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Dilma dá largada para 2014 em grande estilo

Por Miguel do Rosário

24 de janeiro de 2013 : 08h17

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“Ações formam o caminho, feitos criam o futuro”, dizia Harry S. Truman, o 33º presidente norte-americano, que substituiu Roosevelt após a morte deste e pôs um ponto final na II Guerra. Com o pronunciamento desta quarta-feira, Dilma Rousseff cumpriu a primeira parte da sentença de Truman: agiu.

Daqui a algumas semanas, quando as novas contas de luz começarem a chegar às residências particulares e indústrias, e os efeitos econômicos da últimas medidas tomadas pela presidente para estimular a competitividade e estimular o crescimento começarem a aparecer, virá a segunda parte: a consolidação do destino político de Dilma Rousseff.

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A determinação de Dilma Rousseff em baixar o custo da energia no Brasil veio cercada de polêmica. Diferentemente de sua luta – bem sucedida – para reduzir os juros, acolhida com quase unanimidade (à exceção dos rentistas que assinam coluna e dão entrevistas ao Globo), a gritaria contra o suposto populismo energético do governo reverberou entre os “engenheiros especializados”. Houve uma crítica bem intencionada, creio eu, ligada à preocupação com a saúde financeira das estatais do setor elétrico.

Em seguida, vimos uma genuína preocupação com o baixo nível dos reservatórios ser instrumentalizada para produzir um clima de falsa emergência e, com isso, dano político ao governo.

Temos um dos sistemas de energia mais seguros do mundo, conforme lembrou a presidente, mas isso não quer dizer 100% seguro. Sempre há riscos, porque a vida é mesmo perigosa, já dizia o mineiro. Entretanto, o perigo é democrático:  existe risco em toda parte e em todos os países.

O último levantamento da ONU mostrou que os investidores internacionais estão acreditando mais no Brasil do que no resto do mundo. A mídia está escondendo, mas a queda de apenas 2% no investimento estrangeiro direto no Brasil em 2012, ano em que os investimentos em todo mundo caíram 18%, fizeram que a participação do Brasil nos investimentos globais atingisse a marca recorde de 5%.

 

Talvez por isso mesmo a presidente tenha esperado o início da estação de chuvas dissipar alguns temores justos, para vir à público assegurar a nação que o sistema elétrico brasileiro é seguro o bastante para dar conta das demandas que se esperam para os próximos anos. A música da chuva enchendo os reservatórios foi a trilha sonora de sua fala.

O pronunciamento de Dilma, contudo, extrapolou enormente a questão energética, cumprindo os principais objetivos políticos da presidente:

  1. Foi uma espécie de resposta às especulações sobre se Dilma seria ou não candidata à reeleição. A assertividade com que falou no futuro não deixa dúvidas. Ela é a candidata.
  2.  O tom de sua fala, e as referências quase agressivas à “turma do contra” representaram, em si, uma resposta política contundente aos setores de mídia que vinham aumentando o ruído oposicionista.
  3. A decisão de não apenas manter a redução das tarifas de energia, como de ampliá-las e antecipar a entrada em vigor da lei, significam uma resposta concreta aos críticos e à oposição.

Em suma, Dilma apareceu em vídeo armada até os dentes. Todas as suas armas foram exibidas em rede. Tem como se defender, porque  as prerrogativas constitucionais lhe garantem o direito de aparecer na TV quando quiser. E possui a arma de ataque mais poderosa: a caneta com que assina medidas que mudam a vida dos brasileiros.

Em seu blog Diário do Centro do Mundo, o jornalista Paulo Nogueira acha que o pronunciamento de Dilma sugere que ela pode estar perdendo a paciência com seus críticos. Concordo com as premissas, mas discordo da conclusão. O pronunciamento não revela impaciência, mas ímpeto. Não nervosismo ou ódio, mas entusiasmo e paixão, qualidades que se exige de um candiato.

Com este pronunciamento, a presidente revela o tom assertivo, duro e passional que usará para convencer o povo de que merece mais um mandato.

E por falar em reeleição, ontem aconteceu um episódio curioso. Uma entrevista com o governador do Piauí, Wilson Martins (PSB), ao Valor, deixou claro que imprensa, portais e alguns blogs tem mais interesse em produzir uma visão tumultuada do processo eleitoral de 2014, ganhando leitores e visitas, do que oferecer uma visão realista. As manchetes, chamadas e leads da entrevista apontavam que o PSB pode romper com Dilma em 2014, e mesmo apoiar Aécio Neves. Só que a entrevista não diz nada disso. Totalmente o contrário. Li e reli a entrevista, e encontrei apenas declarações de amor e lealdade do governador à presidente, defesa convicta do governo, e promessas de apoio em 2014.

Martins até menciona a possibilidade de Campos vir como candidato próprio do PSB, mas ainda assim como um aliado, não como adversário coligado ao PSDB. A menção, todavia, me parece um tanto pro-forma, o que é uma maneira inteligente e justa do PSB reinvindicar maior espaço no governo e arrancar compromissos do PT e da base aliada, de apoio às candidaturas do PSB a governos do Estado em 2014. Além de tentar arrancar ao PT algum compromisso que está disposto a oferecer um ambiente de alternância de poder em 2018, quando, aí sim, Eduardo Campos terá sua chance.

Pinço aqui algumas frases da entrevista. Elas não estão descontextualizadas; ao contrário, são frases que traduzem bem o espírito de toda a conversa. Reitero: Martins sugere sim, a possibilidade de uma candidatura própria, mas sempre num tom de que seria uma candidatura aliada, e não de oposição.

O PSB é, incondicionalmente, parceiro do PT. É o principal aliado do ponto de vista histórico. Nós temos um carinho muito grande e somos aliados da presidenta Dilma.

Se você perguntar se estamos felizes na relação com o governo Dilma, eu digo que sim.

Acho que a presidenta tem tudo para ser reeleita e este é meu sentimento, a minha vontade.

Essa frase, sobretudo, resume tudo, e desfaz uma confusão comum na repercussão da entrevista:

Para ficarmos juntos, não é necessário que o Eduardo seja candidato a vice-presidente, é preciso que haja respeito, carinho, entendimento, parceria.

Muitos repercutiram a entrevista como se ela fosse uma prova de que o PSB estaria meio que chantageando o PT: se Eduardo Campos não vier como vice-presidente, o PSB não apoiará Dilma. Não foi isso que disse o governador do Piauí, e sim:”não é necessário que o Eduardo seja candidato a vice-presidente, é preciso que haja respeito, carinho, entendimento, parceria”. Ou seja, o PSB quer ampliar seu capital político no processo de articulação para as eleições de 2014. Isso é natural e, do ponto-de-vista do PSB, é desejável. Mas irá fazê-lo dentro dos marcos da aliança histórica com o PT de Dilma Rousseff. Se Campos vier candidato, o que eu acho difícil, será um candidato “amigo”, e aliado certo no segundo turno.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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7 comentários

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Carlos Antônio (@Carlosgrupon8)

25 de janeiro de 2013 às 13h57

Dilma dá largada para 2014 em grande estilo – http://t.co/afEEVe2m

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Jueli Cardoso Jordão

25 de janeiro de 2013 às 08h48

Assisti o Jornal da Globo na noite desta quinta 24/01 quando o Willian Waack e Sardenberg com ares de idiotas tentaram desqualificar a importância da baixa do custo energia. Montaram um gráfico enganador com comparações entre coisas que não se concatenam para justificar alguma possível impropriedade nos cortes. Fizeram uma comparação absurda entre a média dos cortes, com a redução da tarifa, forçando a barra dizendo que haverá aumentos durante o ano que fará com que o índice de corte seja de -11% e o provável aumento da gasolina em 5%. Comparam uma média que tem um volume infinitamente maior com um percentual isolado da gasolina, tentando passar ao povo que não tem vantagem nenhuma na queda anunciada.
São dois incompetentes que ficaram com cara de trouxas tentando explicar o inexplicável. Dava para perceber claramente a postura do aluno que vai ao quadro negro fazer uma conta, troca os números, não consegue e sai sem graça aos olhos do professor que havia apostado tudo na performance daquele bom aluno!…… Não estão conseguindo mais esconder a parcialidade. Não dá para entender como o povo não percebe isso!…Ou percebe e não acredita mesmo nessa imprensa que já não tem mais tanto poder?…. É isso?…

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    Mauricio

    28 de janeiro de 2013 às 11h10

    O povo percebe mas deixa passar… A resposta do povo está nas urnas. Todo o noticiário deturpado da grande midia servirá para comprovar que o país necessita de uma lei que responsabilize o mau jornalista. A midia está cavando a própria cova, ou se enforcando com a própria corda, como queiram.

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Etelma (@Telfag)

24 de janeiro de 2013 às 09h19

E larga bem! :-) “@migueldorosario: Dilma dá largada para 2014 em grande estilo http://t.co/sPqxV9H5

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ANGELO LELIO PESSONI (@angelolelio)

24 de janeiro de 2013 às 09h11

Dilma dá largada para 2014 em grande estilo – http://t.co/E9445iFK

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@AugustodaFonsec

24 de janeiro de 2013 às 08h32

“@migueldorosario: Dilma dá largada para 2014 em grande estilo http://t.co/3VBLpNpl”

Tiro de canhão q reduziu a oposição a pó de merdda

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migueldorosario (@migueldorosario)

24 de janeiro de 2013 às 08h17

Dilma dá largada para 2014 em grande estilo http://t.co/i05IY15A

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