Rio do Cartão Postal se defende

Recentemente, uma página que trata de política no Rio de Janeiro, a Rio do Cartão Postal, foi ameaçada pelo candidato a governador Anthony Garotinho de sofrer um processo judicial.

Como sou contra essa tendência irritante da política brasileira, de criminalizar e judicializar tudo, resolvi abrir espaço para o dono da página, Antonio Arles, se defender.

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1 – Por que você resolveu criar a página Rio do Cartão Postal?

Nasci na Paraíba, mas vim para o Rio com 5 anos. O Rio é meu lar. Foi no Rio de Janeiro que me tornei blogueiro. Sou um cara de esquerda, defendo a liberdade e a justiça social. Por isso, sou completamente crítico ao modo com que o Rio de Janeiro tem sido administrado nos últimos anos. Com exceção de Brizola e de Benedita da Silva, os demais governadores organizaram políticas que contemplaram mais os interesses das elites econômicas do que as necessidades da população. Governaram para a Zona Sul, para o cartão postal. Nos últimos 4 anos, o Rio de Janeiro se afundou em escândalos, violência e outras mazelas. Enquanto o Brasil reduziu as desigualdades sociais, diminuíu a pobreza, o Rio de Janeiro não acompanhou esse processo. Por que? Porque os recursos e as energias do governo não foram alocadas para melhorar as condições de vida e trabalho dos segmentos mais carentes da sociedade. O principal motivo da criação da página é mostrar que existe um Rio para além do cartão postal, um Rio de Janeiro cheio de problemas que somem na maquiagem feita pela maioria dos governos que passaram pelo estado. Foi isso que me levou a criar a página.

2 – Você tem alguma ligação com partidos?

Atualmente não, apesar de acreditar legítima a participação na vida política via partidos. Já fui filiado ao PCdoB no início dos anos 2000, mas meu jeito de participar da vida política logo me afastou dos trâmites partidários. No entanto não nego que eu tenha lado: sou um militante informal do PT e do PCdoB, dois partidos que acho, dentro do sistema político complicado que vigora no país, representam os interesses da população e estão fazendo, a nível federal, grandes governos, desde que Lula assumiu poder.

3 – Qual sua visão ideológica de mundo?

Defendo que o mundo pode ser mais justo, menos desigual. Acredito que as principais ações do Estado devam se orientar para diminuir as desigualdades socais e econômicas. Ao mesmo tempo, acredito que a liberdade seja também um princípio fundamental. De forma geral me considero um cara de esquerda com um forte apelo à liberdade.

4 – A turma do Garotinho está tentando fechar a sua página, sob que acusação?

Eu não sei bem qual a acusação. Falamos muito pouco dele na página, até porque seu governo está temporalmente mais distante. Mas acredito que ele se sentiu incomodado com alguma crítica política pontual feita a gestão dele. Mas numa democracia, a crítica não pode ser proibida. Quando isso ocorre temos uma situação de censura. Não ofendo, não calunio, apenas produzo críticas políticas e debato a necessidade do Rio de Janeiro ser governado para todos.

5 – Você apoia algum candidato ao governo no Estado do Rio?

Sim! Não escondo isso de ninguém. Podem ver meus dois avatares no Facebook e no Twitter. Estão lá estampados os selos da campanha do Lindberg Farias que eu tenho orgulho de apoiar e acredito bastante que ganhará estas eleições.

6 – Você acha que a política está sendo por demais judicializada no Brasil?

Sim. Principalmente com o surgimento da Internet emergem novos atores, novas pessoas dando opinião e mostrando que o monolitismo da mídia de massas deve ser superado. As velhas forças que controlavam a política tentam utilizar o Judiciário para conter o debate e a critica política. É muito difícil e muito caro se defender no Brasil. A judicialização da crítica política é uma forma de censurar, principalmente àqueles que ascenderam ao cenário da cobertura e da opinião política nas redes.


 

Miguel do Rosário: Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
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