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Sobre a desocupação da Aldeia Maracanã

Por Miguel do Rosário

23 de janeiro de 2013 : 08h20

(Link da foto)

 

Sérgio Telles, no Facebook

A extrema direita está espalhando uma inverdade, pegando algumas pessoas de boa índole de surpresa. Não houve remoção violenta alguma no Maracanã hoje. Os índios negociaram e saíram civilizadamente, só q uns grupos radicais de extrema direita ficaram no prédio descumprindo decisão judicial. O argumento dessa gente ficar lá era por conta dos índios, mas esses já tinham saído e irão para Jacarepaguá, enquanto o tal centro da cultura indígena será construído na Quinta da Boa Vista. Ou seja, os índios souberam ser mais civilizados que esses playboys revoltadinhos. Eu fico no aguardo de militância de playboy que tenha tempo de num dia útil ficar de vigília na porta duma escola de periferia q teja precisando de reforma, ou na porta duma fila de emergência exigindo melhor saúde pro povão. Pra coisa que não afeta em nada a vida de quem mais precisa, essa extrema direita faz enorme esforço de protesto, pra coisas realmente importantes, ignoram solenemente. Foi uma vergonha para os movimentos realmente populares do Rio esse episódio, organizado pelo cada vez mais elitizado e massa cheirosa do PSOL, com apoio de grupos altamente direitosos como Femen e Revoltados Online, por exemplo.

(…)

Por que a massa cheirosa esconde que somente após a saída de todos os índios, que negociaram a saída, é que a playboyzada que tava lá dentro começou a quebrar o prédio tombado e então a polícia precisou agir? Pra que mentir, apenas pra tentar ficar com um saldo político favorável numa derrota clara declarada pela justiça? Afinal estavam lá defendendo os índios, defendendo a história do prédio ou defendendo projetos políticos?

PS O Cafezinho: A “extrema-direita” a qual Telles se refere ironicamente, segundo eu entendo, corresponde a setores radicais, auto-denominados de ultra-esquerda, que podem ser identificados por seu constante oportunismo, desinformação, e, sobretudo, oposição intransigente ao diálogo e à política em si. Evidente que a violência policial é um absurdo que deve ser investigado e reprimido, mas achar que, às vésperas da Copa do Mundo, teria sentido manter uma ocupação urbana ilegal exatamente ao lado do Maracanã, é falta de bom senso. De qualquer forma, sempre houve desinformação envolvendo essa ocupação, que é mais ou menos recente. Pessoas de fora ficam achando que havia ali uma “aldeia indígena”. Na verdade, era um prédio abandonado, onde meia dúzia de descendentes de índios moravam, clandestinamente e em condições precárias, e mesmo assim há pouco tempo. Depois que ganhou a mídia, alguns movimentos chegaram e trouxeram mais índios e sem-tetos ao local. A luta teve mérito e conquistou algumas vitórias: o prédio, que tem valor arquitetônico, não será demolido, o governo levou os ocupantes (entre os quais vários sem-teto) para outro local; será feito um centro de pesquisa indígena na Quinta da Boa Vista.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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2 comentários

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André Albuquerque

24 de março de 2013 às 16h15

Não moro no Rio de Janeiro (infelizmente), portanto não tenho informações além das que chegam até mim pela internet sobre o caso da “Aldeia Maracanã”. Acompanhei, na medida do possível, a cobertura pela Agência Pública e twitter. Segundo parece, as negociações sobre a destinação do prédio não foram concluídas — fora sugerida a implantação de uma Universidade ou Centro de Referencia Indígena no prédio, mediada pelo Fundação Darcy Ribeiro, sem resposta do Governo. Ou seja, a desocupação interrompeu o que poderia ter sido um desfecho mais favorável ao índios e ao Rio de Janeiro. Não seria apenas um caso simples de insensata manutenção de ocupação urbana ilegal em vésperas de Copa e Olímpiadas, mas sim de esperar mais um pouco, até que fosse encontrada uma saída para tornar o prédio útil a quem dele deveria se beneficiar. Fizeram uma remoção provisória pela via mais fácil (chamar os meganhas) e pretendem instalar um inacreditável Museu Olímpico no lugar do estacionamento inicialmente planejado. Menos pior que derrubar pra fazer estacionamento, mas ainda péssimo.

Concordo que os novos jesuítas da ultra-esquerda sufocam e atrapalham a interlocução entre os índios, diretamente ou através de mediadores qualificados, como a própria FUNDAR ou a FUNAI, que não participou de nada, e governos municipal e estadual. No entanto, a postagem do Sérgio Telles nega a violência policial, desqualifica as reivindicações dos ocupantes do prédio e as denúncias feitas por instituições de respeito como a DPU e o MPF, e sugere que Governo Cabral não foi autoritários ao inflexibilizar o prazo de desocupação, como se a justiça nesse caso tivesse sido mesmo “justa”. E o fato de gente séria se sensibilizar com o que houve na aldeia Maracanã (não incluo os palhaços da ultra-esquerda) não impede que eles se sensiblizem e se mobilizem com os outros problemas demagogicamente enumerados, como se houvesse algum parâmetro de comparação, como se a situação dos indígenas não fosse algo que devesse causar preocupação a todos os brasileiros.

Sinceramente, apesar das ressalvas feitas pelo Miguel do Rosário, a postagem é muito ruim, de nível muito inferior ao que costuma ser publicado aqui. Se a ultra-esquerda é oportunista ao usar a causa indígena, há um petismo ultra-pragmático que se utiliza do mesmo expediente que critica para atingir essa mesma inexpressiva ultra esquerda.

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Vania

23 de março de 2013 às 14h56

Caio Barbosa: A Aldeia Maracanã deve ser demolida

Rio – A polêmica envolvendo a Aldeia Maracanã causa-me, há muito, estranheza. Sou entusiasta dos ideais de Darcy Ribeiro por influência dos meus pais e por formação acadêmica. Nunca comprei a versão de Cabral (o Pedro Álvares) sobre o ‘descobrimento do Brasil’ e estou sempre na primeira fila dos indignados com o que fizeram com os primeiros habitantes desta terra onde nasci.

Os livros, a vida, o jornalismo e as ciências sociais me mostraram, porém, que por cá não temos apenas índios seminus, pintados com urucum e armados com arco e flecha. O que não faltam são índios com contrato, gravata e capital, que nunca se dão mal, como diria Chico Buarque. Que voam em jatinhos particulares e especulam terras como qualquer ‘homem branco’.

O prédio onde trabalhou Darcy ficou por décadas abandonado. Pelo poder público, pelos índios e pelos militantes da causa que hoje bradam por lá.

‘Curiosamente’, o local passou a ser ocupado por índios jamais vistos, em 2006, véspera dos Jogos Pan-Americanos, que vieram a ser o sinal verde para a realização da Copa e das Olimpíadas. Curioso, não? A briga é pelo valor histórico do prédio ou pelo valor imobiliário do terreno vizinho ao Maracanã?

Penso que deveriamos nos preocupar com a demarcação das terras indígenas que não sai do papel, com os Guarani-Kaiowá, com Belo Monte, com a falta de transparência do governo, com a educação pública, gratuita e de qualidade que Mestre Darcy tanto sonhou. Tudo isso encontra eco na sociedade. E a Aldeia Maracanã? Nem Darcy, que foi vice-governador e senador por aqui, se preocupou. Para esta luta, não contem comigo.

Jornalista de O DIA.

http://odia.ig.com.br/portal/opiniao/caio-barbosa-a-aldeia-maracan%C3%A3-deve-ser-demolida-1.535712

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