tarifaço - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/tarifaco/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Mon, 06 Jul 2026 12:01:52 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png tarifaço - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/tarifaco/ 32 32 Viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA revela contradição ao tratar de tarifaço contra o Brasil https://www.ocafezinho.com/2026/07/06/viagem-de-flavio-bolsonaro-aos-eua-revela-contradicao-ao-tratar-de-tarifaco-contra-o-brasi/ https://www.ocafezinho.com/2026/07/06/viagem-de-flavio-bolsonaro-aos-eua-revela-contradicao-ao-tratar-de-tarifaco-contra-o-brasi/#respond Mon, 06 Jul 2026 12:01:52 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=261340 O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) embarcou para Washington para participar de uma audiência do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre um possível tarifaço contra produtos brasileiros. O movimento, que desloca a pré-campanha do terreno doméstico para o front comercial externo, expõe uma contradição incômoda: em vez de defender os interesses do país, o senador parece disposto a prestigiar uma pauta cara a aliados em Washington. Não há nada de patriótico em colocar holofotes estrangeiros acima da indústria e do emprego brasileiros.

De acordo com o roteiro divulgado, o parlamentar chegou à capital americana no sábado e será um dos expositores no segundo e último dia de debates sobre a possível imposição de uma tarifa adicional de 25% a bens do Brasil. Trata-se de uma audiência pública organizada pelo USTR, órgão responsável pela investigação comercial aberta contra o país. A mera presença de um senador brasileiro nesse palco, sem mandato institucional claro, já é um recado: a plateia principal não está em Brasília, mas em Washington.

O impacto potencial de uma sobretaxa dessa magnitude não é detalhe técnico. Levantamentos oficiais de comércio exterior mostram que os Estados Unidos foram, em 2023, o segundo maior destino das exportações brasileiras, compondo parcela relevante da pauta nacional. Um tarifaço de 25% contra produtos do Brasil atingiria setores-chave e cadeias produtivas integradas, com efeito dominó sobre faturamento, renda e postos de trabalho no país. A aritmética é simples: barreira lá fora, prejuízo aqui dentro.

O dano não pararia no fluxo comercial. Estatísticas do Banco Central do Brasil apontam os Estados Unidos como uma das principais origens do investimento direto no país, capital decisivo para expansão de capacidade, inovação e contratações. Ao alimentar um ambiente de hostilidade tarifária, a mensagem enviada a investidores é a pior possível: instabilidade política convertida em risco econômico. Se a conta vier, não serão os aliados de Washington a pagá-la, mas o trabalhador brasileiro.

Há ainda o ponto institucional, que não é menor. A Constituição Federal, no artigo 84, estabelece que a condução da política externa é prerrogativa do Presidente da República, com a execução diplomática a cargo do Ministério das Relações Exteriores. Não há registro público de que o Itamaraty tenha delegado a Flávio um mandato oficial para negociar ou falar em nome do Brasil numa audiência desse porte. Quando um senador atua fora desse marco, o que se vê é improviso de paradiplomacia pessoal, não defesa da soberania.

O USTR vende suas iniciativas como defesa de equilíbrio concorrencial, mas a prática é bem menos romântica: sanções comerciais seletivas têm sido usadas para pressionar países do Sul Global a alinhar agendas à conveniência de Washington. Ao se apresentar como expositor numa audiência que discute sobretaxar o Brasil, Flávio escolhe a cena em que o país é colocado no banco dos réus. Em vez de construir pontes comerciais, legitima o tribunal que mira nossa pauta exportadora.

Do ponto de vista econômico, o momento exige o oposto: previsibilidade regulatória, abertura de mercados e defesa ativa do parque produtivo nacional. Dados recentes do comércio exterior e do fluxo de investimentos mostram que relações equilibradas com os EUA interessam ao Brasil quando pautadas por respeito e simetria. Sobretaxas punitivas só ampliam a desigualdade entre países e elevam o custo de quem produz aqui, corroendo margens e desestimulando novos projetos.

Do ponto de vista político, a escolha é didática. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem reiterado a importância de uma inserção internacional soberana, com diversificação de parceiros e reforço de cadeias regionais. O Itamaraty trabalha nesse eixo, com diálogo técnico e defesa firme do interesse nacional. Ao preferir a vitrine de uma audiência organizada pelo governo dos EUA, Flávio caminha na direção contrária, alimentando a narrativa de que o Brasil deve aceitar pressões unilaterais em vez de negociar de igual para igual.

No fim, a questão é menos de agenda eleitoral e mais de prioridade de país. Um senador pode usar um voo internacional para duas coisas: defender quem produz no Brasil ou posar para aliados que veem vantagem em encarecer o que exportamos. A audiência do USTR servirá como prova dos nove. O Brasil precisa de soberania comercial, não de aval político a tarifaços ditados em Washington.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/07/06/viagem-de-flavio-bolsonaro-aos-eua-revela-contradicao-ao-tratar-de-tarifaco-contra-o-brasi/feed/ 0
Donald Trump ameaça tarifa de 100% contra países europeus que taxarem as big techs americanas https://www.ocafezinho.com/2026/06/26/donald-trump-ameaca-tarifa-de-100-contra-paises-europeus-que-taxarem-as-big-techs-americanas/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/26/donald-trump-ameaca-tarifa-de-100-contra-paises-europeus-que-taxarem-as-big-techs-americanas/#respond Fri, 26 Jun 2026 21:51:33 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=260846 O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira uma ameaça contundente de aplicar tarifas de 100% sobre todas as importações oriundas de nações europeias que tributarem gigantes de tecnologia norte-americanas. A medida representa um endurecimento drástico da política comercial externa de Donald Trump e visa constranger os governos do velho continente a recuarem em suas propostas de taxação digital.

De acordo com a Casa Branca, os tributos sobre serviços digitais impostos de forma unilateral por nações como França e Itália configuram uma prática discriminatória e injusta contra as corporações de tecnologia americanas. Entre os principais alvos protegidos pela retaliação presidencial estão potências corporativas como Google, Meta, Apple e Amazon, que hoje concentram a maior fatia do mercado digital da Europa.

A ameaça tarifária do presidente americano surge como um obstáculo imprevisto em meio às negociações de um amplo acordo comercial que vinha sendo desenhado entre Washington e a União Europeia. Embora o pacto preliminar previsse um limite de até 15% para a taxação sobre exportações industriais do bloco europeu, a disputa fiscal em torno da economia digital foi explicitamente deixada de fora do acordo principal.

Representantes da Comissão Europeia, encabeçados pela liderança de Bruxelas, reagiram prontamente à manifestação norte-americana e prometeram uma resposta célere e coordenada para assegurar a autonomia regulatória do bloco. Diplomatas europeus afirmam que a União Europeia não capitulará diante da pressão de Washington e que o bloco possui mecanismos legais para responder à altura caso a sobretaxa seja implementada.

Especialistas em comércio internacional apontam que o anúncio de Donald Trump acirra ainda mais o clima de guerra comercial global e ameaça desestruturar cadeias de suprimentos já fragilizadas no pós-pandemia. A possibilidade de uma sobretaxa de 100% sobre mercadorias físicas tradicionais, como vinhos franceses e automóveis alemães, pode desencadear uma espiral inflacionária prejudicial a consumidores em ambos os lados do Atlântico.

A escalada protecionista reforça a necessidade de os países do Sul Global e da Europa fortalecerem o multilateralismo como escudo contra decisões alfandegárias unilaterais e agressivas. Somente por meio de uma governança tributária global negociada em instâncias multilaterais neutras será possível assegurar a soberania fiscal das nações e evitar uma fragmentação destrutiva da economia de mercado.


Donald Trump ameaça tarifa de 100% a países europeus se mantiverem taxas sobre big techs

Da redação de O Cafezinho, com informações das agências de notícias

WASHINGTON – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (26) que irá impor uma tarifa aduaneira de 100% sobre todos os bens importados de países europeus que insistirem em aplicar impostos sobre serviços digitais (DSTs) que afetam grandes empresas americanas de tecnologia.

A retaliação americana miraria países como França, Itália e Espanha, que criaram legislações específicas para tributar o faturamento local de gigantes digitais como Google, Apple, Meta, Amazon e Microsoft. Segundo a nova administração da Casa Branca, tais impostos possuem viés nitidamente discriminatório e visam extrair recursos de corporações americanas de forma injusta.

Se implementada, a medida incidiria sobre todo e qualquer produto de exportação física dessas nações destinados aos Estados Unidos, elevando o custo de produtos emblemáticos europeus, como calçados italianos, autopeças alemãs e vinhos franceses. A ameaça causou forte apreensão nos mercados financeiros globais, sob o risco de deflagrar uma nova rodada de guerra tarifária de proporções inéditas.

A Comissão Europeia, por sua vez, declarou em nota oficial que responderá com firmeza a qualquer sobretaxa unilateral imposta por Washington. “A União Europeia agirá de forma rápida e decisiva para salvaguardar seus interesses comerciais legítimos e assegurar sua autonomia regulatória no ecossistema digital”, afirmou um porta-voz do bloco.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/06/26/donald-trump-ameaca-tarifa-de-100-contra-paises-europeus-que-taxarem-as-big-techs-americanas/feed/ 0
Lula enfrenta tarifaço de Trump e projetos travados após desembarque em Brasília https://www.ocafezinho.com/2026/06/18/lula-enfrenta-tarifaco-de-trump-e-projetos-travados-apos-desembarque-em-brasilia/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/18/lula-enfrenta-tarifaco-de-trump-e-projetos-travados-apos-desembarque-em-brasilia/#respond Thu, 18 Jun 2026 23:24:40 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/18/lula-enfrenta-tarifaco-de-trump-e-projetos-travados-apos-desembarque-em-brasilia/ O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou em Brasília na madrugada desta quinta-feira com uma lista de pendências urgentes a resolver, cercado pela pressão do novo tarifaço em negociação pelo governo dos Estados Unidos e por um impasse crescente com o Congresso Nacional. Após três dias de agenda na cúpula de líderes do G7 na Europa, o petista enfrenta um cenário doméstico que combina ameaças externas ao comércio brasileiro e a estagnação de pautas prioritárias para o governo.

Segundo apuração do portal Metrópoles, a tensão comercial com Washington ocupa o centro das preocupações do Planalto. O governo norte-americano tem menos de um mês para decidir se impõe sanções econômicas ao Brasil baseadas em investigações do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que apontam supostas práticas comerciais desleais. Caso confirmadas, as tarifas podem chegar a 37,5%, com uma alíquota adicional de 25% aplicada especificamente contra produtos brasileiros.

Técnicos dos dois países devem se reunir ainda nesta semana, dando continuidade às tratativas iniciadas no mês passado com a criação de um grupo de trabalho bilateral. A avaliação do governo brasileiro é de que a sobretaxa de 25% é negociável mediante concessões, enquanto a tarifa de 12,5% — justificada sob a alegação de que o Brasil não impede a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado — tende a ser mais difícil de reverter. Essa última medida atinge outros 59 países e é vista como uma forma de compensar uma tarifa anterior de 10% que foi suspensa pela Suprema Corte americana.

O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a fazer declarações confusas sobre o Brasil nesta quarta-feira, afirmando que o país está se tornando “um pouco duro e perigoso politicamente”. Ele demonstrou notório despreparo ao comentar a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, confundindo-o com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e alegando, falsamente, que se tratava de alguém que estava “concorrendo para cargo público” e “indo bem nas pesquisas”.

Durante a cúpula do G7, Lula trocou cumprimentos com Trump, mas não discutiu a ameaça tarifária. O presidente brasileiro participou de três sessões de debates com membros do grupo e países convidados, abordando temas como reconstrução da solidariedade internacional, crescimento econômico sustentável e implantação segura da inteligência artificial. O Brasil endossou três das oito declarações negociadas ao final do encontro, focadas em segurança digital para menores, cooperação contra o câncer e combate ao narcotráfico.

Na agenda bilateral, Lula manteve reuniões com os presidentes da França, Emmanuel Macron, do Egito, Abdel Fattah El-Sisi, da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, da Suíça, Guy Parmelin, além de encontros com a liderança da Comissão Europeia e do Conselho Europeu. A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, também esteve entre as interlocuções do petista na viagem.

De volta ao Brasil, o presidente encontra um tabuleiro político travado no Senado. A proposta de emenda à Constituição que põe fim à escala de trabalho 6×1, aprovada na Câmara em maio, segue sem despacho do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), para iniciar sua tramitação. A relação entre Lula e Alcolumbre se deteriorou desde que o senador articulou a rejeição da indicação de Jorge Messias, ministro da Advocacia-Geral da União, a uma vaga no Supremo Tribunal Federal.

Outra PEC prioritária mantida em compasso de espera é a da Segurança Pública, que constitucionaliza o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) e está parada desde março. O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) sinalizou nesta quarta-feira que pode assumir a relatoria da matéria a pedido de Alcolumbre. Ex-presidente do Senado e aliado de primeira hora do amapaense, Pacheco ocupa posição estratégica em meio à indefinição sobre a disputa pelo governo de Minas Gerais — cargo para o qual já foi o preferido do próprio Lula.

O governo corre contra o tempo para aprovar as duas PECs antes que o Congresso paralise as atividades por causa das eleições, já que ambas são apostas de Lula para a campanha de reeleição. Completam a lista de prioridades legislativas a atualização do teto do Microempreendedor Individual, a regulamentação da inteligência artificial e a criminalização da misoginia, projeto de lei que aguarda movimentação nas comissões da Câmara.

Nesta quinta-feira, o Congresso fará sessão conjunta para analisar 90 vetos presidenciais, em meio a um ambiente de mal-estar entre Executivo e Legislativo que resiste às tentativas de reaproximação por interlocutores. Na sexta-feira, Lula viaja a Divinópolis, no centro-oeste de Minas Gerais, onde participa da entrega do Hospital Regional administrado pela Universidade Federal de São João del-Rei e intensifica conversas com lideranças locais para unificar apoios em torno de uma candidatura competitiva ao governo do segundo maior colégio eleitoral do país.

Com informações de Metrópoles.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/06/18/lula-enfrenta-tarifaco-de-trump-e-projetos-travados-apos-desembarque-em-brasilia/feed/ 0
STF é provocado a incluir Flávio Bolsonaro em inquérito sobre tarifaço americano https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/stf-e-provocado-a-incluir-flavio-bolsonaro-em-inquerito-sobre-tarifaco-americano/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/stf-e-provocado-a-incluir-flavio-bolsonaro-em-inquerito-sobre-tarifaco-americano/#respond Wed, 03 Jun 2026 22:51:24 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/stf-e-provocado-a-incluir-flavio-bolsonaro-em-inquerito-sobre-tarifaco-americano/ O deputado federal Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) protocolou nesta terça-feira (2) uma petição no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a inclusão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no inquérito que investiga possíveis articulações para pressionar economicamente o Brasil. O documento foi endereçado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso que apura movimentações suspeitas envolvendo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro nos Estados Unidos.

A petição sustenta que Flávio Bolsonaro, na condição de pré-candidato à Presidência da República e filho mais velho do ex-presidente, pode ter participado de tratativas destinadas a influenciar a política comercial norte-americana contra o Brasil. O parlamentar do PSOL aponta que as evidências já colhidas no inquérito original indicam uma possível coordenação entre agentes políticos brasileiros e setores do governo de Donald Trump para impor tarifas prejudiciais ao país.

Segundo apurou a Revista Fórum, a peça protocolada no STF detalha encontros, mensagens e deslocamentos de interlocutores próximos ao clã Bolsonaro em território americano. Esses movimentos teriam ocorrido em paralelo às negociações comerciais oficiais entre Brasil e Estados Unidos, levantando suspeitas de uma atuação paralela para sabotar a posição brasileira.

O senador Flávio Bolsonaro não se manifestou publicamente sobre o pedido até o fechamento desta reportagem. Sua assessoria jurídica tem reiterado, em ocasiões anteriores, que o parlamentar não mantém qualquer relação com as discussões tarifárias entre os dois países.

O inquérito original, aberto por determinação de Alexandre de Moraes, já reúne elementos sobre a atuação de operadores políticos e empresariais que teriam atuado como pontes entre o bolsonarismo e o governo Trump. A investigação ganhou novo fôlego após a imposição unilateral de sobretaxas americanas sobre produtos brasileiros, medida que causou impactos diretos em setores como siderurgia e agricultura.

Pastor Henrique Vieira argumenta na petição que a omissão do Congresso Nacional em investigar o caso exigiu a intervenção do Supremo. O deputado do PSOL destaca que Flávio Bolsonaro, como senador e presidenciável, deveria estar na linha de frente da defesa dos interesses nacionais, e não sob suspeita de articulação lesiva ao país.

A iniciativa do parlamentar fluminense expõe as contradições do discurso patriótico adotado pelo bolsonarismo nos últimos anos. Enquanto a base bolsonarista se apresenta como defensora da soberania nacional, os fatos sob investigação sugerem justamente o oposto: uma disposição para sacrificar interesses brasileiros em troca de vantagens políticas domésticas.

A ligação entre o clã Bolsonaro e setores da administração Trump não é novidade no cenário político. Desde o período em que Jair Bolsonaro ocupava a Presidência, a família cultivou relações estreitas com figuras-chave do Partido Republicano, incluindo Steve Bannon e outros estrategistas da direita radical americana.

O que torna o caso do tarifaço especialmente grave, segundo a representação, é que as tarifas impostas pelos EUA têm potencial para desorganizar cadeias produtivas inteiras no Brasil. Setores como o de aço, alumínio e etanol foram diretamente afetados, gerando perdas bilionárias e ameaçando postos de trabalho em regiões industriais e agrícolas estratégicas.

A petição protocolada no STF também solicita que Flávio Bolsonaro seja intimado a apresentar seus registros de viagens internacionais e contatos mantidos com autoridades estrangeiras nos últimos 12 meses. O objetivo é verificar se houve encontros não declarados com representantes do governo americano ou operadores do Partido Republicano.

O ministro Alexandre de Moraes ainda não despachou sobre o pedido, mas fontes do tribunal indicam que a fundamentação da petição é considerada sólida. O relator tem mantido uma postura firme em relação às investigações que envolvem o núcleo bolsonarista, acumulando decisões que desagradaram profundamente a base do ex-presidente.

A ofensiva judicial contra o senador ocorre em um momento de intensa movimentação política para as eleições de 2026. Flávio Bolsonaro tem sido apresentado por aliados como o nome capaz de unificar a direita em torno de uma candidatura competitiva, caso Jair Bolsonaro permaneça inelegível.

A conexão entre o pedido de investigação e o calendário eleitoral é explícita. A inclusão do senador no inquérito do tarifaço pode gerar um desgaste severo de imagem, justamente quando ele tenta se descolar da sombra do pai e construir uma persona de estadista preparado para governar.

O PSOL, partido de Pastor Henrique Vieira, tem apostado em uma estratégia de judicialização contra figuras do bolsonarismo, combinando ações no STF com denúncias à Procuradoria-Geral da República. A legenda avalia que a via judicial é um instrumento legítimo para responsabilizar quem atentou contra as instituições democráticas e a soberania nacional.

Parlamentares governistas ouvidos reservadamente pela reportagem consideram que o pedido tem mérito jurídico e político. Um senador da base aliada, que preferiu não se identificar, afirmou que a suspeita de colaboração com interesses estrangeiros para prejudicar o Brasil é gravíssima e merece apuração rigorosa.

O histórico de Flávio Bolsonaro com investigações não é favorável. O senador foi alvo do caso das rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, investigação que só foi suspensa por decisão judicial questionada por juristas de todo o país.

Agora, a sombra do tarifaço projeta sobre o pré-candidato uma nova mancha de suspeição. A diferença é que, desta vez, o dano potencial extrapola as fronteiras do Rio de Janeiro e atinge diretamente a economia nacional, colocando em xeque a lealdade do senador aos interesses do país que pretende governar.

O Banco Master, instituição financeira que tem entre seus principais acionistas figuras ligadas ao bolsonarismo, também aparece na órbita das investigações sobre as articulações internacionais da família. Embora a petição de Pastor Henrique Vieira não mencione diretamente a instituição, o banco já foi citado em outros procedimentos que apuram a relação entre o clã e operadores financeiros nos EUA.

A triangulação entre interesses políticos, financeiros e diplomáticos é marca registrada da atuação do bolsonarismo em seus momentos de maior ousadia. O que está em jogo agora é saber até que ponto essa rede de contatos foi mobilizada para criar artificialmente um ambiente de pressão econômica que beneficiasse a oposição ao governo Lula.

A tese sustentada pelo PSOL é a de que a imposição de tarifas americanas, combinada com a retórica de desestabilização do bolsonarismo, formava uma estratégia coordenada para enfraquecer o Brasil diante das negociações comerciais e diplomáticas. Se comprovada, essa articulação configuraria crime contra a soberania nacional.

Em Brasília, a movimentação do PSOL foi recebida com desconforto pela bancada do PL, que tenta blindar Flávio Bolsonaro das múltiplas frentes de investigação que cercam a família. Dirigentes do partido avaliam que o acúmulo de problemas judiciais pode inviabilizar a candidatura presidencial antes mesmo de decolar.

A estratégia de defesa do senador deve se concentrar em negar qualquer envolvimento direto nas articulações e em questionar a competência do STF para investigar um parlamentar com prerrogativa de foro por supostos atos praticados fora do exercício do mandato. Essa linha, contudo, já foi rejeitada pelo tribunal em situações análogas.

O impacto eleitoral de uma inclusão formal no inquérito seria significativo para Flávio Bolsonaro, que busca se apresentar como alternativa moderada em comparação ao pai. Pesquisas internas do PL, citadas por dirigentes partidários, mostram que a rejeição ao sobrenome Bolsonaro ainda é o principal obstáculo para qualquer candidatura da família em 2026.

A investigação do tarifaço também pode respingar em Eduardo Bolsonaro, deputado federal que mantém intensa agenda de contatos com a direita americana e é apontado como um dos articuladores da ponte entre o clã e setores do Partido Republicano. A eventual ampliação do inquérito para alcançar outros membros da família não está descartada.

O governo Lula, por sua vez, evita comentar diretamente o caso, mantendo a posição institucional de não interferir nos trabalhos do Judiciário. Auxiliares do presidente, no entanto, avaliam que o aprofundamento das investigações sobre o tarifaço pode fortalecer a narrativa de que a oposição age deliberadamente contra os interesses nacionais.

A oposição bolsonarista reagiu classificando a petição como perseguição política e tentativa de criminalizar a divergência. A narrativa de vitimização, que funcionou em outros momentos, encontra agora um ambiente menos receptivo, diante da gravidade objetiva dos prejuízos econômicos causados pelas tarifas americanas.

O setor produtivo brasileiro, que amargou perdas expressivas com o tarifaço, deve acompanhar de perto o desenrolar do pedido. Entidades como a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) já manifestaram preocupação com a possibilidade de que interesses político-partidários tenham agravado as condições comerciais do Brasil.

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, esperada para os próximos dias, definirá o alcance real da investigação e seu peso sobre a pré-campanha do senador. Com informações da Revista Fórum, a petição representa um dos movimentos mais ousados da oposição de esquerda contra o núcleo duro do bolsonarismo em plena janela eleitoral de 2026.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/stf-e-provocado-a-incluir-flavio-bolsonaro-em-inquerito-sobre-tarifaco-americano/feed/ 0
Paulo Gala alerta: São Paulo será o estado mais prejudicado pelo tarifaço dos EUA https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/paulo-gala-alerta-sao-paulo-sera-o-estado-mais-prejudicado-pelo-tarifaco-dos-eua/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/paulo-gala-alerta-sao-paulo-sera-o-estado-mais-prejudicado-pelo-tarifaco-dos-eua/#respond Wed, 03 Jun 2026 17:41:31 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/paulo-gala-alerta-sao-paulo-sera-o-estado-mais-prejudicado-pelo-tarifaco-dos-eua/ O economista Paulo Gala, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), alertou que São Paulo será o estado mais prejudicado com a nova rodada de tarifas anunciada pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Em entrevista à Carta Capital, Gala explicou que as exportações brasileiras para os EUA são concentradas em bens manufaturados, como autopeças, ao contrário das vendas para a China, baseadas em commodities.

Esse perfil faz com que as sobretaxas do governo dos Estados Unidos reforcem a primarização da balança comercial brasileira. O impacto recai especialmente sobre o parque industrial paulista, responsável pela maior parte das exportações de manufaturados. Isso machuca especialmente o estado de São Paulo, que é o grande estado de exportações industriais do Brasil, afirmou.

Gala destacou que ainda há margem para negociação, pois os EUA não querem afastar o Brasil de sua esfera de influência. Querem que o Brasil continue gravitando o máximo possível em torno dos Estados Unidos, avaliou. A tendência, contudo, é que alguma tarifa seja imposta, o que consolidará a reprimarização da economia brasileira.

Enquanto estados do Centro-Oeste e Norte, que exportam principalmente soja e minério de ferro para a China, mantêm superávits robustos, o polo industrial de São Paulo sentirá o golpe de forma mais aguda. As medidas tarifárias podem ter um impacto significativo na economia local, especialmente no setor industrial, que já enfrenta desafios econômicos.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/06/03/paulo-gala-alerta-sao-paulo-sera-o-estado-mais-prejudicado-pelo-tarifaco-dos-eua/feed/ 0
Trump elogia Flávio Bolsonaro enquanto EUA propõem tarifaço contra o Brasil https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/trump-elogia-flavio-bolsonaro-enquanto-eua-propoem-tarifaco-contra-o-brasil/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/trump-elogia-flavio-bolsonaro-enquanto-eua-propoem-tarifaco-contra-o-brasil/#respond Tue, 02 Jun 2026 19:42:41 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/trump-elogia-flavio-bolsonaro-enquanto-eua-propoem-tarifaco-contra-o-brasil/ O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou uma foto ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL) com um texto elogioso, horas depois de seu governo recomendar um tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros. A postagem foi feita na rede Truth Social, conforme reportagem da Carta Capital.

Trump escreveu que foi muito bom ter Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — um jovem inteligente que ama muito o seu país, o Brasil. O encontro ocorreu recentemente, mas a divulgação coincide com o anúncio do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre a recomendação do tarifaço. O documento alega que o Brasil pratica políticas comerciais desleais, justificativa recorrente para medidas protecionistas unilaterais.

A contradição é evidente: enquanto Trump exalta a inteligência e o patriotismo de um político brasileiro, seu governo prepara medidas que podem prejudicar a economia do Brasil. O gesto reforça a estratégia de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência e herdeiro político da extrema-direita bolsonarista. Às vésperas das eleições de 2026, o Brasil enfrenta um cenário de polarização, com a ameaça bolsonarista ainda presente e o apoio explícito de Trump servindo como validação internacional para a família Bolsonaro.

O tarifaço proposto pelos EUA afeta diretamente setores como aço, alumínio e produtos agrícolas, aumentando a pressão sobre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A medida é apresentada como resposta a práticas injustas, mas funciona como instrumento de pressão geopolítica. A aliança entre Trump e os Bolsonaro não é novidade — Jair Bolsonaro sempre demonstrou alinhamento incondicional aos EUA durante seu mandato. Agora, seu filho busca capitalizar esse vínculo para fortalecer sua candidatura, em meio a um cenário de incertezas jurídicas e políticas.

O bolsonarismo mantém força no Congresso Nacional, com bancadas conservadoras ditando o ritmo de pautas regressivas. A confluência de interesses entre a extrema-direita internacional e local representa um desafio para a soberania brasileira e para o projeto democrático-popular. O episódio expõe a hipocrisia da política externa americana, que alterna elogios a aliados com medidas econômicas punitivas. A capacidade do governo Lula de articular respostas diplomáticas e comerciais será testada nos próximos meses, em um ambiente internacional cada vez mais hostil.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/trump-elogia-flavio-bolsonaro-enquanto-eua-propoem-tarifaco-contra-o-brasil/feed/ 0
Lula articula defesa da soberania nacional contra tarifaço dos EUA https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/lula-articula-defesa-da-soberania-nacional-contra-tarifaco-dos-eua/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/lula-articula-defesa-da-soberania-nacional-contra-tarifaco-dos-eua/#respond Tue, 02 Jun 2026 13:44:03 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/lula-articula-defesa-da-soberania-nacional-contra-tarifaco-dos-eua/ A ameaça de um novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros levou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a articular uma estratégia que combina negociação diplomática com reforço do discurso de defesa da soberania nacional. Auxiliares de Lula avaliam que o movimento extrapola a esfera comercial e se insere em um contexto mais amplo de pressão sobre o governo brasileiro, conforme apurou a Carta Capital.

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) conduz o processo que deve ser concluído até 15 de julho. A orientação de Lula é manter abertas as negociações até esse prazo. A avaliação no governo é que ainda existe espaço para reverter ou atenuar eventuais sanções antes de uma decisão definitiva. A proposta da gestão de Joe Biden de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre as importações do Brasil ainda depende de decisão final da Casa Branca, mas já provocou reação imediata no Palácio do Planalto.

O episódio se soma a outros atritos recentes entre os dois países, como a inclusão do PCC e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras pelos Estados Unidos. Essa medida foi anunciada após encontros diplomáticos tensos, aumentando a pressão sobre o governo brasileiro. A investigação do USTR também reuniu críticas a temas como plataformas digitais, sistema de pagamentos eletrônicos, combate à corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento, que auxiliares do governo brasileiro consideram pouco consistentes para justificar barreiras comerciais adicionais.

A leitura nos bastidores é que a iniciativa americana pressiona o Brasil em um momento de desgaste nas relações bilaterais. A expectativa do Planalto é que o tarifaço seja utilizado para reforçar o discurso de defesa da soberania nacional, argumento já mobilizado desde a classificação das facções. A disputa comercial poderá ganhar peso no debate político dos próximos meses, especialmente se as negociações não produzirem avanços até o prazo do USTR. O governo brasileiro busca equilibrar a necessidade de defender interesses nacionais com a manutenção de canais diplomáticos abertos para evitar um agravamento das tensões comerciais.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/lula-articula-defesa-da-soberania-nacional-contra-tarifaco-dos-eua/feed/ 0
Brasil e EUA iniciam negociações comerciais para superar tarifaço americano https://www.ocafezinho.com/2026/05/20/brasil-e-eua-iniciam-negociacoes-comerciais-para-superar-tarifaco-americano/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/20/brasil-e-eua-iniciam-negociacoes-comerciais-para-superar-tarifaco-americano/#comments Wed, 20 May 2026 03:51:11 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/20/brasil-e-eua-iniciam-negociacoes-comerciais-para-superar-tarifaco-americano/ 5 Comentários 🔥]]>
Donald Trump e Lula se cumprimentam em frente à Casa Branca, com as bandeiras dos EUA e do Brasil ao fundo. (Foto: metropoles.com)

O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, Márcio Fernando Elias Rosa, realizaram uma reunião virtual para dar continuidade às negociações comerciais. O diálogo busca superar os impasses gerados pela política protecionista de Washington e avançar em questões bilaterais.

O encontro técnico ocorre após a reunião realizada na Casa Branca entre o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no dia 7 de maio. Na ocasião, os líderes discutiram a criação de um grupo de trabalho bilateral para tentar resolver as divergências envolvendo o chamado tarifaço imposto pelos norte-americanos.

Greer saudou o engajamento construtivo do Brasil para avançar nas questões comerciais e aguardou a continuidade das discussões. O governo brasileiro já adiantava que as semanas seguintes seriam marcadas por reuniões técnicas para aprofundar as negociações e discutir possíveis reduções de barreiras.

O presidente Lula propôs ao mandatário norte-americano que equipes técnicas dos dois governos trabalhassem durante 30 dias na elaboração de uma proposta concreta para solucionar as divergências comerciais. Além das tarifas, as conversas também envolvem temas estratégicos para a soberania nacional, como investimentos estrangeiros, minerais críticos e cooperação industrial.

Outro ponto debatido durante a reunião na Casa Branca foi a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos contra o Brasil com base na chamada Seção 301, mecanismo utilizado por Washington para pressionar países com práticas comerciais que não lhe convêm. Lula rebateu as críticas sobre supostas tarifas elevadas aplicadas por Brasília ao argumentar que a média tarifária brasileira sobre importações vindas dos EUA seria de cerca de 2,7%.

O presidente brasileiro também destacou que os Estados Unidos acumulam superávit comercial com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos, desmontando a narrativa de desequilíbrio comercial usada para justificar medidas protecionistas. A postura de Brasília reforça a busca por relações comerciais mais justas e o fortalecimento da soberania do Sul Global diante das pressões imperialistas.

Leia mais sobre o assunto na metropoles.com.


Leia também: Migrantes latinos deportados pelos EUA para a África relatam abusos e confinamento forçado


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/05/20/brasil-e-eua-iniciam-negociacoes-comerciais-para-superar-tarifaco-americano/feed/ 5
Como ficam as exportações brasileiras para os EUA sem tarifaço e com a nova taxa de 10% https://www.ocafezinho.com/2026/02/26/como-ficam-as-exportacoes-brasileiras-para-os-eua-sem-tarifaco-e-com-a-nova-taxa-de-10/ https://www.ocafezinho.com/2026/02/26/como-ficam-as-exportacoes-brasileiras-para-os-eua-sem-tarifaco-e-com-a-nova-taxa-de-10/#respond Thu, 26 Feb 2026 17:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=226347 Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços faz retrato dos impactos para o Brasil das novas tarifas estadunidenses

O Governo dos EUA revogou expressamente, na sexta-feira (20/2), as Ordens Executivas que impunham tarifas específicas contra o Brasil (de 40%), bem como as chamadas tarifas recíprocas (10%), aplicáveis a diversos países e produtos.

Na mesma data, foi publicada nova Ordem Executiva, estabelecendo tarifa global de 10% para todos os países, excetuados determinados produtos. No sábado (21), os EUA anunciaram a intenção de elevar essa tarifa para 15%, mas o ato formal correspondente ainda não foi publicado.

Antes dessas alterações, aproximadamente 22% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano estavam sujeitas a tarifas adicionais de 40% ou 50%.

Com as novas Ordens Executivas, estimativas indicam que, desconsideradas eventuais sobreposições com exportações alcançadas pela Seção 232, cerca de 25% (US$ 9,3 bilhões) das exportações brasileiras para os Estados Unidos passam a ser alcançados pelas tarifas de 10% (ou 15%). Com o novo regime, esses produtos passam a enfrentar a mesma tarifa aplicada aos demais países.

O equivalente a 46% (US$ 17,5 bilhões) das exportações brasileiras para os EUA em 2025 (desconsideradas eventuais sobreposições com as exportações alcançadas pela Seção 232), passam a não contar com nenhuma tarifa adicional, em razão das exceções previstas na medida publicada em 20/2.

Paralelamente, continuam sujeitas às tarifas impostas com base na Seção 232 os mesmos produtos já anteriormente alcançados por esse instrumento, que correspondem a 29% das exportações brasileiras aos Estados Unidos (US$ 10,9 bilhões). Trata-se de mecanismo de aplicação linear entre países, com incidência delimitada por produto.

O novo regime tarifário dos EUA amplia a competitividade de diversos segmentos industriais brasileiros no mercado norte-americano. Entre os setores beneficiados estão máquinas e equipamentos, calçados, móveis, confecções, madeira, produtos químicos e rochas ornamentais, que deixam de enfrentar tarifas de 50% e passam a competir sob alíquota isonômica de 10% (ou 15%).

Uma novidade do novo regime tarifário dos EUA é a exclusão das aeronaves da incidência das novas tarifas. O produto passa a contar com alíquota zero para ingresso no mercado norte-americano (era de 10%). Aeronaves foram o terceiro principal item da pauta exportadora brasileira para os EUA em 2024 e 2025, com elevado valor agregado e importante conteúdo tecnológico.

No setor agropecuário, produtos como pescados, mel, tabaco e café solúvel também passam da alíquota de 50% para 10% (ou 15%), competindo em condições equivalentes às de outros fornecedores internacionais.

Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Estados Unidos alcançou US$ 82,8 bilhões, valor 2,2% superior ao registrado em 2024. As exportações brasileiras totalizaram US$ 37,7 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 45,1 bilhões, resultando em déficit comercial de US$ 7,5 bilhões para o Brasil.

* Os dados são estimativos, uma vez que os códigos tarifários foram divulgados na nomenclatura HTS (Harmonized Tariff Schedule) e posteriormente consolidados ao nível de seis dígitos do Sistema Harmonizado (SH6), o que pode gerar variações nos valores apurados. Ademais, a aplicação das tarifas nos Estados Unidos envolve critérios adicionais para determinados produtos, como destinação específica ou uso final, que podem influenciar a definição da alíquota efetivamente incidente.

Publicado originalmente pela Agência Gov

Por Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/02/26/como-ficam-as-exportacoes-brasileiras-para-os-eua-sem-tarifaco-e-com-a-nova-taxa-de-10/feed/ 0
Ouro bate recordes na cotação internacional; entenda os motivos https://www.ocafezinho.com/2026/01/28/ouro-bate-recordes-na-cotacao-internacional-entenda-os-motivos/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/28/ouro-bate-recordes-na-cotacao-internacional-entenda-os-motivos/#respond Wed, 28 Jan 2026 21:30:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=225165 Turbulências provocadas por Trump ajudam a explicar escalada

No meio da tarde desta quarta-feira (28), a cotação do ouro no mercado internacional seguia a trajetória de alta, atingindo recordes de valorização. A onça troy, unidade de medida padrão para metais preciosos, equivalente a 31,1035 gramas, era negociada em torno de US$ 5.280, cerca de R$ 27,5 mil. Por volta das 15h, chegou a alcançar US$ 5.326, até então a maior cotação já alcançada pelo ouro à vista.

O recorde é mais uma face da escalada do preço do metal, que apresenta disparada, principalmente nos últimos 12 meses, quando se valorizou em mais de 90%.

Esta semana, pela primeira vez, a cotação superou o marco de US$ 5 mil. Só em 2026, a valorização gira em torno de 22%.

Uma das principais regras da economia é a lei da oferta e procura. De forma direta, significa que quanto mais agentes econômicos buscam por um produto – ou ativo, como no caso do ouro – maior o preço negociado. Ou seja, o comportamento da cotação indica que o interesse pelo metal está em alta.

Um comportamento semelhante é percebido no preço da prata. Em um ano, a onça troy passou de US$ 30 para o recorde de US$ 115. Na tarde desta terça-feira (27), era negociada perto de US$ 112.

A Agência Brasil conversou com especialistas para entender os motivos que levaram à subida do preço de negociação dos metais no mercado internacional.

Não coincidentemente, a escalada do ouro fica flagrante a partir de janeiro de 2025, mês em que Donald Trump tomou posse como presidente dos Estados Unidos. À época, a onça troy do ouro era vendida a US$ 2,7 mil. De lá para cá, o preço quase dobrou.

Efeito Trump

O economista Rodolpho Sartori, da agência classificadora de risco de crédito Austin Rating, explica que a subida dos metais é reflexo de uma conjuntura atual “recheada de incertezas”.

Ele lembra que o ouro, mais destacadamente, e a prata, são tidos historicamente como reservas de valor. Reserva de valor é um ativo ou mercadoria que preserva o poder de compra ao longo do tempo.

Na visão dele, o principal gatilho para a incerteza global é a política econômica do presidente Donald Trump.

“Com as tarifas e o protecionismo quase mercantilista, já é por si só um rompimento com o livre comércio que os EUA sempre defenderam”, disse à Agência Brasil.

Sartori acrescenta como elemento gerador de incerteza as “truculências externas”.

“Ameaças a países, até mesmo aos parceiros comerciais, ampliam a desconfiança na figura de Trump”, avalia.

Desde que reassumiu a Presidência, Trump tem seguido uma agenda que, sob a alegação de proteger interesses americanos, impõe tarifas a parceiros comerciais, que ficou conhecida como tarifaço.

A professora de economia do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec-RJ) Gecilda Esteves acrescenta como fator de turbulência geopolítica a cobiça de Trump pela Groenlândia.

O presidente dos EUA tem pressionado e ameaçado a Dinamarca e outros países europeus para obter controle da ilha gelada no Ártico.

“Isso abalou, de fato, a confiança entre os Estados Unidos e a Europa, gerando um receio de novas guerras comerciais na gestão do presidente Trump”, disse.

Ela acrescenta que o conflito entre Ucrânia e Rússia, que caminha para o sexto ano, também agrava o cenário de turbulência.

“O mercado começa a entender que existe um risco geopolítico real e imediato, e o ouro e a prata, obviamente, sobem”, sustenta.

Conflito entre a Ucrânia e a Rússia agrava o cenário de turbulência | Serviço de Emergência da Ucrânia/Divulgação via Reuters

Busca por estabilidade

Nesse pano de fundo, o ouro e a prata experimentam a corrida de investidores e governos pela segurança de seus patrimônios. Rodolpho Sartori aponta que eles tentam “se proteger em metais”.

“Os metais podem até ser vistos como investimento, mas aquele tipo de investimento que busca trazer menos volatilidade [forte oscilação] para a carteira. Neste cenário é proteção mesmo”, afirma.

Apesar de figurarem como compradores de ouro ao lado de grandes investidores profissionais, os bancos centrais não são apontados como os responsáveis pela disparada do preço do ouro, na opinião do economista.

“Bancos centrais, inclusive o brasileiro, têm ampliado suas reservas em ouro. Todavia, não considero que seja isso que está fazendo o ouro ‘explodir”, avalia.

Para ele, o movimento é derivado do mercado de investidores, que tem buscado metais para diversificar investimentos e fugir dos riscos da conjuntura atual.

“Evidentemente a mudança de postura dos bancos centrais ao redor do globo é extremamente relevante em termos de economia política, mas não inflaria o preço do ouro sozinho. A demanda por ouro aumentou também por parte dos investidores”, pontua.

A professora Gecilda Esteves, do Ibmec-RJ, avalia que governos, representados por bancos centrais, têm aumentado o apetite por metais “para diversificar as suas reservas com propósito de reduzir a dependência de moedas fiduciárias [sem lastro, ou seja, garantidas pela confiança]”.

“São ativos que têm valor intrínseco. Não é uma moeda fiduciária, não depende de nenhum governo para garantir sua viabilidade e sua potência econômica”, explica.

“É o porto seguro, uma apólice de seguro contra qualquer colapso de sistema financeiro ou inflacionário”, diz.

Reserva brasileira

Aqui no Brasil, o Banco Central (BC) aumentou a quantidade de ouro nas reservas internacionais, espécie de colchão de segurança contra crises e choques externos.

Em janeiro de 2025, o BC tinha 129,7 toneladas de ouro nas reservas, quantidade que saltou para 172,4 toneladas em dezembro, segundo dado mais recente. O crescimento foi de 33%.

Em valores financeiros, o país tinha US$ 11,7 bilhões em ouro em janeiro de 2025, valor que subiu para US$ 23,9 bilhões em dezembro, ou seja, mais do que dobrou. Os valores não levam em conta a inflação do período, calculada em cerca de 4,5%.

A valorização reflete tanto o aumento no número de toneladas quanto na apreciação da cotação do ouro no mercado internacional.

Dessa forma, o ouro, que respondia por 3,6% das reservas em janeiro de 2025, passou a representar 6,7% dos mais de US$ 358 bilhões que o país tinha em dezembro.

Banco Central aumentou as reservas brasileiras com ouro | Antonio Cruz/Agência Brasil

Rentabilidade

A professora do Ibmec-RJ pontua que a pressão de alta do ouro leva para os investidores um elemento mais além da segurança do patrimônio.

“Quando o ouro rompe a barreira histórica dos US$ 5 mil, deixa de ser só uma proteção e passa a ser um componente de rentabilidade [lucro] extremamente agressivo na carteira, em um cenário de incerteza global”, explica.

Reflexo no dólar

Ao mesmo tempo em que turbulências geopolíticas elevam a procura pelo ouro, a moeda americana, o dólar, passa por uma desconfiança, conforme explica a professora.

“O preço do ouro acaba funcionando como um termômetro da saúde do dólar. Quando o ouro sobe, está denunciando que existe desconfiança na moeda americana”, diz.

Para ilustrar a perda de força do dólar, o economista Sartori detalha que quando Trump assumiu em janeiro de 2025, o DXY, indicador que mede o desempenho do dólar perante uma cesta de moedas estrangeiras (real não está incluído), beirava 110 pontos. Atualmente ronda os 96 pontos.

“Parece claro que há alguma desconfiança em relação ao dólar. Acho cedo para pontuar uma desdolarização ou uma perda de hegemonia da moeda, mas de fato, há desconfiança”, avalia.

Aqui no Brasil, a desvalorização foi sentida no mercado de câmbio. Nos últimos 12 meses, o dólar recuou 11%. Só em 2026, a desvalorização está em cerca de 5,5%.

Na terça-feira, a moeda fechou negociada a R$ 5,20, menor patamar em 20 meses.

Dólar passa por uma desconfiança nas economias mundiais | Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

Mais fatores

Além dos fatores conjunturais que levaram à escalada do ouro, o economista Rodolpho Sartori indica um fator estrutural. Citando um estudo do economista Robin Brooks, da Brookings Institution, em Washington, Sartori entende que muitos países têm dívidas bastante elevadas, o que pode estar influenciando a percepção dos agentes econômicos sobre a sustentabilidade da dívida pública.

“Por consequência, tem ocorrido alguma diversificação no destino de investimentos para além das moedas. Muitos metais preciosos têm se valorizado recentemente”, explica.

A professora Gecilda Esteves acrescenta ainda que há uma busca de proteção contra uma possível correção (queda) no mercado de capitais, como bolsas de valores, com “a possível bolha de inteligência artificial [IA], que já começou a dar estresses no início deste ano”. Há o receio de que empresas de IA estejam supervalorizadas, na iminência de sofrerem queda abrupta de preço das ações.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 28/01/2026

Por Bruno de Freitas Moura – Repórter da Agência Brasil – Rio de Janeiro

Edição: Fernando Fraga

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/01/28/ouro-bate-recordes-na-cotacao-internacional-entenda-os-motivos/feed/ 0
A nova era dourada do café brasileiro! https://www.ocafezinho.com/2026/01/14/a-nova-era-dourada-do-cafe-brasileiro/ https://www.ocafezinho.com/2026/01/14/a-nova-era-dourada-do-cafe-brasileiro/#respond Wed, 14 Jan 2026 16:05:31 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=224518 Exportações batem recorde mesmo com tarifaço de Trump, apesar da queda no volume exportado, impulsionadas pela disparada dos preços internacionais.

O Brasil exportou US$ 16 bilhões em café em 2025, um recorde histórico. O dado impressiona ainda mais quando se observa que esse crescimento ocorreu apesar da queda na quantidade exportada. Em volume físico, o país embarcou cerca de 41,5 milhões de sacas de 60 quilos, somando café verde e café solúvel em equivalente grão — uma retração de aproximadamente 17% em relação a 2024. O recorde, portanto, não veio do aumento de volume, mas da forte valorização dos preços internacionais.

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, o valor exportado cresceu 31% em relação ao ano anterior e 168% em comparação com uma década atrás.

O desempenho ocorreu apesar do tarifaço imposto por Donald Trump, que entre agosto e novembro de 2025 aplicou uma sobretaxa de 50% sobre o café brasileiro na entrada dos Estados Unidos. A tarifa só foi zerada após negociação direta entre Lula e Trump, evitando impactos mais severos sobre o segundo maior mercado consumidor do produto.

Desse total exportado, 93% corresponderam ao café verde — o grão cru, ainda não industrializado —, 7% ao café solúvel e menos de 1% ao café torrado.

A participação do café nas exportações brasileiras atingiu 4,3% em 2025, contra 3,4% no ano anterior. Em 2003 e 2004, esse indicador havia despencado para 1,8%, o piso da série histórica. A recuperação ao longo de duas décadas mais que dobrou o peso do café na pauta exportadora.

Os mercados tradicionais ainda dominam as compras do café brasileiro. A Alemanha lidera com US$ 2,3 bilhões, alta de 27% no ano e de 118% na década; os Estados Unidos vêm em segundo, com US$ 1,9 bilhão, estáveis no ano, mas 62% acima de dez anos atrás; Itália, Japão e Bélgica completam os cinco maiores compradores. Todos os números deste parágrafo referem-se exclusivamente às exportações brasileiras de café verde.

Os países do chamado Norte Global — Europa Ocidental, Estados Unidos, Canadá, Japão, Coreia do Sul e Austrália — responderam por 77,5% das exportações brasileiras de café verde em 2025, uma fatia ainda robusta, mas em declínio: em 2015, esse grupo representava 87%. São mercados maduros, onde o consumo per capita já é elevado e o espaço para expansão é limitado.

No café solúvel, o Brasil exportou cerca de US$ 1,12 bilhão em 2025. Os Estados Unidos lideraram as compras, com US$ 190 milhões, o equivalente a 17,1% do total, alta de 10% em relação a 2024. A Rússia veio em seguida, com US$ 78,6 milhões (7,0% do total), crescimento expressivo de 46,5% no ano. Polônia (US$ 56,9 milhões) e Japão (US$ 48,4 milhões) também registraram avanços superiores a 35%.

O café chegou ao Brasil em 1727, trazido da Guiana Francesa por Francisco de Melo Palheta. As primeiras lavouras comerciais se estabeleceram no Vale do Paraíba, entre Rio de Janeiro e São Paulo, sob o regime da escravidão. A partir da década de 1870, a produção explodiu no oeste paulista — dessa vez com trabalho livre e forte participação de imigrantes italianos — e tornou-se o primeiro grande produto de exportação do Brasil sob regime assalariado. Os lucros do café financiaram ferrovias, modernizaram o porto de Santos e lançaram as bases da industrialização paulista.

As perspectivas de crescimento do consumo global de café se concentram hoje principalmente no Sul Global. China, Rússia, Turquia e outros países emergentes responderam por 22,5% das exportações brasileiras de café em 2025, contra apenas 13% em 2015. O crescimento foi de 42% em um único ano e de 363% na década — ritmo quase três vezes superior ao dos mercados tradicionais.

Os números individuais impressionam. Em relação a dez anos antes, as exportações brasileiras cresceram 3.430% para a China, 1.189% para a Arábia Saudita, 767% para os Emirados Árabes, 588% para a Rússia, 546% para a Malásia, 497% para Taiwan e 403% para a Turquia. São mercados que estão descobrindo o café agora.

Há um dado revelador: em 2025, Colômbia, México e Vietnã registraram aumentos explosivos nas importações de café brasileiro. O movimento sugere triangulação comercial — diante das tarifas elevadas impostas pelos Estados Unidos, importadores americanos passaram a comprar café brasileiro via terceiros países, que adquirem o grão do Brasil e o reexportam, contornando o tarifaço insano de Donald Trump.

A China é o grande prêmio. O consumo per capita chinês é de apenas 0,26 kg por ano24 vezes menor que os 6,26 kg do Brasil. Se os chineses bebessem café na mesma proporção, a demanda chegaria a 144 milhões de sacas anuais, quase a produção mundial inteira.

O país já dá sinais claros de despertar. Xangai tornou-se a cidade com mais cafeterias no mundo, com 9.115 estabelecimentos em 2024, superando Londres, Nova York e Tóquio. A rede chinesa Luckin Coffee encerrou o ano com mais de 30 mil lojas, ultrapassando a Starbucks. O café deixou de ser curiosidade de expatriados para virar hábito urbano.

Segundo dados da alfândega chinesa, as suas importações de café verde somaram US$ 1,46 bilhão no acumulado de 12 meses até novembro de 2025, alta de 72% em relação ao período anterior.

A Etiópia tornou-se o principal fornecedor da China, com 32,1% do total importado, ligeiramente à frente do Brasil, com 31,1%. As vendas etíopes cresceram 328% em um ano, enquanto as brasileiras avançaram 48,6%. Há, porém, um limite físico para esse avanço: a Etiópia produz cerca de 8 milhões de sacas por ano, contra 63 milhões do Brasil. Se o consumo chinês acelerar de forma consistente, o crescimento exigirá necessariamente o grão brasileiro.

O café possui uma característica singular: funciona como produto-âncora, capaz de abrir mercados urbanos muito mais amplos. Cafeterias não vendem apenas café. Vendem alimentos, bebidas, espaço, tempo, conforto, sociabilidade e serviços — mesas, cadeiras, banheiros, Wi-Fi, ambientes climatizados. O café é a porta de entrada desse ecossistema.

O mercado global de café movimenta entre US$ 270 bilhões e US$ 486 bilhões por ano, dependendo da metodologia. As exportações mundiais de café verde, torrado e solúvel somaram US$ 51 bilhões em 2024. A diferença não indica perda, mas a existência de cadeias de serviços e consumo que se organizam em torno da bebida.

A Luckin Coffee assinou contratos de US$ 2,5 bilhões para comprar café brasileiro até 2029. Em dezembro de 2025, a marca “Café do Brasil” estampou 400 milhões de copos vendidos nas lojas da rede — cerca de 14 milhões por dia.

A produção mundial de café na safra 2024/25 foi de 175 milhões de sacas, segundo o USDA. O Brasil domina os dois principais segmentos — 44% do arábica mundial e 28% do robusta — e respondeu por 37% da produção global. Além de maior produtor e exportador, é o segundo maior consumidor mundial em volume, com mercado interno de 22 milhões de sacas por ano. Em consumo per capita, porém, o Brasil supera o tio Sam: 6,26 kg por habitante, contra 4,9 kg nos Estados Unidos.

Do ponto de vista social, o café distribui renda como poucas culturas. No Brasil, são 287 mil produtores em 1.900 municípios, numa área de 1,9 milhão de hectares. Cerca de 78% são agricultores familiares. No mundo, 25 milhões de famílias vivem do café — quase todas em pequenas propriedades.

Por trás desses números há mais de um século de ciência aplicada ao campo. A agricultura moderna não é atraso: é indústria a céu aberto. O café brasileiro carrega décadas de pesquisa, conhecimento e tecnologia. E, à medida que o Sul Global passa a beber mais café, o setor tende a gerar ainda mais renda, emprego e estabilidade social, sobretudo nas áreas rurais do país.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/01/14/a-nova-era-dourada-do-cafe-brasileiro/feed/ 0
China volta a humilhar o tarifaço https://www.ocafezinho.com/2025/12/08/china-volta-a-humilhar-o-tarifaco/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/08/china-volta-a-humilhar-o-tarifaco/#comments Mon, 08 Dec 2025 16:37:59 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222743 2 Comentários 🔥]]> Apesar da queda nas exportações diretas para os Estados Unidos, a China compensou rapidamente essas perdas ao conquistar novos mercados. O tarifaço de Donald Trump não conseguiu conter a pujança do dragão, que registrou um superávit histórico somente nos 11 primeiros meses do ano. No acumulado de janeiro a novembro, o saldo de bens atingiu US$ 1,076 trilhão, ultrapassando pela primeira vez a marca de um trilhão antes do encerramento anual.

Em novembro, as exportações chinesas cresceram 5,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, revertendo a queda inesperada registrada em outubro. As importações avançaram 1,9%, gerando um superávit mensal de US$ 112 bilhões. Os dados refletem a força do setor exportador num contexto de demanda interna fraca e de um setor imobiliário em crise prolongada.

A maior mudança ocorreu na distribuição geográfica das vendas. As exportações para os Estados Unidos despencaram 29% em novembro, ano contra ano, sinalizando o impacto direto do tarifaço. Mas as vendas para o sudeste asiático, especialmente para os países da ASEAN, cresceram 8%, indicando que a China encontrou rotas alternativas para manter o ritmo de embarques. Economistas observam que parte dessas mercadorias é posteriormente reexportada para o mercado americano, reduzindo a eficácia do bloqueio comercial de Washington.

O economista Carlos Casanova, do UBP, afirmou ao Financial Times que o ponto central é a falta de medidas mais duras dos EUA contra o desvio de comércio via países intermediários. Segundo ele disse ao jornal, a demanda americana permanece “estável”, permitindo que a região continue registrando alta nas exportações — e a China, por consequência, “se beneficia indiretamente”.

A parceria com a União Europeia também mostrou força. As exportações chinesas para o bloco cresceram 14,8% em novembro, depois de quase estagnação em outubro. Analistas apontam que a desvalorização do renminbi em relação ao euro aumentou a competitividade dos produtos chineses, ampliando o superávit bilateral.

O economista-chefe do ING para a China, Lynn Song, declarou ao Financial Times que a tendência de força exportadora deve continuar no início do próximo ano, embora enfrente resistência crescente entre os principais parceiros comerciais. Song lembrou que o presidente francês Emmanuel Macron classificou recentemente como “insuportável” o desequilíbrio comercial com Pequim e sugeriu que a Europa poderá adotar novas medidas tarifárias.

Em paralelo, setores emergentes continuam fortalecendo o papel da China no comércio global. Veículos elétricos, baterias e robótica estão entre os principais motores de expansão. A política industrial chinesa ampliou a competitividade dessas cadeias e ajudou a sustentar o desempenho exportador, mesmo em meio às tensões geopolíticas e ao ambiente econômico global mais fraco.

As projeções de instituições internacionais confirmam a continuidade dessa trajetória. Analistas do Morgan Stanley afirmam que a participação da China nas exportações mundiais pode chegar a 16,5% até 2030, impulsionada justamente pelos setores de alto crescimento. Na avaliação deles, o protecionismo crescente não será suficiente para frear o avanço estrutural da manufatura chinesa.

A economista Zichun Huang, da Capital Economics, disse ao Financial Times que o redirecionamento das rotas comerciais continua aumentando — e deve ampliar ainda mais o superávit no próximo ano. Segundo ela, o desvio de comércio já exerce papel crescente na compensação dos efeitos das tarifas americanas.

Ao final dos 11 primeiros meses, o quadro é claro: mesmo sob tarifas punitivas, a China se adaptou, diversificou mercados e reforçou sua presença nas cadeias globais. A queda das vendas diretas para os Estados Unidos não impediu o avanço do superávit, que segue crescendo com apoio dos países do sudeste asiático, da União Europeia e de setores industriais de alto valor agregado. O tarifaço não conseguiu desmontar a engrenagem chinesa — apenas estimulou novas rotas para que ela continuasse avançando.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/12/08/china-volta-a-humilhar-o-tarifaco/feed/ 2
Lula e Trump discutem tarifaço; “gosto dele”, diz americano https://www.ocafezinho.com/2025/12/03/lula-e-trump-discutem-tarifaco-gosto-dele-diz-americano/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/03/lula-e-trump-discutem-tarifaco-gosto-dele-diz-americano/#respond Wed, 03 Dec 2025 13:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222407 Em telefonema nesta terça-feira, presidentes do Brasil e dos EUA discutiram tarifas remanescentes e combate ao crime organizado. “Tivemos uma ótima conversa. Gosto dele [Lula]”, disse Trump.

Em um telefonema que durou cerca de 40 minutos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao seu análogo americano, o republicano Donald Trump, a retirada da tarifa adicional de 40% aos produtos brasileiros que ainda estão submetidos a sobretaxas dos Estados Unidos.

Segundo o Planalto, a conversa ocorreu por volta do meio-dia de Brasília desta terça-feira (12/11) e foi “muito produtiva”.

“Lula indicou ter sido muito positiva a decisão dos Estados Unidos de retirar a tarifa adicional de 40% imposta a alguns produtos brasileiros, como carne, café e frutas. Destacou que ainda há outros produtos tarifados que precisam ser discutidos entre os dois países e que o Brasil deseja avançar rápido nessas negociações”, informou a Presidência, em nota.

No mês passado, o governo dos Estados Unidos incluiu cerca de 200 itens, como cacau, carne de boi, banana e açaí, aos quase 700 produtos que já estavam fora da lista de sobretaxados. No entanto, produtos eletrônicos, peças de aeronaves e pneus ainda estão submetidos às tarifas adicionais de Trump.

Ainda nesta terça-feira, o presidente americano disse a jornalistas, na Casa Branca, que a conversa foi produtiva e que ambos têm uma boa relação.

“Tivemos uma ótima conversa. Falamos sobre comércio e sobre sanções, pois, como você sabe, eu impus sanções a eles por causa de certas coisas que estavam acontecendo”, disse Trump. “Mas tivemos uma ótima conversa. Gosto dele. Fizemos algumas boas reuniões, mas hoje tivemos uma ótima conversa”, afirmou o americano.

De acordo com a nota da Presidência, os presidentes concordaram em “voltar a conversar em breve” sobre o andamento das negociações.

Trump tinha imposto uma tarifa de 10% sobre as exportações brasileiras, que posteriormente aumentou para 40%, elevando o total para 50%, em retaliação pelo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que foi condenado, em 11 de setembro, a 27 anos de prisão por tentativa de golpe e está preso preventivamente desde o dia 22 de novembro.

Crime organizado

Além da agenda comercial e econômica, outro tema abordado foi o combate ao crime organizado, informou o Planalto. “(Lula) destacou as recentes operações realizadas no Brasil pelo governo federal com vistas a asfixiar financeiramente o crime organizado e identificou ramificações que operam a partir do exterior”, diz a nota.

“O presidente Trump ressaltou total disposição em trabalhar junto com o Brasil e que dará todo o apoio a iniciativas conjuntas entre os dois países para enfrentar essas organizações criminosas”, afirmou a Presidência.

A nota não especifica se os dois mandatários trataram da Venezuela, país que vem sofrendo pressão militar dos Estados Unidos e alegações de que o governo de Nicolás Maduro controla o tráfico de drogas na região.

Publicado originalmente pelo DW em 02/12/2025

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/12/03/lula-e-trump-discutem-tarifaco-gosto-dele-diz-americano/feed/ 0
Dragão fulmina o tarifaço de Donald Trump https://www.ocafezinho.com/2025/11/29/dragao-fulmina-o-tarifaco-de-donald-trump/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/29/dragao-fulmina-o-tarifaco-de-donald-trump/#comments Sat, 29 Nov 2025 22:36:15 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222173 1 Comentário 🔥]]> Enquanto os Estados Unidos passaram as últimas décadas torrando trilhões de dólares do contribuinte americano em guerras eternas, mudanças de regime e golpes de Estado, a China investiu em trens de alta velocidade, infraestrutura urbana, centros de pesquisa e universidades.

O resultado dessa diferença de foco é visível hoje: a China possui as maiores reservas internacionais do mundo, com mais de US$ 3,3 trilhões, equivalentes a 18% do seu PIB. Para comparação, as reservas americanas representam apenas 1,5% do PIB dos EUA – doze vezes menos que a China.

A solidez financeira chinesa fica ainda mais evidente na capacidade de cobrir sua dívida externa com reservas internacionais: 65,5% na China, contra míseros 1,6% nos Estados Unidos.

Diante da prepotência imperial dos Estados Unidos, a China interpôs sua vontade de viver e fazer comércio. Como escreveu o poeta Li Bai (701-762): “Não pretendo honras nem riquezas / só que não me abandone a primavera”.

Outros números impressionantes são os de comércio exterior, pois são transparentes e certificáveis – os números de exportação de um país precisam bater com os de importação do outro.

E aqui o contraste é gritante: a China atingiu um superávit comercial recorde de US$ 1,17 trilhão no acumulado de 12 meses até outubro de 2025.

Enquanto isso, os Estados Unidos amargam um déficit que já somava US$ 713,6 bilhões apenas nos primeiros oito meses do ano.

A ironia é que, enquanto a China divulga seus dados de outubro, os EUA ainda estão em agosto, um reflexo do atraso e da perda de transparência de um país que já foi padrão mundial em transparência estatística.

Os ataques infames de Donald Trump ao comércio internacional, que começaram com o chamado “Dia da Liberação” em 2 de abril de 2025, quando anunciou um tarifaço para o mundo inteiro, colocaram o comércio de bens em evidência.

A reação desastrosa dos mercados financeiros dos próprios Estados Unidos o forçou a recuar e tentar direcionar a medida como uma jogada geopolítica focada apenas na China, o que também não deu certo.

A China foi muito atacada, mas o que aconteceu foi o oposto do esperado: o país aumentou sua corrente de comércio mesmo reduzindo o intercâmbio com os Estados Unidos.

É uma vitória de todo o Sul Global, que esmaga o tarifaço e representa uma grande derrota geopolítica dos EUA e da extrema-direita internacional que se pendurou na reputação de Trump, em particular a da América Latina, como a de Milei e Bolsonaro.

A perda de relevância dos Estados Unidos para a balança comercial chinesa é notável. Em 2022, o comércio com os EUA representava quase metade do superávit total da China; hoje, essa participação despencou para apenas 26%.

Em termos de volume, a corrente de comércio entre China e EUA despencou 24,5% em apenas um ano: de US$ 59,7 bilhões em outubro de 2024 para US$ 45,1 bilhões em outubro de 2025.

O paradoxo é evidente: as tarifas de Trump conseguiram reduzir o comércio bilateral, mas fracassaram em afetar o saldo total chinês, que simplesmente encontrou novos e mais importantes parceiros comerciais.

O principal deles foi o BRICS. Em uma inversão histórica, o comércio da China com os membros plenos do bloco (Brasil, Rússia, Índia, África do Sul, Irã, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia e Indonésia) ultrapassou o comércio com os EUA em meados de 2022.

A média móvel mensal da corrente de comércio entre a China e os membros plenos do BRICS saltou de US$ 60 bilhões em dezembro de 2021 para US$ 76,4 bilhões em outubro de 2025, um crescimento de 27%.

O fortalecimento das relações Sul-Sul se mostrou uma estratégia de diversificação geográfica bem-sucedida.

Outro parceiro estratégico foi a ASEAN, que se aproxima dos níveis de comércio com os EUA. A média móvel mensal com o bloco do Sudeste Asiático atingiu US$ 86,5 bilhões em outubro de 2025, contra US$ 79,7 bilhões no mesmo mês do ano anterior, um crescimento de 8,5%.

A integração regional asiática se aprofundou, consolidando a liderança chinesa no comércio do continente.

Dois modelos de desenvolvimento estão em confronto. De um lado, a China avança sem alarde, com um grande esforço nacional para produzir, melhorar a qualidade de vida de seu povo e oferecer produtos de qualidade ao mundo. Essa filosofia se estende para além de suas fronteiras, financiando infraestrutura em outros países através da Iniciativa Cinturão e Rota, conectando continentes e promovendo desenvolvimento mútuo.

Do outro lado, o modelo americano prioriza sanções, guerras e agressões diplomáticas, com um histórico de financiar golpes de Estado e gerar instabilidade no mundo inteiro.

É a construção contra a destruição. A China investe em construir, enquanto o império e seus vassalos permanecem focados em estratégias de destruição.

A China está vencendo a guerra comercial sem precisar de uma única batalha militar, usando apenas a diplomacia e o comércio.

Como ensina Sun Tzu em “A Arte da Guerra”, “a suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar”.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/11/29/dragao-fulmina-o-tarifaco-de-donald-trump/feed/ 1
O desespero de bolsonaristas à retirada de tarifas dos EUA a produtos do Brasil https://www.ocafezinho.com/2025/11/21/as-reacoes-de-bolsonaristas-a-retirada-de-tarifas-dos-eua-a-produtos-do-brasil/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/21/as-reacoes-de-bolsonaristas-a-retirada-de-tarifas-dos-eua-a-produtos-do-brasil/#respond Fri, 21 Nov 2025 17:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221692 Eduardo Bolsonaro : ‘A diplomacia brasileira não teve qualquer mérito na retirada parcial dessas tarifas de hoje’

Parlamentares e aliados de Jair Bolsonaro (PL) reagiram ao anúncio da suspensão pelos Estados Unidos das tarifas de 40% sobre alguns produtos agrícolas do Brasil afirmando que a retirada parcial das taxas não é mérito da diplomacia brasileira.

Segundo os membros da oposição, a decisão foi baseada apenas em fatores internos, mesmo Donald Trump tendo citado expressamente a conversa que teve com Lula para a tomada da sua decisão.

Quando as tarifas americanas começaram a valer, em 30 de julho, o governo americano anunciou uma lista de exceções, com quase 700 produtos.

Mas nesta quinta-feira (20/11), Donald Trump assinou um decreto ampliando essa lista, adicionando dezenas de outros itens, entre eles café, diversos cortes de carne bovina, açaí, tomate, manga, banana e cacau.

Após o anúncio, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho de Jair Bolsonaro, afirmou nas redes sociais que a suspensão não deve ser atribuída ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“É preciso ser claro: a diplomacia brasileira não teve qualquer mérito na retirada parcial dessas tarifas de hoje. Assim como beneficiou outros países, a decisão dos EUA decorreu apenas de fatores internos, especialmente a necessidade de conter a inflação americana em setores dependentes de insumos estrangeiros”, escreveu no X.

O parlamentar afirmou ainda que, com eleições legislativas marcadas para 2026, o governo Trump “precisa entregar resultados rápidos para que a população sinta a redução da inflação antes das urnas”.

Ainda para Eduardo Bolsonaro, a implementação da tarifa de 50% sobre a maioria dos produtos brasileiros é consequência direta “da crise institucional causada pelo ministro Alexandre de Moraes, cujos abusos já preocupam o mundo e afetam a confiança internacional no Brasil”.

O deputado do PL é acusado de ter articulado as americanas sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras, na tentativa de influenciar o julgamento de seu pai por golpe de Estado.

Ele se tornou réu por coação no curso do processo, um crime que ocorre quando alguém tenta intimidar, pressionar ou interferir em investigações, ou ações judiciais, após decisão unânime do Supremo Tribunal Federal (STF) na semana passada.

Trump e Lula se encontraram na Malásia em outubro para discutir as tarifas, que resultou em decisão favorável para o Brasil | Ricardo Stuckert /PR

O empresário Paulo Figueiredo, aliado de Eduardo e neto do ex-ditador João Batista Figueiredo, também foi alvo da denúncia, mas será julgado em outro momento.

Em suas redes sociais, Figueiredo também se pronunciou sobre a suspensão das tarifas.

“Trump simplesmente retirou as tarifas de alguns produtos brasileiros (como já tinha feito anteriormente) em busca da redução de preços domésticos — em alguns setores onde os EUA não são competitivos”, escreveu o comentarista político.

“Aviso aos colegas, que se for para jogar confete na diplomacia de Mauro Vieira, por coerência terão que fazer o mesmo com os MRE de pelo menos uma dúzia de outros países que foram beneficiados pela mesma medida – até antes do Brasil.”

Figueiredo participou, ao lado de Eduardo Bolsonaro, de uma série de reuniões com autoridades americanas. Segundo as denúncias, eles teriam usado esses encontros para tentar interferir no andamento do processo contra Jair Bolsonaro.

Como resultado desse esforço, o governo americano teria adotado as tarifas de 50% contra os produtos brasileiros e sanções contra autoridades brasileiras.

Por sua vez, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), disse que, se a redução das tarifas fosse resultado das ações diplomáticas do governo Lula, a decisão americana teria sido anunciada ao lado do chanceler Mauro Vieira na semana passada.

“Só interesse americano. Zero aproximação com o governo brasileiro. Trump está defendendo os interesses do país dele”, disse, segundo o jornal Folha de S.Paulo.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, se reuniram em Washington para discutir as tarifas | Reuters

Evair de Melo (PP-ES), que foi vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara entre 2020 e 2022, afirmou que a suspensão das taxas mostram que o produtor rural brasileiro conquistou respeito “lá fora”. Mas segundo o deputado federal, a categoria continua enfrentando “resistência ideológica aqui dentro”.

“Agora, os EUA zeram a tarifa sobre café, carne e outros produtos, enquanto a esquerda aqui dentro segue atacando o agro”, escreveu no X.

O presidente da Frente Parlamentar do Agronegócio (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou que a medida do governo dos EUA é uma “vitória do trabalho dos produtores rurais e empresas brasileiras nos bastidores”.

Lupion é apoiador de Jair Bolsonaro e já se manifestou diversas vezes contra a condenação do ex-presidente.

O deputado também atribuiu a suspensão das tarifas à pressão interna do mercado e do consumidor americano e ao “agro competente do Brasil” que consegue exportar produtos com competitividade maior.

Publicado originalmente pela BBC News em 21/11/2025

Por Julia Braun – BBC News Brasil em Londres

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/11/21/as-reacoes-de-bolsonaristas-a-retirada-de-tarifas-dos-eua-a-produtos-do-brasil/feed/ 0
41% das exportações brasileiras para os EUA ainda sofre tarifaço de 50% https://www.ocafezinho.com/2025/11/21/41-das-exportacoes-brasileiras-para-os-eua-ainda-sofre-tarifaco-de-50/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/21/41-das-exportacoes-brasileiras-para-os-eua-ainda-sofre-tarifaco-de-50/#respond Fri, 21 Nov 2025 16:19:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221721

Apesar da recente isenção de tarifas para alguns produtos agrícolas brasileiros, uma parcela significativa das vendas do Brasil para os Estados Unidos continua sujeita a uma sobretaxa de 50%.

Segundo o jornal Valor Econômico, estudos da FGV revelam que 40,95% das exportações para os EUA, com base em dados de 2024, ainda pagam a tarifa elevada. Isso representa um valor de US$ 16,102 bilhões em produtos sobretaxados.

A tarifa média ponderada caiu de 33% para 27,7%, mas antes das medidas punitivas, a alíquota era de apenas 2,2%.

A nova lista de isenção abrange 10,21% das exportações, o que corresponde a US$ 4,01 bilhões. Café e carne bovina são os principais beneficiados.

Especialistas ouvidos pelo Valor Econômico consideram a redução positiva para o agronegócio, alinhando o Brasil aos concorrentes.

No entanto, a publicação destaca que “cerca de 40% das nossas exportações permanecem com tarifas punitivas de 50%”.

Setores importantes como máquinas, equipamentos, açúcar e etanol continuam sendo afetados.

A aceleração das negociações com o governo americano é vista como crucial para não perder mercados.

O Itamaraty informou que seguirá negociando a retirada das tarifas.

A Amcham Brasil também defende a intensificação do diálogo bilateral.

O Valor Econômico aponta que entre os produtos mais afetados estão os semimanufaturados de ferro/aço, com US$ 1,676 bilhão em exportações em 2024.

A laminação de aço não ligado/ligas especiais representa US$ 509,8 milhões.

Pás carregadeiras (US$ 470,5 milhões) e açúcar bruto (US$ 439,5 milhões) também estão na lista de produtos com altas tarifas.

Outros itens incluem molduras de madeira, sebo bovino e motoniveladoras, todos com valores de exportação na casa das centenas de milhões de dólares.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/11/21/41-das-exportacoes-brasileiras-para-os-eua-ainda-sofre-tarifaco-de-50/feed/ 0
A vitória da diplomacia brasileira https://www.ocafezinho.com/2025/11/21/a-vitoria-da-diplomacia-brasileira/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/21/a-vitoria-da-diplomacia-brasileira/#respond Fri, 21 Nov 2025 15:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221700 Donald Trump citou expressamente a conversa que teve com Lula em sua decisão de suspender tarifas de 40% sobre café, carne, frutas e outros produtos agrícolas do Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto nesta quinta-feira (20/11) suspendendo as tarifas de 40%, anunciadas em abril, sobre diversos produtos agrícolas importados do Brasil.

Quando essas tarifas começaram a valer, em 30 de julho, o governo americano anunciou uma lista de exceções, com quase 700 produtos.

Agora, Trump ampliou essa lista, adicionando dezenas de outros itens, entre eles café, diversos cortes de carne bovina, açaí, tomate, manga, banana e cacau.

A suspensão das tarifas é retroativa e vale para mercadorias que chegaram aos Estados Unidos a partir do dia 13 de novembro. Nessa data, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, se reuniram em Washington, para mais uma rodada de negociação das tarifas.

Associações empresariais comemoraram a decisão do governo americano. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva disse que “ninguém respeita quem não se respeita”. Já políticos da oposição disseram que a decisão do governo americano teria sido tomada pela necessidade da redução da inflação americana — e não como fruto do esforço da diplomacia brasileira (leia mais abaixo as reações).

A reunião ocorreu na esteira de uma série de conversas do governo brasileiro com os Estados Unidos, incluindo uma conversa telefônica entre Lula e Trump, no dia 6 de outubro.

No decreto, Trump mencionou expressamente essa ligação, “durante a qual concordamos em iniciar negociações”.

O presidente americano afirmou também que recebeu recomendações de diversos funcionários americanos sobre a suspensão de “certas importações agrícolas do Brasil”.

Na opinião desses funcionários, disse Trump, “certas importações agrícolas do Brasil não deveriam mais estar sujeitas à alíquota adicional” porque, “entre outras considerações relevantes, houve progresso inicial nas negociações com o governo do Brasil.”

Trump afirmou, no entanto, que o Secretário de Estado, Marco Rubio, “continuará monitorando as circunstâncias relativas” às razões pelas quais os Estados Unidos impuseram tarifas ao Brasil.

“O Secretário de Estado me informará sobre qualquer circunstância que, em sua opinião, possa indicar a necessidade de novas medidas por parte do presidente”, escreveu Trump.

‘Medida positiva’

O presidente Lula, que participava da abertura do Salão do Automóvel, em São Paulo, afirmou, após anúncio de Trump, que “ninguém respeita quem não se respeita”.

“Hoje eu estou feliz porque o presidente Trump já começou a reduzir algumas taxações que tinha feito em alguns produtos brasileiros. Essas coisas vão acontecer na medida que a gente consiga galgar respeito das pessoas. Ninguém respeita quem não se respeita”, afirmou.

“Em política, em economia, não tem mágica. Você tem que fazer aquilo que é possível fazer, na hora que é possível fazer, sem pegar ninguém de sobressalto.”

Já o Itamaraty afirmou, por meio de nota, que recebeu a decisão de Trump “com satisfação”.

“O governo brasileiro reitera sua disposição para continuar o diálogo como meio de solucionar questões entre os dois países, em linha com a tradição de 201 anos de excelentes relações diplomáticas.”

A nota também diz que “o Brasil seguirá mantendo negociações com os EUA com vistas à retirada das tarifas adicionais sobre o restante da pauta de comércio bilateral.”

O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Celso Amorim, avaliou positivamente a retirada do tarifaço.

“É uma medida positiva. É resultado de um trabalho cuidadoso no nível político, diplomático e no das negociações. É um passo na direção certa”, disse o embaixador pouco antes de embarcar para a África do Sul, onde será realizada a Cúpula de Líderes do G20, grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo.

Quando anunciou as tarifas, Trump alegou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estaria sofrendo uma perseguição política classificada por Trump como uma “caça às bruxas” que precisava parar. Na época, Bolsonaro ainda não havia sido condenado no processo que o condenou a 27 anos de prisão por crimes como tentativa de golpe de Estado.

O governo brasileiro afirmou que não cederia à pressão americana e que o julgamento de Bolsonaro seguiria de acordo com os trâmites determinados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A crise diplomática instaurada entre o Brasil e os EUA só começou a dar sinais de arrefecimento em setembro, quando os dois presidentes se encontraram em Nova York, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas. O encontrou, segundo relatos, durou menos de um minuto e abriu caminho para uma aproximação entre os dois.

Reações

Após o anúncio feito por Trump nesta quinta, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) escreveu em sua conta no X que “a diplomacia brasileira não teve qualquer mérito na retirada parcial dessas tarifas de hoje”.

“Assim como beneficiou outros países, a decisão dos EUA decorreu apenas de fatores internos, especialmente a necessidade de conter a inflação americana em setores dependentes de insumos estrangeiros”, escreveu.

Eduardo atribuiu as tarifas à “instabilidade jurídica criada por Alexandre de Moraes”. O ministro é relator do inquérito que acabou condenando o ex-presidente.

Na semana passada, o Supremo tornou Eduardo réu por articular sanções contra o Brasil e autoridades brasileiras, na tentativa de influenciar o julgamento de seu pai.

Eduardo diz ser vítima de perseguição judicial e nega ter cometido o crime de coação.

“Só interesse americano. Zero aproximação com o governo brasileiro. Trump está defendendo os interesses do país dele”, disse o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ).

Já as associações de indústria e de comércio elogiaram o anúncio do governo americano.

“Vemos com grande otimismo a ampliação das exceções e acreditamos que a medida restaura parte do papel que o Brasil sempre teve como um dos grandes fornecedores do mercado americano”, disse o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban.

Segundo nota da CNI, “este é um resultado animador para novas etapas da negociação com o governo americano e a expectativa agora é avançar nos termos sobre bens industriais”.

A Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) avaliou a decisão do governo dos EUA como “muito positiva”.

“A medida representa um avanço importante rumo à normalização do comércio bilateral, com efeitos imediatos para a competitividade das empresas brasileiras envolvidas e sinaliza um resultado concreto do diálogo em alto nível entre os dois países”, afirmou a câmara, em nota.

“Ao mesmo tempo, a Amcham reforça a necessidade de intensificar esse diálogo entre Brasil e Estados Unidos, com o objetivo de estender a eliminação dessas sobretaxas aos demais produtos ainda impactados — com destaque para bens industriais — e de aprofundar a cooperação bilateral em temas de interesse mútuo.”

Tarifas recíprocas e inflação

Em 14 de novembro, Trump já havia anunciado a suspensão de parte das “tarifas recíprocas” de 10% aplicadas em abril passado a todos os parceiros comerciais dos Estados Unidos sobre uma série de produtos agrícolas.

Entre eles, estavam itens produzidos pelo Brasil como o café, cortes de carne bovina, açaí, castanha-do-Pará, tapioca, mandioca e frutas como banana, laranja e coco, dentre outros.

No entanto, a tarifa adicional de 40%, imposta por Trump sobre vários produtos brasileiros em julho, havia sido mantida naquele momento, embora já houvesse então expectativa do governo brasileiro de que fossem revertidas em um futuro próximo, como disse Vieira após a última reunião com Rubio.

O anúncio ocorre em um momento em que o governo americano enfrenta crescente pressão devido ao aumento da inflação no país.

Uma análise do centro de pesquisas Tax Foundation destaca o Brasil como quarto maior fornecedor de alimentos para os EUA, com US$ 7,4 bilhões em importações, atrás de União Europeia (US$ 31 bilhões), México (US$ 17,6 bilhões) e Canadá (US$ 15,6 bilhões).

O Brasil é o principal fornecedor de café para os EUA, e responde por cerca um terço de todas as importações. Ao passo que os EUA, embora seja o maior consumidor deste produto do mundo, praticamente não produz a commodity.

O preço do café acumula neste ano uma forte inflação nos EUA, e a tarifa imposta sobre a produção brasileira estava agravando esse cenário — causando preocupação em Trump por pressioná-lo em uma frente importante para seu eleitorado, a economia.

Segundo um cálculo da BBC News Brasil a partir de dados oficiais do MDIC, em setembro, a quantidade de café brasileiro enviada aos EUA caiu quase pela metade (-47%) em relação ao mesmo mês de 2024.

O açaí foi um dos produtos cujo tarifaço de 40% foi suspenso nesta quinta | Pablo Porciúncula/AFP via Getty Images

Na primeira conversa travada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tratar das tarifas, no início de outubro, o presidente americano admitiu que os EUA estava “sentindo falta” de alguns produtos brasileiros afetados pelas tarifas, e citou especificamente o café, segundo apurou a BBC News Brasil na época.

O Brasil também é o quarto maior fornecedor de mangas e goiabas (que estão juntos na nomenclatura de mercadorias usada no comércio exterior) para os americanos, tendo embarcado cerca de US$ 56 milhões desses produtos ao país em 2024.

Produtores brasileiros de manga foram duramente afetados pelas tarifas americanas, com produção encalhada diante do cancelamento de pedidos, como mostrou a BBC News Brasil.

O Brasil é ainda o maior exportador de carne bovina do mundo e responde por 23% das importações americanas do produto, segundo cálculo da Genial Investimentos.

Os EUA são o segundo maior mercado para o produto brasileiro, atrás apenas da China.

Mas, ao contrário do café e de frutas como a manga, no caso da carne os EUA são também um grande produtor.

No entanto, o país enfrenta uma queda histórica na oferta de carne bovina.

Atualmente, os EUA têm o menor número de cabeças de gado em 74 anos, depois que os pecuaristas reduziram a produção após vários anos de seca e preços baixos.

Paralelamente, a demanda dos consumidores se manteve firme, fazendo com que os preços nos supermercados aumentassem.

A suspensão das tarifas sobre a carne anunciadas na semana passada também deve beneficiar a Argentina, que responde por 2,1% das importações americanas e é governada pelo presidente Javier Milei, aliado de Trump.

No início de novembro, Trump disse que compraria mais carne argentina para baratear o produto no mercado americano, o que deixou produtores nacionais enfurecidos.

Trump sempre afirmou que suas tarifas não levariam ao aumento de preços para os consumidores americanos, mas as isenções recentes sinalizam uma mudança de postura.

Economistas já haviam alertado que as empresas repassariam o custo das tarifas de importação, gerando preços mais altos para os consumidores.

Embora a inflação tenha permanecido mais moderada do que muitos analistas previam em setembro, a maioria dos itens monitorados no relatório de inflação do Departamento do Trabalho apresentou aumento, com os alimentos subindo 2,7% em relação ao ano passado.

Publicado originalmente pela BBC News em 21/11/2025

Por Marina Rossi e Leandro Prazeres – BBC News Brasil em São Paulo e em Belém

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/11/21/a-vitoria-da-diplomacia-brasileira/feed/ 0
A derrota quádrupla do bolsonarismo https://www.ocafezinho.com/2025/11/21/a-derrota-quadrupla-do-bolsonarismo/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/21/a-derrota-quadrupla-do-bolsonarismo/#respond Fri, 21 Nov 2025 12:36:32 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221679 A decisão de Donald Trump de remover a sobretaxa de 40% sobre produtos agrícolas brasileiros representa uma imensa vitória política do presidente Lula. Além disso, foi um triunfo da diplomacia brasileira e do profissionalismo do Itamaraty.

Lula emergiu maior desse enfrentamento direto com o Calígula do Norte. Sua altivez foi um motivo de orgulho para todos os brasileiros e ficará para a história.

Simultaneamente, a medida configura uma derrota devastadora para a ala bolsonarista que apostou na afinidade ideológica com um dos presidentes mais extremistas da história americana para chantagear nossas instituições à custa do desemprego dos brasileiros e prejuízo ao setor produtivo nacional.

O fim dessas tarifas beneficia diretamente exportações de setores intensivos em emprego no Brasil, como café, carne bovina e frutas.

Ficou evidente para todos os economistas dos Estados Unidos, do Brasil e do mundo inteiro que as tarifas contra o Brasil eram simplesmente irracionais e estúpidas. Todos os argumentos apresentados por Trump para aplicá-las eram insustentáveis, não havia um sequer que se mantivesse de pé.

A reversão foi motivada por uma combinação de fatores que expuseram o fracasso da política tarifária trumpista. Os preços do café nos EUA subiram até 40% devido às tarifas, impactando diretamente o custo de vida dos americanos. A aprovação de Trump despencou para os níveis mais baixos desde seu retorno ao poder, segundo pesquisa Reuters/Ipsos.

As derrotas eleitorais do Partido Republicano, como a vitória do democrata Zohran Mamdani para prefeito de Nova York, foram atribuídas justamente à alta no custo de vida. Trump passou as últimas semanas mentindo descaradamente para o povo americano, afirmando que os preços dos produtos nos Estados Unidos vinham baixando.

A remoção das tarifas foi uma confissão, pelo próprio ato, de que elas causavam inflação, contrariando tudo o que Trump vinha dizendo.

Por isso foi doloroso ver que políticos brasileiros importantes, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, não se manifestaram contra as razões apresentadas pela Casa Branca. Mesmo que não quisesse criticar diretamente o presidente americano, Tarcísio deveria ter contestado essas justificativas.

Ao não fazê-lo, o governador paulista atrapalhou a própria economia de São Paulo e do país. Pior ainda, ofereceu a sugestão infame de que Lula deveria ir à Casa Oval entregar uma “vitória” a Trump.

A reversão, conduzida pelas negociações bilaterais do governo Lula, desmoraliza a narrativa de que a submissão a Trump traria vantagens ao Brasil.

Demonstrou-se que a defesa intransigente da nossa soberania e das nossas instituições democráticas constituem os melhores instrumentos no processo de negociação política com qualquer país, em especial uma potência imperialista comandada por um presidente tão truculento e antidemocrático como Donald Trump, que só respeita a força.

O impacto mais profundo, no entanto, é político.

Para o bolsonarismo trumpista, em especial, a queda das tarifas materializa uma derrota quádrupla.

Primeiro, expõe a atuação criminosa de figuras como o deputado Eduardo Bolsonaro, que, ao conspirar abertamente nos EUA contra o próprio país, acumulou passivos judiciais que já são alvo de inquérito no STF.

Segundo, agrava a situação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja cumplicidade nos atos do filho piora sua imagem perante a justiça e a opinião pública.

Em terceiro lugar, a aposta em Trump alienou o bolsonarismo de setores produtivos nacionais, que arcaram com os prejuízos do tarifaço e agora veem no governo Lula a solução para os problemas criados por uma extrema-direita antinacional que eles tanto apoiaram ao longo dos últimos anos.

Por fim, a quarta derrota: toda essa confusão manchou o bolsonarismo por muitos anos com o estigma de traidor da pátria.

A propósito, a pecha de inimigos do Brasil só aumentou com a reação bolsonarista às agressões do chanceler alemão à cidade de Belém, em que todos eles defenderam Merz e atacaram a própria nação.

Apesar da vitória na remoção das tarifas sobre produtos agrícolas, o governo brasileiro continua trabalhando para eliminar as barreiras comerciais que ainda afetam alguns dos nossos produtos manufaturados.

Além disso, permanecem as sanções impostas pelo governo Trump contra autoridades brasileiras. O ministro Alexandre de Moraes e sua esposa foram sancionados via Global Magnitsky Act, enquanto outros ministros do STF tiveram seus vistos americanos revogados.

A diplomacia brasileira segue atuando para reverter também essas medidas punitivas.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/11/21/a-derrota-quadrupla-do-bolsonarismo/feed/ 0
Lula agradece Trump e espera “zerar celeuma” com os EUA https://www.ocafezinho.com/2025/11/21/lula-agradece-trump-e-espera-zerar-celeuma-com-os-eua/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/21/lula-agradece-trump-e-espera-zerar-celeuma-com-os-eua/#respond Fri, 21 Nov 2025 12:29:30 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221682 Presidente destacou início de derrubada de tarifas comerciais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (20), em vídeo postado nas redes sociais, que a suspensão da tarifas comercial de 40% sobre uma determinada lista de produtos brasileiros foi um sinal importante.

“Não é tudo o que eu quero, não é tudo que o Brasil precisa, mas é uma coisa importante. O presidente Trump acaba de anunciar que vai começar a reduzir vários produtos brasileiros que foram taxados em 40%. Isso é um resultado muito importante”, afirmou. Lula elogiou a decisão do mandatário norte-americano e disse esperar que ambos possam se reencontrar pessoalmente no Brasil ou nos EUA.

“Ele [Trump] está convidado para vir no Brasil quando ele quiser, e eu espero ser convidado para ir a Washington para zerar qualquer celeuma comercial, política, entre Brasil e EUA”, acrescentou.

Lula gravou o vídeo ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em São Paulo, um pouco antes de embarcar para a África do Sul, onde participará da Cúpula do G20. O presidente fez questão agradecer a Trump, ainda que de forma parcial, e pediu que os países alcancem entendimento comercial completo.

“Vou lhe agradecer só parcialmente, porque e vou lhe agradecer totalmente quando tudo estiver totalmente acordado entre nós”.

Suspensão parcial

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou, nesta quinta-feira (20), a retirada da tarifa de importação de 40% sobre determinados produtos brasileiros. Constam na lista divulgada pela Casa Branca produtos como café, chá, frutas tropicais e sucos de frutas, cacau e especiarias, banana, laranja, tomate e carne bovina.

Na ordem executiva publicada pela Presidência dos EUA, Trump diz que a decisão foi tomada após conversa por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, “durante a qual concordamos em iniciar negociações para abordar as questões identificadas no Decreto Executivo 14.323”. De acordo com a publicação, essas negociações ainda estão em andamento.

Itamaraty

O governo brasileiro emitiu nota na noite desta quinta-feira afirmando que “recebeu com satisfação a decisão do governo dos Estados Unidos de revogar a tarifa adicional de 40% para uma série de produtos agropecuários importados do Brasil”.

A nota do governo, publicada pelo Itamaraty, cita ainda que o presidente Donald Trump “recebeu recomendações de altos funcionários do seu governo de que certas importações agrícolas do Brasil não deveriam estar mais sujeitas à tarifa de 40% em função do ‘avanço inicial das negociações’ com o governo brasileiro”.

A medida tomada pelos EUA é retroativa a 13 de novembro, mesma data da última reunião entre o ministro Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio, em Washington. Naquela oportunidade, eles trataram do avanço das negociações para a redução das tarifas.

O Brasil também se coloca à disposição para manter o diálogo com o governo Trump para “solucionar questões entre os dois países, em linha com a tradição de 201 anos de excelentes relações diplomáticas.

Publicado originalmente pela Agência Brasil em 20/11/2025

Por Pedro Rafael Vilela – Enviado especial – Belém

Edição: Juliana Cézar Nunes

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/11/21/lula-agradece-trump-e-espera-zerar-celeuma-com-os-eua/feed/ 0
Trump reduz tarifas sobre café, carne e frutas https://www.ocafezinho.com/2025/11/15/trump-reduz-tarifas-sobre-cafe-carne-e-frutas/ https://www.ocafezinho.com/2025/11/15/trump-reduz-tarifas-sobre-cafe-carne-e-frutas/#respond Sat, 15 Nov 2025 20:00:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=221417 Redução das taxas sobre alguns produtos já era esperada como forma de tentar conter a inflação enfrentada pelo consumidor americano. Após anúncio da medida, Trump diz não ver necessidade de novas reduções.

O governo de Donald Trump nos Estados Unidos publicou uma ordem executiva nesta sexta-feira (14/11) reduzindo as tarifas de importação sobre cerca de 200 produtos alimentícios, entre eles, café, carne, açaí, manga, banana e laranja. No caso do Brasil, as taxas caem de 50% para 40%.

De acordo com as autoridades americanas, a medida vale para mercadorias importadas e retiradas em armazém desde a quinta-feira.

Segundo o Ministério da Agricultura, a ordem abrange apenas as chamadas taxas de reciprocidade, impostas a diversos países em abril pelo governo do presidente Donald Trump, e que no caso do Brasil eram de 10%. No entanto, posteriormente os EUA impuseram uma tarifa adicional de 40% a produtos brasileiros, a qual continua valendo, conforme a pasta.

Inflação preocupa americanos

A redução das tarifas sobre alguns produtos já era esperada como forma de tentar conter a inflação enfrentada pelo consumidor americano.

As novas isenções marcam uma forte reviravolta para Trump, que há muito insiste que suas tarifas de importação não estão alimentando a inflação.

Elas vêm depois de uma série de vitórias dos democratas em eleições estaduais e municipais na Virgínia, Nova Jersey e Nova York, onde a alta do custo de vida foi um tópico importante.

Repercussão no Brasil

O Brasil pode ser beneficiado com a redução das tarifas. No entanto, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que ainda está analisando a ordem executiva assinada por Trump.

Em nota, o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) informou que está avaliando se a medida se aplica “à tarifa base de 10%, à de 40% [adicional] ou a ambas”.

“O Cecafé está em contato com seus pares americanos, neste momento, para analisar, cuidadosamente, a situação e termos noção do real cenário que se apresenta”, diz o comunicado.

Já a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) considerou positiva a decisão do governo americano de reduzir as tarifas aplicadas à carne bovina brasileira.

“A medida reforça a confiança no diálogo técnico entre os dois países e reconhece a importância da carne do Brasil, marcada pela qualidade, pela regularidade e pela contribuição para a segurança alimentar mundial”, informou.

Trump descarta mais reduções

Após o anúncio do rebaixamento das tarifas, Trump indicou não achar necessários novos cortes em taxas.

Ele foi questionado por repórteres sobre possíveis novas reduções, quando dava entrevista a bordo do Air Force One. “Não acho que não será necessário”, afirmou.

“Acabamos de fazer um pequeno recuo”, acrescentou. “Os preços do café estavam um pouco altos. Agora, ficarão mais baixos em um período muito curto.”

Publicado originalmente pelo DW em 15/11/2025

]]>
https://www.ocafezinho.com/2025/11/15/trump-reduz-tarifas-sobre-cafe-carne-e-frutas/feed/ 0