha guarda do partido ainda exerce forte influência nos bastidores.

Ishiba surpreendeu muitos com sua vitória. Entre nove candidatos na corrida pela presidência do LDP — o maior número já registrado — ele ficou em segundo lugar no primeiro turno. No entanto, como nenhum candidato obteve maioria absoluta, um segundo turno foi necessário entre ele e a então Ministra da Segurança Econômica, Takaichi Sanae. Takaichi, uma conservadora linha-dura e discípula do ex-primeiro-ministro Abe Shinzo, que foi assassinado há dois anos, liderou o primeiro turno com folga, mas sua postura extrema e o desconforto com a possibilidade de uma mulher à frente do governo abriram espaço para Ishiba no segundo turno.

Ishiba, considerado o “anti-Abe” por suas visões mais moderadas, ganhou o apoio dos eleitores dos outros candidatos, superando Takaichi. Sua vitória reflete uma ruptura dentro da estrutura tradicional do LDP, cujas facções maiores perderam força após escândalos envolvendo fundos políticos no último ano. Esses escândalos minaram o poder dos líderes mais antigos do partido e, consequentemente, enfraqueceram a base de apoio da ala conservadora.

Ishiba: O rosto para as eleições gerais

Ishiba agora lidera o LDP em um momento crucial. Com as eleições gerais já convocadas para o final deste mês, ele é visto como uma escolha estratégica. Sua popularidade entre o público japonês e suas políticas mais alinhadas com o mainstream socialmente liberal fazem dele a melhor aposta do partido para conquistar votos. Ao longo de sua carreira, Ishiba destacou-se por suas preocupações com a desigualdade crescente no país, os déficits orçamentários e a postura internacional do Japão. Ele é amplamente visto como alguém capaz de representar uma mudança de tom nas relações políticas e econômicas do Japão, tanto internamente quanto no cenário internacional.

No entanto, seu mandato pode ter vida curta. Há fortes sinais de que, assim que as eleições passarem e a maioria parlamentar do LDP estiver garantida, as facções conservadoras e a velha guarda dentro do partido começarão a minar sua liderança. Isso já aconteceu antes, e há precedentes que mostram que o apoio interno ao presidente do partido pode evaporar rapidamente quando as eleições terminam.

Desafios à frente: políticas econômicas e a sombra da velha guarda

Mesmo com sua recente vitória, Ishiba enfrenta enormes desafios. O Japão, a nação mais envelhecida do mundo, luta com uma crise demográfica iminente e uma dívida nacional que atinge impressionantes 265% do PIB — a maior entre as economias desenvolvidas. Ao mesmo tempo, o governo precisa lidar com o aumento dos gastos em defesa e sustentar uma população idosa com recursos limitados. Ishiba tem defendido uma abordagem mais prudente, que equilibre as necessidades internas e internacionais com a responsabilidade fiscal, em contraste com a política de Shinzo Abe, que via a contabilidade pública como um “fim em si mesma”.

Porém, a tarefa de reconciliar essas demandas será extremamente desafiadora para qualquer político, especialmente para alguém como Ishiba, que ainda é visto como um outsider por muitos dentro do LDP. Dois dias após sua eleição, já surgiram sinais de que a paciência da velha guarda com as políticas de Ishiba é limitada. As facções conservadoras, que perderam força com o escândalo, ainda têm poder suficiente para influenciar decisões importantes e frear qualquer tentativa de mudança radical.

O que isso significa para os Estados Unidos e o Indo-Pacífico

Embora as lutas internas do Japão possam parecer questões domésticas, suas implicações são globais. O Japão é um aliado essencial dos Estados Unidos na região do Indo-Pacífico, uma das áreas mais dinâmicas e estratégicas do mundo. Tóquio tem sido um dos principais arquitetos de iniciativas diplomáticas e econômicas na região, incluindo acordos comerciais vitais como o CPTPP e o RCEP, especialmente quando os EUA hesitaram em sua liderança. Além disso, o Japão serve como ponto central em várias redes de segurança regional, tornando-se um pilar na estratégia de Washington no Oriente.

Dada a importância do Japão na ordem global, os Estados Unidos desejam estabilidade e continuidade na política japonesa. No entanto, com as tensões internas dentro do LDP e os desafios que Ishiba enfrentará em sua gestão, a política japonesa pode estar caminhando para um período de incerteza. Washington pode precisar se preparar para um futuro menos previsível nas relações com seu principal parceiro no Indo-Pacífico.

O futuro de Ishiba no LDP

Apesar de seu triunfo, Shigeru Ishiba já sente o peso de liderar um partido cheio de divisões internas. Sua ascensão ao poder, sem o apoio tradicional das grandes facções, pode ser um prenúncio de sua queda. A luta por poder dentro do LDP pode se intensificar após as eleições gerais, quando sua popularidade como rosto da campanha pode ser explorada, mas sua influência real pode ser enfraquecida.

Ishiba sabe que governar o Japão exigirá muito mais do que popularidade nas urnas. Ele precisará enfrentar os interesses arraigados das facções do LDP, resolver a crise econômica e demográfica do país e garantir que o Japão continue sendo um aliado confiável no cenário internacional. Se conseguirá fazer isso, no entanto, é uma pergunta que só o tempo poderá responder.

Por Brad Glosserman, vice-diretor e professor visitante do Center for Rule-Making Strategies da Tama University, bem como consultor sênior (não residente) do Pacific Forum. Ele é autor de “Peak Japan: The End of Great Ambitions” (Georgetown University Press, 2019). Asia Times*

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Em reunião da Asean, membros repudiam ideia de uma “Otan asiática” https://www.ocafezinho.com/2024/10/13/em-reuniao-da-asean-membros-repudiam-ideia-de-uma-otan-asiatica/ https://www.ocafezinho.com/2024/10/13/em-reuniao-da-asean-membros-repudiam-ideia-de-uma-otan-asiatica/#respond Sun, 13 Oct 2024 16:44:07 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=194792 O fracasso da ideia de uma ‘OTAN Asiática’ na ASEAN: Editorial do Global Times

As 44ª e 45ª cúpulas da ASEAN e as reuniões de líderes sobre a cooperação no Leste Asiático estão sendo realizadas nesta semana, reunindo líderes ou representantes dos 10 países da ASEAN, além de China, Japão, Coreia do Sul, Índia, Austrália, Nova Zelândia, Rússia e EUA, em Vientiane, capital do Laos. Durante a 27ª Cúpula China-ASEAN, realizada na quinta-feira, os líderes da China e dos países da ASEAN anunciaram a conclusão substancial das negociações de atualização da Versão 3.0 da Área de Livre Comércio China-ASEAN (FTA). Esse marco importante demonstra o esforço conjunto da China e da ASEAN para liderar a integração econômica no Leste Asiático, reafirmando o apoio mútuo ao multilateralismo e ao livre comércio. Isso também destaca que a busca por estabilidade, cooperação e desenvolvimento continua a ser o principal objetivo da região.

Notavelmente, antes da cúpula da ASEAN, altos funcionários de países como os EUA e Japão sugeriram trazer confrontos entre blocos e conflitos geopolíticos para a reunião, uma intenção que encontrou resistência clara. Em particular, a proposta de uma “OTAN Asiática”, sugerida pelo novo primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, enfrentou forte oposição na região. O ministro das Relações Exteriores da Malásia, Mohamad Hasan, afirmou de forma direta: “Não precisamos de uma OTAN na ASEAN”, enquanto o maior jornal de língua inglesa da Indonésia, o Jakarta Post, alertou que uma “OTAN Asiática” visa a confrontar a China, o que é “muito ofensivo” para os 10 membros da ASEAN. Essa resistência significativa fez com que Ishiba desistisse de mencionar a “OTAN Asiática” na reunião.

O fracasso dessa ideia destaca vários pontos. Primeiro, mostra que, ao contrário da percepção dos aliados dos EUA e da OTAN, essa aliança é vista por outras nações como um “prenúncio de desastre”. As ações da OTAN para melhorar sua imagem, gerando opinião pública e ampliando sua influência por meio da exploração de conflitos geopolíticos, apenas consolidaram sua reputação como criadora de caos e conflito. A opinião pública nos países da ASEAN revela um claro desprezo pela OTAN, que muitos veem como um “zumbi da Guerra Fria”, uma organização que já deveria ter sido relegada à história.

Segundo, os países da região não apenas rejeitam a introdução do modelo da OTAN na Ásia-Pacífico, mas também se opõem à importação da mentalidade de Guerra Fria e à criação de inimigos geopolíticos hipotéticos, como a China. Os princípios da OTAN são fundamentalmente diferentes dos dos países asiáticos. Enquanto a OTAN é uma aliança militar de países ocidentais, os países asiáticos valorizam sua independência e autonomia. A missão da OTAN é promover a “dissuasão” militar, enquanto os países asiáticos priorizam a paz e o desenvolvimento. Além disso, muitos países asiáticos têm histórias dolorosas de colonização e invasão, tornando-os profundamente contrários à interferência externa. As nações asiáticas valorizam a “Sabedoria Oriental” e entendem que a inclusão e a abertura são o caminho certo, em contraste com a diplomacia coercitiva e a lógica do “mais forte vence”.

A OTAN mantém sua relevância ao criar uma ameaça externa comum, algo que não existe na Ásia. Tentativas de direcionar o conflito contra a China estão fadadas ao fracasso. A China é o maior parceiro comercial da ASEAN há 15 anos consecutivos, e a ASEAN tem sido o maior parceiro comercial da China nos últimos quatro anos. A China apoia firmemente a construção da comunidade da ASEAN, o papel central do bloco na cooperação regional e defende sua maior participação nos assuntos internacionais. A implementação abrangente do RCEP e projetos como a Ferrovia China-Laos e a Ferrovia de Alta Velocidade Jacarta-Bandung são exemplos do sucesso da Iniciativa Cinturão e Rota, enquanto indústrias emergentes, como a economia digital e verde, estão gerando um forte impulso para a cooperação.

Uma pesquisa publicada em abril pelo Instituto ISEAS-Yusof Ishak de Cingapura indicou que os países da ASEAN veem a China de forma mais favorável do que os EUA. Mesmo nas Filipinas, observadores consideram a ideia de uma “OTAN Asiática” irrealista.

Percebemos que alguns meios de comunicação ocidentais refletiram sobre as razões para o fracasso da ideia da “OTAN Asiática”, mas essas reflexões não devem ser superficiais. Durante as reuniões de líderes sobre a cooperação no Leste Asiático, Ishiba expressou disposição para fortalecer as trocas de alto nível, intensificar o diálogo e promover o desenvolvimento constante das relações Japão-China, o que é uma atitude louvável.

Esperamos que as reuniões deste ano sobre a cooperação no Leste Asiático sirvam como um lembrete para todos os países externos: a região acolhe parceiros no desenvolvimento pacífico, mas não aqueles que criam problemas e conflitos.

Editorial no Global Times.

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Parlamento japonês é dissolvido para eleições, enquanto Ishiba tenta conter crise no LDP https://www.ocafezinho.com/2024/10/09/parlamento-japones-e-dissolvido-para-eleicoes-enquanto-ishiba-tenta-conter-crise-no-ldp/ https://www.ocafezinho.com/2024/10/09/parlamento-japones-e-dissolvido-para-eleicoes-enquanto-ishiba-tenta-conter-crise-no-ldp/#respond Wed, 09 Oct 2024 13:15:34 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=194458 O primeiro-ministro japonês dissolve o parlamento em meio a escândalos, preparando o Japão para eleições que podem redefinir o futuro político do partido

A câmara baixa do parlamento do Japão foi dissolvida nesta quarta-feira (9), abrindo caminho para as eleições gerais que acontecerão em 27 de outubro, com o início da campanha previsto para 15 de outubro. O primeiro-ministro Shigeru Ishiba, recém-eleito à presidência do Partido Liberal Democrático (LDP) em 27 de setembro, agora enfrenta o desafio de garantir a maioria de sua legenda na câmara baixa, consolidando sua posição no governo.

A decisão de dissolver o parlamento aconteceu apenas alguns dias após Ishiba assumir o cargo de primeiro-ministro, marcando o menor intervalo entre a posse de um premiê e a dissolução do parlamento no Japão pós-guerra.

A eleição geral está programada para 27 de outubro, com a campanha marcada para começar em 15 de outubro / Xinhua / Zhang Xiaoyu

Essas eleições gerais serão as primeiras desde o escândalo de fundos políticos que envolveu membros do LDP no final de 2023. Em uma tentativa de acalmar a indignação pública, o partido anunciou que 12 legisladores envolvidos no escândalo não serão endossados como candidatos oficiais na próxima eleição.

Durante seu primeiro discurso político no parlamento, Ishiba, de 67 anos, ressaltou a importância de restaurar a confiança pública na política após os escândalos e prometeu enfrentar o aumento do custo de vida, que afeta duramente a população.

O LDP, que governa o Japão em coalizão com o Komeito, detinha 258 assentos na câmara baixa de 465 membros, enquanto a principal oposição, o Partido Democrático Constitucional do Japão, liderado por Yoshihiko Noda, controla 99 assentos.

A eleição promete ser acirrada, com foco em temas como reforma política, inflação e medidas econômicas, enquanto os partidos de oposição tentam reduzir o domínio do LDP.

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Shigeru Ishiba, do Japão, dispara contra China e fala de guerra na Ásia https://www.ocafezinho.com/2024/10/04/shigeru-ishiba-do-japao-dispara-contra-china-e-fala-de-guerra-na-asia/ https://www.ocafezinho.com/2024/10/04/shigeru-ishiba-do-japao-dispara-contra-china-e-fala-de-guerra-na-asia/#respond Fri, 04 Oct 2024 14:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=193911 ‘A Ucrânia de hoje pode ser o Leste Asiático de amanhã’, disse o primeiro-ministro japonês sobre o aumento das tensões e o risco de conflitos na região

O novo primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, em seu primeiro discurso político nesta sexta-feira (4), alertou para a crescente ameaça na Ásia, afirmando que “a Ucrânia de hoje pode ser o Leste Asiático de amanhã“. Esse comentário foi feito em um contexto de tensões geopolíticas crescentes e desafios internos significativos, incluindo a crise demográfica do país, a qual ele chamou de uma “emergência silenciosa“.

Ishiba destacou que o conflito em andamento na Ucrânia serve como um alerta para o Leste Asiático. Ele questionou, “Por que a dissuasão não funcionou na Ucrânia?”, referindo-se à incapacidade de prevenir a invasão, e traçou paralelos entre a situação na Europa e os desafios enfrentados pela Ásia Oriental. Segundo ele, a crescente divisão internacional, combinada com os eventos no Oriente Médio, está criando um ambiente global mais conflituoso e imprevisível.

Nos últimos anos, as relações entre o Japão e a China têm se deteriorado, com Pequim afirmando sua presença militar em territórios disputados e o Japão fortalecendo seus laços de segurança com os Estados Unidos e seus aliados regionais. Essas tensões foram amplificadas em agosto, quando uma aeronave militar chinesa realizou a primeira incursão confirmada da China no espaço aéreo japonês, seguida por um navio de guerra japonês navegando pelo Estreito de Taiwan, outro marco significativo.

Ishiba defende abertamente a criação de uma aliança militar regional semelhante à OTAN, e afirmou que o ambiente de segurança na Ásia é o mais severo desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Internamente, o Japão também enfrenta uma crise crescente devido ao envelhecimento da população e à baixa taxa de natalidade. O país possui a segunda população mais velha do mundo, atrás apenas de Mônaco, e a taxa de natalidade do Japão está longe do nível necessário para manter sua população estável. Em 2022, a taxa de natalidade do Japão foi de apenas 1,2 filhos por mulher, muito abaixo dos 2,1 filhos necessários para evitar o declínio populacional.

Ishiba enfatizou que a situação da baixa taxa de natalidade é uma questão crítica, referindo-se a ela como uma “emergência silenciosa”. Ele destacou que seu governo pretende promover medidas de apoio às famílias, incluindo horários de trabalho mais flexíveis, na tentativa de aliviar essa crise demográfica.

O novo primeiro-ministro sucedeu Fumio Kishida, que havia perdido popularidade devido a uma série de escândalos e à inflação que afetava a quarta maior economia do mundo. Para restaurar a confiança e estimular a economia, Ishiba planeja implementar um novo pacote de estímulo monetário, incluindo apoio a governos regionais e famílias de baixa renda.

Um dos objetivos do novo governo é aumentar o salário mínimo nacional. Ishiba declarou que deseja elevar o salário mínimo nacional para 1.500 ienes (aproximadamente US$ 10,20) por hora, representando um aumento significativo de quase 43% em relação ao valor atual de 1.050 ienes.

A reação dos mercados à liderança de Ishiba foi imediata. O iene teve um aumento depois que ele foi eleito líder do Partido Liberal Democrata (PLD), devido à sua visão favorável à saída do Banco do Japão de suas políticas monetárias ultraflexíveis. No entanto, Ishiba declarou que não vê o momento como adequado para aumentos nas taxas de juros, o que levou a uma nova queda na moeda japonesa. Na sexta-feira, a moeda foi negociada a 146,42 ienes por dólar, recuperando-se ligeiramente após ter superado a marca de 147 no início da semana.

Outro ponto importante abordado por Ishiba foi a questão da sucessão imperial no Japão. Atualmente, a sucessão ao trono é restrita a homens, e o país enfrenta uma falta urgente de sucessores imperiais. Ishiba pediu que os legisladores discutam soluções para essa questão delicada, afirmando que “a sucessão real estável é extremamente importante” e que é crucial estabilizar o número de membros da família imperial.

Esse discurso inaugural reflete a urgência com que Ishiba encara tanto os desafios globais quanto os problemas internos do Japão, apresentando um plano de ação que visa assegurar a estabilidade e segurança do país em meio a um cenário cada vez mais tenso e incerto.

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