Live com Miguel do Rosário (convidado especial: Luiz Moreira)

Conspirações ampliam ataques ao PT, mas conjuntura é boa

Por Miguel do Rosário

22 de janeiro de 2016 : 19h04

Análise Diária de Conjuntura – Tarde – 22/01/2016

(Vou liberar esta análise também, excepcionalmente)

Antes tínhamos uma conspiração midiático-judicial, a Lava Jato. Agora são duas, já que a Zelotes passou pela mais bizarra transformação que uma investigação já experimentou, quiçá em toda a história do mundo.

Antes era uma operação que investigava monstruosos esquemas de corrupção fiscal de grandes bancos, indústrias e empresas de mídia. A Polícia Federal elaborou um calhamaço de 500 páginas, com escutas e pedidos de prisão preventiva. A mídia ignorava. Quando um deputado petista criou uma comissão para acompanhar a Zelotes, e a imprensa alternativa começou a dar destaque à operação, a Folha publicou uma reportagem dizendo que o objetivo do PT era usar a Zelotes para abafar a Lava-Jato, como se um país com 205 milhões de habitantes pudesse ter apenas uma operação contra a corrupção de cada vez.

Mas aí a PF e o Judiciário entenderam o recado. E mudaram completamente a Zelotes. Nenhum empresário foi convocado. E a operação passou a investigar filho de Lula, amigo de Lula e o Lula. Tornou-se uma operação que visa alimentar a mídia com notícias onde o nome de Lula aparece sempre no título.

AMIGO DE LULA É INVESTIGADO

AMIGO DE LULA É PRESO

AMIGO DE LULA SE NEGA A DELATAR LULA

FILHO DE LULA RECEBEU DINHEIRO DE LOBISTA

E por aí vai.

Ou seja, tornou-se mais uma conspiração midiático-judicial. Mais um sorvedouro de dinheiro público, com objetivo de desestabilizar o governo e prejudicar o país.

Daí que você entra no site do Globo e está lá, na manchete principal:

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É tudo feito com muita esperteza. A filha de Serra recebeu dezenas de milhões de reais em negócios relâmpago. O filho de FHC ganhou pelo menos R$ 14 milhões do governo federal para organizar uma feira na Alemanha. O dinheiro foi usado para contratar uma empresa pertencente à filha do então senador Jorge Bornhausen, presidente do partido aliado ao governo. Ninguém jamais falou nada. Ninguém investigou.

Repare que a manchete já é uma condenação em si. Primeiro porque tenta associar à Lula a imagem do presidente que “não sabia” de nada. Segundo porque diz que filho de Lula “recebeu” R$ 2,5 milhões, ou seja, ele não trabalhou, não assinou um contrato, ele “recebeu”. Terceiro que o pagador é chamado não de empresário, mas somente de “lobista”, um nome coringa que se usa sempre que se quer criminalizar alguém.

Um detalhe interessante que uma fonte de Brasília me contou há pouco: o delegado responsável pela Zelotes, Marlon Cajado, é primo de Claudio Cajado, deputado federal pelo DEM da Bahia, e ardoroso defensor do impeachment da presidenta.

O Globo então aproveita para dar vazão ao depoimento de Milton Pascowitch, contra José Dirceu. E dá-lhe histórias sobre Dirceu. Não importa prova, nada. Dirceu gastava tanto, comprou apartamento pra filha de Dirceu, reformou casa etc.

É incrível que uma figura que a Lava Jato e a mídia mostram como o chefe do mensalão e um dos chefes do petrolão, precisava de ajuda para reformar a casa, uma habitação simples no interior de São Paulo, e adquirir um imóvel para sua filha…

Realmente, Dirceu é o caso do corrupto mais fracassado da história da humanidade. Não tem dinheiro nem para reformar a casa e ainda é preso mesmo já estando preso.

Que homem poderoso, hein?

Enquanto isso, o chefe da Lava Jato, o procurador Dalton Dallagnol, perde as estribeiras e afirma que Marcelo Odebrecht deveria pegar 2 mil anos de prisão.

Dois mil anos!

Por que esse descontrole?

Simples. Porque os advogados de Marcelo entenderam que é preciso fazer a batalha de comunicação, e estão fazendo.

Enquanto isso, o tesoureiro do PT, João Vaccari, é defendido por Flavio D’Urso, ex-presidente da OAB São Paulo, e um dos advogados mais reacionários do país. D’Urso jamais participará de uma batalha de comunicação em prol de seu cliente. É mais provável o contrário. Deve pegar o pouco dinheiro que Vaccari tem, ou mesmo dinheiro do diretório do PT-SP, e gastar à noite com noitadas de uísque com seus amigos reaças, rindo da desgraça do PT, troçando de seu próprio cliente.

Independente disso, porém, a conjuntura não está de todo má.

Na verdade, fora do universo golpista da mídia, vemos a presidenta recuperando forças e ampliando o seu arco de apoios.

Fontes do blog no Senado estão otimistas com 2016, e não porque será um ano fácil, mas porque não será, nem de longe, tão difícil como 2015.

Dilma parece ter entendido que precisa estar mais presente no dia a dia da política, articulando pessoalmente a defesa de seu governo.

A reunião da Executiva Nacional do PDT criou um fato político importante para a presidenta.

Os caciques políticos do partido e seus militantes cantaram, na presença de Dilma, a música da resistência: “nãããooo vai ter gooolpe”, e seu presidente, Carlos Lupi, afirmou categoricamente que seu partido participará da luta contra o impeachment.

O PDT tem 25 deputados e 4 senadores e, mais que isso, é um partido respeitado na Câmara e na sociedade, por sua história de luta pela democracia. Tem prefeituras, deputados estaduais, vereadores. As importantes prefeituras de Porto Alegre e Curitiba são administradas por filiados ao PDT, José Fortunati e Gustavo Fruet, e ambos já se declararam enfaticamente contra o impeachment e contra qualquer tipo de manobra para encurtar o mandato de Dilma Rousseff.

A presidenta deu entrevista hoje à Folha, dando um recado à oposição, pedindo um mínimo de união em prol dos grandes interesses nacionais.

Foi uma entrevista boa, em que ela conseguiu, sem querer, encaixar uma imagem que entrará para a história.

Perguntada sobre a acusação de Eduardo Cunha, de que o Planalto controlava o Ministério Público Federal, Dilma levanta-se, dá dois passos e fala com um sorriso tímido: então eu sou muito incompetente em matéria de controle, né?

Sim, porque aí está justamente o principal mérito de Dilma: ela é uma republicana radical, e que respeita profundamente a independência das outras instituições.

Sobre a entrevista à Folha, porém, acho pouco ético a presidenta, que deveria prestar conta a todos os brasileiros, ficar escrevendo artigo e dando entrevista para um site cujo conteúdo é fechado para assinantes.

Não tenho nada contra vender conteúdo para assinantes, já que eu mesmo o faço, e o Cafezinho não sobreviveria sem assinaturas.

Mas seria um absurdo, por exemplo, a Dilma conceder entrevista ao Cafezinho e a entrevista ficar disponsível somente aos assinantes.

Isso é usar o cargo público para beneficiar um grupo privado.

O Planalto, a despeito das críticas do mundo inteiro, de que precisa reforçar sua estratégia de comunicação, continua tímido.

A presidenta encerrou, há mais de um ano, o Café com a Presidenta, o único canal direto de comunicação entre ela e o público, e que era distribuído para milhares de rádios Brasil a fora, e nunca o substituiu por nada novo.

O Café com a Presidenta, por ser apenas áudio, e não vídeo, já era atrasado. Ao invés de modernizar, criando um programa de TV, para ser distribuído para todo país, Dilma deu um passo atrás, derrubando o único elo que possuía entre o Planalto e o povo.

Não usa a EBC, não usa a TV Brasil, não presta contas de nada. Desistiu de falar na TV no primeiro de maio com a desculpa de que usaria mais a internet.

Não usou. Fugiu da TV e fugiu da internet.

A sua aprovação despencou, e o máximo que ela faz é dar entrevista ao Jô Soares, na Globo, para ser exibida às três horas da manhã, ou para a Folha, só para assinantes.

Em entrevista aos blogueiros, Lula comentou que Dilma concedeu aumento para o salário mínimo, aos aposentados, elevou o piso nacional dos professores, e não comunica isso a seus eleitores.

Mobilidade urbana? Planos para educação? Novas parcerias estratégicas?

Nada.

O povo brasileiro espera, ansioso, que o governo ofereça perspectivas e esperanças, sobretudo diante da tortura diária a que é submetido por uma mídia que usa todas as suas poderosas armas para lhe roubar a esperança, a alegria, os sonhos.

Uma melhor comunicação com o povo é uma obrigação democrática da presidenta, além de condição necessária para melhorar sua aprovação, estabilizar seu governo, subsidiar sua base parlamentar com informações, instruir sua militância nas lutas diuturnas que esta faz em sua defesa, e, por fim, para tranquilizar investidores e empresariado, que só respeitam uma presidenta que obter um mínimo de estabilidade política e aprovação popular.

Apesar, porém, da incompreensível recusa de Dilma em aprimorar sua comunicação, apesar da histeria cada vez mais aguda da mídia, e do golpismo cada vez mais latente das conspirações midiático-judiciais, a conjuntura está melhorando bastante.

Para completar esse quadro de melhora, Leonardo Quintão, antigo opositor de Leonardo Picciani, acaba de declarar que apoiará Picciani contra Hugo Mota, atual candidato de Eduardo Cunha, para o cargo de liderança do PMDB.

É a pá de cal no golpe!

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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26 comentários

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Flauberto Flauberto De Medeiros

23 de janeiro de 2016 às 21h08

Dilma Rousseff à rainha soberana das americas ate 2018.

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Roberto Campos

23 de janeiro de 2016 às 14h07

Golpe e essa quadrilha do pt pmdb no comando…

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Marcos Capanema

23 de janeiro de 2016 às 12h02

Globo comunista , jornalistas comunistas coniventes com este governo que aí está . nunca na história deste país houve tanta corrupção. Pt tenta desesperadamente amordaçar congresso , senado , imprensa , redes sociais, polícia federal e implantar no Brasil o comunismo hediondo e tão sonhado pela esquerda caviar que só anda de jatinho.

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    Hell Back

    23 de janeiro de 2016 às 11h34

    Nossa! Parece que você esqueceu de tomar o seu remedinho. rsrsrs

    Responder

    Celso Junqueira

    23 de janeiro de 2016 às 12h59

    Ôh turminha incompetente essa do PT. Há uns vinte anos escuto e leio que vão botar o comunismo e coisa e tal e até agora… nada. Nunca os banqueiros ganharam tanto dinheiro, nunca os empresários ganharam tanto, nunca se vendeu tanto no comércio e indústria e… o Brasil vai virar um país comunista. Pôrra, acordem!! Nós estamos no século 21, ano de 2015. Não estamos nos anos 50 do século passado. Caraca, quanta ignorância, sô…

    Responder

    Leandro stracke

    23 de janeiro de 2016 às 18h14

    Tomou rivotril hoje cara ,ESTA COM MEDO DE SER PRESO ,NUNCA NESTE BRASIL LOUCOS COMO VC TIVERAM TANTO MEDO DE SEREM PRESOS POR ALGUM MAL FEITO KKKKK.

    Responder

J Stélio Carvalho

23 de janeiro de 2016 às 09h56

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Cláudio Vieira Vieira

23 de janeiro de 2016 às 04h36

#GloboGolpista

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Tito Santos

23 de janeiro de 2016 às 02h57

Dilma fica,,!

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Ritalo Santiago

23 de janeiro de 2016 às 00h28

governo e PT tem que ir para a comunicacao. pois a justica , a policia, a midia faz politica sao as oposicoes. entao faça politica é a unica salvacao. nao espera republicanismo desses setores.

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    Marcos Capanema

    23 de janeiro de 2016 às 11h31

    Pteatro ptistas são zumbis alienados e sem cérebro usam uma línguagem retórica . E quando usa linguagem técnica pra parecer intelectual não diz absolutamente nada , por que o cérebro derreteu com a doutrinação hipinotica marxista.

    Responder

      Hell Back

      23 de janeiro de 2016 às 11h39

      “hipinotica” ???? Além de consultar um psiquiatra urgente, você está precisando de um dicionário. rsrsrs

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    Marcos Capanema

    23 de janeiro de 2016 às 12h03

    Política suja pt sempre fez , fique sossegada.

    Responder

Marijo Bueno

23 de janeiro de 2016 às 00h02

A petrobras nao vai patrocinar.o grande premio da lormula 1, entao a globolixo nao vai ganhar os milhoes.Ela vai aprontar

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Diogo Scobee Marra

22 de janeiro de 2016 às 23h48

Que dó!!!!
Coitado do santíssimo PT.

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Sara Souza

22 de janeiro de 2016 às 23h41

Lula e Dilma passarinhos!

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Cicero Magalhães

22 de janeiro de 2016 às 22h19

O bombardeio é diário no Jornal Nacional.

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Alirio Muniz

22 de janeiro de 2016 às 21h38

dillma vai cair…

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Rosa Nunes

22 de janeiro de 2016 às 21h33

Tô preocupada é com Lula Dilma que se dane Parece sofrer de síndrome de Estocolmo

Responder

Maria

22 de janeiro de 2016 às 19h24

Seu observatório está bom.

Há uma fermentação de pessoas melhores contra o golpe, (Golpe agora não é mais o impedimento, é o golpeLavajato) juristas melhores, deputados melhores, jornalistas melhores, militantes melhores.

Muitas peças se moveram e outras devem se mover em breve, quando o recesso terminar.

A lista do HSBC será reaberta, segundo li.

Agora, essa entrevista do Dallagnol para a Band….que coisa, hein…..como podem?!

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Marcia Campelo de Oliveira

22 de janeiro de 2016 às 21h23

Não passarão

Responder

Cristiano Penha

22 de janeiro de 2016 às 21h14

A IRRACIONALIDADE DO ÓDIO

Se a verdadeira razão do ódio ao PT e ás esquerdas em geral fosse a corrupção, veríamos reações parecidas contra escândalos do PSDB, DEM, PMDB e outros. Isso não acontece por que a corrupção nunca foi objeto de protestos da elite e da classe média, notadamente as classes mais sonegadoras e corruptas, que sempre estiveram ligadas ao Estado brasileiro das formas mais obscuras. A corrupção é histórica e nunca foi tão combatida quanto nos últimos anos justamente pelo fato do atual governo ter dado autonomia e instrumentos aos órgãos de investigação. Nossa mídia, ligada às elites, que sempre dependeu do Estado através de favores e verbas de publicidade, passou a ter um comportamento muito mais crítico neste governo, coisa que nunca acontecia em governos da direita. O maior combate a corrupção e cobertura da imprensa, criaram a falsa impressão de que esse problema aumentou quando na verdade ele apenas ficou evidente e de como funciona nosso sistema político podre. Teria sido melhor eleger um partido que nunca deu autonomia para o MPF e PF quando governou? Ou o candidato que já apareceu várias vezes na Lava Jato em delações que o acusam de receber propina, sem que a imprensa desse grande destaque? Se o ódio é pela corrupção, por que não protestar contra a corrupção de todos? E não só de agentes políticos, mas de empresários, banqueiros, da mídia, dos sonegadores, da população em geral em seus pequenos delitos. Não se acaba com esse problema atacando apenas um partido.

Será que se explica esse ódio pela paranoia do comunismo ou socialismo? Quem conhece o programa do PT, sabe que de comunista não há nada. Nunca ninguém falou em expropriação da propriedade privada e do Estado controlando tudo. O que se tem na verdade é um programa social desenvolvimentista, que acredita que o Estado deve atuar para atenuar desigualdades, criar igualdade de oportunidades, manter um sistema público e universal de saúde e educação, induzir o crescimento e o desenvolvimento sem abrir mão da soberania nacional. Conceitos que a maioria da população defende e utiliza na prática sem se atentar para isso. Será que a maioria da população defende o fim do SUS, um sistema socializado de saúde, que atende milhões todos os anos, até das classes mais altas, quando estas precisam do serviço do SAMU, medicamentos de alto custo, vacinas ou transplantes, por exemplo? Será que defendem a privatização das universidades públicas gratuitas onde seus filhos estudam? Ou do fim dos subsídios e desonerações dados à agricultura e às empresas? O grande problema das pessoas é direcionar o ódio e a revolta ao PT ao invés de lutar por uma Reforma Tributária que tribute mais a renda e o patrimônio, principalmente dos mais ricos, ao invés do consumo e da produção como é hoje. É criticar as políticas e os gastos sociais do governo, ao invés de protestar contra as taxas de juros elevadas que o mercado exige e que os bancos cobram da população e do setor produtivo. É acreditar cegamente em partidos ou políticos que governaram esse país por muito tempo, implantando uma agenda neoliberal, que só favorece uma minoria e enfraquece o país perante o mundo, tornando um mero quintal dos países desenvolvidos.

Na verdade, o ódio vem da ascensão social de milhões, da elevação do salário mínimo e consequentemente o rendimento das classes pobres e médias baixas, do aumento significativo de alunos pobres nas universidades públicas, do fim das escravas domésticas, do aumento da oportunidade aos que nunca tiveram, através do direcionamento do orçamento público para as camadas mais pobres. A classe média, mesmo com ganhos reais significativos no governo petista, não suporta conviver no mesmo espaço com gente “de baixo”, seja nas universidades, nos aeroportos ou shoppings. O ódio é ainda maior quando ela vê que seus filhos vão disputar não apenas vagas nas universidades públicas, mas os empregos cada vez mais escassos num mundo dominado pela lógica neoliberal. Na elite, que também continuou ganhando muito, permanece a lógica da Casa Grande e Senzala. A mídia é seu instrumento de convencimento e manipulação das outras classes e o Brasil é apenas uma grande colônia de onde buscam retirar o máximo para aproveitarem suas vidas bem longe daqui, enquanto pobres e a classe média reproduzem seu discurso de ódio e as teses que mantiveram esse país no atraso por séculos.

Ninguém aqui está dizendo que esse governo foi perfeito, não errou na economia, na política ou na corrupção. Mas ninguém pode negar, através de qualquer estatística social ou econômica, que o Brasil deu um salto impressionante nesses 13 anos de governo da esquerda, inclusive na transparência e no combate à corrupção. Ninguém nega que o mundo vive uma grave crise desde 2008 e que o Brasil foi muito afetado por ser um dos maiores exportadores de commodities, que não param de cair e um dos maiores produtores de petróleo, cujo setor responde por 13% do PIB. Que os chamados “erros” cometidos pelo governo, que na época foram defendidos por empresários como as quedas de energia, desonerações, empréstimos subsidiados, foram políticas realizadas com o objetivo de manter o emprego e o crescimento num cenário completamente desfavorável. Cenário que continua se deteriorando, tanto externamente quanto internamente com a crise política criada por golpistas e corruptos que buscam tomar o poder para encerrar investigações. As expectativas econômicas vem se deteriorando fortemente nos últimos anos, principalmente após as manifestações de junho de 2013, não pelas medidas que o governo tomou para estimular a economia, mas pelo pessimismo e catastrofismo diário propagado e pelos efeitos da crise mundial. Se apenas um ajuste fiscal recuperasse expectativas e consequentemente a economia, já estaríamos crescendo após um ano dessas políticas. Diante desse cenário, é preciso que o governo recupere seu protagonismo, deixe de ser um escravo dos mercados financeiros e crie, através de suas políticas e seus instrumentos, a demanda que vai reativar a economia, primordialmente através do investimento em infraestrutura. É preciso avançar em reformas estruturais como a tributária, previdenciária e política. Mas para tudo isso ocorrer, é preciso em primeiro lugar vencer o ódio, a hipocrisia e o golpe, que tem o objetivo puro e simples de destruir todos os inegáveis avanços dos últimos 13 anos.

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