stf - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/stf/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Thu, 18 Jun 2026 01:43:45 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png stf - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/stf/ 32 32 Defesa de Bolsonaro revela que própria equipe inutilizou arma do ex-presidente por temor à saúde mental https://www.ocafezinho.com/2026/06/17/defesa-de-bolsonaro-revela-que-propria-equipe-inutilizou-arma-do-ex-presidente-por-temor-a-saude-mental/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/17/defesa-de-bolsonaro-revela-que-propria-equipe-inutilizou-arma-do-ex-presidente-por-temor-a-saude-mental/#respond Thu, 18 Jun 2026 01:23:42 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/17/defesa-de-bolsonaro-revela-que-propria-equipe-inutilizou-arma-do-ex-presidente-por-temor-a-saude-mental/ A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) confirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (17), que a própria equipe de segurança do político retirou o percussor de sua pistola Glock 9mm, tornando a arma inoperante. A medida teria sido tomada sem o conhecimento de Bolsonaro, diante das condições de saúde mental agravadas por medicações psiquiátricas.

O documento protocolado no gabinete do ministro Alexandre de Moraes revela um quadro de vigilância interna sobre o ex-presidente, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão. Desde 24 de março, Bolsonaro está sob prisão domiciliar humanitária autorizada por Moraes, por um prazo inicial de 90 dias, para se recuperar de uma broncopneumonia.

Segundo os advogados, as medicações psiquiátricas ministradas a Bolsonaro foram determinantes em outro episódio grave: a tentativa de rompimento da tornozeleira eletrônica com um ferro de solda, ocorrida em 22 de novembro de 2025. Na ocasião, o ex-presidente alegou alucinação e certa paranoia possivelmente provocadas pelos remédios.

A arma foi apreendida na madrugada de segunda-feira (15) durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal na DF-001, em Taguatinga. O veículo oficial era conduzido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e cedido à Casa Civil para atuar na segurança pessoal de Bolsonaro.

De acordo com reportagem do portal G1, o militar informou à Polícia Civil que a arma estava sendo transportada justamente para passar por reparos e seria devolvida ao ex-presidente em seguida. Apesar de ter documentação regular, a pistola foi recolhida porque o Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) não estava no veículo.

A defesa ressaltou que Bolsonaro não tem interesse na restituição da arma enquanto permanecer em prisão domiciliar, sinalizando o reconhecimento da gravidade de sua condição psicológica. O Gabinete de Segurança Institucional, por sua vez, esclareceu que não realiza a segurança de ex-presidentes e que os servidores à disposição são de livre indicação dos mesmos, sem subordinação operacional ao GSI.

O caso escancara a deterioração do círculo de segurança em torno do ex-presidente, cuja própria equipe precisou desarmá-lo preventivamente. A Polícia Civil do Distrito Federal investiga as circunstâncias do transporte da arma, enquanto o STF acompanha os desdobramentos de mais este capítulo do cárcere de Bolsonaro.

Com informações de G1.

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Trump confunde filhos de Bolsonaro na cúpula do G7 e expõe fragilidade da diplomacia americana https://www.ocafezinho.com/2026/06/17/trump-confunde-filhos-de-bolsonaro-na-cupula-do-g7-e-expoe-fragilidade-da-diplomacia-americana/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/17/trump-confunde-filhos-de-bolsonaro-na-cupula-do-g7-e-expoe-fragilidade-da-diplomacia-americana/#respond Wed, 17 Jun 2026 21:01:45 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=259098 Durante a cúpula do G7 realizada na França, o presidente americano Donald Trump cometeu um erro crasso ao misturar as trajetórias políticas dos filhos do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro. O mandatário dos Estados Unidos afirmou ter recebido notícias de que prenderam o “Bolsonaro Jr.”, referindo-se erroneamente à condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal do Brasil.

Além de errar o nome do alvo da decisão judicial, Trump demonstrou desconhecimento sobre o cenário eleitoral do Brasil ao declarar que o suposto detido estava apresentando um desempenho expressivo nas pesquisas presidenciais. Na realidade, o candidato da família Bolsonaro indicado para concorrer ao Palácio do Planalto é o senador brasileiro Flávio Bolsonaro, evidenciando o total desinteresse da gestão americana pelos detalhes políticos do maior país da América Latina.

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma da suprema corte por coagir magistrados brasileiros e tramar retaliações internacionais em território norte-americano. O parlamentar, que reside atualmente em uma mansão na cidade de Southlake, no estado do Texas, tentou articular ativamente a suspensão de vistos e sanções econômicas contra integrantes da magistratura nacional.

A manifestação desconexa de Trump expõe como as posições da Casa Branca em relação ao Brasil são contaminadas por um profundo amadorismo e assessoria deficiente. O senador americano Marco Rubio, escalado para assessorar diretamente o líder norte-americano nos temas de política regional, é apontado por analistas como um dos responsáveis diretos pela desinformação sistemática de seu superior.

Para os assessores extremistas da ala republicana, a manutenção de um presidente mal informado sobre o cenário internacional constitui uma estratégia útil para facilitar a manipulação de suas decisões geopolíticas. Desse modo, o gabinete presidencial acaba replicando narrativas distorcidas fornecidas por parlamentares brasileiros exilados sem qualquer verificação factual mínima sobre a realidade jurídica de Brasília.

Após o encontro bilateral na Europa, o presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva criticou publicamente o comportamento do colega estrangeiro e classificou o Brasil como um país politicamente complexo. A diplomacia brasileira espera que os líderes de outras nações respeitem a soberania interna do país e evitem interferências indevidas no processo democrático que definirá o futuro nacional.

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STF rejeita alterar decisão que vetou revisão da vida toda https://www.ocafezinho.com/2026/06/12/stf-rejeita-alterar-decisao-que-vetou-revisao-da-vida-toda/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/12/stf-rejeita-alterar-decisao-que-vetou-revisao-da-vida-toda/#respond Fri, 12 Jun 2026 22:43:09 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/12/stf-rejeita-alterar-decisao-que-vetou-revisao-da-vida-toda/ O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria de votos nesta sexta-feira (12) para negar alterações na decisão da Corte que rejeitou a revisão da vida toda das aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O entendimento foi formado no julgamento virtual de um recurso protocolado na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 2.111. A votação virtual será finalizada na próxima sexta-feira (19).

Até o momento, foram proferidos sete votos para rejeitar os embargos de declaração protocolados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM).

A entidade defendeu que a revisão da vida toda seja aplicada nos processos que foram ajuizados até o dia 21 de março de 2024, data na qual o Supremo reviu seu próprio entendimento e vetou a revisão.

Antes do veto, uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) também garantiu aos aposentados o direito à revisão.

Ao rejeitar o recurso da CNTM, o relator do caso, ministro Nunes Marques, disse que o recurso pretende rediscutir matéria que já foi exaustivamente debatida. “Não conheço dos quartos embargos de declaração opostos pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos. Considerando também que a questão já foi exaustivamente deliberada por este tribunal, determino a certificação do trânsito em julgado e o arquivamento imediato”, votou o ministro.

O voto do relator foi seguido pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Luiz Fux.

Dias Toffoli apresentou voto favorável à revisão. Para o ministro, o direito deve ser reconhecido para processos ajuizados entre 16 de dezembro de 2019, data da decisão do STJ, e 5 de abril de 2024, data de publicação da decisão do STF na ADI 2.111.

Em março de 2024, o STF derrubou o entendimento da própria Corte que autorizou a revisão da vida toda de aposentadorias do INSS. A reviravolta do caso ocorreu durante o julgamento da ação de inconstitucionalidade contra a Lei dos Planos de Benefícios da Previdência Social (Lei 8.213/1991). Por 6 votos a 5, o STF decidiu que os aposentados não têm direito de optarem pela regra mais favorável para recálculo do benefício.

A mudança de entendimento ocorreu porque os ministros julgaram a ação, e não o Recurso Extraordinário 1.276.977 no qual os aposentados ganharam o direito à revisão. Em 2022, quando o Supremo estava com outra composição plenária, foi reconhecida a revisão da vida toda, permitindo que aposentados que entraram na Justiça pudessem pedir o recálculo do benefício com base em todas as contribuições feitas ao longo da vida.

O STF reconheceu que o beneficiário poderia optar pelo critério de cálculo que renda o maior valor mensal, cabendo ao aposentado avaliar se o cálculo de toda vida pode aumentar ou não o benefício. Segundo o entendimento, a regra de transição feita pela reforma da Previdência de 1999, que excluía as contribuições antecedentes a julho de 1994, quando o Plano Real foi implementado, pode ser afastada caso seja desvantajosa ao segurado.

Os aposentados pediram que as contribuições previdenciárias realizadas antes de julho de 1994 sejam consideradas no cálculo dos benefícios. Essas contribuições pararam de ser consideradas em decorrência da reforma da Previdência de 1999, cujas regras de transição excluíam da conta os pagamentos antes do Plano Real.

Fonte: Agência Brasil

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Redes sociais terão novo dever contra crimes online https://www.ocafezinho.com/2026/06/12/redes-sociais-terao-novo-dever-contra-crimes-onlines/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/12/redes-sociais-terao-novo-dever-contra-crimes-onlines/#respond Fri, 12 Jun 2026 14:13:51 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=257780 Decisão amplia responsabilidade das redes sociais e reforça combate a publicações que violam direitos

O Supremo Tribunal Federal bateu o martelo nesta quinta-feira (11): as grandes empresas de tecnologia têm 60 dias para adotar medidas concretas de remoção de conteúdo ilegal em suas plataformas. A decisão abrange publicações com teor antidemocrático, ligadas ao terrorismo, à incitação ao racismo e à indução ao suicídio. O prazo começa a contar a partir da publicação da ata do julgamento, cuja formalização fica a cargo do presidente da Corte, ministro Edson Fachin, na próxima semana.

A medida representa mais um capítulo da ofensiva do STF para responsabilizar as redes sociais pelo que circula em seus ambientes digitais — e deixa claro que o tribunal não pretende recuar diante da pressão das empresas de tecnologia.

Antes de o prazo ser definido, empresas e entidades do setor tentaram ganhar mais tempo. O pedido coletivo era de pelo menos seis meses para que as plataformas pudessem se adequar às novas exigências. O relator do caso, ministro Dias Toffoli, rejeitou a solicitação sem rodeios. Para ele, dois meses constituem prazo “razoável e mais que suficiente” para os ajustes necessários.

A resposta do STF revela impaciência com o ritmo das empresas. Afinal, as big techs operam com estruturas tecnológicas sofisticadas e equipes dedicadas à moderação de conteúdo. Alegar que seis meses seriam indispensáveis soa, para muitos especialistas, como manobra protelatória.

Esse julgamento analisa recursos contra uma decisão anterior, tomada em junho de 2025, sobre o Marco Civil da Internet. Naquela ocasião, o STF expandiu as obrigações das redes sociais de forma significativa.

Até então, o artigo 19 do Marco Civil da Internet protegia as plataformas de forma ampla. O dispositivo previa que as empresas só poderiam ser responsabilizadas civilmente se descumprissem uma ordem judicial específica de remoção de conteúdo.

O STF virou essa lógica de cabeça para baixo. Com a decisão do ano passado, as plataformas passaram a ter obrigação de agir de forma proativa — ou seja, remover determinados conteúdos ilegais antes mesmo de qualquer determinação judicial. Conteúdos antidemocráticos, discriminatórios ou que incitem crimes ganharam tratamento mais rigoroso. Quem não agir pode enfrentar responsabilização civil.

Essa mudança representa uma ruptura importante com o modelo anterior, que na prática transformava as redes sociais em territórios com regras próprias, onde o Estado tinha dificuldade de intervir rapidamente.

Um dos votos mais contundentes da sessão veio do ministro Flávio Dino. Ele defendeu a manutenção integral da tese aprovada em 2025 e criticou qualquer tentativa de adiar sua aplicação. Na avaliação de Dino, a demora traz consequências graves para a segurança jurídica.

“Quanto mais se protela no mundo da tecnologia, mais defasada a tese fica”, afirmou o ministro durante o julgamento.

O argumento toca em um ponto central: o ambiente digital muda em velocidade que o direito raramente acompanha. Cada mês de atraso significa mais conteúdo ilegal circulando livremente, mais desinformação se espalhando e mais vítimas de discursos de ódio expostas sem proteção. Dino, portanto, tratou a urgência não como retórica, mas como necessidade prática.

O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, trouxe ao debate uma proposta que ainda aguarda análise de Toffoli. A ideia é criar uma salvaguarda para as plataformas em situações de “dúvida razoável” sobre a ilicitude de determinado conteúdo. Pela sugestão, a empresa estaria protegida caso tenha realizado uma análise qualificada antes de decidir manter ou remover a publicação.

A proposta tenta equilibrar dois valores em tensão: a necessidade de combater conteúdos ilegais e o risco de censura excessiva. Contudo, críticos alertam que a exceção pode virar regra. Se o conceito de “dúvida razoável” não for definido com precisão, as plataformas podem usá-lo como escudo para justificar a omissão em casos que deveriam exigir ação imediata.

Nem todos os ministros acompanharam o raciocínio da maioria na íntegra. André Mendonça concordou com o prazo de 60 dias, mas divergiu em um ponto fundamental: a responsabilidade das plataformas por conteúdos publicados por terceiros.

Para Mendonça, tornar essa responsabilidade solidária representa um risco real. Na visão do ministro, a medida pode gerar um efeito contrário ao desejado — as plataformas, com medo de punições, passariam a remover conteúdos em excesso, inclusive os legítimos. Esse fenômeno, conhecido como “efeito inibitório”, preocupa especialmente defensores da liberdade de expressão.

O argumento de Mendonça tem peso, mas também tem limites. A história recente mostra que, sem pressão legal, as big techs escolhem a omissão. O excesso de remoção é um risco real, mas a ausência de responsabilização também tem vítimas — e elas costumam ser as mais vulneráveis.

Com o prazo de 60 dias prestes a entrar em vigor, as big techs precisam agir rápido. O relógio começa a contar assim que Fachin formalizar a decisão na semana que vem. A partir daí, plataformas como Meta, X (antigo Twitter), YouTube e TikTok terão de demonstrar, na prática, que seus sistemas de moderação estão alinhados com o que o STF determinou.

O descumprimento pode gerar responsabilização civil — e a Corte deixou claro que não está disposta a tolerar mais procrastinação. Para milhões de brasileiros que convivem diariamente com discursos de ódio e desinformação nas redes, a decisão chega como um sinal de que o Estado voltou a disputar o controle do ambiente digital.

Com informações da Folha*

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Corte italiana explica por que anulou extradição de Zambelli https://www.ocafezinho.com/2026/06/12/corte-italiana-explica-por-que-anulou-extradicao-de-zambelli/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/12/corte-italiana-explica-por-que-anulou-extradicao-de-zambelli/#respond Fri, 12 Jun 2026 13:43:59 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=257768 Itália barra extradição de Zambelli ao apontar Moraes como “vítima e juiz” no mesmo processo

A Corte Suprema de Cassação da Itália publicou nesta sexta-feira (12) os fundamentos que embasaram sua decisão de anular, em 22 de maio, a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli ao Brasil. O documento revela, em detalhes, por que os magistrados italianos entenderam que o julgamento conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) apresentava falhas estruturais graves — e coloca o nome do ministro Alexandre de Moraes no centro do debate jurídico.

A decisão não questiona apenas tecnicidades processuais. Ela toca em algo mais profundo: a separação entre quem acusa e quem julga, pilar fundamental de qualquer sistema democrático de justiça. Para os juízes italianos, essa separação não existiu de forma suficientemente clara no caso de Zambelli.

O raciocínio da corte europeia parte de uma constatação objetiva. Moraes, ao longo do processo, acumulou papéis que, segundo os magistrados, são incompatíveis entre si. Ele participou do colegiado que condenou a ex-deputada e, ao mesmo tempo, era considerado pessoa prejudicada por um dos crimes a ela atribuídos. Em outras palavras: o juiz seria também vítima do ato que ele próprio julgou.

“Emergiram diversos elementos capazes de suscitar dúvidas sobre a imparcialidade, sob o aspecto objetivo, do tribunal que proferiu a condenação da recorrente”, afirma o documento oficial da corte italiana.

A decisão da Corte de Cassação vai além de uma crítica genérica. Os magistrados italianos identificaram um acúmulo específico e inédito de funções exercidas por Moraes ao longo do processo. Segundo o texto, o ministro teria atuado como vítima, juiz de primeira instância, juiz de segunda instância e juiz da execução — tudo ao mesmo tempo, dentro do mesmo caso.

“Bem como insuficiência e ilogicidade da fundamentação em relação ao acúmulo das funções de vítima, juiz de primeira instância, juiz de segunda instância e juiz da execução na pessoa de M.A.D.M. [Ministro Alexandre de Moraes], integrante do Supremo Tribunal Federal do Brasil, em violação ao princípio da imparcialidade e da independência do juiz”, afirma a decisão, publicada em italiano.

Essa conclusão levou os juízes a revogar a sentença anterior da Corte de Apelações da Itália, que havia autorizado a extradição. Com a anulação, Zambelli foi solta no fim de maio, após semanas presa em solo italiano.

Vale lembrar que a Corte de Cassação é a última instância do sistema judiciário italiano. Portanto, não há mais recursos possíveis nesse processo específico.

Para entender o peso da decisão italiana, é necessário retomar o que aconteceu no Brasil. O STF condenou Zambelli a dez anos de prisão em regime fechado por contratar o hacker Walter Delgatti para invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A ação foi cirúrgica e teve alvos claros. Entre os documentos inseridos ilegalmente nos sistemas do Judiciário, constava um falso mandado de prisão contra o próprio Moraes — com assinatura falsificada do ministro — e uma ordem igualmente falsa para quebrar o sigilo bancário dele.

Para a Procuradoria-Geral da República (PGR), o objetivo da operação ia muito além de um crime cibernético comum. A intenção seria desacreditar o Judiciário, que então gerenciava o processo eleitoral, e criar um clima de instabilidade institucional favorável à manutenção de Jair Bolsonaro (PL) no poder após a derrota nas urnas em 2022.

Essa narrativa, construída pela acusação brasileira, sustentou a condenação de Zambelli. Contudo, a corte italiana entendeu que a forma como o processo foi conduzido comprometia sua legitimidade perante os critérios do direito europeu de extradição.

Segundo pedido de extradição ainda está em aberto

A soltura de Zambelli, porém, não encerra o imbróglio jurídico. Existe um segundo pedido de extradição em andamento na Justiça italiana, separado do primeiro e com uma base factual completamente diferente.

Esse novo processo se relaciona à condenação da ex-deputada por porte ilegal de arma de fogo e ameaça com uso de arma. O episódio aconteceu na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Na ocasião, Zambelli perseguiu, armada, um homem pelas ruas do bairro Jardins, em São Paulo, após uma discussão de cunho político.

O caso ganhou repercussão nacional e chegou a ser registrado em vídeo, o que dificultou qualquer estratégia de negação dos fatos. A condenação veio posteriormente, e o governo brasileiro aproveitou a permanência de Zambelli na Itália para pedir também sua extradição por esse crime.

Segundo apuração da TV Globo, o Ministério da Justiça brasileiro chegou a questionar as autoridades italianas sobre a possibilidade de novo pedido de prisão de Zambelli nesse segundo processo. A resposta foi cautelosa: a procuradoria italiana aguardava justamente a publicação dos fundamentos da Corte de Cassação no primeiro caso para avaliar se o entendimento adotado ali poderia influenciar a análise do segundo.

O julgamento desse segundo pedido de extradição está marcado para 1º de julho.

A decisão da corte italiana não tem efeito jurídico direto sobre o Brasil. O STF continua funcionando, Moraes segue no cargo e a condenação de Zambelli permanece válida no ordenamento jurídico brasileiro. Contudo, o documento europeu alimenta um debate político e institucional que já estava aquecido.

Críticos do STF, especialmente no campo da direita, usaram a decisão italiana como argumento para questionar a legitimidade das condenações ligadas ao 8 de Janeiro e aos eventos pós-eleitorais de 2022. Por outro lado, juristas e defensores do tribunal brasileiro apontam que os critérios utilizados pela Itália para avaliar pedidos de extradição são distintos dos padrões constitucionais nacionais, e que a decisão europeia não equivale a um reconhecimento de irregularidade pelo direito brasileiro.

O fato é que a questão da imparcialidade — levantada formalmente por uma corte estrangeira de alta reputação — dificilmente sairá do debate público tão cedo. E o julgamento de julho, sobre o segundo pedido de extradição, deve aprofundar ainda mais o escrutínio internacional sobre o caso.

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STF dá 60 dias para big techs cumprirem regras definidas pela Corte https://www.ocafezinho.com/2026/06/11/stf-da-60-dias-para-big-techs-cumprirem-regras-definidas-pela-corte/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/11/stf-da-60-dias-para-big-techs-cumprirem-regras-definidas-pela-corte/#respond Fri, 12 Jun 2026 00:52:30 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/11/stf-da-60-dias-para-big-techs-cumprirem-regras-definidas-pela-corte/ O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (11) fixar prazo de 60 dias para que as big techs implementem as medidas determinadas pela Corte para ampliar a responsabilidade civil por conteúdos ilegais.

O prazo foi determinado durante o julgamento de recursos protocolados pelas plataformas para esclarecer a decisão na qual o Supremo reconheceu, em junho do ano passado, a responsabilidade das plataformas pelas postagens ilegais feitas por seus usuários.

Entre as medidas, as empresas devem proibir acesso dos usuários a vídeos com exploração e abuso sexual, violência física e indução a comportamentos que levem a danos à saúde física ou mental de crianças ou adolescentes. Além disso, as plataformas são obrigadas a manter representante legal no país para receber intimações da Justiça.

A Corte também fixou um marco temporal para aplicação das regras de responsabilização nos processos que estão na Justiça. Pela decisão, as medidas valem a partir do dia 27 de junho de 2025, quando a ata do julgamento foi publicada.

A tese final do julgamento deverá ser aprovada em uma sessão marcada para a próxima quarta-feira (17). O texto vai balizar a resolução das ações que tratam da remoção de conteúdo nas redes e estão em tramitação em todo o país.

O resultado do julgamento foi obtido a partir do voto do relator, ministro Dias Toffoli. O entendimento do relator foi seguido com ressalvas pelos ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino, André Mendonça, Nunes Marques, Luiz Fux, Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e Edson Fachin.

O ministro Alexandre de Moraes disse que as big techs não são neutras e transparentes. O ministro citou a encíclica na qual o papa Leão XIV defendeu o “desarmamento da Inteligência Artificial”. “Elas [redes] têm posicionamento político e econômico. Então, devem ter o mesmo controle de qualquer pessoa que exagera e comete crimes”, afirmou.

André Mendonça demonstrou preocupação com o impacto das regras no direito à liberdade de expressão dos usuários. “Estamos gerando um efeito inibidor de manifestação livre da sociedade, através da terceirização junto às plataformas. É isso que está acontecendo”, comentou.

Em seguida, Flávio Dino discordou da fala de Mendonça sobre o “efeito inibidor” das medidas. “Se Vossa Excelência abrir as redes sociais, vai encontrar 50 crimes. Não tem efeito inibidor algum. Eu até gostaria de tivesse”, rebateu.

Em junho do ano passado, o STF decidiu pela inconstitucionalidade parcial do Artigo 19 do Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014), norma que estabeleceu os direitos e deveres para o uso da internet no Brasil. O dispositivo estabelecia que, “com o intuito de assegurar a liberdade de expressão e impedir a censura”, as plataformas só poderiam ser responsabilizadas pelas postagens de seus usuários se, após ordem judicial, não tomassem providências para retirar o conteúdo ilegal.

Dessa forma, antes da decisão do STF, as big techs não respondiam civilmente pelos conteúdos ilegais, como postagens antidemocráticas, mensagens com discurso de ódio e ofensas pessoais, entre outras. O texto final da decisão definiu que o Artigo 19 não protege os direitos fundamentais e a democracia. Além disso, enquanto não for aprovada nova lei sobre a questão, os provedores estarão sujeitos à responsabilização civil pelas postagens de usuários.

Pela decisão, as plataformas devem retirar os seguintes tipos de conteúdo ilegais após notificação extrajudicial: atos antidemocráticos; terrorismo; induzimento ao suicídio e automutilação; incitação à discriminação por raça, religião, identidade de gênero, condutas homofóbicas e transfóbicas; crimes contra a mulher e conteúdos que propagam ódio contra a mulher; pornografia infantil; tráfico de pessoas. Em caso de descumprimento, as plataformas deverão ser responsabilizadas pelos danos morais e materiais causados pelos usuários a terceiros.

Fonte: Agência Brasil

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Toffoli vota para conceder 60 dias para big techs implementarem regras https://www.ocafezinho.com/2026/06/11/toffoli-vota-para-conceder-60-dias-para-big-techs-implementarem-regras/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/11/toffoli-vota-para-conceder-60-dias-para-big-techs-implementarem-regras/#respond Thu, 11 Jun 2026 21:12:27 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/11/toffoli-vota-para-conceder-60-dias-para-big-techs-implementarem-regras/ O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta quinta-feira (11) pela concessão do prazo de 60 dias para que as big techs possam implementar as medidas determinadas pela Corte a fim de ampliar o comprometimento das plataformas em relação às postagens dos usuários nas redes sociais.

O voto do ministro foi proferido no julgamento no qual a Corte analisa recursos das empresas contra a decisão que, em junho do ano passado, reconheceu a responsabilidade das big techs pelas publicações ilegais feitas por seus usuários. Ele é um dos relatores das ações julgadas.

Toffoli votou para estabelecer um marco temporal para aplicar a decisão e conceder prazo de 60 dias para as empresas implementarem as obrigações estruturais definidas no julgamento que reconheceu a responsabilização.

Entre as medidas, as empresas devem proibir acesso dos usuários a vídeos com:

  • exploração e abuso sexual;
  • violência física;
  • indução a comportamentos que levem a danos à saúde física ou mental de crianças ou adolescentes.

Além disso, as plataformas são obrigadas a manter representante legal no país para receber intimações da Justiça.

“Prazo esse que considero razoável e mais que suficiente para a ultimação das providências pertinentes e eventuais ajustes em decorrência dos esclarecimentos ora prestados”, afirmou Toffoli.

O ministro também decidiu reafirmar que as regras definidas valem para casos futuros. Conforme o entendimento, o marco temporal para eficácia da decisão deve ser o dia 27 de junho de 2025, quando a ata do julgamento foi publicada.

“Não basta dizer que a tese somente se aplica prospectivamente. É preciso definir expressamente o marco temporal a partir do qual ela começará a produzir os efeitos que lhe são próprios”, justificou Toffoli.

Após o voto do relator, o plenário iniciou a coleta dos demais votos. Mais nove votos serão proferidos.

O STF julga recursos que pedem esclarecimentos sobre a decisão da Corte que estabeleceu a responsabilização das redes. Os recursos foram protocolados pelo Facebook e o Google.

Os recursos das plataformas pedem um prazo para implantação das regras definidas durante o julgamento ou que seja garantida aplicação das regras somente após o trânsito em julgado da decisão do plenário.

Fonte: Agência Brasil

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Degustação de uísque do Banco Master com filho de Fux expõe malha de relações de Flávio Bolsonaro https://www.ocafezinho.com/2026/06/11/degustacao-de-uisque-do-banco-master-com-filho-de-fux-expoe-malha-de-relacoes-de-flavio-bolsonaro/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/11/degustacao-de-uisque-do-banco-master-com-filho-de-fux-expoe-malha-de-relacoes-de-flavio-bolsonaro/#respond Thu, 11 Jun 2026 14:03:57 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=257560 O cerco financeiro que conecta o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Banco Master ganhou uma nova ramificação incômoda com a revelação de que o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, participou de uma degustação de uísque em Nova York custeada por Daniel Vorcaro, dono da instituição. O episódio, relatado pela coluna de Igor Gadelha no Metrópoles com base em relatos do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, joga luz sobre a capilaridade do banco em círculos políticos e jurídicos, exatamente quando a família Bolsonaro tenta blindar seu patrimônio eleitoral para 2026.

A informação foi confirmada pela Revista Fórum e detalha um encontro ocorrido fora do país, longe dos holofotes brasileiros, mas que expõe a estratégia de Vorcaro de cultivar vínculos com personagens de alto poder decisório. O Banco Master, hoje no epicentro de investigações da Polícia Federal e da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Pirâmides Financeiras, tornou-se uma engrenagem central nos negócios que envolvem o clã Bolsonaro, especialmente após a descoberta de empréstimos milionários sem garantias reais a empresas ligadas ao senador Flávio e a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Rodrigo Fux, que atua como advogado sem qualquer vínculo funcional com o tribunal do pai, não ocupa cargo público, mas sua mera presença em um evento fechado pago pelo banqueiro investigado acende alertas sobre o tráfico de influência indireta. Embora não haja, até o momento, nenhuma acusação formal de irregularidade do ministro Luiz Fux no caso, a coincidência de agendas entre o filho de um magistrado da Suprema Corte e o mesmo operador financeiro que irriga campanhas bolsonaristas levanta questionamentos inevitáveis sobre os limites entre o lícito e o politicamente tóxico.

A degustação em Manhattan, descrita como um encontro reservado, foi revelada por Cláudio Castro, que rompeu com o bolsonarismo após a eleição de 2022 e hoje colabora com investigações sobre o financiamento de esquemas políticos no Rio de Janeiro. Vorcaro, por sua vez, nega qualquer ilegalidade nas operações do banco, mas já foi alvo de buscas e apreensões autorizadas pelo STF em decorrência da suspeita de que o Master atuava como doleiro de luxo para membros da família Bolsonaro e milicianos fluminenses.

Para Flávio Bolsonaro, o timing não poderia ser pior. O senador ensaia sua candidatura ao governo do Rio de Janeiro em 2026 como principal aposta do PL para manter o controle do estado, mas segue assombrado pelo caso das rachadinhas e pela proximidade com Vorcaro, que já foi flagrado em conversas telefônicas com assessores do parlamentar. A blindagem que o bolsonarismo tenta construir passa por desqualificar investigações como perseguição política, mas a multiplicação de fatos como a degustação de uísque em Nova York torna essa narrativa cada vez mais frágil perante o eleitorado e os tribunais regionais eleitorais.

O Banco Master, criado com capital de origem nebulosa, expandiu sua carteira justamente durante o governo de Jair Bolsonaro, quando recebeu aportes indiretos de fundos de pensão estatais e foi favorecido por mudanças regulatórias no Banco Central. Documentos obtidos pela CPI revelam que Vorcaro emprestou pelo menos R$ 42 milhões a uma empresa de fachada que, segundo investigadores, serviu para lavar recursos desviados do gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, na época em que o hoje senador era deputado estadual.

A conexão com 2026 é direta: qualquer decisão judicial ou eleitoral que atinja o núcleo financeiro do bolsonarismo tem o potencial de implodir a principal candidatura da extrema-direita no Rio de Janeiro. A oposição já coleta assinaturas para uma nova representação no Tribunal Superior Eleitoral, pedindo a inelegibilidade de Flávio por abuso de poder econômico, com base justamente nos repasses do Banco Master. Ao mesmo tempo, o entorno de Jair Bolsonaro avalia que um revés no Rio poderia contaminar a campanha nacional pelo Senado e pela Presidência, onde o ex-capitão depende de palanques estaduais sólidos.

Enquanto isso, a figura de Rodrigo Fux – mesmo que não represente qualquer conduta ilícita do pai – funciona como símbolo da promiscuidade entre altas esferas do Judiciário e o submundo financeiro que o bolsonarismo soube explorar. Não se trata de imputar culpa ao ministro Luiz Fux, cuja trajetória no STF é independente das escolhas do filho, mas de reconhecer que a malha de interesses de Vorcaro envolve, deliberadamente, um ecossistema que vai de tribunais a gabinetes parlamentares, passando por restaurantes de luxo em Nova York.

A defesa de Flávio Bolsonaro nega qualquer irregularidade e classifica as investigações como tentativa de criminalizar relações comerciais legítimas. Já Daniel Vorcaro, por meio de seus advogados, afirma que o encontro com Rodrigo Fux foi um evento social sem qualquer contrapartida indevida. Nenhum dos dois, porém, conseguiu explicar por que o dono do banco concentra suas atenções justamente em personagens que orbitam os mesmos processos e suspeitas que assombram o clã Bolsonaro desde o surgimento do caso Queiroz.

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Dino mantém remoção de vídeos de vereador por decisão da Justiça Eleitoral https://www.ocafezinho.com/2026/06/08/dino-mantem-remocao-de-videos-de-vereador-que-ofendeu-adversario/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/08/dino-mantem-remocao-de-videos-de-vereador-que-ofendeu-adversario/#respond Mon, 08 Jun 2026 11:26:11 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/08/dino-mantem-remocao-de-videos-de-vereador-que-ofendeu-adversario/ O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu neste domingo (7) manter parcialmente uma decisão da Justiça Eleitoral do Amazonas que suspendeu postagens ofensivas de um vereador de Manaus contra um adversário político.

O caso chegou ao Supremo por meio de recurso protocolado pelo vereador Alexandre da Silva Salazar (PL), conhecido como Sargento Salazar, contra decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Em abril, o tribunal determinou a retirada de postagens de propaganda negativa contra o pré-candidato ao governo estadual David Almeida (Avante) e o pagamento de multa de R$ 200 mil em caso de descumprimento.

Em uma das postagens, o vereador disse que Almeida “nunca será governador”. Em outros vídeos, foram utilizadas palavras de baixo calão.

Ao analisar o recurso, Dino manteve parcialmente a decisão do TRE-AM que determinou a retirada das postagens de baixo calão, mas decidiu manter a utilização da expressão “nunca será”. Para o ministro, a proibição do uso da expressão deve ser considerada censura.

“Dependendo do texto e do contexto, o bordão ‘Nunca Será’ pode ser utilizado, desde que observadas as regras jurídicas e éticas que devem reger os embates políticos”, afirmou.

Agressão na política

O ministro disse que a proliferação de xingamentos e agressões morais nas redes sociais compromete o regime democrático.

“A colonização do discurso político por bizarrices e grosserias não é apenas uma questão de educação cívica ou familiar, é também uma aguda questão constitucional relacionada com as condições de funcionamento razoável do regime democrático”, avaliou.

Dino também ressaltou que a atuação parlamentar deve ser pautada pelo decoro e pelo princípio constitucional da moralidade.

“Verifico que o reclamante utiliza-se, seguidamente, de xingamentos, palavras ofensivas, agressões morais, que não se acham sob o manto do livre debate público. Este admite críticas, discordâncias, confrontos ríspidos, mas sem que se ultrapasse as fronteiras demarcadas pelo Direito Penal, pelo princípio da moralidade e pelo decoro no exercício da função parlamentar”, completou o ministro.

Fonte: Agência Brasil

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Entidades repudiam prisão de jornalista perseguido por Zambelli https://www.ocafezinho.com/2026/06/07/entidades-repudiam-prisao-de-jornalista-perseguido-por-zambelli/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/07/entidades-repudiam-prisao-de-jornalista-perseguido-por-zambelli/#respond Sun, 07 Jun 2026 19:02:03 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/07/entidades-repudiam-prisao-de-jornalista-perseguido-por-zambelli/ Entidades ligadas ao jornalismo manifestaram repúdio à decisão do Juizado Especial Criminal do Foro de Barra Funda, em São Paulo (SP), de determinar a prisão, em regime aberto, do profissional Luan Araújo. Em outubro de 2022, ele foi alvo de uma perseguição a mão armada por parte da então deputada federal Carla Zambelli.

A prisão foi uma decisão do juiz José Fernando Steinberg. Ele argumentou que o “condenado, apesar de devidamente intimado, não cumpriu a prestação pecuniária imposta”. Araújo, que está desempregado, precisava pagar uma indenização de R$ 2,2 mil em vista da condenação por “difamação”. Ele foi considerado culpado por ter publicado um texto com críticas a Carla Zambelli.

Luan Araújo escreveu, na ocasião, que Zambelli integrava uma “seita de doentes de extrema direita que a segue incondicionalmente e segue cometendo atrocidades”.

Em nota, a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-SP) do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Comissão Nacional de Jornalistas pela Igualdade Racial da Federação Nacional dos Jornalistas (Conajira/Fenaj) criticaram a punição ao jornalista.

“[As entidades] vêm a público repudiar a decisão da Justiça paulista que determinou a prisão, em regime aberto, do jornalista Luan Araújo em razão do não pagamento de R$ 2.216,30 decorrentes de uma condenação por difamação em ação movida pela ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP)”, diz a nota.

“Estou triste com toda essa repercussão, mas também feliz por ver o acolhimento das pessoas.” Segundo a comissão, ele tem pedido apoio diante do cenário que tem enfrentado. “Estou sem emprego e tentando buscar uma oportunidade de trabalho”, afirmou.

Depois da condenação, Luan Araújo publicou nota nas redes sociais em que considera “injusta” a condenação. “Problemas psicológicos, desemprego, falta de oportunidades, uma condenação na justiça por um texto que escrevi, onde a justiça quer que eu pague um dinheiro que eu não tenho para pagar uma condenação que eu considero injusta”, disse.

Ainda nas redes, Araújo lamentou que a ex-deputada federal teve o pedido de extradição rejeitado pela Justiça da Itália. “Apesar da condenação dela no STF, ela não precisará cumprir lá na Europa, solta. Enquanto isso, tô tendo que fazer uma vaquinha para conseguir entrar com um processo por danos morais contra ela.” Ele se considerou “desesperançoso”. “Não vou deixar de lutar, mas tenho muito menos armas que ela.”

No dia 29 de outubro de 2022, antes do segundo turno da eleição presidencial de 2022, Zambelli e Araújo tiveram um bate-boca e a então deputada sacou um revólver. Imagens divulgadas à época mostram Zambelli perseguindo o jornalista pelas ruas de São Paulo e dentro de uma lanchonete.

Em agosto do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Zambelli a cinco anos e três meses de prisão em razão do episódio. Ela foi considerada culpada pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma de fogo. O Brasil pediu a extradição de Zambelli, que chegou a ser concedida pelas primeiras instâncias da Justiça italiana, mas acabou sendo cassada em maio pela Corte de Apelação de Roma.

Fonte: Agência Brasil

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Presidente do STF determina revisão de penduricalhos que elevam salários de juízes https://www.ocafezinho.com/2026/06/06/fachin-determina-revisao-completa-de-penduricalhos-que-elevam-salarios-de-juizes-acima-do-teto/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/06/fachin-determina-revisao-completa-de-penduricalhos-que-elevam-salarios-de-juizes-acima-do-teto/#respond Sat, 06 Jun 2026 19:11:19 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/06/fachin-determina-revisao-completa-de-penduricalhos-que-elevam-salarios-de-juizes-acima-do-teto/ O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, determinou a criação de um grupo de trabalho para revisar integralmente os chamados penduricalhos pagos a juízes em todo o país. A medida, formalizada na noite de sexta-feira, representa o passo mais concreto já dado pelo Judiciário para enfrentar o pagamento de verbas indenizatórias sem previsão legal.

O termo penduricalho designa o conjunto de verbas indenizatórias que os tribunais criaram sob justificativas variadas, mas que não possuem amparo expresso na legislação. Esses pagos permitem que magistrados recebam valores muito acima do teto constitucional do funcionalismo público.

De acordo com o plano de trabalho assinado por Fachin, o grupo terá 180 dias para elaborar um relatório detalhado sobre a situação atual dos penduricalhos e apresentar uma minuta de projeto de lei para regulamentar o pagamento dessas verbas. A iniciativa surge após sucessivas tentativas do CNJ de mapear a diversidade de nomenclaturas utilizadas pelos tribunais.

No fim de maio, o CNJ aprovou a criação de um contracheque único para os magistrados, proibindo que os tribunais abram folhas de pagamento extras para o pagamento de verbas adicionais. A nova norma também obriga a unificação da nomenclatura das verbas indenizatórias legais, uma vez que o conselho não conseguiu sequer identificar quantos nomes diferentes eram usados em todo o país.

A discussão sobre os supersalários ganhou força em março, quando o próprio STF referendou uma liminar do ministro Flávio Dino e suspendeu de imediato o pagamento de diversas verbas sem previsão legal. A medida, considerada histórica por especialistas, abriu caminho para que o CNJ avançasse na regulamentação do tema.

O grupo de trabalho criado por Fachin vai além da simples fiscalização. Sua missão inclui a realização de estudos sobre propostas legislativas que tratam da remuneração da magistratura e seus reflexos no aperfeiçoamento do sistema remuneratório do serviço público como um todo.

A decisão de revisar os penduricalhos representa um avanço significativo na direção da transparência e da moralidade administrativa. O pagamento indiscriminado de verbas extraordinárias há anos alimenta críticas à corporação judicial e distorce a própria lógica do teto remuneratório estabelecido pela Constituição.

Segundo reportagem do portal Carta Capital, a iniciativa de Fachin ocorre em um momento de crescente pressão da sociedade por maior controle sobre os gastos do Judiciário. A multiplicidade de penduricalhos tornou-se um símbolo da falta de uniformidade e de limites claros na remuneração de agentes públicos.

A expectativa é que o relatório do grupo de trabalho sirva de base para que o Congresso Nacional aprove uma legislação definitiva sobre o tema, pondo fim a décadas de improvisação normativa. A medida consolida o compromisso da atual gestão do STF e do CNJ com a transparência e o respeito ao dinheiro público.

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Nunes Marques libera prisão de ex-deputados do Amapá condenados por desvios https://www.ocafezinho.com/2026/06/06/nunes-marques-libera-prisao-de-ex-deputados-do-amapa-condenados-por-desvios/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/06/nunes-marques-libera-prisao-de-ex-deputados-do-amapa-condenados-por-desvios/#comments Sat, 06 Jun 2026 15:51:13 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/06/nunes-marques-libera-prisao-de-ex-deputados-do-amapa-condenados-por-desvios/ 5 Comentários 🔥]]> O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, derrubou suas próprias decisões anteriores que impediam a execução das penas de três ex-deputados estaduais do Amapá. A decisão abre caminho para o cumprimento imediato das prisões. Os parlamentares haviam sido condenados no âmbito da Operação Eclésia, que investigou um esquema de corrupção e desvio de mais de R$ 44 milhões na Assembleia Legislativa do estado.

As informações foram divulgadas pelo Metrópoles. Os três ex-parlamentares são Moisés Souza, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Amapá, Edinho Duarte e Eider Pena. Todos foram alcançados pela força-tarefa deflagrada pelo Ministério Público do Amapá, que revelou o uso de notas frias, contratos simulados sem licitação e empresas fantasmas para drenar recursos públicos.

A suspensão das execuções penais havia sido determinada pelo próprio ministro em função de um questionamento sobre suposta violação de foro privilegiado em uma ação cível paralela. As defesas dos condenados alegavam que as condenações criminais deveriam ser anuladas porque o Tribunal de Justiça do Amapá reconheceu nulidades em uma ação de improbidade administrativa relacionada ao mesmo caso.

Nunes Marques, no entanto, rejeitou essa tese. Em sua nova decisão, o magistrado argumentou que a nulidade reconhecida na esfera cível não produz automaticamente efeitos sobre a esfera penal. O acórdão proferido no Incidente de Assunção de Competência que declarou a nulidade de processo cível, por sua natureza, não produz efeitos na esfera penal, fundamentou o ministro, destacando que irregularidades em inquéritos civis não invalidam, por si só, as ações penais posteriores.

Com a derrubada do impedimento, as execuções penais dos três ex-deputados serão retomadas de forma imediata. A decisão representa um passo importante no enfrentamento institucional à corrupção, reafirmando a independência das instâncias cível e penal e impedindo que manobras processuais em uma esfera sirvam de obstáculo artificial para a responsabilização criminal já consolidada.

A Operação Eclésia revelou um dos maiores esquemas de desvio de recursos públicos já identificados na Assembleia Legislativa do Amapá, com prejuízo superior a R$ 44 milhões aos cofres estaduais. A retomada das prisões recoloca o caso em seu devido trilho jurídico e sinaliza que o Supremo Tribunal Federal atua para garantir que decisões condenatórias por corrupção tenham efetividade concreta.

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Fachin nega suspeição de Kassio para decidir sobre CPI do Master https://www.ocafezinho.com/2026/06/06/fachin-nega-suspeicao-de-kassio-para-decidir-sobre-cpi-do-master/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/06/fachin-nega-suspeicao-de-kassio-para-decidir-sobre-cpi-do-master/#respond Sat, 06 Jun 2026 15:22:01 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/06/fachin-nega-suspeicao-de-kassio-para-decidir-sobre-cpi-do-master/ O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, negou pedido de quatro senadores para declarar a suspeição do ministro Kassio Nunes Marques para julgar um mandado de segurança que pede a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master. A decisão foi proferida na quarta-feira (3).

A ação foi protocolada em março deste ano e ainda não houve decisão do ministro, que é relator do caso.

Os senadores Eduardo Girão (Novo-CE), Alessandro Vieira (MDB-SE), Marcos Pontes (PL-SP) e Plínio Valério (PSDB-AM) alegaram que o ministro tem relação de amizade com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos investigados no caso Master, e possui “interesse direto” no caso.

Fachin negou o pedido de suspeição do relator e disse que a questão deveria ser levantada cinco dias após a escolha do relator.

“É incontroverso que os autos da MS nº 40.823 foram distribuídos por sorteio em 26 de março de 2026. Nada obstante, esta arguição de suspeição somente foi ajuizada nesta Suprema Corte em 12 de maio de 2026. Portanto, extrapolou em mais de um mês o término do prazo regimental para deduzir a pretensão, configurado em 31 de março de 2026”, explicou Fachin.

Os senadores alegam suposta omissão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que ainda não leu o requerimento de instalação da comissão. O documento foi protocolado no dia 26 de novembro de 2026.

De acordo com os parlamentares, o requerimento conta com 53 assinaturas, superando os 27 apoiamentos mínimos para criação da CPI, equivalente a um terço do total de 81 senadores.

Fonte: Agência Brasil

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Fachin rejeita suspeição de Kassio e mantém CPI do Banco Master sob relatoria do ministro https://www.ocafezinho.com/2026/06/06/fachin-rejeita-suspeicao-de-kassio-e-mantem-cpi-do-banco-master-sob-relatoria-do-ministro/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/06/fachin-rejeita-suspeicao-de-kassio-e-mantem-cpi-do-banco-master-sob-relatoria-do-ministro/#comments Sat, 06 Jun 2026 12:50:30 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/06/fachin-rejeita-suspeicao-de-kassio-e-mantem-cpi-do-banco-master-sob-relatoria-do-ministro/ 12 Comentários 🔥]]> O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, negou pedido de quatro senadores para declarar a suspeição do ministro Kassio Nunes Marques na relatoria do mandado de segurança que busca a criação da CPI do Banco Master. A decisão mantém o curso regular da ação que tramita na Suprema Corte desde março.

Os senadores Eduardo Girão (Novo-CE), Alessandro Vieira (MDB-SE), Marcos Pontes (PL-SP) e Plínio Valério (PSDB-AM) alegaram que o ministro teria relação de amizade com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos investigados no caso. Segundo a argumentação apresentada, existiria interesse direto do relator no desfecho do processo, o que comprometeria a imparcialidade do julgamento.

Fachin fundamentou a negativa no descumprimento do prazo regimental para apresentar a arguição de suspeição, que deve ser levantada em até cinco dias após a escolha do relator. O sorteio que definiu Kassio Nunes Marques como responsável pelo MS nº 40.823 ocorreu em 26 de março, e a petição dos senadores só foi protocolada em 12 de maio, superando em mais de um mês o limite que se encerrava em 31 de março.

A ação original foi apresentada ao STF para destravar a instalação da CPI, diante da omissão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que não teria lido o requerimento de criação da comissão. O documento foi protocolado em 26 de novembro de 2025 e, segundo os parlamentares, conta com 53 assinaturas, número que supera os 27 apoiamentos mínimos exigidos, equivalentes a um terço dos 81 senadores.

A CPI do Banco Master tem como objetivo investigar irregularidades relacionadas à instituição financeira e seus controladores. O senador Ciro Nogueira figura entre os alvos da investigação, o que motivou as suspeitas sobre a imparcialidade do relator, mas o argumento não foi acolhido pela Presidência do STF. A decisão de Fachin reafirma a estabilidade dos trâmites processuais e a observância das regras regimentais como garantia da segurança jurídica no Supremo.

O caso segue agora sob a relatoria de Kassio Nunes Marques, que ainda não proferiu decisão sobre o mérito do mandado de segurança. Conforme apurado pela Carta Capital, a expectativa gira em torno do desfecho do processo no STF e da eventual determinação para que o Senado instale a comissão parlamentar de inquérito. A pressão dos senadores signatários permanece voltada para o cumprimento do regimento interno do Congresso e para o direito das minorias parlamentares de investigar fatos determinados.

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Moraes cobra informações sobre extradição de búlgaro à Espanha https://www.ocafezinho.com/2026/06/05/moraes-cobra-informacoes-sobre-extradicao-de-bulgaro-a-espanha/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/05/moraes-cobra-informacoes-sobre-extradicao-de-bulgaro-a-espanha/#respond Sat, 06 Jun 2026 00:32:40 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/05/moraes-cobra-informacoes-sobre-extradicao-de-bulgaro-a-espanha/ O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes determinou que o governo federal informe, no prazo de 48 horas, sobre as negociações diplomáticas para a extradição do búlgaro Vasil Georgiev Vasilev à Espanha. A decisão é dirigida ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, que deverá detalhar as tratativas para o envio do estrangeiro.

Vasilev é acusado de tráfico de drogas na Espanha e teve a prisão decretada no Brasil em novembro de 2024. Ele foi preso em fevereiro de 2025 na unidade prisional Ricardo Brandão, em Ponta Porã, Mato Grosso do Sul. Segundo o UOL, o pedido de extradição foi formalizado pelo governo espanhol, e a Primeira Turma do STF decidiu, em março deste ano, pela entrega do búlgaro.

O processo, no entanto, sofreu uma reviravolta quando Moraes suspendeu a extradição. O ministro condicionou o envio à comprovação de reciprocidade pela Justiça espanhola, que havia negado um pedido brasileiro de extradição do jornalista Oswaldo Eustáquio Filho. A suspensão foi mantida até que o governo espanhol demonstrasse o cumprimento do requisito.

Agora, Moraes busca esclarecer em que estágio estão as conversas diplomáticas para superar o impasse. A nova determinação exige que o Ministério da Justiça responda sobre o andamento das negociações dentro do prazo estabelecido.

A prisão de Vasilev, inicialmente em regime domiciliar, foi revogada por Moraes, que determinou sua custódia em presídio. O magistrado argumentou que a medida era essencial para evitar fuga e viabilizar a análise da extradição.

A decisão está alinhada à jurisprudência do STF, que exige prisão preventiva como condição para o trâmite de processos extradicionais. Vasilev permanece detido enquanto as tratativas diplomáticas não são resolvidas.

Com o ultimato, o governo federal terá de demonstrar se houve avanços nas negociações com a Espanha. O caso reacende o debate sobre a reciprocidade em acordos internacionais de cooperação penal.

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Fachin rejeita pedido de suspeição contra Nunes Marques em ação sobre CPI do Banco Master https://www.ocafezinho.com/2026/06/05/fachin-rejeita-pedido-de-suspeicao-contra-nunes-marques-em-acao-sobre-cpi-do-banco-central/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/05/fachin-rejeita-pedido-de-suspeicao-contra-nunes-marques-em-acao-sobre-cpi-do-banco-central/#respond Fri, 05 Jun 2026 19:51:14 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/05/fachin-rejeita-pedido-de-suspeicao-contra-nunes-marques-em-acao-sobre-cpi-do-banco-central/ O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, rejeitou o pedido de suspeição apresentado por quatro senadores contra o ministro Kassio Nunes Marques para atuar no mandado de segurança que discute a instalação da CPI do Banco Master. A decisão foi fundamentada no descumprimento do prazo regimental de cinco dias para solicitar a troca de relator após a distribuição do processo.

Os senadores Eduardo Girão (Novo-CE), Alessandro Vieira (MDB-SE), Marcos Pontes (PL-SP) e Plínio Valério (PSDB-AM) protocolaram a arguição de suspeição em 12 de maio, sustentando que Nunes Marques demora a decidir em assunto urgente e mantém estreita relação histórica com o senador Ciro Nogueira (PP), alvo da operação Compliance Zero e apontado como interessado direto no tema da CPI. O mandado de segurança original, porém, foi distribuído por sorteio em 26 de março, e o prazo para impugnar a relatoria se encerrou em 31 de março de 2026.

Conforme destacou Fachin na decisão, o pedido extrapolou em mais de um mês o término do prazo fixado pelo regimento interno do STF, o que o tornou manifestamente intempestivo e inviável para apreciação do mérito das alegações. A presidência da Corte não analisou, portanto, o conteúdo das acusações de parcialidade ou a conveniência de manter Nunes Marques à frente do caso.

O regimento do Supremo estabelece que qualquer questionamento sobre a suspeição ou impedimento de um relator deve ser deduzido no prazo máximo de cinco dias contados da distribuição do feito, regra processual rigorosa que visa preservar a estabilidade e a celeridade da prestação jurisdicional. A alegação dos senadores de que Nunes Marques não deu andamento célere ao processo foi apresentada como motivo adicional, mas esbarrou na barreira temporal intransponível.

Segundo apurou o portal Metrópoles, os parlamentares haviam invocado a necessidade de preservação da aparência objetiva de imparcialidade da jurisdição constitucional, argumentando que a ligação pregressa entre o ministro e Ciro Nogueira poderia contaminar a análise do caso. O processo principal envolve discussão sensível sobre a instalação da CPI que mira operações do Banco Master.

A decisão monocrática de Fachin não examina o fundo da controvérsia política subjacente, mas sim a observância estrita do rito processual que rege a Corte máxima do país. Com isso, Nunes Marques permanece como relator natural do mandado de segurança, e o exame do pedido de celeridade sobre a CPI caberá a ele.

A rejeição do pedido reforça a prática consolidada no STF de aplicar com rigor os prazos regimentais para arguições de suspeição, independentemente da envergadura política dos requerentes ou da relevância pública da matéria em discussão. A Corte tem mantido posição firme contra tentativas de rediscutir a composição da relatoria após o prazo legal já transcorrido.

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Justiça de SP determina prisão de jornalista perseguido por Carla Zambelli https://www.ocafezinho.com/2026/06/05/justica-de-sp-determina-prisao-de-jornalista-perseguido-por-carla-zambelli/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/05/justica-de-sp-determina-prisao-de-jornalista-perseguido-por-carla-zambelli/#respond Fri, 05 Jun 2026 15:52:11 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/05/justica-de-sp-determina-prisao-de-jornalista-perseguido-por-carla-zambelli/ O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou a prisão do jornalista Luan Araújo por não pagar uma multa de R$ 2.216,30. O valor foi estipulado em condenação por difamação contra a ex-deputada Carla Zambelli. A decisão priva da liberdade um profissional que já havia sido vítima da parlamentar em episódio emblemático.

Em 2022, às vésperas do segundo turno das eleições, Zambelli perseguiu Araújo com uma arma em punho nas ruas de São Paulo. O crime resultou em condenação pelo Supremo Tribunal Federal a cinco anos e três meses de prisão para a ex-deputada. Agora, a situação se inverte: o jornalista sofre privação de liberdade enquanto Zambelli, após fugir para a Itália, teve sua extradição anulada pela Corte de Cassação italiana e permanece solta.

A condenação de Araújo baseou-se em declarações publicadas no portal Diário do Centro do Mundo. Ele afirmou que Zambelli é seguida por uma seita de extrema-direita e faz parte de um grupo mesquinho e maldoso que mercadeja a morte. A Justiça paulista entendeu que as palavras configuraram difamação, resultando na pena de multa que, não quitada, levou à conversão em prisão em regime aberto.

O advogado Renan Bohus, que defende o jornalista, classificou a decisão como um debate sobre os limites do poder punitivo do Estado. Nenhum cidadão deve ser preso por ser pobre. Nenhum jornalista deve correr o risco de perder sua liberdade por não possuir condições financeiras de cumprir uma obrigação pecuniária, declarou Bohus. Ele ressaltou que a defesa já ingressou com habeas corpus e pedido de anulação.

Nas redes sociais, Luan Araújo manifestou indignação com a sentença e afirmou que não tem recursos para pagar a quantia. Ele organizou uma vaquinha online para arcar com as custas processuais e ingressar com ação por danos morais contra Zambelli. Enquanto isso, a ex-deputada, condenada também a dez anos de prisão por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça, segue livre no exterior.

O caso expõe a assimetria do sistema penal brasileiro. Enquanto pune com rigor um jornalista por críticas a uma figura pública, não consegue fazer cumprir a pena de uma parlamentar condenada por crimes graves. A perseguição política e econômica contra profissionais da imprensa que confrontam o poder revela um sintoma preocupante para a democracia.

A defesa de Carla Zambelli não atendeu aos contatos da reportagem, conforme noticiou o portal UOL. A controvérsia reacende o debate sobre a criminalização da opinião e o uso do Judiciário como instrumento de vingança pessoal por parte de políticos de extrema-direita.

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Rejeição ao STF recua, mas 46% ainda avaliam tribunal como ruim ou péssimo https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/rejeicao-ao-stf-recua-mas-46-ainda-avaliam-tribunal-como-ruim-ou-pessimo/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/rejeicao-ao-stf-recua-mas-46-ainda-avaliam-tribunal-como-ruim-ou-pessimo/#respond Thu, 04 Jun 2026 14:40:47 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/rejeicao-ao-stf-recua-mas-46-ainda-avaliam-tribunal-como-ruim-ou-pessimo/ A rejeição ao Supremo Tribunal Federal (STF) entre os eleitores brasileiros registrou queda de seis pontos percentuais. No entanto, o índice ainda é elevado, com 46% considerando o desempenho dos ministros ruim ou péssimo. Os dados são da mais recente pesquisa PoderData, realizada entre os dias 30 de maio e 1º de junho.

O levantamento mostra que a avaliação positiva do STF permanece tímida – apenas 15% dos entrevistados classificam a atuação da Corte como boa ou ótima. Outros 27% consideram o trabalho regular, enquanto 12% não souberam ou preferiram não responder. A pesquisa ouviu 2.500 pessoas por meio de ligações telefônicas, abrangendo 166 municípios distribuídos pelas 27 unidades da Federação. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Conforme apontou a Carta Capital, o recuo na desaprovação é significativo quando comparado à rodada anterior, de março, quando o índice de ruim ou péssimo havia atingido 52% – o maior patamar desde 2021. A melhora ocorre em um momento de intensa polarização às vésperas das eleições de 2026.

Os números refletem um cenário de resistência institucional em meio a um contexto político delicado. A Suprema Corte brasileira, pilar da ordem democrática nacional, tem sido alvo constante de ataques de forças conservadoras e bolsonaristas que atuam no Congresso Nacional e nas redes sociais. A queda de seis pontos na rejeição sugere que a campanha sistemática de deslegitimação contra o tribunal encontra limites na percepção popular, embora o percentual de insatisfação ainda demande atenção.

O STF permanece como instituição central para a estabilidade do processo eleitoral e para a defesa do Estado Democrático de Direito no Brasil. Apesar da redução na rejeição, o tribunal continua enfrentando desafios significativos para reconquistar a confiança da população, especialmente em um período de tensão política pré-eleitoral.

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Fachin autoriza AGU a representar Moraes contra ofensiva da Trump Media em tribunal dos EUA https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/fachin-autoriza-agu-a-representar-moraes-contra-ofensiva-da-trump-media-em-tribunal-dos-eua/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/fachin-autoriza-agu-a-representar-moraes-contra-ofensiva-da-trump-media-em-tribunal-dos-eua/#respond Thu, 04 Jun 2026 13:41:56 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/fachin-autoriza-agu-a-representar-moraes-contra-ofensiva-da-trump-media-em-tribunal-dos-eua/ O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, autorizou a Advocacia-Geral da União a representar o ministro Alexandre de Moraes em ação judicial movida nos Estados Unidos pela plataforma Rumble e pelo grupo Trump Media. O processo tramita em um tribunal da Flórida e configura tentativa de interferência estrangeira sobre decisões soberanas da mais alta corte brasileira.

As duas empresas buscam barrar as ordens de restrição e bloqueio impostas por Moraes em investigações conduzidas no Brasil. A plataforma Rumble está fora do ar no país desde fevereiro, após descumprir reiteradamente determinações judiciais brasileiras.

Na ação americana, o ministro Alexandre de Moraes é acusado de promover censura contra cidadãos dos Estados Unidos e suas plataformas digitais. A ofensiva judicial foi articulada por empresas ligadas ao ex-presidente americano Donald Trump, que mantém histórico de hostilidade contra instituições brasileiras.

Ao autorizar a atuação da AGU, Fachin declarou que o que está em questão é a independência do Poder Judiciário brasileiro. O presidente do STF afirmou que estão em jogo a integridade do Estado de Direito no Brasil e, no limite, a própria soberania nacional.

A decisão de Fachin representa resposta institucional robusta contra o que o Judiciário brasileiro classifica como pressões externas indevidas. O ministro enfatizou que a questão transcende a figura individual de qualquer magistrado e atinge diretamente a capacidade do Brasil de fazer valer suas leis em seu próprio território.

Fachin também se reuniu com a relatora especial das Nações Unidas para a Independência de Magistrados e Advogados, Margaret Satterthwaite. Segundo reportagem do portal Metrópoles, o encontro ocorreu na terça-feira, 2 de junho, na sede do STF em Brasília.

Na conversa com Satterthwaite, Fachin manifestou preocupação com o cenário enfrentado por democracias constitucionais em diferentes partes do mundo. O presidente do STF ressaltou que atualmente se verificam pressões externas sobre o Judiciário por meio de sanções unilaterais que visam afetar a independência judicial.

A ação movida pelo grupo Trump Media nos Estados Unidos se insere em contexto mais amplo de disputa entre plataformas digitais estrangeiras e a legislação brasileira. Grandes empresas de tecnologia têm resistido sistematicamente a cumprir ordens judiciais brasileiras, tratando a soberania digital do país como obstáculo a seus modelos de negócio.

A autorização para que a AGU atue na defesa de Moraes em solo americano representa movimento diplomático e jurídico inédito. A Advocacia-Geral da União, chefiada pelo advogado-geral Jorge Messias, passa a ter a responsabilidade de defender não apenas um ministro, mas a própria jurisdição brasileira perante cortes estrangeiras.

O desfecho da disputa judicial na Flórida terá implicações profundas para a capacidade de países soberanos regularem plataformas digitais que operam em seus territórios. A iniciativa de Fachin sinaliza que o Brasil não aceitará passivamente que cortes estrangeiras revisem decisões de seu Supremo Tribunal Federal sob alegação de defesa da liberdade de expressão.

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Defesa de Vorcaro antecipa entrega de delação que atinge cúpula do Centrão https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/defesa-de-vorcaro-antecipa-entrega-de-delacao-que-atinge-cupula-do-centrao/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/defesa-de-vorcaro-antecipa-entrega-de-delacao-que-atinge-cupula-do-centrao/#comments Thu, 04 Jun 2026 11:41:35 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/04/defesa-de-vorcaro-antecipa-entrega-de-delacao-que-atinge-cupula-do-centrao/ 12 Comentários 🔥]]> A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro entregou à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República a nova proposta de delação premiada antes do fim do prazo estipulado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça. O material foi apresentado em reunião realizada na segunda-feira, 1º de junho, mais de dez dias antes do limite de 12 de junho.

A informação foi inicialmente revelada pela TV Globo e confirmada pela coluna de Igor Gadelha no portal Metrópoles. Mendonça, relator do Caso Master, havia autorizado os despachos diários entre advogados e Vorcaro na superintendência da PF em Brasília das 9h às 17h justamente para viabilizar a organização do documento.

A entrega antecipada demonstra que a defesa concluiu os trabalhos com agilidade, sem necessidade de usar todo o período concedido. A autorização do ministro do STF foi dada na semana anterior e vale até o próximo dia 12 de junho.

De acordo com fontes que tiveram acesso ao conteúdo, a nova proposta está reformulada, ampliada e aprofundada em relação à primeira versão, rejeitada anteriormente pela Polícia Federal. O documento apresenta novas versões sobre lideranças de siglas do Centrão, entre elas o PP do senador Ciro Nogueira, o União Brasil de Davi Alcolumbre e o PSD de Gilberto Kassab.

A expectativa dos advogados agora é de que a PF e a PGR analisem o material e ofereçam uma resposta antes de 12 de junho. Com esse cronograma, haveria tempo hábil para discutir eventuais ajustes ou acréscimos na proposta de colaboração premiada.

Desde o último dia 22 de maio, a defesa de Vorcaro passou a ser comandada pelo advogado mineiro Sérgio Leonardo, que assumiu a estratégia após a saída de José Luís Oliveira Lima, conhecido como Juca no meio jurídico. A troca no comando da defesa coincidiu com o processo de reformulação da proposta de delação.

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