Analista da Ideia fala sobre “voto útil” dos eleitores de Ciro a Lula no 1° turno

Uma janela para a justiça

Por Miguel do Rosário

18 de junho de 2012 : 18h09

(Ilustração capa: A room for justice, foto de exposição dos Advogados Sem Fronteiras)

 

A luz declina suavemente sobre a cidade engarrafada. Buzinas cantam, bueiros explodem, ônibus lotados se libertam do jugo de seus motoristas e se jogam, desvairadamente, sobre as calçadas. Neste final de tarde, o blogueiro está relativamente feliz. O barco do Greenpeace acostou no porto. Chefes de Estado desembarcam às pencas, alguns mais pobrinhos vindo em aeronaves emprestadas pela FAB. Quem sabe a presença de tantos ambientalistas internacionais na cidade não influenciarão minha vizinha a parar de amontoar sacos abertos de lixo no corredor do andar?

O motivo da alegria deste blogueiro, contudo, não é nada disso, e sim uma decisão tomada em Brasília, pelo desembargador Candido Ribeiro, do 1º Tribunal Regional Federal. Ribeiro votou pela validade das escutas da Operação Monte Carlo da Polícia Federal, com isso afastando o risco de uma desastrosa anulação de toneladas de provas contra o esquema de Carlinhos Cachoeira, como era o desejo do desembargador Tourinho Neto.

Semana passada, os cidadãos que acompanham os desdobramentos da CPI do Cachoeira foram informados, para sua grande perplexidade, que um desembargador de Brasília, o excelentíssimo Tourinho Neto, havia votado pela anulação de todas as escutas da operação Monte Carlo, jogando no lixo o trabalho de anos de competentes policiais federais e aplicando um golpe covarde contra o Estado e em favor de uma organização criminosa. Depois de dias de tensão, ficamos sabendo hoje que Tourinho Neto foi voto vencido. O Brasil prossegue a semana um pouco mais aliviado.

Certo, não dá para comemorar o fato de termos um Judiciário permanentemente pondo em risco investigações contra o crime organizado, sempre que este atinge membros da elite financeira ou política. Os movimentos anticorrupção, por sua vez, sequer se manifestaram sobre a possibilidade de um golpe judicial em favor de Carlos Cachoeira. Estão muito ocupados pondo a faca no pescoço do STF para julgar logo o mensalão…

Outra notícia preocupante, ainda sobre o caso Cachoeira, é a substituição do juiz que autorizou os grampos da operação Monte Carlo, uma decisão que acarretará em grande atraso nas investigações, visto que o novo magistrado terá que se atualizar com toneladas de evidências. A substituição cheira a mais um golpe judicial, uma típica chicana das altas rodas.

Mas desde que Cachoeira permaneça preso e que as provas contra ele continuem válidas, há esperança de ver, desta vez, o Estado se empenhar concretamente  em combater as raízes da corrupção no país.

Houve quem visse, na derrota de Tourinho Neto, uma vitória da blogosfera, que protestou solitária contra o desembargador. A grande mídia, ao contrário, monitorou o caso com um silêncio conivente, mal escondendo a euforia.  Quem sabe? Talvez a pressão democrática da blogosfera tenha feito a diferença.

Desde o início do escândalo Cachoeira, a mídia velha tem trabalhado no sentido de confundir a opinião pública. A nova ladainha é que os governistas da CPI estariam blindando a Delta, e seu dono, Cavendish, porque se recusaram a convocá-lo neste momento. Como disse aquele travesti bem de vida: pohan! O governo praticamente destruiu a Delta, e a CPI votou pela quebra total dos sigilos da empresa em âmbito nacional. Se isto é blindar, não quero jamais que me blindem!

O fato é que a CPI já mostrou que convocar o sujeito para depor não significa muita coisa. Se o cara tem culpa no cartório e possui um bom advogado, vai ficar calado, ou só falar estritamente o combinado. Se for um político, vai usar o palco para se defender e se autopromover. O depoimento só tem sentido quando os parlamentares têm amplo domínio da situação, ou seja, possuem documentos em mãos para constranger a testemunha ou acusado e fazê-los abrir o bico ou entrar em contradição.

De resto, é acompanhar a história fazendo uma legítima pressão democrática em prol de uma resposta dura ao esquema Cachoeira, que serviu desavergonhadamente a um grupo político e  a seus prepostos midiáticos, e vice-versa, a um grupo midiático e seus prepostos políticos. Tudo bandido, tudo mafioso.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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6 comentários

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zuleica jorgensen

19 de junho de 2012 às 02h04

Maluf não vai governar nem dar pitaco na administração de SP. Toda essa pretensa indignação pelo apoio dele à chapa PT/PSB é parte do trabalho que o PSDB mantém constantemente de ataque a tudo que o PT faz. É óbvio, e só não vê quem não quer, que se Maluf não estivesse com Haddad estaria com Serra. E aí, claro, tudo estaria perfeito.
Alianças eleitorais são quase obrigatórias nas democracias, e os partido que não tomam posição, em geral, acabam desaparecendo.
Todos sabemos que Maluf é corrupto, mas ele está aí, fazendo política, e seu nome não pode ser ignorado. Assim, respeitados os limites, melhor conosco do que contra nós.
Assim ocorreu quando o governo Lula teve que defender o Sarney na guerra de alguns anos atras. Não fosse isso o Perillo teria assumido a presidência do Congresso, e só Deus sabe onde estaríamos agora.
Fazer política implica, muitas vezes, em sujar as mãos, nem que seja na sujeira do outro.

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spin

19 de junho de 2012 às 00h29

Se deixar, o Tourinho solta todo mundo, claro os criminosos do colarinho branco, soltou o Dadá, agora o Wladimir Garcez, ex-presidente da Câmara Municipal..
16/06/2012 – 08:45:02 – Wladimir Garcez deixa cadeia em Aparecida
Depois de passar 107 dias preso no Núcleo de Custódia da Penitenciária Odenir Guimarães (POG), em Aparecida de Goiânia, o ex-presidente da Câmara de Goiânia, Wladimir Garcez, foi solto por volta das 19h40 desta sexta-feira (15). A decisão de soltar o acusado de ser o braço direito de Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, partiu do desembargador Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF1), que concedeu liminar de soltura ao suposto homem de confiança de Cachoeira. De forma discreta e sem dar entrevista, Garcez saiu da cadeia em um carro GM Astra de cor preta com vidros escuros. O veículo deixou a POG em alta velocidade.

Por telefone, o advogado de Garcez, Ney Moura Teles, informou que a liminar foi expedida às 17 horas em Brasília e enviada para um oficial de Justiça em Goiânia. Cerca de duas horas e quarenta minutos depois o investigado pela Operação Monte Carlo estava livre. “Esse foi o terceiro habeas-corpus que enviei à Justiça, feito um dia antes (14)”, explicou o advogado.

Acusação

O ex-vereador, que está em casa, no setor Marista, e prefere não falar com a imprensa, é apontado como responsável por fazer a ligação entre Carlinhos Cachoeira e agentes públicos, entre eles políticos, delegados e policiais. Em depoimento no dia 24 de maio à Comissão Parlamentar de Inquérito Mista (CPMI) que investiga o esquema ilegal de Cachoeira, Garcez contou que era funcionário de Carlinhos Cachoeira e da Delta, empresa que é um dos alvos da CPMI e da Polícia Federal.

Fonte: Jornal O Hoje

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Gond

18 de junho de 2012 às 18h25

Falando em bandido, e a parceria Lula-Malug, o que me diz?

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    Gond

    18 de junho de 2012 às 18h26

    Lula-Maluf*

    Responder

      admin

      18 de junho de 2012 às 18h29

      Vou escrever sobre isso amanhã. Fique tranquilo.

      Responder

      spin

      19 de junho de 2012 às 00h34

      O Maluf ia ser o vice de Serra> Veio o Lula e tomou o noivo do Serra em pleno altar. O Serra ficou chupando o dedo. Haddad terá algumas inserções a mais na TV durante o decorrer do dia e um batalhão de vereadores do PP pedindo votos para ele(Haddad). O Maluf não apita nada, não poder nenhum diante da coligação, não apitará no programa de Haddad. Maluf é o capeta mas quem é louco prá dispensar voto do capeta numa eleição. Chorem tucanos. Buábuábuábuábuá.

      Responder

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