Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

É o golpe, estúpido!

Por Miguel do Rosário

07 de janeiro de 2016 : 17h47

Na outra feita, dei umas porradas na resposta bem tosca que a assessoria de Edinho Silva, ministro da Secom, enviou para um jornalzinho do interior de São Paulo.

Minha virulência era contra a falta de visão de Edinho, do PT, e do governo, que não entendiam que os ataques não são contra Edinho, mas contra a eleição de Dilma Rousseff.

O artigo correspondia uma advertência. O problema não está em jornalzinho de Araraquara. É o golpe, estúpido!

São os argumentos do Golpe 2, a missão hondurenha, que a mídia tenta retomar, após o fracasso do Golpe 1, a aventura paraguaia.

Governo, Edinho, PT tem que usar melhor as armas oferecida pela língua portuguesa.

Tem de acreditar no poder da semiótica. Custa mais barato do que apertar a mão de Maluf, distribuir ministérios ou procurar doação de grande empreiteiro, e causa efeito notável na opinião pública.

Edinho voltou a se defender em seu blog. O texto melhorou um pouco, mas ainda está fraco. O título é péssimo e não tem ilustração – sim, tudo isso é essencial!

A batalha da comunicação é uma arte, e precisa ser respeitada enquanto arte.

O texto traz alguns bons argumentos, que são esses:

O vazamento da quebra do sigilo telefônico do executivo Leo Pinheiro é uma clara demonstração do enfraquecimento de um processo que deveria fortalecer as instituições que investigam, apuram denúncias e julgam a materialidade dos fatos.

Os vazamentos que seletivamente chegam à imprensa são referentes apenas às lideranças de um campo político. Apenas expõem diálogos com figuras públicas vinculadas ao governo.

Onde estão os diálogos com as lideranças de outros partidos, de outras forças políticas? Ou alguém acredita que o executivo de uma das maiores empresas do país era seletivo em suas relações, ou nas doações partidárias e eleitorais? Nem o mais ingênuo repórter consideraria essa hipótese.

Estes argumentos, porém, deveriam vir reforçados por links e imagens das doações das empresas citadas a outros partidos.

Edinho tem um trunfo: o comportamento injusto e seletivo de algumas autoridades, em conluio com a imprensa. Mas o texto cai no mesmo erro do anterior: entrar na onda da criminalização da política.

O que que tem que os vazamentos são usados na luta político-partidária? A imprensa é partidária e não esconde mais isso, vide o discurso de uma ex-presidente da ANJ, Judith Brito, dizendo que cabia aos jornais substituir a oposição, que andava debilitada.

Não há nada de intrinsicamente errado com a luta político-partidária conduzida pela imprensa, e sim com a mentira, com o desequilíbrio, a manipulação da informação.

Os leitores sabem que o Cafezinho está imerso na luta política, mas os argumentos aqui só tem impacto quando embebidos em informações confiáveis e em raciocínios sólidos.

Para lutar contra a manipulação, Edinho tem de investir em técnicas de engenharia reversa, para desmontar as narrativas mentirosas que a mídia, aos poucos, vai solidificando na opinião pública.

Já estão fazendo isso para preparar o golpe do TSE. O que o governo está fazendo para contrapôr?

A resposta de Edinho piora ao final, quando corta abruptamente o texto, que estava indo bem, e enxerta “respostas” do ministro em itens:

O ministro chefe da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, afirma que:

Daí o ministro diz que “admite ter recebido, quando deputado, em ocasiões de aniversários, pequenos presentes de empresários e lideranças da sociedade civil. O fato nunca significou ou implicou qualquer contrapartida que significasse atos ilícitos.

Essa resposta é ingênua e desastrada. Obviamente não é assim que se faz. Deveria ter explicado de maneira mais objetiva: enquanto deputado, recebia pequenas lembranças de seus conhecidos: uma máquina de expresso, um livro, um DVD, etc.

É preciso dar materialidade às imagens, para fortalecer uma resposta desse tipo. Senão o leitor vai ficar achando que o ministro recebeu carros, jatinhos e iates de presente de aniversário, e chamou isso de “pequenos presentes”.

As lideranças do governo precisam acreditar mais, reitero, no poder das palavras. Precisam exigir assessorias de comunicação mais rápidas, mais assertivas e mais competentes.

E entender que o golpe hondurenho será jogado na mídia, na batalha da opinião pública. O ideal seria que Edinho levasse mais à sério suas respostas. Não basta publicar no blog, tem que entrar no twitter e responder a cada calúnia. Criar uma fanpage e ir pra luta. Fazer memes, vídeos, conversar com internautas. Enviar email para cada internauta. Entrar no Whatsapp.

Enfim, fazer o dever de casa, o feijão com arroz das batalhas da comunicação.

As acusações contra Edinho, repito, são o tempero do golpe da cassação via TSE, que a oposição parlamentar-midiática vai tratar como prioridade, agora que perdeu a batalha do impeachment.

Edinho não pode brincar em serviço.

Como tesoureiro da campanha de Dilma, ele é o alvo número 1 do golpe. A maneira pela qual irá responder a esses ataques determinará, portanto, o destino da nossa democracia.

Depois não adianta vir chorando contra o golpe.

***

No blog do Edinho Silva.

JAN 07, 2016

Vazamentos seletivos são utilizados para luta político-partidária

Tenho defendido que investigações sejam conduzidas para que nenhuma dúvida reste sobre nenhuma suspeita. Não posso concordar, no entanto, com o método de vazamentos seletivos e fora de contexto, que alimenta a imprensa com o único objetivo de fomentar a luta política, de cunho partidário.

O vazamento da quebra do sigilo telefônico do executivo Leo Pinheiro é uma clara demonstração do enfraquecimento de um processo que deveria fortalecer as instituições que investigam, apuram denúncias e julgam a materialidade dos fatos.

Os vazamentos que seletivamente chegam à imprensa são referentes apenas às lideranças de um campo político. Apenas expõem diálogos com figuras públicas vinculadas ao governo.

Onde estão os diálogos com as lideranças de outros partidos, de outras forças políticas? Ou alguém acredita que o executivo de uma das maiores empresas do país era seletivo em suas relações, ou nas doações partidárias e eleitorais? Nem o mais ingênuo repórter consideraria essa hipótese.

Abaixo, reproduzo nota sobre os vazamentos seletivos que envolvem meu nome.

O ministro chefe da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva, afirma que:

– Como deputado, sempre manteve relações políticas com empresários e que, entre eles, estava o executivo Leo Pinheiro. Todas essas relações se deram de forma transparente e dentro da legalidade. É impossível alguém que ocupe cargo público deixe de dialogar com representantes da sociedade civil, inclusive empresários.

– Por diversas vezes, esteve com Léo Pinheiro, tratando de temas legislativos, relacionados à sua função política, e de temas relacionados a doações legais.

– Admite ter recebido, quando deputado, em ocasiões de aniversários, pequenos presentes de empresários e lideranças da sociedade civil. O fato nunca significou ou implicou qualquer contrapartida que significasse atos ilícitos.

– Afirma que todas as doações para a campanha à reeleição da presidenta Dilma Rousseff, em 2014, foram efetuadas dentro da legalidade. As contas de campanha foram aprovadas por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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18 comentários

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Aldo

09 de janeiro de 2016 às 17h13

Confiam demais na imparcialidade, na isenção desse consórcio golpista jurídico midiático. Eles são e agem como partido político de oposição.
Dilma precisa é colocar o Miguel no lugar desses banana que cuidam da comunicação no governo.
Covardia e ingenuidade não pode existir ao lidar com esses mafiosos do consórcio jurídico midiático.

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Flávio Sarandy

08 de janeiro de 2016 às 11h01

a pergunta é: as lideranças no governo querem dialogar com a sociedade?

Responder

Flávio Sarandy

08 de janeiro de 2016 às 11h01

a pergunta é: as lideranças no governo querem dialogar com a sociedade?

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Flávio Sarandy

08 de janeiro de 2016 às 11h00

É, Zecarlinho Ferreira, a depender da competência de alguns companheiros, o governo voltará à lona….

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Flávio Sarandy

08 de janeiro de 2016 às 11h00

É, Zecarlinho Ferreira, a depender da competência de alguns companheiros, o governo voltará à lona….

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Marcos Carvalho Campos

08 de janeiro de 2016 às 02h38

Dependendo se houver motivos com provas substanciais, como não é o caso do impeachment da Dilma, devidamente encaminhado como vingança pelo mais sujo deputado que já sentou na cadeira de pres. da Câmara: Eduardo Cunha.

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Marcos Carvalho Campos

08 de janeiro de 2016 às 02h36

PT errou ao pedir o impeachment do Collor ?

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Ninguém

07 de janeiro de 2016 às 21h21

Miguel, e a coletiva da Dilma com os blogueiros para tratar exclusivamente da (falta de) comunicação e dos tiros nos pés? Rola ou não rola?

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Ivo Vanda Reis

07 de janeiro de 2016 às 22h27

Edinho Silva anda sumido…..Gostei do seu texto Cafezim!! Acho que vc se equivocou num ponto: Edinho Silva não entende de comunicação . Ele e especialista em arrecadar fundos para a campanha. Ta vendo porque o governo as vezes faz água ??? Trabalha com a pessoa errada. Mas , achei o artigo muito interessante. Parabéns !!!!

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João Cláudio Fontes

07 de janeiro de 2016 às 21h07

Essa questão da ação do TSE é o seguinte : Vários candidatos receberam dinheiro das empreiteiras investigadas pela Lava Jato .A Marina e o Aécio inclusive .O Aécio até mais do que a Dilma .Então , se a origem do dinheiro que foi pra Dilma é de corrupção , porque os dos outros não seria …?Ah , sim , mas eles não foram eleitos .Mas , então porque as empreiteiras resolveram fazer um ‘investimento futuro’ nas candidaturas deles …? Se eles ganhassem , teriam que saldar a ‘dívida’ ?.É corrupção do mesmo jeito .Além disso ,algumas dessas empreiteiras estiveram envolvidas em obras no estado de Minas durante a gestão do Aécio , inclusive a construção de Centro Administrativo , que tem forte suspeitas de ter sido superfaturado .Fora o financiamento de campanha e as obras feitas por essas empreiteiras em SP , na gestão Alckmin …. ou seja , se for pra cassar a chapa da Dilma , vai ter que cassar o Alckmin e , retroativamente , o Aécio .Pelo menos torná-lo e à Marina inelegíveis .Só que , só esse ano foi aprovado , milagre ! , o fim do financiamento emrpesarial de campanhas …ou seja ,até as últimas eleições não era crime , e as contas de campanha dela já haviam sido aprovadas ….e o dono da UTC já disse que as doações de campanha não eram propina , eram legais , que a propina era dada por fora … então , se for pra cassar , cassa todo mundo . Quem recebeu um centavo se quer dessas empreiteiras fica inelegível( e como comprovar , centavo por centavo , que um dinheiro é de corrupção e outro não, de obras que foram contratadas regularmente, não foram superfaturadas e foram entregues no prazo ? ).Atire a primeira pedra quem não recebeu… hipócritas ! Certamente Jesus teria dito isso …Ou , até quando a nossa ‘justiça’ vai ter dois pesos e duas medidas em relação ao PT , e ao PSDB e seus comparsas …? Mudar a regra do jogo com a bola rolando é golpe .

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Marcos Portela

07 de janeiro de 2016 às 20h41

FIM DE JOGO, bem que os FASCISTAS tentaram DESTRUIR o PAÍS, mas com a FORÇA do POVO nas RUAS e com o RESULTADO que confirmou a vitória da DEMOCRACIA, mostrou ao POVO que nem todos os Ministros do STF são CORRUPTOS e que o “Ministro” GILMAR falhou na NEGOCIAÇÃO com seus colegas, na REDE GLOBO já davam a VITÓRIA do GOLPE como CERTA, anunciada com antecedência pelo MERVAL que seria um MASSACRE a VOTAÇÃO no STF, prepararam um SHOW de prêmios na DEMÔNIOS FEST do FAUSTÃO, com distribuição de troféus de MELHORES GOLPISTAS 2015, como a VEJA, que MODIFICOU a sua capa com o “Juiz” MORO sendo a PERSONALIDADE do ANO para ser o que SALVOU o ANO dos que NÃO foram PRESOS do DEM, PSDB e PMDB e ainda tiveram seus PROCESSOS ENGAVETADOS, uma grande CONSPIRAÇÃO e TRAIÇÃO denominada de “PATRIOTAS” para esconder os HIPÓCRITAS, também premiariam os aliados da IMPRENSA MONOPOLIZADA do PAÍS, o AÉCIO, o CUNHA, o GILMAR e o traíra TEMER, mesmo ESTANDO ENVOLVIDOS na INSTALAÇÃO do CAOS que ATACOU EMPRESAS que operavam e geravam EMPREGOS com várias OBRAS de INFRAESTRUTURA no PAÍS, clonaram e veicularam repetitivamente palavras de ordem na MÍDIA, como AMIGOS do LULA, CRISE, IMPEACHMENT, INFLAÇÃO… e também envolvidos em CRIMES de EXTORSÃO, TRÁFICO de COCAÍNA, SONEGAÇÃO, VENDA de SENTENÇAS e HABEAS CORPUS JUDICIAIS, que não vem ao caso para a SOCIEDADE ALIENADA pela MÍDIA, portanto se pretendem INICIAR um novo ATAQUE ao PAÍS, serão mais uma vez combatidos pelo POVÃO e em última instância pela intervenção MILITAR que tanto DESEJARAM.

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Renato Chimirri

07 de janeiro de 2016 às 20h28

Com todo o respeito, não gosto do Jornal Imparcial de Araraquara, mas ele não é um jornalzinho. Tem quase 100 anos, tratando um outro órgão de imprensa dessa forma, caro Miguel, vc dá margem para que o PIG lhe chame de disso e daquilo. Na boa, vc errou feio ao chamar o Imparcial de jornalzinho. Afinal, até eu que tenho um “sitezinho” não faço isso. Enfim, é a minha modesta opinião. PS. : sou contra a postura de direita do jornal e gosto de ler o seu blog.

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    O Cafezinho

    07 de janeiro de 2016 às 20h56

    não quis ofender o Jornal Imparcial.

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    O Cafezinho

    07 de janeiro de 2016 às 20h56

    É maneira de falar, um jornal de pequena circulação, de pouca influência nos debates políticos nacionais

    Responder

    Renato Chimirri

    07 de janeiro de 2016 às 20h59

    tudo bem, só achei feio mesmo, pois sou da imprensa do interior de SP e sinceramente já somos “mal tratados”, se é que vc me entende, o suficiente pelo povo da capital que se acha superior, mas tá valendo, todo mundo tem direito a dar suas opiniões, só quis expressar a minha.

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    O Cafezinho

    08 de janeiro de 2016 às 12h30

    Bem, Renato Chimirri, acho que você tem razão. Jornalzinho ficou ofensivo. Cuidarei de não repetir isso.

    Responder

    Renato Chimirri

    08 de janeiro de 2016 às 13h23

    Vc é do bem! Abraços!

    Responder

Julio Gardesani

07 de janeiro de 2016 às 19h56

Amigos do O Cafezinho, estamos procurando apoio na divulgação da censura que o jornal ABCD MAIOR sofreu do Facebook. Não encontrei contato no site e já enviei uma mensagem a vocês.

http://www.abcdmaior.com.br/materias/politica/pagina-do-abcd-maior-e-censurada-no-facebook

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