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Os juros e a reeleição

Por Miguel do Rosário

01 de dezembro de 2011 : 17h31

(Infográfico do Globo de hoje).

 

(Infográfico da Folha).

Para felicidade geral da nação, o Banco Central procedeu outro corte nos juros básicos nacionais. Linko a matéria do Valor sobre o tema porque é o melhor diário econômico no país. O corte foi de 0,5%, levando os juros a 11%. Ainda falta, porém, bastante para voltarmos aos níveis que atingimos entre o último trimestre de 2009 e o primeiro de 2010, de 8,75% ao ano.

O Globo publicou ainda essa tabelinha abaixo, mostrando que temos as taxas mais altas do planeta.

É um recorde triste, porque os juros altos dificultam tremendamente o desenvolvimento econômico. Empreendedores de todos os tamanhos precisam de crédito para iniciar ou tocar seus negócios, e as taxas praticadas no país são quase proibitivas. Isso gera uma desvantagem brutal para quem já possui capital e não precisa se humilhar perante a agiotagem.

Além disso, cada mínimo corte nos juros significa uma economia de milhões, ou mesmo bilhões, de reais aos cofres públicos, liberando esse dinheiro para investimento e custeio do Estado.

Vários analistas estão fazendo mea culpa por terem duvidado da decisão do BC de iniciar uma trajetória de queda de juros a partir de agosto, quando a inflação ainda não demonstrava que iria arrefecer. No Estadão, um analista econômico declara: “erramos. O BC estava certo”.

O melhor de tudo é que as perspectivas para 2012 é de mais queda dos juros, com o mercado já prevendo algo em torno de 9% ao fim do ano.

Se o governo Dilma conseguir encerrar seu mandato com juros abaixo de 5 ou 6% ao ano, o orçamento do Estado estará livre de terríveis grilhões que o aprisionavam, quando forçava (como força agora) o Estado a pagar centenas de bilhões de reais por ano a títulos de juro, ou seja, praticamente jogando dinheiro no lixo. Esse dinheiro poderá ser investido em educação, saúde e infra-estrutura.

Se a Europa não nos fizer o desfavor de detonar a economia mundial até lá, os brasileiros viverão momentos emocionantes dentro de três ou quatro anos. Jamais tivemos  uma conjuntura, domesticamente falando, tão favorável: juros baixos, dívida pública baixa, um volume tão grande de reservas internacionais (daqui a pouco chega  a 400 bilhões de dólares) que já nem sabemos onde botar tanto dinheiro, emprego pleno e uma população majoritariamente de classe média.

A mídia pode derrubar quantos ministros quiser. O povo brasileiro estará feliz. E Dilma, reeleita.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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2 comentários

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Elson

02 de dezembro de 2011 às 18h13

A mídia pode derrubar quantos ministros quiser. O povo brasileiro estará feliz. E Dilma, reeleita.
Parafraseando aquele marqueteiro : "É a economia estúpido." É emprego e renda que fazem o governo popular .

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baixadacarioca

01 de dezembro de 2011 às 20h51

E por que será que a Míriam não queria os cortes na taxa selic? Seria ela rentista e, portanto, defendia um ganho pessoal?

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