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Folha reforça blindagem de Alckmin

Por Miguel do Rosário

29 de janeiro de 2012 : 10h54

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A capa da Folha de hoje e o próprio teor da pesquisa nada mais são do que uma operação de blindagem política do governador Geraldo Alckmin. É evidente que a grande maioria dos paulistas apóia a retirada dos viciados da cracolândia. O erro consiste na maneira como a operação foi realizada, sem nenhum planejamento social associado. Sequer os órgãos da prefeitura haviam sido avisados. Os viciados foram simplesmente dispersados, espalhando-se por outras regiões da cidade, o que só dificultou o trabalho dos assistentes sociais, que antes sabiam onde localizá-los.

A Folha manipulou a angústia dos paulistanos. Os analistas políticos da Folha agora entram em ação para demonstrar que a pesquisa revela uma “vitória” do governador.

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Por outro lado, sabe-se que há, de fato, uma predisposição fascista latente em São Paulo, que sente uma espécie de prazer sádico em ver pobre sendo espancado pela polícia. Um governo progressista, porém, deveria combater essa predisposição, através de campanhas de esclarecimento. Um governo, em tese, é liderado por gente esclarecida, culta, e não deveria se deixar levar pelas paixões baixas do populacho. Não se pode confundir populacho com povo.

Populacho é o lado sombrio do povo, esse lado com instintos baixos, vulgares, preconceitos. Esses vícios e defeitos devem ser perenemente combatidos pelas elites políticas de um país, para que sejam sempre reduzidos a um percentual controlável da sociedade. Em São Paulo, vemos governo e imprensa atiçando esses instintos. Com isso, há um processo de deseducação do povo, afinal não basta só dar escola, é preciso também que as elites políticas dêem um bom exemplo, através de sua administração, de respeito à dignidade.

A estratégia da Folha, porém, não vai colar, porque a indignação contra violência em Pinheirinho vazou por todo lado, infiltrando-se até mesmo entre jornalistas e colunistas do jornal. Vários deles (os mais dignos e/ou independentes) já externaram críticas contundentes à ação de reintegração de posse autorizada pelo governador.

O Angeli é exemplo:

 


 

Folha

82% dos paulistanos apoiam ação policial na cracolândia

Petistas e tucanos avalizam operação, apesar de bate-boca entre pré-candidatos

Datafolha mostra que maioria crê que viciados vão se espalhar pela cidade, o que pode ser usado em campanha

VAGUINALDO MARINHEIRO, DE SÃO PAULO

O bate-boca entre pré-candidatos do PT e do PSDB à Prefeitura de São Paulo sobre a operação da Polícia Militar na cracolândia não encontra eco entre os eleitores.

Ouvidos pelo Datafolha na quinta e na sexta, 82% dos paulistanos concordam com a ação da PM para tentar desbaratar o tráfico e o consumo de crack na região central de São Paulo.

Quando questionados que nota atribuem à operação, 72% dão seis ou mais. A nota dez foi citada por 28%.

Entre as pessoas que têm o PT como partido de preferência, 83% concordam com a operação policial. A nota média foi 7,4.

Os tucanos são ainda mais entusiastas: 90% concordam com a forma como a PM agiu e dão uma nota média de 7,9.

Segundo estudiosos, isso reflete a demanda da população por uma polícia mais forte e atuante.

“O paulistano gosta desse tipo de polícia que impõe mais rigor. Mas é necessário que ela seja controlada e transparente, para evitar abusos”, afirma o sociólogo Renato Sérgio de Lima, secretário-geral do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A ação na cracolândia paulistana, conduzida pelos governos municipal (PSD) e estadual (PSDB), começou no dia 3, menos de um mês depois de o governo federal (PT) lançar seu plano nacional de combate ao crack.

Houve denúncias de que tanto a PM colocada nas ruas de forma apressada quanto o plano federal tinham motivação eleitoral -PT e PSDB, principalmente, gostariam de usar na campanha a bandeira de combate à droga.

Imediatamente, o tema mobilizou os pré-candidatos.

Entre os tucanos, Andrea Matarazzo, secretário estadual de Cultura, afirmou que “o governo do PT consolidou o crack na região central [da cidade]”, numa alusão à gestão municipal de Marta Suplicy (2001-2004).

Já Fernando Haddad, pré-candidato petista, disse que a ação da PM foi “desarticulada”, “desastrada” e “marcada pela repressão”.

Ao menos por enquanto, a cracolândia parece não ter afetado a intenção de votos na cidade. A questão é saber se o tema continuará na agenda eleitoral.

“O uso político da ação na cracolândia vai exigir muito cuidado”, afirma o cientista político Fernando Abrucio.

Segundo ele, é claro que num primeiro momento ela favorece o governo estadual.

“A classe média vai aplaudir, porque considera que o problema está sendo enfrentado. Mas quanto tempo dura esse efeito midiático, de uma cracolândia limpa? Além disso, é preciso ver se os viciados não vão se espalhar, o que provocaria um efeito negativo”, diz Abrucio.

RESPONSABILIDADE

Os paulistanos estão certos de que irão se espalhar.

Para 82% dos ouvidos, os usuários buscarão a droga em outra região da cidade.

Os entrevistados são também céticos com relação a uma solução definitiva para o problema -57% afirmam que não é possível acabar com o tráfico e o uso de crack na cidade de São Paulo.

Nesse ponto, os tucanos são mais pessimistas: 68% são descrentes.

Mas a maioria, independentemente do partido de preferência, isenta os poderes públicos pelo problema.

Para 24%, os culpados são os próprios usuários.

Os traficantes vêm em segundo lugar (22%).

Depois aparecem o governo estadual (16%), o federal (14%) e a prefeitura (6%).

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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