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A lógica de Temer: governarei com os ratos sim, mas escondidos no submundo do legislativo

Por Tadeu Porto

24 de maio de 2016 : 15h34

Por Tadeu Porto, colunista do Blog O Cafezinho*

Romero Jucá foi rifado do executivo federal. Era de se esperar pois o áudio vazado para a Folha de São Paulo é tão destruidor e inexplicável que a globo teve que pedir a cabeça dele, juntamente com os “liberais”, para tentar dar sobrevida a falsa legitimidade do presidente interino.

Ok, O ministro do planejamento provisório foi pego com a boca na botija e saiu. Mas e aí, o que acontecerá com ele daqui para frente? Pra onde ele vai? Oras, parece um pouco óbvio, vai pro lugar no qual parece não existir as devidas cobranças e responsabilidades: o parlamento.

Local onde Eduardo Cunha, Zezé Perrella, Paulo Maluf, Cássio Cunha Lima e agora de volta o próprio Romero Jucá são parlamentares expressivos para trabalhar com tomadas de decisões importantes que tocam os principais problemas do país.

Logo o poder que é crucial para as reformas que o Brasil tanto precisa. E não falo aqui das mudanças fabricadas pelo usurpador (como a previdência), falo de uma reforma política para otimizar a representatividade, uma tributação que seja mais justa com o povo e melhorias urbanas e rurais a altura dos serviços públicos necessários para suprir a população com qualidade.

Sabemos que o Brasil tem um problema sério de saneamento básico, que tira vidas de milhares de pessoas nas regiões mais pobres, e precisa que muita atenção e cuidado. Todavia, da maneira que o país se organiza atualmente – trabalhando exclusivamente para minimizar a crise da burguesia – o primeiro esgoto a ser tratado precisa ser o legislativo (tá certo, com o judiciário desse jeito fica difícil definir mas vou com o parlamento).

Coisa que Temer, por questão de sobrevivência, não quer e nem vai fazer.

Na mais absurda lógica que vivemos na nossa “harmonia entre poderes”, que a mídia tradicional não questiona pois está com o corpo inteiro na estrutura desigual, o presidente interino “exonerou” o seu ministro do planejamento (vale lembrar que além do áudio tramando a queda ilícita da presidenta Dilma Jucá é investigado e teve os sigilos quebrados pelo STF recentemente) e ressaltou a importância dele no senado, casa fundamental para a República, como se um senador pudesse ser amoral, enquanto um ministro deveria que ser íntegro.

Resumindo: Jucá não é bom para o governo no executivo mas serve muito bem no legislativo, pois ele poderá voltar a realizar o jogo da coalizão (que afundou o país) sem ninguém encher a paciência dele.

Não obstante a prática de mandar os ratos para legislar, Temer, com toda a tranquilidade que a imprensa golpista lhe oferece, confirma com todas as letras: fico envaidecido ao dizerem que pratico o semiparlamentarismo.

Como alguém pode se orgulhar de utilizar um sistema de governo de um tipo parlamentarista, onde a casa legislativa tem o presidente da câmara afastado pelo judiciário e o líder do governo é réu e acusado de tentativa de homicídio? Que ser humano em sã consciência ética consegue se ensoberbecer por utilizar partidos de base que tem como presidentes figuras tais quais Aécio Neves “todo mundo sabe do meu esquema” no PSDB, José Agripino “estratégia de lavagens de dinheiro” no DEM e o próprio Jucá “vamos parar a sangria da Lava-Jato” no PMDB?

O que envaidece Michel Temer envergonha todos os dias qualquer brasileiro ou brasileira que veja e entenda, por alguns segundos, como funciona o pilar da República que elabora as leis com base em interesses próprios e, quando chega a pensar em terceiros, contempla a elite econômica que concentra as riquezas nacionais.

Isso só é possível num governo interino que se comporta como monarquia, com um presidente sem voto que, blindado pela imprensa tradicional, se comporta como líder popular. Enfim, isso só é possível num país onde os ratos governam como leões protegidos por um golpe de Estado.

*Tadeu Porto [twitter: @tadeuporto] é Diretor do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF).

Tadeu Porto

Colunista do Cafezinho e diretor da Federação Única dos Petroleiros e do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense.

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1 comentário

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Antonio Paulo Costa Carvalho

24 de maio de 2016 às 17h28

PROTEGIDOS PELO SUPREMO. A HISTÓRIA NÃO ABSOLVERÁ.

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