Varejo cresce 7,3% em 12 meses

Quando o IBGE divulgou os números do varejo, nesta quarta-feira, a mídia só deu destaque para a variação zero no mês. Miriam Leitão aproveitou para fazer um mexidão dos números recentes e tascar mais uma de suas análises pessimistas. O famoso Roubini, conhecido como “doutor desgraça”, é uma Poliana viajando com LSD em comparação à nossa urubóloga mor. Com uma desvantagem fundamental para Roubini: ele é um só; Miriam Leitão são vários clones, que atuam simultâneamente em todas as mídias: rádio, tv, jornal, internet e transmissão internacional.

 

Observe que o varejo cresceu 6,7% no acumulado do ano e 7,3% nos últimos 12 meses. Isso em volume de vendas. Em receita nominal, temos um aumento de até 12,4% em 12 meses.

Entretanto, é na tabela abaixo que encontramos os dados mais interessantes.

 

 

Observe que a estagnação do consumo em outubro foi puxada sobretudo pelas vendas de veículos. Na comparação com o mês anterior, houve aumento na venda de livros, computadores, móveis e eletrodomésticos. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior (que foi um ano de forte crescimento econômico), temos números verdadeiramente surpreendentes: os brasileiros compraram 28,8% mais computadores em outubro deste ano do que em outubro de 2010! Compraram 4,7% mais livros e revistas.

Enfim, quando evitamos esse mesquinho vício de olhar a economia apenas em função de seus humores mensais, e procuramos observá-la por períodos um pouco mais longos, temos uma situação bastante confortável para a economia nacional. Olhemos também para que itens do consumo estão mais crescendo: se são eletrodomésticos, livros e computadores, temos uma ótima notícia, porque mostra uma sociedade se tornando mais cosmopolito, mais industrializada, mais interessada em conhecimento e tecnologia.

Voltando à Miriam Leitão, repare que o seu pessimismo é estritamente pessoal. Se você ler a sua coluna de hoje, verá que seu entrevistado tem uma visão otimista da economia. Pena que esse tipo de informação não ganha jamais um título, ou influencia o teor geral de sua análise.

O economista Alexandre Maia, da Gap Asset, explica que a desaceleração ao longo do ano aconteceu por várias vias: inflação mais alta, que corroeu a renda das famílias; crise na Europa que adiou investimentos dos empresários; aumento de juros, retenção de gastos do governo e medidas de restrição ao crédito no início do ano. Maia acredita que a partir de novembro tanto a indústria quanto o comércio voltarão a crescer.

— Os três meses de agosto a outubro foram piores que os três meses de julho a setembro. Mas já temos indicadores antecedentes de novembro que mostram que a indústria e o comércio devem se recuperar. Mas ainda será uma recuperação sobre uma base baixa — disse Maia.

Os dados consolidados de novembro ainda não foram divulgados e dezembro é um mês em curso. Mas a GAP Asset estima alta de 0,4% no quarto trimestre sobre o terceiro tri, enquanto o HSBC estima 0,3%. Olhando para 2012, o banco espera alta de 3,7% no PIB e 5,4% na inflação. A GAP prevê 3,2% de PIB e 5,2% de inflação. Esses números mostram que o ano que vem deve começar num ritmo fraco e ir acelerando, ao contrário do que foi 2011. A boa notícia é que as projeções indicam uma inflação em queda, em 12 meses, e um PIB em alta.

— A inflação deve continuar caindo, dos 6,64% de novembro para 5,5% logo no primeiro trimestre do ano que vem. Mas, a partir daí, a taxa vai encontrar uma certa resistência, para fechar o ano nesse patamar. Já o PIB deve ter um primeiro semestre morno, para acelerar no segundo. Mas isso tudo dentro de um cenário sem ruptura na Zona do Euro — explicou Jancso.

Miguel do Rosário: Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
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