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A hora e a vez da Rocinha e o campus da USP

Por Miguel do Rosário

10 de novembro de 2011 : 20h15

Rio prende traficante e, São Paulo, universitários usuários de maconha

Por Wálter Fanganiello Maierovitch, em seu blog

Na favela-bairro da Rocinha — localizada na zona sul do Rio de Janeiro com mais de 60 mil moradores —, a organização denominada Amigos dos Amigos (ADA) controla o tráfico de drogas ilícitas e exerce forte influência social.

Pelo cronograma da Secretaria da Segurança Pública do Rio, a Rocinha, dada como a maior favela do Brasil, será a próxima a abrigar uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) e representará um grande desafio para os responsáveis pela atual e moderna política de segurança do Rio.

Pela primeira vez será implantada uma unidade em área dominada pelo ADA: as anteriores foram em territórios que estavam sob controle de facções do Comando Vermelho (CV).

A propósito, enquanto o Rio de Janeiro enfrenta a criminalidade organizada com uma adequada política de segurança (substituiu a militarizada e populista posta em prática irresponsavelmente pelo governador Sergio Cabral), a do governador Geraldo Alckmin optou, com apoio na linha neofascista da Lei&Ordem, pela perseguição a universitários que fumam maconha no campus da Universidade de São Paulo (USP). Isto com finalidade lúdico-recreativa (não medicinal).

Em tempo de imunidade penal pelo mundo civilizado, como se nota por vários institutos premiais (plea bargaining, delação premiada, pattegiamento, bagatela, remição, desassociação etc), investe-se em São Paulo no de menor potencial ofensivo, enquanto o Primeiro Comando da Capital (PCC), uma organização criminosa que já desmoralizou as polícias paulistas, espalha-se e difunde o medo na periferia da capital.

Como se vem observando no Rio de Janeiro, e ficou claro na “fuga” de covardes traficantes do Complexo Dona Marta e Alemão, a migração deliquencial é a regra, com o anúncio do avanço da implantação das unidades pacificadoras. Ocorre, no entanto, que os chefões deixam o local mas mantêm microtraficantes com o objetivo de corromper os agentes envolvidos na pacificação.

Recentemente, verificou-se que soldados do Exército foram subornados no Complexo do Alemão.

O poder econômico do tráfico proporcionou a corrupção de grande parte das polícias fluminenses. E ex-policiais associados, com os da ativa e do corpo de bombeiros, criaram as milícias, outra espécie de organização do gênero crime organizado de matriz pré-mafiosa.

Na quarta-feira (9), o megatraficante Nem (Antonio Bonfim Lopes) resolveu deixar a Rocinha e não enfrentar diretamente os policiais destacados para a reconquista de território do Estado, e não da delinquência. Isso pode ser indicativo da tática do ADA de não resistir para, depois da implantação, voltar a se infiltrar e tentar dominar.

Nem, avisado da ocupação da Rocinha, tentou fugir no porta-malas de um automóvel que acabou, por obra do acaso, selecionado para vistoria quando em trânsito pela Lagoa Rodrigo de Freitas.

O espantoso, como verificado na véspera, é que comboios de policiais continuam sendo usados para transportar, com segurança, membros de organizações criminosas. Nesta semana, cinco policiais foram presos quando transportavam traficantes da Rocinha.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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