Ato em defesa da imprensa

Mídia apostou alto demais. E perdeu.

Por Miguel do Rosário

18 de setembro de 2013 : 18h14

Por que a mídia apostou tão alto na recusa aos embargos infringentes?

A resposta é simples: arrogância.

A mídia vive de símbolos e imagens, e queria mostrar a imagem de José Dirceu sendo algemado e preso. Vai ter de esperar um pouco.

A espera é desvantajosa para a mídia, porque dará mais tempo para que a opinião pública possa se informar melhor sobre os fundamentos da Ação Penal 470.

Teremos tempo para explicar à sociedade civil que o julgamento foi repleto de exceções, erros e arbítrios.

Mais importante que tudo: a pressão histérica da mídia sobre o ministro Celso de Mello demonstrou fraqueza, por um lado, como se os barões tivessem medo de uma revisão criminal dos fatos; e covardia, de outro, ao pretenderem jogar no lixo 300 anos de tradição jurídica, apenas para aplacar um sentimento de vendeta.

A próxima luta é anular esse julgamento de exceção, que incorporou teses inteiramente falsas, como a existência de dinheiro público.

Lembremos que alguns réus, como Henrique Pizzolato, não serão beneficiados pelos embargos infringentes. E, no entanto, Pizzolato é o mais inocente de todos. Seu caso também terá de ser revisto.

Mas agora é o momento de comemorar uma importante vitória da democracia. As forças obscuras da mídia, e seus tentáculos sociais, queriam remover um dispositivo constitucional em favor dos réus para validar uma acusação inquisitorial.

Celso de Mello, quando discursa sobre política, é um desastre. Desta vez, porém, ateve-se a pensamentos de ordem jurídica, e teve um desempenho brilhante.

Ressalte-se que Mello usou todos os argumentos trazidos pelo blog: desmontou a pegadinha do Globo que serviu como tábua de salvação à Carmen Lúcia, lembrando que STF é diferente do STJ porque somente ele é última instância; lembrou que a questão dos embargos infringentes foi discutida pelo Congresso em 1998, e os parlamentares defenderam expressamente a manutenção dos mesmos, incluindo aí as lideranças partidárias do PSDB, DEM e PT.

Mello respondeu a todos os críticos, no próprio STF e na mídia. Questões fundamentais, tocando às liberdades e direitos civis, não são meras “tecnicalidades”, disse o ministro, referindo-se ao termo usado por Veja para descrever os embargos infringentes.

PS: Peço desculpas aos leitores pela escassa produção dos últimos dias. Participei de um debate em Porto Alegre, na segunda-feira, que rompeu meu ritmo de trabalho, seguido de uma gripe, que também não me ajudou muito. Amanhã voltamos com força total, inclusive analisando em profundidade as consequências políticas da decisão do STF de aprovar os embargos infringentes.

 

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Rubens

 

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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24 comentários

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Wagner Paulista de Souza

27 de setembro de 2013 às 07h46

Pizzolatto é inocente. Anulação desse que foi o maior Mentirão jurídico em nosso país. Vergonha internacional. Anulação, já !

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POIS É

19 de setembro de 2013 às 20h02

peraí…………………e vocês tão comparando o zé-Dirceu a jesus cristo ???
olha que vem o castigo aí

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Aline Correia Flores

19 de setembro de 2013 às 12h32

Concordo.

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maria

19 de setembro de 2013 às 08h02

Um problema terrível na Colombia, que já está sendo sanado, é a falta de segurança jurídica para os empresários. Se emprestam dinheiro, como fizeram o BB e outros bancos, e depois quebram e vao para a cadeia por fazer seu trabalho decentemente e sao execrados pela injustiça e pela mídia, nao existe segurança jurídica, e um país sem segurança jurídica nao atrai investimentos. É disso que se trata a destruição do legado do PT, destruir a economia, a segurança jurídica e a disposição dos empresários nacionais e internacionais de investir no país, para que quebre como com FHC, e entao eles também teriam esse argumento. Se o custo de ganhar a eleição for quebrar o país com todos os cidadãos, eles nao vacilam, afinal suas riquezas nao estao aqui, estao nos paraísos fiscais, eles nao correm risco, até ganham mais se o país quebrar, pois compram a preco de banana tudo o que falir no Brasil, e quem se ferra é o empresário que investiu no país e tem sua riqueza aqui, esse perde tudo para os bilionários globalizados da PIG, e ainda quebram os bancos que concorrem com o Santander e outros comparsas. Quebrar o país, retirando sua segurança jurídica, é um grande negócio para o capital voador globalizado que se deu bem com a privataria.

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Eloisa Elena Abreu

19 de setembro de 2013 às 01h17

Tem a opinião publica e a publicada.

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Gilberto Nogueira de Oliveira

18 de setembro de 2013 às 23h30

O brasileiro está acostumado a assistir aqueles programas tipo Cidade Alerta e se acostumaram com isso. O que eles gostam mesmo é de VER SANGUE.

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florencio1

18 de setembro de 2013 às 20h21

A MIDIA JA NÃO MANDA MAIS NO SUPREMO TRIBUNAL

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Artur

18 de setembro de 2013 às 20h08

Continuo apostando na inocência de Dirceu, Genoino, Delubio e Pizolatto entre muitos. Afinal no decorrer do julgamento de excessão não vi provas e nem sequer indicios apontando na direção deles

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Adriana Teixeira da Cunha

18 de setembro de 2013 às 22h52

” a Opinião pública não é tão pública assim…”

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Rui Frati

18 de setembro de 2013 às 22h52

Interesse econômico!

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Silvana Vargas

18 de setembro de 2013 às 22h30

Sem esperança não se vive.

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Sergio Messias Dos Santos

18 de setembro de 2013 às 22h27

Eu tenho uma duvida técnica. É possível avocar para a AP470 os autos que foram distribuídos para o Lewandoski e contem as provas que inocentam Pizzolato e outros réus da PF (mesmo que isto tenha sido feito pelo relator de má-fé). Lembrando que em processos normais em outras instancias nao é mais possivel produção de provas. O Embargos infringentes permite a produção de novas provas?

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Alexandre Salles

18 de setembro de 2013 às 22h01

O adiamento vai levar o segundo julgamento literalmente para dentro da próxima campanha eleitoral

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Pedro Gomes

18 de setembro de 2013 às 21h58

podescrer. eles meio que perderam a linha nos comentários. novamente vão ser desmascarados tendo em vista o tamanho das pernas da mentira.

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aldair

18 de setembro de 2013 às 18h45

Sou leigo em direito e acompanho cada detalhe que voces esplanam de forma que leigos possam comporeender. Sou leigo em direito mas não sou alienado. Isto não tecnicidade.

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Mario Madureira

18 de setembro de 2013 às 21h37

Além da arrogância, Miguel Do Rosario, pesou a prestação mercenária de serviços da mídia à ultra direita ensandecida, desesperada, que via no linchamento dos réus o melhor modo de ter chance na eleição de 2014.

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Jorge Pereira

18 de setembro de 2013 às 18h31

Depois desse dia histórico para a Justiça (a verdadeira) sugiro que solicitem ao PT que por meio dos Diretórios da Juventude instale uma espécie de escritório (tipo carro, com mesa e cadeiras, que vendem cachorros-quentes) na frente de FACULDADES, Tribunais (frente), shoppings, e outros lugares aonde há formadores de opinião com uma faixa garrafal : GANHE UMA CAMISA OFICIAL DO SEU CLUBE SE APRESENTAR PROVA REAL DO MENSALÃO! Mas quem participar tem que se preparar com gentileza, educação e, principalmente, informações embasadas sobre o mentirão. Faço faculdade de Direito e é um antro de reaças. Temos que agir para esclarecer, e “ganhar” a juventude.

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    cleo

    18 de setembro de 2013 às 20h12

    Para “ganhar” a juventude é preciso muito mais que um escritório. É preciso um Paulo Freire ou um Darci Ribeiro em cada sala de aula.

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      Jose Saguy Tenorio

      18 de setembro de 2013 às 23h27

      Senhores, imaginem a cena: O Merval dando entrada no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, com ma garrafa entalada no fiofó, e aquela correria… Um grita “quebra a garraf” um outro diz “Não, vamos primeiro tirar a rolha, pra perder a pressão”. “Gente, vamos logo, ele tá ficando roxo e virando olhos mais rápido que bomba de combustívéis” “Meu Deus, chegou outro paciente com o mesmo problema…”ah é um tal de Sardenberg, ele é da Globo” “É artista? não sei… se for deve ser do Globo Rural porque é feio pra burro” Que maldade.

      “Podem preparar mais leitos, pois As Meninas do Jó também sofrerão algum tipo de surto.

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        Wagner Paulista de Souza

        27 de setembro de 2013 às 07h49

        Contribuo, se necedssário, com umas garrafas velhas de pinga, jogadas no fundo de meu quintal. Tenho também, lâminas de barbear, pouco usadas, para quem quiser cortar os pulsos. (ai teríamos luto na ABL).

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      Jorge Pereira

      19 de setembro de 2013 às 14h52

      O Cleo, quem me dera ter esses caras! Mas como diz um chefe: “Façamos o que possamos!” Não precisa ser um escritório supermontado, mas um “lance” com um mínimo de estrutura para sentar e debater de forma inteligente, preparada e positiva. Valeu. Abraço!

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    Dede Viana - Recife.

    19 de setembro de 2013 às 07h50

    Grande Jorge, excelente idéia. Precisamos levar o debate para toda a juventude. Eh o nosso único antídoto contra os golpistas. Não podemos nos dar ao luxo de ficarmos só nas redes. Eh preciso que os partidos de esquerda também encampem essa brilhante idéia. Forte abraço .

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Maria Lucia Lula Dilma Lemos

18 de setembro de 2013 às 21h24

Sim , teremos q explicar a sociedade q a AP 470 é NULA !

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