Analista da Ideia fala sobre “voto útil” dos eleitores de Ciro a Lula no 1° turno

Faturamento da indústria cresce 2,7% em abril, diz CNI

Por Miguel do Rosário

08 de junho de 2012 : 15h10

(Ilustração capa: Fotografia Contemporânea Chinesa)

 

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou há poucos dias o seu relatório mensal para o mês de abril. Este mostra que o faturamento da indústria de transformação, no índice dessazonalizado (que é o certo de se ver), registrou crescimento de 0,2% em abril, na comparação com o mês anterior. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o faturamento cresceu 2,7% e no acumulado dos quatro primeiros meses de 2012, o faturamento subiu 2,2% sobre igual período de 2011.

O CNI dá destaque, naturalmente, apenas aos dados negativos das horas trabalhadas, que registraram queda de 0,6% em abril. Eu prefiro, no entanto, me ater ao faturamento, visto que numa economia capitalista este é o termômetro mais eficaz para se averiguar a saúde de um setor.  Se está ganhando mais dinheiro, é porque está crescendo. A redução das horas trabalhadas, por sua vez, nem sempre indica piora da situação das fábricas, mas simplesmente um aumento da produtividade ou, o que é mais frequente, maior índice de mecanização ou robotização.

Um dado negativo é queda da capacidade instalada, de 81,5% em março para 81% em abril. Outro dado positivo é forte crescimento da massa salarial, de 7,4% no acumulado do ano. O emprego, por sua vez, manteve-se estável ao longo do ano, com crescimento de 0,2% em Jan/Abr 2012 sobre o ano anterior – apesar da queda de 0,6% em abril.

Agora vamos ver o desempenho por setor:


 

Comecemos pelo lado negativo, que é a queda de 11% do faturamento do setor de veículos automotores. As informações de que dispomos, porém, dão conta de que este declínio foi causado, em boa parte, pela grande parada de produção registrada nos primeiros meses do ano, em virtude da aplicação de novos padrões fabris aos caminhões, que hoje devem cumprir exigências ambientais mais rigorosas.

Houve ainda, dizem analistas, e também o bom senso, um esgotamento sazonal da febre de consumo de automóveis, cujas vendas explodiram nos últimos dois anos. O arrefecimento foi estimulado ano passado pelo próprio governo, com o aumento de juros registrado no primeiro semestre de 2011. Então os consumidores deram um tempo na compra de novos carros, mas os últimos números do comércio para maio já indicam uma boa recuperação para o setor.

O setor mais estratégico para a economia brasileira, a meu ver, é o de máquinas e equipamentos, porque ele é a base de tudo. Pois bem, segundo a CNI, o faturamento do setor de máquinas e equipamentos cresceu 10,9% no ano e 5,3% no mês, na comparação com iguais períodos de 2011.

Note-se também o impressionante desempenho de setores avançados como máquinas e materiais elétricos (altas de 21% no ano e 33% no mês); material elétrico de comunicação (alta de 27% no ano e 5,4% no mês); e edição e impressão (alta de 7,9% no ano e 22% no mês).

Já andei lendo alguns analistas tentando minimizar o crescimento da indústria brasileira, inclusive a de bens de capital, alegando que ela está importando muito mais que antes. Isso não é um problema, mas uma virtude.  Todos os processos de inovação industrial requerem aumento de importações. Se o faturamento cresce, contudo, isso significa que ela está conseguindo acumular capital, que é o insumo básico para investir em pesquisa, desenvolvimento e transferência de tecnologia.

Eu catei também alguns números do IBGE para abril, que confirmam minha análise. Segundo o IBGE, que apura somente a produção física, e não o faturamento, a indústria de transformação vive momentos difíceis, se a consideramos como um todo. Mas se separarmos os setores mais avançados e estratégicos, teremos um quadro bem positivo. Confira os gráficos abaixo. Todos eles mostram a comparação dos últimos 12 meses com o período anterior, ou seja, Maio/Abril 2012 com Maio/Abril 2011.

O gráfico acima, que trata do setor de máquinas e equipamentos, mostra que o setor experimentou uma forte recuperação em abril de 2012.  Lembre que falamos do acumulado de 12 meses de Maio a Abril, e de produção física, não de faturamento, por isso os dados são diferentes daqueles da CNI.

Confira também o gráfico abaixo, sobre o mesmo setor, mas abrangendo um período maior.

Repare que o setor realmente passou por maus momentos a partir do segundo semestre de 2011, provavelmente em função dos efeitos da crise na Europa, e do aperto monetário imposto pelo Banco Central na primeira metade do ano passado, mas que a reação começa a aparecer com força no acumulado até abril. Com base nas informações que temos sobre os últimos meses, é possível antever que ao longo do ano devemos observar uma progressão continuada nesse gráfico. Vamos acompanhar.

Outros setores avançados que mostraram forte recuperação nos últimos 12 meses:

 

Concluindo: minhas análises não pretendem ignorar as dificuldades de vários setores da indústria, nem os desafios gigantescos que a indústria brasileira tem pela frente para existir numa economia global sacudida, por um lado, por grave crise nos países mais desenvolvidos, e por outro pela invasão cada vez mais agressiva de produtos asiáticos.  A diferença de custos de uma fábrica na China e outra no Brasil continuam se acentuando conforme assistimos ao crescimento acelerado dos salários por aqui, e a lentíssima progressão neste sentido experimentada pelos operários chineses.

Ou seja, o próprio desenvolvimento social brasileiro cria dificuldades para nossa indústria, em sua relação concorrencial com suas rivais chinesas. É um desafio que vai requerer um planejamento estratégico que reúna soluções de curto, médio e sobretudo longo prazo.

Os EUA viveram uma transformação muito traumática, e que ainda lhes causa enormes transtornos, ao saírem de uma economia ancorada na indústria para uma baseada em serviços, tecnologia e entretenimento. Cidades inteiras esvaziaram-se. Detroit, por exemplo, que na primeira metade do século XX, era a cidade que mais crescia no mundo, passou a liderar o ranking das que mais declinam. Bairros inteiros de Detroit tornaram-se desertos, fantasmas. Dezenas de milhares de fábricas fecharam portas em todo país, transferidas para México ou China.  Não fosse o  incrível dinamismo americano nas áreas de ciências, tecnologia e entretenimento, a crise americana teria chegado a um estágio terminal há alguns anos.

O Brasil, portanto, precisa tomar cuidado para não repetir os erros norte-americanos, e copiar o que eles fizeram de certo, investindo pesadamente também em pesquisa, tecnologia e cultura.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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40 comentários

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Anarco Roqueiro

09 de junho de 2012 às 10h37

Bastos critica pressão da imprensa ao julgamento do Mensalão
Enviado por luisnassif, sab, 09/06/2012 – 10:10
De Marco Antonio L.

Do Brasil 247

Mídia oprime STF, diz Márcio Thomaz Bastos

EX-MINISTRO DA JUSTIÇA, QUE, ALÉM DE DEFENDER CARLINHOS CACHOEIRA REPRESENTA UM DOS RÉUS DO MENSALÃO, DIZ QUE JAMAIS VIU TANTA PRESSÃO SOBRE O JUDICIÁRIO QUANTO A QUE ESTARIA APRESSANDO O JULGAMENTO DO MAIOR ESCÂNDALO DO GOVERNO LULA
247 – A imprensa foge de seu papel quando passa a fazer publicidade opressiva. A crítica é do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos, representante do ex-diretor do Banco Rural José Roberto Salgado, um dos réus do mensalão, que começa a ser julgado no dia 1º de agosto pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Thomaz Bastos, que passou a ser alvo de críticas ao topar defender o bicheiro Carlinhos Cachoeira por R$ 15 milhões, disse no programa Ponto a Ponto, da BandNews, que vai ao ar às 24h deste sábado 9, que jamais viu tanta pressão sobre o Judiciário quanto a que estaria apressando o julgamento do maior escândalo do governo Lula.

….

Para o ex-ministro, o julgamento do mensalão será um caso inédito sob outro aspecto: é a primeira vez que o STF se dispõe a promover um julgamento com efeitos diretos sobre disputa eleitoral, algo que o Supremo sempre evitou. E, na avaliação de Thomaz Bastos, o STF não esconde o fundamento de sua decisão.

Os advogados que defendem os réus do mensalão passaram a criticar a dinâmica do julgamento assim que seu cronograma foi anunciado, na última quarta-feira 6. Os criminalistas têm manifestado, desde então, a preocupação com a ordem das sustentações e o tempo dedicado a elas, considerado exaustivo e contraproducente. “Uma coisa é ouvir debates em um júri. Outra é ouvir sustentações orais, uma atrás da outra. Quando chega a vez do quarto ou quinto advogado, ninguém mais presta muita atenção”, critica Thomaz Bastos.

Responder

Helena Vargas

09 de junho de 2012 às 10h09

No Brasil 247

Em editorial, Folha volta a cobrar fim do mensalão

EM MEIO A NOVA POLÊMICA, SOBRE SE A MÍDIA OPRIME OU NÃO O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, O JORNAL DA FAMÍLIA FRIAS PUBLICA EDITORIAL COMEMORANDO A “DATA MARCADA” PARA ENCERRAR O “MAIOR CASO DE CORRUPÇÃO DAS ÚLTIMAS DÉCADAS”; O JORNAL TAMBÉM ARGUMENTA QUE AS PRESSÕES, EXCETO DE LULA, SÃO LEGÍTIMAS E QUE CABE A CADA MINISTRO SE PRESERVAR

09 de Junho de 2012 às 09:16

247 – Afinal, os meios de comunicação oprimem ou não o Supremo Tribunal Federal, como indagou, ontem, o ex-ministro da Justiça, Marcio Thomaz Bastos? No Twitter, o deputado André Vargas (PT-PR), secretário de Comunicação do partido, foi explícito ao afirmar que os ministros do STF teriam cedido aos holofotes da mídia para marcar o início do julgamento para 1º de agosto, abrindo, assim, a possibilidade de que o processo seja concluído às vésperas das eleições municipais. Segundo André Vargas, a data atende à conveniência política de alguns atores – inclusive dos meios de comunicação.

Neste sábado, o jornal Folha de S. Paulo publicou um segundo editorial sobre a fase final do processo. O primeiro se chamava “Julgar o mensalão”, em que se cobrava uma data. O de hoje se chama “Data marcada”. Nele, o jornal da família Frias afirma que “tentativas de influenciar sua (do STF) opinião são legítimas; cabe a cada ministro resguardar sua independência”. No entanto, de acordo com o jornal, o comportamento do ex-presidente Lula ao tentar pressionar o ex-ministro Gilmar Mendes seria “inaceitável” – ainda que não se saiba qual tenha sido exatamente o teor da conversa.

Nos últimos meses, a Folha tem participado ativamente desse esforço, supostamente legítimo, de tentar influenciar o STF. Um exemplo foram as matérias questionando a independência do ministro José Antônio Dias Toffoli – para seus detratores, ele deveria se declarar impedido. Outro exemplo são os dois editoriais recentes. Leia o de hoje e ainda reportagem recente do 247, intitulada “O julgamento do STF pelos meios de comunicação”:

Data marcada

Sete anos depois, é tempo de o STF julgar o mensalão, definir culpas individuais e permitir ao país superar o nefasto episódio

Se não convém aos réus que contavam com o adiamento para verem prescritos os crimes de que são acusados, a definição da data de julgamento do processo relativo ao escândalo do mensalão é boa notícia para as instituições.

A partir de 1º de agosto, o Supremo Tribunal Federal decidirá sobre o maior caso de corrupção política – pelo número de acusados e pelas funções que exerciam – das últimas décadas. Revelado em junho de 2005 nesta Folha, é mais do que tempo de uma deliberação judicial que encerre o nefasto episódio.

O cerne do escândalo é que auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizavam recursos de origem suspeita para remunerar parlamentares de sua base de apoio. Isso foi admitido à época pelo próprio presidente, que pediu desculpas à sociedade, antes que a popularidade transbordante o estimulasse a negar o que é evidente.

Compete aos ministros do Supremo atribuir responsabilidades e as respectivas penas àqueles implicados de forma irrefutável nos autos. Espera-se que o façam com toda a isenção de que juízes são capazes, sobretudo quando garantida pela vitaliciedade no cargo. Tentativas de influenciar sua opinião são legítimas; cabe a cada ministro resguardar sua independência.

Considerar válidas tais tentativas não equivale a tornar aceitável o comportamento do ex-presidente Lula nessa questão.

Embora o real teor de sua controvertida conversa com o ministro Gilmar Mendes talvez nunca venha a ser conhecido, não faltam evidências da ansiedade com que Lula deblatera contra a condenação dos réus, numa atitude a que faltam serenidade e compostura próprias de um ex-presidente.

O clima de rumores e altercações que antecede o julgamento reflete as dimensões do caso. É de perguntar, porém, se não terá sido estimulado pela ausência de regras estritas quanto à conduta dos ministros do STF e pela desenvoltura com que alguns deles se excedem em gestos e palavras, convidando ao abuso.

Julgar o mensalão vai dissipar esse ambiente. Supõe-se que boa parte dos acusados anseia pela definição, até para afastar a aura culposa que pesa sobre todos. Setores do Partido dos Trabalhadores mais associados aos desmandos da época deixarão de arrastar o governo Dilma Rousseff para a vizinhança de um problema que lhe é anterior e alheio.

E as instituições terão dado mais uma vez mostra de que funcionam como estipula a Constituição, mesmo contra as conveniências de um político popular e do partido que controla o poder federal.

Responder

Helena Vargas

09 de junho de 2012 às 10h03

Miguel, achei interessante:
Do blog Cracked.

Dez tipos de comentarista zangado que você encontra na net: quem te chama de hipócrita; o visitante alienígena tentando te entender (o tipo que diz: “Você poderia ter resumido seu post em uma frase ou uma palavra”. Da próxima vez que ouvir isso, diga que Bruce Willis poderia ter mandado um tweet pra todo mundo dizendo “Estou morto” e poupado o Shyamalan do trabalhão de ter feito aquele filme); o rival secreto (ele aparece de vez em quando pra dizer como você estraga a vida dele e o mundo); o autobiográfo inseguro (a pessoa tem que te contar a vida dela pra mostrar porque está tão envolvida em te odiar), o crítico ocupado (que diz que seu post é longo demais e ele não teve tempo de lê-lo, mas tem certeza que é uma b*sta -– ahn, o post); o atirador cego de cocô (o que vai tacando insultos esperando te acertar com algum deles), o furioso não engraçado [não sei traduzir isso, mas é o hater que acha que tudo que é divertido é fraco, e que ao mesmo tempo tenta transmitir o seu ódio fazendo piada], o comunicador amador (nada do que ele fala faz sentido. Vocês se lembram do Dig Din, né?); o mentor (ele quer ditar o que você deve fazer da sua vida).

Não raro, muitos desses comentaristas costumam ser homens. Eles vem num blog feminista homexplicar como o feminismo deve agir e pensar. Porque, óbvio, eles sacam tudo de feminismo! O que me leva ao segundo post do Cracked. O autor, Luke McKinney, havia escrito um post sobre os cinco uniformes mais ridiculamente machistas dos quadrinhos. E, claro, alguns carinhas detestaram o que ele escreveu. Então Luke fez este post (se você lê inglês, vá no original. Eu só traduzi algumas partes):

As oito defesas mais estúpidas quando se é acusado de machismo
8) Chamar a outra pessoa de gay. […] A parte mais triste é que algumas pessoas ainda usam gay como insulto.

7) Afirmar que a outra pessoa só está tentando pegar mulher. Esses são ao mesmo tempo os comentários mais e menos machistas já feitos: eles assumem que tudo que qualquer pessoa faz é pelo sexo, mas é algo que essa pessoa nunca vai conseguir fazer. Tentei imaginar o deserto sexual que sua vida deve ser para pensar que um post na internet sobre quadrinhos faria você pegar mulher, mas parei porque meus testículos estavam retraindo pra dentro do meu corpo.

6) Misandria: Homem vs. a feminazi. Qualquer comentário que use a palavra feminazi ou misandria. Misandria pode ser a palavra mais eficiente na língua. Em apenas um vocábulo ela condensa a auto-negação idiota do “Não sou racista, mas…” com a misoginia de “Todas as mulheres são vadias”, ganhando de bônus um complexo de perseguição. […] A maior parte das pessoas não baseia sua qualidade de vida em torno de quão difícil é pegar alguém, porque essas pessoas de fato pegam alguém, e isso não é tão difícil de fazer. Ser um homem hétero é uma grande diversão e também o cenário menos difícil da sexualidade: você sabe o que quer e todo mundo no seu grupo demográfico te elogiará por conseguir fazê-lo. Ninguém mais no espectro da orientação sexual pode dizer o mesmo. Se as mulheres te odeiam porque você as chama de vadias estúpidas, não é por você ser a vítima de uma conspiração anti-homem: é porque você é você.

5) Dicionários. Salva tempo quando alguém começa seu argumento copiando algo de um dicionário. Você imediatamente sabe que eles a) acham que tamanho é melhor que qualidade (que é porque compraram aquele troço pra aumentar o pênis), b) são incapazes de usarem suas próprias ideias e c) são estúpidos.
4) Pedantismo [achar que sabe tudo sobre um determinado assunto: por exemplo, quadrinhos. E citar um texto obscuro específico para mostrar que @ autor não sabe do que está falando].
3) “Este exemplo não é machista, então seu argumento não é válido”.

2) “Tudo bem que as coisas machistas sejam machistas”.
1) “Você nem gosta disso!” Isso acontece quando alguém acredita ser a grande autoridade em qualquer coisa. Se você não concorda com ele, você simplesmente não entende aquilo!
E aí, consegue se lembrar de mais algum padrão recorrente pra acrescentar à lista?

Responder

Helena Vargas

09 de junho de 2012 às 09h58

Há que ir à rua protestar contra rendição do STF à mídia

Posted by eduguim on 08/06/12 • Categorized as Manifesto

Eduardo Guimarães, no blog Cidadania

A esta altura, não resta mais dúvida de que o Supremo Tribunal Federal está se desmoralizando em decorrência de condutas e declarações de alguns de seus membros que vêm se mostrando claramente incompatíveis com a sobriedade e a independência que se espera da mais alta instância do Judiciário brasileiro.

Nas últimas semanas, avolumaram-se evidências de que aquela Corte é integrada por algumas pessoas que não se atêm à letra da lei, que tomam decisões sob pressão de setores da sociedade e que não se portam como seria de se esperar de quem dará a palavra final sobre processos que se arrastam por anos, quando não por décadas.

A própria grande imprensa, que tem uma miríade de interesses políticos e econômicos nas decisões do Supremo, tem criticado o comportamento de alguns de seus membros. Inclusive daquele ao qual acaba de devotar um voto inexplicável de confiança ao comprar, integralmente, sua versão sobre polêmica em que se envolveu.

A acusação que a revista Veja fez recentemente ao ex-presidente Lula, de que teria tentado pressionar o ministro do STF Gilmar Mendes para este votar pelo adiamento do julgamento do mensalão, também foi considerada pela imprensa, em sucessivos editoriais, colunas e artigos, como evidência de comportamento impróprio do magistrado.

Ainda que a imprensa tenha desprezado a versão de dois dos três envolvidos no caso– Lula e Nelson Jobim (ex-ministro do ex-presidente e também do STF) – e comprado acriticamente a versão do terceiro (Gilmar Mendes), criticou a este por ter ido ao escritório de um advogado (Jobim), alguém cujas demandas aquele magistrado poderá ter que julgar.

A mesma imprensa tem pressionado o ministro José Antonio Dias Toffoli a não participar do julgamento do mensalão, agora marcado para agosto próximo, por ter sido advogado-geral da União no governo Lula, apesar de não fazer o mesmo com Gilmar Mendes, que ocupou o mesmo cargo no governo Fernando Henrique Cardoso e que vem dando declarações contra o PT.

Quem é capaz de pensar sozinho, porém, reflete que, se Tofoli está inabilitado para julgar o mensalão por ter sido advogado-geral da União no governo de Lula, Gilmar também está por ter exercido o mesmo cargo no governo de FHC. Se um juiz que integrou um governo petista é suspeito para julgar um petista, um juiz que integrou governo de adversário do PT também é.

Enfim, não há dia em que os meios de comunicação não levantam suspeitas sobre a cúpula do Judiciário. E é freqüente que insinuem que conseguiram pressioná-lo, inclusive tripudiando sobre os adversários políticos de forma a darem provas do poder que têm.

A parcela da sociedade que se informa, portanto, está cada vez mais preocupada com a politização do STF. Ao abrigar lutas político-partidárias como a protagonizada por Gilmar Mendes, a Corte permite refletir sobre que outro tipo de interesse pode balizar suas decisões.

Nesta mesma semana, outro fato surpreendente e demolidor para a imagem do STF. Segundo o jornal Folha de São Paulo, o ministro Marco Aurélio Mello declarou que nenhum membro da Corte que integra teria coragem de pedir mais tempo para analisar o processo do mensalão porque “pagaria um preço alto demais” junto à “opinião pública”.

Quando Mello alude à “opinião pública”, evidentemente que não se refere aos cerca de oitenta por cento dos brasileiros que aprovam o ex-presidente Lula ou ao percentual pouco menor que apóia a presidente Dilma. Mello alude à mídia, a meia dúzia de donos de meios de comunicação que exigem do STF que condene todos os acusados no inquérito do mensalão.

A sociedade – incluindo aqueles que querem ver políticos dos quais não gostam condenados a qualquer preço – deve refletir se quer uma Justiça que decide com base apenas na letra da lei ou se aceita o risco de qualquer um poder vir a ter que se submeter a uma Justiça que se deixa pressionar pelos interesses mais poderosos.

Diante da suspeita de violação de limites constitucionais e éticos por membros do STF, movimentos sociais, sindicatos, partidos políticos e até mesmo os cidadãos comuns devem se preparar para um grande campanha de protesto contra essa aparente rendição do Judiciário à mídia, pois constitui ameaça a todos.

A mídia tem muitos alvos. MST, CUT, PT (e outros partidos), UNE, e por aí vai. Muitos desses entes sabem que, cedo ou tarde, podem ter que ser julgados pela cúpula do Judiciário. O julgamento do mensalão, portanto, não envolve apenas 38 acusados. Envolve a todos os setores da sociedade que a mídia combate.

Se esses setores ficarem assistindo o STF se ajoelhar diante da mídia sob os temores manifestados, com sinceridade escandalosa, pelo ministro Marco Aurélio Mello quando este diz que nenhum de seus pares seria “louco” de desafiar pressões, podem estar certos de que ainda serão vitimados.

Responder

    Anarco Roqueiro

    09 de junho de 2012 às 10h16

    A Ditadura no PT e a Blogosfera Calada

    Um Silêncio Ensurdecedor!

    Um assunto que virou tabu na Internet. A Ditadura interna do PT.

    Tenho observado dentro da Blogosfera Progressista o total silêncio, semelhante ao que fizeram quando descobriram o grampo doJornalista Leonardo Attuch com Naji Nahas, desde que Lula e os Caciques Menores do PT decidiram que não haveria Prévias do Partido em São Paulo, nem em Recife.

    Rasgando a tradição democrática do Partido dos Trabalhadores, foi decidido por meia dúzia de 3 ou 4 Caciques Menores do PT, seguindo uma rígida política EGA (Enfiar Goela Abaixo), que os candidatos às Eleições Municipais por São Paulo e Recife seriam Fernando Haddad e Humberto Costa, respectivamente.
    Democracia interna que é bom, nada! Respeito pelos companheiros que disputariam as prévias, menos ainda! Estão aí as reações deMarta Suplicy e de João da Costa que não me deixam mentir.

    E como fica o discurso do Partido, agora?

    Como bem disse nosso BOM amigo Giovanni Gouveia no Facebook, “Perdemos o discurso do Socialismo, depois o da Ética e agora o da Democracia”. Certíssimo, Xará!

    Repetindo a célebre frase de Martin Luther King, que vem estampada em tantos Blogs da Esfera Progressista, “O que mais me preocupa não o grito dos maus, mas sim, o silêncio dos justos”. E a Blogosfera está calada… Conivente ou estática frente ao Golpe Interno capitaneado por Lula – a quem tanto admiro, mas que admito ser falível como todo ser humano – e os Caciques Menores, sob o argumento de melhorar as chances de vitória nas duas cidades. Espero estar errado, mas acredito que o plano vai dar em água… E nas duas cidades!
    E o discurso de União do Partido não vai funcionar! A militância de Recife está indignada! A chegada de João da Costa no Aeroporto dos Guararapes diz muito desta indignação!

    Mas quem sou eu para afirmar tal blasfêmia??? Ninguém! Apenas um Bloguezinho fajuta do Nordeste Brasileiro… Que vinha avisando sobre este problema há meses… (AQUI, AQUI e AQUI)

    Aguardemos o desenrolar dos cordéis…

    “Saiba que ainda estão rolando os dados… Por que o tempo não pára!” …E, dessa vez, Lula passou do ponto…

    Pronto! Botei a cara à tapa!!! Sirvam-se!

    Responder

Helena Vargas

09 de junho de 2012 às 09h47

Miguel, achei interessante esse post no blog do Nassif, sobre Recife. Você não vai comentar nada sobre isso?

Escolha de pré-candidato do PT em Recife gera críticas
Enviado por luisnassif, sab, 09/06/2012 – 08:08
Por evandro condé de lima

Nassif, embora não tenha contado, foram inúmeros posts sobre o processo de escolha do candidato Serra à prefeitura de são paulo. Não está na hora de ao menos um sobre o processo em Pernambuco?

Após mais de quatro horas de reunião, a Executiva Nacional do PT confirmou, na noite desta terça-feira, que decidiu lançar o senador Humberto Costa como pré-candidato à Prefeitura de Recife (PE), barrando as intenções do atual prefeito, João da Costa, em concorrer à reeleição. Indignado, o prefeito deixou mais cedo a reunião, que ocorreu em São Paulo, e acusou a cúpula petista de ter sido anti-democrática.

Em nota, o partido reafirmou a anulação das prévias realizadas no último dia 20 de maio, “em virtude de irregularidades cometidas e por ter sido realizada em desacordo com as orientações do Diretório Nacional”, e o cancelamento de uma nova votação interna marcada para o dia 3 de junho.

“(O PT resolve) Emitir publicamente sua opinião política, já externada em sucessivas reuniões aos companheiros João da Costa e Maurício Rands (pré-candidato do PT que desistiu da intenção de concorrer), de que o processo político no Recife por eles conduzido se esgotou, e de que um terceiro nome para encabeçar essa chapa é um imperativo para a vitória”, disse o partido, em nota.

“O senador Humberto Costa (…) reúne as melhores condições para liderar nossa campanha de continuidade e aprofundamento das conquistas democráticas e populares acumuladas na administração do Recife nos últimos doze anos”, conclui.

….

Apesar da decisão, a direção do PT negou ter imposto sua vontade à executiva municipal do Recife. “Não é intervenção, é uma decisão política. Nós teremos lá no dia 30 uma convenção para lançar a chapa de vereadores, o PT municipal continuará conduzindo o processo”, disse o secretário nacional de comunicação do PT, André Vargas.

Humberto Costa saiu da reunião sem falar com a imprensa, mas segundo Vargas sua “primeira missão” será procurar o prefeito João da Costa e tentar “unir o partido”. “O Humberto Costa terá como primeira missão procurar o prefeito, valorizar o trabalho do prefeito. Nós não temos nenhuma dúvida ética em relação ao companheiro João da Costa, mas as condições políticas favoreceram a decisão”, afirmou.

Embora o prefeito de Recife tenha dito que a medida foi imposta pelo PT antes mesmo do início da reunião, o secretário geral do PT, Eloi Pietá, afirmou que a indicação do nome do senador passou por votação da cúpula petista, sendo que 12 pessoas votaram pela pré-candidatura do senador e cinco se abstiveram.

Responder

    Anarco Roqueiro

    09 de junho de 2012 às 09h49

    Eu acho que Lula errou em Recife, tanto como erro em São Paulo. Deveria ter deixado o processo das prévias rolar com liberdade.

    Responder

      Helena Vargas

      09 de junho de 2012 às 09h50

      Também acho que houve um erro, não de Lula, mas do PT. Mas acho que são erros que devem ser corrigidos via estatuto, definindo soluções menos traumáticas.

      Responder

        Anarco Roqueiro

        09 de junho de 2012 às 09h51

        Acho que você tem razão, Helena.

        Responder

          Francisco Borba

          09 de junho de 2012 às 09h53

          Pra mim, Lula está certo. Ele pensa no macro, na eleição nacional. O Brasil está acima do local. Talvez no futuro, essas intervenções não sejam tão necessárias, porque “o perigo tucano” terá passado. Por enquanto, todo cuidado é pouco.

Hugo Carvana

09 de junho de 2012 às 09h44

Vale a pena assistir ao alerta do presidente do PT, Rui Falcão, sobre as tentativas recentes de desmoralizar o partido: http://youtu.be/8pSrXCrU7Bg

Responder

José Ricardo

09 de junho de 2012 às 09h42

No site Ipeadata também há muitas estatísticas interessantes, Miguel. Já foi lá?

Responder

    admin

    09 de junho de 2012 às 09h43

    Claro!

    Responder

Helena Vargas

09 de junho de 2012 às 09h41

Governo tem espaço 2.0 para conversar com a sociedade na Rio+20

por Cris Rodrigues, no blog Somos andando

Vai ser na Arena Socioambiental que o governo federal vai dialogar com a sociedade civil sobre temas sociais durante a Rio+20. Nos jardins e pilotis do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio, no aterro do Flamengo, vão rolar debates, programação cultural e mais um monte de coisas bacanérrimas de 16 a 22 de junho. E, como se não bastasse, o espaço é 2.0!

Baseada na ideia de que não se faz desenvolvimento sustentável sem inclusão social e combate à miséria, a Arena Socioambiental realiza dois diálogos por dia, com três debatedores presencias – incluindo membros do governo e representantes da sociedade civil – e um webconferencista cada, na Arena Encontros Globais. Os debates trazem temas como direitos humanos, combate à pobreza, democracia, autonomia das mulheres, cidades, soberania alimentar e mais um monte de assuntos superinteressantes. Tudo no contexto do desenvolvimento sustentável.

No intervalo entre eles, o Palco #SonoroBrasil apresenta uma programação cultural popular que valoriza a diversidade do povo brasileiro, com atrações de diferentes regiões do país e estilos musicais diversos.

Toda a programação desse espaço, incluindo diálogos e atrações culturais, vai ser transmitida ao vivo pelo blog arenasocioambiental.org, que estará no ar em alguns dias. O código-fonte também será distribuído para quem quiser transmitir em seu blog ou site particular. Uma equipe de primeira vai fazer a cobertura interativa nas redes sociais de tudo que estiver acontecendo por ali. Aliás, vale seguir e compartilhar as redes da Arena no Twitter (@ArenaRIO20) e no Facebook. Tweets citando a hashtag #ArenaRIO20 vão aparecer no painel de LED montado dentro do espaço, somando ao debate que estará rolando ali para um público presencial de 350 pessoas (a entrada é livre!) e quem estiver acompanhando pela rede.

Os debates acontecem todos os sete dias da Arena Socioambiental, das 14h30min às 16h30min e das 17h30min às 19h30min. A programação cultural começa às 16h30min.

Além da Arena Encontros Globais, onde fica também o Palco #SonoroBrasil, a Arena Socioambiental traz a Exposição Portinari+Brasileir@s (baseada no slogan “O Brasil é um país que cresce, inclui e protege”), a Praça da Sociobiodiversidade (onde vai dar pra dar uma engordada com produtos de todas as regiões do país) e o Café+20 (com produtos da agricultura familiar).

A coordenação da Arena Socioambiental é do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, com participação dos seguintes ministérios: Meio Ambiente; Desenvolvimento Agrário; Saúde; Educação; Justiça; Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Comunicações; Previdência Social; Aquicultura e Pesca; Integração Nacional e Secretaria-Geral da Presidência da República. E das secretarias: Direitos Humanos; Políticas para as Mulheres e Políticas para a Promoção da Igualdade Racial. Os principais patrocinadores são Correios e Banco da Amazônia.

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Helena Vargas

09 de junho de 2012 às 09h37

Miguel, tá acompanhando o caso da Marta Suplicy? Acho que tem gente fazendo o joguinho da direita paulista, queimando a Marta em praça pública. Ela errou, mas é mais errado ainda estimular ainda mais o ódio. Isso pode não acabar bem. Quem tá rindo é o Serra.

Responder

Anarco Roqueiro

09 de junho de 2012 às 09h34

Urariano Mota: O que eu não queria ver e escutar
publicado em 8 de junho de 2012 às 23:58
por Urariano Mota, em Direto da Redação

Confesso que fui ver para não acreditar no que veria. Fui ver a entrevista de Alberto Dines com o ex-policial Cláudio Guerra com maus olhos, com um espírito prévio para apontar as falhas, as mentiras no depoimento do matador de presos políticos. Mas esse preconceito, ou seja, a visão antes da experiência, longe estava de uma pose. Não. É que a inteligência, a sensibilidade da gente possui uma defesa contra o horror. Temos sempre uma região de conforto que recusa e se recusa à zona mais escura, aquela em que nos dizemos: “até aqui vai a dor – daqui não passarás”.

Então, de imediato, naquela atitude anterior à visão, na entrevista pude ver um Alberto Dines crédulo, como se ele não fosse um repórter experimentado. Aparecia nele uma sombra de assentimento, como é típico de qualquer repórter de televisão para um entrevistado, “sim, sim, sim”, a concordar com o queixo. Parecia nele não haver uma suspensão para a dúvida. E enquanto assim via, eu me afirmava: o matador arrependido age contra a Comissão da Verdade, na medida em que insinua “não procurem mais corpos desses militantes, porque foram queimados”. E mais me dizia: como o entrevistado Cláudio Guerra pode relacionar certos cadáveres a nomes? Qual a certeza de suas lembranças para os corpos de subversivos que ele fez sumir?

Ah, essas perguntas Dines não faz, eu me dizia, ele é um crédulo. Como é possível um cara ter, como o entrevistado fala, duas contas em um banco, numa, de nome falso, para receber o dinheiro extra por assassinatos, noutra, real, somente para a remuneração de funcionário? O repórter perdeu o ritmo, continuo a me dizer, pois existe uma tensão dramática em qualquer gênero, até mesmo em um trabalho jornalístico. E mais grave, o repórter pula a denúncia do terror. Ele salta o essencial, vou me dizendo. Então chego ao minuto e tempo 32.48, até o ponto 38.16 do vídeo da entrevista. E da voz do policial escuto, contra o que eu não queria ver e escutar, quando ele conta o estado em que encontrou pessoas de militantes, antes de jogá-las ao forno de uma usina:

“As mordidas (em Ana Rosa) eram mordidas humanas. Ela estava muito machucada… Eu creio que foi asfixia. O corpo dela sangrava, o corpo sangrando. Estava estourada por dentro. O marido, Wilson Silva, estava sem as unhas da mão, todo arrebentado”. E mais, como um acúmulo de evidências, neste preciso ponto de verdade, que pela percepção sabemos da memória de relatos dos necrotérios na ditadura:

“Todos os cadáveres que eu recebi eram seminus. Era um tipo assim, mais parecido com um calção que uma bermuda, não é? Porque as pessoas eram torturadas nuas, pau de arara era nu. As torturas ali de choque, nos órgãos genitais, muitos foram até castrados. Eram seminus, todos eles… O caso de Capistrano ele não estava todo esquartejado não. Ele estava com o braço direito decepado. Tinham arrancado o braço dele, de Capistrano. Os outros, na maioria eram fraturas expostas ao longo do corpo, com os ossos aparecendo, entendeu? A maioria. Na maioria era assim. Olha, são cenas que eu, é, pra mim me deixam fora, muito abalado narrar isso aqui. Pra mim é a pior época da luta de que eu participei foi essa aí”.

Nesse preciso instante, há uma verossimilhança terrível no que o Matador de Presos Políticos Cláudio Guerra fala. Ele bate com tudo que pesquisamos e contra a nossa vontade aprendemos. E concluo, enfim: se nesse depoimento houver mentira, é a mentira mais próxima e vizinha da pior verdade que existe. Aquela verdade à qual nos recusamos, mas que ainda assim avança, sem respeitar o nosso horror.

A entrevista inteira pode ser vista aqui:
http://youtu.be/ZTWbMUzA7Es

Responder

Anarco Roqueiro

09 de junho de 2012 às 09h31

E aí, Miguel, vamos?

Sarau no Rio de Janeiro
Enviado por luisnassif, seg, 04/06/2012 – 19:30
Nos dias 15 e 16 estarei no Rio, para mediar uma das mesas do Rio+ 20.

Vamos montar, finalmente, nosso segundo sarau?

Lá atrás, tínhamos pensado em uma homenagem ao grande gaitista Mauricio Einhorm.

Peço a ajuda dos amigos cariocas para começar a montar o sarau:

1. Local: aquele bar no Botafogo foi excelente dica. Mas podemos pensar em alternativas.

2. Músicos convidados: além do Maurício Einhorm, alguém poderia avisar a grande Paula Santoro (que foi a BH para abrilhantar nosso sarau de lá), Paulo Sérgio Santos, o povo do choro.

3. Dicas de hospedagem para os de fora, já que a cidade estará lotada.

PS – Pelas conversas iniciais, o dia ideal será 15, sexta-feira.

Local : Drink Café dia 15 de junho.

Rua General Dionísio nº 11 Humaitá – Rio de Janeiro.

Responder

Anarco Roqueiro

09 de junho de 2012 às 09h30

É incrível a facilidade com que um sujeito ganha destaque na mídia. Basta falar alguma coisa óbvia e conservadora.

Responder

Anarco Roqueiro

09 de junho de 2012 às 09h29

Ninguém percebeu até agora que o tal Raphael Neves é o nosso @politikaetc. Ninguém lembra dele?

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Anarco Roqueiro

09 de junho de 2012 às 09h24

Marcio Sotelo Felippe: Folha parece ter entrado mesmo na batalha dos “dois lados”
publicado em 8 de junho de 2012 às 22:28
por Marcio Sotelo Felippe

A Folha de S. Paulo parece ter entrado mesmo na batalha dos “dois lados”. É a segunda vez em uma semana que publica, no espaço do Tendências e Debates, artigos defendendo a tese de que a Comissão da Verdade deve apurar as alegadas violações de direitos humanos (DH) praticadas pela esquerda armada na resistência à ditadura.

O que chama a atenção nesse fraquíssimo e esquizofrênico texto é que o autor, com o título de mestre em Ciência Política pela USP, maneja os conceitos corretos e imediatamente induz o leitor a deturpá-los. Mas, embora seja um texto insustentável à luz das suas próprias premissas, a falácia precisa ser notada e denunciada. Não podemos perder a disputa pela opinião pública.

O autor afirma que “ao se debruçar sobre ‘as graves violações de direitos humanos’, a comissão terá também de especificar o que ela julga ser ‘grave’ “.

Óbvio.

E prossegue: “um parâmetro possível é considerar grave violação aquilo que é crime no Direito Internacional”.

Por ora, nenhum problema. Penso que é isso mesmo. O enorme lapso de tempo que a lei colocou como objeto de apuração, 46 a 88, impõe a necessidade de estabelecer critérios e focos. Este é um: o que é crime no Direito Internacional?

De plano, posto este foco, é imediato e intuitivo que praticamente desaparece do período de apuração o tempo decorrido de 46 a 64, sob uma Consituição democrática.

Porque ao dizer crime perante o Direito Internacional estamos dizendo CRIMES CONTRA A HUMANIDADE.

O conceito de crime contra a Humanidade é este (aproximadamente como definido pelo Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional) : condutas praticadas pelo Estado que visem eliminar ou impor graves danos a grupos de pessoas (etnias, minorias, opositores políticos, etc) praticadas de modo INTENSO ou SISTEMÁTICO.

O conceito também admite, em vez de Estado, “organização”. Seria o caso – comum na África, por exemplo – de facções ou exércitos que não controlam aparelho do Estado ou não são reconhecidos como tal, mas que equivalem ao Estado pelo potencial ofensivo que detém.

Postas as coisas neste perspectiva (até agora estou de acordo com o texto) a manipulação grosseira aparece apenas no seu final: diz o autor que deverá a Comissão verificar se os grupos não estatais cometeram crimes contra a humanidade.

As próprias premissas do autor tornam logicamente desnecessárias essa afirmação!

Ou teríamos que, digamos, Marighella, dedicou-se a uma luta com o objetivo aniquilar ou impor graves danos a uma parte do povo brasileiro? Porque somente assim se poderia cogitar de crime contra a humanidade. O jovem autor, com o cinismo do fascismo, quer convencer hoje a opinião pública de que há alguma possibilidade teórica, conceitual, de comparar Ustra com Marighella, ou Mário Alves, ou Lamarca, que exerciam o direito – filsoficamente consolidado há séculos – de resisitir contra a tirania, de opor-se a uma ditadura que havia derrubado um governo democrático, legitimamente eleito.

É isso que, sutilmente, deixa aberto o final do texto, mesmo contrariando o próprio conceito de crime contra a humanidade que o autor corretamente menciona antes.

Claro que, colocado como foco da comissão crimes contra a humanidade, somente resta como objeto de apuração a conduta do Estado na ditadura: havia uma diretriz do Estado de aniquilar, utilizar tortura, praticar violações, liberdade aos seus agentes para estuprar, etc. Isso é crime contra a Humanidade: conduta do Estado voltada contra parte de sua população, COM O DOLO de aniquilar seres humanos. COM O DOLO de torturar. COM O DOLO de impor graves sofrimentos. De modo intenso ou sistemático, mas com potencial ofensivo.

Este conceito tem uma base histórica. Não é uma criatura intelectual: foi construído a partir do Estado nazista, do holocausto e da experiência histórica de Estados que se dedicaram, como meta política, ao extermínio de parte de seu próprio povo.

Expor o conceito e ao mesmo tempo buscar enquadrá-lo em algo que é tão grosseiramente distinto do seu âmbito de abrangência poderia ser apenas pueril. Mas neste caso é um tentativa de manipulação grosseira da opinião pública. E ainda que grosseira e insustentável, joga um papel. Deve ser rigorosa e duramente repelida.

Marcio Sotelo Felippe é procurador do Estado e membro do Comitê Paulista Memória Verdade Justiça

Responder

Rogério Fontes

09 de junho de 2012 às 09h23

Sei não, acho que a indústria não vai guentar o tranco da China…

Responder

Estella

09 de junho de 2012 às 09h21

Prefiro esperar os próximos meses. Quem viver, verá!

Responder

Merval Pereba

09 de junho de 2012 às 09h19

Parabéns, rapaz. Bom trabalho!

Responder

    Noblablá

    09 de junho de 2012 às 09h22

    Oi amigo, você por aqui?

    Responder

Isis

09 de junho de 2012 às 09h18

Miguel, mudando de assunto. Você acha que o Sérgio Cabral escapa da CPI?

Responder

Nelson BV

09 de junho de 2012 às 09h18

Miriam Leitão lê O Cafezinho?

Responder

Vivian Leigh

09 de junho de 2012 às 09h17

Muito bom!

Responder

Nelson Krupp

09 de junho de 2012 às 09h13

Hum… prefiro ser pessimista… não acho que o Brasil aguenta o tranco dessa vez.

Responder

Nelson Krupp

09 de junho de 2012 às 00h09

Bah, bobajada!

O brasil tá indo ladeira abaixo por causa da incompetência do governo petista.

Esperem pra ver!

Responder

    Elson

    10 de junho de 2012 às 04h14

    Seu ponto de vista é singular nobre confrade, devemos fugir para as montanhas, ou melhor para as “Oropas”, lá sim é um paraíso!
    A diferença entre o Brasil e, os ditos países do primeiro mundo, é que aqui , o governo petista foi soberano e não entregou oque restou do aparato estatal aos saqueadores e amigos dos privatas tucanos, então o governo tem margem de manobra para enfrentar qualquer crise, diferente da Grécia, que nem Banco Central possui, e, é obrigada a receber ordens de um Governo estrangeiro.
    Sinceramente, complexo de vira-latas é coisa que só tucano possui!

    Outro dias deste o bom rei espanhol aportou aqui, foi bem recebido, veio com um pires na mão e uma conversa fiada, mesmo assim o governo que ele representa costuma tratar os brasileiros como cidadãos de segunda classe, ou seja, o sujeito sai a mendigar mundo afora, más não deixa de lado sua soberba. Quando um País que saqueou as riquezas alheias se encontra na lona é sinal que algo no sistema não vai bem, e não é culpa do povo, más sim de seus governantes, que entregaram sua soberania ao mercado.

    Responder

Jorge Dulles

09 de junho de 2012 às 00h08

O bom das suas matérias é que elas são o contraponto perfeito para o catastrofismo da mídia.

Responder

Jorge Dulles

09 de junho de 2012 às 00h07

O bom das suas matérias é que elas são o contraponto perfeito para o catastrofismo constante da grande mídia.

Responder

Viviane Collen

08 de junho de 2012 às 23h44

Agora, mudando de assunto, acho que o mais difícil para os blogueiros é aguentar os trolls, né? Tem uns que são realmente doentes. Parecem uns psicopatas!

Responder

Torres

08 de junho de 2012 às 23h42

Seus comentários econômicos são essenciais, Miguel, sobretudo porque você traz dados, mostra as fontes originais. Isso permite que a gente pense com a própria cabeça.

Abs!

Responder

Elson

08 de junho de 2012 às 17h40

Pelo visto o BC deve continuar a baixar os juros, já que a China também mexeu em suas taxas, liberando assim dinheiro para investimentos em infraestrutura.

Hoje o matutino dos homens bons, o Bom Dia Brasil terminou sua série sobre transporte público nas grandes cidades, porém não falou nada sobre o “Ligeirão” carioca, vai ver que é por causa do Lula que esteve na inauguração e foi ovacionado.

Responder

Helena Vargas

08 de junho de 2012 às 17h22

Do Estadão

Banco Central acredita em desaceleração da inflação em 2012

Copom diz que o IPCA deve seguir em ritmo mais fraco este ano, em direção ao cumprimento da meta de 4,5%

08 de junho de 2012 | 9h 08

Célia Froufe e Fernando Nakagawa, da Agência Estado

BRASÍLIA – As projeções do Banco Central para a inflação medida pelo IPCA, levando-se em conta tanto o cenário de mercado quanto o de referência, estão em torno de 4,5% para este ano e pouco acima da meta de 2013 fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), também de 4,50%, segundo a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta sexta-feira pela autoridade monetária. No geral, da divulgação da ata de abril para a de maio, houve uma redução da inflação.

No cenário de referência, que leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa de câmbio em R$ 2,05 e da Selic em 9% ao ano em todo o horizonte relevante, a projeção para a inflação de 2012 se reduziu em relação ao valor considerado na reunião do Copom de abril e se encontra em torno do valor central de 4,5% para a meta. No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) com analistas de mercado, no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2012 também diminuiu e se encontra em torno do valor central da meta para a inflação.

“Para 2013, a projeção de inflação se manteve estável no cenário de referência e recuou no de mercado, mas ainda se posiciona, nos dois casos, acima do valor central da meta”, observaram os diretores.

O Comitê também salientou que, desde a última reunião do Copom, a mediana das projeções coletadas pelo Gerin para a variação do IPCA em 2012 aumentou de 5,08% para 5,17%. Para 2013, a mediana das projeções de inflação aumentou de 5,50% para 5,60%. Nos casos específicos de bancos, gestoras de recursos e demais instituições (empresas do setor real, distribuidoras, corretoras, consultorias e outras), a mediana das projeções para 2012 deslocou-se de 5,08%, 5,06% e 5,08% para 5,09%, 5,17% e 5,20%, respectivamente. Para 2013, a mediana das projeções deslocou-se de 5,50%, 5,73% e 5,30% para 5,50%, 5,80% e 5,44%, na mesma ordem.

Gasolina e gás sem reajuste

O Banco Central manteve a previsão de que os preços ao consumidor da gasolina e do gás de cozinha devem terminar o ano com variação zero. No documento, os diretores do BC mantiveram, ainda, a expectativa de que as tarifas de telefonia fixa devem ter alta de 1,5% no decorrer do ano. Para a eletricidade, a expectativa é de aumento de 1,3%, mesmo patamar visto em abril. Para o conjunto de preços administrados, também nada mudou e foi mantida a previsão de que o conjunto de tarifas deve ter aumento de 4% em 2012 e alta de 4,5% em 2013.

Responder

Helena Vargas

08 de junho de 2012 às 17h18

Do Estadão

Ata avalia que confiança de empresários continua alta

Copom volta a ressaltar que confiança dos empresários brasileiros continua elevada, embora agora esteja em ‘menor escala’

08 de junho de 2012 | 10h 05

Célia Froufe e Fernando Nakagawa, da Agência Estado
BRASÍLIA – A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, divulgada nesta sexta-feira, voltou a ressaltar que a confiança dos empresários brasileiros continua elevada, embora agora esteja em “menor escala”, o que se configura como um canal de contaminação da crise internacional para a economia doméstica. Apesar de a expansão da demanda doméstica ter se moderado, na avaliação do colegiado, são favoráveis as perspectivas para a atividade econômica neste e nos próximos semestres, com alguma assimetria entre os diversos setores.

“Essa avaliação encontra suporte em sinais que apontam expansão moderada da oferta de crédito tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas, e no fato de a confiança de consumidores e, em menor escala, de empresários se encontrar em níveis elevados”, trouxe o documento.

A perspectiva do colegiado é a de que a atividade doméstica continuará a ser favorecida pelas transferências públicas e pelo vigor do mercado de trabalho, que, conforme o Comitê, se reflete em taxas de desemprego historicamente baixas e em crescimento dos salários. Os diretores fizeram essa avaliação, apesar de salientarem que existe certa acomodação na margem.

Para o Copom, aumentam as evidências de que a transmissão dos desenvolvimentos externos para a economia brasileira se materializa por intermédio de diversos canais. Entre eles estão moderação da corrente de comércio, moderação do fluxo de investimentos e condições de crédito mais restritivas. “Também constitui canal de transmissão de grande importância a repercussão sobre a confiança de empresários.”

O comitê considerou ainda que os efeitos da complexidade que cerca o ambiente internacional se somaram aos da moderação da atividade doméstica. “Dito de outra forma, o processo de moderação em que se encontrava a economia brasileira já no primeiro semestre do ano passado foi potencializado pela fragilidade da economia global.”

Responder

Roberto Locatelli

08 de junho de 2012 às 15h28

Miguel, são fundamentais suas análises econômicas. Você é um jornalista com experiência na área e que tem a vantagem de não torcer as coisas a favor dos demotucanos. Tampouco você é petista. Recomendo fortemente que você coloque publicidade no Cafezinho. Não uso WordPress mas certamente eles têm um esquemão para isso. Não acho que a publicidade desmereça os blogs. Au contraire: a publicidade dá status. Fica-me a impressão de que aquele determinado blog é “coisa séria”, já que tem propaganda, às vezes de grandes empresas. E olha que eu sou de ultra-hiper-esquerda incendiária! Imagine aos olhos dos internautas “normais”!

Responder

    admin

    08 de junho de 2012 às 15h34

    Obrigado, Roberto. O blog está aberto à publicidade. Agora tem até um media kit (ver no menu acima). Os valores são negociáveis. E tenho dois banners aí do lado. O Cafezinho ainda está se consolidando, a publicidade virá com o tempo. Agora, se você fala da publicidade do Google, aquilo é uma enganação. Dá uns centavos por dia, é muita miséria, me recuso. E fiquei sabendo que o Google paga 3 vezes mais nos EUA, pela mesma quantidade de visitas. Por isso me recuso a botar anúncio do Google. Não dá dinheiro e ainda não tem isonomia.

    Abração!

    Responder

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