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Caso Bezerra: manipulações continuam

Por Miguel do Rosário

12 de janeiro de 2012 : 09h36

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Não é fácil destrinchar as manipulações infinitas que os jornais fazem para enfraquecer um ministro. A bola da vez, como se sabe, é o ministro de Integração Nacional, Fernando Bezerra. No jornal que eu recebi em casa (sim, eu assino a Folha), o título e subtítulos da matéria são os os seguintes:

Recurso da Integração vai para empresa aliada em PE
Projetec ganhou contrato para obras em cidades atingidas pelas chuvas

Aí eu entro no site para tirar uma fotografia da página e publicar aqui, e encontro um outro, diferente:

A matéria no site tem algumas diferenças: enfatiza que foi o governo de PE, e não o Ministério, que repassou o dinheiro à empresa, embora os recursos tenham vindo da pasta.

Eu falo que é difícil fazer análises desse tipo, que envolvem acusações de ordem ética, porque eu não quero botar a mão no fogo por ninguém. Não sou ingênuo e sei que existe corrupção. Este mesmo caso, por exemplo, pode muito bem envolver uma dessas triangulações pelas quais os partidos políticos conseguem recursos para financiar suas campanhas eleitorais. Eu diria que é até provável.

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Mesmo assim, a matéria é cheia de manipulações e distorções. Na edição impressa que tenho em mãos, os títulos e mesmo uma fotinha do ministro perfazem uma acusação bastante direta de que o ministro privilegiu uma empresa dirigida por seu aliado em Pernambuco. Lendo a matéria com atenção, contudo, descobrimos que a Projetec foi contratada pelo governo de PE em 2010, quando o ministério da Integração era dirigido por um homem ligado ao PMDB da Bahia. Os recursos de que falam a reportagem, portanto, que saíram do Ministério, entraram na conta do governo de PE, e foram parar na Projetec, vieram de um político baiano de um partido que é rival do PSB em Pernambuco.

Sem ter como contornar esse fato, o jornal manda essa:

Bezerra não era ministro em 2010, quando Pernambuco contratou a Projetec, mas a mesma empresa faturou pelo menos R$ 10,3 milhões no seu primeiro ano de gestão na Integração.

Como assim? A informação é confusa. A empresa faturou R$ 10 milhões, ok, mas o que isso significa? Esses R$ 10 milhões vieram do Ministério? Vieram do governo de PE? Vieram de várias fontes? Não entendi. Faturar R$ 10 milhões não é crime. Qualquer empresa de médio porte fatura R$ 10 milhões num ano.

Outra coisa que é bastante revoltante é a politização da tragédia. A matéria diz que “a contratação se deu em caráter emergencial, sem licitação”. Ora, quando há uma tragédia, espera-se respostas rápidas do governo. Não há tempo para fazer licitação, e a legislação permite isso, justamente por essa razão. Não há nada ilegal, o que não significa que todos sejam honestos. Mais adiante, a Folha “acusa” a Projetec de ganhar uma concorrência em dezembro de 2011 junto à Codevasf, estatal ligada ao ministério. Ou seja, quando há emergência e se dispensa licitação, a empresa é acusada; quando ela é contratada através de um processo de licitação, é acusada da mesma forma.

E tudo porque o empresário é filiado ao PSB, que é o partido que mais cresce no Nordeste, possuindo vários governadores. Mais uma vez, criminaliza-se a política. Afinal, o empresário bem que podia fazer como fazem os tucanos de São Paulo. Não se filiam. São tucanos de coração, mas não de carteirinha. O fato do empresário se filiar, a meu ver, é um ato de transparência política, e tem a ver, naturalmente, com o fato do PSB estar crescendo tanto na região. Os empresários querem participar mais ativamente da política local, querem conhecer as suas lideranças, e querem lucrar, evidentemente. Querer se aproximar das lideranças políticas e fechar contratos com o Estado não é crime. É saudável que a relação entre políticos e empresários seja pública e transparente. Se quiserem roubar, não lhes interessarão exibir essas relações.

Fernando Bezerra é um político já veterano do Nordeste. Foi prefeito, deputado, secretário de estado. É natural que seja amigo das principais lideranças empresariais de Pernambuco. Isso também não deve ser criminalizado. A política envolve relações humanas.

Repito, isso não quer dizer que não haja malversação pública, mas também não quer dizer que haja. A corrupção acontece independente de haver amizade entre políticos e empresários. Empresários e políticos honestos também podem ser amigos ou aliados. E um empresário honesto não pode ser criminalizado pelo fato de ter a inteligência de manter relações de amizade com as lideranças políticas de seu estado.
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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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1 comentário

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rildoferreiradossantos@gmail.com

12 de janeiro de 2012 às 10h10

Miguel, lendo suas análises, que eu as considero acadêmicas, me lembrei de um livro que li no período da faculdade. Trata-se de Semântica e Discurso: uma crítica a afirmação do óbvio, de M. Pêcheux. Ele fala de dois esquecimentos e um deles é pré-consciente e que ocorre no sujeito que seleciona as palavras para estruturar seu discurso e apaga outras. Para este autor, quando o sujeito enuncia seu discurso tem a ilusão de que o que diz tem apenas um significado. É o que ocorre com essa turma da velha mídia e seus colunistas e jornalistas. Agora estou interessado no livro e quero tê-lo para reestudar o pensamento de Pêcheux.

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