Ato público pela valorização do serviço público

A mídia, o desemprego e o Prozac

Por Miguel do Rosário

22 de agosto de 2013 : 16h11

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Cada vez me convenço mais que a nossa mídia é sócia da indústria de antidepressivos. Eles investem na ansiedade para forçar as pessoas a comprarem remédios. Todos os jornalões de hoje trazem títulos na primeira página advertindo para a piora no mercado de trabalho. A Folha foi a mais eficiente. Usando os números do Caged, fala que as capitais “fecham vagas pela 1ª vez em uma década”. Só que não é verdade. Ou antes, a mídia fala uma verdade parcial afim de vender uma mentira completa.

A manchete não tem sentido jornalístico. É surreal, politiqueira, falsa. A manchete recorta um fato negativo dentro de uma estatística positiva. É como se o Flamengo ganhasse de três a um do Fluminense e a manchete no dia seguinte fosse “Flamengo toma um gol do Fluminense”.

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No total brasileiro, segundo o Caged, o saldo foi positivo em 41,5 mil vagas. Houve queda apenas em 8 capitais. Tirante Recife e Porto Alegre, foram quedas insignificantes.  Sendo que, no caso de Porto Alegre, o desemprego em julho é de 3,7%. Sim, 3,7%! Com certeza, o menor desemprego na cidade em toda a sua história. Ou seja, praticamente toda a população ativa está empregada. Um ligeiro saldo negativo num mês não significa nada.

Para falta de sorte da mídia, o IBGE divulgou hoje a taxa de desemprego, que caiu de 6,0% em junho para 5,6% em julho, a segunda menor taxa da história brasileira (só perde para julho de 2012, quando chegou a 5,4%) . Ou seja, os dois primeiros anos do governo Dilma apresentam as menores taxas de desemprego da nossa história.

Se o desemprego está baixo, os saldos de geração de emprego serão cada vez menores, por uma razão matemática. Apenas com desemprego alto, teremos grandes saldos mensais de emprego. Conforme este declina, caem os saldos, porque declina a quantidade de empregos novos sendo gerados.

Entretanto, tão importante quando o declínio do desemprego, é a melhora de sua qualidade. Nos últimos 10 anos, o quadro do emprego no Brasil apresentou melhora sensível. No país, o percentual de empregados com carteira assinada no setor privado saltou de 39,7% em julho de 2004 para 50% em julho de 2013.

 

As matérias dos jornalões sobre o emprego, portanto, são totalmente desinformativas e chegam a ser quase incompreensíveis. Após sua leitura, o cidadão fica mais desinformado e confuso do que estava antes. Um declínio sutil no saldo de empregos numa capital, por exemplo, pode ser atribuído à tendência recente de migração de vagas para cidades médias.  Que foi justamente o que aconteceu, visto que o salto nacional do Caged é positivo em 41,5 mil postos.

Entretanto, o melhor indicador do emprego ainda é o IBGE, que apura também os empregos informais, os trabalhos domésticos e por conta própria.

O esforço da  mídia de apresentar qualquer notícia econômica sob um viés negativo integra uma estratégia política de oposição. Mas suas consequências são negativas para o país, na medida em que visam desencorajar o investimento e desestimular o empreendedorismo.

Só quem lucra, pelo jeito, são os fabricantes de Prozac e demais remédios antidepressivos.[/s2If]

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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