une - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/une/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Wed, 23 Jul 2025 21:04:44 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png une - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/une/ 32 32 “Sem Anistia, Bolsonaro na cadeia!”: estudantes de Direito apoiam prisão de Bolsonaro em congresso da UNE https://www.ocafezinho.com/2025/07/23/sem-anistia-bolsonaro-na-cadeia-estudantes-de-direito-apoiam-prisao-de-bolsonaro-em-congresso-da-une/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/23/sem-anistia-bolsonaro-na-cadeia-estudantes-de-direito-apoiam-prisao-de-bolsonaro-em-congresso-da-une/#respond Wed, 23 Jul 2025 21:04:40 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=213544 Durante 60° congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizado em Goiânia no dia 19, estudantes de Direito de todo o país aprovaram com unanimidade uma moção defendendo a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e dos responsáveis pela tentativa de golpe de 8 de janeiro.

Intitulado “Sem Anistia, Bolsonaro na cadeia! Por Memória, Verdade e Justiça. Em Defesa da Democracia!”, o documento ressalta que o processo conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), respeita o devido processo legal, e portanto deve ser respeitado. O texto ainda salienta que o atual caso contrasta com os abusos cometidos pela operação Lava Jato e o juíz Sérgio Moro.

A carta foi assinada pela Federação Nacional de Estudantes de Direito (FENED) junto com centros acadêmicos de Direito de diversas universidades, como XI de Agosto (USP), CADIR (UnB), CAEV (UFF) e CADEL (UFPA).

Além de tratar da responsabilização de Bolsonaro com base na Ação Penal nº 2.668/DF, a moção também repudia tentativas de interferência estrangeira no sistema de justiça brasileiro, se referindo às pressões diplomáticas e econômicas dos Estados Unidos que pretendem conquistar a anistia de Bolsonaro.

“A soberania nacional e a independência dos nossos Poderes não podem ser subjugadas aos interesses geopolíticos dos Estados Unidos ou de seus aliados. Defender a democracia brasileira é também defender nossa autodeterminação”, afirmam as entidades estudantis. “Nossa luta é para que o Brasil nunca mais seja entregue às mãos do fascismo”.

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“Não é um gringo que vai dar ordem a este presidente”: Lula confronta Trump e defende soberania brasileira na UNE https://www.ocafezinho.com/2025/07/17/nao-e-um-gringo-que-vai-dar-ordem-a-este-presidente-lula-confronta-trump-e-defende-soberania-brasileira-na-une/ https://www.ocafezinho.com/2025/07/17/nao-e-um-gringo-que-vai-dar-ordem-a-este-presidente-lula-confronta-trump-e-defende-soberania-brasileira-na-une/#comments Thu, 17 Jul 2025 21:22:07 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=213123 1 Comentário 🔥]]> Em discurso na abertura do 60º Congresso da União Nacional dos Estudantes, presidente rejeita pressões externas e critica Bolsonaro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou na abertura do 60º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizado na Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia, na quinta-feira (17). Vestido de vermelho e com o boné da UNE, Lula falou por meia hora diante de cerca de 10 mil estudantes.

Relações com os Estados Unidos

Lula destacou o histórico das relações diplomáticas entre os países: “Temos duzentos e um anos de relações diplomáticas com os Estados Unidos. Não é 200 dias, é 201 anos. O Brasil tem um déficit comercial de serviço e de comércio de 410 bilhões em 15 anos. Portanto, os Estados Unidos é muito superavitário com relação ao Brasil.”

O presidente criticou as pressões americanas: “É por isso que a gente não aceita a ideia do presidente mandar uma carta via o e-mail dele dizendo que a partir do dia 1º, se não libertar o Bolsonaro, sabe, que vai taxar em 50%. Nós vamos responder da forma mais civilizada possível e da forma que um democrata responde.”

Defesa da soberania nacional

Lula foi enfático sobre a não interferência externa: “A primeira coisa é que nós não aceitamos que ninguém, ninguém de nenhum país fora do Brasil se meta nos nossos problemas inteiros que é dos brasileiros.”

O presidente fez uma declaração direta: “Não é um gringo que vai dar ordem a esse Presidente da República. Não é.”

Situação de Bolsonaro e tentativa de golpe

Lula explicou a situação judicial: “É a primeira vez na história desse país que nós temos três generais de quatro estrelas presos. É a primeira vez na história desse país. E não estão presos à toa, estão presos porque tentaram dar um golpe, inclusive com insinuações de que era preciso matar o Lula, matar o Alexandre Moraes e matar o meu vice.”

Sobre o julgamento, declarou: “Essa gente vai ser julgada. Não vai ser julgada porque o Lula quer que ele seja julgado. Eu não estou juiz. Vai ser julgada porque eles mesmos se autodelataram e quem está julgando eles são os ministros da Suprema Corte com base nos autos do processo.”

Lula fez uma comparação com os Estados Unidos: “E eu disse ontem para a imprensa, se o Trump morasse no Brasil, e ele tentar fazer aqui no Brasil o que ele fez no Capitólio, certamente ele também estava julgado e poderia ser preso. Certamente.”

Críticas a Bolsonaro

O presidente criticou duramente o ex-presidente: “Agora, manda o filho dele para os Estados Unidos, vai lá, vai lá pedir para o Trump me absorver, vai lá, vai lá pedir, vai. E fica abraçado na bandeira americana esse patriota falso.”

Lula defendeu a retomada dos símbolos nacionais: “Nós vamos tomar a bandeira verde e amarela. A bandeira verde e amarela vai voltar até o povo brasileiro. O Bolsonaro que se abraça a bandeira americana, transfira seu título para lá e vai voltar lá, porque aqui quem manda, aqui quem manda somos nós, brasileiros.”

Sobre o comportamento de Bolsonaro, disse: “Ele que não veja mais falar da bandeira verde e amarela, ele que tenha vergonha, se esconde da sua covardia e deixe esse país viver em paz.”

Regulamentação das plataformas digitais

Lula anunciou medidas sobre empresas americanas: “E eu queria dizer para vocês que a gente vai julgar e vai cobrar imposto das empresas americanas digitais.”

O presidente justificou a regulamentação: “Nós não aceitamos que, em nome da liberdade de expressão, você fica utilizando para fazer agressão, para fazer mentira, para prejudicar. Violência contra a criança, violência contra as mulheres, violência contra os negros, violência contra LBGTQIA+, ou seja, tudo que é tipo de violência.”

Defendeu a proteção das crianças: “Aqui a gente não vai permitir, porque o dono do Brasil é o povo brasileiro e nós não vamos permitir que as nossas crianças sejam vítimas de coisas que não estão sob o nosso controle.”

Experiência em negociação

Lula destacou sua trajetória: “Todo mundo aqui sabe que eu nasci, eu nasci na política fazendo greve. E quando a gente faz greve, a gente faz acordo. Eu nasci aprendendo a fazer negociação. Eu tenho certeza que o presidente americano jamais negociou 10% do que eu negociei na minha vida. Jamais.”

Sobre sua agenda diplomática, declarou: “Nesses dois anos, eu já tive reunião com 54 países da União Africana, eu já tive reunião com todos os países da União Europeia, eu já tive reunião com a China, com o Japão, com o Vietnã, já me reuni com toda a América Latina, já me reuni com todo o Caribe.”

Convocação à juventude

Lula alertou sobre a representação política: “A esquerda toda que está aqui não tem mais que 140 deputados no Congresso Nacional, de um total de 513. E no Senado, temos só doze. Para aprovar qualquer coisa, precisamos de maioria.”

Fez questionamentos estratégicos: “Como é que o PT é capaz de eleger um presidente da República cinco vezes e só faz setenta deputados federais? Será que o povo está nos compreendendo? Por que o povo não vota nos deputados e senadores de esquerda? Esse é um desafio para a juventude pensar.”

Alertou sobre as fake news: “A juventude é muito vulnerável à máquina das empresas de tecnologia. É importante que aprenda a distinguir a mentira da verdade, senão vamos fazer uma eleição com base numa guerra de inteligência artificial.”

Propôs uma alternativa: “Não quero uma sociedade de algoritmos, quero uma sociedade de humanistas. Construir companheiros de verdade, de carne e osso.”

Origem pessoal e soberania

Lula encerrou com uma declaração pessoal: “Um cara que nasceu em Caítes, saiu de São Paulo, chegou em São Paulo com sete anos de idade, comeu pão pela primeira vez com sete anos, sobreviveu criado por uma mãe com oito filhos, sabe? Chegou a Presidenta da República, não é um gringo que vai dar ordem a esse Presidente da República.”

Definiu sua lealdade: “Eu tenho um patrono nesse país. Eu sei a que eu devo respeitar nesse país. Eu sei quem é que manda nesse país. Eu sei quem faz esse país ser o que é. O nome dessa pessoa só tem quatro letras, chama-se povo brasileiro.”

Sanção de projeto educacional

Durante o evento, Lula sancionou o Projeto de Lei 3.118/2024, que amplia o uso dos recursos do Fundo Social para financiar políticas de assistência estudantil em instituições públicas.

O 60º Congresso da UNE acontece de 16 a 20 de julho de 2025, em Goiânia, com o tema “O Brasil se une pela soberania”.

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A importância da UNE é gigante! https://www.ocafezinho.com/2023/07/21/a-importancia-da-une-e-gigante/ https://www.ocafezinho.com/2023/07/21/a-importancia-da-une-e-gigante/#comments Fri, 21 Jul 2023 11:35:56 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=161264 Ao contrário do que diz matéria do Metrópoles, a deputada Dani Balbi (PCdoB) explica a importância da UNE.

Por Dani Balbi

No último fim de semana, cerca de 10 mil estudantes vindos de todas as regiões do Brasil se encontraram em Brasília para discutir o futuro do país. Era o 59° Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), que elegeu como sua nova presidenta a jovem estudante pernambucana Manuella Mirella.

A importância da UNE está registrada nos livros de história e nos diversos direitos políticos que hoje temos. Mas parece que nem todos sabem disso. Nesta semana, por exemplo, tive o desprazer de ler um artigo no Metrópoles intitulado “A importância da UNE é zero”. Resolvi então contribuir para desfazer esse desconhecimento do autor, para dizer o mínimo.

Talvez o articulista não saiba, mas na década de 1950 a UNE foi a grande impulsionadora da campanha “O Petróleo é nosso”, fundamental para o posterior desenvolvimento soberano do país.

Na década de 1960, a UNE de Aldo Arantes criou o Centro Popular de Cultura, uma das principais iniciativas artísticas do país. O CPC reunia intelectuais como Luiz Werneck Vianna e Carlos Estevam Martins, e artistas como Arnaldo Jabor, Cacá Diegues e tantos outros.

Na década de 1970, a UNE lutou contra a ditadura militar. Muitos estudantes da entidade foram presos e torturados. Inclusive, a UNE sofreu na carne com o assassinato de seu então presidente em 1973, Honestino Guimarães.

Na década de 1980, de forma pioneira, a UNE foi uma das primeiras organizações da sociedade civil brasileira a ser presidida por uma mulher, a socióloga baiana Clara Araújo. Professora da UERJ, Clara, hoje, é uma das principais especialistas em estudos de gênero no mundo.

Na década de 1990, liderada por Lindbergh Farias, a UNE protagonizou o impeachment do primeiro presidente neoliberal do país, Fernando Collor de Melo. Foram mobilizações de rua com milhares de pessoas que mostraram a vitalidade dos movimentos sociais brasileiros.

Mais recentemente, em 2013, a UNE foi a principal responsável por cobrar da presidenta Dilma Rousseff que 50% do Fundo Social do Pré-Sal fosse destinado para educação.

Hoje, uma ex-dirigente da UNE, Luciana Santos, é a ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação do país. A ministra possui reconhecimento e credibilidade na comunidade científica, como ficou demonstrado na nota pública divulgada ontem pela SBPC e pela ABC.

A UNE não só é fundamental para a história democrática do país, como tem sido uma das maiores escolas de cidadania que já tivemos. A UNE é gigante!

 Dani Balbi, deputada estadual no Rio de Janeiro pelo PCdoB, foi ativista do movimento estudantil.

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Iago Montalvão é indicado à presidência da UNE https://www.ocafezinho.com/2019/06/16/iago-montalvao-e-indicado-a-presidencia-da-une/ https://www.ocafezinho.com/2019/06/16/iago-montalvao-e-indicado-a-presidencia-da-une/#comments Sun, 16 Jun 2019 21:25:06 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=95959 2 Comentários 🔥]]> O PCdoB definiu na noite de ontem que o estudante de Ciências Econômicas da Universidade de São Paulo (FEA/USP), Iago Montalvão, será seu candidato à presidência da União Nacional dos Estudantes (UNE).

A indicação do PCdoB costuma ser esperada por todo o movimento estudantil. Afinal de contas, nos últimos 30 anos, todos os presidentes da UNE vieram do partido.

Diretor da executiva da UNE, ingressou no movimento estudantil ainda secundarista, chegando, depois, a ser coordenador geral do Diretório Central dos Estudantes da UFG. À época, participou das lutas contra o aumento das tarifas de ônibus e organizou caravanas abarrotadas de estudantes para ir à Brasília lutar pelo investimento de 10% do PIB e 100% dos Royalties do Pré-sal para Educação, Ciência e Tecnologia. Pôde estudar economia em uma das instituições mais importantes do país graças às políticas de democratização do acesso à educação superior, conquistadas através da luta do movimento estudantil.

Filho de professor e de mãe empreendedora social, Iago é aquele tipo de jovem nerd que pegou gosto pela leitura nas histórias em quadrinhos e, até hoje, lê tudo que vê pela frente. Eclético, escuta de Pink Floyd ao Sertanejo. É conhecido pela garra e por ser gente boa, transparecendo o que diz a célebre frase de Che Guevara “é preciso endurecer, mas sem perder a ternura, jamais.”

Iago Montalvão é goiano como Honestino Guimarães e estudante da USP como Helenira Rezende, presidente e vice da UNE mortos pela ditadura militar. Se eleito, terá como desafio enfrentar o momento político marcado pelo autoritarismo e pelo desmonte da educação pública empreendidos pelo Governo Bolsonaro.

O Congresso da UNE acontece entre 10 a 14 de julho em Brasília.

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Greve! Universidades federais contra a PEC 55 https://www.ocafezinho.com/2016/11/23/greve-universidades-federais-contra-pec-55/ https://www.ocafezinho.com/2016/11/23/greve-universidades-federais-contra-pec-55/#respond Wed, 23 Nov 2016 14:51:18 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=60593 Professores se unem contra a PEC 55 e a reforma no ensino médio proposta pelo governo Temer. A partir de quinta-feira, 24, a mobilização contra o ajuste econômico ganhará força e invadirá 27 universidades federais no país.

No Uol

Professores de 27 universidades federais aprovam greve a partir de 5ª

Depois da mobilização dos estudantes da educação básica e universitários contra a PEC do Teto de Gastos e a Medida Provisória que reforma o ensino médio, propostas do governo Michel Temer (PMDB), os professores de ao menos 27 universidades federais aprovaram greve a partir de quinta-feira, 24, por tempo indeterminado, segundo a Associação Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), principal sindicato da categoria.

A maioria das instituições é de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Pernambuco.

“A conjuntura política está cada vez mais acirrada, a PEC foi aprovada na câmara sem discussão nenhuma com a sociedade. Por isso, sentimos a necessidade de ampliar a mobilização contra essas medidas”, disse Eblin Farage, presidente da Andes.

Segundo Eblin, outras 17 instituições estão com indicativo de greve e devem votar a participação nos próximos dias. Entre elas, está a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) que aprovou indicativo de paralisação para os dias 28 e 29 de novembro. “As universidades já vivem hoje com um corte de gastos severo. A PEC vem para reduzir ainda mais o orçamento que já insuficiente para a manutenção das instituições.”

De acordo com Eblin, os docentes também são contrários à “forma e conteúdo” que a reforma do ensino médio foi apresentada pelo governo Temer. “Primeiro, por ter sido uma mudança importantíssima e que querem empurrar sem nenhuma discussão. E segundo, por impactar diretamente nas universidades que formam os professores que dão aulas no ensino médio e que podem não ter mais suas disciplinas como obrigatórias na grade curricular”, disse.

No ano passado, docentes e funcionário técnico-administrativos de 48 das 63 universidades federais do País ficaram mais de dois meses em greve contra os cortes orçamentários. A paralisação fez com que o início das aulas do segundo semestre fossem adiadas em algumas unidades e afetou em junho a matrícula dos aprovados no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que usa a nota do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Mobilização

De acordo com o último levantamento da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), 223 universidades estão ocupadas no país contra as duas propostas. Também estão ocupadas 393 escolas – no fim de outubro o número passava de mil.

Com a pressão para a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e pela atuação mais forte das polícias para a desocupação de colégios, a mobilização contra as medidas do governo federal se concentraram nas universidades.

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CPI da UNE é primeiro passo para criminalização dos movimentos sociais https://www.ocafezinho.com/2016/06/01/cpi-da-une-e-primeiro-passo-para-criminalizacao-dos-movimentos-sociais/ https://www.ocafezinho.com/2016/06/01/cpi-da-une-e-primeiro-passo-para-criminalizacao-dos-movimentos-sociais/#comments Wed, 01 Jun 2016 16:02:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=46989 35 Comentários 🔥]]> une vic

Por Theo Rodrigues, Colunista do Blog O Cafezinho.

 

Será instalada hoje na Câmara dos Deputados a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará a União Nacional dos Estudantes (UNE). Proposta pelo Pastor Marco Feliciano (PSC) a CPI tem como objeto a indenização que a UNE recebeu em 2010 da Comissão da Anistia.

A indenização foi possível graças a aprovação da Lei 12.260/10 que reconheceu a responsabilidade do Estado na destruição da sede da UNE na Praia do Flamengo, 132, no Rio de Janeiro. Vale lembrar que o primeiro ato da ditadura civil-militar em 1º. de abril de 1964 foi justamente incendiar o prédio da UNE.

A CPI foi aceita pelo então presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB) em meio ao processo de votação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Naquele momento ficou nítida a tentativa de Cunha em pressionar o movimento estudantil que ocupava as galerias do Congresso reivindicando sua cassação.

Contudo, a instalação da CPI hoje não representa apenas um imbróglio, uma disputa política entre o movimento estudantil e Cunha ou Feliciano. Se fosse apenas isso o mal poderia ser menor.

A questão fundamental, e aqui reside o problema, é que a CPI da UNE será apenas o primeiro passo para o que virá em seguida pelas mãos do Congresso Nacional e do governo ilegítimo que tomou o Palácio do Planalto.

Hoje é a CPI da UNE. Mas amanhã poderá ser a CPI do MST, depois a do MTST, a da CUT, a do LGBT e por aí vai.

Tudo indica que a CPI da UNE será apenas o primeiro passo para a criminalização dos movimentos sociais e para a perseguição desenfreada das organizações da sociedade civil que representam os interesses dos subalternos.

Hoje querem calar a UNE. Querem calar a UNE da campanha o Petróleo é nosso. Querem calar a UNE que lutou contra a ditadura. Querem calar a UNE do Fora Collor, Fora ALCA e Fora FMI. Querem calar a UNE que conquistou o Prouni, o Reuni, o Fundo Social do Pré-Sal e 10% do PIB para a educação.

Claro, não será uma burocrática CPI que calará uma organização social de 77 anos de idade que sobreviveu aos ataques e perseguições de uma ditadura armada. Mas isso não minimiza o perigo de sua instalação.

A recente votação do processo de impeachment já nos ensinou que não há muito o que esperar da maioria que hoje ocupa a Câmara dos Deputados.

A resistência democrática em defesa dos movimentos sociais deverá partir, portanto, das ruas.

Pois, como diria a velha canção de Vinicius de Moraes e Carlinhos Lyra, “a UNE somos nós, nossa força e nossa voz”.

 

Theo Rodrigues é sociólogo, cientista político e Coordenador do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

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Juventude se ergue em Sampa https://www.ocafezinho.com/2013/03/27/juventude-se-ergue-em-sampa/ https://www.ocafezinho.com/2013/03/27/juventude-se-ergue-em-sampa/#respond Wed, 27 Mar 2013 11:03:49 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=10328

MANIFESTAÇÃO REÚNE MIL JOVENS CONTRA GOVERNO ALCKMIN

No Brasil 247

Marcha pela Jornada Nacional de Lutas da Juventude percorre as ruas do centro da cidade para ‘denunciar o racismo e violência da polícia de SP, o sistema de inclusão nas universidades estaduais proposto pelo governador tucano e pedir democratização dos meios de comunicação e da Reforma Agrária’; participaram do protesto a União Nacional dos Estudantes (UNE), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Nação Hip Hop Brasil

27 DE MARÇO DE 2013 ÀS 05:29

Por Vivian Fernandes

MST- Da praça da Sé à praça da República, cerca de 1 mil jovens percorreram as ruas do centro da cidade de São Paulo, nesta terça-feira (26), em defesa da ampliação de recursos para educação, do fim da violência contra os jovens pobres, especialmente negros, da democratização dos meios de comunicação e da Reforma Agrária.

A marcha, que encobriu com seus gritos e canções o som do trânsito paulistano por toda a manhã, faz parte da Jornada Nacional de Lutas da Juventude. As organizações que promovem jornada, que vai até 11 abril, realizarão ações em mais de 15 estados do país.

As bandeiras que os jovens traziam em punho representavam as várias organizações que construíram o ato, como a União Nacional dos Estudantes (UNE), o Levante Popular da Juventude, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Nação Hip Hop Brasil, o Fora do Eixo, a Marcha Mundial das Mulheres e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES).

O presidente da UNE, Daniel Iliescu, defendeu a unidade política dos movimentos sociais para a construção da jornada. “Os jovens estão unidos na rua, porque os seus sonhos são generosos, porque o que se tem no coração e nas mentes é a convicção de mudar o país”, disse.

O coordenador do coletivo de juventude do MST em São Paulo, Gerson de Souza, denunciou em frente ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo “a criminalização de vários militantes, não só do MST, mas de vários movimentos sociais, que estão proibidos de fazer luta, de fazer ocupações e marchas”.

Ele apontou ainda que a democratização do Estado só será possível a partir das manifestações e lutas políticas.

Educação, genocídio e cotas

No cruzamento da avenida São João com o largo do Paissandú, os jovens realizaram uma intervenção artística para chamar a atenção para o extermínio da população negra em São Paulo.

Enquanto manifestantes carregavam caixões de cartolina negra com cruzes brancas, a militante do Levante Popular da Juventude, Beatriz Lourenço, apresentou dados sobre o genocídio da população negra em São Paulo.

“O Mapa da Violência de 2012 diz que enquanto o homicídio de jovens brancos caiu 25%, o de jovens negros aumentou 30%. E a cada dez jovens assassinados no país, sete são negros”, disse Beatriz.

Ela ainda comparou o número de assassinatos decorrentes da ditadura militar com o extermínio da juventude negra e pobre pela Polícia Militar nos últimos anos, que atingiu índices maiores. Os jovens puxaram palavras de ordem para denunciar o racismo e violência da polícia sob controle do governador Geraldo Alckmin.

O ato terminou na praça da República, onde fica a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Os manifestantes criticaram o sistema de inclusão nas universidades estaduais proposto por Alckmin.

O Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Superior Público (Pimesp), voltada para USP, Unesp e Unicamp foi rechaçado pelas organizações juvenis, que classificaram como “elitista”.

Os jovens afirmam que o programa de Alckmin trata o aluno cotista como “estudante de segunda classe”, por obrigar que passem dois anos em um curso de reforço para ingressar nas universidades públicas paulistas.

Os jovens manifestantes também criticaram o governador por retirar as disciplinas de História, Geografia e Ciências dos anos iniciais do Ensino Fundamental. A medida faz parte da reformulação curricular das escolas em tempo integral e já chegou a 297 colégios da rede estadual.

A manifestação terminou com apresentações de grupos de rap.

Audiências

Delegações de representantes das diversas organizações e movimentos de juventude se reuniram com a Prefeitura de São Paulo e com a Secretaria de Educação do governo do Estado de São Paulo.

Na prefeitura, os jovens foram recebidos pelo secretário de governo, Antônio Donato, pelo responsável pela coordenadoria de juventude, Gabriel Medida, e pelo chefe de gabinete do prefeito Fernando Haddad, Gustavo Vidigal.

Os movimentos sociais cobraram medidas da prefeitura para enfrentar o extermínio da juventude da periferia, fazendo um contraponto à ação da Política Militar do governo Geraldo Alckmin. Além disso, pautaram a implementação do passe livre no transporte público para os estudantes que ingressaram na universidade pelo Programa Universidade para Todos (Prouni).

Donato fez o compromisso de levar as demandas para o prefeito e propôs a realização de uma audiência dos movimentos juvenis com Haddad. Ele disse também que Haddad tem compromisso com o financiamento da educação, por meio dos 10% do Produto Interno Bruto (PIB) em nível federal, 50% do fundo soberano do pré-sal e 100% dos royalties do petróleo.

Na audiência com o secretário estadual de Educação, Herman Jacobus Cornelis Voorwald, as organizações apresentaram críticas ao Pimesp, cobraram a ampliação de recursos para o financiamento da educação, a manutenção das escolas do campo já existentes e construção de novas unidades para garantir a permanência da juventude no campo.

Os movimentos defenderam passe livre para estudantes do Prouni e o investimento em laboratórios e equipamentos tecnológicos para elevar a qualidade da educação pública. As entidades estudantis, principalmente secundaristas, cobraram a livre organização nas escolas e participação no Conselho Estadual de Educação.

O secretário Herman Voorwald enfatizou que o programa de cotas das universidades estaduais paulistas não está sob sua responsabilidade, mas se comprometeu a mediar uma audiência das organizações da juventude com o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (CRUESP).

“O momento é de construção de uma resposta concreta à demanda da sociedade, e o fato das universidades estarem discutindo uma proposta é sem dúvida um grande avanço”, disse o secretário.

O secretário-adjunto da Educação, Palma Filho,que também é vice-presidente do Conselho Estadual de Educação, afirmou apoiar a participação das entidades estudantis no Conselho.

“Esta pauta está em discussão, mas precisa haver o entendimento por parte do colegiado, que é formado por 24 pessoas”, ponderou.

“Essa reunião representa um avanço no sentido de podermos apresentar essas reivindicações de forma coletiva, reflexo da unificação das pautas das diferentes organizações que articularam nossa jornada”, avaliou a integrante da coordenação estadual do MST de São Paulo, Jade Percassi.

MANIFESTO DA JORNADA DE LUTAS DA JUVENTUDE BRASILEIRA
25 de março a 1º de abril de 2013

Unir a Juventude Brasileira:
“Se o presente é de luta, o futuro nos pertence”! Che Guevara

As entidades estudantis, as juventudes do movimento social, dos trabalhadores/as, da cidade, do campo, as feministas, as juventudes partidárias, religiosas, LGBT, dos coletivos de cultura e das periferias se unem por um ideal: avançar nas mudanças e conquistar mais direitos para juventude.

É preciso denunciar o extermínio da juventude negra e das periferias a quem o estado só se apresenta através da violência.

O mesmo abandono se dá no campo, que alimenta a cidade e segue órfão da Reforma Agrária e dos investimentos necessários à permanência da juventude no campo, de onde é expulsa devido à concentração de terras, à ausência de políticas de convívio com o semiárido. Já na cidade, a juventude encontra a poluição, a precarização no trabalho, a ausência do direito de organização sindical, os mais baixos salários e o desemprego, fatores ainda mais graves no que diz respeito às jovens trabalhadoras.

Essa é a dura realidade da maioria da População Economicamente Ativa no país, e não as mentiras da imprensa oligopolizada, que foi parceira da ideologia do milagre brasileiro e cúmplice da ditadura, ao encobrir torturas e assassinatos e sendo beneficiária da monopolização ainda vigente. É coerente que ela se oponha à verdade e à justiça, que se cale ante as torturas e ao extermínio dos pobres e negros dos dias de hoje, que busque confundir e dopar a juventude, envenenando a política, vendendo-nos inutilidades, reproduzindo os valores da violência, da homofobia, do machismo e da intolerância religiosa. mas eles não falam mais sozinhos: estamos aqui pra fazer barulho.

Queremos cidades mais humanas em vez de racismo, violência e intolerância. Queremos as garantias de um estado laico, democrático, inclusivo, que respeite os Direitos Humanos fundamentais, inclusive aos nossos corpos, à liberdade de orientação sexual e à identidade de gênero, num ambiente de liberdade religiosa.

Queremos reformas estruturais que garantam um projeto de desenvolvimento social e que abram caminhos ao socialismo.

Lutamos por um desenvolvimento sustentável, solidário, que rompa com os valores do patriarcado, que assegure o direito universal à educação, ao trabalho decente, à liberdade de organização sindical, à terra para quem nela trabalha e o direito à verdade e à justiça para nossos heróis mortos e desaparecidos.

Para enfrentar a crise é preciso incorporar a juventude ao desenvolvimento do país. Incluir o bônus demográfico atual exige uma política econômica soberana que valorize o trabalho, a produção, o investimento e as políticas sociais, e não a especulação. Esse é o melhor cenário para tornar realidade os direitos que queremos aprovados no estatuto da juventude.

Iniciamos aqui uma caminhada de unidade e luta por reformas estruturais que enterrem o neoliberalismo e resguardem a nossa democracia dos retrocessos que pretendem impor os monopólios da mídia, ou golpes institucionais como os que ocorreram no Paraguai e em Honduras.

Desde essa histórica Plenária Nacional, unidos e cheios de esperança, convocamos a juventude a tomar em suas mãos o futuro dos avanços no Brasil, na luta pelas seguintes bandeiras consensualmente construídas:

1.Educação: financiamento público da educação
1.1. 10% PIB para Educação Pública
1.2. 100% dos royalties e 50% do fundo social do Pré-sal para Educação Pública
1.3 2% do PIB para Ciência, Tecnologia e Inovação
1.4 Por uma política permanente de valorização das bolsas de pesquisa
1.5 Democratização do acesso e da permanência na universidade
1.6 Pela expansão e a qualidade da educação do campo
1.7 Cotas raciais e sociais nas universidades estaduais
1.8 Curricularização da extensão universitária
1.9Regulação e ampliação da qualidade, em especial, do setor privado

2. Trabalho – trabalho decente
2.1 Redução da jornada de trabalho sem redução de salário! 40 horas já!
2.2 Condições dignas de trabalho decente
2.3 Políticas que visem a conciliação entre trabalho, estudos e trabalho doméstico
2.4 Direito de organização sindical no local de trabalho
2.5 Contra a precarização promovida pela terceirização
2.6 Pela igualdade entre homens e mulheres no trabalho e entre negros/as e não negros/as

3.Por avanços na democracia brasileira – Reforma Política
3.1 Pela Reforma política
3.2 Combate às desigualdades sociais e regionais
3.3 Contra a judicialização da politica e a criminalização dos movimentos sociais
3.4 Pela auditoria da Divida Publica
3.5 Contra o avanço do capital estrangeiro na aquisição de terras e na Educação
3.6 Reforma agrária
3.7 Aprovação do Estatuto da Juventude

4. Diretos sociais e humanos: Chega de violência contra a juventude
4.1 Contra o extermínio da juventude negra
4.2 Contra a redução da maioridade penal
4.3 Garantia do direito à Memória, à Verdade e à Justiça e pela punição dos crimes da Ditadura
4.4 Garantia dos direitos sexuais e reprodutivos, como à autonomia sobre o próprio corpo e o combate à sua mercantilização, em especial das jovens mulheres
4.5 Pelo fim da violência contra as mulheres
4.6 Pela mobilidade urbana e o direito à cidade
4.7 Pelo direito da juventude à moradia
4.8 Desmilitarização da policia
4.9 Respeito à diversidade sexual, aos nomes sociais e criminalização da homofobia
4.10Apoio à luta indígena e quilombola e das comunidades tradicionais
4.11Contra a internação compulsória e pelo tratamento da dependência química através de uma política de redução de danos
4.12Pelo direito ao lazer à cultura e ao esporte, inclusive com a promoção de esportes radicais

5. Democratização da comunicação de massas
5.1. Universalização da internet de banda larga no campo e na cidade
5.2 Políticas públicas para grupos e redes de cultura
5.3 Apoio público para os meios de comunicação da imprensa alternativa
5.4.Apoio ao movimento de software livre

Assinam este documento:
ABGLT,
ANPG;
APEOESP;
Associação Cultural B;
Centro de Estudos Barão de Itararé;
CONAM,
CONEM,
Consulta Popular;
ECOSURFI;
Enegrecer;
FEAB;
Federação Paulista de Skate;
Fora do Eixo;
Juventude da CTB;
Juventude da CUT;
Juventude do PSB;
Juventude do PT;
Juventude Pátria Livre;
Levante Popular da Juventude;
Marcha Mundial das Mulheres;
MST;
Nação Hip Hop Brasil;
Pastoral da Juventude,
PJMP,
REJU;
REJUMA;
UBES;
UBM,
UJS;
UNE;
UPES,
Via Campesina. Brasil

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O ataque da mídia à UNE https://www.ocafezinho.com/2012/06/10/o-ataque-da-globo-a-une/ https://www.ocafezinho.com/2012/06/10/o-ataque-da-globo-a-une/#comments Sun, 10 Jun 2012 19:27:08 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=6188 Matéria no Globo publicada no último dia 8 de junho estampou um manchetão agressivo:

O Estadão, neste domingo, reverbera o ataque platinado, num editorial pesadíssimo, intitulado “As contas da UNE”.

O editorial do Estadão encerra assim:

No passado, a UNE lutou efetivamente, tanto contra a ditadura de Getúlio Vargas quanto contra a ditadura dos militares. Hoje, a UNE é um reduto do PC do B – partido que se destacou no escândalo dos repasses irregulares de recursos públicos a organizações não governamentais fantasmas, denunciado no ano passado. Além de viver de regalias do governo e do monopólio na expedição de carteiras estudantis, a UNE é manipulada por estudantes profissionais que fazem do lazer e da bajulação sua principais “especializações”.

É por isso que as “tomadas de posição” da UNE já não valem o papel em que são escritas.

A grande mídia vem atacando a UNE de maneira recorrente há alguns anos, desde que entendeu que a entidade se posicionou, de maneira decidida, ao lado de Lula na complexa guerra de comunicação que a mídia empreende contra o “lulopetismo”.

A UNE já havia respondido à matéria do Globo com uma nota bastante politizada, em que parece assimilar bem o tipo de jogo que a mídia vem fazendo.

Complicando ainda mais a coisa, algumas figuras importantes do campo progressista, como Paulo Henrique Amorim, responsável pelo blog Conversa Afiada, e o próprio José Dirceu, pediram a UNE que se mobilize contra pressões da mídia no julgamento do mensalão.

A nova direção da entidade e seu presidente Daniel Iliescu vivem agora um de seus momentos mais delicados. É óbvio que a UNE teria enorme dificuldade para organizar uma manifestação que pudesse ser interpretada como de apoio aos “mensaleiros”. As principais forças de oposição à UNE no movimento estudantil são legendas ultraesquerda (PSOL e PSTU), extremamente hostis ao PT. E o próprio PCdoB, que comanda a instituição, vive momentos de tensão com o partido de Lula, em virtude das eleições. A prefeitura de Porto Alegre, por exemplo, é motivo de atrito entre os dois partidos, pois os comunistas entendem que os petistas deveriam apoiar a líder nas pesquisas, Manoela D’Ávia, mas estes preferem indicar candidato próprio.

O ataque da mídia neste momento engessa ainda mais a desenvoltura da UNE. Parece haver uma estratégia premeditada para impedir que a entidade se junte aos grupos que defendem um julgamento imparcial, baseado em provas, do mensalão. E talvez o mais importante seja debilitar politicamente a entidade num ano eleitoral, pois ela é vista como aliada dos adversários da mídia.

A favor dos estudantes pesa o aumento da conscientização política de vastos setores da sociedade quanto à partidarização da mídia. O ataque à UNE, por exemplo, traz acusações muito parecidas àquelas que se faz sistematicamente à blogosfera.

O irônico é ver Estadão e Globo acusando a UNE de “chapa-branca”, a mesma acusação que faziam em 1964, quando a UNE apoiava as reformas de base de João Goulart. Por ocasião do incêndio do prédio da UNE, após o golpe, a cobertura do Globo para o episódio foi de comemoração; e os jornalões se aliaram à ditadura na perseguição ao movimento estudantil.

Iliescu é carioca e meu amigo. É um rapaz  íntegro e idealista, atento às sutilezas da guerra da comunicação, onde o que está em jogo não são fatos, nem verdades, nem jornalismo, mas símbolos, ideologia, aparência, imagem. A resposta política que deu ao Globo mostra que a entidade decidiu comprar a briga. De fato, a melhor defesa é o ataque. Mas não é fácil produzir estratégias eficazes e inteligentes nesta guerra. O governo federal, e os principais partidos, com todos os recursos que possuem, estão sempre apanhando e sofrendo derrotas da mídia.

(Daniel Iliescu, presidente da UNE)

Entretanto, acusações de improbidade no trato com recursos públicos não devem ser respondidas apenas com ataques à mídia, mas sobretudo com medidas de ampliação da transparência e apoio às investigações. Deve-se usar o sensacionalismo tendencioso da mídia em prol do necessário combate à corrupção e incentivar o trabalho do Ministério Público e da imprensa. Essa é, a meu ver, a grande lição de Dilma Rousseff. A presidente perdeu vários ministros, mas ganhou o respeito da sociedade, incorporando à sua popularidade inclusive setores dentro da esfera de influência dos jornalões. Por quê? Porque Dilma tem usado o ímpeto oposicionista da mídia a seu favor, canalizando-o para um esforço efetivo de moralização do serviço público. Dilma foi extremamente astuta, e astuta num ótimo sentido, ou seja, visando efetivamente promover a ética, e mais tarde usou o capital político acumulado para fazer uma guerra aos juros altos e aos spreads bancários. Lula jamais conseguiria protagonizar a guerra contra os bancos da maneira como Dilma o fez, não porque ele não tivesse apoio popular, mas por falta de condições políticas.

É muito revoltante, por outro lado, ver a manipulação das denúncias, justamente porque é uma estratégia que beneficia os verdadeiros bandidos. Lembro-me do escândalo dos cartões corporativos, em que se tentou criar uma onda indignação popular porque o então ministro do Esporte, Orlando Silva, comprou uma tapioca em Brasília. Uma colunista do Globo trouxe um argumento incrível: de que não importava o valor, e sim o ilícito em si. Com isso, a mídia procura indignar a sociedade por causa de R$ 8 supostamente mal gastos ao invés, por exemplo, dos bilhões desviados no processo da privataria tucana.

No longo prazo, porém, assistimos que a proteção midiática, ao invés de fortalecer a direita, tem lhe atrofiado os músculos. A direita no Brasil, sempre confortável em sua relação com a opinião pública, onde conta com uma blindagem absoluta, infantilizou-se. Seus governantes não são devidamente cobrados e por isso não realizam inovações, e a blindagem lhes tira o ímpeto de cortar na própria carne, única maneira efetiva de combater a corrupção de seus quadros.

O jornalista Paulo Nogueira escreveu há pouco em seu blog um post intitulado Como tirar proveito de nossos inimigos, no qual discorre sobre lições do escritor e filósofo Plutarco que se encaixam perfeitamente neste raciocínio.

Os inimigos, reflete Plutarco, como que nos obrigam a andar pela linha reta, uma vez que seus olhos estão continuamente sobre nós, ávidos por captar nossas faltas e propagandeá-las. Eles exercem uma espécie de censura benigna sobre nós. Impedem-nos de sermos moralmente frouxos. É aí que tiramos proveito deles, segundo Plutarco. “A inveja de nossos inimigos é um contrapeso à nossa negligência”, diz ele. “Além disso, nós nos vingamos utilmente de um inimigo afligindo-o com o nosso aperfeiçoamento moral”.

Historicamente, e hoje mais que nunca, a UNE sempre foi uma entidade alinhada a valores progressistas: reforma agrária, aumento dos recursos para educação e saúde, combate à concentração midiática. Por isso é tão demonizada pela oposição conservadora, cujos principais representantes hoje encarnam-se na mídia corporativa. É uma instituição humana, sujeita a falhas humanas, mas tem um patrimônio moral e uma importância política sólidos o suficiente para suportar os bombardeios da mídia, ainda mais vindo dos mesmos grupos que a perseguiram nos anos 60, os mesmos que apoiaram o golpe de Estado, os mesmos que incentivaram a depredação de sua sede, o exílio de seus líderes e a sua virtual extinção durante o regime autoritário. Aquele mesmo conservadorismo por trás do golpe de 64, se volta hoje contra a entidade. É um ataque perigoso, porque não se baseia apenas em posicionamento político, mas manipula denúncias concretas (mas não condenações!) de um procurador do Ministério Público.

Quanto mais difícil a guerra, contudo, mais elevado o valor da vitória. Os ataques da mídia serviram ao menos para tirar a UNE da zona do conforto. A blogosfera só tem a dizer uma coisa: bem vinda às trincheiras!

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