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A distribuição das emendas em SP

Por Miguel do Rosário

20 de novembro de 2011 : 10h52

Quem se interessa pelo gato-e-rato PSDB X PT em São Paulo, deve ler essa matéria da Folha, sobre as emendas parlamentares no estado. A notícia flerta com o escândalo por causa das revelações do Barbiere, de que há parlamentares que vendem suas emendas para empresários. Não sei, porém, até onde é normal que parlamentares do partido do governo recebam mais verbas que os da oposição. De qualquer forma, me parece que uma das razões pelas quais o PT paulista faz uma oposição discreta e silenciosa, e até mesmo apoia o candidato governista nas eleições para a presidência da Assembléia Legislativa do estado, é que ele também recebe um bom volume de recursos.

A princípio, a distribuição das emendas em São Paulo me parece seguir uma lógica política razoável. O montante recebido pelo PT explica-se por ser o maior partido da casa. O fato do PSDB receber a maior fatia das verbas explica-se por ser o partido do governo, havendo portanto identificação natural de interesses, projetos em comum, ideologias convergentes. Sem esquecer que os governantes tucanos têm sido eleitos com maioria esmagadora.

Quanto à roubalheira existente, isso é outra história. E acho lamentável que a imprensa paulista jamais aplique a mesma gana em destrinchar os escândalos locais como a que aplica a nível federal.

A minha tese, porém, é que a proteção midiática ao tucanato acaba tendo um efeito político negativo na formação de suas lideranças, com reflexo em toda oposição. A falta de crítica produz um cenário de “pax romana” em São Paulo que desviriliza os quadros tucanos, tornando-os despreparados para vôos mais altos na política nacional. Sem o exercício da dura luta ideológica, enfrentada diariamente pelos políticos da esquerda, as lideranças do PSDB, DEM e PPS, acabam atrofiando as virtudes guerreiras necessárias ao embate eleitoral. E nem falo aqui da consequência mais grave dessa ausência de crítica, que é o maior desenvoltura quando se trata de corrupção. Temos hoje muitos casos de corrupção na esquerda, mas até agora nada se compara à verdadeira pornografia vista no escândalo do governo Arruda, em Brasília.

De qualquer forma, antes tarde do que nunca. Governo de SP e Folha merecem elogios por, finalmente, darem transparência ao destino das emendas no estado. O banco de dados preparado pela Folha ajudará a sociedade a vigiar de perto o que é feito com  o dinheiro do contribuinte.

 

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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