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Sérgio Cabral e a arte de desaparecer

Por Vinicius Silva

20 de junho de 2016 : 18h25

Foto: Momento Verdadeiro/Fonte: O DIA.

Por Vinícius Silva, colaborador de O Cafezinho.

Uma das falas mais inacreditáveis e que passou “despercebida” nas entrevistas dadas à mídia corporativa em que o então governador em exercício do Rio de Janeiro Francisco Dornelles (PP), ao decretar pela primeira vez na história “estado de calamidade pública” no Rio de Janeiro quando indagado sobre as causas da crise, foi:  “O que aconteceu ontem pertence à história”. Como? O que aconteceu pertence à história?

Se o governador não é capaz de dizer, se a mídia corporativa (e seus respectivos interesses) é simplesmente incapaz de argumentar – “Mas, como assim?” – eu e O Cafezinho não nos furtaremos a dizer os responsáveis pela tragédia e o circo de horrores em que vivemos no Estado do Rio de Janeiro neste momento, e eles são o ex-governador Sérgio Cabral e o PMDB.

O PMDB governa o estado do Rio de Janeiro, e vários outros municípios da Região Metropolitana, inclusive a cidade do Rio de Janeiro sede Olímpica, há no mínimo 15 anos. Levando-se em consideração as pequenas intermitências, podemos falar em 20, 30 anos de governos do PMDB. Governos muito bem ocupados por outros partidos, como o PP, do atual governador, o PSDB, DEM, entre outros menores da centro-direita. Também não podemos esquecer que nossa centro-esquerda também habitou, desde sempre, os governos do PMDB, com alianças regionais e nacionais. Lula dizia que “Sérgio Cabral era o cara” aqui no Rio. O PT carioca tornou-se um satélite do PMDB, assim como o PPS também o é em relação ao PSDB em São Paulo. O PC do B também fez parte e apoio o PMDB fluminense até… ontem. Agora todos rejeitam o filho feio, mas estiveram lá, desde sempre.

E o que se desenhou nestes 10 anos de governo Sérgio Cabral/Pezão/PMDB, isso sem contar a cidade do Rio e outros municípios? Denúncias, muitas denúncias. Convivemos com o fisiologismo clássico dos caciques regionais, com o consórcio partidário-empresarial em que o orçamento de TODAS as grandes obras e concessões públicas foram repassadas para os grandes investidores/doadores de campanhas. Denúncias de compra de votos, de uso eleitoral da máquina pública. Denúncias de associação com milicianos/máfia, como esquecer da já clássica entrevista do atual prefeito do Rio Eduardo Paes (PMDB) ao RJTV, dizendo que alguns “amigos” estavam ajudando na segurança pública em alguns bairros da zona oeste da cidade. Denúncias de envolvimento em corrupção de praticamente todos os caciques políticos do PMDB nas delações e investigações da Lava-Jato. Lembremos: Eduardo Cunha é deputado federal eleito pelo… PMDB do Rio de Janeiro!

E diante dessas “parcas” denúncias (com ironia, por favor), os políticos do PMDB do Rio de Janeiro vivem certa tranquilidade de gestão, principalmente em relação à pressão pública da grande mídia corporativa. Apesar do “aperto” recente. Também pudera, não?

O galopante endividamento público já vinha denunciado desde meados de 2014 por muitos políticos de oposição ao PMDB. Os juros associados às novas dívidas também. Os pedidos de auditoria da dívida pública estadual simplesmente ignorados. O aparelhamento do TCE por indicados políticos. O silêncio sorridente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, movido a muitos aumentos de sortidos auxílios. O avanço galopante do extermínio de pobres e repressão política promovidos pela PMERJ. A conveniente preguiça jornalística de jornalões e empresas de comunicação. Tudo isto no governo de… Sérgio Cabral!

O ex-governador Sérgio Cabral está desaparecido desde as Manifestações de 2013, quando todos os fatores acima listados estavam na boca de grande parte dos jovens manifestantes que foram às ruas e, mais uma vez, foram reprimidos, violentados e perseguidos pela PM fluminense. Especialidade da casa.

Sérgio Cabral desapareceu em 2013, mas continuou operando nos bastidores. Através da máquina do PMDB e do desencantamento da população fluminense, elegeu seu vice, Pezão, como governador em 2014. Também elegeu seu filho, Marco Antônio Cabral (PMDB) a deputado federal, e que hoje é o secretário estadual de esportes, no ano das Olimpíadas, diante da sua grande experiência de… 23 anos!

O governador Francisco Dornelles pode ter esquecido! A grande mídia corporativa também pode ter esquecido! Mas eu não esqueci, e certamente a população do Rio de Janeiro também não. Os responsáveis pelo estado de calamidade política em que vivemos neste momento são: Sérgio Cabral e o PMDB.

Obs.: Para confirmar minha coluna anterior “Temer e arte de governar por editoriais”, o O GLOBO lança mais uma vez um editorial on line e à tarde (A União tem uma dívida com o Rio), só que dessa vez é, em nome das Olimpíadas e de nossa “imagem” internacional, uma tentativa de salvar o PMDB do Rio de Janeiro, até porque ele foi decisivo, via Eduardo Cunha, para a golpe e a manutenção do ilegítimo Michel Temer. E porque o Grupo Globo investiu muito dinheiro nestas Olimpíadas e seu fracasso seria intolerável. A conta do golpe ainda está aberta, e tem que ser paga!

 

Vinícius Silva é sociólogo, professor, escritor e ativista de direitos humanos.

Contato: vinicius.fsilva@gmail.com

Facebook FanPage: www.facebook.com/palavrassobrequalquercoisa

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5 comentários

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Mikhail_Mil

22 de junho de 2016 às 12h41

Uma pergunta que faço e acho que ninguém ponderou isso.
Qual o caso de verificar um crime de responsabilidade fiscal?

No caso do Rio, a declaração de calamidade não é feita por razões de saúde fiscal?
(Eu sei que todo mundo odeia a doutora Janaína, mas quando um estado fica sem dinheiro ou sem condições de cumprir metas básicas como segurança, saúde e educação, configura como incompetência de ordem econômica e jurídica certo? Ou não?)

Antônio Passos, só do PMDB ser corrupto ou se manter assim por meio século já o faz culpado e responsável pela cultura destrutiva que ajudaram a permear na cidade, RMRJ e todo o estado do RJ.
Lembra da época do escândalo da Delta? O nome do dito cujo dono do título dessa matéria foi diversas vezes citado nos vazamentos.

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Antonio Passos

20 de junho de 2016 às 22h11

Menos, menos, menos papagaiada por favor. Sim, o PMDB do Rio é corrupto DESDE o MDB, quase MEIO SÉCULO. Mas a verdade não pode ser escondida, senão vamos agir como o PIG. A falência da cidade não tem NADA a ver com a corrupção pmdebista. O Rio faliu por causa da cadeia do petróleo e do ajuste maluquinho de Dilma-Levy, ponto. Os verdadeiros vilões da FALÊNCIA são outros: Moro, Levy, preço do petróleo, por aí. Teremos de lembrar até da ridícula Graça Foster e seu papel no cerco à Petrobras ; e muito mais coisas. Então vamos discutir a safadeza política, a corrupção, a péssima administração, deixando de lado o problema da falência, que é de outra ordem. Outra coisa, é uma torpeza fazer demagogia com as alianças petistas, é modinha entre quem gosta de abordagens simplórias e que agradam. O PT governou e TRANSFORMOU o Brasil como NUNCA ninguém fez, exatamente por saber negociar com o lixo que o POVO ELEGE. E aqui no Rio, elege há MEIO SÉCULO.

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Eduardo

20 de junho de 2016 às 20h53

Globo recebe R$ 30 milhões de governo e prefeitura do Rio para organizar festa da Fifa

Com a confissão da falência do estado do Rio de Janeiro, é importante se ter noção da evolução dos desgovernos do PMBD e sua corja. E infelizmente não podia faltar a presença deletéria da globo: golpista corruptora, sonegadora.
Segue o “link” para a notícia acima:
http://folhapolitica.jusbrasil.com.br/noticias/116585871/globo-recebe-r-30-milhoes-de-governo-e-prefeitura-do-rio-para-organizar-festa-da-fifa

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marco

20 de junho de 2016 às 19h45

Sempre que se falar em ELEITOS,devemos todos lembrar também,um personagem que fica sempre à sombra de nossas lembranças. O eleitor,tão ou mais CANALHA que a canalhada que elegem.Contudo concordo com os argumentos do articulista,pois são verdadeiras suas argumentações.Mas o ELEITOR CANALHA,também existe.Fica desaparecido por tempos,mas está sempre na sombra.

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Guilherme

20 de junho de 2016 às 18h56

Votar no Sérgio Cabral já é o fim da picada, mas saber que votaram no seu filhote de 23 anos para Deputado Federal dá vontade de me jogar de uma ponte.

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