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Sem noção do ridículo, ministro da Cultura critica protestos antigolpe feitos em Cannes

Por Miguel do Rosário

06 de junho de 2016 : 11h31

Por Leonardo Miazzo, editor geral do Cafezinho

Um dos legados deste golpe de Estado em marcha no Brasil é, sem dúvida, a didática e irrefutável explicação sobre o que significa o termo “jornalismo chapa-branca”. Nem pesquisas de opinião sobre o governo Temer têm sido encomendadas pelos grandes veículos, o que, na prática, apenas confirma que a gestão golpista é natimorta.

Mas a grande mídia, capitaneada pela Globo, continua tentando. Aliás, parabéns a ela, que, mais cedo ou mais tarde, morrerá abraçada a Temer. A mais recente demonstração desse tipo de jornalismo foi a entrevista concedida pelo ministro interino da Cultura, Marcelo Calero, ao jornal O Globo.

A falta de capacidade do ministro é de dar pena, mas há algo mais. Ele chegou ao ponto de criticar os protestos contra o golpe feitos durante o Festival de Cannes pela equipe do filme Aquarius – tanto por artistas, quanto pelo diretor, o cineasta Kléber Mendonça. Aspas para Calero – e prepare o estômago:

“Eu acho muito ruim. Como qualquer manifestação, tem que ser respeitada, isso está fora de questionamento. Agora, acho ruim, em nome de um posicionamento político pessoal, causar prejuízos à reputação e à imagem do Brasil”.

Ou seja: não é a tentativa de golpe contra uma presidenta democraticamente eleita que arranha a imagem do Brasil; o que destrói a credibilidade do país não é o “grande acordo nacional”, envolvendo políticos e juízes, para levar ao poder aqueles que não têm voto; o que causa choque na comunidade nternacional não é nada disso. Imagine…

Mas Calero continua:

“Estão comprometendo (a imagem do país) em nome de uma tese política, e isso é ruim. Eu acho até um pouco totalitário, porque você quer pretender que aquela sua visão específica realmente cobre a imagem de um país inteiro. Eu acho que a democracia precisa ser respeitada e acho que é um desrespeito falar em golpe de Estado com aqueles que viveram o golpe realmente, o de 64”.

Se havia algum resquício de noção do ridículo, ele foi pelo ralo. De novo, o ministro insiste na tese de que a denúncia do golpe compromete a imagem do país. Talvez ele não esteja bem informado – ou, a exemplo do chanceler José Serra, que disse desconhecer a agência de espionagem dos EUA -, esteja apenas demonstrando a sua ignorância em relação ao que acontece no resto do mundo. A cada dia, mais e mais veículos internacionais denunciam o golpe no Brasil e escancaram a conspiração jurídico-midiática em curso no país.

Dar palanque a esse tipo de declaração, sem a devida contextualização e a obrigatória apresentação do contraditório, apenas confirma aquilo que sempre dissemos: imprensa chapa-branca é, na verdade, aquela que se veste de imprensa imparcial. Aquela que, supostamente, tem o monopólio da credibilidade. Aquela que tenta – e consegue – interferir e ditar o ritmo da política. Que transforma julgamentos em espetáculos, que utiliza delações premiadas como cenas de novelas, que abandona todo e qualquer preceito ético em detrimento da manutenção de seu status quo.

Mas, enquanto houver esse espetáculo grotesco, aqui estaremos. Resistindo e denunciando.

Como os artistas fizeram em Cannes.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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15 comentários

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Jadir Rocha

07 de junho de 2016 às 19h40

Marcelo Calero esse, sim, é um ministrinho.

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Delano SS

07 de junho de 2016 às 10h21

Não vamos aceitar o Golpe! Fora golpistas, fora PSDB, fora Temerrato, Fora Globo golpistá corrupta ,fora Veja golpista bandida, fora Gilmar corrupto Mendes, fora Janó , Moro golpista Torquemada, fora Golpistas não terão paz!

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Lili Santos

07 de junho de 2016 às 10h53

Se não teve noção do absurdo nas respostas abaixo é porque só se importa com o próprio umbigo. Não me surpreende.
.
https://www.youtube.com/watch?v=Sm_tv5pG6R8

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Antonio Carlos Lima Conceicao

06 de junho de 2016 às 19h37

Não seria imprensa chapa vermelha: de aluguel?

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revenger

06 de junho de 2016 às 17h34

Como diria minha avó: ele perdeu uma grande chance de ficar calado.

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CIANOTON_PACE

06 de junho de 2016 às 17h21

Fique calado, ministro temporário! Quanto menos se expuser ao ridículo, menos vai sofrer depois que o seu chefe trapalhão e toda a corja golpista voltar para a lata de lixo da História.

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Francisco SEVERIANO DOS SANTOS

06 de junho de 2016 às 17h10

Relevem, pois esse ministro não sabe o que é cultura e nem o que significa CANNES, talvez pense que isso é de comer ou passar no cabelo.

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Antonio Paulo Costa Carvalho

06 de junho de 2016 às 16h26

Neste país até as pedras sabem que se trata de um golpe. A imprensa mundial não é besta para ser enganada. Sabem de tudo. Sabem que este neoliberalismo que estão implantando é tupiniquim, com a devida vênia aos tupiniquins. Esta elite deve que não ama o Brasil (brazil) é o símbolo de tudo que há de mais podre no mundo: um governo informante da CIA. dos EEUU, um juiz que vai na Itália, diz que faz o que foi as “mãos limpas” na Itália, mas não tem a mínima noção das coisas, um STF que deixa correr floxo o desmonte das empresas nacionais, um Congresso financiado pela corrupção. Depois querem dizer que falam mal do país. O burro não sabe o que o mundo inteiro sabe: que é golpe.

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Marcos

06 de junho de 2016 às 16h04

Eu estou imune à imprensa chapa branca. FORA IMPRENSA GOLPISTA, FORA TEMER E SEU SÉQUITO DE CORRUPTOS!

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gilberto

06 de junho de 2016 às 15h38

Cara de pau esse ministro quando diz “eu acho que a democracia precisa ser respeitada”. Golpe passou a ser conduta democrática?

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Luís Carbonário

06 de junho de 2016 às 15h20

Mais um pateta dentro do (des) governo.

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Anastacia

06 de junho de 2016 às 14h50

Resistiremos sempre! #ForaTemer
#VoltaQuerida

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tadeugimenez

06 de junho de 2016 às 13h23

Perderam a oportunidade de perguntá-lo sobre seu conceito de cultura. Adoraria ler sua resposta,,,

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rogeriobezerra

06 de junho de 2016 às 12h31

Nem “off boy” de ministério esse co-usurpador seria num governo do PT. Em Cuba e China a angústia exisstecial desses traidores logo seria resolvida, mas, por enquanto, essa gente vive na TV.

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totonho

06 de junho de 2016 às 12h19

Ministro da Cultura acha que reagir ao golpe é ruim para a imagem do Brasil

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