Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

BALA DE PRATA CONTRA PAES É “VÍDEO”… SEM VÍDEO

Por Miguel do Rosário

29 de setembro de 2012 : 12h09

Publicado originalmente no Rio Política.

A cobertura política no Brasil fica mais surreal a cada dia que passa. Em especial, a da Veja. Depois do grampo sem áudio, da entrevista sem entrevistado, agora temos o vídeo… sem vídeo.

Só podia ser na Veja. Faltando pouco mais de uma semana para as eleições, a revista aparece com uma “bala de prata” contra Eduardo Paes.  O título da matéria de Lauro Jardim não poderia ser mais apelativo: “O mensalão de Paes”. Na capa, a foto de Paes deprimido e a chamada: “PMDB do Rio negocia apoio do PTN por R$ 1 milhão”.

Fomos conferir. São duas partes, uma com a denúncia e o “vídeo”. Outra com uma entrevista com Jorge Sanfins Esch, o homem cuja voz aparece mencionando a ajuda financeira do PMDB do Rio a seu partido.

Francamente, a Veja já aplicou balas de prata melhores. Esta é lixo puro.

Vamos analisar o caso:

  1. Não é um vídeo. É um áudio com uma foto estática. Ouve-se uma voz ao fundo mencionando supostas ofertas do PMDB. Não é uma reunião, porém, entre alguém do PMDB e PTN. É o áudio de uma conversa informal de alguns sujeitos do PTN, onde nem nome de Paes nem de ninguém é mencionado.
  2. Numa reunião informal, pode-se falar de tudo: que a Al Qaeda, Chávez e Farcs ajudam a campanha do adversário. Isso não vale nada. O que se pede, nesses casos, é: imagens de vídeo (vídeos verdadeiros, não foto estática do perfil de uma pessoa) mostrando políticos enfiando dinheiro em cuecas e meias, como foi o caso do mensalão do DEM em Brasília; a presença, em voz ou imagem, de uma figura do partido que oferece recursos, abordando oralmente a questão, de maneira suficientemente direta; ou documentos, como extratos bancários, etc. Um áudio com apenas o meu adversário (e neste áudio, os interlocutores xingam Paes: um diz que gostaria de dar “um tiro na cara” dele) falando mal de mim, não vale nada em termos políticos ou jurídicos.
  3. Confiram como é ridículo: “vídeo a que VEJA teve acesso com imagens do presidente estadual do PTN, Jorge Sanfins Esch”. As “imagens” de Esch é na verdade uma foto estática dele, obviamente montada, sobre um arquivo de áudio. A Veja falseia a realidade, com vistas a produzir um factóide, sabe-se lá com que razões (chantagem?), contra o atual prefeito.  Sabe que, nas redes sociais, as pessoas sequer lêem as matérias, apenas espalham as fofocas.
  4. Logo no início, o vídeo estampa a data de 15 de março de 2008. Ou seja, é um vídeo antigo pra cacildes. Se fala em eleição, é referente à 2008. A matéria nem menciona esse fato, que enfraquece totalmente a denúncia, por torná-la uma peça requentada, antiga.
  5. O presidente estadual do PTN, Jorge Sanfins Esch, sequer esconde que o motivo de sua insatisfação: ter perdido um processo trabalhista contra a prefeitura para receber R$ 800 mil. Ou seja, é um desesperado, manipulado ou pela Veja ou por adversários de Paes, como César Maia ou Garotinho.
  6. Paes tem 65% dos votos válidos, segundo o Datafolha. Um dos seus adversários é Rodrigo Maia, que está humilhado nesta campanha, em função de seu posicionamento absolutamente medíocre nas pesquisas de intenção de voto: 3%. César Maia e Garotinho são os padrinhos da candidatura de Maia. Razões para desespero e pessoas dispostas a qualquer coisa não faltam…
  7. Na segunda matéria, fala-se em “ajuda oficial” de um partido a outro, e a própria revista observa que isso não é ilegal. Ela deveria acrescentar que não apenas não é ilegal, como é praticamente obrigatório. Quando duas legendas se coligam, há troca de ajudas, financeiras ou de material de campanha. Isso é da democracia. A asserção da revista, de que o “problema, para o eleitor, é saber que a união entre PMDB e PTN é, acima de tudo, uma questão de dinheiro”, apenas chove no molhado. Há legendas de aluguel sim, no Brasil, e isso é um problema a ser combatido. Mas tanto legendas de aluguel quanto legendas “autênticas”, por assim dizer, recebem auxílios, oficiais, legais, dos partidos com os quais se coligam. Criminalizar isso e, pior, converter num escândalo às vésperas do pleito, constitui um exemplo clássico de “baixaria” eleitoral.

Observe a data no início do vídeo.

O que é lamentável é ver o famigerado “jornalismo fiteiro”, como se refere Alberto Dines, entrando na campanha eleitoral do Rio via Lauro Jardim, da Veja, na mesma coluna onde Cachoeira plantava o que queria. O caso irá inflamar o udenismo carioca. Poderá tirar votos de Paes na zona sul, cujo udenismo está à flor da pele por causa da cobertura do julgamento do mensalão.

 

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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16 comentários

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Elson

01 de outubro de 2012 às 11h49

Tá vendo, é isso oque políticos recebem em pagamento quando decidem deixar publicações partidárias se safarem de denuncias graves contra elas, seria cômico se não fosse o fato de saber que muita gente lê tal publicação e acredita piamente que é tudo verdade.

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Julio Cezar Cruzeta (@jcruzeta)

30 de setembro de 2012 às 19h08

No RJ, ‘bala de prata’ contra Paes é, pasmem, “vídeo”… sem vídeo, rsrs – http://t.co/2RnXGLc4

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Marcus

30 de setembro de 2012 às 13h44

Nada mais coerente para o blogueiro,fã incondicional de Lula. O mensalão do PT não existiu, o do Paes também não! Todos os 20 partidos se uniram por questões ideológicas!rsrs. Está cada vez mais difícil negar o inegável…

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    Miguel do Rosário

    30 de setembro de 2012 às 14h01

    Interessante sua resposta. Mostra total submissão ao pensamento tacanho e despolitizante da mídia. Acordo partidário não se dá necessariamente por ideologia, mas por estratégias eleitorais, que embute partilha de poder e respeito à representatividade políticas das partes em acordo. Vide o exemplo do acordo entre Psol e Psdb em algumas cidades. E entre o partido socialista sueco e o conservador, que durou décadas e ajudou o país a se tornar 1 IDH do mundo.

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      francisco niteroi

      30 de setembro de 2012 às 16h05

      miguel
      Mais interessante ainda sao as noticias que recebemos de belem, onde o PSOL talvez ganhe a eleicao. O financiamento veio tb de empresas que” foram verificadas ” se nao estao envolvidas em irregularidades. Acho que agora a nossa luta contra a corrupcao ganhou um grande aliado: a BOLA DE CRISTAL do PSOL.
      Interessante tb: o Edmilson Rodrigues acha que vai poder administrar com os movimentos sociais e asim ignorar o legislativo. No popular: TOLINHO.
      Mas é claro que pra eles governo de coalizao sera SANTO e todos os acordos serao sempre sem pespectiva de poder. Mensalao é coisa de Petista, ou classe media “disco arranhado” a repetir: mensalao, mensalao.
      Eu sempre digo que, no Brasil, corrupcao é igual masturbacao: OBRA DE UM SO SUJEITO. Ninguem nunca ouve falar do corruptor ativo. Agora, vamos ter outra jabuticaba: governo de coalizao igual a compra e venda sera coisa de um so partido: o PT.

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      francisco niteroi

      30 de setembro de 2012 às 16h15

      outra coisa tb interessante:
      O marcus ai de cima, como todo mundo a recitar mensalao, nos passa sempre a ideia de idiotice midiatica pois nunca vi a palavra mensalao conjugada com BV ( o marcus vai pensar que é palavrao), financiamento de campanha, reforma politica, clausula de barreira, etc.
      OMG, monopolio da midia nao pode gerar outra coisa que nao a velha falta de argumentos….

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Luiz (@LuizAlaca)

30 de setembro de 2012 às 09h48

BALA DE PRATA CONTRA PAES É “VÍDEO”… SEM VÍDEO – http://t.co/kPMlRHFP / E os freixistas vibrando q nem tucanos com lixo da @Veja

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@ecologista1

29 de setembro de 2012 às 23h02

Tava demorando p/ aparecer a defesa dos aliados de Sarney, Paes, Renan, Maluf: http://t.co/L9icEbxb #MensalaodoPaes

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Luiz (@LuizAlaca)

29 de setembro de 2012 às 22h46

BALA DE PRATA CONTRA PAES É “VÍDEO”… SEM VÍDEO – http://t.co/SI8M8HyD

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Pedro Cruz

29 de setembro de 2012 às 17h25

Quem diria??? O psol, o da doença infantil, o braço auxiliar, recebendo uma ajudazinha da veja !!!! Que horror!!!

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    De Paula Araújo

    29 de setembro de 2012 às 22h25

    Ué, como o PSOL tem fortes tendências de DIREITA isso é possível! Veja o exemplo de Andreia Gouveia Vieira e as “alianças espúrias” que o PSOL tem pelo Brasil com o DEM, PPS, PSDB e PR!!!

    Observe de onde virá os 20% de votos do Marcelo Freixo no próximo domingo?!

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@mazzone_fab

29 de setembro de 2012 às 17h10

@gustborges @marcoslimataxi http://t.co/4aBnwfWN

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francisco niteroi

29 de setembro de 2012 às 14h03

Ué, mas nao foi o partido dele que fez acordo pra nao chamar o Policarpo Caneta pra CPMI?

E agora, Michel Temer, como fica seu acordo com a VEJA?

Em tempo: miguel, nao confio no Paes, acho que é outra cobra que certos setores da esquerda estao criando.

Ainda bem que voto em Niteroi. Se votasse no rio seria a segunda vez na minha vida que votaria nulo.

A primeira vez foi na eleicao do Cabral. Sinto hoje um alivio por nao ter aconpanhado, a nivel estadual, a alianca PT PMDB. La na urna o dedo nao conseguiu de jeito nenhum teclar o numero do Cabral.

E acho que, se votasse no rio, votaria nulo e sentiria um imenso alivio, no futuro, quando esse quinta coluna se revelar. Respeito parcela da esquerda que o estou apoiando, mas acho que ele é uma cobra.

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    francisco niteroi

    29 de setembro de 2012 às 14h09

    Desculpe-me o “aconpanhado” com N. Teclar em tablet e uma m… O dedo foi no vizinho N e ficou feio pra cac…..3934

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@ricocordeiro

29 de setembro de 2012 às 13h33

BALA DE PRATA CONTRA PAES É “VÍDEO”… SEM VÍDEO – http://t.co/3sS9f7SC

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migueldorosario (@migueldorosario)

29 de setembro de 2012 às 12h09

BALA DE PRATA CONTRA PAES É “VÍDEO”… SEM VÍDEO http://t.co/RFtY9C8H

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