Tragédias - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tragedias/ Portal de noticias e análises sobre política brasileira, geopolítica, economia, tecnologia, sempre numa perspectiva democrática, progressista, anti-imperialista e multipolar! Mon, 08 Dec 2025 15:56:18 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://controle.ocafezinho.com/wp-content/uploads/2015/10/cropped-Logo_Cafezinho_tmb-32x32.png Tragédias - O Cafezinho https://www.ocafezinho.com/tragedias/ 32 32 Jovem é resgatado após 5 horas sob escombros no Rio https://www.ocafezinho.com/2025/12/08/jovem-e-resgatado-apos-5-horas-sob-escombros-no-rio/ https://www.ocafezinho.com/2025/12/08/jovem-e-resgatado-apos-5-horas-sob-escombros-no-rio/#respond Mon, 08 Dec 2025 16:30:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=222728 A ação envolveu cerca de 50 bombeiros, cães farejadores e drones térmicos, enquanto familiares aguardavam notícias

A rotina ainda silenciosa da Rua Tavares Bastos, no Catete, Zona Sul do Rio, foi rompida por um estrondo no fim da madrugada desta segunda-feira (8). A parte dos fundos de um sobrado de dois andares veio abaixo por volta das 4h30, deixando moradores feridos e transformando o endereço em um cenário de correria, poeira e resgate intenso.

Apesar do susto, a fachada do imóvel permaneceu de pé. O prédio, colado a uma encosta e dividido em pequenas residências, não tinha histórico de desabamentos. Mesmo assim, o episódio expôs mais uma vez a vulnerabilidade de construções em áreas adensadas e com pouca fiscalização, realidade que afeta especialmente comunidades de baixa renda.

Resgate mobilizou cerca de 50 bombeiros

Dezessete pessoas foram retiradas dos escombros. A maior parte sofreu apenas escoriações, mas o drama de um feirante de 21 anos mobilizou a tropa por quase cinco horas. Ele foi o último a ser localizado e, apesar do longo período soterrado, permaneceu consciente e conversando com os bombeiros enquanto era retirado.

O major Fabio Contreiras, porta-voz do Corpo de Bombeiros, explicou que “uma casa desabou em cima da outra”. Para ele, a própria arquitetura improvisada do local acabou ajudando a salvar vidas. “São apartamentos muito pequenos, com muitas colunas. Isso foi um grande facilitador, porque formou vários bolsões de ar, espaços vitais isolados em que as pessoas conseguiram aguardar a nossa chegada”, relatou.

Ainda segundo Contreiras, muitas vítimas estavam “debaixo de concreto, madeira e metais”. A retirada exigiu corte de grandes estruturas. “A gente teve que cortar muito aço para poder chegar a essas vítimas. Algumas saíram até andando”, afirmou.

Cerca de 50 bombeiros participaram da operação, incluindo equipes do Grupo de Operações Especiais e do Grupamento de Operações com Cães. Drones com câmera térmica auxiliaram na localização dos sobreviventes.

Interdição da via e apoio aos moradores

Para garantir o trabalho de resgate, o trânsito na Tavares Bastos foi totalmente interditado. A rua foi tomada por viaturas, cães farejadores e parentes das vítimas que aguardavam informações, enquanto os bombeiros se revezavam entre retirada de entulho e atendimento aos feridos.

O episódio reacende a discussão sobre as políticas de habitação e prevenção de desastres urbanos. Embora a tragédia não tenha feito vítimas fatais, expôs um problema crônico: famílias vivendo em estruturas frágeis, às sombras da desatenção do poder público. Nos escombros desse sobrado, além de concreto e madeira, ficou evidente também a urgência por moradia digna e segurança estrutural para quem vive nas regiões mais pressionadas da cidade.

Via Rio Carta*

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Família de Juliana Marins denuncia abandono no traslado https://www.ocafezinho.com/2025/06/30/familia-de-juliana-marins-denuncia-abandono-no-traslado/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/30/familia-de-juliana-marins-denuncia-abandono-no-traslado/#respond Mon, 30 Jun 2025 09:50:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=211534 A Emirates alegou compartimento “lotado” e adiou o voo, aumentando o sofrimento de parentes que já enfrentam o trauma da perda longe de casa

A dor da perda se mistura à frustração na saga da família da publicitária Juliana Marins, de 26 anos, que tenta trazer de volta ao Brasil o corpo da jovem após sua morte trágica durante uma trilha no Monte Rinjani, vulcão localizado na ilha de Lombok, na Indonésia. Desde o acidente, ocorrido no sábado (21), a família luta contra burocracias e atrasos na repatriação do corpo, culminando em um apelo público nas redes sociais no domingo (29).

Juliana, moradora de Niterói (RJ), caiu de um penhasco enquanto explorava o famoso destino turístico asiático. Durante dias, familiares e autoridades acompanharam com angústia as imagens captadas por drones, que mostravam sinais de movimento da jovem em meio às rochas, mas o resgate só foi possível três dias depois, na quarta-feira (25).

A demora foi atribuída pelas autoridades locais a condições climáticas adversas, dificuldades no terreno e falhas logísticas. Para os parentes, porém, houve “negligência” por parte das equipes envolvidas.

Leia também:
A ‘justiça’ pedida por quem rasgou a Constituição: os detalhes do ato bolsonarista na Paulista liderado por Bolsonaro e Malafaia

Novo obstáculo: o descaso da companhia aérea

O drama ganhou um novo capítulo no fim de semana, quando a família denunciou problemas na logística para trazer o corpo de volta ao Brasil. Em uma postagem no Instagram, criado especificamente para atualizar o caso, os parentes relataram a falta de transparência sobre o voo que deveria transportar o corpo de Bali até o Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro.

“É descaso do início ao fim. Precisamos da confirmação do voo da Juliana urgente. Precisamos que a Emirates se mexa e traga Juliana para casa!”, escreveram.

Horas depois, a situação piorou. Mesmo com a data do voo aparentemente confirmada, a família revelou que a companhia aérea Emirates, em Bali, teria recusado o embarque sob o argumento de que o compartimento de carga estava “lotado”.

“Já estava tudo certo com o voo, já estava confirmado, mas a Emirates em Bali não quer trazer minha irmã para casa. Do nada o bagageiro do voo ficou ‘lotado'”, lamentou um familiar, em tom de desespero. O pai de Juliana, Manoel Marins, está pessoalmente na Indonésia desde o início da semana para acompanhar o processo.

Emirates se pronuncia, e Niterói presta homenagem

Procurada pela Agência Brasil, a Emirates informou que o caso está sob apuração, sem detalhar prazos ou soluções. Enquanto isso, a prefeitura de Niterói anunciou o pagamento integral do traslado, no valor de R$ 55 mil, em um gesto de solidariedade à família.

Além disso, a cidade homenageará Juliana rebatizando uma trilha e um mirante com seu nome — um tributo que busca eternizar sua memória em solo carioca.

Laudo revela causa da morte

A autópsia realizada na Indonésia apontou que Juliana faleceu em decorrência de hemorragia causada por fraturas múltiplas e danos em órgãos internos, resultado de traumas contundentes sofridos horas antes do resgate.

Segundo o laudo, a morte ocorreu em menos de 20 minutos após o início da hemorragia, descartando hipotermia como causa, já que não há lesões nos tecidos dos dedos.

Governo federal se mobiliza

O caso também mobilizou o governo federal. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que o Ministério das Relações Exteriores apoiasse a família, e um decreto publicado na sexta-feira (27) no Diário Oficial da União facilitará o custeio do traslado de corpos de brasileiros mortos no exterior.

A medida, embora tardia para Juliana, pode evitar dramas semelhantes no futuro.

Enquanto aguarda a repatriação, a família clama por respeito e agilidade. “Queremos apenas que ela descanse em paz aqui, onde pertence”, disse um parente em entrevista emocionada.

O caso de Juliana, além de expor as fragilidades no atendimento a turistas em países estrangeiros, reacende debates sobre a necessidade de protocolos mais ágeis em situações de emergência.

Até lá, a espera continua — e a dor, intensa, ecoa entre as montanhas da Indonésia e as ruas de Niterói.

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Local onde morreu brasileira tem alto índice de acidentes fatais https://www.ocafezinho.com/2025/06/25/local-onde-morreu-brasileira-tem-alto-indice-de-acidentes-fatais/ https://www.ocafezinho.com/2025/06/25/local-onde-morreu-brasileira-tem-alto-indice-de-acidentes-fatais/#respond Wed, 25 Jun 2025 17:38:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=211316 Juliana Marins é mais uma vítima da falta de estrutura no turismo de aventura; especialistas cobram urgência em protocolos e fiscalização

A história da brasileira Juliana Marins, que perdeu a vida após cair em um penhasco durante uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia, chocou o mundo e trouxe à tona graves deficiências nos sistemas de segurança e resgate do país. A jovem ficou três dias presa no local, sem acesso a água, comida ou proteção contra o frio, antes de ser encontrada. Seu corpo só foi retirado na quarta-feira (26/06), após uma complexa operação com helicóptero.

O incidente reacendeu o debate sobre a falta de padrões adequados para o turismo de aventura na Indonésia, destino que atrai tanto alpinistas experientes quanto viajantes amadores. A tragédia de Juliana não é isolada: apenas entre abril e junho deste ano, três outros acidentes foram registrados no mesmo vulcão, incluindo a morte de um turista da Malásia, segundo o jornal Kompas.

Especialistas apontam falhas e pedem mudanças

Juliana caiu no abismo que o sistema ignorou
Com operação de resgate tardia e sem água ou abrigo, jovem brasileira não resistiu; caso reacende debate sobre riscos ignorados no setor / Reprodução

Sari Lenggogeni, professora de turismo da Universidade de Andalas, afirma que o governo indonésio precisa priorizar a mitigação de riscos em áreas naturais de alto risco. “É essencial fortalecer os planos de segurança, melhorar a infraestrutura, a sinalização e garantir treinamento adequado para guias e equipes de resgate”, diz.

Atualmente, muitas dessas atrações são administradas por comunidades locais, sem regulamentação rígida. Janianton Damanik, pesquisador do Centro de Estudos de Turismo da Universidade Gadjah Mada, concorda que há problemas estruturais, mas ressalta que os turistas também têm responsabilidade. “As regras existem, mas precisam ser seguidas. Mesmo em trilhas profissionais, os guias não podem garantir 100% de segurança”, explica.

Ambos os especialistas destacam a falta de equipamentos básicos e a precariedade dos postos de emergência ao longo das trilhas. Além disso, exames médicos antes das caminhadas poderiam evitar situações de risco.

Falta de protocolos claros e desafios na regulamentação

Outro problema é a ausência de um procedimento operacional padrão amplamente divulgado. “A sinalização de emergência em praias e montanhas é quase inexistente”, critica Lenggogeni.

O ministro das Florestas, Raja Juli Antoni, afirmou que o governo está levando o caso a sério e destacou o uso de helicópteros no resgate. No entanto, especialistas alertam que a Indonésia enfrenta dificuldades para adotar normas internacionais de segurança, devido às particularidades de seus destinos naturais e à falta de capacitação de guias locais.

Muitos condutores de trilhas aprendem o ofício com familiares, sem certificação formal ou treinamento em primeiros socorros. “Se exigirmos padrões globais, esses guias podem ser substituídos por estrangeiros, prejudicando a economia local”, pondera Damanik.

Turismo em excesso e a necessidade de controle

Além das falhas na segurança, o aumento descontrolado de visitantes preocupa. “Algumas montanhas recebem mais pessoas do que deveriam, especialmente na temporada de chuvas”, alerta Damanik. Ele defende a presença constante de equipes de resgate e limites no número de turistas.

Lenggogeni reconhece o esforço da Agência Nacional de Busca e Resgate (Basarnas), mas ressalta que a responsabilidade principal é do governo. “A Basarnas faz o possível, mas sem um sistema eficiente, fica difícil agir rapidamente em emergências.”

Enquanto as autoridades discutem melhorias, a morte de Juliana Marins serve como um triste alerta sobre os perigos do turismo sem regulamentação – e a urgência de medidas que protejam vidas.

Com informações de DW*

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MPF apura responsabilidade sobre tragédia no RS https://www.ocafezinho.com/2023/09/10/mpf-apura-responsabilidade-sobre-tragedia-no-rs/ https://www.ocafezinho.com/2023/09/10/mpf-apura-responsabilidade-sobre-tragedia-no-rs/#respond Sun, 10 Sep 2023 04:08:04 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=164907 Com as tragédias decorrentes do ciclone no Rio Grande do Sul, o Ministério Público Federal (MPF) entrou em ação nesta sexta-feira (8) para apurar as eventuais responsabilidades dos órgãos do estado.

“O objetivo é averiguar possíveis responsabilidades quanto a medidas que poderiam ter sido adotadas para mitigar e prevenir os efeitos adversos das inundações, bem como proporcionar ações de comunicação e resposta no auxílio à população atingida”, afirmou.

O MPF instaurou um inquérito civil para investigar possíveis responsabilidades relacionadas às medidas que poderiam ter sido adotadas e quais já foram aplicadas para reduzir os danos causados pelo ciclone extratropical que atingiu o estado nesta semana.

Até agora, a Defesa Civil do RS já contabilizou 41 mortes e 46 desaparecimentos. No total, foram 88 municípios atingidos pelo desastre natural que contabilizam 150.341 pessoas afetadas.

Segundo o órgão, “as enchentes ocasionaram danos à vida e ao patrimônio de número expressivo de cidadãos residentes nas cidades serranas e dos vales, envolvendo cerca de 30 municípios das microrregiões de Bento Gonçalves, Caxias do Sul e Lajeado”.

A portaria assinada pela procuradora da República, Flávia Rigo Nóbrega, indica a expedição de ofícios aos prefeitos e representantes da Defesa Civil da região de Bento Gonçalves, Caxias e Lajedo, para prestarem “informações que possam contribuir para a apuração dos fatos”.

A Defesa Civil deverá apresentar cópias de todas as comunicações sobre o monitoramento do aumento do nível das águas do rio na região após as chuvas, feitas pela Companhia Energética Rio das Antas (Ceran).

O MPF solicitou à Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do Estado informações relacionadas ao Zoneamento Ecológico e Econômico do RS, bem como sobre a possível criação de comissões de mudanças climáticas por parte dos municípios. Além disso, questionou a respeito da emissão de alertas de evacuação para os residentes das áreas afetadas.

“Esclareça, com relação ao ocorrido, qual foi a dinâmica adotada pela Sala de Situação, a fim de mitigar os danos às populações atingidas, bem como o protocolo a ser seguido em casos tais, sobretudo no que se refere à comunicação da ocorrência a pequenos municípios, como o caso de Muçum e Roca Sales”, afirma o documento.

No documento apresentado pelo órgão, é pontuado que os eventos climáticos extremos têm sido frequentes no Rio Grande do Sul, “havendo previsão de elevadas precipitações em decorrência da intensificação do fenômeno El Niño, o que torna premente a adoção de ações de monitoramento climático, a emissão de sistemas de alerta e a evacuação de áreas de risco, bem como a organização de um sistema efetivo de gerenciamento de crise”.

O El Niño é um fenômeno natural que promove o aquecimento das águas do Oceano Pacifico e, consequentemente, influência ventos e chuvas no Brasil. Para o especialista do Cemaden, Centro nacional de Desastres Naturais, Giovani Dolif, o fenômeno neste ano ultrapassou as expectativas calculadas. Diante disso, o meteorologista acreditam que eventos climáticos intensos ainda podem atingir a região brasileira até o início do próximo ano.

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Tempestades no RS já deixaram 41 vítimas https://www.ocafezinho.com/2023/09/08/tempestades-no-rs-ja-fizeram-41-vitimas/ https://www.ocafezinho.com/2023/09/08/tempestades-no-rs-ja-fizeram-41-vitimas/#respond Fri, 08 Sep 2023 09:12:00 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=164833 As tragédias no Rio Grande do Sul já somam 41 mortos. Um ciclone e uma frente fria atingiram o estado nesta semana e, até esta quinta-feira (7), o número de óbitos, feridos e desaparecidos já passa de centenas.

Na manhã desta quinta, mais quatro vítimas fatais das fortes chuvas foram registradas nas cidades de Muçum, Roca Sales, Imigrante e Cruzeiro do Sul. De acordo com a Defesa Civil do RS, temporais isolados irão atingir vários pontos do estado.

Para esta sexta (8), a previsão é de tempestades com descargas elétricas, eventuais quedas de granizo e rajadas de vento. Os especialistas indicam que os cuidados da população frente ao ciclone extratropical devem ser redobrados em períodos de crise como este.

O governo federal reconheceu o estado de calamidade pública dos municípios atingidos. Uma portaria assinada pelo secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff Barreiros, indica que os municípios atingidos estão com alerta vermelho.

As mortes já foram registradas em:

  • – Cruzeiro do Sul, com 4 vítimas;
  • – Encantado, com 1;
  • – Estrela, 2;
  • – Ibiraiaras, 2;
  • – Imigrante, 1;
  • – Lajeado, 3;
  • – Mato Castelhano, 1;
  • – Muçum, 15;
  • – Passo Fundo, 1;
  • – Roca Sales, 10;
  • – Santa Tereza, 1.

A Defesa Civil atualizou, também o número de desaparecidos:

  • 8 em Arroio do Meio;
  • 8 em Lajedo;
  • e 9 em Muçum.

Além disso, também foi divulgada a lista de feridos, resgatados e cidades afetadas:

  • Feridos: 43
  • Pessoas resgatadas: 3.037
  • Municípios afetados: 83
  • Desabrigados: 2.944
  • Desalojados: 7.607
  • Afetados: 122.992.

A tragédia no sul do Brasil, causada pelo El Niño já é considerada a maior do estado. Há quatro décadas, 16 pessoas morreram. Em entrevista nesta terça-feira (5), o governador Eduardo Leite afirmou que essa é a “pior tragédia natural” que atingiu o estado.

O fenômeno El Niño provoca altas temperaturas nas águas do Oceano Pacífico e, como consequência, tem grande influência nos ventos e chuvas no país. Os especialistas, no entanto, não esperavam que fosse tão severo neste ano – ele se mostra ainda mais atípico com uma onda de calor acima da média no fim de agosto.

“O ciclone ou a frente fria não eram uma ameaça. Mas eles chegaram como uma faísca em um ambiente com pólvora, formado pelo El Niño. Ele trouxe um vento forte, quente e úmido, que favoreceu a formação de nuvens e gerou o volume de chuva que vimos”, afirmou Giovani Dolif, meteorologista do Centro Nacional de Desastres Naturais (Cemaden).

A meteorologia explica, ainda, que se apenas o ciclone e a frente fria atingissem o estado, não haveria tantos impactos como nesta semana. O motivo para as tragédias está na combinação do El Niño com os outros fenômenos.

Os corpos das vítimas dos temporais no RS chegaram na tarde desta quarta-feira (6) no Departamento Médico-Legal (DML) de Porto Alegre para passarem pelo processo de identificação.

Conforme informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP), esses corpos foram localizados em Muçum na terça  (5) e também na manhã desta quarta (6), em Roca Sales. Até o momento, o governo do estado não divulgou um prazo estimado para a conclusão do processo de identificação das vítimas.

Segundo os especialistas, a instabilidade no sul do país deve ocorrer até domingo. Na sexta (8), Porto Alegre amanhece sob um céu com nuvens, acompanhado por chuvas e trovoadas isoladas que devem persistir ao longo do dia. A previsão para o sábado é de céu predominantemente nublado, porém, sem ocorrência de precipitação. Já no domingo, é previsto que as chuvas em forma de pancadas isoladas retornem à capital do estado.

O Climatempo tem colaborado em parceria com a Defesa Civil para manter a população informada sobre a evolução da situação climática no RS. Assim, é possível definir uma uma resposta ágil nas regiões mais propensas a passarem por chuvas intensas, inundações e cheias de rios. 

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A naturalização do horror https://www.ocafezinho.com/2019/04/11/a-naturalizacao-do-horror/ https://www.ocafezinho.com/2019/04/11/a-naturalizacao-do-horror/#comments Thu, 11 Apr 2019 16:37:25 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=93669 26 Comentários 🔥]]> O genial desenho animado americano South Park, em um episódio chamado Dead Kids (Crianças Mortas), fez uma crítica mordaz à naturalização, pela população dos EUA, das chacinas de crianças em escolas. No episódio, os tiroteios que se sucedem na escola da cidade não são mais percebidos como absurdos ou chocantes. Ao invés, são tratados como eventos corriqueiros.

É horripilante constatar que caminhamos para a mesma naturalização diante da morte de inocentes por arma de fogo.

A retórica do “bandido bom é bandido morto” chegou à presidência da República e autorizou, implicitamente, as forças de segurança a condenarem suspeitos à pena de morte e a executarem, de pronto, a sentença fora da lei.

A autorização explícita foi encaminhada ao Congresso pelo ministro Sérgio Moro. A ampliação das hipóteses de legítima defesa proposta por Moro no seu “projeto anticrime” foi classificada por muitos juristas como uma licença para matar. “É um gesto de que não importa quanto a polícia mate, ainda é insuficiente para o quanto deve matar”, disse o juiz Marcelo Semer.

Sobre os 80 tiros do exército contra o carro que o músico Evaldo Rosa dos Santos dirigia pelas ruas do Rio de Janeiro, Moro disse que “esses fatos podem acontecer”. Evaldo foi morto pelos tiros. Seu sogro e um transeunte, também atingidos, estão no hospital. A esposa de Evaldo, seu filho de 7 anos e uma sobrinha de 13 sobreviveram. A família estava indo para um chá de bebê.

Jair Bolsonaro, autoridade política máxima do país, mantém sobre o caso, até agora, um silêncio ensurdecedor.

Além da licença para matar, temos como proposta governamental a facilitação do acesso a armas para toda a população.

Como se vê, colocamos no poder um grupo tacanho que usa a violência e a intimidação como métodos e, pior, as alça a condutas louváveis e redentoras.

Pensando bem, não chegaríamos a este ponto se a morte já não estivesse naturalizada. Anos à fio de reacionarismo penal midiático estão cobrando seu preço.

Há menos de um mês houve uma chacina em um colégio de Suzano, em São Paulo, cometida por dois jovens. Nos moldes das que ocorrem corriqueiramente nos EUA.

O General Mourão, vice-presidente do país, relacionou o massacre aos videogames violentos que um dos atiradores, Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, jogava. Guilherme tinha, no entanto, referências importantes fora do mundo virtual. Suas redes sociais revelaram que ele era um apreciador de armas e da família Bolsonaro.

Ao contrário dos zumbis do jogo Walking Dead, os Bolsonaro são pessoas de carne e osso. E sangue.

O poder de que estão investidos legitima a barbárie.

O estrago está, em boa medida, feito. Que possamos acordar desse pesadelo antes da completa naturalização do horror.

Atualização em 12/04/2019: Seis dias depois da morte de Evaldo, Jair Bolsonaro declarou o seguinte: “O Exército não matou ninguém, não, o Exército é do povo. A gente não pode acusar o povo de ser assassino não. Houve um incidente, houve uma morte, lamentamos a morte do cidadão trabalhador, honesto, está sendo apurada a responsabilidade”.

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Quanto Vale a vida? https://www.ocafezinho.com/2015/11/13/quanto-vale-a-vida/ https://www.ocafezinho.com/2015/11/13/quanto-vale-a-vida/#comments Fri, 13 Nov 2015 23:25:26 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=33766 21 Comentários 🔥]]> Por Lia Bianchini, repórter especial do Cafezinho

Eu escrevo sob um chão seco, coberto por pisos e cercado por paredes bem fixas e sólidas. Provavelmente, você, leitora, leitor, também esteja lendo esse texto sob um chão seco, cercado por paredes fixas e sólidas, com a certeza de que sua fome será saciada tão logo ela chegue, assim como sua sede e seu sono.

Mas eu não quero falar de nós. Nem da nossa tão certa segurança.

Eu quero falar de pessoas que, em um piscar de olhos, perderam a vida como conheciam e agora vivem um novo mundo que não escolheram, muito menos fizeram por merecer.

Na tarde da última quinta-feira (5), por volta das 15h, o rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco, propriedade da Vale e da empresa anglo-australiana BHP, liberou um mar de 62 milhões de metros cúbicos de lama.

O subdistrito de Bento Rodrigues foi dizimado. Mais de 600 pessoas, que moravam no local, tiveram suas casas soterradas, sem qualquer possibilidade de recuperação. Os dados oficiais contabilizam, hoje, oito mortos, dentre eles, três prestadores de serviços à Samarco, uma menina de cinco anos de idade e um menino de sete anos. A lista oficial de pessoas desaparecidas conta com 21 nomes, sendo 11 de funcionários da Samarco.

Toda a população de Bento Rodrigues que não está morta ou desaparecida foi abrigada em hotéis e pousadas de Mariana, cidade a 35 km do vilarejo. São pessoas que só têm, agora, a certeza de um futuro incerto.

Além de Bento Rodrigues, o tsunami de lama afetou outros distritos mineiros, como Camargos, Paracatu e Ponte do Gama. Chegou ao Rio Doce, prejudicando a distribuição de água de dezenas de cidades, não só de Minas Gerais como também do Espírito Santo.

Os habitantes das cidades atingidas passaram a viver em estado de calamidade pública, como conta uma moradora de Governador Valadares (MG), que preferiu não ser identificada: “A situação de Valadares é ‘estado de guerra’. O rio está morto. Todo mundo está falando que é pra ir embora, não ficar aqui; que não é pra pensar em vestir, é pra pensar em beber. Eles estão mandando água para as escolas, mas o povo está saqueando os caminhões pipa. Eu não sei o que fazer. Valadares é a única cidade que não tem outra captação de água. Tem criança que não tem o que comer e beber em casa. É como se fosse guerra mesmo”.

Guerra.

O rompimento das barragens foi a “bomba de Hiroshima” no Brasil. Os efeitos da destruição que o mar de lama causou serão sentidos por, no mínimo, mais dez anos. Foram destruídas cidades, famílias, casas, escolas, a fauna e a flora regional.

Um laudo de amostras coletadas no Rio Doce aponta concentração de metais como mercúrio, arsênio, ferro e chumbo em níveis muito acima dos aceitáveis. São substâncias tóxicas, que podem afetar todo o organismo da população a elas exposta. Peixes, anfíbios, répteis, algas e toda a vida que dependia do Rio Doce estão sendo afetados. Para tentar impedir a extinção de 100% das espécies que habitam o leito do rio, o Ministério Público Federal e o Ministério Público do Espírito Santo iniciaram uma operação, denominada “Arca de Noé”, coletando animais.

Os rejeitos tóxicos contribuem também para a infertilidade do solo da região, pois a lama, conforme for secando, dificultará a penetração de água. Em se plantando, nada mais ali nascerá pelos próximos anos.

É o maior desastre ambiental da história do Brasil. Porém, curiosamente, não vem sendo tratado como tal.

Vale e BHP limitam-se a dar declarações vazias e frias por meio de notas de assessoria de imprensa.

Um dia após o rompimento, a Vale declarou que “lamenta profundamente o grave acidente ocorrido nas barragens de rejeitos nos municípios de Mariana e Ouro Preto, em Minas Gerais, e solidariza-se com os empregados, suas famílias e as comunidades atingidas”. No mesmo sentido, o CEO da BHP, Andrew Mackenzie, deu uma declaração dizendo não saber a “a extensão total da situação”, mas estar “trabalhando junto com a Samarco e com a Vale para entender melhor a situação”.

Sobre os danos causados à população e ao meio ambiente, a Samarco também se manifestou por meio de nota: “A empresa reforça que o rejeito é o classificado como material inerte e não perigoso, conforme norma brasileira de código NBR 10004-04, o que significa que não apresenta riscos à saúde pública e ao meio ambiente. Proveniente do processo de beneficiamento do minério de ferro, o rejeito é composto basicamente de água, partículas de óxidos de ferro e sílica (quartzo)”.

O fato é que tanto Vale quanto BHP continuam em sua zona de conforto, sem sofrer qualquer arranhão com a tragédia que causaram. Por enquanto, a multa estipulada à Samarco pelo Governo Federal é de R$ 250 milhões. O Ibama também multará a mineradora em R$ 250 milhões e a prefeitura de Mariana deve cobrar multa de R$ 100 milhões para reconstrução de casas, escolas e pontes destruídas.

Os R$ 600 milhões já estipulados em multa para a Samarco são uma quantia risível ante os lucros da mineradora e de suas donas, Vale e BHP. Apenas em 2014, a Samarco lucrou R$ 2, 8 bilhões. Já a Vale, apenas neste ano, já acumulou receita líquida de R$ 62, 8 bilhões. Enquanto a BHP, maior mineradora do mundo, registrou lucro líquido de US$ 6,4 bilhões entre junho de 2014 e junho de 2015.

As empresas continuarão a ignorar o crime que cometeram enquanto todo o “prejuízo” que sofrerem puder ser sanado em um mês de lucro; enquanto suas atividades continuarem normalmente.

O presidente da Vale, Murilo Ferreira, disse, em entrevista coletiva, que tem “uma visão de longo prazo em relação a Samarco”. E que “agora, a decisão de retomar ou não as operações não será uma decisão da Vale e da BHP somente. Agregam-se a isso todos esses importantes stakeholders [partes interessadas]”. A Samarco disse ainda que não está “fazendo contabilidade dos custos e dos impactos financeiros do acidente”.

“Stakeholders”, “custos”, “impactos financeiros”.

Quando a ganância do lucro é mais importante do que a vida, pessoas são substituídas por palavras de mercado, crimes se tornam “acidentes”.

Outras barragens se romperão, outros milhares de pessoas terão suas vidas destruídas enquanto empresas como Vale e BHP continuarem a ter certeza de que, não importando o crime que cometam, continuarão sempre impunes e lucrativas.

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Levante da juventude virou rebelião fascista? https://www.ocafezinho.com/2013/06/20/levante-da-juventude-virou-rebeliao-fascista/ https://www.ocafezinho.com/2013/06/20/levante-da-juventude-virou-rebeliao-fascista/#comments Fri, 21 Jun 2013 01:34:17 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=11914 Agora o estrago está feito. Minhas paranóias iniciais, de que a coisa poderia degenerar numa espécie de rebelião descontrolada tipo Líbia, com infiltração de todo tipo de oportunistas, tornaram-se realidade. Ainda tentei sufocar minhas paranóias e acreditar um pouco no bom senso dos jovens. “Eles querem ser politizados. Tudo vai dar certo”, pensei. É legal ver os jovens indo às ruas protestar por um Brasil melhor. É a primavera da juventude. Quebrei a cara. Não apenas eu. Até a presidenta fez elogios às manifestações. Mas todas as ressalvas que fiz acabaram se tornando o ponto principal. A coisa toda virou um pesadelo golpista. Sem foco, o movimento degringolou numa revolta fascista, com jovens camisas negras espancando militantes de partidos de esquerda e gritando “ditadura já”, conforme relatos que li do que aconteceu em São Paulo.

A sede dos Correios no Rio foi depredada. A fachada do lindo prédio do Itamaraty, em Brasília, foi destruída e o interior quase incendiado, com coquetéis molotov e pedras.

Eu estive no protesto de Brasília hoje, mas saí antes do quebra-quebra. Notei o elemento difuso. Muitas placas diziam: “é tanta coisa para protestar que não cabe numa placa”. Havia cantorias anti-mídia, contra a Globo, muitas pessoas com placas com dizeres: O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo. E uma bandeira gigante com a logomarca da emissora cruzada com um X. Só que o principal alvo é a política e os políticos. Havia placas pedindo redução dos impostos, ao lado de outras pedindo mais investimentos em saúde e educação. Vi apenas um cara de uns cinquenta anos, estranhíssimo, segurando uma plaquinha Fora Dilma.

As pessoas chegaram ao espaço aberto em frente ao Congresso e notava-se uma ansiedade para ver alguma coisa acontecer.

O professor Wanderley Guilherme, mais uma vez, detectou o cheiro de golpe. Não é hora sequer mais de criticar o governo por ter se permitido ficar numa situação tão frágil. O Brasil não pode ficar na mão de baderneiros fascistas. Mas a Dilma deveria se pronunciar. Já deveria tê-lo feito!

Jovens bem intencionados tornaram-se massa de manobra. Eu estava lá, caminhando ao lado deles, em direção ao Congresso. A maioria dos manifestantes era realmente pacífica, com olhos brilhando com desejos de mudança. Mas fascistas também querem mudanças. Fascistas também são ingênuos. Não tínhamos idéia da corrupção moral da juventude até este momento. Eles falam em corrupção, sem noção todavia de que este não é um problema que se combate com palavras de ordem, mas através da implementação de programas de transparência pública e fortalecimento das instituições de controle. Não se vence corrupção com gritos de guerra, até porque todos os corruptos costumam engrossar os protestos. O verdadeiro corrupto é aquele que também discursa contra a corrupção.

O Brasil acordará amanhã com uma ressaca terrível. Rezo para que a nossa “juventude” não esteja totalmente desmiolada, e possa refletir melhor.

Entendo que há problemas terríveis que ainda faltam serem solucionados. Mas a caixa de pandora da insatisfação humana tem uma quantidade infinita de demônios. Eu assisti parentes morrerem tristemente em hospitais públicos ou serem mal atendidos. Eu também tenho muito o que protestar, mas jamais corroborarei a depredação de patrimônio público, porque evidentemente isso não contribui em nada para reduzir as agruras sociais do povo. Não se pode jamais vender às pessoas a falsa ilusão de que a democracia pode ser um mar de rosas. A democracia não elimina a podridão humana, nem os sofrimentos da vida, nem a eventual incompetência de funcionários públicos e privados. Os mesmos jovens que pedem mais educação muitas vezes são os mesmos que se recusam a estudar, mesmo estando em bons colégios. A transformação da vida não depende apenas de governos, mas também do esforço individual. Essa é uma verdade partilhada por comunistas e capitalistas, mas não por fascistas. Os jovens pobres, sim, merecem receber ajuda do governo. Os jovens de classe média podem mudar o Brasil se tornando cientistas e engenheiros (assim como os pobres também podem sê-lo), ajudando o Brasil a vencer seus desafios tecnológicos, não depredando monumentos nacionais e produzindo instabilidade no país.

Por outro lado, temos de fazer a auto-crítica. Onde falhamos? Não politizamos nossa juventude. Deixamo-la abandonada a um consumismo desenfreado, sob influência de um sistema de comunicação positivamente golpista. Na manifestação em Brasília, cantava-se repetidamente o refrão nacionalista: sou brasileiro, com muito orgulho. Agora que novamente estou paranóico, até isso me soa como um hino integralista e fascista. Afinal, o que significa, nesse momento, ter “orgulho de ser brasileiro” e ao mesmo tempo desprezar tão profundamente os símbolos nacionais: Correios, Itamaraty, Congresso, prefeituras. Até o terreirão do samba, lugar de diversão popular, foi destruído! Que merda de orgulho é esse?

O que significa ter orgulho de ser brasileiro e querer melar a Copa do Mundo? Depois de toda gastança construindo os estádios, na hora em que poderíamos ter o retorno a estes investimentos, com geração de milhares de empregos, impostos e promoção de imagem do país no mundo, a gente destrói tudo? Que palhaçada! Se houve superfaturamento, que se investigue os culpados e prenda-os, mas a Copa continua!

Enfim, tá tudo muito estranho, muito perigoso. A esperança agora é que a presidenta Dilma seja líder e encontre a melhor maneira de restabelecer a ordem pública.

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Cafezinho amargo https://www.ocafezinho.com/2012/01/26/cafezinho-amargo/ https://www.ocafezinho.com/2012/01/26/cafezinho-amargo/#comments Thu, 26 Jan 2012 07:14:43 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=3561 Nesta quinta-feira, O Cafezinho não circula porque o seu autor passou a noite inteira no saguão da Caixa e na Câmara dos Vereadores, locais para onde a prefeitura levou os familiares e amigos dos desaparecidos sob os escombros do prédio que desabou no Rio de Janeiro.

Até onde eu sei, há pelo menos quinze pessoas soterradas, além de cinco feridos.

A irmã de nossa melhor amiga – que se encontrava fora do Rio – estava no quarto andar do edifício, e fomos acompanhar a mãe, a querida dona Alice.

Vou dormir com o coração oscilando entre um fiapo de esperança mas já se preparando para uma fatalidade.

Preparem-se, o centro do Rio amanhecerá totalmente parado amanhã, porque fecharam a Rio Branco, a Avenida Chile e a Cinelândia.

E peçam ao síndico para pedir uma avaliação estrutural do seu prédio.

Até sexta-feira.

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Eduardo Campos enquadra mídia https://www.ocafezinho.com/2012/01/06/eduardo-campos-enquadra-midia/ https://www.ocafezinho.com/2012/01/06/eduardo-campos-enquadra-midia/#comments Fri, 06 Jan 2012 10:22:20 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=2928 O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, protagonizou nesta sexta-feira, uma série de ações junto à mídia para pôr fim à recente “crise política” envolvendo um ministro de seu partido. Ele deu entrevista à Folha e ligou para Merval Pereira, conseguindo enquadrar, ao menos por um dia, o principal colunista político do Globo.

A entrada de Campos compensa a timidez e um certo egoísmo da presidência da república, que mais uma vez não pareceu se preocupar com a fritura de um ministro. No primeiro dia após a eclosão do “escândalo”, tanto a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffman, como a presidente, surgiram na mídia, qual vingadoras da opinião pública, com informações de que fariam “uma intervenção” no ministério. No dia seguinte, Gleisi negou, mas o estrago já estava feito, e a negativa não vinha acompanhada de uma ação política maior para defender o ministro. É compreensível que a intenção do Planalto seja preservar Dilma Rousseff, a abelha-rainha da base aliada. Ministros podem ser substituídos. A presidente, não. Ministros não disputarão eleição em 2014. A presidente, sim.

Entretanto, é preciso evitar injustiças, combater a manipulação da notícia e, sobretudo, apostar no esclarecimento da população. As duas obras de barragem em Pernambuco, que consumiram os tais 90% do programa do ministério, são resultado de uma orientação política que passou pela Casa Civil e pela Presidência da República. Dilma inclusive participou do evento inaugural de uma delas. Ou seja, elas tem o carimbo da decisão soberana e popular de um governo democrático e irão amenizar o sofrimento de milhões de nordestinos que vivem em áreas de risco em Pernambuco e Alagoas, trazendo benefícios econômicos e humanos, com reflexos em todo país.

O número mais vistoso que a mídia usa para acusar Fernando Bezerra é o uso de 90% da verba de um dos programas do ministério de Integração Nacional. Cito um trecho de um dos editoriais do Estadão de hoje:

Dos R$ 28,4 milhões liberados em 2011 pelo Ministério da Integração Nacional para obras de prevenção de desastres naturais em todo o País, o Estado de Pernambuco, terra natal do titular da pasta, Fernando Bezerra Coelho (PSB), ficou com R$ 25,5 milhões (89,7%). É o que apurou a ONG Contas Abertas com base em dados do Tesouro Nacional.

A origem do problema reside no fato de que o orçamento deste programa é ínfimo. R$ 28 milhões para prever desastres naturais em todo país? Seria injusto, porém, acusar o governo federal de estar investindo pouco nos estados. Só duas favelas cariocas (Alemão e Rocinha) receberam quase R$ 1 bilhão do governo federal num par de anos, para realizar obras de infra-estrutura. O Rio recebeu ainda, do mesmo ministério de Integração Nacional, e no mesmo ano, R$ 300 milhões para obras de reconstrução, por conta das tragédias na região serrana. Quer dizer, a Integração dá R$ 25 milhões para Pernambuco e R$ 300 milhões para o Rio, e o primeiro é que é o privilegiado?

É óbvio que, diante de um volume tão pequeno de recursos, seria contraproducente dispersá-los por todo o território nacional.

O ministério poderia, se quisesse evitar esse tipo de acusação, não investir em estado nenhum, e usar o programa para construir um novo sistema nacional de gerenciamento e prevenção de desastres naturais. Seria talvez a melhor forma de aplicar essas verbas, e mais condizente com os objetivos conceituais do ministério, de integrar o país e aproximar as unidades da federação.

Por outro lado, não há “sistema de gerenciamento” que substitua uma obra de barragem, e não creio que investir em obras de prevenção numa das regiões mais pobres do país seja mau uso do dinheiro público.

Eu lembro que, estudando a grande reforma urbana que Pereira Passos fez no Rio de Janeiro na primeira década do século XX, fiquei pasmo ao ler que ela havia consumido quase a metade do orçamento federal no ano de 1905. E isso ao mesmo tempo em que o Nordeste continuava a experimentar tragédias humanas que ceifavam milhões de vidas, por conta da falta de investimentos em… prevenção de tragédias. E agora, a mesma imprensa carioca, que jamais denunciou o privilégio gozado pelo Rio no direcionamento das verbas federais, vem acusar Pernambuco por causa de duas obras de barragem no valor de R$ 25 milhões (por ambas, não por cada uma), o que aliás não faz nem cócegas nos bilhões que o Planalto, ainda hoje, tem investido no mesmo Rio de Janeiro?

O próprio governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, tem dado apoio ao ministério de Integração Nacional, até porque não poderia, sem ser injusto, acusá-lo de não dar a devida atenção ao Rio.

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Escândalo da Integração confunde o leitor https://www.ocafezinho.com/2012/01/05/escandalo-da-integracao-confunde-o-leitor/ https://www.ocafezinho.com/2012/01/05/escandalo-da-integracao-confunde-o-leitor/#comments Thu, 05 Jan 2012 10:36:05 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=2893 O ano político começou, enfim, e pelo jeito teremos uma agenda parecida à do ano passado. O acesso público às despesas dos ministérios, cada vez mais transparente, deixou-os expostos. São o flanco mais frágil do governo. O caso do Ministério da Integração Nacional é emblemático. Não há acusação de desvios. Sequer se acusa o ministério de alocar verbas para uma região que não precisava delas. Pernambuco foi vítima – em junho de 2010 – de enchentes que deixaram dezenas de milhares de desabrigados e matou 27 pessoas, segundo estatísticas oficiais. Tanto é assim que os gastos da Integração realizados em 2011 vieram de projetos encaminhados no ano anterior. A colunista Eliane Cantanhede sabe disso, portanto é leviano que ela faça a seguinte afirmação:

Está havendo muita confusão.

O Rio foi vítima, de fato, de acidentes trágicos em 2011,  lembra o Globo, em seu editorial de hoje. Ocorre, porém, que o Rio não foi esquecido pela pasta, conforme se poderia inferir pela leitura de Folha e Globo. Enquanto a Integração destinou R$ 34 milhões para Pernambuco, pelo Programa de Prevenção e Preparação para Desastres, o Rio de Janeiro, ainda em 2011, recebeu R$ 300 milhões do mesmo ministério, pelo Programa de Reconstrução.

Ora, é óbvio que há remanejamento e flexibilidade nos investimentos do governo, em linha com as características de cada região. No caso de Pernambuco, o problema acontece em função das cheias do Rio Una. A enchente, ocorrida em junho de 2010, deflagrou uma mobilização das forças políticas ligadas a Pernambuco, com estudo de soluções duradouras e encaminhamento de projetos ao governo federal. Em 2011, liberou-se as verbas para obras que, em tese, resolverão o problema. O próprio Globo mandou repórter ao local, e verificou que os trabalhos estão sendo realizados.

Geram-se um montão de críticas apressadas, como a que os municípios atingidos pela enchente não são os que recebem mais verbas, sem atentar para o fato, básico, de que a prevenção se dá pela construção de barragens situadas em cidades relativamente distantes de onde ocorreram as tragédias.

Além disso, há confusão inclusive com os percentuais. O Globo diz que Pernambuco recebeu 22% das verbas do programa de prevenção. A Folha fala em 90%…  Isso porque o Ministério tem várias siglas, referentes a distintos programas. Algumas tem verbas limitadas, e a divisão de verbas não se dá, naturalmente, por uma divisão estritamente matemática entre todas as cidades que apresentam problemas. Vários fatores políticos influenciam a escolha ministerial. É uma cidade pobre num estado pobre, sem recursos locais? Que tipo de obras devem ser feitas? Há projetos prontos encaminhados? Há parceria do governo do estado com o ministério? No caso de Pernambuco, as obras que receberam dinheiro do ministério também foram patrocinadas pelo governador Eduardo Campos.

É triste ainda ver o secretário de Comunicação do PT, André Vargas, fazer coro a saraivada de críticas da mídia, sem atentar para a quantidade de leviandades e desinformação que as cercam.

Mais uma vez, a política é criminalizada. Afinal, seria problema, repito, se um ministro de Pernambuco se dispusesse a ajudar seu estado através de obras desnecessárias. Não vejo problema, contudo, se o ministro ajuda Pernambuco com obras ultranecessárias – tanto que contaram com o aval e apoio da presidente da república, além de sua presença em atos inaugurais –  numa das regiões mais pobres e sofridas do país, e que possui um longo histórico de tragédias naturais e sociais. Nos últimos séculos, Pernambuco perdeu milhões de vidas com secas e enchentes.

No Rio, a tragédia em Nova Friburgo, onde se concentrou o maior número de mortes, não decorreu apenas de enchente fluvial, então não há projeto de barragem. Aconteceu sobretudo deslizamento de terra. O problema não é resolvido, portanto, com os projetos tipicamente patrocinados pela sigla Prevenção de Desastres, do ministério de Integração Nacional. É preciso sobretudo realizar transposição urbana, mudando as famílias para outras áreas. Por isso, a verba típica neste caso vem do programa de Reconstrução, e o Rio foi o principal contemplado pelo Ministério, além de receber muito recurso para pagamento de aluguéis sociais e do programa Minha Casa Minha Vida.

Se a imprensa procurar, achará erros, omissões, atraso e incompetência em todas as áreas do governo, e também no ministério de Integração Nacional, assim como na Casa Civil e no governo do estado. A crítica ao trabalho dos entes públicos é algo sério demais, contudo, para virar essa panacéia confusa e leviana que se tornam as campanhas para derrubar ou enfraquecer um ministro, onde o esclarecimento do leitor parece ser a última das preocupações do jornal.

 

Na foto da capa, ponte destruída pelas enchentes de 2010, em Pernambuco.

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Sobre a polêmica na pasta de Integração https://www.ocafezinho.com/2012/01/04/sobre-a-polemica-na-pasta-de-integracao/ https://www.ocafezinho.com/2012/01/04/sobre-a-polemica-na-pasta-de-integracao/#comments Wed, 04 Jan 2012 19:17:35 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=2879 [s2If !current_user_can(access_s2member_level1) OR current_user_can(access_s2member_level1)]

Caso você não tenha acompanhado ou não tenha entendido direito a última polêmica da mídia, eu ofereço alguns esclarecimentos e links que achei sobre o assunto. Ontem o Estadão publicou a seguinte manchete:

Usando dados do site Contas Abertas, a matéria acusa, em resumo, o ministro de Integração Nacional, Fernando Bezerra (PSB), de privilegiar a sua base eleitoral, o estado de Pernambuco, no destino das verbas relativas a prevenção de desastres.

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Quando eu li a matéria ontem, eu estranhei os valores. São pequenos, e sabemos que o governo federal trabalha com obras de vulto muito maior. Tanto são pequenos que a maior parte do montante que o jornal (e o site) diz ter sido gasto com prevenção foi usado apenas em algumas obras em Petrolina e Recife.

A artimanha do site Contas Abertas, dirigida por Gil Vicente, (ou foi) vice-presidente do PPS de Cuiabá consiste em agregar dados de maneira enviesada, levantando a bola para a mídia fazer sensacionalismo.

As verbas de contenção de desastres são fragmentadas em vários ministérios, sob várias siglas. Elas chegam aos estados, portanto, através de caminhos diversos. Os órgãos oficiais só podem repassar verbas à entidades públicas que tiverem projetos concretos já formulados, contendo estudos de viabilidade, etc. Por exemplo, o ministério não pode liberar verba para uma obra específica em Friburgo que já esteja sendo contemplada com recursos de outra entidade.

Não estou dizendo, evidentemente, que a burocracia do Estado brasileiro seja eficaz neste sentido. Infelizmente não é. Um dos maiores entraves à solução de problemas de ordem urbana no país é a estupidez burocrática kafkiana que obstrui o fluxo de recursos entre os organismos estatais. Uma região destruída por uma enchente que precisa de recursos com urgência às vezes demora meses para recebê-los porque o dinheiro fica bloqueado em contas bancárias de estados ou prefeituras, cujos funcionários sequer sabem os procedimentos para a liberação do dinheiro.

Há também o problema da corrupção, e às vezes temos o desejo de defender até pena de morte sumária para adminstradores públicos que desviam verbas destinadas a aliviar o sofrimento de famílias e cidades afetadas por um desastre climático.

Mas nada disso será resolvido, naturalmente, através do jornalismo marrom.

Hoje o Estadão publica nova manchete e matéria sobre o tema:

Interessante notar que a presidente acabou faturando politicamente mais uma vez, embora o dano político ao PSB não seja útil ao governo. O PSB é o partido de esquerda que mais cresce e muitos analistas dão como certo que, em algum dia, haverá uma ruptura com o PT.

Há outras versões para o mesmo fato. Segundo o blog Conversa Afiada, que publicou explicação do ministério e carta da ministra Gleisi Hoffman, não houve nenhuma intervenção de Dilma ou da Casa Civil no ministério.

O Tijolaço, blog do deputado federal Brizola Neto que é escrito pelo jornalista Fernando Brito, também abordou o tema, acusando o Estadão de omitir o fato que São Paulo apenas não recebeu a sua parcela dos recursos destinados a prevenção de enchentes porque não enviou o projeto, condição necessária para viabilizá-lo.

No gráfico abaixo, publicado ontem no Estadão, descobrimos ainda uma outra informação relevante, não comentada na matéria, que é o grande aumento nas verbas sob a sigla “Respostas aos Desastres e Construção” verificado nos últimos anos. Eram somente R$ 77 milhões dem 2004 e saltaram para R$ 2,30 bilhões em 2010. Em 2011, caíram para R$ 1,0 bilhão – mas possivelmente esses dados (de 2011) ainda não estão completos.

 

Atualização: Encontrei duas novas respostas, que podem se somar ao que antigamente a imprensa chamava de “o outro lado”. Numa delas, Fernando Bezerra, explica que não houve privilégio no direcionamento de obras para Pernambuco. Não posso afirmar se é verdade, mas precisamos lhe dar um crédito. Na outra, o governador Sérgio Cabral responde à acusação, também feita pelos jornais, de que o Rio teria sido preterido pelo ministério da Integração.

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O monstro da Noruega é louco? https://www.ocafezinho.com/2011/12/20/o-monstro-da-noruega-e-louco/ https://www.ocafezinho.com/2011/12/20/o-monstro-da-noruega-e-louco/#respond Tue, 20 Dec 2011 09:54:50 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=2507 Hoje um artigo de Daniel Aarão Reis trata daquele monstro da Noruega, Breivik Behring, que matou 76 pessoas. Ainda não achei um link para a íntegra do artigo, mas a síntese do texto é a sua conclusão. Ele faz uma comparação à condenação de Eichmann, um nazista que, julgado pelo tribunal de Nuremberg pela matança de milhões de judeus em campos de extermínio, alegou que apenas cumpria ordens. E finaliza, com frase que vai copiada em destaque na página:

Eu quero comentar este caso porque, há algumas semanas, quando o tribunal que julga o assassino havia decidido que ele era esquizofrênico, o Globo também publicou uma chamada na primeira página, no dia 30 de novembro de 2011, expressando o mesmo incômodo.

As aspas que cercam a palavra esquizofrênico tem o valor semântico de uma crítica amarga. É como se o editor dissesse: “oram, vejam só! Esquizofrenia! Ele é um monstro e deve ser punido, isso sim!”

Quando eu li a matéria na íntegra, porém, tive uma surpresa. A decisão foi interpretada, na Noruega, de uma maneira oposta ao que o senso comum o fez no Brasil, como agora eu pude confirmar lendo o artigo de Reis. Os altos círculos intelectuais e políticos, incluindo familiares das vítimas, comemoraram a decisão dos juízes de declararem Breivik como um esquizofrênico (sem aspas), porque com isso desacreditaram que houvesse qualquer valor em suas ideias. Ao declararem-no insano, eles atacaram sobretudo suas ideias, consideradas apenas delírios de um doente mental.

Os políticos de direita de toda Europa, que (incrivelmente) haviam feito declarações mais ou menos justificadoras do crime de Breivik, dizendo que ele se excedera mas fora movido por desejos legítimos de proteger a Europa, sentiram-se profundamente incomodados com o veredicto de loucura. E manifestaram abertamente esse incômodo.

Ou seja, Reis dá a vazão, na verdade, a um mesquinho e populista senso comum de que o veredicto de “esquizofrênico” beneficia o psicopata, que irá assim para “um confortável manicômio”. A expressão denota a típica (e melancólica) vendeta latina, tão distante da maneira desapaixonada e objetiva com que os nórdicos trataram o problema. Em primeiro lugar, as prisões da Noruega também são confortáveis. Então Breivik ficaria “confortável” tanto em manicômio quanto numa prisão convencional. Em segundo lugar, não existe propriamente nenhum manicômio “confortável”. Ao usar o adjetivo “confortável”, Reis expressa apenas a visão de uma consciência “bárbara” falando de um país civilizado. Ou seja, o historiador demonstra irritação com a famosa qualidade e conforto das instituições públicas escandinavas, características essas que beneficiam também os pervertidos e degenerados destes países. A maneira que eles combatem a criminalidade (aí incluindo crimes monstruosos, como o de Breivik) é apostando altivamente no poder da civilização. O fato de ostentarem as menores taxas de criminalidade do mundo prova que estão no caminho certo. No entanto, manicômio judiciário é manicômio judiciário em qualquer lugar; pode ser limpinho, cheiroso e organizado, mas continua sendo um espaço onde o ser humano é privado não apenas de sua liberdade, como também de sua idoneidade psíquica fundamental.

Há ideias políticas que se convertem em obsessões paranóicas, esquizofrênicas, e como tal devem ser tratadas. Claro que entramos em terreno perigoso aqui também. Não estou falando de criminalizar nenhuma ideologia. Refiro-me a ideias que toleram crimes como os cometidos por Breivik, que matou friamente 76 pessoas, a maioria jovens de partidos democráticos de esquerda que se reunia numa ilha.

Ser considerado “esquizofrênico” não é nenhum prêmio, assimo como também não o é passar o resto de seus dias “num manicômio”. Os monstros não são normais, caro Reis. Os noruegueses, a meu ver, reagiram com muita sabedoria do início ao fim neste episódio. O primeiro-ministro declarou que o país não deixaria que a qualidade de sua democracia fosse arranhada pelo crime, pois isso seria lhe conferir prestígio. E agora, declarando-o insano, mostraram o desprezo profundo por suas ideias reacionarias, ao mesmo tempo em que poderão estudar o caso de Breivik em instituições especializadas, de maneira a entender como um indivíduo atingir um grau tão doentio de frieza emocional e radicalismo ideológico.

 

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ANP: Poço do Frade começou a ser fechado hoje https://www.ocafezinho.com/2011/11/16/anp-poco-do-frade-comecou-a-ser-fechado-hoje/ https://www.ocafezinho.com/2011/11/16/anp-poco-do-frade-comecou-a-ser-fechado-hoje/#respond Wed, 16 Nov 2011 21:23:16 +0000 https://www.ocafezinho.com/?p=744 Como eu divulguei o post do Tijolaço, alertando para a falta de informação sobre o vazamento do poço da Chevron, em Frade, tenho obrigação de divulgar também o email que recebi agora da Agência Nacional de Petróleo, informando que a cimentação do poço teve início hoje. A ANP explicou também que a mancha de óleo está se dispersando, sendo esta a razão do aumento da superfície da mancha, ao mesmo tempo em que cai a densidade de óleo. A ANP informa também que recebeu imagens remotas que confirma a redução do vazamento.

Leia abaixo a nota da ANP:

CIMENTAÇÃO DO POÇO EM FRADE TEVE INÍCIO HOJE

A ANP informa o início da cimentação do poço 9FR-50DP-RJS conforme o cronograma do Plano de Abandono aprovado pela Agência. A cimentação teve início hoje (16/11) às 12h30. Foi colocado um tampão de cimento cujo tempo de cura (secagem) é estimado em 20 horas.
As imagens do ROV (veículo de operação remota), cedidas pela Chevron, indicam redução do vazamento em relação ao dia 11/11, quando era estimado pela concessionária em 220 a 330 barris por dia.
A mancha de óleo está se dispersando e se afastando do litoral brasileiro. Essa dispersão gera um aumento da superfície de mancha, com menor densidade de óleo. Essa diluição é resultado do trabalho de dispersão mecânica realizada por navios que se encontram no local e por condições climáticas
A ANP mantém uma equipe de técnicos no Centro de Monitoramento da Chevron desde que foi informada sobre o surgimento da mancha no dia 8/11, pela concessionária. A Agência já abriu processo administrativo para a investigação do incidente e apuração das medidas com vistas a aplicação das medidas cabíveis na legislação em vigor.

Assessoria de Imprensa da ANP

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