Zuckerberg - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/zuckerberg/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Wed, 29 Jan 2025 19:54:52 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.1 https://www.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Zuckerberg - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tag/zuckerberg/ 32 32 Zuckerberg pretende morar em Washington em busca de influência política https://www.ocafezinho.com/2025/01/29/zuckerberg-pretende-morar-em-washington-em-busca-de-influencia-politica/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/29/zuckerberg-pretende-morar-em-washington-em-busca-de-influencia-politica/#respond Wed, 29 Jan 2025 19:54:48 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=201321 Mark Zuckerberg, fundador da Meta, explora a compra de um imóvel em Washington DC, sinalizando sua intenção de se alinhar ao governo Trump e influenciar decisões sobre inteligência artificial e regulação tecnológica


Mark Zuckerberg está explorando a compra de uma propriedade em Washington, DC, de acordo com duas pessoas familiarizadas com o assunto, enquanto o bilionário fundador da Meta intensifica seus esforços para moldar a abordagem do presidente dos EUA, Donald Trump, em relação ao setor de tecnologia.

Um possível imóvel já foi identificado, disse uma das fontes. O empresário de 40 anos já possui várias propriedades na Califórnia, onde fica a sede da Meta, além de um complexo no Havaí.

A movimentação sinaliza a ambição de Zuckerberg de trabalhar de perto com a administração Trump, disseram as fontes, enquanto ele busca um papel na influência da regulamentação em áreas como inteligência artificial (IA), que são cada vez mais importantes para a Meta, dona do Facebook e do Instagram.

Zuckerberg afirmou que pretende transformar a Meta, que tem valor de mercado de US$ 1,7 trilhão, na “líder” em IA, competindo com rivais como OpenAI, Google e Microsoft.

Um porta-voz da Meta se recusou a comentar.

Adquirir uma propriedade em Washington seria a mais recente tentativa de Zuckerberg de se aproximar de Trump, que ameaçou prender o bilionário da tecnologia caso ele interferisse nas eleições do ano passado e chamou sua empresa de “inimiga do povo” por supostamente censurar vozes de direita.

Este mês, a empresa lançou uma reformulação inesperada de sua moderação de conteúdo, encerrando seu programa de verificação de fatos de terceiros, uma mudança bem recebida por Trump e seus aliados. A Meta também acusou a administração Biden de anteriormente pressionar a empresa a censurar conteúdo relacionado à pandemia de coronavírus, por exemplo.

Zuckerberg também substituiu o chefe global de políticas da Meta, Nick Clegg, pelo proeminente aliado republicano Joel Kaplan, e nomeou Dana White, magnata de artes marciais e amigo de Trump, para o conselho da Meta.

O bilionário esteve presente na posse de Trump, sentando-se atrás do presidente junto com executivos de tecnologia, incluindo o fundador da Amazon, Jeff Bezos.

Trump retornou à Casa Branca em um momento crucial para o Vale do Silício, enquanto as maiores empresas de tecnologia competem para se tornar potências em IA. Zuckerberg disse que espera alocar entre US$ 60 bilhões e US$ 65 bilhões em gastos de capital para fortalecer os esforços da empresa em IA, incluindo a expansão “significativa” de suas equipes.

No entanto, até agora, a atenção de Trump tem se concentrado em seus rivais. Na semana passada, o presidente anunciou que a OpenAI, SoftBank e Oracle estão formando uma joint venture de infraestrutura de IA nos EUA, avaliada em US$ 500 bilhões, chamada “Stargate”, elogiando a iniciativa como “uma declaração ressoante de confiança no potencial da América sob um novo presidente”.

Alguns especialistas observaram um aumento recente nas vendas de imóveis de luxo em Washington, DC, fenômeno apelidado de “efeito Trump”, já que executivos apostam que propriedades na capital ajudarão a aumentar sua influência com a administração.

O capitalista de risco e empresário David Sacks, nomeado como o novo czar de criptomoedas e IA de Trump após apoiar sua campanha, comprou uma residência de US$ 10 milhões na capital dos EUA, de acordo com documentos vistos pelo Financial Times e uma pessoa familiarizada com o assunto. O Axios foi o primeiro a relatar a movimentação nesta segunda-feira.

Elon Musk, que está liderando o Departamento de Eficiência Governamental e trabalhando a partir do escritório da SpaceX em Washington, também estaria buscando investir em uma propriedade em DC, provocando reações negativas de moradores do bairro de Adams Morgan.

Os contornos precisos do papel de Musk na administração ainda não foram delineados, mas Trump negou na semana passada que Musk terá um escritório na própria Casa Branca.

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Zuckerberg quer transformar Meta numa central red pill https://www.ocafezinho.com/2025/01/15/zuckerberg-quer-transformar-meta-numa-central-red-pill/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/15/zuckerberg-quer-transformar-meta-numa-central-red-pill/#comments Wed, 15 Jan 2025 19:02:59 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=200512 1 Comentário 🔥]]> “Falta energia masculina nas empresas”, diz dono da Meta. Ele deve estar falando da mais tóxica possível. Não é coincidência que isso ocorra às vésperas da posse de Donald Trump.

“Agora o Zuckerberg assumiu que o bullying está liberado.” Escrevi essa frase no X depois de ser surpreendida, como todos, por um vídeo onde Mark Zuckerberg, o multimilionário dono da Meta, dizia que iria afrouxar as regras de moderação do Instagram e do Facebook e abolir os checadores profissionais de fatos.

“Vai tomar no c*, Nina Lemos”, respondeu um usuário que eu nunca vi na vida. Já estou acostumada a esse tipo de ataque (mentira, a gente nunca se acostuma). É irônico, mas esse tipo de ofensa é exatamente sobre o que o Zuckerberg falava. E o que ele quer “legalizar”.

De acordo com as novas diretrizes da empresa, que foram publicadas em português semana passada, atacar dessa maneira é permitido desde que seja em discussões políticas, religiosas etc.

Energia masculina tóxica

Agora, de acordo com o multimilionário, esse tipo de xingamento, assim como a violência de gênero, são permitidos, quase incentivados. Para ele, trata-se de “liberdade de expressão”. Esse ambiente digital tóxico parece ser também o que ele imagina como “um mundo de homem de verdade” (sic), “sem frescura”, “Está na hora de voltar às nossas raízes”, disse no início do vídeo. “Falta energia masculina nas empresas”, disse num podcast alguns dias depois.

Essa energia masculina de que ele fala parece ser a mais tóxica possível. Aquela dos homens que sentem saudades dos “bons tempos”, quando era permitido falar que “homossexuais eram doentes mentais” e que lugar de mulher é na cozinha. Ou seja, uma volta aos anos 50.

Não estou exagerando. As regras publicadas na nova política de moderação das redes são assustadoras. Elas falam explicitamente de imigrantes e identidade de gênero (duas pautas queridinhas da extrema direita, cujo um dos representantes, Donald Trump, toma posse como presidente dos EUA esta semana, o que não é coincidência).

O ataque à comunidade LGBTQIA+ é explícito, mas também os ataques às mulheres. Um dos trechos fala: “Em alguns casos, (usuários) solicitam exclusão ou recorrem a linguagem ofensiva ao abordar tópicos políticos ou religiosos, como direitos de pessoas transgênero, imigração ou homossexualidade. Também é comum que xingamentos a um gênero ocorram no contexto de separações amorosas. Nossas políticas foram criadas para dar espaço a esses tipos de discurso”.

É inacreditável. Como a política de uma empresa pode dizer coisas assim em 2025, quando a maioria das empresas adotou regras de inclusão e paridade de gênero? Pois Zuckerberg rasgou tudo isso. Ele acabou também com a comissão de diversidade e inclusão da empresa, que tratava, entre outras coisas, da paridade de salários e espaços, por exemplo, para pessoas negras. Já seria grave se fosse qualquer empresa. Só que, no caso, estamos falando das maiores redes sociais do mundo, plataformas que são usadas por bilhões de pessoas no mundo e que dominam os discursos públicos, inclusive os políticos,

Ataque a grupos mais vulneráveis

A parcela da sociedade que o dono da Meta larga aos leões é justamente a que é mais atacada nas redes sociais. De acordo com um estudo da União Europeia divulgado ano passado, as mulheres são as maiores vítimas de ataques de ódio online.

É muito preocupante também que ele fale que xingamentos de gênero são permitidos em “rompimentos amorosos”. É nessa fase que acontece a maioria dos casos de feminicídio. E, sim, ataques virtuais podem causar traumas e levar ao suicídio, principalmente de jovens. Além disso, sabemos muito bem que a violência online muitas vezes sai das redes e vai para a vida real.

Mark Zuckerberg acha que é o dono do mundo (mas não é, ainda bem). Por isso, vários países já avisaram que não aceitam as novas regras. No caso da Alemanha, desde 2018, está em vigor a NetzDG, que tem como objetivo restringir o discurso de ódio e os conteúdos ilegais nas redes. Na União Europeia existe também a Lei dos Serviços Digitais (DAS), que prevê regulamentações mais rigorosas do que as existentes nos Estados Unidos. No caso do Brasil, o governo reagiu dizendo que não aceitaria que as novas regras (ou a falta delas) fossem implementadas no país. A AGU (Advocacia-Geral da União) ingressou com uma notificação extrajudicial pedindo que a Meta explique como vai manter o compromisso de combater discursos de ódio, racismo e homofobia nas redes no Brasil.

Apesar desses esforços positivos, a entrada da Meta na “Esfera Red Pill” é extremamente preocupante, já que nem sempre os multimilionários de tecnologia cumprem as leis e é extremamente difícil que instituições governamentais consigam ter acesso a tudo o que é postado nas redes.

A virada “red pill” de Zuckerberg é extremamente perigosa. E fica até difícil ser otimista em meio a tanto retrocesso.

Publicado originalmente pelo DW em 14/01/2025

Por Nina Lemos – Colunista

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Meta elimina checagem de fatos externa e adota modelo do X https://www.ocafezinho.com/2025/01/07/meta-elimina-checagem-de-fatos-externa-e-adota-modelo-do-x/ https://www.ocafezinho.com/2025/01/07/meta-elimina-checagem-de-fatos-externa-e-adota-modelo-do-x/#comments Tue, 07 Jan 2025 20:01:20 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=200041 1 Comentário 🔥]]> Para evitar o que chamou de “vieses”, dona do Facebook e Instagram terá notas da comunidade como as do X, em vez de checagem de fatos terceirizada. Justificativa de Zuckerberg coincide com discurso de Trump e Musk.

A empresa Meta vai encerrar seu programa de checagem de fatos terceirizado nos Estados Unidos. Em seu lugar, adotará notas da comunidade de autoria dos próprios usuários, semelhantes às da plataforma X, anunciou seu diretor executivo, Mark Zuckerberg, nesta terça-feira (07/01).

Segundo o proprietário das redes sociais Facebook e Instagram, “os checadores de fato simplesmente têm sido politicamente parciais demais, destruindo mais confiança do que criaram”.

O anúncio da Meta repete muitas das reclamações de políticos republicanos e do dono do X, Elon Musk, que equiparam os programas de checagem de fatos a uma forma de censura.

O próprio Zuckerberg concedeu que as mudanças são, em parte, determinadas por eventos políticos, inclusive a vitória de Donald Trump nas presidenciais americanas: “As eleições recentes também parecem um ponto de inflexão cultural, no sentido de voltar a priorizar o discurso.”

As plataformas da Meta, sobretudo Facebook e Instagram, vão “simplificar” suas políticas para conteúdos, prosseguiu o magnata de 40 anos num vídeo online, e “se livrar de um monte de restrições sobre tópicos como imigração e gênero, que estão simplesmente fora de contato com o discurso mainstream”.

Assim, a gigante da mídia social passaria a permitir “mais fala”, a fim de enfocar conteúdos ilegais ou “violações de alta gravidade”, como terrorismo, exploração sexual infantil e narcotráfico.

Ao anunciar a mudança, Zuckerberg também afirmou que “países da América Latina têm tribunais secretos que podem ordenar que empresas removam conteúdos de forma silenciosa”. Ele não mencionou a quais países se referia, mas é um argumento semelhante ao adotado por Musk em relação à atuação do Supremo Tribunal Federal, que chegou a derrubar o X no Brasil no final de outubro após a empresa não obedecer a ordens judiciais, bloqueio que durou cerca de 40 dias

Rede de checadores critica mudança de regra

A diretora da Rede Internacional de Checagem de Fatos (IFCN, na sigla em inglês), Angie Drobnic Holan, afirmou que a decisão da Meta irá “prejudicar usuários de redes sociais que estão à procura de informações precisas e confiáveis para tomar decisões sobre suas vidas cotidianas”. “O jornalismo de checagem de fatos nunca censurou ou removeu publicações, ele adicionou informações e contexto a afirmações controversas e desmascarou conteúdo falso e teorias da conspiração.”

Ela disse ainda considerar “lamentável” que a decisão da Meta tenha sido tomada “na esteira da extrema pressão política de um novo governo e de seus apoiadores”. “Os checadores de fatos não foram tendenciosos em seu trabalho – essa linha de ataque vem dos que acham que devem ter a possibilidade de exagerar e mentir sem refutação ou contraditório.”

As agências de notícias Agence France-Presse (AFP) e Associated Press (AP) estão entre os veículos de imprensa que têm atuado na checagem de fatos para a Meta.

Para João Brant, secretário de políticas digitais da Presidência da República do Brasil, o anúncio de Zuckerberg antecipa o início do governo Trump e explicita uma “aliança” da Meta com o próximo governo americano. “Meta vai atuar politicamente no âmbito internacional de forma articulada com o governo Trump para combater políticas da Europa, do Brasil e de outros países que buscam equilibrar direitos no ambiente online”, afirmou ele no X.

Brant é um dos representantes do governo brasileiro envolvidos na negociação do projeto de lei que cria a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet, engavetado em junho pelo Congresso. O texto é parcialmente inspirado na norma da União Europeia (UE) sobre o tema, o DSA (Digital Service Act).

Meta se alinha com Trump 2.0

Trump vinha criticado duramente a Meta e Zuckerberg, acusando-os de apoiar políticas liberais de tendência anticonservadora. Após a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, ao fim de seu primeiro mandato, o magnata nova-iorquino foi expulso do Facebook, mas foi readmitido no começo de 2023.

Numa aparente tentativa de remediar a relação entre a sua empresa e o presidente eleito, em novembro de 2024 Zuckerberg jantou com Trump na propriedade deste em Mar-a-Lago, Flórida. Outro gesto conciliatório seria a recente nomeação de Dana White, presidente de uma organização de artes marciais e trumpista ferrenho, para o conselho da Meta.

Mais relevante ainda foi a contratação do republicano linha-dura Joel Kaplan como diretor de Assuntos Globais, substituindo o ex-vice-ministro britânico Nick Clegg. “Conteúdo inofensivo demais é censurado, gente demais se vê injustamente trancada na ‘prisão do Facebook'”, afirmou recentemente o lobista e advogado. O esquema anterior, de criar sistemas complexos para gerir os conteúdos, teria “ido longe demais”, resultando em “erros demais”.

Kaplan defendeu a nova estratégia, de eliminar especialistas externos: “Nós vimos essa abordagem na X, onde eles dão poder à comunidade para decidir até que ponto as postagens são potencialmente enganosas e precisam de mais contexto.”

Como parte da reestruturação, a Meta realocará suas equipes de confiança e segurança, do estado da Califórnia, onde as posições liberais predominam, para o Texas, mais conservador. “Isso vai ajudar a criar confiança para fazer esse trabalho em lugares onde há menos preocupação com o viés das nossas equipes”, afirmou Zuckerberg.

O quase independente Conselho Supervisor da Meta, criado para arbitrar sobre decisões de conteúdo controversas, disse saudar as medidas, estando ansioso para colaborar com a empresa “para entender as mudanças mais detalhadamente, assegurando que o a nova abordagem seja tão eficaz e favorável ao discurso quanto possível”.

Publicado originalmente pela DW em 07/01/2025

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