tomahawk - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/tomahawk/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Thu, 28 May 2026 17:15:02 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png tomahawk - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/tomahawk/ 32 32 EUA levarão anos para recompor arsenal militar perdido na guerra https://www.ocafezinho.com/2026/05/28/eua-levarao-anos-para-repor-arsenal-esgotado-em-ataques-contra-republica-islamica/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/28/eua-levarao-anos-para-repor-arsenal-esgotado-em-ataques-contra-republica-islamica/#respond Thu, 28 May 2026 17:05:03 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/05/28/eua-levarao-anos-para-repor-arsenal-esgotado-em-ataques-contra-republica-islamica/ Estudo do CSIS aponta que reposição de mísseis usados contra o Irã pode se estender até 2031

Um relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), think tank sediado em Washington, revelou que os Estados Unidos precisarão de vários anos para recompor os estoques de munições de alta precisão consumidos durante a ofensiva militar contra a República Islâmica. A análise, divulgada pela agência TASS, expõe o custo logístico e estratégico da operação bélica americana no Oriente Médio.

O levantamento aponta que mais de mil mísseis de cruzeiro Tomahawk foram disparados nos bombardeios contra alvos iranianos. Isso esgotou uma parcela crítica do inventário ofensivo da Marinha dos EUA. Entre 1.060 e 1.430 projéteis para os sistemas de defesa antiaérea Patriot também foram consumidos, além de interceptores do sistema THAAD.

Leia também: EUA violam cessar-fogo com Irã em meio a negociações sem resultados

As projeções do CSIS indicam que a reposição dos mísseis Tomahawk aos níveis anteriores ao conflito só será concluída entre o final de 2030 e o início de 2031. Os estoques de munições Patriot e interceptores THAAD devem ser recompostos até meados de 2029. O relatório evidencia a drenagem acelerada de recursos militares provocada pela operação.

Embora o documento afirme que os Estados Unidos ainda possuem munições suficientes para cenários plausíveis na guerra contra o Irã, os analistas reconhecem que os inventários esgotados abriram uma janela de vulnerabilidade. Essa situação preocupa estrategistas militares, que priorizam a Ásia como teatro de competição global.

O Departamento de Estado dos EUA já havia comunicado o adiamento de entregas de munições aos países bálticos, aliados da OTAN. A medida foi justificada pelo esgotamento dos estoques americanos provocado pela guerra com a República Islâmica. A decisão expõe a contradição entre o discurso de força e a realidade de uma máquina militar sobrecarregada.

O cenário descrito pelo CSIS desmente a narrativa triunfalista difundida por porta-vozes do Pentágono. Enquanto a indústria bélica americana luta para repor os arsenais consumidos no Oriente Médio, as tensões com a China no Pacífico seguem sem margem confortável de prontidão logística. Os limites materiais da ambição imperial de Washington ficam evidentes.

Início da guerra

Na madrugada de 28 de fevereiro de 2026, explosões iluminaram o céu de Teerã. Os Estados Unidos e Israel lançaram ataques coordenados em território iraniano, atingindo complexos governamentais na capital e instalações militares espalhadas pelo país. Em poucas horas, o mundo acordou diante de um conflito que prometia mudar para sempre a geopolítica do Oriente Médio.

O primeiro golpe foi devastador. Entre as vítimas dos ataques iniciais, estava o aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã por quase 37 anos. Altos oficiais militares e de inteligência também morreram nos bombardeios. O governo Trump apresentou a ofensiva, em parte, como uma tentativa de estimular a população iraniana a derrubar sua liderança teocrática — uma aposta geopolítica arriscada, que poucos analistas consideravam realista.

Mas a tragédia mais perturbadora daquele primeiro dia ainda estava por vir. Um erro de direcionamento das forças americanas resultou no ataque a uma escola primária feminina no sul do Irã. Pelo menos 175 pessoas morreram — a maioria, crianças. A notícia chocou o mundo e imediatamente alimentou críticas severas à condução militar da operação.

O Irã não ficou passivo. Ainda no dia 28, mísseis e drones partiram em direção a Israel e a bases militares americanas espalhadas pela região — no Qatar, no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos. A resposta foi imediata e determinada.

No dia seguinte, 1º de março, seis soldados americanos morreram em um ataque de drone iraniano em Port Shuaiba, no Kuwait. Foram as primeiras baixas americanas da guerra. Naquele mesmo dia, o Hezbollah arrastou o Líbano para o conflito ao lançar foguetes contra Israel, alegando retaliar o assassinato do líder supremo iraniano.

Em entrevista por telefone ainda em 1º de março, o presidente Trump afirmou que o conflito duraria “de quatro a cinco semanas”. A declaração soou como subestimação — e o desdobramento dos eventos confirmaria essa percepção.

Com o vácuo de poder criado pelos ataques, o Irã precisava agir rápido. Em 8 de março, um comitê de clérigos xiitas nomeou Mojtaba Khamenei, filho de 56 anos do líder supremo assassinado, como seu sucessor. Trump havia declarado essa escolha “inaceitável” — mas o Irã ignorou a pressão e sinalizou continuidade política e resistência.

Quatro dias depois, em 12 de março, Mojtaba Khamenei emitiu sua primeira declaração como líder supremo, ordenando ao exército que mantivesse o bloqueio ao Estreito de Ormuz. A decisão era estratégica: por aquele corredor passa uma fatia expressiva do fornecimento mundial de petróleo e gás natural.

Ainda em 11 de março, o Irã havia intensificado os ataques na região do estreito, atingindo ao menos três navios segundo uma agência marítima britânica. Os preços do petróleo dispararam nos mercados internacionais, e o governo americano correu para tentar conter o pânico econômico global.

Ataques à infraestrutura e o aprofundamento da crise

A guerra logo deixou de ser apenas militar para se tornar também econômica. Em 13 de março, as forças americanas bombardearam a ilha de Kharg, principal centro de exportação de petróleo iraniano, responsável por cerca de 90% das exportações do país. Trump insistiu que o alvo foi apenas infraestrutura militar — mas a credibilidade dessa afirmação foi amplamente questionada.

Em 17 de março, as forças israelenses eliminaram dois dos mais importantes líderes iranianos: Ali Larijani, chefe do Conselho de Segurança Nacional, e Gholamreza Soleimani, comandante da milícia Basij. Foram os golpes mais duros à liderança iraniana desde o início da guerra.

No dia seguinte, Israel atacou o campo de gás de South Pars, que responde por cerca de 70% a 75% da produção iraniana de gás natural. Em retaliação, o Irã atingiu a Cidade Industrial de Ras Laffan, no Qatar — aliado dos EUA e sede da maior planta de exportação de gás natural liquefeito do mundo. O conflito havia se transformado em uma guerra de energia.

Com a guerra se arrastando por semanas, os primeiros sinais de exaustão diplomática surgiram em 23 de março, quando Trump admitiu que os dois países discutiam o fim do conflito — a primeira indicação pública de negociações.

Porém, os combates continuaram. Em 3 de abril, o Irã abateu um caça F-15E americano, o primeiro a ser derrubado na guerra. Os dois tripulantes estavam a bordo; um foi resgatado no mesmo dia, e a operação de busca do segundo levou dois dias e exigiu que comandos americanos penetrassem em território iraniano.

Em 7 de abril, Trump anunciou um cessar-fogo de duas semanas. O Conselho de Segurança Nacional do Irã confirmou o acordo — e o classificou como uma vitória. No entanto, Israel não se sentiu obrigado pelo cessar-fogo e, em 8 de abril, lançou o bombardeio mais intenso sobre o Líbano desde o início do conflito, com mais de 100 ataques aéreos em apenas dez minutos contra o Hezbollah.

Em 11 de abril, o vice-presidente JD Vance viajou a Islamabad para negociações mediadas pelo Paquistão. Acompanhado do enviado Steve Witkoff e do genro de Trump, Jared Kushner, ele se reuniu com uma delegação iraniana liderada pelo general Mohammad Bagher Ghalibaf. As conversas, porém, terminaram em 12 de abril sem acordo — as partes não chegaram a consenso sobre o estoque de urânio iraniano nem sobre a reabertura do Estreito de Ormuz.

Cessar-fogo frágil e o futuro incerto

O caminho rumo à paz seguiu tortuoso. Em 16 de abril, Israel e Hezbollah concordaram com um cessar-fogo de dez dias no Líbano, intermediado por diplomatas americanos — um passo que removeu um obstáculo importante. No dia 17, EUA e Irã declararam o Estreito de Ormuz aberto ao tráfego comercial. Menos de 24 horas depois, as autoridades iranianas fecharam novamente a hidrovia.

Em 19 de abril, fuzileiros navais americanos apreenderam um navio cargueiro iraniano que tentava furar o bloqueio naval. Em 21 de abril, Trump prorrogou o cessar-fogo, dizendo dar ao Irã tempo para apresentar uma nova proposta.

Depois de semanas de idas e vindas, em 1º de maio Trump rejeitou a última proposta iraniana. “Eles querem fazer um acordo, mas não estou satisfeito com ele”, declarou na Casa Branca. No mesmo dia, enviou cartas ao Congresso afirmando que as hostilidades “haviam terminado” — e argumentou que a Resolução sobre Poderes de Guerra de 1973 não se aplicava ao caso em função do cessar-fogo vigente.

O conflito durou mais de cinco semanas antes de o cessar-fogo ser anunciado no 39º dia. O número de mortos chegou a milhares, principalmente no Irã e no Líbano. Centenas de milhares de pessoas abandonaram suas casas. A economia global sofreu abalos severos, com os preços de energia disparando e mercados financeiros em turbulência.

A guerra expôs a fragilidade das estruturas diplomáticas do Oriente Médio — e revelou até onde os Estados Unidos estavam dispostos a ir sob o comando de Trump. Para críticos à esquerda, o conflito reforçou a percepção de que decisões militares tomadas sem consenso internacional e sem autorização do Congresso americano colocam vidas civis em risco, como o trágico ataque à escola feminina no sul do Irã exemplificou de forma brutal.

O futuro do cessar-fogo segue incerto. E com ele, o destino de toda uma região.

 

Com informações da Agência TASS e The New York Times*

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