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‘A quem serve o Banco Central?’

Por Redação

19 de janeiro de 2016 : 06h00

Intelectuais e lideranças da sociedade civil perguntam: O que pretende o BC com a elevação dos juros? Produzir a maior recessão da história brasileira e uma trajetória explosiva da dívida pública, gerando mais desvalorização cambial e mais pressão inflacionária? A quem isso pode interessar?

por Forum 21 e Frente Brasil Popular, no Brasil Debate

Nota de repúdio: ‘A quem serve o Banco Central?’

Intelectuais, professores universitários, jornalistas, lideranças da sociedade civil, sindicalistas e militantes políticos que compõem o Fórum 21 e a Frente Brasil Popular divulgam, nesta segunda-feira, 18/1, uma nota em repúdio à elevação da taxa de juros Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), anunciada para os próximos dias.

O Fórum 21 se define como espaço ecumênico e reflexão da frente democrática e progressista em formação no país, e a Frente Brasil Popular é formada por entidades tradicionais como CUT, MST, UNE, PT, PCdoB e inúmeras outras organizações do campo da esquerda unidas contra a atual ofensiva conservadora.

Segundo a nota, a elevação dos juros “nada contribui para reduzir a inflação, mas é um poderoso mecanismo de transferência de renda da parcela mais pobre e mais produtiva para a parcela mais rica e menos produtiva da população”.

Para as entidades, “uma nova rodada de aumento da taxa de juros significa que o Banco Central almeja abertamente uma contração maior da demanda, mais desemprego e mais redução do salário real médio”.

Os signatários fazem, ainda, a pergunta: O que pretende o Banco Central: produzir a maior recessão da história brasileira e uma trajetória explosiva da dívida pública, gerando mais desvalorização cambial e mais pressão inflacionária? A quem isso pode interessar?

Leia, a seguir, a íntegra:

A quem serve o Banco Central?

Nos próximos dias, os diretores do Banco Central do Brasil se reunirão para decidir sobre a taxa de juros SELIC. Diante da fragilidade da economia brasileira, essa reunião é particularmente importante e deixará claro a quem o BC serve: à população brasileira ou ao mercado financeiro.

Como a própria instituição reconhece em suas publicações, nos últimos meses houve contração da demanda agregada e aumento no desemprego no Brasil. Uma nova rodada de aumento de taxa de juros significa que o Banco Central almeja abertamente uma contração maior da demanda, mais desemprego e mais redução do salário real médio.

O patamar elevado das taxas de juros em 2014 contribuiu para a desaceleração da economia, mas o novo ciclo de elevação de juros iniciado em outubro desse ano jogou o Brasil, em 2015, em uma recessão que ainda não deu mostras de reversão. Ao mesmo tempo, a taxa de inflação aumentou por causa de eventos únicos como a desvalorização cambial e o reajuste abrupto de preços administrados, cujo impacto não vai se repetir, muito menos sobre o núcleo da inflação brasileira.

Não há qualquer pressão de demanda excessiva que exija contenção com elevações da taxa de juros. Pelo contrário, experimentamos a maior recessão desde a Grande Depressão de 1929, podendo tornar-se a mais profunda da história republicana. O aumento acelerado do desemprego inviabiliza qualquer recuperação do salário real médio, que cai há vários meses. Sob qual pretexto o BC pretende reduzir ainda mais o nível de emprego e salários, assim como os lucros de empresas especializadas na produção de bens e serviços?

Os beneficiários exclusivos do aumento de juros são os bancos e investidores financeiros, curiosamente o único grupo cujas expectativas de inflação o Banco Central se preocupa em consultar. Como não há qualquer excesso de demanda que o aumento dos juros possa conter, a determinação dos juros SELIC deixa de servir para controlar a inflação e se transforma em um instrumento para preservar juros reais elevados para os portadores de títulos financeiros.

Isso nada contribui para reduzir a inflação, mas é um poderoso mecanismo de transferência de renda da parcela mais pobre e mais produtiva para a parcela mais rica e menos produtiva da população.

A economia brasileira e as finanças públicas não suportam mais financiar a bolsa-rentista que o Banco Central insiste em oferecer. Em 2015, os juros nominais devidos pelo setor público devem alcançar cerca de R$ 500 bilhões (meio trilhão de reais!), tendo registrado pouco mais de R$ 300 bilhões em 2014. Como exemplo desta situação, vemos um corte brutal nas áreas sociais no orçamento da União.

O que pretende o Banco Central: produzir a maior recessão da história brasileira e uma trajetória explosiva da dívida pública, gerando mais desvalorização cambial e mais pressão inflacionária? A quem isso pode interessar?

É inadiável repensar o mandato do Banco Central e a porta giratória entre sua diretoria e o mercado financeiro.

Diante disso, o Fórum 21 vem a público denunciar a gravidade da situação econômica brasileira e a irresponsabilidade da política monetária do Banco Central do Brasil, reivindicando a redução urgente da taxa de juros SELIC.

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13 comentários

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Zé Damata

20 de janeiro de 2016 às 14h22

Alguém pode explicar qual é o papel dos bancos privados em favor do povo brasileiro? Para mim só sabem capturar nosso dinheiro através de taxas e juros altíssimos, os juros é invenção fracionada do mercado na qual criam dinheiro do nada e os créditos que eles oferecem na verdade é dinheiro que não existe sendo uma forma de escravização do seu trabalho.

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José Ciríaco Pinheiro

19 de janeiro de 2016 às 23h09

Tudo pela casa grande!!!

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Paulo Costa

19 de janeiro de 2016 às 15h21

Absurdo

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Josué Francisco

19 de janeiro de 2016 às 12h52

Como diría certas pérolas do Enem… * servem para centralizar todos os bancos do brasil..***

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Replicante Seletivo

19 de janeiro de 2016 às 12h19

Uma campanha contra este confisco na capacidade de sobrevivência do povo brasileiro. Temos que dar um basta nesta sórdida transferência dos recursos sociais diretamente para o enriquecimento desta parasitose inoperante, que é a elite rentista nacional. Nada mais justifica este sequestro.

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Ivo Vanda Reis

19 de janeiro de 2016 às 11h45

Deveria servir ao Brasil . Mas com tanta gente palpitando, estou achando que ele vai servir a partido político . Banco central deveria ser independente.

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    Leal Jose Newton

    20 de janeiro de 2016 às 10h40

    Boa, entreguem de vez a chave do galinheiro para a raposa. Aí sim é tudo comigo sem dar explicação a nenhum porteiro!

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    Ivo Vanda Reis

    20 de janeiro de 2016 às 12h34

    Eh!!!!!!

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Andre Aquino

19 de janeiro de 2016 às 11h25

Ótimo post. A população não é tratada como prioridade, infelizmente

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Irion

19 de janeiro de 2016 às 08h56

Seus diretores devem estar de olho nas sinecuras do Banco Mundial, daí os juros na estratosfera. O Banco Central deveria ser estatizado!

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    Vitor

    19 de janeiro de 2016 às 11h16

    Ironia ou completa ignorância? Ó dúvida cruel…

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Grace De Moura

19 de janeiro de 2016 às 10h49

Ao capital especulativo

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Vitor

19 de janeiro de 2016 às 07h20

Não é possível que vcs realmente achem normal CUT, MST, UNE, PT, PCdoB assinarem a nota.
Sério? Não percebem o quão ridículo é isso?
Vou contar uma novidade para vocês, mas não contem para ninguém que é segredo, ok? Marina Silva não ganhou a última eleição. O Bacen não é independente! Shhhhhhh…

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