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New Yorker: A Ungida – Parte 8

Por Miguel do Rosário

03 de janeiro de 2012 : 14h44

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A Ungida – Parte 8/13

Por Nicholas Lemann, da New Yorker. Tradução: Miguel do Rosário.

 

Cabral, assim como a maioria dos políticos brasileiros que encontrei, queria se vangloriar de como o Brasil vem manejando bem a sua economia. “É muito importante não termos problemas como o que Obama está tendo com a dívida pública”, disse. “A oposição republicana é diferente da oposição aqui. Eu acho que o ódio contra um homem negro ocupando a presidência não deveria ser razão para pôr o país em perigo. Eles desrespeitam Obama por causa da sua raça. E isso não é ruim apenas para Obama, mas para o país. No Brasil, a oposição tentou dar umas rasteiras em Lula, mas o povo se manteve solidário com Lula. O trabalhador, o negro, o operário, a mulher. O mundo está mudando. Graças a Deus.”

Neste momento, numa grande tela na parede, um website informou que Lula fez a mesma observação à imprensa que ele havia feito a mim: a única razão para Dilma não ser candidata em 2014 seria se ela não quisesse ser – uma afirmação em código, eu pensei. Mas Cabral declarou que esta era, como sempre, uma magnífica demonstração  de apoio de Lula à sucessora escolhida. Cabral tinha que sair, mas antes ele se virou para mim e declarou: “Lula é nosso líder! Lula é meu líder!”.

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Mais tarde, eu fui conhecer uma clásssica favela carioca, o Santa Marta, que se tornou mundialmente famosa quando Spike Lee fez o clipe de Michael Jackson, “They Don’t Care About Us”, em 1996. Você vai ao Santa Marta pegando um teleférico que o leva até o alto da montanha. No topo, há uma estação de polícia onde consta uma placa com uma homenagem a Cabral e seus colegas. A estação de polícia foi construída originalmente para ser uma creche, mas o índice de violência era tão alto que os pais tinham medo de deixar as crianças por lá.

Em 2008, o governo decidiu usar o Santa Marta para implementar sua nova política de combate ao crime. Um batalhão de centenas de policiais ocupou a favela e a “pacificou”. As paredes da estação policial ainda tem marcas de balas, uma lembrança das batalhas entre a polícia e a gangue que dominava a favela. Gradualmente, conforme a situação foi se normalizando e a a gangue se dissolveu, a ocupação se tornou num tipo mais sofisticado de ocupação policial. Mais de cem policiais estão permanentemente entre as dez mil pessoas que vivem na favela. Por toda a comunidade, cabos de eletricidade e tv são instalados e paredes de concreto são levantadas. Há muitas igrejas (treze pentecostais, uma católica), centros de assistência social, policiais especialmente treinados fazendo rondas, e pequenos bares, restaurantes e outros negócios – tudo graças a algum tipo de subsídio governamental.

Há atualmente dezenove unidades de pacificação em favelas do Rio; o governo objetiva fazer um total de quarenta até 2014. Isso vai requerer milhares de novos oficiais de polícia. A maior favela do Rio, Rocinha, foi ocupada por três mil soldados no mês passado. O projeto nas favelas é um impressionante exemplo da ambição, poder e determinação do governo brasileiro de representar um bom papel para a Copa do Mundo e Olimpíadas, e da enorme necessidade de recursos se for dar o próximo passo para o desenvolvimento nacional.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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