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Wagner (CTB): “mídia é uma das nossas maiores preocupações”

Por Miguel do Rosário

23 de agosto de 2013 : 15h57

“O problema da mídia é uma das nossas maiores preocupações”, afirmou Wagner Gomes, presidente da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), em entrevista exclusiva ao blog O Cafezinho.

“A grande mídia domina a opinião pública e ainda não temos instrumentos para nos contrapor a isso. Essa é uma das questões que estão em nossa pauta, para ver como democratizar os meios de comunicação, permitindo à sociedade ouvir os dois lados”, afirma Gomes.

Os dois lados, naturalmente, são as duas grandes classes econômicas: trabalhadores e patrões. Pobres e ricos.

A CTB está, nesse momento, realizando o seu 3º Congresso. A abertura foi realizada nesta quinta-feira e reuniu as principais lideranças sindicais do país, além de autoridades do governo e representantes de movimentos sociais.

No sábado, será eleita a nova diretoria. Gomes irá para a secretaria-geral, e o baiano e bancário Adilson Araújo deverá assumir a presidência da entidade.

Gomes disse ao blog que a prioridade máxima das centrais, para este ano, é a derrubada do Projeto de Lei 4330, que visa ampliar as terceirizações no país. As entidades sindicais são contra a PL 4330. “É nossa prioridade zero”, afirmou Gomes.

“A terceirização é o instrumento que os patrões utilizam para reduzir o valor da mão-de-obra. O trabalhador que ganhava mil reais passa a ganhar 600 reais. Já conseguiram isso com o setor de limpeza e vigilância. Agora querem levar a terceirização para todos os setores, incluindo o setor público. ”

“A Petrobrás tem 140 mil funcionários, dos quais 100 mil trabalham via empresas terceirizadas, ganhando bem menos que os registrados pela Petrobrás”.

“Esta será uma das maiores batalhas do movimento sindical. Faremos uma grande mobilização para que o Congresso não vote este projeto”.

Segundo Gomes, o projeto irá em breve para a Câmara de Constituição e Justiça (CCJ), após o que poderá passar por uma tramitação rápida no Congresso, o que explica o estado de máxima tensão das centrais.

“Eles alegam querer reduzir o Custo Brasil. Para eles, reduzir o Custo Brasil é reduzir o salário dos trabalhadores”.

O sindicalista afirma que todas centrais estão alinhadas nessa questão. Ele concordou que as centrais passam por um bom momento de convergência política: estão juntas em quase todas as questões importantes: o fim da PL da terceirização; o fim do fator previdenciário; e a democratização da mídia.

Gomes informou ainda que o governo federal finalmente aceitou discutir as regras para o fim do fator previdenciário no país, “pelo qual o trabalhador se aposenta com 30% a menos do salário”.

A presidente Dilma, que já recebeu há pouco as centrais, deve recebê-las novamente em breve, diz Gomes. “Acho que a presidenta vai ter que necessariamente ouvir mais os movimentos sociais e sindicais, que tiveram um papel importante em sua eleição”.

Gomes diz que os sindicalistas estão preocupados sim com a possibilidade da crise econômica que afeta os países desenvolvidos chegara o brasil. “A economia mundial está em desaquecimento, por isso é importante aumentar o investimento e aquecer a indústria nacional”, asseverou.

Em sua intervenção durante a abertura do Congresso, Gomes assegurou o apoio da CTB ao governo, desde que ele se comprometa em aprofundas as mudanças em prol da classe trabalhadora.

“O governo pode contar com a gente para aprofundar as mudanças. Presidenta Dilma, conte com a CTB para isso. Nossa postura é de intransigência em defesa dos trabalhadores. […] Mas nós temos lado, que é junto do projeto iniciado a partir de 2003. Como temos lado, cobramos com muita força. É por isso que dizemos: os tucanos não voltarão a governar o país. Nossa defesa deste projeto é intransigente”, afirmou.

“Dilma, vá para cima deles. Faça as mudanças, que terá o apoio do movimento sindical. Vamos continuar cobrando”, afirmou.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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