Os pedalinhos de Atibaia e o triplex ilegal da Globo em Paraty

Análise Diária de Conjuntura – 02/03/2016

Milady, é perigoso contemplá-la!

Os versos de Cesario Verde, que o escritor Reinaldo Moraes ajudou a popularizar, ao citá-los repetidamente em seu último romance, me parecem se aplicar facilmente à Vênus Platinada.

É perigoso assistir à Globo, porque você pode ser manipulado. E isso não é brincadeira: assim como os melhores nadadores são os que mais se afogam, as pessoas ditas mais informadas, com mais veleidades intelectuais, costumam ser as mais vulneráveis às manipulações.

É perigoso contestar a Globo, porque você pode ser taxado de subversivo, defensor de bandidos, petralha, comunista, etc.

É perigoso, por fim, investigar a Globo, porque você pode sofrer uma agressão judicial por parte da família mais poderosa e mais rica do país.

Milady, é tão perigoso contemplá-la!

Entretanto, a Vênus, mais uma vez, sangrou.

Ou seja, mostrou que, por trás de sua fachada imperial, olímpica, existe uma dimensão demasiadamente humana, sobretudo aquela parte humana vinculada à corrupção, à evasão de divisas e à ocultação de propriedade.

Nesta análise, tenho a honra de poder afirmar que o conteúdo da blogosfera agora “fez diferença”. A conjuntura política, hoje, está afetada pelos blogs.

As últimas reportagens do Tijolaço bem poderiam ganhar um prêmio de jornalismo, não fossem todos os prêmios hoje apenas cerimônias hipócritas de validação do status quo midiático.

O Cafezinho deu humilde contribuição, ao informar que, segundo a ficha constante no prêmio Dedalo Minosse 2011, o nome da contratante do arquiteto que construiu a mansão na praia de Santa Rita, Paraty, era o mesmo da neta de Roberto Marinho: Paula Marinho Azevedo.

Touché!

O Tijolaço achou a ligação direta entre a mansão em Paraty, construída em área de preservação ambiental (não esqueçam disso) e os Marinho.

A empresa FN5 Participações, de João Roberto Marinho e sua filha, Paula Marinho (ex-Paula Marinho Azevedo), está situada no endereço rua Bulhões Carvalho 296, sala 601.

É o mesmo endereço da Agropecuária Veine, proprietária nominal da Paraty House.

As ligações entre os Marinho e as empresas de fachada coligadas ou associadas, no Brasil e no exterior, à Agropecuária Veine, são inúmeras.

Não há mais dúvida, creio eu, que o “triplex” em Paraty pertence à família Marinho e, consequentemente, por metonímia, também pertence à Globo.

Ou seja, as notificações extrajudiciais enviadas aos blogs, inclusive a este, caducaram em poucos dias.

Para mim, a Globo disse que “(…) não tem relação societária, ou de qualquer outra espécie, direta ou indireta, com a Agropecuária Veine, com a Mossack Fonseca, ou qualquer outra empresa ou pessoa ali apontada.”

Para o DCM, a Globo disse que “(…) a casa em questão e as empresas citadas na matéria não pertencem, direta ou indiretamente, ao notificante ou a qualquer um dos demais integrantes da família Marinho.”

Ambas as notificações, portanto, são, elas sim, inverídicas e falaciosas.

A Globo tem relações variadas com a Agropecuária Veine.

É a Veine, por sua vez, tem relações com a Brasif, a empresa de Jonas Barcello usada por Fernando Henrique para enviar dinheiro a sua ex amante.

E a casa em Paraty pertence, concretamente, a integrantes da família Marinho – o que explica, aliás, serem eles os únicos a frequentá-la.

A conjuntura hoje tem outros pontos importantes. Eduardo Cunha voltou a ficar na berlinda. O conselho de ética aprovou, ontem, por 11 votos a 10, a continuidade do processo de cassação do deputado por quebra de decoro.

E o STF julga hoje se deve ordenar ou não o afastamento do deputado da presidência da Câmara.

Ah, há também a história dos pedalinhos. A Globo, em especial, tenta transformar cada detalhe sobre o sítio de Atibaia num factoide político contra Lula, mas o caso já começou a rebater de volta na própria Globo, em virtude de suas características algo ridículas.

Cesario Verde alertava milady sobre os riscos da soberba:

Mas cuidado, milady, não se afoite (…)
que os povos humilhados, pela noite,
para a vingança aguçam os punhais.

***

Comunicado: Já começamos uma série de reformas estruturais no blog para deixá-lo mais leve e dar fim à instabilidade e aos malditos “erros de banco de dados”. Vou deixar as análises livres enquanto não resolvemos isso.

Miguel do Rosário: Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
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