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Inflação caiu: simples assim

Por Miguel do Rosário

11 de novembro de 2011 : 15h22

Uma das pautas mais distorcidas da mídia brasileira é a de economia, e por isso mesmo tratar-se-á o assunto com extrema atenção por aqui. A gente nunca sabe de fato o que está acontecendo, porque falta, na abordagem feita pela mídia, um compromisso maior de efetivamente esclarecer as pessoas. Os editores parecem tão preocupados em evitar uma interpretação positiva ou negativa de um determinado número que esquecem o mais importante: transmitir uma informação de maneira direta, simples e objetiva.

Isso começa pelo título, claro. Ironicamente, os títulos às vezes são os que mais desinformam as pessoas. Vamos falar da inflação, cujos números de outubro foram divulgados ontem à noite. A Folha teve o desplante de publicar o seguinte título:

Como a maioria das pessoas apenas dá um golpe de vista em matérias de economia, vai ficar pensando que a inflação aumentou. Ou então nem pensa nada. Mas o título é desmentido no próprio texto da matéria. Resumindo: a inflação caiu, e não foi pouco, em outubro. Essa é informação principal que você precisa ter em mente. Outra coisa que você deve lembrar é que a inflação é medida pelo IPCA – Índice Nacional de Preços ao Consumidor.

A inflação caiu no mês, no trimestre e, o mais importante, no acumulado de 12 meses.  Caiu em relação ao mês passado, caiu em relação ao ano passado.

Vamos ver este último, o acumulado dos últimos 12 meses; em setembro deste ano, ele ficou em 7,31%; em outubro caiu para 6,97%, aproximando-se da meta definida para o ano, que é de 6,5%. Em outubro do ano passado, o IPCA para o acumulado 12 meses foi menor, de 5,20%. Mas na variação mensal, o índice de outubro, de 0,43%, foi bem menor que o registrado em outubro de 2010, de 0,75%.

 

 

Os índices de inflação constituem, hoje, no Brasil, o dado econômico mais relevante, porque são eles que determinarão os juros, e são eles também que determinarão a estabilidade ou não da renda dos trabalhadores.  Estes números, portanto, deveriam constar na primeira página. É uma boa notícia, mas sobretudo é uma notícia importante. Ao invés disso, Folha e Estadão preferem estampar prognósticos não confirmados para o crescimento europeu! Ou seja, em vez de dar um dado concreto, confirmado e objetivo sobre a economia brasileira, a mídia dá manchete com números imprecisos sobre outros países.

Na verdade, há setores decididamente constrangidos com o declínio da inflação. Quando o Banco Central começou, de uns meses para cá, a baixar os juros de maneira mais assertiva, surgiram inúmeros gênios neoliberais vaticinando que a inflação voltaria com força.  Sardenberg, o colunista econômico da Globo, chegou a questionar a independência (e, logo, a sua competência e idoneidade, pois sugeria que os técnicos estariam tomando decisões com base em cálculos políticos mesquinhos, e não em função do que seria melhor para o Brasil) do BC.

Pois bem, erraram feio esses setores e esses gênios: os juros caíram, promovendo uma economia de bilhões de reais para os cofres públicos e algum alívio para todos nós; e a inflação também declinou.

Você poderá conferir o relatório completo do IBGE sobre a inflação em outubro aqui. Lá você verá quais foram, exatamente, os itens que pressionaram a inflação, quais as cidades onde mais cresceu o custo de vida, além dos históricos completos de cada índice.

Link da imagem da capa.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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