Lava Jato legaliza a chantagem jurídico-midiática

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(Deltan Dallagnol, Rodrigo Janot e Aldemir Bendins – Operação Lava Jato – Foto: José Cruz/ABr | Agência Brasil)

Análise Diária de Conjuntura – 19/07/2016

Olha só que interessante essa nota publicada hoje no Painel da Folha.

Lava Jato reprova delação de executivos da Odebrecht por serem “superficiais”

Tente outra vez A Lava Jato adotou linha dura com a Odebrecht, um dos principais alvos da operação. Diversos delatores da empresa tiveram suas propostas de colaboração premiada recusadas. Investigadores reclamam que os anexos são superficiais e dão o recado: quem não entregar o ouro não levará o benefício. A demora em fechar os acordos prolonga a estadia dos executivos em Curitiba e dificulta a vida da empresa, que vende ativos para reduzir dívidas e afastar o risco de recuperação judicial.

Conseguem observar a quantidade de chantagens pesadíssimas reunidas em tão poucas frases?[s2If !current_user_can(access_s2member_level1)]

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Chantagem 1: Ameaça à liberdade física dos executivos da Odebrecht. A prisão é descaradamente usada como forma de tortura. A coisa é tão explícita que a Lava Jato não se constrange de usar a mídia para fazer ameaças diretas. Sem delação, vai continuar em regime fechado. O contraste com os delatores curtindo a boa vida em suas casas de praia, aproveitando os milhões de dólares que roubaram, dos quais devolveram apenas uma parte, é profundo.

Chantagem 2: Não adianta delatar qualquer coisa. É preciso delatar o que os procuradores querem, ou seja, aquilo que se encaixa nas teorias já estabelecidas pelo Ministério Público e por Sergio Moro. Qualquer delação que atrapalhe essa narrativa, não será aceita. Para isso, basta alegar que são “superficiais”. A delação de Odebrecht, portanto, está sendo guardada aqui como bala de prata do golpe. Qualquer ruído no impeachment, e a Lava Jato tira da cartola mais um vazamento seletivo, e não apenas contra o PT. PMDB e PSDB também estão sob ameaça, mas por motivos diferentes: eles tem de completar o golpe para poderem se livrar. Se não consumarem o golpe, serão presos. Já no caso do PT, precisa abaixar a cabeça, entregar Lula e desistir das ideias que lhe renderam quatro mandatos presidenciais consecutivos.

Chantagem 3: A nota deixa bem claro que, senão entrar no jogo golpista da Lava Jato, a Odebrecht será destruída inteiramente. A principal empresa brasileira de engenharia de repente passou a ser tratada, pelas forças do golpe, como uma peça descartável no xadrez pelo poder. Desde o início da Lava Jato, a mídia começou a se referir às maiores empresas brasileiras de engenharia, que atuam no Brasil há décadas, tendo construído estradas, aeroportos, portos, pontes, hidrelétricas, como “empresas da Lava Jato”, ou “empresas envolvidas na Lava Jato”. Elas perderam o nome próprio. O Globo teve o desplante de chamá-las de “empresas companheiras”, tentando associá-las ao PT, apesar de serem empresas tradicionais que sempre tiveram ligações muito maiores com o PSDB e com as forças políticas conservadoras.

A nota dá informações sobre venda de ativos e risco de recuperação judicial. A nota em si é mais que uma ameaça, é um ataque, visto que empresas vivem de sua credibilidade. Se um jornalão diz que uma empresa está sob risco de recuperação judicial, que banco emprestará dinheiro novo àquela empresa, que investidor arriscará seu dinheiro pondo dinheiro lá.

Chantagem 4: Outra mensagem evidenciada pela nota em si é que a mídia é aliada da Lava Jato. Ou seja, se a Odebrecht não “colaborar” com as investigações da Lava Jato, não espere que a mídia ajude a defesa da empresa a denunciar as arbitrariedades, as chantagens, o abuso de poder, o uso da prisão como tortura. Nada disso. A mídia é aliada da Lava Jato, porque é artífice do golpe e cúmplice desse movimento pela fascistização do judiciário, que é essencial na criação da atmosfera pró-golpe que vivemos desde meados do ano passado.

Enquanto isso, Rodrigo Maia anula CPI do Carf, que investigaria os grandes esquema de sonegação. E a mídia abafa, do jeito que ela sabe, ou seja, noticiando mas sem destaque, sem repercussão, a informação de que Cunha teria intermediado encontros entre Michel Temer, atual presidente interino, e os diretores da Andrade Gutierrez, para tratar de questões de dinheiro.

Um internauta nos lembrou uma matéria na Folha publicada em julho de 2015, que mostra o passo a passo do golpe sendo articulado entre Eduardo Cunha e Gilmar Mendes.

Cunha discute impeachment com ministro do Supremo

MARINA DIAS
NATUZA NERY
DE BRASÍLIA

14/07/2015 02h00

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), reuniu-se com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes e com o deputado Paulinho da Força (SD-SP), dirigente da segunda maior central sindical do país, para avaliar, entre outros temas, cenários da atual crise política, incluindo um processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

O encontro, um café da manhã na residência oficial da Presidência da Câmara, se deu na última quinta-feira (9).

Segundo a Folha apurou, o agravamento da crise foi discutido em detalhes. Os presentes fizeram uma primeira avaliação do cenário no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), onde a chapa de Dilma é investigada por suposto abuso de poder e financiamento irregular de campanha.

Chegaram à conclusão de que um pedido de cassação dificilmente será aprovado no tribunal, cuja corte está dividida sobre o tema.

No encontro também foi feito um diagnóstico sobre as dificuldades de abertura de um processo de impedimento na Câmara contra Dilma. A Constituição exige 342 votos a favor para que um pedido do gênero seja aberto.

Diante disso, Paulinho da Força afirmou, conforme relatos, que um processo de impedimento da presidente só iria para frente por meio de um acordo que passasse por quatro pessoas: Cunha, o vice-presidente Michel Temer (PMDB), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o presidente do PSDB, Aécio Neves (MG).

Um arranjo desses, segundo os desenhos projetados, resultaria em um “parlamentarismo branco” a partir de um eventual impeachment: Temer compartilharia o poder com os presidentes da Câmara e do Senado e governaria em uma espécie de triunvirato até as eleições de 2018.

Um parlamentar disse à reportagem que o clima político para isso só estará “mais maduro” depois que o TCU (Tribunal de Contas da União) julgar as contas de 2014 do governo. A tendência é que a corte as reprove, o que abriria caminho para o Congresso analisar o caso.

O julgamento no TCU estava previsto para a próxima semana, mas a análise foi adiada para agosto.

Sob condição de anonimato, um parlamentar afirmou à Folha ter feito parte de um movimento para pressionar o TCU pelo adiamento. Assim, quando as contas forem julgadas, o Congresso já estará na ativa –o recesso parlamentar vai de 18 a 31 de julho. (…)

Repare na seguinte frase, do Paulinho da Força:

Diante disso, Paulinho da Força afirmou, conforme relatos, que um processo de impedimento da presidente só iria para frente por meio de um acordo que passasse por quatro pessoas: Cunha, o vice-presidente Michel Temer (PMDB), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o presidente do PSDB, Aécio Neves (MG).

Faltou mencionar o STF, que estava presente na reunião com Cunha na figura de Gilmar Mendes.

Lembrem que o primeiro (quase falei “a ser comido”…) a ser visitado por Rodrigo Maia, após sua eleição para a presidência da Câmara, foi Aécio Neves, presidente do PSDB. [/s2If]

Miguel do Rosário: Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
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