Análise em vídeo das manifestações do 2 de outubro e as vaias a Ciro

Janot aponta que Temer teria recebido doação suspeita da OAS; Folha prefere esconder

Por Miguel do Rosário

06 de junho de 2016 : 14h40

Charge: Ribs

Por Leonardo Miazzo, editor geral do Cafezinho

Os malabarismos que a grande imprensa pratica para esconder os (muitos) podres do governo Temer chegam a ser comoventes. Hoje, a Folha de S.Paulo publica reportagem noticiando que o Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, chegou à conclusão de que o ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, atuou em favor da OAS no Congresso, em troca de financiamento para sua campanha ao governo do Rio Grande do Norte, em 2014.

O esquema teria, claro, a participação do fantasma Eduardo Cunha.

O jornal dedicou 15 parágrafos a essa denúncia. E apenas lá no final – sem alarde, quase de modo constrangido – há uma citação a Michel Temer. Diz a Folha que o presidente interino também aparece no pedido de inquérito apresentado por Janot. O PGR fala sobre o pagamento de R$ 5 milhões que Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, teria feito a Temer, que, em contrapartida, teria facilitado à empreiteira a obtenção da concessão do Aeroporto de Guarulhos.

Outros nomes significativos do governo, como Geddel Lima e Moreira Franco, também são citados.

Chega a ser patética a tentativa dos veículos da grande mídia de abafar as denúncias contra Temer. Contra Dilma, qualquer meia delação vira um novo mandamento divino; contra Temer, nada é tão sério que mereça destaque na primeira página. Ou na chamada do Jornal Nacional.

Aliás, depois da tentativa de diminuir o impacto dos áudios em que Jucá provava de modo irrefutável que o impeachment de Dilma é um golpe para salvar os corruptos, nada mais nos surpreende.

Fato é que, mais uma vez, a imprensa chapa-branca entra em cena para proteger Temer e atacar um ou outro bode expiatório.

Tudo para salvar o líder do golpe.

 [:es]O

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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7 comentários

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nico assange

06 de junho de 2016 às 21h44

Contrato do Senador Clesio de Andrade com um instituto Brasiliense , não é suspeição.

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Maria Aparecida Lacerda Jubé

06 de junho de 2016 às 19h58

Com o polpudo aumento em seus salários e mordomias, fica claro que os ministros não têm a menor pretensão de investigar Temer, até porque, com Temer no poder, pelos próximos dois anos, eles têm aumentos salariais garantidos.

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João Bosco

06 de junho de 2016 às 16h48

O problema é que o temer não tem mais condições de demitir envolvidos na lava jato. Ele teria que se demitir.

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Pedro Pedro

06 de junho de 2016 às 16h30

Caro Antônio Paulo, não há lerdeza, pois, os ministrecos são associados, portanto, apenas cumprem o cronograma estabelecido há mais de 10 anos.

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Antonio Paulo Costa Carvalho

06 de junho de 2016 às 15h56

O que surpreende é a lerdeza do Supremo quando deveria de imediato prender mais de 300 deputados fede-rais. Um covil de ladrões colocando a raposa no topo do país auxiliados por outras tantas raposas sedentas de dinheiro. Nenhuma racionalidade em termos de nação. Então o melhor buscar na irracionalidade uma solução, pq CF virou uma piada na mão dos que só sabem enlamear a mão.

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    Octavio Filho

    06 de junho de 2016 às 17h55

    A mão deles está é cheia de grana.

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gilberto

06 de junho de 2016 às 15h23

Tenho plena convicção de que acertei em cheio quando encerrei minha assinatura de quase três décadas com a Folha. Imaginava que seria impossível romper a relação, mas, após um ano e meio sem sequer tocar em referido jornal, posso afirmar que estou desintoxicado, pois hoje me sinto bem melhor.

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