urnas eletrônicas - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/urnas-eletronicas/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Fri, 05 Dec 2025 22:19:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png urnas eletrônicas - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/urnas-eletronicas/ 32 32 Teste da Urna 2025: segurança, robustez e transparência dos sistemas eleitorais https://www.ocafezinho.com/2025/12/05/teste-da-urna-2025-seguranca-robustez-e-transparencia-dos-sistemas-eleitorais/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/05/teste-da-urna-2025-seguranca-robustez-e-transparencia-dos-sistemas-eleitorais/#respond Fri, 05 Dec 2025 23:30:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222642 Comissões Avaliadora e Reguladora afirmam que testes confirmam a confiabilidade da urna eletrônica

No dia do encerramento da 8ª edição do Teste Público de Segurança dos Sistemas Eleitorais, o Teste da Urna 2025, membros das Comissões Avaliadora e Reguladora do evento garantiram que a segurança, a confiabilidade, a robustez e a transparência se consolidam como as principais características das urnas eletrônicas e dos sistemas eleitorais. Segundo eles, até o momento, não houve nenhum achado relevante identificado no Teste deste ano, realizado na sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília (DF).

“Esse processo ocorre com total transparência, e todo achado é trabalhado para sua mitigação antes das eleições, sempre com o objetivo de melhorar o processo eleitoral”, afirma Antônio Esio Marcondes Salgado, o Toné, integrante da Comissão Avaliadora e um dos chamados “ninjas” da urna eletrônica, que participou do desenvolvimento do equipamento a partir de 1995. Ele acompanhou todas as etapas de evolução do aparelho, desde transições radicais de software, como a adoção do Linux em 2006, até atualizações mais recentes relacionadas a avanços tecnológicos e a mudanças na legislação eleitoral.

Tecnologista e coordenador de Tecnologia da Informação (TI) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Toné, que também é pesquisador, professor e coordenador do curso de Sistemas de Informação da Universidade de Taubaté (SP), atuou outras vezes em comissões avaliadoras, responsáveis por testar o desenvolvimento, a fabricação e melhorias contínuas das urnas.

“Os Testes da Urna são fundamentais para transparência, participação social e aprimoramento dos sistemas. O TSE sempre abriu todo o ecossistema de votação para análise de especialistas, grupos acadêmicos e sociedade civil, oferecendo estrutura para que realizem testes profundos. Isso gera dois resultados principais: reforça a confiança pública e multiplica o conhecimento sobre o sistema, já que os participantes se tornam divulgadores do que aprenderam”, ressalta Toné.

De acordo com ele, caso algum achado seja verificado durante os testes, a Justiça Eleitoral irá corrigi-lo a tempo das eleições.

Melhorias na infraestrutura e novas ideias

O professor Roberto Samaroni Araújo, da Universidade Federal do Pará (UFPA), conta que participa pela segunda vez dos Testes da Urna como representante da comunidade acadêmica e membro da Comissão Avaliadora. Ele destaca que, de uma edição para outra, houve importantes melhorias na infraestrutura e na organização do ambiente de testes, além da incorporação de sugestões feitas em ciclos anteriores.

Samaroni afirma também que o processo tem atraído cada vez mais jovens interessados não apenas em tentar ataques, mas em compreender a fundo o funcionamento do sistema eleitoral e da urna eletrônica.

Osvaldo Catsumi Imamura, engenheiro eletrônico especializado em segurança e teoria da informação, é também um dos “ninjas” da urna, tendo participado do desenvolvimento e da evolução do equipamento desde a sua criação, com colaboração tanto na parte de software quanto de hardware, bem como no papel de consultor, especialmente em momentos de inovação ou mudanças de rumo no projeto. Ele destaca que, com o crescimento do sistema e da complexidade dos testes, surgiu a necessidade de ampliar a participação externa, o que levou à criação do modelo de teste público a partir de 2009.

Catsumi observa que, a cada edição do Teste da Urna, os investigadores retornam mais motivados para aprofundar o entendimento sobre o sistema e testar novas ideias. No entendimento do engenheiro, a interação prática com a urna permite que conhecimentos teóricos se transformem em contribuições reais. “Descentralizar e ampliar esse espaço [para outras regiões do país] aproximaria ainda mais especialistas e a sociedade do processo, o que enriquece o desenvolvimento contínuo da urna eletrônica”, assegura.

Participação da sociedade

Rodrigo Coimbra, chefe da Seção de Voto Informatizado do TSE e integrante da Comissão Reguladora do Teste, explica que esta edição bateu recorde de participantes e apresentou grande variedade de planos de ataque, o que refletiu diferentes estratégias e perfis técnicos. Ele salienta a combinação positiva entre jovens participantes, motivados a inovar, e especialistas experientes, que participaram de edições anteriores e conhecem os caminhos mais viáveis de investigação. Coimbra diz que essa mistura enriquece o ambiente de testes e amplia as possibilidades de contribuição.

Segundo ele, o Teste de 2025 transcorreu de forma tranquila, com total liberdade para que os investigadores analisassem os sistemas. “Caso algum grupo identifique uma vulnerabilidade, precisa também apresentar uma possível solução”, afirma o servidor, ao ressaltar que a importância do evento reside na transparência e na melhoria contínua do sistema eleitoral. “Abrir os códigos-fonte e o ambiente de testes à sociedade permite que especialistas contribuam diretamente para fortalecer a segurança e a confiabilidade das urnas eletrônicas”, completa.

O coordenador de Sistemas Eleitorais do TSE e membro da Comissão Reguladora do Teste, Alberto Cavalcanti, avalia os planos de testes apresentados neste ano como bastante diversificados por abordarem diferentes sistemas, periféricos e componentes da urna eletrônica, o que demonstra o amadurecimento e a ampliação do escopo das investigações.

“Cada plano apresentado, mesmo os que não encontram vulnerabilidades, representa uma oportunidade de aprimoramento, uma vez que muitas propostas trazem ideias e melhorias potenciais para o processo eleitoral. O evento fortalece a transparência, incentiva a participação de indivíduos e instituições acadêmicas e contribui diretamente para a evolução contínua das tecnologias eleitorais”, afirma.

Entre os planos executados, está o do grupo liderado pelo pesquisador Leandro de Sousa Oliveira, da Universidade de Brasília (UnB), que participa pela primeira vez do Teste. Ele explica que o grupo é dedicado ao estudo de fuzzing, técnica usada para testar sistemas com entradas inesperadas. O objetivo da equipe é investigar possíveis vulnerabilidades no driver que recebe pacotes USB da urna eletrônica.

“Praticamente todo dispositivo hoje tem uma porta USB, e a urna também tem. Nosso objetivo é explorar os mecanismos de segurança existentes e ver se eles resistem a pacotes malformados [tipo de ataque cibernético]”, diz. Ele reconhece, porém, a complexidade desse caminho: “É uma sequência de etapas muito complicada até chegar ao final”.

Oliveira avalia positivamente a abertura do TSE para a participação de pesquisadores externos. “Todo o processo aqui é muito bacana. O Tribunal se organiza fornecendo equipamento e mantendo a segurança. O acesso é bastante controlado.” Segundo ele, estar em um ambiente real de testes é um ganho acadêmico: “Expor o pesquisador a um cenário crítico como esse é o maior benefício para o nosso trabalho. A gente tem a oportunidade de testar algo que estamos desenvolvendo na pesquisa em um cenário real”, afirma.

Como cidadão, ele vê o processo como essencial para reforçar a confiança pública: “É algo imprescindível para dar à sociedade algum respaldo de que [o sistema] passou por uma segunda etapa de verificação. Aqui tem pessoas que participam do Teste há muito tempo, já têm uma bagagem sólida de conhecimento sobre a urna e acabam vendo como ela tem evoluído também. Esse é um dos nossos objetivos: permanecer no Teste também no futuro”, finaliza.

Publicado originalmente pelo TSE em 05/12/2025

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Instituto contratado pelo PL para verifica urnas disse que nunca detectou fraude https://www.ocafezinho.com/2025/03/06/instituto-contratado-pelo-pl-para-verifica-urnas-disse-que-nunca-detectou-fraude/ Thu, 06 Mar 2025 13:26:36 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=203513 As autoridades desmascararam mais uma mentira do grupo de Bolsonaro.

O engenheiro Carlos Rocha, presidente do Instituto Voto Legal (IVL), foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por envolvimento em uma tentativa de golpe de Estado em 2022. Ele apresentou sua defesa na noite de quarta-feira (5) ao Supremo Tribunal Federal (STF), argumentando que não há provas concretas que confirmem sua participação em um plano criminoso. A defesa também alegou “incompetência absoluta do STF” para julgar o caso, pedindo que Rocha seja processado na primeira instância, como qualquer cidadão sem foro privilegiado.

O Instituto Voto Legal foi contratado pelo Partido Liberal (PL), sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro, para investigar supostas fraudes nas urnas eletrônicas e sustentar ataques ao resultado das eleições presidenciais. No entanto, o relatório produzido pelo IVL não encontrou qualquer evidência de fraude ou irregularidade. Esse fato é reforçado pela delação de Mauro Cid, que também aponta a inexistência de qualquer prova de manipulação eleitoral.

Segundo a defesa de Carlos Rocha, em nenhum momento ele utilizou a palavra “fraude”, seja nos relatórios técnicos, em e-mails, mensagens de WhatsApp ou entrevistas. Os advogados reforçam que o trabalho realizado pelo IVL seguiu metodologias reconhecidas, como auditorias de conformidade e normas internacionais (ISO/IEC 27001), além de documentos oficiais do Tribunal de Contas da União (TCU) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A defesa argumenta que a análise do IVL foi conduzida de maneira rigorosa e imparcial.

Diante da ausência de provas de fraude na eleição, a defesa sustenta que Rocha se tornou um “bode expiatório” para aqueles que não aceitavam o resultado das urnas. “Diante da falta de investigação que comprovasse claramente os responsáveis, tentou-se, sem conseguir nenhuma prova na denúncia, atribuir a Carlos Rocha o papel de bode expiatório”, afirma o documento.

Carlos Rocha está entre os 34 denunciados pela PGR por participação na tentativa de golpe. Os denunciados têm até esta quinta-feira (6) para apresentar suas defesas ao STF, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. A Procuradoria acusa Rocha de diversos crimes, como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

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Acabou o mimimi, Bolsonaro. Chegou a bala de prata: os áudios do golpe https://www.ocafezinho.com/2025/02/24/acabou-o-mimimi-bolsonaro-chegou-a-bala-de-prata-os-audios-do-golpe/ Mon, 24 Feb 2025 11:54:52 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=202440 Agora acabou!

Os áudios revelados ontem à noite, no Fantástico, enterram qualquer mimimi, qualquer narrativa chorosa dos bolsonaristas, tentando tratar a devastadora denúncia da PGR contra Bolsonaro e comparsas como “perseguição política”.

Oficiais de alta patente, com cargos de comando, indicados por Jair Bolsonaro (direta ou indiretamente) para cargos estratégicos de comando, e ideologica e politicamente muito próximos ao presidente, falavam abertamente em levar manifestantes para Esplanada, anular eleições e dar um golpe de Estado.

Alguns áudios deixam claro, a propósito, que Jair Bolsonaro era o mais radical de todos, pois estava escrevendo e assinando “decretos”, e esperava apenas que todos os comandantes militares fossem convencidos. Como não conseguiu convencer alguns nomes essenciais para levar adiante seu projeto golpista, teve que segurar, contra sua vontade, a decisão final.

Mas fizeram de tudo. Chegaram muito perto. Houve a tentativa de golpe. Houve o crime. E precisam pagar caro por isso!

Assista ao vídeo no link abaixo, depois leia a transcrição que fizemos.

Transcrição da reportagem acima:

Âncoras do Fantástico: Terça-feira, a Procuradoria-Geral da República denunciou o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais 33 pessoas pela tentativa de golpe de Estado em 2022. A PGR afirmou que Bolsonaro era o líder da organização que pretendia instaurar uma ditadura no Brasil. O inquérito que levou à denúncia incluiu a triagem de milhões de mensagens de áudio e vídeo coletadas nos celulares de integrantes do núcleo golpista.

A análise desse material extenso só foi possível graças a um programa desenvolvido para a Polícia Federal.

“A gente não sai das quatro linhas. Vai ter uma hora que a gente vai ter que sair. Ou então eles vão continuar dominando a gente.”

Áudio enviado pelo tenente-coronel Guilherme Marques de Almeida, lotado no comando de Operações Terrestres do Exército (COTER), em Brasília.

“O povo está nas ruas pedindo para que haja uma outra eleição de forma que possa ser cobrado de uma forma mais clara. Pô, meu velho. Só quem tem quatro estrelas no homem não está vendo isso?”

Áudio enviado pelo interlocutor desconhecido ao tenente-coronel Guilherme Marques de Almeida.

“Eu acho que o pessoal poderia fazer essa descida aí, né? E atravancando mesmo, porque, porra, massa humana chegando lá, não tem PM que segura. Atropela a grade e vai invadir, depois não tira mais, né?”

Áudio do tenente-coronel Guilherme Marques de Almeida, lotado no comando de Operações Terrestres do Exército (COTER).

“Preto, o decreto é real. Foi despachado ontem com o presidente.”

Áudio enviado pelo general Mario Fernandes, ex-número 2 da Secretaria-Geral da Presidência do governo de Jair Bolsonaro.

“Está com medo de ficar para a história de dizer que fomentou um golpe? É a hora da gente, cara.”

Áudio enviado pelo interlocutor desconhecido ao tenente-coronel Guilherme Marques de Almeida.

Os arquivos, extraídos de celulares e computadores a partir de apreensões e quebras de sigilo, mostram conversas entre envolvidos na tentativa de golpe de Estado e, segundo as investigações, revelam a participação de militares e civis no plano de tentar pôr fim à democracia brasileira.

Um dos áudios foi enviado pelo tenente-coronel Guilherme Marques de Almeida, que na época estava no Comando de Operações Terrestres do Exército, em Brasília:

“Se tu tiver alguma possibilidade de influenciar alguém dos movimentos, eu estou tentando plantar isso nas redes onde eles estão. Estou participando de vários grupos civis.”

Militares em postos de comando incitavam a participação popular e discutiam como usar os manifestantes em frente aos quartéis como massa de manobra para pressionar por uma intervenção.

“Não adianta protestar na frente do QG do Exército. Em que Congresso e as Forças Armadas vão agir por iniciativa de algum poder? Porque assim, todo mundo quer Forças Armadas.”

“Porque era um mecanismo de pressão chamado arma, né? Para apaziguar a gente resolve. É destituir, invalidar a eleição, colocar voto impresso, fazer uma nova eleição com ou sem Bolsonaro.”

Áudios do tenente-coronel Guilherme Marques de Almeida, lotado no comando de Operações Terrestres do Exército (COTER).

Militares de alta patente mantinham o canal aberto e contato direto com manifestantes:

“Bom dia, general, tudo bem? Eu estou precisando de um apoio aqui, que a gente comprou uma tenda e o pessoal não está deixando ela entrar. Pra trocar a polícia do Exército daqui do QG, eu preciso de um apoio pra liberação.”

Áudio enviado pelo manifestante Rodrigo Yassuo Faria Ikezili para o general Mario Fernandes.

Em outro áudio, um caminhoneiro questiona o general Mário Fernandes sobre até quando deveriam permanecer em frente aos quartéis:

“Eu queria ver pro senhor aí qual que é a perspectiva. Até quando vocês querem que a gente fique aqui? General, veio com o presidente aí. Eu não saio daqui, quero ser o último a sair. Somos um soldado.”

Quando os militares não tinham autoridade para resolver, apelavam para que os pedidos para proteger os manifestantes chegassem até o então presidente Jair Bolsonaro.

“Parece que existe um mandado de busca e apreensão do TSE, né? Ou do Supremo? Em relação aos caminhões que estão lá, já andou havendo prisão realizada ali pela Polícia Federal. Se o presidente pudesse dar um input ali pelo Ministério da Justiça pra segurar a PF…”

“Eu tô tentando agir diretamente junto às forças, né? Poxa, se tu pudesse pedir pro presidente ou pro gabinete do presidente atuar.”

“Bom, a gente tem procurado orientar tanto o pessoal do agro como os caminhoneiros que estão lá em frente ao QG. Se eu puder servir junto ao presidente, falar com o ministro Anderson, segurar a PF, porra, esse cumprimento de ordem, ou com o comandante do Exército pra gente segurar, pô, proteger esses caras ali.”

Áudios enviados pelo general Mario Fernandes, ex-número 2 da Secretaria-Geral da Presidência do governo de Jair Bolsonaro.

Para a Polícia Federal, os áudios mostram que a estratégia do grupo era manter as manifestações nas ruas e a contestação das urnas eletrônicas.

“A gente está recebendo cara de TI, hacker. Eu não bebo cerveja, mas depois eu te conto as coisas que a gente já fez aqui, né? A gente tem cara infiltrado em quanto é lugar, monitorando e passando para a gente as informações.”

“Refutando ou ajudando a chegar, né, digamos assim. Matemáticos, estatísticos, PhD. Aquelas denúncias sigilosas.”

“Vai encontrar o cara no mercadinho, vai encontrar o cara lá na garagem, o cara passa um pendrive. Tem de tudo, cara. Mas ninguém ainda chegou com uma coisa que consiga abrir uma investigação.”

Áudio enviado pelo tenente-coronel Mauro Cid.

Mauro Cid, então ajudante de ordens do presidente Jair Bolsonaro, encaminhou para o tenente-coronel Sérgio Cavalieri um áudio de um hacker do interior de São Paulo sobre as urnas eletrônicas:

“Logo que saíram os arquivos do TSE, eu vou pegar esses arquivos aí para ver o que dá para fazer e vou buscar agora qual que é a inconsistência desse negócio aí? Por que que está essa votação aí? Mas a gente teria que encontrar alguém lá de cima, né? Do governo, principalmente. Por coincidência, uma está na mesma igreja da Damares, da ministra. Aí a Damares escutou e passou um contato de uma assessora do Bolsonaro. De alguma forma, chamaram a área pessoal da ABIN, da Agência Internacional?”

O suposto hacker afirma que chegou a receber uma visita dos agentes da ABIN e admitiu que eles não encontraram nada nas supostas provas apresentadas por ele:

“Bom, esses caras da ABIN vieram aqui, ficaram dois ou três dias. Aí, não é desmerecendo os caras. Estudaram para entrar num concurso. Passaram no concurso, mas tecnicamente são fracos demais.”

A Polícia Federal apreendeu 1.200 equipamentos eletrônicos com os envolvidos na tentativa de golpe de Estado e conseguiu extrair desses aparelhos milhares de mensagens de áudio e vídeo. Se uma pessoa tivesse que ouvir tudo, levaria anos. Por isso, os peritos usaram um programa de computador desenvolvido no Instituto Nacional de Criminalística, capaz de transcrever 25 minutos de áudio por segundo.

Os peritos federais elaboraram 1.214 laudos, que, segundo a investigação, revelam as vozes do golpe.

Para os investigadores, os áudios mostram que integrantes do alto escalão do governo Bolsonaro também agiram para pressionar os comandantes militares a aderirem à ruptura institucional.

“Força, kid preto. Algumas fontes sinalizaram que o comandante da força foi ao Alvorada para sinalizar ao presidente que ele podia dar a ordem. Se o senhor tá com o presidente agora e ouvir a tempo, blinda ele contra qualquer desestímulo. Isso é importante.”

Áudio enviado pelo general Mario Fernandes, ex-número 2 da Secretaria-Geral da Presidência do governo de Jair Bolsonaro.

Nesse áudio, o coronel George RobertoOliveira Lisboa, que na época era assessor especial no gabinete da Secretaria-Geral da Presidência, faz um desabafo:

“Agora está ficando muito claro que o alto comando – e não é o Exército, é o alto comando do Exército – está se fechando em copas. Talvez com a maioria contra a decisão do presidente. Mas pensando, em primeiro lugar, na instituição, no próprio Exército, quando deveria estar pensando, em primeiro lugar, no Brasil. Eu sei o quanto o senhor está comprometido com essas ações, e o risco que nós estamos correndo, participando dessa frente. Um grande abraço, general.”

General Mauro Cid informa aos envolvidos que o presidente Bolsonaro tinha editado a minuta do chamado decreto golpista para ganhar apoio dos militares. O documento autorizaria o cancelamento da eleição e daria sustentação jurídica ao golpe:

“Ele entende as consequências do que pode acontecer hoje. Ele mexeu naquele decreto. Ele reduziu bastante, fez algo muito mais direto, objetivo, curto e limitado.”

Mas a demora do presidente mexe com os ânimos dos envolvidos:

“Pô, nós temos já passagens dos comandos de força. E aí, pô, já vamos passar o comando para aqueles que estão sendo indicados para o eventual governo do presidiário. E aí tudo fica mais difícil, cara, para qualquer ação. “

Áudio enviado pelo general Mario Fernandes, ex-número 2 da Secretaria-Geral da Presidência do governo de Jair Bolsonaro.

“Eu só espero que o silêncio que esteja acontecendo seja que para que passa a ser alguma coisa, porque se realmente não acontecer nada, a gente vai cair num descrédito total.”

Áudio enviado pelo interlocutor desconhecido ao tenente-coronel Guilherme Marques de Almeida.

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Urgente! Os vídeos da delação de Mauro Cid https://www.ocafezinho.com/2025/02/20/urgente-os-videos-da-delacao-de-mauro-cid/ https://www.ocafezinho.com/2025/02/20/urgente-os-videos-da-delacao-de-mauro-cid/#respond Thu, 20 Feb 2025 17:35:24 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=202235 O Cafezinho disponibiliza dois vídeos, legendados, com delações explosivas de Mauro Cid para o relator do inquérito que investiga o golpe, ministro Alexandre de Moraes, com presença do procurador geral da república, Paulo Gonet.

O primeiro vídeo pode ser visto no link abaixo:

E o segundo vídeo segue abaixo:

Transcrições já haviam sido divulgadas nesta quarta-feira, mas os arquivos de vídeo e áudio permaneciam sob sigilo. O material foi liberado nesta quinta-feira e inclui horas de depoimentos prestados no acordo de delação premiada.

Mauro Cid falou sobre tentativa de golpe durante delação

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes tornou públicos nesta quinta-feira (20) os vídeos da delação premiada do ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, Mauro Cid.

Os depoimentos foram colhidos no ano passado pela Polícia Federal (PF). O sigilo da transcrição já havia sido derrubado na quarta-feira, mas os registros audiovisuais ainda não estavam acessíveis ao público.

Procuradoria-Geral da República denuncia Bolsonaro

Um dia antes da divulgação das transcrições, na terça-feira (18), a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Bolsonaro por diversos crimes, incluindo:

  • liderança de organização criminosa armada;
  • tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • golpe de Estado;
  • dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio público;
  • deterioração de patrimônio tombado.

Se a denúncia for aceita pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro se tornará réu e passará a responder a um processo penal na Corte.

Principais trechos dos vídeos divulgados

Moraes adverte Cid sobre regras da delação

Em um dos vídeos, o ministro Alexandre de Moraes repreende Mauro Cid após receber relatórios da Polícia Federal apontando contradições, omissões e mentiras no depoimento do ex-ajudante de ordens.

A legislação prevê que, caso o colaborador omita informações ou apresente declarações falsas, os benefícios do acordo podem ser revogados. Moraes alertou que uma eventual revogação poderia prejudicar não apenas Cid, mas também seus familiares, incluindo seu pai e sua filha.

O ministro mencionou que a Procuradoria-Geral da República já havia solicitado a prisão preventiva de Cid devido às inconsistências identificadas após a operação da PF que investigou o chamado “Plano Punhal Verde Amarelo”, que teria como objetivo os assassinatos de Lula, Alckmin e do próprio Moraes.

Cid diz que Bolsonaro pressionou ministro da Defesa

Em outro trecho da delação, Mauro Cid afirma que o ex-presidente Jair Bolsonaro pressionou o então ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, a incluir em um relatório oficial sobre as urnas eletrônicas uma suposta fraude no sistema de votação.

Segundo Cid, após a pressão, foi construída uma redação que sugeria que o sistema eletrônico de votação não era auditável, algo já desmentido pelo Tribunal Superior Eleitoral.

“A conclusão do relatório foi a de que não era possível comprovar suspeitas infundadas de fraude”, relatou Cid.

O militar afirmou que Bolsonaro queria que o ministro da Defesa declarasse a existência de fraude no processo eleitoral.

As Forças Armadas foram convidadas pelo Tribunal Superior Eleitoral a integrar uma comissão de acompanhamento das eleições, razão pela qual o Ministério da Defesa elaborou o relatório.

Bolsonaro tentava manter apoiadores mobilizados

Em outro vídeo, Cid diz a Moraes que recebia milhares de mensagens de apoiadores e aliados de Bolsonaro cobrando uma ação das Forças Armadas para impedir a posse de Lula. “Perguntavam se a gente não ia virar a mesa”, afirmou.

Ele relatou que Bolsonaro mantinha, em conversas com aliados, a ideia de que algo poderia acontecer que alterasse o resultado da eleição.

“Ele tinha esperança de que, até o último momento – ele chegou a dizer ‘Papai do Céu sempre ajudou a gente, vamos ver o que aparece aí’ – surgisse uma prova cabal de fraude nas urnas. E, caso isso acontecesse, haveria uma mobilização popular e das Forças Armadas. Era isso que passava na cabeça do presidente”, declarou Cid.

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