Vorcaro - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/vorcaro/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Mon, 29 Jun 2026 08:43:11 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Vorcaro - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/vorcaro/ 32 32 A “emenda Master” que colocou o PL no centro da crise https://www.ocafezinho.com/2026/06/12/a-emenda-master-que-colocou-o-pl-no-centro-da-crise/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/12/a-emenda-master-que-colocou-o-pl-no-centro-da-crise/#respond Fri, 12 Jun 2026 13:58:27 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=257772 Quando o Banco Master começou a afundar, alguém no Congresso Nacional tratou de agir. O deputado federal Filipe Barros (PL-PR), aliado declarado do bolsonarismo, transformou seu mandato e a presidência de uma comissão da Câmara em instrumentos de pressão sobre reguladores financeiros. O alvo era proteger os interesses de Daniel Vorcaro, ex-CEO do banco — e, por tabela, seus próprios investidores.

Levantamento do Globo em dados públicos mostra que, entre novembro de 2024 e setembro de 2025, Barros apresentou sete requerimentos e um projeto de lei, além de promover uma audiência pública. Tudo isso enquanto o Master atravessava sua pior crise e Vorcaro atuava nos bastidores para conseguir mudanças regulatórias favoráveis ao banco e viabilizar a venda da instituição para o BRB.

O conjunto de ações levanta uma questão incômoda: um deputado federal usou sua cadeira para proteger um banqueiro investigado?

A primeira movimentação de Barros foi um projeto de lei. Ele propôs ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por aplicação financeira. A mudança beneficiaria diretamente o modelo de negócios do Master, que captava recursos oferecendo rendimentos bem acima da média do mercado — justamente porque os investidores sabiam que o FGC cobria eventuais perdas.

O texto guardava semelhança notável com a chamada “emenda Master”, proposta pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) em uma PEC no Senado. Aquela emenda, no entanto, foi rejeitada. Mais do que isso: a investigação revelou que a minuta da proposta de Ciro foi redigida por funcionários do próprio banco e entregue pessoalmente na residência do senador, a mando de Vorcaro.

Barros admitiu ao Globo que elaborou seu projeto depois de tomar conhecimento da iniciativa de Ciro, que considerou uma “boa ideia”. Segundo ele, o objetivo era proteger investidores de eventuais prejuízos. Ainda assim, o deputado negou ter conversado com Ciro sobre o assunto e afirmou que nem ele nem seus assessores mantiveram contato com Vorcaro.

O projeto durou pouco. Em fevereiro deste ano, após a liquidação do Master e a primeira prisão do banqueiro, Barros o retirou de tramitação.

A situação ficou ainda mais curiosa quando Barros assumiu a presidência da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara. A sigla já entrega o propósito do colegiado: política externa e defesa do país. Mesmo assim, em junho de 2025, Barros convidou o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Pedro Nascimento, para uma audiência sobre soberania econômica e mercado de capitais.

Além disso, convocou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sob o pretexto de discutir ataques hackers ao sistema Pix. Naquele momento, o BC já havia identificado fraudes em carteiras de crédito vendidas ao BRB e debatia internamente se liquidaria o Master ou tentaria uma saída negociada. Galípolo optou por não comparecer.

Requerimentos e audiências colocam sob análise o uso de uma comissão da Câmara em meio às negociações envolvendo Daniel Vorcaro / Reprodução

Nascimento, por sua vez, aceitou o convite. Ele é amigo de infância de Flávio Bolsonaro e ocupa o cargo por indicação do governo Jair Bolsonaro. A sessão foi descrita por participantes como tensa.

Às vésperas da audiência com Nascimento, Barros apresentou um requerimento sobre supostos conflitos envolvendo a Previc e o BTG Pactual — banco apontado como principal rival de Vorcaro na Faria Lima. O timing chamou atenção.

Dez dias depois de depor à CREDN, Nascimento pediu demissão do cargo, com um ano ainda pela frente em seu mandato. Segundo relatos, ele disse a aliados que vinha sofrendo ameaças e citou diretamente o tratamento recebido na audiência da comissão.

Nascimento teria afirmado, ainda, que Barros e outros deputados acionaram uma espécie de tropa de choque em defesa do Master. Parte das ofensivas viria de reportagens publicadas por veículos que, posteriormente, foram associados a empresas financiadas por sócios de Vorcaro.

A saída de Nascimento da CVM, portanto, aconteceu logo após sua convocação forçada por uma comissão que tecnicamente não tinha competência para tratar do tema.

A pressão não parou na CVM. Em setembro, no mesmo dia em que o Banco Central recusou formalmente a compra do Master pelo BRB, Barros apresentou novo requerimento. Dessa vez, as perguntas miravam a diretoria do BC — especificamente a área comandada por Renato Gomes, que defendia a liquidação do banco.

Gomes também virou alvo de influenciadores de direita. A campanha contra ele fazia parte do chamado “Projeto DV”, financiado pelo próprio Vorcaro. O objetivo era desacreditar o Banco Central e enaltecer o Tribunal de Contas da União (TCU), que na época analisava o processo de liquidação do Master.

Assim, o padrão se repetia: cada vez que o regulador avançava contra o banco, um deputado bolsonarista aparecia para questionar, convocar ou pressionar. A coincidência de datas tornava difícil tratar tudo como acaso.

Para entender como Barros chegou à presidência da CREDN, é preciso lembrar que o cargo pertencia a Eduardo Bolsonaro. O filho do ex-presidente ocupava a cadeira até partir para o autoexílio nos Estados Unidos. Ao deixar o Brasil, Eduardo não deixou a influência para trás — ao menos, não completamente.

Em uma transmissão ao vivo, ele foi direto ao afirmar que manteria poder sobre a comissão por meio de Barros. “Eu acho que o Filipe Barros vai fazer uma grande presidência da Comissão de Relações Exteriores, é uma pessoa próxima. Para quem acha que eu não estar sentado naquela cadeira, eu perdi o poder da CREDN, negativo, tá?”, declarou.

E foi além: “Tenho o telefone dele, tenho falado com ele, e Deus quiser ele vai colocar adiante as mesmas pautas que eu ia botar”, disse Eduardo.

A declaração revela, sem meias palavras, que a cadeira mudou de ocupante, mas as ordens seguem a mesma origem. A CREDN virou um instrumento político à disposição de um grupo que, mesmo fora do governo, ainda tenta influenciar decisões econômicas e regulatórias do país.

O caso Filipe Barros ilustra com clareza o que acontece quando mandatos parlamentares se confundem com interesses privados — e quando a linha entre representar eleitores e defender banqueiros desaparece por completo.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/06/12/a-emenda-master-que-colocou-o-pl-no-centro-da-crise/feed/ 0
Polícia Federal investiga contrato de Ibaneis com produtores do Dark Horse https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/policia-federal-investiga-contrato-de-ibaneis-com-produtores-do-dark-horse/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/policia-federal-investiga-contrato-de-ibaneis-com-produtores-do-dark-horse/#respond Tue, 02 Jun 2026 22:12:30 +0000 https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/policia-federal-investiga-contrato-de-ibaneis-com-produtores-do-dark-horse/ A teia de relações escusas que envolve o financiamento de Dark Horse — a cinebiografia chapa-branca do ex-presidente Jair Bolsonaro — ganhou um novo e explosivo capítulo. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, defendeu a abertura de um inquérito específico para apurar as suspeitas de fraude envolvendo repasses de verbas públicas para a produtora do filme, no âmbito de uma rede de contratos sob investigação.

No centro da mira policial está um convênio de R$ 5 milhões assinado pelo Governo do Distrito Federal, sob a gestão de Ibaneis Rocha (MDB), com o Instituto Conhecer Brasil (ICB). A ONG é presidida por Karina Ferreira da Gama, empresária e sócia da produtora responsável pela produção do filme de Bolsonaro. O contrato original, no valor de R$ 4 milhões em dezembro de 2023, para instalação de um programa educacional nas escolas públicas do DF, recebeu um aditivo de R$ 1 milhão em janeiro de 2025.

A revelação do repasse no DF coincide com uma grande operação policial que mirou o mesmo Instituto Conhecer Brasil (ICB), investigado por supostas irregularidades em um contrato milionário de R$ 108 milhões (que atingiu R$ 157,1 milhões com aditivos) com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de Wi-Fi na capital paulista. O caso aponta para a instrumentalização de parcerias com o poder público para capitalizar e nutrir a máquina de propaganda da extrema direita.

O envolvimento do governo do DF na órbita do filme Dark Horse, contudo, é muito mais profundo e financeiramente devastador do que o convênio escolar. Sob as rédeas políticas de Ibaneis Rocha, o Banco de Brasília (BRB), instituição pública do DF, protagonizou um dos maiores escândalos financeiros recentes ao despejar R$ 30,4 bilhões na compra de carteiras de crédito do Banco Master, comandado por Daniel Vorcaro.

Com a liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, motivada pela descoberta de um esquema massivo de “ativos podres” e fraudes bilionárias, o BRB herdou um rombo patrimonial estimado em R$ 8,8 bilhões. Para evitar o colapso iminente do banco público do DF, o Supremo Tribunal Federal homologou um socorro financeiro de até R$ 6,5 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), tendo como garantia recursos das cotas do Fundo de Participação dos Estados e Municípios (FPE/FPM) do Distrito Federal.

A convergência entre o socorro bilionário ao BRB e as investigações da Polícia Federal sobre o contrato escolar do DF com a produtora do filme de Bolsonaro revela um padrão assustador: o erário público e os bancos estatais sob controle político foram drenados e expostos a riscos sistêmicos para, no fim da linha, alimentar os interesses privados e a propaganda da extrema direita.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/policia-federal-investiga-contrato-de-ibaneis-com-produtores-do-dark-horse/feed/ 0
Bomba! “Esse é o mais importante, disparado” https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/bomba-esse-e-o-mais-importante-disparado/ https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/bomba-esse-e-o-mais-importante-disparado/#comments Tue, 02 Jun 2026 20:53:31 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=255437 15 Comentários 🔥]]> A revelação de novos diálogos obtidos com exclusividade pelo portal The Intercept Brasil na série Vaza Flávio traz à luz a intimidade do balcão de negócios que conecta o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em mensagens trocadas em janeiro de 2025, Vorcaro determinou de forma categórica que o financiamento do filme Dark Horse — a cinebiografia laudatória do ex-presidente Jair Bolsonaro — deveria ser tratado como prioridade absoluta, à frente de dezenas de milhões em dívidas pessoais e corporativas pendentes.

Naquele período, a execução financeira das contas pessoais e empresariais de Vorcaro estava delegada a seu homem de confiança e cunhado, o empresário e pastor Fabiano Zettel. O fluxo de mensagens revela que Zettel administrava uma pilha de R$ 55,5 milhões em desembolsos atrasados. Contudo, a prioridade absoluta foi redirecionada após uma cobrança direta do clã Bolsonaro.

A cobrança de Flávio Bolsonaro

No dia 20 de janeiro de 2025, data limite para a liberação do primeiro aporte financeiro, o empresário Thiago Miranda — apontado como o articulador do encontro entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro — enviou um alerta ao banqueiro: “Cara, hoje é a data limite daquele primeiro aporte filme. Preciso acelerar. Estamos no laço”.

Junto ao aviso, Miranda encaminhou o print de uma conversa com Flávio Bolsonaro na qual o senador cobrava pressa para destravar a análise jurídica do investimento: “Fala Thiago, te escrevo a pedido do pessoal do nosso filme pra vc dar um gás na resposta do jurídico do investidor. Lembrando que estamos com o roteirista amarrado até janeiro só. Ela me perturbam e eu te perturbo aqui!! rs”.

Print Flávio Bolsonaro cobrando pagamento do filme

Mensagem de Flávio Bolsonaro enviada a Thiago Miranda para acelerar o aporte. Foto: Reprodução/The Intercept Brasil

“O filme tá nesse negócio?”

No dia seguinte, 21 de janeiro de 2025, Fabiano Zettel procurou Vorcaro em busca de direcionamento para gerir o passivo de R$ 55,5 milhões pendentes de pagamento. Ao ser questionado sobre o que pagar e quanto enviar, a primeira e única preocupação manifestada pelo dono do Banco Master foi com o projeto da família Bolsonaro: “O filme tá nesse negócio?”.

Zettel respondeu negativamente, justificando que o volume de recursos do longa-metragem operava em outra escala: “Porque o fluxo é gigante… 10 de 2.5 de dólares”. A resposta confirma o planejamento de aportes sequenciais em dólares revelado pela investigação, totalizando cerca de 24 milhões de dólares (R$ 134 milhões na cotação da época) destinados ao fundo Havengate, controlado por Paulo Calixto, advogado do clã Bolsonaro.

Zettel pergunta o que pagar

Zettel pede instruções sobre os R$ 55,5 milhões pendentes. Foto: Reprodução/The Intercept Brasil

Vorcaro pergunta se o filme está no bolo de pagamentos

Vorcaro questiona se o filme faz parte da lista de cobranças. Foto: Reprodução/The Intercept Brasil

“Esse é o mais importante disparado”

A obsessão de Daniel Vorcaro em manter o clã Bolsonaro satisfeito ficou explícita uma semana depois. No dia 28 de janeiro de 2025, o banqueiro voltou a cobrar Zettel: “Filme vc pagou?”. Ao ouvir do operador que nada havia sido pago porque o caixa não recebia repasses há três semanas, e que o filme sequer constava na lista de prioridades de R$ 55,5 milhões, Vorcaro emitiu a ordem definitiva:

“Esse é o mais importante disparado. Não pode falhar mais”

Vorcaro define o filme como prioridade máxima

O banqueiro define a produção de Bolsonaro como prioridade máxima de desembolso. Foto: Reprodução/The Intercept Brasil

Crise de liquidez e interesses privados

O que torna os diálogos ainda mais escandalosos é a contradição com a realidade financeira do Banco Master naquele exato período. Entre o fim de 2024 e o início de 2025, a instituição financeira enfrentava severas cobranças do Banco Central sobre capitalização e liquidez, obrigando o grupo a buscar freneticamente novas captações de mercado.

Enquanto a saúde financeira da instituição exigia cautela e austeridade, a prioridade absoluta de seu controlador era blindar o fluxo de milhões de dólares para a cinebiografia bolsonarista. Até maio de 2025, o fundo Havengate recebeu pelo menos 10,6 milhões de dólares do total prometido.

A investigação do The Intercept Brasil revela como as decisões corporativas e os recursos de um banco sob vigilância do regulador foram curvados para atender aos interesses políticos e pessoais da extrema direita, consolidando a simbiose entre o poder financeiro e o bolsonarismo.


👉 Leia a investigação completa e detalhada diretamente no site do The Intercept Brasil.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/06/02/bomba-esse-e-o-mais-importante-disparado/feed/ 15
Como o escândalo Volcaro e a atração do eleitorado de centro consolidam a vantagem de Lula https://www.ocafezinho.com/2026/05/25/como-o-escandalo-volcaro-e-a-atracao-do-eleitorado-independente-de-centro-consolidam-a-vantagem-de-lula/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/25/como-o-escandalo-volcaro-e-a-atracao-do-eleitorado-independente-de-centro-consolidam-a-vantagem-de-lula/#comments Tue, 26 May 2026 02:10:19 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=251463 13 Comentários 🔥]]> A terceira rodada da pesquisa nacional BTG Nexus, divulgada neste dia 25 de maio de 2026, traz uma série de dados reveladores sobre o cenário eleitoral e a avaliação de governo. O ponto mais interessante e estratégico do levantamento é o comportamento do eleitorado independente: o expressivo contingente de 26% de não polarizados na política brasileira, que começa a inclinar de forma nítida e consistente na direção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Este movimento, somado ao derretimento do teto de Flávio Bolsonaro em meio ao escândalo Volcaro, redefine a dinâmica da pré-campanha muito mais cedo do que se viu em pleitos anteriores.

Historicamente, a política brasileira se define na conquista da faixa moderada. E, neste momento, várias análises convergem para um diagnóstico claro: o centro político está, em grande medida, inserido e representado dentro do próprio governo Lula, sob o comando de figuras de peso como a ministra Simone Tebet e o vice-presidente Geraldo Alckmin. O assentamento paulatino das opiniões sobre a economia e os rumos da administração pública tem funcionado como uma ponte segura para que esse terço de eleitores independentes se aproxime do governo de forma orgânica — repetindo a aliança ampla que garantiu a vitória de 2022, mas agora com um arranque precoce e muita força.

Em contrapartida, as candidaturas que tentavam construir uma espécie de ‘terceira via’ ou ‘direita alternativa’ continuam figurando como meras cartas fora do baralho. Nomes como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos revelam-se meros coadjuvantes, detendo intenções de voto marginais que variam entre 3% e 5% no primeiro turno estimulado. Ao longo da pré-campanha, a forte tendência gravitacional da polarização direta deve desidratar esses projetos por completo. Por esse motivo, é crucial prestar atenção nas simulações diretas de segundo turno.

Os números de potencial de voto são categóricos. O potencial de voto consolidado de Lula (eleitores que afirmam ser ele ‘o único em quem votaria’) subiu de 34% em abril para 37% em maio. Simultaneamente, a rejeição ao presidente recuou de 48% para 47%. No campo oposto, Flávio Bolsonaro faz o caminho inverso: sua rejeição subiu dois pontos, atingindo a barreira psicológica de 50%, enquanto seu potencial de voto consolidado oscilou negativamente para 26%. No gráfico de potencial de voto, Lula se mostra hoje muito superior a qualquer adversário.

Esse desgaste se reflete de forma direta no principal cenário de segundo turno testado. Se o pleito fosse hoje, Lula venceria Flávio Bolsonaro por 47% a 43% — abrindo uma vantagem clara de quatro pontos percentuais que supera a margem de erro, superando o cenário de empate técnico (46% a 45%) visto na rodada anterior de abril.

A quebra sociodemográfica do segundo turno elucida de forma ainda mais cristalina onde reside a força de cada projeto. Entre as mulheres, a vantagem de Lula é esmagadora: o presidente tem 54% das intenções de voto contra apenas 35% de Flávio Bolsonaro. Lula também mantém sua supremacia histórica entre os eleitores mais pobres (56% de apoio na faixa de renda de até 1 salário mínimo) e entre a terceira idade (onde atinge 51% de aprovação entre os eleitores com mais de 60 anos, contra apenas 38% de desaprovação).

Porém, um dos recortes mais emblemáticos e surpreendentes desta pesquisa dá-se na escolaridade. No eleitorado com Ensino Superior completo — um segmento que historicamente tendeu a votar com forte viés antipetista —, Lula aparece com 47% das intenções de voto no segundo turno contra 46% de Flávio Bolsonaro. O empate técnico nesse segmento indica que o presidente recuperou de forma notável o voto instruído. Esse eleitorado, caracterizado por sua independência e posições liberais clássicas, está se descolando do radicalismo da extrema-direita e convergindo para o centro pragmático liderado por Lula.

Ademais, a sustentabilidade da candidatura de Lula repousa sobre uma base altamente mobilizada e leal. Entre os eleitores que votaram no presidente em 2022, impressionantes 92% declaram que aprovam o trabalho de seu governo atualmente. O presidente conta ainda com uma aprovação geral de 47% contra 48% de desaprovação — um saldo de apenas 1 ponto negativo que, na atual conjuntura nacional e internacional de forte polarização, indica um patamar de resiliência formidável e uma melhora gradativa de um ponto percentual em relação à rodada anterior.

O retrato que a pesquisa BTG Nexus entrega em maio de 2026, portanto, não é o de um país estagnado no ódio simétrico, mas sim o de uma lenta e firme migração do eleitorado independente e moderado de centro na direção da estabilidade governamental, enquanto a oposição de extrema-direita começa a pagar o preço eleitoral de seus escândalos de corrupção e das denúncias no submundo do lobismo brasiliense.

 

Clique aqui para baixar íntegra da pesquisa.

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/05/25/como-o-escandalo-volcaro-e-a-atracao-do-eleitorado-independente-de-centro-consolidam-a-vantagem-de-lula/feed/ 13
Mastergate de Flavio faz Lula abrir 7 pontos à frente no segundo turno, diz Atlas https://www.ocafezinho.com/2026/05/15/escandalo-de-flavio-bolsonaro-faz-lula-abrir-7-pontos-a-frente-no-segundo-turno-diz-atlas/ https://www.ocafezinho.com/2026/05/15/escandalo-de-flavio-bolsonaro-faz-lula-abrir-7-pontos-a-frente-no-segundo-turno-diz-atlas/#comments Fri, 15 May 2026 20:20:16 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=247580 36 Comentários 🔥]]> O novo tracking da Atlas Intel, revelado há pouco pela CNN Brasil, mostra que o vazamento dos áudios em que Flávio Bolsonaro conversa com o banqueiro Daniel Vorcaro produziu impacto devastador nas chances do senador chegar ao Planalto.

A medição traz Lula com 49,1% das intenções de voto contra 42,6% de Flávio na simulação de segundo turno. Em votos válidos, segundo fontes ligadas ao instituto, o petista chega a 54% contra 46% do senador.

Cabe um esclarecimento metodológico. Os dados de 15 de maio vêm de um tracking, levantamento diário e mais ágil, com método e amostra distintos das pesquisas convencionais mensais que a Atlas Intel vinha publicando até agora.

Para medir o tamanho do impacto, é preciso olhar a série anterior, feita pelo método tradicional da casa. Em dezembro de 2025, a Atlas mostrava Lula com folgados 12 pontos de vantagem, 53,0% a 41,0%.

De lá pra cá, o petista vinha caindo enquanto Flávio subia. Em fevereiro de 2026, o senador passou numericamente à frente pela primeira vez, ainda que por apenas 0,1 ponto (46,3% a 46,2%).

A liderança numérica de Flávio se manteve em março (47,6% a 46,6%) e em abril (47,8% a 47,5%), sempre dentro da margem de erro, mas com a direção do movimento favorecendo o senador. Era esse o cenário que o vazamento dos áudios interrompeu.

O tracking de hoje rompe com essa trajetória de forma abrupta. Lula sobe 1,6 ponto em relação a abril, Flávio despenca 5,2 pontos, e abre-se uma diferença de 6,5 pp que a CNN arredondou para sete.

O levantamento também indica que os demais pré-candidatos da direita, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos, não tiveram mudanças significativas. Houve leve alta no primeiro turno, mas recuo no segundo.

A leitura inicial dos pesquisadores é de que o episódio atingiu sobretudo o eleitor indeciso de perfil moderado e de centro. Foi justamente o segmento que Flávio precisava manter para sustentar competitividade no segundo turno.

Vale lembrar que o Datafolha, com divulgação prevista para sexta ou sábado, deve pegar apenas uma beiradinha do escândalo. Só na semana que vem, se houver nova pesquisa convencional, teremos uma ideia mais precisa do impacto.

Por ora, o tracking da Atlas já oferece um bom indicativo dos efeitos do escândalo.

 

]]>
https://www.ocafezinho.com/2026/05/15/escandalo-de-flavio-bolsonaro-faz-lula-abrir-7-pontos-a-frente-no-segundo-turno-diz-atlas/feed/ 36