Matemática parlamentar do golpe não favorece oposição

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Análise Diária de Conjuntura – 08/10/2015

Reiterando: a desaprovação das contas do governo pelo TCU era cantada há meses.

O que mudou de lá até agora?

Apenas o espetáculo midiático, que é sempre maior do que a gente imagina, sobretudo porque uma coisa é imaginá-lo, outra coisa é vivenciá-lo.[/s2If]
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O governo, como sempre, tropeça na comunicação. Defende-se somente de maneira protocolar e burocrática, sem atentar que o jogo se dá na política. A defesa das contas do governo tinha que ser feita, desde o início, junto à opinião pública.

Um infograficozinho aqui e ali não custa tanto, né?

O governo tinha que explicar que essa palhaçada toda é porque a Caixa, empresa 100% estatal e pública, pagou o Bolsa Família antecipadamente, mas que foi logo ressarcida, sem prejuízo para ninguém. É um procedimento que governos fazem há décadas.

Mas vamos ao que interessa. A oposição, para dar o golpe paraguaio, precisa de dois terços dos votos na Câmara e dois terços dos votos no Senado.

Ou seja, a oposição precisa de mais de 342 votos – num total de deputados de 513 – para afastar a presidente.

Mas isso é só o afastamento. Em seguida, vem a votação no Senado, onde a oposição precisa de mais 54 votos – num total de 81 senadores.

Não quero ser otimista demais, porém é claro que não vai ser fácil para a oposição. É uma situação completamente distinta à de Collor.

O governo precisa de 171 deputados e 27 senadores para barrar o impeachment.

Comecemos pelo Senado, que é onde o impeachment é decidido, numa sessão presidida não por Renan Calheiros, mas pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski.

O PT tem 14 senadores e o PCdoB, 1 senador. O PMDB tem Roberto Requião. Só aí temos 16 senadores do núcleo duro do governo. O governo precisa de mais 11 senadores.

O impeachment só sairia se o PMDB e todos os outros partidos votassem em peso contra o governo.

Claro que, no Brasil, tudo pode acontecer, mas não faz sentido. O PMDB compõe o governo com inúmeros ministérios importantes, inclusive o da Saúde.

Os senadores do PMDB que devem votar com o governo, além do Requião, são os seguintes:

Valdir Raupp – já foi ministro do governo Lula e Dilma.
Edison Lobão – já foi ministro de Dilma, e é quase amigo pessoal da presidenta.
Jader Barbalho – seu filho é ministro.
Rose de Freitas – tem atuado em favor do governo.
Romério Jucá – já foi líder do governo por diversas vezes.
Marta Suplicy – integrava o governo até há pouco.
Eunício Oliveira – já foi ministro.
Renan Calheiros – tem fechado com o governo.

No PP, temos Blario Maggi, amigo de Lula.

No PDT, Telmário Motta.

O PTB tem Fernando Collor, que não é flor que se cheire, mas conhece o jogo sujo das conspirações. É voto certo contra o impeachment.

Notem que estou projetando o cenário mais conservador e mais pessimista, de esfacelamento da base governamental. Por isso colhi apenas alguns nomes mais conhecidos por suas ligações orgânicas com o governo.

O cenário mais otimista – e na realidade, o mais realista – é que a maior parte da base vote com o governo, com as devidas exceções. E o governo tem mais de 60% do senado.

A briga será feia mesmo na Câmara, porque implicará uma batalha dentro do PMDB.

Dilma conseguiu, através de uma articulação com o governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, e com o presidente do PMDB no Rio, Jorge Picciani, neutralizar a influência de Eduardo Cunha na bancada do partido na Câmara.

Tudo vai depender da consistência e solidez do acordo firmado entre o governo e o PMDB.

O processo de cooptação política de parlamentares para a base do governo ainda não terminou.

Eu acredito que a oposião tem condição de aprovar a admissibilidade do impeachment, que necessista apenas da metade dos votos.

Mas ela não tem os 342 votos para aprovar o afastamento da presidenta.

Não será fácil para o governo, contudo.

A conspiração passa pela Lava Jato e, sobretudo, pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que investigará as contas da campanha de Dilma com base na primeira. E tudo junto será usado para criar o clima de fim do mundo.

Sei que política no Brasil não é muito racional, mas não é crível que o TSE entregará o poder a Eduardo Cunha ou a qualquer deputado corrupto, convocando novas eleições. E com base em doações legais de campanha, onde as mesmas empresas doaram valores ainda maiores para outros candidatos.

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Miguel do Rosário: Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
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