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Os ratos e o fascismo

Por Miguel do Rosário

06 de junho de 2016 : 16h23

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Análise Diária de Conjuntura – 06/06/2016

A agenda política, previsivelmente, continua dominada pela dobradinha Lava-Jato X grande mídia. É a mesma dobradinha por trás do golpe e a mesma que mantém o governo Temer sob controle estrito: sua orientação precisa continuar sendo absolutamente neoliberal, sem a mínima preocupação com aprovação popular ou condição social do povo brasileiro. Tanto é assim que, estrategicamente, os institutos de pesquisa estão paralisados há dois meses.

Algumas manchetes de hoje:

“Segundo Lava Jato, Odebrecht provará caixa 2 para Dilma”

“Em ofensiva contra o PT, Temer escolhe Nordeste para 1ª viagem oficial”

“Dilma me sacaneou, diz Cerveró, em vídeo, sobre caso Pasadena”

“Sem agenda, Dilma Rousseff vira habitué das redes sociais”

“Ministro do Turismo recebeu recurso do petrolão, diz Janot”

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Todas as notícias mostram um país dominado pelos coturnos da Procuradoria Geral da República, de um lado, e da Globo, de outro.

A turma que assaltou o poder, num golpe de Estado disfarçado de impeachment, são tratados pelos verdadeiros donos do poder, essa simbiose sociológica entre a alta burocracia e a plutocracia midiática, como ratinhos de laboratório.

Os vazamentos e denúncias servem como pequenos ou grandes choques elétricos que obrigam os ratinhos a se dirigirem obedientemente ao local desejado.

Em Psicologia de Massas do Fascismo, William Reich, há alguns argumentos que servem para analisar o que acontece hoje no Brasil.

Segundo Reich, o fascismo foi um fenômeno tipicamente de classe média, um setor social que, “não possuindo os principais meios de produção nem trabalhando neles, (…) oscila invariavelmente entre o capital e os trabalhadores”.

É uma síntese genial sobre a volatilidade ideológica da classe média e responde exatamente ao que ocorre no Brasil.

Reich acusa a esquerda europeia de ter cometido o erro trágico de não enxergar a importância da classe média enquanto uma força determinante nos rumos da história do mundo ocidental.

Acho que a observação é válida para a nossa esquerda, em especial a chamada esquerda organizada, partidária, que governou o país nos últimos 13 anos. Ela não viu que, na medida em que o crescimento econômico e o processo de distribuição de renda, ampliava aceleradamente a participação da classe média na composição social da população brasileira, isso ativava uma mudança profunda na estrutura psicológica da opinião pública.

Antes, a classe média participava da opinião pública de maneira totalmente mediada por um grupo restrito de formadores de opinião. Em especial o período que sucedeu a ditadura, tínhamos uma classe média elitizada, culta, liberal, que oscilava entre PT e PSDB, ou seja, tinha suas contradições, mas que partilhava, entre si, alguns valores culturais que a afastavam da “massa ignara”.

Com Lula e Dilma, a classe média se torna a própria “massa ignara”, por causa do fenômeno saudável do crescimento e da distribuição. Entretanto, sem lideranças, com um governo ainda voltado para um discurso político voltado exclusivamente para os mais pobres, essa classe média se tornou uma força desorientada e agressiva, facilmente manipulável por um poderoso instrumento de dominação: a grande mídia.

Em Mein Kampf, Hitler escrevia, sobre o “espírito do povo” (mas pensando na classe média alemã), que ele “sempre foi uma simples descarga daquilo que se foi incutindo na opinião pública a partir de cima”.

A classe média é particularmente sensível à imagem. Sente-se melhor sob o governo Temer, mesmo sabendo que a maioria de seus ministros são denunciados por corrupção, incluindo o próprio presidente, do que sob Dilma, porque a “imagem” de Dilma e de seu partido, estavam muito comprometidas.

É uma classe média que, além disso, tem um profundo fetiche pela autoridade estatal, como se viu nas “selfies” que os coxinhas faziam com policiais, tirando fotos até mesmo de dentro dos famigerados e sinistros caveirões, que carregam histórias macabras de homicídios na periferia.

Esse fetiche se traduz, naturalmente, no apoio fanático ao juiz Sergio Moro e à Lava Jato, mesmo com todos os notórios e sistemáticos arbítrios perpetrados pela operação.

Além disso, há um aspecto bastante interessante na Lava Jato, tão interessante que ficamos até desconfiados se não há mesmo um planejamento meticuloso de tudo isso.

Para ganhar a classe média, os nazistas alemãs fizeram campanhas, nos primeiros anos (depois abandonaram a estratégia, que era apenas uma jogada populista), contra as grandes empresas alemãs.

A prisão de grandes empreiteiros constituiu uma jogada brilhante do golpe, e brilhante porque constitui uma aparente contradição: o grande capital, a plutocracia, em nome do poder, prende grandes capitalistas.

Ora, evidentemente se trata de uma manipulação. Não se prende todos os grandes capitalistas, apenas aqueles que ousaram agir com independência em relação às diretrizes centrais do imperialismo.

Não é difícil enxergar para onde estamos indo: os verdadeiros conspiradores não estão no governo interno de Michel Temer. Estes são um punhado de batedores de carteira. Os verdadeiros bandidos estão à frente de bancos de investimento, esperando sinalização para outra rodada de privatização, liberalização e entrega de recursos naturais.

A mídia é financiada por esses bancos de investimento, os quais, por sua vez, são controlados por diretizes determinadas em Washington.

A presença de José Serra no ministério de Relações Exteriores, que, aliás, incorporou as responsabilidades do comércio exterior, tem um sentido estratégico para o golpe: financiar, a partir de fora, as eleições dos golpistas em 2016 e 2018, através de acordos para entregar o pré-sal, o minério de ferro, o nióbio.

O Brasil tem mais de 90% das reservas mundiais de nióbio, um minério essencial para diversos aparelhos de tecnologia de informação, mas essa notícia tem sido sistematicamente bloqueada pela mídia.

Há esperança de que Dilma possa vencer o impeachment no Senado? A manifestação de dúvida de diversos senadores fez a mídia produzir outra rodada combinada de ataques à Dilma.

A Lava Jato também foi acionada. Os novos “vazamentos” e as promessas de delações aparecem, como sempre, nos momentos mais oportunos, e o seu teor igualmente sempre se encaixa maravilhosamente às ordens do dia.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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